Como Swiatek foi da adversidade ao brilhantismo em Roma
Por Mario Sérgio Cruz
maio 18, 2021 às 10:35 am
Swiatek salvou match-points nas oitavas e terminou com duplo 6/0 na final (Foto: Giampiero Sposito)

Swiatek salvou match-points nas oitavas e terminou com duplo 6/0 na final (Foto: Giampiero Sposito)

Campeã do WTA 1000 de Roma no último domingo, Iga Swiatek corou sua vitoriosa trajetória nas quadras de saibro do Foro Itálico com uma arrasadora vitória por duplo 6/0 em apenas 46 minutos sobre Karolina Pliskova no último domingo. Mas a campanha da jovem polonesa de 19 anos e agora número 9 do mundo não tão tranquila quanto o placar do último jogo faça parecer. Com seis vitórias seguidas na semana, Swiatek escapou de dois match-points no duelo contra Barbora Krejcikova nas oitavas de final e teve que superar uma rodada dupla de quartas e semifinal no último sábado, contra Elina Svitolina e Coco Gauff. Também algoz das norte-americanas Alison Riske e Madison Keys nas fases iniciais, a polonesa sente que foi elevando seu nível de tênis ao longo da semana, indo da adversidade ao brilhantismo.

“Foi muito dramático por tudo o que aconteceu esta semana. Sinto que, apesar de ter conquistado o título, o mais importante é que ganhei tanta experiência e aprendi tanta coisa que isso vai surtir efeito no futuro. Estou muito feliz com isso”, disse Swiatek, em entrevista ao site da WTA. “Aprendi que posso ser uma jogadora consistente e que posso vencer mesmo quando não estou me sentindo muito bem. As três primeiras rodadas foram realmente complicadas para mim, mas fui me sentindo melhor a cada dia. Mesmo assim, pensei que não seria o suficiente ganhar um torneio. E de repente tudo mudou”.

A polonesa tentou lidar com as situações adversas de forma positiva. “Também aprendi que quando está situações que não pode controlar, como ter que jogar pelas quartas e semifinal no mesmo dia, você só precisa se concentrar nos aspectos positivos. No começo, eu estava muito frustrada por ter estar nessa situação, mas depois percebi que isso realmente me ajudou. Depois da minha partida contra a Elina Svitolina, eu consegui manter o ritmo e ficar mais tempo em quadra e isso me deu muita confiança para a final. Não sei como jogaria se não tivesse um dia de folga. Portanto, olhar para o lado positivo das coisas foi muito importante”.

É possível vencer sem jogar bem
A atual campeã de Roland Garros também aposta no trabalho de preparação mental ao lado da psicóloga esportiva Daria Abramowicz e tem evoluído no sentido de conseguir buscar as vitórias mesmo quando não joga o seu melhor tênis. “Quando eu era mais jovem, ou mesmo no ano passado, eu tinha em mente que não poderia ganhar jogando mal. Normalmente, nessa situação, eu era o tipo de pessoa que desistia mentalmente. Mas agora eu sei que ainda posso vencer. Mesmo não me sentindo totalmente perfeita em quadra, consegui administrar tudo e apenas ganhar os pontos. Talvez não fosse o meu estilo, mas o mais importante foi ganhar ponto a ponto e tentar permanecer focada”.

A resiliência de Swiatek em quadra tem como principal exemplo a vitória sobre Krejcikova por 3/6, 7/6 (7-5) e 7/5 em 2h50 de partida nas oitavas de final. A polonesa sofreu quatro quebras no primeiro set e começou a parcial seguinte perdendo por 2/0. Mesmo buscando o empate no quarto game, teve que evitar novas chances de quebra durante a parcial e salvar dois match-points quando perdia por 6/5 para forçar o tiebreak e conseguir igualar a partida. Já no set decisivo, Krejcikova vinha confirmando seus serviços com maior tranquilidade até o empate por 5/5, enquanto Swiatek já havia evitado a quebra em três oportunidades. Já no último game da partida, quando vencia por 6/5, a campeã de Roland Garros não deu pontos de graça, foi muito firme e precisa do fundo de quadra em uma das subidas à rede para chegar ao match-point e aproveitar a chance.

“Estou ciente de que algumas partidas não vão ser perfeitas. Agora, tenho tempo para realmente me desenvolver durante o torneio, e isso é muito melhor. Isso é um tipo de coisa que todo mundo tem que aprender e acho que fiz isso muito rapidamente. Então, estou feliz. Nem sempre é fácil e às vezes você fica frustrada por se esforçar tanto nos treinos e não jogar as partidas tão bem. O tênis é meio frustrante às vezes. Você apenas tem que aceitar e continuar. Foi o que fiz esta semana. E é por isso que este torneio é tão especial para mim”, complementou Swiatek, treinada por Piotr Sierzputowski, eleito o melhor técnico do circuito em 2020.

Novas responsabilidades e expectativas
Desde a conquista de seu primeiro Grand Slam no ano passado, Swiatek teve que lidar com uma realidade na carreira, com mais compromissos extra-quadra e uma mudança nas expectativas, já que ela passava a ser vista como candidata aos títulos importante e favorita em grande parte dos jogos. Ela reconhece que teve dificuldades nos primeiros torneios com novas responsabilidades.

“Com certeza, aprender a lidar com o lado empresarial do tênis foi difícil, porque você tem mais obrigações e mais coisas com que se preocupar. E você não sabe se isso vai influenciar o seu jogo ou não. Com certeza influencia, mas você tem que aprender a lidar com tudo isso. É difícil encontrar o equilíbrio no início entre trabalhar e fazer outras coisas. Então, esse também é o tipo de coisa com que minha equipe me ajudou muito. Também tive que aprender a lidar com as expectativas. Lembro-me da minha primeira partida da temporada, antes do Australian Open, foi muito, muito difícil. Porque eu ficava pensando: ‘Ei, há tantas pessoas que confiaram em mim, eu [tenho que] jogar bem’. Isso realmente me destruiu por alguns dias e também durante a minha partida. Foi muito difícil”.

Segredo foi não pensar no placar

Já sobre a arrasadora vitória sobre Pliskova, campeã de Roma em 2019 e vice no ano passado, Swiatek diz que o segredo foi não pensar no placar. “Quando meu treinador me disse que foi 6/0, 6/0, eu perguntei: ‘Sério? Tem certeza de que não está errado?’ Durante as viradas de lado, eu visualizava que estava apenas começando aquela partida desde o início. Todas as vezes. Na verdade, fiz isso tão bem que nem sabia que havia feito 6/0 no primeiro set. O segredo foi não pensar sobre isso e apenas continuar jogando. Porque quando você começa pensar demais sobre o placar, você pode realmente arruinar sua mentalidade e sua atitude”, falou durante a entrevista coletiva após o jogo.

Swiatek liderou a estatística de winners na final de Roma por 17 a  5, e cometeu apenas cinco erros contra 23 de Pliskova. No total de pontos, a polonesa fez 51 a 13. Ela destaca, principalmente, o começo do jogo. A polonesa sentiu que a rival parecia mais nervosa e já tentou abrir vantagem, aproveitando-se das quatro duplas-faltas que Pliskova fez em seus dois primeiros games serviço e dos erros não-forçados da tcheca. “Desde o início, achei que ela pudesse estar um pouco nervosa. Eu queria usar isso e realmente jogar o máximo de games possíveis com aquela vibe. É por isso que o jogo estava muito rápido no início. Eu vi isso, porque achei que o movimento dela não era muito bom, mas também tinha em mente que começaria logo a se sentir melhor e entrar no ritmo”.

‘Foi difícil ganhar um ponto’, diz Pliskova
Amplamente dominada na final de Roma, Pliskova reconhece que teve um dia ruim, mas enalteceu a grande partida de sua adversária. “Acho que ela teve um dia incrível e eu um dia horrível. E isso pode acontecer. Eu estava me sentindo péssima hoje. Mas acho que ela tornou tudo extremamente difícil para mim. Eu não conseguia ganhar qualquer ponto ou fazer qualquer coisa no meu jogo. Ela estava jogando super rápido e sendo agressiva. Eu fiz apenas algumas boas jogadas, e acho que ela conseguia redirecionar muito bem a bola e jogar ainda mais rápido, especialmente no saibro. Hoje ela teve um posicionamento incrível da bola. Tudo era super profundo e perto das linhas”.


Comentários
  1. Patricia Alves

    Além de jogar bem, ela teve sorte de Sabalenka, Barty e Halep, sairem precocemente, mas é isso, campeões tbm precisam de sorte.

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Sim, tem alguns encaixes de estilos de jogo que acabam dando mais trabalho para ela. Lembro também do que ela falou quando perdeu da Halep no AO, sobre o quanto a romena foi muito inteligente para mudar a dinâmica da partida. Mas acho que com a Sabalenka ela até aguentaria bem a pancadaria, porque também tem peso de bola, mas tem recurso para quebrar o ritmo da adversária.

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