Pucinelli celebra a boa fase e destaca amadurecimento
Por Mario Sérgio Cruz
março 23, 2021 às 6:27 pm

Matheus Pucinelli venceu nove dos últimos dez jogos que disputou em torneios de nível ITF na Turquia (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de disputar oito torneios ITF M15 no saibro de saibro de Antalya, na Turquia, e de conquistar seu primeiro título como profissional há nove dias, Matheus Pucinelli está de volta ao Brasil. O jovem paulista de 19 anos vive seu melhor momento no circuito, com nove vitórias nos últimos dez jogos e duas finais seguidas nas últimas semanas. Ele ganhou 55 posições no ranking da última segunda-feira e assumiu o 620º lugar, melhor marca da careira, e deve subir ainda mais na semana que vem, já que tem seis pontos na ATP a receber.

Pucinelli acredita que a série de torneios foi de fundamental importância para seu amadurecimento dentro e fora de quadra. Em meio às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, ele teve que ir à Turquia sem a companhia de seu técnico, Luis Fabiano Ferreira. Nas quatro primeiras semanas, não conseguiu passar pelos qualificatórios dos torneios, com três rodadas cada um. “Meu treinador não conseguiu vir. Tive as quatro primeiras semanas difíceis, sem conseguir passar os qualis. Mas consegui trabalhar bem e fui melhorando um pouco a cada dia até me sentir realmente bem”, disse ao TenisBrasil.

Os resultados na quinta semana de Pucinelli na Turquia o fizeram acreditar que a situação seria diferente nos demais torneios. O paulista conseguiu passar pelo quali de três rodadas e estreou na chave principal vencendo um duelo nacional contra o pernambucano João Lucas Reis, que é seu parceiro de treinos. Nas oitavas, equilibrou as ações contra o ucraniano Oleksii Krutykh, que terminaria a semana como finalista. “O momento que eu senti que o meu jogo encaixou foi quando eu passei do quali e ganhei meu primeiro jogo na chave, contra o João, que treina comigo. Depois nas oitavas, eu tive o primeiro set na mão e o jogo estava dominado, mas acabei me perdendo. Aí eu comecei a enxergar que eu estava com o jogo na mão contra um cara que depois chegou à final do torneio e vi que o meu nível estava alto e subindo”, avaliou o jogador de 19 anos e campeão juvenil de duplas em Roland Garros na temporada de 2019.  

Quando ainda disputava o circuito juvenil, Pucinelli se sentia mais confortável em quadras mais rápidas. Com o tempo, ele vem se adaptando melhor ao saibro e conquistando melhores resultados também neste piso. A série começou no challenger de São Paulo, disputado em novembro do ano passado, no Clube Hípico Santo Amaro. Na ocasião, ele foi desde o quali até as quartas de final e saltou do 936º para o 669º lugar do ranking. “Estou começando a enxergar melhor o jogo, jogar melhor taticamente e sabendo usar as partes específicas do saibro ao meu favor”.

O salto no ranking vai possibilitar que ele entre diretamente nas chaves de mais torneios do circuito da ITF e ter uma melhor definição, apesar do momento de restrições a viagens internacionais que já estão afetando alguns tenistas. “Nesses qualis de 64, que eu vinha jogando aqui, eu precisava de três vitórias para entrar na chave. Então já é um desgaste mental e físico”, avaliou Pucinelli. “Vamos ver se com o meu ranking eu já consigo entrar na maioria das chaves. Acho que vai ajudar bastante”. O jovem tenista deve disputar dois torneios na Argentina nas próximas semanas e depois retorna ao Brasil para treinamento, enquanto acompanha a situação da Covid-19 para poder viajar novamente.

Confira a entrevista com Matheus Pucinelli.

Qual avaliação que você faz dessas semanas na Turquia, especialmente com essas duas últimas com um título e um vice-campeonato?
Acho que essa gira aqui na Turquia foi bem produtiva. Tanto pelos resultados expressivos que eu tive nessas duas últimas semanas, quanto pelo amadurecimento mental. Foi a minha primeira gira sozinho, sem treinador. A gente teve alguns problemas de fronteira, que acabou fechando para quem vinha do Brasil. Meu treinador não conseguiu vir. Tive as quatro primeiras semanas bem difíceis, sem conseguir passar dos qualis, que estavam duros. Mas consegui trabalhar bem e fui melhorando um pouco a cada dia, até me sentir realmente bem em quadra.

Como foi para manter a rotina nessas semanas. Foi mais batendo bola com o João mesmo e trocando mensagens com o técnico?
Sobre manter a rotina. Fiz alguns treinos com o João, mas sempre tentando trocar e arrumar outros parceiros entre os caras do torneio, porque já estou acostumado a treinar com o João. E fui trocando mensagens com o treinador e o preparador físico para manter essa rotina bem organizada.

Em que momento você sentiu que o seu jogo encaixou lá e você começou a vencer várias partidas seguidas? Teve algum jogo específico?
O momento que eu senti que o meu jogo encaixou foi na quinta semana, quando eu passei do quali e ganhei meu primeiro jogo na chave, contra o João, que treina comigo. Sabia que era um jogo duro. Depois nas oitavas, eu tive o primeiro set na mão, o jogo estava dominado para eu ir às quadras, mas acabei me perdendo. Logo depois aquele cara chegou à final, jogando muito bem naquela semana.

Aí eu comecei a enxergar que eu estava com o jogo na mão contra um cara que depois chegou à final do torneio e vi que o meu nível estava alto e subindo. Eu tinha encaixado quatro bons jogos na semana, três no quali e um na chave, e fiz mais um jogo duro. Então eu comecei a me sentir melhor. E na semana seguinte foi progredindo.

Você já comentou algumas vezes que prefere as quadras mais rápidas. Mas pensando no saibro, em que você acha que mais evoluiu?
Sim, eu prefiro. Mas vamos dizer que hoje eu estou dividido. Estou mais meio a meio entre saibro e rápida. Eu tive ali no final do ano passado um resultado no saibro no challenger de São Paulo, então venho me sentindo confortável e confiante para jogar no saibro. Acho que o meu jogo encaixa bem tanto para o saibro quanto para a rápida. E venho me sentindo cada vez mais confortável. Estou começando a enxergar melhor o jogo, jogar melhor taticamente, e sabendo usar as partes específicas do saibro ao meu favor.

O quanto vai ser importante não precisar jogar tantos qualis, muitas vezes com três rodadas, agora que você vai dar esse salto no ranking? Imagino que seja ótimo até para ter alguns dias a mais de preparação e chegar mais inteiro nas fases finais.
Com certeza, essa parte de não ter que jogar os qualis ajuda bastante. Nesses qualis de 64, que eu vinha jogando aqui, eu precisava de três vitórias para entrar na chave. Então já é um desgaste mental e físico. E depois, para avançar na chave, você tem que fazer mais cinco jogos até ser campeão. Vamos ver se com o meu ranking eu já consigo entrar na maioria das chaves. Acho que vai ajudar bastante para poder avançar.

É um pouco difícil definir o calendário agora por causa das restrições, mas você tem uma definição de quais serão seus próximos torneios?
Sobre o meu calendário, está difícil mesmo, como você falou. O que eu sei é que nessa semana eu não jogo, mas na próxima eu vou jogar em Villa Maria, na Argentina. E depois, em Córdoba. Aí depois, a programação é treinar duas ou três semanas no Brasil e ver como está a situação da Covid para tentar viajar para algum lugar. Talvez para a Europa ou para o Egito. São as opções que nós temos no momento. 


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