Gauff acumula façanhas e já é fenômeno de audiência
Por Mario Sérgio Cruz
julho 7, 2019 às 11:09 pm
Fenômeno da primeira semana, Gauff chega às oitavas com apenas 15 anos (Foto: AELTC/Adam Warner)

Fenômeno da primeira semana, Gauff chega às oitavas com apenas 15 anos (Foto: AELTC/Adam Warner)

Principal surpresa durante a primeira semana de Wimbledon, Cori Gauff vem acumulando façanhas ao longo de sua ótima campanha no Grand Slam britânico. Vinda do qualificatório até as oitavas, a norte-americana de apenas 15 anos já venceu seis jogos seguidos na grama londrina. Destaque evidente para a estreia na chave principal contra a pentacampeã Venus Williams, mas também superou a semifinalista de 2017 Magdalena Rybarikova e a experiente eslovena Polona Hercog. Ela agora desafia a ex-número 1 do mundo e atual sétima colocada Simona Halep.

Com 15 anos e 122 dias na data em que o torneio termina, Gauff é a jogadora mais jovem a alcançar as oitavas de final de um Grand Slam desde Anna Kournikova no US Open de 1996. Na época, a russa tinha 15 anos e um mês. Em Wimbledon, uma jogadora tão jovem não atingia a segunda semana desde a semifinal de Jennifer Capriati, com 15 anos e três meses, em 1991.

Jogadora mais jovem a ter furado o quali de Wimbledon na Era Aberta, Gauff é a primeira atleta de 15 anos a disputar a chave principal do Grand Slam londrino desde 2009 quando a britânica Laura Robson recebeu convite para a chave. Para efeito de comparação, atletas como Tracy Austin, Jennifer Capriati e Martina Hingis debutaram em Wimbledon aos 14 anos.

Na partida da última sexta-feira contra a eslovena Polona Hercog, pela terceira rodada, Gauff se tornou a jogadora mais jovem a atuar na lendária Quadra Central de Wimbledon em 23 anos. A última atleta tão jovem que jogou no principal palco do Grand Slam inglês havia sido Martina Hingis, em 1996, quando ela perdeu para a alemã Steffi Graf nas oitavas de final.

Ainda há um longo caminho pela frente para que Gauff se torne uma campeã de Grand Slam, mas nunca uma jogadora com menos conquistou o título em um dos quatro maiores torneios do circuito. A mais jovem campeã de Wimbledon foi Martina Hingis, com 16 anos e 280 dias em 1997. O recorde em Grand Slam é da própria Hingis na Austrália, também em 97, com 16 anos e 105 dias.

Número de torneios é restrito por conta da idade
O ótimo desempenho de Gauff em Wimbledon também trouxe à tona regra da WTA que limita o número de competições que uma jogadora com menos de 18 anos pode disputar. Esse número aumenta gradativamente a cada ano de vida de uma atleta entre 14 e 18 anos. O objetivo é preservar a integridade física e a saúde mental de jogadoras tão jovens expostas a rotinas muito desgastantes do circuito profissional.

O limite para jogadoras de 15 anos como Gauff é de dez competições profissionais em que a jogadora marque pontos no ranking. Por ter encerrado a temporada passada entre as cinco melhores juvenis do mundo e conquistado o título juvenil de Roland Garros, ela ganhou o direito de disputar quatro torneios profissionais a mais até seu 16º aniversário. Contando com Wimbledon, ela já disputou sete torneios desde que completou 15 anos e pode disputar outros sete até o dia 13 de março de 2017. A partir do momento em que fizer 16 anos, seu limite de torneios profissionais aumenta para 12, além dos bônus já adquiridos.

Gauff ocupava apenas o 879º lugar do ranking da WTA em dezembro. Com a reestruturação do sistema de pontuação dos torneios menores na virada do ano, iniciou a temporada no 675º lugar. Menos de seis meses depois, já estava no 299º lugar, que até então era a melhor marca de sua carreira. Ela iniciou Wimbledon na 313ª posição e suas seis vitórias seguidas já a fazem saltar para o 139º lugar. Caso vença Halep para chegar às quartas de final, cumprirá sua ambiciosa meta de alcançar o top 100 ainda em 2019. Isso também a faria entrar diretamente na chave do US Open.

Retorno financeiro e a recordes de audiência
Financeiramente, Gauff também dá um salto em seus ganhos. Ela começou a disputar torneios profissionais em março do ano passado, depois de completar 14 anos, e acumulava US$ 75 mil em premiações de torneios. Só pela campanha em Wimbledon, ela recebe mais 176 mil libras esterlinas. Isso dá o equivalente a outros US$ 220 mil. Um recorde que Gauff pode muito bem alcançar é o de jogadora mais jovem a acumular US$ 1 milhão em premiações de torneios. Atualmente, essa marca pertence a Hingis aos 16 anos e um mês em 1996.

Gauff também está se tornando um fenômeno de audiência. Dados da BBC, emissora que transmite Wimbledon para o Reino Unido, mostram que o jogo da promessa norte-americana contra Hercog foi assistido por 5,2 milhões de pessoas. Hercog venceu o primeiro set e chegou a liderar a segunda parcial por 5/2, mas Gauff salvou dois match points e venceu por 3/6, 7/6 (9-7) e 7/5. Além disso, as partidas da jovem de 15 anos contra Magdalena Rybarikova e Venus Williams também figuram entre as oito maiores audiências da TV britânica.

Reportagem deste domingo do New York Times informa também que Gauff teve as maiores audiências nas transmissões da ESPN norte-americana nos dias em que atuou. Jogando na segunda, quarta e sexta-feira durante a primeira semana, ela disputou seus jogos nos mesmos dias que nomes como Simona Halep, Novak Djokovic, Caroline Wozniacki e o fenômeno canadense Felix Auger-Aliassime. A jovem norte-americana também atraiu grande público no Henman Hill, área externa do All England Club.


Comentários
  1. RAMON ASSIS OLIVEIRA

    Não é a primeira vez que vejo notícias de que a partida com a maior audiência foi a feminina.

    Isso me faz lembrar que quando eu era criança, achava que Tênis era um esporte majoritariamente feminino. Eu sabia quem era Serena Willians e Maria Sharapova, mas não sabia quem era Federer.

    Só depois que eu passei a assistir o esporte é que soube de Federer e Nadal.

    Serena Willians tem 4 milhões mais seguidores no Instagram que Nadal, quase o dobro de Federer, e mais do dobro em comparação a Djokovic.

    Logo, o argumento de que Tênis Masculino traz mais audiência que o feminino é muito raso.

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    1. Jose Eduardo Pessanha

      Compara um ingresso pra final feminina com outro da masculina….Masculino é beeeeeeeeeeem mais caro. E compare um ingresso pra final com o Federer em quadra. O preço quase que triplica pela simples presença do suíço. Instagram não quer dizer nada, pois os grandes campeões do masculino não têm tempo ou paciência pra ficar postando fotos. Federer e Nadal são dedicados à carreira, pois o circuito é bem mais competitivo. Basta olhar o Instagram da Serena, que possui 1.417 postagens. O do Federer possui somente 283.
      E outra, Serena é americana. Você já imaginou a popularidade do Federer se ele fosse americano? Pra finalizar, o post do “Insta” do Federer em Wimbledon tem 613 mil curtidas. O da Serenão tem175 mil.
      Veja quantas pessoas viajam pra assistir jogadorAs em Grand Slam e quantas viajam pra ver Federer e Nadal….Garanto que a proporção é de 50 pra 1 para os dois grandes campeões.
      Abs

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      1. RAMON ASSIS OLIVEIRA

        Como é que tu sabe que é 50 x 1? Puro achismo, não números.

        Eu estive a falar de audiência, tão apenas. Como você pode ver no post, nenhum jogo do Federer está no top 10.

        Recentemente foi publicado qual foi a partida com maior número de pagantes, e pertence a uma exibição de Serena Willians com Kim Clijters.

        Quanto ao Instagram, quantidade de postagens não influencia proporcionalmente número de seguidores. E, você colocar a questão do país de origem como razão dela ser mais “seguida” já coloca a questão do gênero em segundo plano.

        A questão dos preços é justamente o ponto que eu questionei: se o tênis feminino é tão assistido quanto o masculino, por vezes mais, por que sempre valorizamos mais o masculino? O preço aqui se apresenta como o fato incongruente.

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        1. Carlos Marrom

          Verdade, o preço é o fato incongruente. Analistas de marketing de Wimbledon e de todos os outros torneios estão errados, a experiência deles deve ser jogada no lixo e em seu lugar deve ser contratado Ramon Assis Oliveira, formado em economia pela UniFacebook.

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          1. Jose Eduardo Pessanha

            Carlos, esse aí não entende lhufas de tênis. kkk. Tênis feminino mais assistido do que o masculino aonde? rs
            Abs

        2. Fernando Yamazaki

          É interessante o que vc falou. O fanático do Federer que falou acima não percebe que os atletas mais populares dos EUA são jogadores do NBA e lutadores de luta livre (The Rock, olha que esse é o segundo homem mais seguido do Instagram!). Logo um tenista não consegue competir com a popularidade desses atletas. Não faria muita diferença se Federer fosse americano, porque tênis é esporte de ricos. Mas Bouchard gosta muito do “jogador de basquete” Nick Kyrgios. Para se ter uma idéia da popularidade do basquete lá na América, Bouchard e Andreescu são fanáticas pelo NBA e não ligam para o Big 3 do tênis masculino. É importante notar que a maioria dos seguidores da Serena no Instagram são de mulheres, que se inspiram na figura feminina da Serenão. Há o fator regional também. Existem países onde maioria prefere ver o tênis masculino (Brasil), e outras nações onde a maioria prefere ver o tênis feminino (esse parece ser o caso do Reino Unido de hoje).

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          1. Jose Eduardo Pessanha

            Não sou fanático, apenas entendo (e muito) de tênis. Não há um mínimo de comparação entre Federer e Serena. Diferença abissal de popularidade e também de habilidade e categoria, convenhamos. Bota exibição de Serena a 100 reais aqui no Brasil: garanto que não vai ninguém. Bota exibição de Federer a mil reais: enche o ginásio/estádio até o talo, com fila de espera.
            Abs

  2. Antonio Guedes

    Uma coisa é a imagem trabalhada nas redes sociais e outra são os resultados esportivos e financeiros de um atleta. Já saí do interior de Goiás (Anápolis) para assustir jogo apresentação do Federer em São Paulo (Serena também estava lá) e também no 1o. Rio Open para ver o fenômeno Nadal. E olhe que costumo assistir jogos da WTA e ATP. Tomara que dê tudo certo para a Gauff e que possamos ve-la em quadra por muitos anos. Imagino que é um fenômeno do Esporte.

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  3. RAMON ASSIS OLIVEIRA

    Incrível como hoje em dia não existe um lugar em que se possa conversar sem ataques de ironia e soberba.

    Eu nunca disse que tênis feminino era mais assistido que o masculino, mas que, não foram poucas as vezes que isto se mostrou verdade.

    No exemplo citado:

    Nenhum jogo do Federer no Top 10.
    Mas você pagaria mais caro só para vê-lo, por que? Pelo imaginário.

    Do mesmo modo o motivo de não se pagar mais caro pelo feminino. “Ah, eu não vou pagar um preço alto para ver um jogo de mulheres…”

    Mesmo que a partida do tênis feminino seja mais emocionante, seja mais capaz de prender a sua atenção pela imprevisibilidade, você não se deixa estar disposto a pagar.

    O que eu quis dizer é sobre esse ponto: número de audiência revela certa paridade entre tênis masculino e feminino, o que é justo que seja refletido na premiação, BUT, aquele que vai ao estádio não se sente compelido a seguir essa paridade.

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  4. Salva

    Cultura machista! o jogo feminino é muito mais bonito de se ver em todos os sentidos, masculino é só força e muita rosca hehehe
    beleza = feminino
    estratégia= feminino
    emoção = feminino
    etc etc etc
    obs: quem não entende de tênis prefere assistir feminino.

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