Rock clássico e mente sã: Conheça Iga Swiatek
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 11, 2020 às 7:21 am
Swiatek conquistou o primeiro título de Grand Slam, com uma campanha muito dominante (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Swiatek conquistou o primeiro título de Grand Slam, com uma campanha muito dominante (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Como tem sido comum nos últimos anos, o mundo do tênis apresentou uma nova campeã de Grand Slam. Iga Swiatek conquistou o título de Roland Garros no último sábado exibindo um tênis vistoso, com muitos recursos e variações táticas. Jovem de apenas 19 anos, Swiatek não perdeu sets no torneio e cedeu apenas 28 games em Paris. Foi a campanha mais dominante desde o título de Steffi Graf em 1988, com somente 20 games perdidos.

Fora das quadras, a promissora polonesa se destaca pela personalidade tranquila, mas sempre muito centrada em suas entrevistas, e também pelo gosto musical. Swiatek já se declarou fã de clássicos do rock como Pink Floyd, AC/DC, Bon Jovi, Guns N’ Roses e do guitarrista Carlos Santana. Sua trilha sonora em Paris foi “Welcome to the Jungle”, que a acompanhava no momento de entrar em quadra.

+ Swiatek diz que vai lidar bem com maior exposição
+ Título de Swiatek foi o mais dominante desde Graf

+ Swiatek brilha de novo e conquista Roland Garros

“Antes do jogo eu estava ouvindo ‘Welcome to the Jungle’ para manter a rotina. Na verdade, eu queria mudar um pouco, porque é chato ouvir a mesma música todos os dias, mas fiquei com o Guns N ‘Roses porque queria ganhar”, disse após a vitória sobre a italiana Martina Trevisan por 6/3 e 6/1 nas quartas de final. “Às vezes ouço algumas músicas mais calmas quando preciso baixar o nível de adrenalina, mas hoje estava com um pouco de sono antes da partida”.

Nascida em maio de 2001, a polonesa conta que adquiriu o gosto por clássicos da década de 80 de seus treinadores. “Quando era mais nova, eu viajava com muitos técnicos diferentes, da Associação Polonesa de Tênis, e cada um deles me apresentava uma coisa nova. É por isso que o meu gosto musical é assim. Gosto de todos estilos”, explicou depois de vencer Simona Halep nas oitavas por 6/2 e 6/1. “Comecei a ouvir jazz recentemente, então isso é algo novo para mim”.

Em entrevista ao site da WTA no ano passado, Swiatek já havia falado um pouco mais sobre seu estilo de música favorito. “Sou obcecada por música. Eu tenho um tipo de música para cada estado de espírito, mas eu amo o rock e amo o Pink Floyd. Minhas músicas favoritas são ‘Learning to Fly’ e ‘Comfortably Numb’ e recentemente eu tenho escutado ‘Shine On You Crazy Diamond’”, comentou durante o Premier de Toronto da última temporada. “Se eu tiver mais vontade de ouvir pop, eu gosto do ABBA. Mas também gosto do Coldplay, Florence and the Machine e do Santana. E se eu quiser algo mais agressivo, o AC/DC me deixa de bom humor. Eu tenho ouvido ‘Thunderstruck’ antes dos jogos”.

Trabalho psicológico também fez diferença
Também é importante destacar a preparação psicológica que Swiatek faz para suas partidas. Ela trabalha desde março do ano passado com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, que foi atleta profissional da vela. “Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”, explicou quando venceu seu jogo contra Halep em Paris.

O triunfo diante da romena aconteceu um ano depois de uma dura derrota nas oitavas de final do ano passado, em jogo que durou apenas 45 minutos. “Aquele jogo foi uma grande lição para mim. Então eu estava pensando nele de uma forma positiva, sabendo de todo o progresso que fiz nesse tempo. Não era como se eu estivesse com medo, porque eu perdi em 45 minutos no ano passado. Foi meio que uma forma de me motivar para jogar melhor”, explicou. “Basicamente, tudo foi diferente. Eu sabia que era uma grande oportunidade para mim e que poderia jogar meu melhor tênis em um grande estádio, porque já joguei outros jogos assim”.

+ ‘Posso jogar ainda melhor sob pressão’, diz Swiatek
+ Swiatek vai se acostumando a jogar como favorita
+ Revanche contra Halep ilustra evolução de Swiatek

Ao longo do torneio, o discurso construído pela polonesa era o de muito foco nos objetivos. E até por isso, ela sentia que não deixaria abalar pela pressão. “Normalmente sou aquele tipo de tenista que joga melhor sob pressão. Acho que vai dar tudo certo. Mas há uma razão pela qual fui tão eficiente. É sério. Estou ficando super focada e não estou deixando as minhas oponentes jogarem seu melhor tênis. Então eu espero fazer isso de novo no sábado”, disse Swiatek depois de vencer a semifinal contra a argentina Nadia Podoroska por 6/2 e 6/1.

Já depois da vitória na final sobre a número 6 do mundo Sofia Kenin, com parciais de 6/4 e 6/1, a polonesa afirmou que vai conseguir lidar bem com a maior exposição que ela certamente terá nos próximos meses, e que continuará lutando por títulos importantes. “É difícil comentar sobre isso agora, porque eu preciso voltar para casa primeiro e ver o que está acontecendo na Polônia. Sei que vai ser uma loucura, mas acho que vou acostumar com isso e que não vai ser um problema para mim. Eu não tive problemas com receber mais atenção ou com as pessoas ao meu redor. Acho que vai ficar bem para mim”.

Sem convites e nem contrato de raquetes
Outros dois pontos chamaram a atenção nas entrevistas de Swiatek durante a semana. Apesar de ter sido uma juvenil de destaque, com direito a um título de Wimbledon da categoria em 2018, ela sempre teve que batalhar por vagas nos grandes torneios do tênis profissional, já que recebeu pouquíssimos convites. Além disso, a polonesa está atualmente sem contrato para fornecimento de raquetes e utiliza o mesmo modelo desde a época de juvenil.

“Estou jogando com a Prince há muito tempo e não tive tempo para mudar ou testar outras raquetes. Quando eu era mais jovem, foi difícil para me decidir. Mas estou jogando sem contrato. Em algum momento eu vou mudar isso, com certeza”, comenta a polonesa que gosta de utilizar um material mais leve, mesmo sendo uma jogadora de golpes muito potentes. “Mas sempre adorei essa raquete, então continuei jogando com ela. Na verdade, não sei se é mais leve que as raquetes das outras jogadoras. Estou acostumada com essa, mas acho que vamos testar mais algumas durante esta pré-temporada”.

Sobre os convites, apenas cinco na carreira profissional e só para torneios da ITF, ela diz que a situação a fortaleceu. “No começo, era muito chato, mas tive que aceitar que se você é de um país pequeno, pode ser um pouco mais difícil conseguir convites. Não temos grandes torneios na Polônia e a federação não pode trocar convites com outros países. Assim que aceitei isso, percebi que seria muito melhor se eu merecesse as vagas. Eu sabia que se jogasse bem, não importava se tivesse que jogar o quali, eu conseguiria os pontos no ranking. Sabia que se eu fosse top 50 estaria na chave de qualquer torneio que eu quisesse. Continuei trabalhando duro. No começo era muito chato, mas depois eu não me importei”.


Comentários
  1. Rubens Leme

    Learning to Fly já é da volta do Floyd, de 1987, quando David Gilmour e Nick Mason venceram Roger Waters nos tribunais e ganharam os direitos de usar o nome Pink Floyd. O disco em questão é o A Momentary Lapse of the Reason, conde se vê uma pessoa sentada em uma das centenas de camas que aparece na capa. Um disco razoável. As duas outras do Floyd são do Wish You Were Here.

    Fiquei curioso qual disco ouve do Santana.

    Em quadra, ela mereceu com sobras.

    Reply
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>