Monthly Archives: maio 2022

Alcaraz retorna a Roland Garros com novo status
Por Mario Sérgio Cruz
maio 21, 2022 às 9:49 pm

No ano passado, Alcaraz havia disputado o quali em Paris. Agora, entra no torneio como número 6 do mundo. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

A segunda participação de Carlos Alcaraz em Roland Garros acontece em um contexto muito diferente em comparação com a edição passada do Grand Slam francês. Se em 2021, o espanhol disputava apenas seu segundo Slam como profissional e precisou passar pelo quali, o retorno a Paris em 2022 é na condição de candidato ao título. Número 6 do mundo, Alcaraz estreia neste domingo, diante do argentino Juan Ignacio Londero, ex-top 50 e atual 141º do ranking.

Alcaraz chega para Roland Garros carregando uma invencibilidade de dez jogos e dois títulos importantes no saibro, o ATP 500 de Barcelona e o Masters 1000 de Madri. E na capital espanhola, conseguiu a façanha de superar Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev em dias consecutivos para vencer seu quarto título na temporada e o segundo Masters 1000.

Em 31 jogos disputados na temporada de 2022, Alcaraz venceu 28 no total. Entre as três derrotas no ano, duas foram em jogos equilibradíssimos contra adversários do top 10, Matteo Berrettini no tiebreak do quinto set no Australian Open e Rafael Nadal em partida com 3h12 na semifinal de Indian Wells. A outra derrota foi para o norte-americano Sebastian Korda no Masters 1000 de Monte Carlo e que impediu Alcaraz de chegar a Paris invicto no saibro. Também campeão do Rio Open, em fevereiro, ele tem 16 vitórias e apenas uma derrota no piso em 2021.

Como Alcaraz estava no ano passado
Para efeito de comparação, Alcaraz era apenas o número 97 do mundo quando disputou a edição passada de Roland Garros. O espanhol fez boa campanha, tendo superado Lukas Lacko, Andrea Pellegrino e Alejandro Tabilo em sets diretos durante o quali, e depois ainda passou por Bernabe Zapata Miralles e pelo então 31º do ranking Nikoloz Basilashvili na chave principal, antes de cair diante do alemão Jan-Lennard Struff na terceira rodada em Paris. Semanas antes, ele havia disputado uma semifinal de ATP em Marbella e vencido um challenger em Oeiras. Além de ter duelo com o ídolo Nadal no Masters de Madri, no dia de seu 18º aniversário.

Chave dura para o espanhol em Paris
Caso passe pela estreia contra Londero, que entrou na chave como lucky-loser, Alcaraz pode ter um duelo espanhol contra Albert Ramos, canhoto de 34 anos e 42º do ranking, ou encarar o australiano Thanasi Kokkinakis, 85º colocado. Ele venceu nas duas vezes que enfrentou Ramos, enquanto Kokkinakis é um rival inédito em sua carreira. Existe a possibilidade de um reencontro com Korda, seu único algoz em toda a temporada de saibro, já na terceira rodada. E nas oitavas, o jovem espanhol pode enfrentar o britânico Cameron Norrie, que neste sábado venceu o ATP de Lyon. Mas Alcaraz já o derrotou duas vezes no ano. Há ainda a chance de encontrar nomes como Dominic Thiem ou Karen Khachanov.

O quadrante e o lado de Alcaraz na chave estão muito fortes. Caso alcance as quartas de final de um Grand Slam pela segunda vez na carreira, repetindo a façanha do último US Open, o espanhol pode reencontrar Alexander Zverev. E o semifinalista provavelmente enfrentará uma lenda do tênis, já que o treze vezes campeão Rafael Nadal e o número 1 do mundo e bicampeão Novak Djokovic estão no outro quadrante deste lado da chave.

Para tentar fazer sua melhor campanha em um Grand Slam na carreira, Alcaraz terá que fazer algo que se acostumou a fazer nos últimos meses, brilhar nos grandes palcos, contra grandes jogadores. Oito das onze vitórias do espanhol contra jogadores do top 10 foram conquistadas neste ano. Além da trinca sobre Zverev, Nadal e Djokovic em Madri, ele já venceu Stefanos Tsitsipas duas vezes no ano, superou Casper Ruud na final do Masters 1000 de Miami, e também já conquistou grandes vitórias sobre Hubert Hurkacz e Matteo Berrettini.

‘Acho que tenho ainda que melhorar em tudo’
Após a recente conquista em Madri, Alcaraz falou sobre sua excelente fase no circuito. “Acho que estou jogando muito bem e os números falam por si só. Acho que estou indo muito bem no saibro agora. Como eu disse em Monte Carlo, você aprende muito com as derrotas e aquele foi um exemplo claro. Perdi na primeira rodada de Monte Carlo, aprendi com aquela derrota e comecei a treinar para Barcelona e Madrid. Considero que estou jogando muito, muito bem, e acho que sou um adversário difícil para os outros jogadores”.

“Acho que tenho ainda que melhorar em tudo, e sempre digo isso. Você nunca atinge um limite. Veja Rafa, Djokovic, Federer… Todos eles melhoram e têm coisas a melhorar. Por isso são tão bons. Não é porque eu ganhei em Barcelona e venci o Djokovic e o Rafa em Madri, não que me considero o melhor jogador do mundo. Hoje sou o número 6, então ainda tenho cinco jogadores pela frente para ser o melhor”.

Campeã juvenil de RG fura o quali e disputa 1º Slam
Por Mario Sérgio Cruz
maio 19, 2022 às 7:24 pm

Noskova é a jogadora mais jovem a furar o quali de Paris desde 2009 (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Uma temporada depois de conquistar o torneio juvenil de Roland Garros, a tcheca de 17 anos Linda Noskova disputará seu primeiro Grand Slam como profissional, novamente em Paris. A atual 185ª do ranking da WTA conseguiu passar pelas três rodadas do qualificatório e garantir vaga na chave principal.

Depois de ter passado pela russa Anna Blinkova, 120ª do mundo e pela experiente suíça de 31 anos Conny Perrin nas fases iniciais do quali, Noskova superou nesta quinta-feira a tcheca Rebecca Sramkova, de 25 anos e 179ª colocada, por 6/3 e 6/2. Ela agora espera o término do quali, nesta sexta-feira, para saber quem será sua primeira adversária na chave principal.

“É muito bom, eu não esperava. Não vim aqui com muita prática ou muitas partidas, então não estava muito preparada”, afirmou Noskova. “Lembro-me de ter perdido há quatro ou cinco anos na primeira rodada do quali do torneio juvenil. Disse a mim mesma que teria que jogar aqui um dia. Tenho ótimas lembranças do circuito juvenil, dos momentos com a torcida. Adoro o ambiente daqui”.

Noskova, que terá 17 anos e 186 dias no primeiro dia da chave principal, é a jogadora tcheca mais jovem a competir em um Grand Slam desde Nicole Vaidisova (17 anos e 127 dias) no US Open de 2006. Ela também é a tenista mais jovem a furar o quali de Roland Garros desde Michelle Larcher de Brito (16 anos e 128 dias) em 2009.

Niemeier é mais uma jovem a garantir vaga, Vekic também fura quali
A jovem alemã de 22 anos Jule Niemeier, 103ª do ranking, também furou o quali de Paris e disputará o primeiro Grand Slam de sua carreira profissional. Cabeça 2 do quali, ela venceu nesta quinta-feira a japonesa Moyuka Uchijima por 6/0 e 6/1. Ano passado, Niemeier não jogou o quali em Paris porque fez uma ótima campanha até a semifinal do WTA de Estrasburgo. Já nesta semana em Roland Garros, venceu seus três jogos sem perder sets, tendo passado pela romena Alexandra Cadantu e pela francesa Jessika Ponchet.

A ex-top 20 Donna Vekic, atual 101ª do ranking aos 25 anos, também furou o quali em Paris. Ela venceu nesta quinta-feira a russa Anastasia Gasanova por 4/6, 6/2 e 6/2. Vekic tem nove participações em Roland Garros, tendo chegado às oitavas em 2019. Já a alemã Laura Siegemund perdeu na fase final do quali. A veterana de 34 anos e ex-top 30 perdeu para a espanhola Cristina Bucsa por 4/6, 6/3 e 6/1.

Em duas semanas, Boscardin salta 180 posições
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2022 às 10:14 pm

Boscardin fez suas duas melhores campanhas em challenger nas últimas semanas e ganhou 180 posições no ranking (Foto: Luiz Candido/CBT)

Os resultados positivos nas duas últimas semanas tiveram impacto direto no ranking para Pedro Boscardin. Ele venceu sete dos últimos nove jogos que disputou. E depois de chegar às quartas de final em Salvador e de alcançar a primeira final de challenger da carreira em Coquimbo, no Chile, o jovem jogador de 19 anos ultrapassou 180 jogadores no ranking.

Antes do torneio de Salvador, Boscardin era apenas o 526º do ranking. Ele recebeu 20 pontos pela campanha do quali até as quartas de final e saltou para o 452º lugar. Na sequência, venceu mais quatro jogos em Coquimbo e recebeu mais 50 pontos, que o levaram à 346ª posição, a melhor marca da carreira. Nono melhor brasileiro no ranking da ATP, o catarinense é mais jovem que todos os demais atletas nacionais que estão à frente dele.

“Foi uma semana muito boa de evolução e aprendizado. Já venho trabalhando há bastante tempo. Alguns jogos vinham escapando nas outras semanas, mas desde semana passada reencontramos o caminho das vitórias, venho jogando muito bem”, disse Boscardin, avaliando a semana no torneio chileno. Ele se tornou o primeiro sul-americano nascido em 2003 a jogar uma final de challenger e o quarto no mundo junto com Carlos Alcaraz, Holger Rune e Luca Nardi.

“Semana passada fiz quartas, com muita chance de ir à semi, mas essa semana veio uma consolidação. Fico feliz com a melhora no ranking, podendo entrar mais nos challengers e não ficar na dúvida se entrou ou não”, acrescentou o catarinense destacando o aumento no número de torneios na América do Sul. “Esse circuito na América do Sul é muito importante, ainda mais para mim que estou começando a jogar como profissional, saindo do juvenil. Então, isso está me ajudando bastante a fazer os pontos nessa fase de transição. Então, está sendo uma salvação para todos nós”.

Ex-top 10 do ranking juvenil, Boscardin conquistou seu primeiro título profissional no ano passado, quando venceu um ITF M25 em Rio do Sul, Santa Catarina. Já em fevereiro deste ano, ganhou um ITF M15 nos Estados Unidos, em Naples, na Flórida. Convidado para jogar no Chile, Boscardin passou por dois brasileiros nas primeiras rodadas, o carioca Wilson Leite e o paulista Gustavo Heide. Ele também passou pelo peruano Arklon Huertas nas quartas e pelo argentino Juan Bautista Torres na semifinal. Já na final do último sábado, ele foi superado pelo argentino Facundo Diaz Acosta por 7/5 e 7/6 (7-4) em 1h53 de partida. “A final foi bem dura. O Facundo jogou muito bem, e eu também estava confiante”, avaliou.

Com o salto no ranking, Boscardin retorna ao Brasil e avalia o calendário para as próximas semanas. De acordo com a equipe do tenista, ele seguirá para torneios na Europa no fim do mês. “Agora é seguir firme, levar todas as coisas boas, as principais, energia positiva, a confiança. É descansar duas semanas agora e voltar para os campeonatos”.

Baez e Rune traçam caminhos distintos até títulos inéditos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 2, 2022 às 12:40 am

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro e confirmou a evolução quando começou a entrar em torneios maiores (Foto: Millennium Estoril Open)

Vencedores dos torneios ATP 250 disputados na última semana, em quadras de saibro na Europa, Sebastian Baez e Holger Rune acumulam algumas coincidências. Ambos ex-líderes do ranking mundial juvenil, o argentino e o dinamarquês chegaram às suas primeiras conquistas na elite do circuito no mesmo dia. Eles estarão bem próximos no ranking da ATP, Baez será 40º do mundo e Rune no 45º lugar e têm estatísticas parecidas no tênis profissional. Mas trilharam caminhos distintos até os troféus deste domingo e que acentuam a diferença entre ser um jovem promissor europeu ou sul-americano.

Baez, de 21 anos, conquistou o ATP 250 do Estoril em Portugal depois de vencer a final contra o norte-americano Frances Tiafoe por 6/3 e 6/2. O título consolida a evolução consistente que o jovem jogador argentino trilhou nas quadras de saibro nos últimos anos. Novo integrante do top 40, Baez tem 18 vitórias em nível ATP, sendo 13 no saibro. O argentino tem ainda seis títulos de challenger, com 49 vitórias neste nível e venceu cinco torneios no circuito da ITF.

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro
No início de 2021, Baez aparecia apenas no 309º lugar do ranking da ATP. Ele organizou seu calendário priorizando challengers no saibro, atuando neste nível e neste piso durante praticamente um ano inteiro. A estratégia deu resultado. O argentino venceu seis torneios (dois em Santiago, um em Concepcion, além de Buenos Aires, Campinas e Zagreb), ficou com mais três vices, e terminou o ano no top 100, ocupando o 97º lugar.

Havia dúvidas sobre como ele reagiria em dois novos cenários: Atuar no piso duro e enfrentar adversários de primeira linha. As primeiras impressões de Baez nas quadras sintéticas foram positivas, durante o Next Gen ATP Finals em Milão, no fim do ano passado. A evolução continuou neste ano, com boas campanhas na gira australiana. E a consolidação de Baez como um candidato a ir longe nos torneios veio em seu piso favorito: Oitavas no Rio Open, vindo do quali, quartas em Córdoba, final em Santiago e agora o título no Estoril.

“Estou apenas entrando no circuito. Jogar com rivais que via pela TV é raro, mas eu me apoiei no meu time e tentei dar o meu melhor”, disse Baez após a conquista em Portugal. “Quero curtir e continuar trabalhando para alcançar o máximo que posso. Tenho que continuar sonhando e continuar ao lado das pessoas que mais amo. É o que me impulsiona a seguir em frente”.

Na transição saindo do tênis juvenil, recebeu oito convites, sendo o primeiro de nível ATP apenas neste ano em Buenos Aires. Seus quatro primeiros convites como tenista profissional foram para qualis de future na Argentina em 2016. Só em 2017 e 2019, ele teve oportunidades em challengers em Buenos Aires, sem conseguir avançar uma rodada sequer. E apenas na atual temporada, já aos 21 anos recebeu um convite para uma chave de ATP, também na capital argentina.

Convites ajudaram Rune a ganhar experiência no alto nível

Rune recebeu convites e conviveu com a elite do circuito desde muito novo (Foto: BMW Open)


O processo de formação de Holger Rune foi diferente. Campeão juvenil de Roland Garros em 2019 e líder do ranking mundial da categoria no mesmo ano, o dinamarquês já havia tido a oportunidade de treinar com Patrick Mouratoglou e recebeu uma série de convites em torneios de primeira linha.

Nos primeiros dois meses após o título de Roland Garros como juvenil, Rune foi convidado para quatro challengers, em Blois, Amersfoort, Manerbio e Istambul. Antes disso, só havia disputado uma partida como profissional, na Copa Davis de 2018. O dinamarquês aproveitou algumas dessas chances, avançou rodadas em dois desses quatro torneios e somou seus primeiros pontos.

A primeira oportunidade em um torneio da ATP veio ainda aos 16 anos, com ele ocupando apenas o 1.019º lugar no ranking profissional, mas recebendo um convite para o quali de Auckland em 2020. Durante a paralisação do circuito na fase mais restritiva da pandemia, também participou de exibições pela Europa com jogadores mais experimentados na elite do circuito.

Quando o circuito foi retomado no segundo semestre de 2020, Rune jogou torneios menores, mas com a experiência de quem já enfrentou adversários muito mais fortes. Venceu três eventos da ITF e escalou o ranking até o 474º lugar. Já no ano de 2021, o dinamarquês ganhou mais um ITF e venceu seus quatro primeiros challengers na Itália, em Biella, San Marino, Verona e Bérgmo. Mas chama atenção também a quantidade de convites para torneios da ATP.

Rune foi indicado por organizadores dos torneios de Buenos Aires, Santiago, Marbella, Monte Carlo, Barcelona, Bastad, Umag e Indian Wells. O dinamarquês soube aproveitar suas oportunidades, treinou e jogou com os melhores desde cedo. Experimentou a rotina da elite do circuito e lapidou seu jogo em torneios grandes. Quando havia necessidade de buscar pontos em competições menores, conseguia se impor. Ao todo, já tem 19 convites na carreira.

Nesta semana em Munique, venceu a primeira contra top 10, superando o número 3 do mundo Alexander Zverev nas oitavas. Ele não se deixou abalar pela vitória expressiva e jogou como favorito contra Emil Ruusuvuori nas quartas e Oscar Otte na semi. A final contra Botic van de Zandschulp foi abreviada. O holandês sentiu dores no peito e dificuldades para respirar, e com isso a partida só durou sete games.

“Essa é provavelmente a pior maneira de vencer uma final. Eu esperava um jogo duro e ele vinha muito forte no torneio, mas aconteceu alguma coisa com ele. Desejo tudo de bom na recuperação e espero vê-lo em quadra em breve”, disse Rune, que não perdeu sets no torneio. “Mas se eu pensar na semana que eu tive, estou super feliz, joguei um tênis incrível e consegui o meu primeiro título aqui em Munique diante de um estádio lotado. Eu não poderia querer mais do que isso”.

Rune está com 19 anos e tem agora 20 vitórias no circuito da ATP, sendo 11 no saibro e nove no piso duro. O dinamarquês já venceu cinco torneios de nível challenger, um deles este ano, com 46 vitórias na carreira. Já nos eventos da ITF, acumula quatro títulos. Ele é o novo 45º do mundo com a atualização do ranking.