Uma incontestável surpresa
Por Mario Sérgio Cruz
junho 6, 2016 às 8:04 pm

Não deixa de ser uma surpresa o título de Geoffrey Blancaneaux na chave juvenil masculina em Roland Garros. Ele é o primeiro anfitrião a vencer na categoria Gael Monfils em 2004. O francês de 17 anos ganhou confiança por ter vencido uma partida no qualificatório para o torneio adulto, mas chegou à competição apenas como 39º do ranking de sua categoria e teria uma chave dura pela frente.

O francês Blancaneaux não estava entre os favoritos, mas passou por chave difícil (Foto: Susan Mullane)

O francês Blancaneaux não estava entre os favoritos, mas passou por chave difícil  (Foto: Susan Mullane)

Nas duas primeiras, adversários completamente diferentes. Blancaneaux estreou eliminando o sólido japonês Yosuke Watanuki, cabeça 4 do torneio e, então, superou o bom saque e o potentes golpes do alemão Louis Wessels. Depois de uma vitória no duelo francês contra Corentin Moutet, simplesmente dizimou o último time campeão da Davis Juvenil, eliminando de forma seguida os canadenses Benjamin Sigouin, Denis Shapovalov e Felix Auger Aliassime, depois de salvar três match points na final.

O título juvenil feminino ficou com a suíça de 16 anos Rebeka Masarova, que repete feitos de Martina Hingis (1993/94) e Belinda Bencic (2013), mas maior destaque fica para a vice-campeã. Com apenas 14 anos, Amanda Anisimova vem mostrando resultados consistentes contra meninas até quatro anos mais velha. Anisimova foi semifinalista no Eddie Herr, vice na Copa Gerdau em Porto Alegre e semifinalista no torneio nacional da USTA. Ela tem nome de peso como técnico, Nick Saviano acompanha os pais da jovem promessa americana.

Orlando Luz foi vice-campeão de duplas em Roland Garros

Orlando Luz foi vice-campeão de duplas em Roland Garros

Boa semana também para Orlando Luz, que aos 18 anos já prioriza circuito profissional, mas entrou na chave juvenil em Paris. Se a campanha de simples foi curta, parando na segunda rodada, a sequência de vitórias nas duplas ao lado do sul-coreano Yunseong Chung até o vice-campeonato pode dar a confiança necessária para a sequência da temporada.O título foi para o israelense Yshai Oliel e o tcheco Patrik Rikl.

Orlando ainda teve a honra de assistir à final masculina de Roland Garros ao Gustavo Kuerten em Paris, o que sem dúvida vale muito mais para um garoto dessa idade (e que quer chegar longe) que uma eventual participação em future na mesma semana. Jogar o juvenil de Wimbledon não deve valer muito a pena para ele, principalmente pela mudança de piso, e neste caso sim é melhor optar por um torneio profissional. Seu próximo torneio é o future italiano de Bérgamo, onde estreia já na terça-feira.


Comentários
  1. Halley

    O Felix Aliassime foi até a final da chave juvenil de simples? O rapaz tem apenas 16 anos. Se entendi bem, o feito é incrível. Além disso, a derrota do Orlando na chave de simples não fica tão feia.

    Realmente, foi legal ver o Orlando do lado do Guga, que foi campeão de duplas em RG. Tomara que o Orlando aproveite todo esse apoio e conquiste bons resultados na profissional, mesmo que a médio prazo.

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    1. Mario Sérgio da Cruz

      O Felix foi finalista de simples sim, e com apenas 15 pontos. Com os pontos da campanha, já virou número 2 juvenil.

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  2. Pieter

    Sou fã do Orlando que além de muito promissor, é um garoto educado e humilde, além de atencioso como os fãs dele aqui no Brasil. Lamentei que ele não tenha conquistado o título de duplas mas vamos ficar na expectativa de que ele deslanche, finalmente, este ano entre os profissionais. O nível dele ainda é de futures e challengers mas não há pressa, ele tem o tempo a seu favor…

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  3. Emerson

    Gostaria de saber sua opinião mais geral sobre nossa nova geração. Parece que o Tiago é mesmo o que tem mais possibilidades futuras, mas o Orlando também tem boas chances de chegar num top 50, né? E o Marcelo Zormann o que você acha? E mais quais você queira comentar, é claro.

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    1. Mario Sérgio da Cruz

      A gente tem uma geração que precisa ser trabalhada em vários níveis na parte de transição ao profissionalissmo. O Tiago está numa posição melhor que outros jovens, até por ser um pouco mais velho. Tem quatro anos a mais que o Orlando, três a mais que o Zormann, e fazendo bons resultados semana a semana. Ele foi número 2 do juvenil sem a mesma exposição na época. De certa forma, ele serve de modelo para os dois.

      Cravar que um jogador jovem vai ser top 100 ou top 50 é muito difícil. Tem uma série de variáveis que interferem. Eu posso dizer que o Orlando, o Zormann ou Décamps são promissores, mas pré-determinar um ranking é muito difícil. O que dá pra falar também é que as expectativas com o Orlando são boas, inclusive vindas de técnicos estrangeiros, que percebi um isso no Banana Bowl do ano passado.

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