Gauff salta 800 posições em um ano e extrapola meta
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 16, 2019 às 12:36 am

A incrível campanha de Coco Gauff rumo ao título do WTA de Linz na semana passada extrapola metas que já eram ambiciosas para a jovem norte-americana de apenas 15 anos. Gauff ocupava apenas o 879º lugar do ranking em dezembro do ano passado, quando estabeleceu como principal objetivo da temporada chegar ao grupo das cem melhores jogadoras do mundo. Com a conquista do torneio austríaco em quadras duras e cobertas, ela já aparece na 71ª posição.

Gauff conquistou seu primeiro título de WTA aos 15 anos (Foto: GEPA)

As façanhas de Gauff em Linz
Com 15 anos e 214 dias, Gauff é a campeã mais jovem do circuito desde 2004. Naquela temporada, Nicole Vaidisova foi campeã em Tashkent com 15 anos e 177 dias. Desde então, nenhuma jogadora tão jovem havia chegado sequer a uma semifinal de torneio pela elite do circuito. A recordista como campeã mais jovem da WTA é Tracy Austin, com 14 anos e 28 dias em Portland-1977.

Gauff é também a mais jovem norte-americana a ganhar um título desde 1991, quando Jennifer Capriati foi campeã em Toronto com 15 anos e 135 dias. Principais ídolos da jovem norte-americana, as irmãs Venus e Serena Williams conquistaram seus primeiros torneios já aos 17 anos. Ela também se torna a primeira norte-americana a alcançar o top 100 antes de completar 16 anos desde Chanda Rubin em 1991.

“A semana passada foi ótima. No início deste ano, eu nunca pensei que já ganharia meu primeiro título”, disse Gauff, em entrevista ao site da WTA após a conquista em Linz. Ela venceu na final a letã Jelena Ostapenko por 6/3, 1/6 e 6/2. “Realizei todos os objetivos que queria realizar neste ano. Ganhar um título não estava na minha lista, mas estou feliz que tenha acontecido”.

Outras façanhas para Gauff foram sua primeira vitória contra top 10, diante da número 8 do mundo Kiki Bertens, e o fato conquistar um torneio como lucky-loser, algo que só havia acontecido outras duas vezes na história do circuito. A primeira foi Andrea Jaeger em Las Vegas, ainda em 1980. A segunda foi a sérvia Olga Danilovic no saibro de Moscou no ano passado.

A norte-americana perdeu da alemã Tamara Korpatsch na última rodada do quali, mas herdou uma vaga com a desistência da Maria Sakkari e entrou na chave cerca de 40 minutos antes de enfrentar a suíça Stefanie Voegele pela primeira rodada. “Depois que percebi que entrei como lucky-loser, fiquei aliviada e joguei sem pressão, porque eu já deveria estar fora do torneio”.

A derrota na fase classificatória acabou tendo impacto positivo para Gauff, que mudou alguns aspectos de seu jogo e do comportamento em quadra. “Quando perdi a partida do quali, minha equipe e eu sentimos que estávamos saindo demais dos pontos e tentando bater muito forte na bola. Minha linguagem corporal também poderia ter sido melhor, assim como minha atitude em quadra”.

Mudanças de estilo e de mentalidade
Também chamou atenção durante a semana a mudança de postura de Gauff contra adversárias de diferentes estilos. Para efeito de comparação, a norte-americana foi bem mais agressiva e assumiu mais iniciativa dos pontos contra Kiki Bertens, nas quartas, do que na final contra Ostapenko, que tem muito mais peso de bola.

“Meu objetivo não era realmente vencer depois disso, mas sim melhorar meu comportamento e atitude. Isso acabou melhorando meus resultados. Levei isso em conta e usei o que aprendi nas próximas partidas. À medida que cada partida acontecia, ganhei mais confiança nos meus golpes”, avalia a norte-americana. “Joguei contra adversárias difíceis, então minha confiança está bem alta agora. Tento tratar todos os jogos da mesma forma. Obviamente, quando você joga com jogadoras diferentes e tem que se ajustar ao estilo de jogo delas, mas tento entrar em todos os jogos com a mesma mentalidade”.

A escalada no ranking ao longo do ano
Gauff iniciou a temporada já na 685ª colocação, por conta da reestruturação no sistema de pontuação dos torneios menores. O primeiro salto foi ainda em fevereiro, quando ela disputou uma final de ITF W25 em Surprise, no Arizona, e ganhou em torno de cem posições com os 30 pontos conquistados. Em março, recebeu convite para o Premier de Miami e venceu um duelo da nova geração norte-americana contra Catherine Mcnally, o que lhe rendeu 35 pontos no ranking e a levou do 456º para o 383º lugar do ranking.

A evolução de Gauff seguiu com duas campanhas até as quartas nas quadras de saibro em torneios da ITF em Charleston e Saint Gaudens. Convidada para o qualificatório de Roland Garros, depois de ter sido campeã juvenil no ano passado, ela já aparecia na 324ª posição e venceu um jogo, recebendo 20 pontos e debutando no top 300, ao alcançar o 299º lugar.

Um grande passo na evolução de Gauff foi em Wimbledon. Novamente convidada para um quali, a jovem norte-americana aproveitou a chance e venceu três jogos na grama de Roehampton para alcançar uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira. Ela se tornou a mais jovem jogadora a furar um quali de Slam na Era Aberta. Na sequência, voltou a brilhar e venceu mais três jogos, despachando até mesmo a pentacampeã Venus Williams. Sua algoz seria a romena Simona Halep, que terminaria o torneio como campeã. Com isso, acumulou 280 pontos e foi parar no 141º lugar do ranking.

Cercada de muita expectativa, Gauff furou o quali do WTA de Washington e ainda recebeu convite para o US Open. Com duas novas vitórias em Nova York, teve a oportunidade de enfrentar a número 1 do mundo Naomi Osaka, em jogo no horário nobre do Arthur Ashe Stadium e da TV americana. Ela fez 18 pontos na capital de seu país e mais 130 em Nova York para alcançar o 106º posto e ficar muito perto de debutar no top 100. Por conta da pouca idade e da regra que impõe um limite no número de torneios, Gauff pulou a temporada asiática e só voltou a jogar na semana passada em Linz, como 110ª do ranking. As vitórias e o título renderam 280 pontos e a sonhada vaga entre as cem melhores do mundo.


Comentários
  1. Adriano Toledo

    Se não tivesse tido que pular forçadamente os torneios asiáticos, com certeza já estaria ainda melhor no ranking, acredito que entre 30 e 40 do mundo.
    Impressionante !!!

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  2. HELTON JOHNNY

    Sem questionar a qualidade dela mas ela recebeu diversos convites que facilitaram um pouco a sua subida no ranking.

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    1. Mario Sérgio Cruz

      O número de convites não chega a ser tão alto. Foram para o US Open, Miami, qualis de Roland Garros e Wimbledon e para um torneio da série 125k. E em praticamente todos esses eventos, ganhou pelo menos um jogo, o que rende muitos pontos e faz diferença para um faixa de ranking mais baixa.

      Ela também pôde utilizar o ranking juvenil (terminou o ano passado como #2) para entrar em trrês torneios profissionais da ITF no primeiro semestre, o que também ajudou muito. Conseguiu uma final de 25k, uma campanha até as quartas em 60k e perdeu na estreia de um 80k. Essa é uma novidade do circuito a partir deste ano e que ela soube aproveitar bem.

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  3. Maurício Luís *

    Talvez seja impressão minha… mas o ‘Staff’ dela me parece gente deslumbrada e entusiasmada demais. Acho aconselhável deixá-la ser adolescente, e o tênis por enquanto só quando tiver vontade.
    Se começar a cobrança por resultados, o caldo pode desandar, como já vi em outros casos de meninas e meninos-prodígio. Espero que não repitam erros.

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