Brasil tem só 8 vitórias entre Banana Bowl e Porto Alegre
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 22, 2019 às 8:16 pm

Nas duas últimas semanas, o Sul do Brasil foi palco dos maiores e mais tradicionais torneios internacionais infanto-juvenis realizados no território nacional. O Banana Bowl teve os jogos da categoria 18 anos de sua 49ª edição disputados na cidade catarinense de Criciúma, enquanto o Campeonato Internacional de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau) chegou ao seu 36ª ano, agora com o nome de Brasil Juniors Cup. Os eventos são de nível J1 e JA, as duas principais graduações abaixo dos Grand Slam no circuito mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Dentro de quadra, o tênis brasileiro teve pouco a comemorar. Foram apenas oito vitórias de jogadores da casa, três no Banana Bowl e mais cinco em Porto Alegre. Os triunfos aconteceram apenas nas chaves masculinas e as melhores campanhas foram até as oitavas de final. Em Criciúma, o catarinense Pedro Boscardin e o baiano Natan Rodrigues chegaram à terceira rodada, sendo que Natan era o cabeça de chave 11 e entrou direto na segunda fase. Já em Porto Alegre, apenas Boscardin conseguiu vencer dois jogos para chegar às oitavas.

É bom registrar que individualmente, Boscardin teve dois resultados positivos. O catarinense completou 16 anos em janeiro e, em tese, tem mais dois anos de circuito juvenil pela frente. Ele acumulou quatro vitórias nas duas últimas semanas só parou no espanhol Nicolas Alvarez Varona, principal cabeça de chave e posteriormente campeão do Banana Bowl, e no norte-americano Tyler Zink, sexto favorito em Porto Alegre.

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Com uma rápida consulta nos arquivos da ITF, disponíveis em seu site oficial, é possível encontrar as chaves do Banana Bowl desde 1994 e da Copa Gerdau a partir de 1993. O único torneio antes dos dois realizados neste ano de 2019 sem nenhum brasileiro nas quartas de final foi a Copa Gerdau de 2001.

Até mesmo se fizermos um corte só pelo masculino, em que os brasileiros têm histórico de melhores resultados, apenas duas edições do Banana Bowl (1997 e 2012) e duas de Porto Alegre (2001 e 2006) não tinham brasileiros nas quartas de final. Ainda assim, em três desses torneios, houve ao menos uma brasileira nessa fase do feminino. Foi assim com Joana Cortez em 1997, Roxane Vaisemberg em 2006 e Laura Pigossi em 2012.

Banana Bowl
As chaves de simples do Banana Bowl contaram com 16 jovens tenistas do Brasil, dez no masculino e seis no feminino. Treze desses representantes se despediram ainda no primeiro dia do torneio, que contou com apenas uma vitória brasileira, no duelo nacional entre Boscardin e o paranaense vindo do quali Eduardo Taiguara. Mais que isso, todas derrotas para adversários estrangeiros aconteceram para adversários da casa. Taiguara, aliás, foi o único brasileiro a passar pelo quali de três rodadas na cidade catarinense.

No dia seguinte, Boscardin e Natan conseguiram as únicas vitórias da casa contra adversários estrangeiros, o catarinense diante do canadense Taha Baadi (cabeça 14) e o baiano sobre o espanhol vindo do quali Alejandro Garcia. Nas oitavas, Boscardin foi superado pelo principal favorito e Natan Rodrigues pelo cabeça 6 Tyler Zink.

No feminino, apenas a paulista Ana Luiza Cruz entrou diretamente na chave principal de simples em Criciúma. As outras cinco representantes nacionais disputaram o torneio como convidadas. Ana Luiza era cabeça 15 no Banana Bowl e vinha de um bom resultado no Paraguai, onde foi semifinalista, mas foi eliminada na segunda rodada, que foi sua estreia no torneio. Sua algoz foi a norte-americana Hina Inoue.

Brasil Juniors Cup
Em Porto Alegre, foram 28 tenistas do Brasil, sendo 15 no masculino e 13 no feminino. O torneio tem chaves de 64 jogadores (enquanto o Banana Bowl conta com 48 em cada evento) e não dá folga aos cabeças de chave na primeira rodada. O primeiro dia do torneio teve 12 brasileiros em quadra e apenas duas vitórias, vindas de Boscardin e do paulista Raí Vicente de Araújo. No dia seguinte, 16 atletas da casa atuaram pelo complemento da primeira fase e somente o paulista Gustavo Heide e o gaúcho Guilherme Toresan venceram seus jogos. Já no terceiro dia de disputas, Boscardin foi o único atleta nacional a avançar às oitavas.

Entre as oito brasileiras que disputaram a chave feminina, apenas quatro entraram diretamente por conta do ranking: Ana Luiza Cruz, Nalanda Silva, Lorena Cardoso e Isabel Oliveira. Giovanna Pereira entrou na chave como lucky-loser e outras oito representantes nacionais foram convidadas para o torneio. No masculino, sete dos 15 brasileiros foram convidados, dois entraram como lucky-losers (Gustavo Madureira e Matheus Queiroz), enquanto Boscardin, Heide e Bruno Oliveira entraram direto na chave.

Três brasileiros conseguiram passar pelo qualificatório masculino, em que necessárias duas ou três rodadas, dependendo do ranking do jogador. Luis Fernando Reis, Breno Ferreira Marques e Joaquim de Almeida conseguiram superar a fase classificatória e garantir vaga na chave principal. No feminino, além de nenhuma brasileira ter passado pelo quali, chama ainda mais atenção o fato de nenhuma representante nacional ter vencido alguma partida contra adversárias estrangeiras.

Rio Open
É importante também citar que dois dos principais juvenis brasileiros não puderam disputar o torneio mais forte do país na categoria. Natan Rodrigues (45º no ranking mundial da ITF) e Mateus Alves (54º) estavam envolvidos no quali e na chave de duplas do Rio Open, uma experiência extremamente positiva e que deve ser incentivada, até mais pela rotina de treinos em um torneio de alto nível do que necessariamente pelos resultados. Infelizmente, por conta da recente mudança no calendário do circuito juvenil da ITF, os grandes eventos no Brasil entre profissionais e juvenis acabam coincidindo datas.


Comentários
  1. Luiz Gonzaga de Melo

    O Tênis é um esporte caríssimo.
    Os ricos não querem jogar tênis, só querem estudar, e têm razão.
    Então, alguma pessoa física ou jurídica ou o governo tem que investir nos pobres.
    Há milhões de garotos em RISCO SOCIAL aqui no Brasil, talentosos.
    O governo e as pessoas jurídicas têm que investir nessas crianças.
    Aí tudo vai dar certo! O maior exemplo é o futebol.
    Abraços

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Já existem diferentes projetos sociais ligados ao tênis, e inclusive já começam a surgir juvenis vindos dessas iniciativas. Mas é de fundamental importância que haja investimento, seja público ou de apoiadores, para massificar o esporte e dar oportunidade aos jovens em condições de vulnerabilidade social. Esporte é uma ferramenta muito transformadora e merece ser tratado com seriedade e competência.

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  2. Luis Augusto Corrientes Claro

    Boa tarde . O grande problema , foi ter posto há anos atrá,s a presidência da CBT , para um despreparado e incompetente Jorge Lacerda( acho que não errei o nome). A plataforma dele , tinha alguns pontos importantes: um deles , era ter um centro profissional de Tênis para juvenis e profissionais. Nada aconteceu sobre isso. Equipe da Davis , fala sério. Tirou os grandes torneios( juvenis) de um eixo , aonde tem um grande participantes e um pouco maisde dinheiro , para um eixo , muito menor em ambos os exemplos. Nunca respondeu o pq fez isso…. esse foi o legado para o Tênis que o Sr Jorge deixou…deixo claro que não era a favor da administração do Sr Nelson Nástas…abs
    O explicado que falta dinheiro , é assim desde sempre.Nos anos 70 , 80 e um pouco dos 90 , o Brasil ( São Paulo) , era um dos lugares do mundo, com mais torneios….Fora que tínhamos um CAMINHÃO de TALENTOS….aí sim , após o juvenis , faltou verba individual para os nossos jogadores….
    abs

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