Promissora, Osuigwe quer tornar o tênis acessível
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 24, 2021 às 6:10 pm
Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Com apenas 19 anos, a norte-americana Whitney Osuigwe já vai disputar seu quinto Grand Slam

Considerada uma das grandes promessas do circuito feminino, a norte-americana Whitney Osuigwe busca não apenas os grandes feitos dentro de quadra, mas também uma transformação da sociedade fora dela. Filha de imigrante nigeriano, Osuigwe está com 18 anos, ocupa o 162º lugar no ranking da WTA, e disputará o Australian Open depois de ter passado por um qualificatório com três rodadas. Ciente de que teve boas oportunidades no início da carreira, a norte-americana espera contribuir para que o tênis se torne um esporte mais acessível.

“Cresci com muitas oportunidades e ainda tenho muitas. Mas também entendo que muitas crianças não têm isso”, disse Osuigwe, em entrevista ao site da ITF. “Meu pai era um deles e eu mesma cresci em torno de muitas crianças que não tinham as mesmas oportunidades. Se alguém pudesse simplesmente dar-lhes uma chance, as vidas delas teriam sido completamente diferentes”.

“Isso não tem nada a ver com elas se tornarem atletas profissionais ou algo assim. Elas simplesmente estariam vivas hoje, ou não estariam na prisão. Então isso vai muito além do esporte. Eu quero dar às pessoas a oportunidade de fazer o que eles querem”, acrescenta a norte-americana, que já chegou a ocupar o 105º lugar da WTA em 2019.

O pai de Osuigwe, Desmond, chegou a jogar alguns torneios na Nigéria durante a juventude. Em meio à violência constante no país durante a década de 1980, foi graças ao tênis que ele conseguiu deixar sua terra natal e se estabelecer nos Estados Unidos. Ele frequentou a Jackson State University, tornou-se tenista profissional, e posteriormente fez carreira como técnico da renomada IMG Academy. Já a mãe da tenista, Jessica, é natural da Flórida e também jogou tênis no circuito universitário norte-americano.

A jovem jogadora conta que já atua em alguns projetos sociais e pretende seguir esse trabalho, especialmente depois que deixar o circuito. “Acredito que posso usar o tênis como plataforma para ajudar. Eu faço tutoriais quando posso, brincando com crianças pequenas e fazendo com que elas se inscrevam em aulas de tênis para que fiquem longe de problemas. Mas ter um projeto maior fica para o futuro, quando eu puder me dedicar 100% a isso”.

“Muitas vezes penso que as crianças nos Estados Unidos são esquecidas de alguns projetos de caridade, porque somos um país desenvolvido. É verdade que temos muitas oportunidades, mas definitivamente há muitas crianças que não têm essa chance”, afirmou a norte-americana.

Apesar da pouca idade de Osuigwe, o Australian Open será o quinto Grand Slam que ela disputa na chave principal. Ela reconhece que a temporada passada foi bastante prejudicada em virtude da pandemia, mas acredita estar cada vez mais pronta para dar um salto na carreira. “O ano passado foi um ano muito difícil para todos, e também para mim também devido a circunstâncias externas, mas estou me concentrando em uma coisa que é me divertir na quadra. Se eu trabalhar duro, tudo vai se encaixar”.

“Quanto a mudar como pessoa, sinto que estou mais madura. Ainda sou a mesma Whitney, mas em uma versão mais velha, e tenho grandes sonhos e grandes objetivos. Sempre há espaço para melhorias, mas não diria que não estou feliz onde estou”, afirma a norte-americana. “Como disse, estou apenas focada em ser feliz na quadra. Sabendo que minha felicidade está em primeiro lugar, estou confiante de que os resultados virão”.


Comentários
  1. Pingback: TenisBrasil - Primeiro Set

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>