Como os japoneses trabalham a transição e o pós-Nishikori
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2016 às 9:49 pm
Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre.  (Foto: Heusi Action)

Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre, principal competição da categoria no saibro sul-americano.
(Foto: Heusi Action)

Os japoneses foram destaque durante a série de competições juvenis disputadas no saibro sul-americano durante o primeiro trimestre e o título de Yosuke Watanuki no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, principal torneio da categoria no continente, deu dimensão da grande participação do país na Gira Cosat.

Em sete semanas na América do Sul, os asiáticos venceram oito categorias. O próprio Watanuki foi campeão de simples em ITF G2 em Córdoba e tem títulos de duplas na Argentina, ao lado de Toru Horie, e no Banana Bowl, torneio G1 na cidade paulista de São José dos Campos, junto do americano Ulises Blanch.

Também fizeram a dobradinha Brasil-Argentina a dupla feminina formada por Mai Hontama e Ayumi Miyamoto. Já Yuta Shimizu venceu um G2 no Peru em simples e um na Bolívia em duplas ao lado de Naoki Tajima. Também na Bolívia, Yuki Naito venceu no feminino.

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat (Foto: Thiago Parmalat/dw

A sequência de bons resultados se deu em um momento os japoneses apostam na mudança no trabalho de transição do circuito juvenil para o profissional. Durante o Banana Bowl, pude conversar com o técnico Ko Iwamoto, que está há 14 anos na Federação Japonesa de Tênis. Ele é capitão do país para a Copa Davis Juvenil e me explicou sobre como país trabalha esses momentos importantes na carreira de um atleta. Foi a segunda vez que falei com ele, que já havia feito uma boa entrevista no Banana Bowl do ano passado.

“Antes, os juvenis jogavam apenas torneios na categoria deles, mas agora alguns dos melhores estão mesclando o calendário com futures”, explica o treinador. “Nós tentamos viabilizar convites nas chaves para que eles somem pontos. Não temos tanto dinheiro na Federação, então nossa forma de apoio é colocá-los em torneios de alto nível”.

Um dos segredos para o sucesso japonês vem do alto nível de treinamento e das muitas observações feitas pelos técnicos da Federação. “Nós tentamos reunir os melhores juvenis juntos entre 12 ou 13 vezes por ano no Centro Nacional de Tênis para fazermos avaliações”, explica. “Vamos a quase todos os torneios nacionais para observá-los, então começamos a pegar diferentes jogadores para vê-los treinarem juntos e competirem entre si. Nos 16 anos, temos a Davis e a Fed Cup juvenis”.

Quando Kei Nishikori começou a se destacar na transição entre o juvenil e o profissionalismo, era chamado ‘projeto 45′ em referência ao melhor ranking da história do tênis masculino japonês com Shuzo Matsuoka, que foi 46º do mundo em julho de 1992.

Mas a carreira do atual número 6 do mundo foi majoritariamente construída nos Estados Unidos, na academia de Nick Bollettieri. Então cabe a pergunta, se seria um sonho formar um atleta japonês desde a base até o topo. Segundo Iwamoto, a filosofia da federação é de apoiar independemente de onde o atleta treina.

“Kei tem patrocinadores japoneses desde que tinha 12 anos”, lembra. “Não há apenas um caminho para o sucesso. Se um jogador chega no nível do Kei, não interessa onde ele estiver treinando, quando ele estiver no Japão nós vamos apoiá-lo. O Japão é uma ilha pequena, eles têm que sair em algum momento”, acrescenta. “Nós temos pouco dinheiro, então se outro jogador tem patrocínio de fora, está tudo bem”.

E o que a filosofia japonesa têm a oferecer ao Brasil? “Nós tentamos o melhor e não sei o que seria bom para o Brasil. Tudo o que sei é que para um país grande é necessário ter um técnico nacional e um local. E todos devem se comunicar. Porque quando um jogador viaja com outros técnicos, o treinador precisa saber o que deve ser feito, se não estará perdendo tempo”.

Americanas se destacam no saibro

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro. (Foto: Heusi Action)

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro.
(Foto: Heusi Action)

É muito relevante o fato de três jogadoras americanas alcançarem as semifinais em Porto Alegre. Além da campeã Usue Arconada, duas jogadoras de apenas 14 anos surpreenderam na categoria principal, sendo a vice Amanda Anisimova e Natasha Subhash, que parou na semi. Subhash é uma das atletas que viajaram com a equipe nacional da USTA. Entre os quatro técnicos que o acompanharam o time estavam o brasileiro Léo Azevedo e a ex-top 50 Jamea Jackson, que atua com juvenis da federação há três anos.

Brasileiros – Depois de dois anos seguidos com títulos do gaúcho Orlando Luz, tanto no Banana Bowl quanto em Porto Alegre, o tênis brasileiro não venceu nenhum evento na categoria 18 anos. Os destaques foram as quartas de final do paulista Gabriel Décamps em São José e do paranaense Thiago Wild no Sul.

Nos 16 anos masculino, duas conquistas nacionais com o brasiliense Gilbert Klier e o paulista Mateus Alves. Entre as meninas, dois vices no Banana Bowl, com a mineira Marina Figueiredo nos 16 anos e a goiana Nalanda Silva, que vem de projetos sociais, nos 14. Os resultados importantes para que os melhores tenistas sul-americanos disputem as Giras Europeias nos próximos meses, respeitando os limites de dois atletas por país em cada categoria.


Comentários
  1. Pingback: TenisBrasil - Primeiro Set

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>