Revanche contra Halep ilustra evolução de Swiatek
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 4, 2020 às 6:54 pm
Swiatek conseguiu superar Halep um ano depois da dura derrota (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Swiatek conseguiu superar Halep um ano depois da dura derrota (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Há pouco mais de um ano, na edição passada de Roland Garros, Iga Swiatek chegava pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Então com 18 anos, e ocupando apenas o 104º lugar do ranking, a jovem polonesa sofreu uma dura derrota para Simona Halep por 6/1 e 6/0 em apenas 45 minutos. As duas jogadoras voltaram a se encontrar neste domingo, novamente nas oitavas em Paris, e novamente a romena era favorita e vinda de 17 vitórias consecutivas. Mas desta vez, Swiatek deu sinais claros de seu amadurecimento no circuito e despachou a número 2 do mundo com parciais de 6/1 e 6/2 em apenas 1h07 de partida.

Basicamente, tudo foi diferente. Eu sabia que era uma grande oportunidade para mim e que poderia jogar meu melhor tênis em um grande estádio porque eu já joguei umas quatro partidas assim”, disse Swiatek, agora número 54 do ranking. Ao longo deste ano, a polonesa foi ganhando experiência em jogos grandes. Ela já derrotou Caroline Wozniacki no ano passado no Canadá e fez bons jogos contra Naomi Osaka e Victoria Azarenka.

“Agora estou mais experiente, posso lidar com a pressão. Sinto que evoluí para jogar uma partida como essa e ganhar. Então tudo correu bem. Fiz tudo que meu treinador me falou sobre táticas. Então foi uma partida perfeita para mim”, acrescenta a jovem jogadora, que marcou sua primeira vitória contra top 10 na carreira.

Swiatek explica que a partida do ano passado serviu como uma forma de motivação, para extrair coisas positivas. “Eu estava pensando nisso, porque aquele jogo foi uma grande lição para mim. Então eu estava pensando de uma forma positiva, sabendo de todo o progresso que fiz nesse tempo. Não era como se eu estivesse com medo porque eu perdi em 45 minutos no ano passado. Foi meio que uma forma de me motivar para jogar melhor”.

As declarações vão ao encontro do que ela própria havia dito quando perdeu para Halep no ano passado. “Obviamente é muito diferente enfrentar uma jogadora como Simona do que assisti-la na TV”, comentou após a derrota em 2019. “A maior coisa que mais me surpreendeu foi sua capacidade de jogar numa direção que eu não estava preparada. Quando eu sentia que ela ia jogar na cruzada, ela jogava na paralela, e eu não estava pronta para isso. Acho que mentalmente talvez eu não estivesse pronta. Mas isso é uma coisa normal. Sou muito jovem e terei muitas oportunidades para aprender. Se eu quiser jogar em um nível como o dela, eu tenho que me acostumar com isso”.

Polonesa tem muitos recursos e diferentes planos de jogo
Durante a partida contra Halep, Swiatek mostrou um tênis agressivo e tentava sempre a definição dos pontos. Ela fez 30 winners contra apenas 12 de Halep e 20 erros não-forçados, cinco a mais que a rival. Também pressionou o saque da romena o tempo todo, com quatro quebras e 10 break points e não teve o serviço ameaçado.

Mas o jogo da polonesa não se resume à potência dos golpes. Ela também tem outros recursos técnicos e facilidade para mudar o estilo de jogo. Nos últimos meses, já foi possível ver Swiatek entrando em quadra com muitas variações, utilizando drop shots, slices e indo à rede, como também foi capaz de vencer jogos com um estilo mais conservador do fundo de quadra, jogando no erro da adversária. A qualidade de pensar o jogo e criar diferentes estratégias é uma grande virtude.

Trabalho psicológico fez a diferença
No aspecto mental do jogo, Swiatek dá todos os méritos à psicóloga esportiva Daria Abramowicz, que foi atleta profissional da vela, e foi anunciada para sua equipe em março do ano passado. “Tenho uma psicóloga na minha equipe há mais ou menos dois anos. Não me lembro ao certo. Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”.

“Eu fui trabalhando com alguns outros psicólogos quando era mais jovem, mas a Daria foi a melhor, porque ela me entende e me conhece muito bem. Acho que ela pode ler a minha mente, o que é estranho, explica a jovem polonesa. “Ela também foi atleta e treinadora, então ela faz o pacote completo. Ela me fez mais inteligente, eu sei mais sobre o esporte e mais sobre psicologia e posso entender meus próprios sentimentos e dizê-los em voz alta. Então, ela aumenta o meu nível de confiança”.

Durante a primeira semana de Roland Garros, Swiatek já venceu a canhota tcheca Marketa Vondrousova (finalista no ano passado), e também passou pela veterana taiwanesa Su-Wei Hsieh e pela ex-top 5 Eugenie Bouchard. Sua próxima rival é a italiana vinda do quali Martina Trevisan, uma das surpresas do torneio e número 159 do ranking. Trevisan já venceu sete jogos seguidos em Paris e vem de uma expressiva vitória sobre a número 8 do mundo Kiki Bertens. Elas já se enfrentaram duas vezes, com uma vitória para cada lado.

“Eu já joguei contra ela em um ITF há alguns anos e perdi. Foi uma partida em Varsóvia, então eu estava muito estressada porque era na minha cidade natal e eu queria jogar bem. Mas eu acho que isso não vai importar, porque já faz muito tempo e agora estamos em um lugar totalmente diferente. É muito bom que ela tenha chegado às quartas de final depois de ter jogado o quali. Quero dizer, é incrível. Ainda não pude ver os jogos dela, porque estou tentando me concentrar apenas no meu tênis e descansar quando puder. Então, vamos nos preparar amanhã provavelmente e meu treinador vai me contar tudo sobre a tática”.


Comentários
  1. Periferia

    “Tenho uma psicóloga na minha equipe há mais ou menos dois anos. Não me lembro ao certo. Acredito que a resistência mental é provavelmente a coisa importante do tênis agora porque todas podem jogar no nível mais alto. Mas aquelas que são mais fortes mentalmente e suportam a pressão são as melhores. Então, eu sempre quis me desenvolver dessa forma”.

    Nesse nível o mental é tudo.

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Sim. Nesse nível, que todo mundo joga muito bem, a parte mental e estratégica do jogo faz toda a diferença.

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