As lições das derrotas de Swiatek e Aliassime
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 15, 2021 às 2:38 pm

Representantes mais jovens nas oitavas de final feminina e masculina do Australian Open, Iga Swiatek e Felix Auger-Aliassime se despediram do torneio no último domingo em momentos muito distintos. A polonesa de 19 anos reencontrou a número 2 do mundo Simona Halep, a quem havia derrotado na campanha para o título de Roland Garros, e começou bem, mas não conseguiu lidar com as mudanças táticas que a experiente romena adotou a partir do segundo set. Já o canadense de 20 anos entrou como favorito diante do russo vindo do quali Aslan Karatsev, 114º do ranking, e venceu os dois primeiros sets, mas deixou escapar uma grande chance de chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez ao permitir a virada. Para ambos, ficam as lições das derrotas para a sequência da temporada.

“Estou um pouco decepcionada, porque o primeiro set foi perfeito para mim. Senti que estava jogando bem. Acho que a Simona conseguiu mudar suas táticas, começou a jogar com mais topspin e isso foi difícil para mim. Eu já não conseguia controlar os golpes”, disse Swiatek, depois da derrota por 3/6, 6/1 e 6/4 para Halep em 1h50 de partida. “Eu tenho muito respeito pela Simona. Parece que ela tem muitas opções. E quando algo não está dando certo, ela apenas muda a tática e isso é ótimo. Essa é a diferença entre as campeãs e as jogadoras menos experientes, porque eu não sentia que tinha muitas opções”.

Apesar de ser uma tenista com muita habilidade e capaz de variar bastante o jogo com muitos recursos, Swiatek mostrou que também tinha condição física e potência nos golpes para sustentar as trocas de fundo contra uma rival tão sólida como Halep. A polonesa fez um primeiro set muito consistente, ao anotar 14 winners contra 8 e cometer 11 erros, apenas um a mais que a romena.

Mas Swiatek perdeu consistência do fundo de quadra a partir do segundo set e as estatísticas mostram isso. Enquanto no set inicial ela havia vencido 19 dos 31 pontos com cinco ou mais trocas de bola, o número de ralis caiu para apenas 17 na parcial seguinte com 10 a 7 para Halep. A romena também dominava os pontos mais curtos, com até quatro trocas, por 16 a 6. E não foi necessário para a vice-líder do ranking encurtar os pontos ou jogar de forma mais agressiva, porque era Swiatek quem errava cedo demais. “Ela jogou de forma muito inteligente. Talvez eu estivesse batendo muito forte na bola e arriscando demais, mas tive que fazer isso porque ela estava variando muito o jogo e eu precisava definir os pontos”, avalia a 17ª do ranking.

Leia mais: Swiatek e Andreescu lideram nova geração feminina

“Os golpes dela estavam mais pesados que no primeiro set, e eu precisava atacá-la mais vezes e cometi muitos erros não-forçados”, comentou a polonesa, que cometeu 12 erros não-forçados na parcial, sendo sete ainda nas quatro primeiras trocas de cada ponto. Halep cedeu apenas quatro pontos em seus games de serviço, pressionou nas devoluções para quebrar duas vezes, e só precisou fazer cinco winners no set, um a mais que Swiatek, além de cometer apenas três erros não-forçados. “E eu senti que eu não tinha tanta energia no segundo set, tentei me poupar para o terceiro. Mas aí no terceiro, quando tive o saque quebrado, eu não consegui devolver a quebra. Mas assim é o tênis”.

A campeã de Roland Garros acredita que soube lidar bem melhor com a pressão a expectativa por um outro resultado depois de seu primeiro título de Grand Slam. “Eu me sinto muito melhor agora do que na minha primeira semana aqui, quando eu joguei o torneio da WTA. Eu não tive nenhum problema com isso nessa semana. E mesmo no jogo de hoje, eu ainda me sentia como a zebra, porque estava jogando contra a Simona. Mas no geral isso não me incomodou aqui. Vamos ver como será nos próximos torneios, porque cada semana é diferente. Eu não posso dizer com certeza que vou ter a mesma atitude pelo resto do ano, mas esse é o meu objetivo”.

A derrota difícil de engolir para Aliassime

Já Aliassime sente que deixou escapar uma ótima oportunidade de conseguir uma campanha expressiva em Grand Slam e dar continuidade ao bom início de temporada que está fazendo. Depois de ter superado o compatriota Denis Shapovalov, número 12 do mundo na terceira rodada, ele não repetiu o mesmo desempenho diante de Karatsev e reconhece que é um resultado difícil de assimilar. Entretanto, o canadense tenta tirar as lições da derrota para que situações como a do último domingo não se repitam.

Leia mais: Aliassime: ‘Estou cada vez mais maduro e consistente’

“É difícil de engolir, mas o tênis é assim. A vida é assim. Sinceramente, acho que esse jogo pode me ajudar no futuro. É a primeira vez que jogo uma partida de cinco sets e é a primeira vez que isso acontece comigo. Talvez não seja a última. Veremos, mas tentarei aprender com isso e ser melhor da próxima vez”, comentou depois de perder por 3/6, 1/6, 6/3, 6/3 e 6/4.

“Com certeza há muitos pontos positivos para tirar desse torneio. É realmente uma pena que não consegui passar hoje, mas eu não desisti. Tentei de tudo. Eu joguei bem. Claro que eu gostaria de ter sacado melhor, mas não posso simplesmente estalar os dedos para fazer isso acontecer. Eu só tenho que ser um jogador melhor no geral para superar essas situações. Acho que o lado bom é que mentalmente continuei pensando positivo. Eu acreditei até o fim. Mesmo quando estava atrás no quinto set eu ainda tentei e ainda acreditei”, explica Aliassime, que atingiu as oitavas de um Grand Slam pela segunda vez na carreira.

O jovem de 20 anos acredita que está evoluindo no aspecto mental do jogo e que, em outros tempos, não conseguiria sequer continuar lutando até o final da partida. “Acho que em comparação com o jogador que fui, digamos em 2019 ou mesmo no ano passado, acho que foi uma melhoria contra um jogador que, como todos vimos, fez uma grande partida e está jogando em um bom nível. Mentalmente tentei ficar no jogo e acreditar. Acho que isso é positivo para o futuro”, explica o canadense, que ainda persegue seu primeiro título de ATP.

“Eu só preciso de um pouco de tempo. Na semana passada, eu simplesmente não tive escolha. Então eu tive que me recuperar muito rápido. Agora tenho um pouco de tempo até o próximo torneio, então preciso me recuperar. Foi um longo período aqui na Austrália, um período difícil. Preciso me recuperar fisicamente, mentalmente e voltar a treinar”.


Comentários
  1. Periferia

    Olá

    Dalcim havia comentado que a chave feminina está espetacular….esta mesmo.
    ” Chama a atenção a fala da polonesa..
    Parece que ela tem muitas opções. E quando algo não está dando certo, ela apenas muda a tática e isso é ótimo. Essa é a diferença entre as campeãs e as jogadoras menos experientes, porque Eu não sentia que tinha muitas opções”.
    A declaração diz muito….muitas vezes pequenos ajustes..(um passo para frente…uma bola menos pesada..) um detalhe quase imperceptível para um “sofasista” como eu…..muda tudo…e são detalhes que estão ligados ao mental….no meio da tribulação… o campeão consegue ver o atalho e mudar completamente o jogo.
    O Aliassime perdeu para alguém de pior ranking é muito aquém da capacidade dele (O russo é uma boa surpresa…mas bate reto com pouca variação…e muita força).
    Não era para perder…

    Abs

    Reply
Deixe uma resposta para Periferia Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>