Klier tenta superar lesões para seguir evoluindo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 6, 2019 às 11:39 am
Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Depois de figurar entre os dez melhores do mundo no circuito juvenil, Gilbert Klier Júnior encerra sua primeira temporada no circuito profissional com um salto significativo no ranking em relação ao ano passado. Há doze meses, ele tinha apenas quatro vitórias no circuito e ocupava o 1.283º lugar. Mas desde a última segunda-feira, o brasiliense de 19 anos já aparece na 543ª colocação, melhor marca de sua carreira.

Ao longo da temporada, Klier conseguiu 34 vitórias e 17 derrotas em torneios profissionais de nível future. Ele conquistou seu primeiro título nas quadras duras de Akko, em Israel, e disputou outras três finais. Também jogou sua primeira partida de nível challenger, em Campinas.

Klier poderia ter evoluído ainda mais se não fossem as lesões. Neste ano, precisou ficar quase três meses afastado, entre julho e outubro, por conta de um problema no pé. Já na semana passada, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo, ele sentiu lesão no menisco do joelho direito e precisou abandonar a competição que valia vaga no Rio Open de 2020. O brasiliense já havia tido outros problemas físicos no ano passado. O primeiro, no joelho, o fez iniciar a temporada apenas em março. Já o segundo, no ombro esquerdo, o obrigou a desistir do torneio juvenil de Roland Garros.

“Acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem”, disse Klier ao TenisBrasil, a respeito da recente lesão no pé. “É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar a jogar bem e competir num bom nível que os resultados virão automaticamente. É importante é estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers”.

O jovem jogador também falou sobre uma cenário bastante comum nos torneios future, que oferecem as mínimas pontuações e premiações no circuito profissionais. Alguns hotéis acabam sediando vários campeonatos em semanas consecutivas, atraindo os jogadores para longas sequências de competições no mesmo espaço. Em 2019, Klier passou quatro semanas na Turquia, três no Egito e outras três na Nigéria, além de também ter atuado em países como a Tunísia e Israel.

“É claro que se você passa duas ou três semanas no mesmo lugar é mais difícil. Mas a gente tem que passar por esse nível mesmo. Não tem o gasto com passagens toda semana. Então, você só paga o hotel e fica, sim, mais barato”, explicou. “A estrutura desses resorts costuma ser boa, mas normalmente as quadras é que não são muito boas. Mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali”.

Confira a entrevista com Gilbert Klier Júnior.

Queria que você avaliasse como foi esse primeiro ano só de circuito profissional. Você ganhou 34 jogos, chegou em quatro finais e ganhou um título. O quanto isso foi diferente em relação ao que você estava acostumado no juvenil?
O meu primeiro ano no profissional, avaliando assim no geral, foi bom. Tive uma lesão no pé que me deixou uns três meses parado. Isso me fez ter que voltar e pegar o ritmo de novo, então atrasou um pouco, mas acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem.
O nível é muito parecido em questão de tênis e jogabilidade. A única diferença é que você enfrenta caras mais velhos, mais experientes e que entendem mais do jogo. Isso que torna o jogo mais difícil. Então é importante estar com a parte mental bem firme para encarar esses caras que têm mais experiência que a gente que está entrando no circuito agora.

A lesão no pé aconteceu quando?
Eu me machuquei pouco depois de ganhar meu primeiro torneio em Israel, quando eu fui para Portugal. Tentei jogar, porque a gente achou que não fosse nada, mas aí não melhorava e acabou demorando três meses até eu voltar a jogar.

Você voltou a jogar quando depois da lesão?
Depois da lesão, eu joguei um torneio de US$ 25 mil no Rio.

– Isso lá para o final de setembro, começo de outubro…
Isso. Aí depois, vim aqui para São Paulo e joguei um torneio no Paineiras, que foi um pouco melhor, mas eu infelizmente acabei passando mal nas quartas contra o Matos e tive que desistir, mas já foi um torneio melhor. Depois fui para a Turquia e agora estou aqui. Voltei faz um mês e meio, eu acho. Por aí.

O que aconteceu lá no Paineiras que você passou mal?
Então, foi do nada. Acho que foi alguma coisa que eu comi antes do jogo, eu não sei. Eu estava jogando e comecei a passar mal, fiquei tonto. A visão ficava preta, assim, mas foi um mal estar. Não foi nada relacionado à lesão.

Como você ainda está um pouco longe dos challengers, seu planejamento para o começo de 2020 é fazer giras longas de futures, como você já fez, ou tentar em ir para os Estados Unidos ou Europa?
Primeiro, o mais importante é voltar a ter ritmo de jogo. É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar jogar bem e competir num bom nível que os resultados nos torneios virão automaticamente. É estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers. É a meta, eu acho. Terminar o ano com um ranking bom para se manter nos challengers.

Lá no Rio, você treina com o [Thiago] Wild e com o [Pedro] Sakamoto. O [Thiago] Monteiro também treinou lá até pouco tempo atrás, antes de ir para a Argentina. O quanto é importante ter esses caras perto?
É sempre importante ter esses caras treinando com você. Ainda mais que isso te puxa e você acaba aprendendo também. Um aprende com o outro. E é muito importante ter jogadores nesse nível no mesmo centro de treinamento para dividir a convivência no tênis e na academia.

Você já chegou a treinar com algum outro cara acima até deles nos torneios?
Já treinei com o Malek Jaziri, que deve ter sido 40 do mundo [O melhor ranking do tunisiano foi o 42º lugar, em janeiro deste ano]. Treinei com o [Jaume] Munar e também com o Thomaz [Bellucci] e praticamente todos os brasileiros.

Com o Jaziri foi em alguma dessas giras de torneios pela Tunísia?
Na verdade, foi em um challenger. Quando o Monteiro ainda estava na Tennis Route [equipe de treinamento do Rio de Janeiro] e eu fui lá com ele, porque estava na Europa e era semana que eu não tinha torneio. Fui para treinar uma semana com o Monteiro e acabei treinando com ele também.


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@gilbertklier e @p.saka conquistam títulos em Israel e na Espanha 🏆🎾 Atletas do Instituto Tennis Route, Gilbert Klier Jr. E Pedro Sakamoto conquistaram, neste domingo, títulos em torneios profissionais futures em Israel e na Espanha. Klier Jr. , bronze nos Jogos Olímpicos juvenis ano passado em Buenos Aires, conquistou seu primeiro título profissional no torneio de Akko , em Israel , evento com premiação de US$ 15 mil disputado no piso duro. Klier derrotou o sexto favorito, o local Yshai Oliel por 2 sets a 1 de virada com parciais de 46 64 61. Em Huelva, na Espanha, torneio com premiação de US$ 25 mil, Pedro Sakamoto marcou 62 26 76 (72) diante do chileno Bastian Malla em final também neste domingo. #tennisroute

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Nessas giras que você fez mais longas, na Turquia, no Egito, na Tunísia ou na Nigéria, às vezes você fica várias semanas no mesmo local. Como é lidar com esse ambiente?
No caso do Egito e da Turquia, sim, porque os torneios são no mesmo clube. Uma semana atrás da outra. Da Nigéria também foi um seguido do outro, mas são três semanas só. Nesse de Israel, onde eu ganhei meu primeiro título, foram duas semanas lá e depois já fui para Portugal. Aí era um torneio em cada lugar.

Mentalmente, é muito difícil ficar muitas semanas jogando no mesmo lugar?
No início era bem difícil, mas agora eu já me acostumei e é mais tranquilo. É claro que se você passa duas, três semanas no mesmo lugar, é mais difícil.

Já ouvi jogadores falarem que você acaba enfrentando sempre os mesmos adversários e tendo os mesmos árbitros em todos os jogos…
É difícil, mas é o que temos para fazer. A gente tem que passar por esse nível mesmo.

Qual é parte boa e ruim dessas giras longas, em termos de custo e de estrutura?
A estrutura desses resorts, que recebem torneios o ano inteiro, é sempre muito boa. Normalmente você tem de tudo, a comida é boa e a academia tem uma estrutura legal. Mas normalmente as quadras é que não são muito boas, mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali.

Em termos de custo é melhor fazer isso do que ficar viajando?
Acho que é, porque não tem o custo de passagem toda semana. Então, você só paga o hotel. Agora na Turquia, eu só peguei um voo para ir e outro para voltar. Não precisava ficar mudando de cidade o tempo inteiro. Então é mais barato, sim.

O torneio oferece alguma coisa com relação ao hotel? Por exemplo, quem está no torneio não paga enquanto estiver na chave e tal…
Não, nesses futures de US$ 15 mil, não. O torneio arranja desconto para os jogadores. A partir dos torneios US$ 25 mil+H que pagam o hotel e alguns pagam alimentação. E agora, se não me engano, todos os challengers dão hospedagem.

Não é como no juvenil, quando você tem tudo enquanto estiver na chave.
É, lá tinha tudo. Hospedagem, alimentação e o transporte.


Comentários
  1. Reinaldo

    Muito legal esse tipo de reportagem. Ajuda a entender um pouco mais a realidade de quem está começando. Parabéns.

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  2. MARCOS HUMBERTO VIEIRA

    Força Juninho … É difícil para todos, a luta é grande e esta longa escada é conquistada degrau a degrau. Parabéns !!!!

    Reply
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