Japão conquista a Davis Júnior, Brasil é 15º na Fed
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2019 às 8:04 pm

A edição de 2019 da Copa Davis Júnior, mundial para tenistas de até 16 anos, chegou ao fim neste domingo com o título do Japão. A equipe contou com Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria, para vencer os forte time dos Estados Unidos na final e conquistar a competição pela segunda vez. O primeiro título foi ainda em 2010.

Shintaro Mochizuki e Yamato Sueoka (de boné) definiram a série com vitória nas duplas. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Os norte-americanos jogavam em casa, nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida, e tinham dois top 10, o quarto colocado Martin Damm e o oitavo Toby Kodat. A série começou com Kodat vencendo Kokoro Isomura por duplo 6/3. Na sequência, Mochizuki empatou o confronto ao vencer Damm por 7/6 (7-3) e 7/5.

A decisão ficou para o jogo de duplas. Mochizuki voltou à quadra, ao lado de Yamato Sueoka, e ajudou o time japonês a vencer a forte parceria de Damm e Kodat por 6/3 e 6/4. A partida teve um momento divertido ainda no primeiro set, quando Sueoka aplicou um incrível lob e correu para o abraço, mas foi solenemente ignorado pelo parceiro.

https://twitter.com/DavisCup/status/1178393273775382535

Tenho gostado bastante dos jogos de Mochizuki, especialmente pela maneira como ele executa o backhand saltando, algo parecido com o que Gael Monfils ou Daria Kasatkina fazem atualmente nos circuitos profissionais masculino ou feminino. O japonês de 16 anos tem golpes potentes, mas também mostra ter muitos recursos. Sabe bem o que fazer quando está à rede e varia bem o saque. Um grande potencial a ser explorado.

Outra coisa que me anima na conquista dos japoneses é ver o capitão Ko Iwamoto conquistar o título. Ele vem sempre ao Brasil para trazer alguns jovens jogadores japoneses para jogar no saibro durante o Banana Bowl e o Juvenil de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau). Tive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes, a primeira ainda em 2015 e também em 2016 para este blog. Ambas foram conversas muito proveitosas.

Norte-americanas conquistam o terceiro título seguido
O título da Fed Cup Júnior ficou mais uma vez com os Estados Unidos, que conquistam a competição pela sétima vez na história e pela terceira ocasião seguida. Diferente do que havia acontecido nos últimos anos, quando Whitney Osuigwe, Caty McNally e Coco Gauff estiveram em quadra, a capitã Jamea Jackson (ex-top 50) levou uma equipe sem campeãs ou finalistas de Grand Slam juvenil.

As norte-americanas escaladas para a competição foram Robin Montgomery (39ª colocada no ranking da ITF), Katrina Scott (43ª) e Connie Ma (329ª). Menos conhecida entre as três atletas dos Estados Unidos, Ma não é uma jogadora alta, tampouco forte fisicamente, mas isso não a impedia de jogar em cima da linha, bater reto na bola e controlar a direção dos pontos. Um bom exemplo para outras meninas da mesma idade e de mesma estrutura física.

Na final diante da República Tcheca, Connie Ma marcou 6/1 e 6/3 contra Barbora Palicova. O confronto ficou empatado depois que Linda Noskova venceu Katrina Scott por 6/2, 3/6 e 6/3. Nas duplas, Ma e Montgomery venceram Noskova e Palicova por 6/2 e 7/5.

Brasil termina apenas no 15º lugar
A equipe brasileira da Fed Cup Júnior terminou a competição na 15ª posição entre 16 equipes. O único confronto vencido pelo Brasil foi neste domingo diante da Coreia do Sul, no playoff que definiu as duas últimas posições da competição. A catarinense Priscila Janikian venceu Ji Min Kwon por 6/1 e 6/3, a paulista Juliana Munhoz perdeu para Bo Young Jeong 4/6, 6/1 e 6/4. Nas duplas, Janikian e a goiana Lorena Cardoso venceram Hyeongju Han e Bo Young Jeong por 6/1 e 6/3.

O Brasil não havia vencido nenhum confronto na fase de grupos, em que enfrentou Estados Unidos, Coreia do Sul e Tailândia. Sem chances de disputa pelo título, a equipe nacional participou do playoff que define do 9º ao 16º lugar. Elas foram superadas nos duelos sul-americanos contra Peru e Argentina antes de reencontrarem e vencerem a equipe sul-coreana neste domingo. Demos todos os resultados no TenisBrasil, basta clicar nos nomes dos países adversários.

Do que eu acompanhei entre as brasileiras (todas são nascidas em 2003), a Lorena me pareceu um pouco mais pronta para jogar torneios juvenis de 18 anos e os primeiros ITFs no circuito profissional. É quem eu mais vi jogar mais em cima da linha de base e pegando mais bolas na subida. Pude ver também a Juliana devolvendo saques mais fracos das rivais com um ou dois passos dentro da quadra. Mas também vi algumas vezes as brasileiras indo para trás e apostando em bolas altas, algo bem comum entre as sul-americanas.

Em termos de resultado, preocupa ver que o Brasil perder cinco dos seis confrontos na semana, e vencer apenas três jogos em 16 possíveis. Em simples, a equipe do capitão Mário Mendonça só ganhou uma partida das doze que disputou. É extremamente injusto criticar ou atribuir culpa a meninas de 15 ou 16 anos. E não farei isso. Mas é preciso olhar com mais atenção para as etapas de formação dessas jogadoras e torcer para que um dia possamos noticiar e divulgar mais vitórias e bons resultados dessas meninas, como tantas vezes fizemos para outros bons nomes do tênis feminino brasileiro.

Não custa lembrar que as brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após um terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil sequer se classificou para a Davis Júnior, já que ficou apenas na quinta posição da seletiva continental.


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