Promessa de 15 anos desafia Venus em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
junho 28, 2019 às 11:39 pm
Cori Gauff nasceu em 2004, quando Venus já tinha quatro títulos de Grand Slam (Foto: AELTC/Florian Eisele)

Cori Gauff nasceu em 2004, quando Venus já tinha quatro títulos de Grand Slam (Foto: AELTC/Florian Eisele)

Um interessante duelo de gerações marca a rodada de estreia da chave feminina em Wimbledon. Cinco vezes campeã do Grand Slam londrino e finalista em outras quatro edições, Venus Williams chega aos 39 anos para sua 21ª participação no torneio e medirá forças com a promessa norte-americana de apenas 15 anos Cori Gauff.

Adversária de Venus, Gauff disputará o primeiro Grand Slam de sua carreira profissional. Considerada como uma das principais apostas para o futuro do esporte, a jovem jogadora passou por um qualificatório com três rodadas durante a semana. A vitória na rodada final foi conquistada sobre a belga Greet Minnen, jogadora de 21 anos e 129ª colocada, por duplo 6/1 em apenas 55 minutos.

A jogadora de 15 anos é a mais jovem a superar o quali de Wimbledon na Era Aberta. Outras atletas de mesma idade chegaram a disputar o torneio como convidadas ou entrando diretamente por conta do ranking. Além disso, uma de suas vitórias foi sobre a número 94 do mundo Aliona Bolsova, o que fez dela a mais nova a vencer uma adversária do top 100 em um Grand Slam desde 1995, quando Martina Hingis chegou à terceira rodada do US Open com apenas 14 anos.

A diferença de idade de 24 anos entre as duas jogadoras produz estatísticas curiosas. Quando Gauff nasceu, em 13 de março de 2004, Venus já era tenista profissional há uma década e havia disputado Wimbledon sete vezes. Mais que isso, a mais velha das irmãs Williams já acumulava quatro títulos de Grand Slam, dois deles na grama londrina nos anos de 2000 e 2001, e também já havia liderado o ranking mundial da WTA por onze semanas. No ranking divulgado em 8 de março de 2004, o último antes do nascimento de Gauff, Venus aparecia no 17º lugar.

É inegável que as irmãs Williams são fontes de inspiração para Gauff. A promessa norte-americana passa parte da temporada treinando na academia de Patrick Mouratoglou, mesmo técnico de Serena, e sonha poder igualar ou até superar os feitos da vencedora de 23 títulos de Grand Slam. “Serena e Venus sempre foram meus ídolos no tênis. Elas são a razão pela qual eu peguei uma raquete pela primeira vez. Pude conhecê-las pessoalmente e ambas foram muito gentis. Fico muito feliz e grata por elas terem escolhido jogar tênis, porque tenho certeza de que elas dominariam qualquer esporte”.

“Eu sempre digo que quero ser como a Serena, realizar as coisas que ela fez e ir ainda mais longe. Até onde eu puder”, explicou em entrevista ao site da ITF, durante o torneio juvenil de Roland Garros em 2018. “Eu não quero me limitar a ela porque não sou Serena e ela também não sou eu”.

“Sou grata por meus pais nunca colocarem limites em meus objetivos. Eles sempre me disseram para sonhar tão alto quanto eu quiser. E eu estou feliz que, não apenas eles aceitaram meus objetivos, eles realmente sacrificaram tudo para garantir que eu chegasse lá”, disse Cori Gauff, em entrevista ao site de Wimbledon após furar o quali. A jovem jogadora também trata as façanhas com naturalidade. “Eu não sabia sobre nenhum dos recordes que eu quebrei até que alguém me dissesse depois dos jogos”.

Apesar da pouca idade, Gauff está em franca evolução no circuito profissional. Ex-líder do ranking mundial juvenil e campeã de Roland Garros na categoria em 2018, a norte-americana começou o ano apenas no 685º lugar do ranking da WTA e já aparece na 301ª posição, com apenas mais oito pontos a defender até o final do ano. Ela tem metas ambiciosas e já declarou que quer chegar ao top 100 ainda em 2019.

https://twitter.com/CocoGauff/status/1071872776959639552

Gauff só começou a disputar competições profissionais a partir do momento em que completou 14 anos. Além disso, o regulamento da WTA a limitaria a oito torneios profissionais até seu 15º aniversário. Mas como ela terminou a temporada entre as cinco melhores juvenis do mundo, conseguiu autorização para disputar mais quatro torneios profissionais. Pensando nisso jogou torneios juvenis até dezembro e terminou o ano na segunda posição do ranking da categoria, atrás apenas da francesa Clara Burel.

“Muitas pessoas acham que eu queria terminar o ano em primeiro lugar, mas esse não era o meu objetivo”, explica Gauff, em entrevista ao blog Zoo Tennis, da jornalista norte-americana Colette Lewis, exclusivamente dedicado à cobertura de torneios juvenis pelo mundo. “Meu pai me perguntou no meio do ano, e eu disse: ‘Eu realmente não me importo. Só quero terminar no top 5, porque então eu posso conseguir jogar esses torneios extras'”.

Aliassime chega a Wimbledon embalado
Outro nome da nova geração que merece todas as atenções em Wimbledon é Felix Auger-Aliassime, que disputará apenas o segundo Grand Slam da carreira. O canadense de 18 anos ficou fora de Roland Garros depois de ter sofrido uma lesão na região do adutor e da virilha durante o ATP de Lyon, na reta final da temporada de saibro, e não pôde atuar em Paris. Mas na temporada de grama, conseguiu dois ótimos resultados em eventos preparatórios.

Logo nos dois primeiros torneios que disputou na grama como profissional, Aliassime alcançou a final do ATP 250 de Stuttgart e a semifinal do ATP 500 de Queen’s, em Londres. Ao longo dessas duas semanas, ele derrotou o atual número Stefanos Tsitsipas, os ex-top 10 Ernests Gulbi, Gilles Simon e Grigor Dimitrov, e nomes fortes na grama como Nick Kyrgios e Dustin Brown. Ele está com o melhor ranking da carreira, o 21º lugar.

Aliassime estreia em duelo canadense contra Vasek Pospisil e pode logo reencontrar Dimitrov, que estreia contra o francês vindo do quali Corentin Moutet. Seu cabeça de chave mais próximo é Gael Monfils, 16º favorito. Um top 10 só pode cruzar o caminho do canadense a partir das oitavas de final, justamente o número 1 do mundo e tetracampeão do torneio Novak Djokovic.


Comentários
  1. Paulo Augusto

    Não vou ficar nem um pouco surpreso se a Coco aprontar uma surpresa para cima da Venus. Tudo indica que ela será a substituta da Serena de quem é fã declarada.

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  2. Paulo Augusto

    Não vou ficar nem um pouco surpreso se a Coco aprontar uma surpresa para cima da Venus. Tudo indica que ela será a substituta da Serena, de quem é fã declarada.

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