Promessa dinamarquesa evita comparações com Wozniacki
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2020 às 11:52 pm
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Clara Tauson, de 17 anos, venceu seu primeiro jogo de Grand Slam nesta terça-feira (Foto: Jimmie48/WTA)

Com apenas 17 anos, a dinamarquesa Clara Tauson comemorou sua primeira vitória em Grand Slam. Vinda do qualificatório em Roland Garros, a atual 188ª do ranking estreou na chave principal com a difícil missão de enfrentar a norte-americana Jennifer Brady, semifinalista do US Open e número 25 do mundo. A dinamarquesa precisou lutar por 2h45 e salvou dois match points antes de vencer a partida por 6/4, 3/6 e 9/7.

Tauson foi campeã juvenil do Australian Open no ano passado e deu um salto no ranking profissional ainda na última temporada, do 863º para o 267º lugar, conquistando quatro títulos de ITF. Este ano, foram mais duas conquistas, além de uma vitória no WTA de Praga. Sua principal inspiração é a compatriota Caroline Wozniacki, que encerrou sua carreira profissional no início desta temporada, ainda aos 29 anos, no Australian Open. Nos últimos 31 anos, Wozniacki e Tauson foram as únicas dinamarquesas a vencer partidas de Grand Slam, mas a jovem jogadora tenta evitar comparações com a ex-número 1 do mundo.

“A Dinamarca é um país muito pequeno e com pouca tradição no tênis. É claro que ela foi meu maior modelo, enquanto eu crescia. Ela conseguiu fazer sucesso e isso me fez pensar que eu poderia fazer o mesmo no circuito. Somos muito comparadas, mas eu e ela somos pessoas diferentes. Estou apenas tentando me concentrar na minha carreira”, disse Tauson, em entrevista ao site de Roland Garros. Ela conta que já treinou algumas vezes com Wozniacki no ano passado. Outro ponto em comum: A jovem dinamarquesa treina com o pai, Soren, que tenta repetir o caminho de sucesso traçado por Piotr Wozniacki.

Mas em termos de jogo, Tauson não segue o mesmo estilo de Wozniacki. Enquanto a ex-líder do ranking e campeã do Australian Open de 2018 se destacava por sua consistência do fundo de quadra e preferia construir pontos mais longos, embora tivesse incorporado alguns elementos mais agressivos ao longo da carreira, a jovem de 17 anos tenta definir cedo as jogadas. Exemplo disso foram 48 winners no duelo com Brady, sendo 30 com seu forehand.

“Jogamos uma partida incrível hoje. Provavelmente, foi o tênis da mais alta qualidade que já joguei na minha vida”, avaliou a dinamarquesa. “Eu me adaptei e acho que estou pronta para estar neste nível, mas tenho que entrar no top 100 e ainda há um longo caminho pela frente”, comenta a jovem jogadora, que agora encara a também norte-americana Danielle Collins, 57ª do mundo. “Ela bate muito forte na bola, como a Jen também foi hoje, mas talvez seja um pouco mais consistente. Nunca enfrentei meninas desse nível antes, então não posso falar muito. Mas sei que ela é uma jogadora muito boa”.


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Living a teenage dream 💭 #RolandGarros #tennis #grandslam #sport 📸 Corinne Dubreuil / FFT

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Wozniacki já esperava pelo sucesso dos jovens
Em uma das últimas entrevistas coletivas de sua carreira, Wozniacki já se mostrava muito animada com a nova geração de seu país. Vale destacar que além de Tauson, os dinamarqueses apostam muito no Holger Rune, também de 17 anos e campeão juvenil de Roland Garros no ano passado. Outro juvenil que tenta se firmar é Elmer Moller, 50º colocado no ranking mundial da categoria.

“É incrível ver esses jovens, tanto as meninas quanto os meninos, em quadra e ver que o tênis está prosperando e indo bem. É ótimo, espero que possamos seguir em frente e espero ter provado para essaa geração mais jovem que é possível ser da Dinamarca e ser uma grande jogadora de tênis. Portanto, espero que tenhamos muitos mais no futuro”.

Jovens promessas na segunda rodada
A segunda rodada da chave feminina de Roland Garros tem outras jovens promessas e até mesmo um confronto da nova geração entre duas jogadoras de 19 anos, a eslovena Kaja Juvan e a francesa Clara Burel. Juvan é a número 103 do mundo e vem de uma expressiva vitória por duplo 6/3 sobre Angelique Kerber, enquanto a convidada Burel é a 357ª do ranking venceu seu primeiro jogo de Grand Slam na última segunda-feira sobre a holandesa Arantxa Rus por 6/7 (7-9), 7/6 (7-2) e 6/3.

Jogadora mais jovem da chave e número 51 do mundo, Coco Gauff vem de vitória sobre a cabeça 9 Johanna Konta por duplo 6/3. A norte-americana de 16 anos disputa apenas seu segundo torneio no saibro como profissional e vai enfrentar a italiana Martina Trevisan. Também na próxima fase, a canadense de 18 anos Leylah Fernandez encara a eslovena Polona Hercog, a polonesa de 19 anos Iga Swiatek terá um jogo divertido contra a taiwanesa Su-Wei Hsieh, enquanto a norte-americana de 19 anos Amanda Anisimova, semifinalista no ano passado, enfrenta a compatriota Bernarda Pera.


Comentários
  1. Paulo

    Eu assisti ao replay desse jogaço da Tauson com a Brady e fiquei impressionado com a extrema agressividade de ambas.
    Foi muita pancadaria mas com consistência, de ambas as jogadoras.
    A dinamarquesa tem um pacote completo, achei-a bem completa para a idade dela, bate muito forte na bola mas bem, sabe volear e jogar na rede e tem toque também. O saque não é excepcional mas não chega a comprometer e certamente vai melhorar com o tempo.
    E ela é alta (1,82m), forte mas movimenta-se bem na quadra.

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