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Barty dá exemplo até na hora de se despedir do tênis
Por Mario Sérgio Cruz
março 23, 2022 às 11:36 pm

O anúncio feito por Ashleigh Barty, que decidiu encerrar sua carreira profissional nesta quarta-feira, surpreendeu a todos no mundo do tênis. Com apenas 25 anos, número 1 do mundo, e atual campeã de Wimbledon e do Australian Open, Barty teria totais condições de seguir competindo e acumulando conquistas. Ao mesmo tempo, quem acompanha a carreira e as declarações da australiana compreende perfeitamente os motivos que a levaram a tomar essa decisão.

Numa era que muitas das principais estrelas do tênis perseguem títulos e recordes o tempo todo, mesmo que para isso seja preciso sacrificar suas melhores condições físicas e psicológicas, Barty encarava o tênis com leveza, mas sem nunca deixar de lado seu absoluto profissionalismo e amor pelo esporte. Estabeleceu para si mesma as metas de ser a número 1 do mundo e conquistar os títulos de Wimbledon e do Australian Open. Ela cumpriu todos os objetivos e foi além, venceu três Grand Slam em simples, mais um nas duplas, e acumulou 121 semanas na liderança do ranking (que serão atingidas após o WTA 1000 de Miami). Sentiu, então, que é a hora de buscar novos ares.

No ano passado, Barty fez um grande sacrifício pelo tênis. Por conta do rígido controle da pandemia feito na Austrália, aceitou passar seis meses viajando. Foi assim desde o início de março até o US Open em setembro. Ela não poderia voltar para casa nas semanas sem competição, porque ficaria sujeita a uma quarentena de 15 dias, e disse ainda que não havia sequer estabelecido uma base fixa de treinamento. Quando conquistou Wimbledon, voltava de lesão no quadril e considerou o título um milagre. Após o último Grand Slam do ano, decidiu encerrar a temporada mais cedo, sem jogar em Indian Wells e nem o WTA Finals. A prioridade era se recuperar a parte física e mental para chegar voando na Austrália. E o final foi feliz.

A decisão de Barty é corajosa e não estamos acostumados a lidar com ela. Ainda mais em um período em que as carreiras no esporte são mais longas e os ídolos atravessam diferentes gerações, desafiando o próprio corpo e os limites por muito mais que uma década. Via de regra, as despedidas vêm acompanhadas de lesões e tratamentos muitos longos, seguidas por eventuais quedas de rendimento e eliminações precoces. Além das declarações com a voz embargada. A australiana mostra que é possível fazer diferente.

Barty, aliás, foi uma campeã que jogava diferente. Em um circuito que vinha sendo dominado por jogadoras cada vez mais altas e que tentavam se impor batendo muito forte na bola dos dois lados, a australiana encantou ao apresentar um estilo de jogo completo e versátil, capaz de utilizar com eficiência diferentes tipos de saque, executar drop-shots e slices com maestria e sua excelente atuação junto à rede. Sempre muito querida por suas colegas de circuito, Barty era uma inspiração para muitas tenistas. também por ser uma pessoa de ótimo trato, bastante respeitosa com jogadoras de diferentes gerações e com todos nos ambientes dos torneios. E isso inclui também os jornalistas.

Postura exemplar também nas entrevistas
A número 1 do mundo não se furtava a responder perguntas sobre temas de dentro ou fora da quadra. Falava de forma franca sobre planos de jogo e estratégias adotadas depois das vitórias, sem necessidade de esconder o jogo. Falava sempre na terceira pessoa. Todas as conquistas eram do time. Sua parceria com o técnico Craig Tyzzer foi vitoriosa e duradoura.

Nas derrotas, sempre dava o devido crédito às adversárias e até mesmo defendia as rivais em questões polêmicas. Quando perdeu para Karolina Muchova no Australian Open de 2021, foi perguntada se os pedidos de atendimento médico da tcheca interferiram no resultado. A australiana não apenas refutou a ideia, como se lembrou que ela própria já havia precisado do recurso em outras ocasiões e fez questão de valorizar a atuação de sua algoz.

No ano passado, quando as todas as entrevistas nos torneios da WTA aconteciam em formato virtual, por conta da fase mais restritiva da pandemia, pude participar de algumas entrevistas coletivas de Barty ao longo da temporada. Além das já habituais declarações pós-jogo, houve um pouco mais de abertura nas semanas de Stuttgart e Cincinnati, torneios em que ela foi campeã e pôde responder perguntas sobre outros temas conforme avançava na chave.

Na primeira ocasião, comentou sobre a difícil escolha de calendário que a obrigava a viajar o tempo todo. Falou também sobre ter recebido a vacina da Covid-19 durante o WTA 500 de Charleston, para proteger a si mesma e todos da equipe, mas com a preocupação também de não estar furando a fila de ninguém que precisasse mais do que ela naquele local.

Já na segunda entrevista, a tenista de ascendência aborígene falou sobre seu trabalho social de fomento ao tênis nas comunidades de nativos australianos. Por diversas vezes, ela expressou orgulho de suas origens e a admiração pela conterrânea Evonne Goolagong. Quando foi campeã de Wimbledon, escolheu um vestido que lembra o modelo utilizado por sua maior inspiração no esporte.

É possível se despedir com final feliz
Barty dá exemplo de que as despedidas não precisam ser acompanhadas de dores e da tristeza dos fãs. Seu último ato dentro da quadra, foi conquistando o Australian Open de forma brilhante, sem perder sets, e encerrando um jejum de 44 anos sem os títulos das jogadoras da casa. Na Rod Laver Arena, atuou diante do público de seu país, dos melhores amigos, e de suas principais referências, a grande amiga e parceira de duplas Casey Dellacqua, a inspiração e ex-número 1 do mundo Evonne Goolagong e a lenda do tênis Rod Laver. O cenário de festa não poderia ser melhor. Ainda mais para uma tenista que sempre valorizou muito a história do esporte que pratica.

Foi também a maneira perfeita de encerrar a trajetória de uma tenista que já havia passado por uma primeira despedida das quadras. Considerada um prodígio do esporte desde que conquistou o título juvenil de Wimbledon com apenas 15 anos, Barty conviveu desde muito cedo com a pressão e expectativas. No final daquele mesmo de 2011, ela também venceu um playoff contra jogadoras profissionais de seu país e conquistou, por méritos próprios, um convite para a chave principal do Australian Open. Não faltaram convites e oportunidades para a australiana, que se destacou primeiro nas duplas e jogou três finais de Grand Slam em 2013. Mas no ano seguinte, decidiu parar com o tênis e dedicar-se ao críquete. Nas palavras dela, considerava-se uma “vítima do próprio sucesso”.

A australiana voltaria ao tênis em 2016, aos 20 anos, disputando os torneios do menor nível profissional e recusou convites para torneios maiores para não queimar etapas. Escalou todos os degraus até chegar ao número 1 em junho de 2019, chegou a ser ultrapassada por Naomi Osaka por quatro semanas, mas logo retomou a posição para não sair mais de lá até o fim da carreira.

 

Iga pensa grande e tem motivos para isso
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2022 às 10:09 pm

Swiatek conquistou dois WTA 1000 seguidos e é a nova número 2 do mundo (Foto: BNP Paribas Open)

Não há jogadora em melhor momento no circuito do que Iga Swiatek. Campeã dos dois primeiros WTA 1000 da temporada, em Doha e Indian Wells, a polonesa venceu onze jogos seguidos atuando só torneios grandes e escalou o ranking. Ela iniciou 2022 na nona colocação e já aparece na vice-liderança, atrás apenas de Ashleigh Barty, que está sem jogar desde o título do Australian Open.

Logo depois de conquistar na Califórnia seu quinto título no circuito e o terceiro WTA 1000, a jovem jogadora de 20 anos já deixou o recado: Quer ser a nova número 1 do mundo. E ela tem motivos para acreditar nisso, já que está conseguindo evoluir em nível de tênis e também no equilíbrio emocional.

A jovem tenista que surgiu no circuito batendo forte na bola, mas também exibindo um jogo inteligente e capaz de buscar variações quando atuava no saibro, vai se tornando cada vez mais completa. Ela sabe quando tem que ser mais agressiva e comandar os pontos ou quando tem que tirar o peso da bola e esperar pelos erros da adversária, como aconteceu na final do último domingo, com muito vento em quadra. A versão 2022 de Iga é capaz de jogar de diferentes formas, o que a ajuda a se sair bem no piso duro. Também é capaz de reverter situações adversas no placar e vencer adversárias contra quem o retrospecto era muito negativo.

“Quero ir mais alto porque sinto que conseguir o número 1 está cada vez mais perto”, disse Swiatek após a vitória sobre a grega Maria Sakkari por 6/4 e 6/1 na final de Indian Wells. “Com certeza, a Ash é uma das jogadoras que eu me inspiro. E vai ser uma experiência muito legal competir contra ela, que é uma das jogadoras mais completas da o circuito. Ela mostrou muita força mental e acho que vai ser muito emocionante disputar a liderança”.

A disputa pelo número 1 deve se intensificar nas próximas semanas. Apesar de a diferença hoje estar na casa de 2.200 pontos, Barty vai perder os mil de Miami do ano passado, enquanto a polonesa defende só 65 pontos, da terceira rodada de 2021. Já no início da temporada de saibro, a australiana tem quartas em Charleston, título de Stuttgart e vice-campeonato em Madri a defender, enquanto Swiatek defende o troféu de Roma e as oitavas de final em Madri. Talvez haja um confronto direto em Roland Garros, Grand Slam que as duas já venceram.

Swiatek disputou 23 jogos na temporada e venceu 20. Antes de suas 11 vitórias seguidas em WTA 1000, alcançou duas semifinais, em Adelaide e no Australian Open. Suas algozes foram Barty e Danielle Collins, campeã e vice do primeiro Grand Slam do ano. Sua única semana ruim foi em Dubai, onde perdeu na segunda rodada para a letã Jelena Ostapenko. Ainda assim, a polonesa chegou a ter um match-point, e a letã terminaria a semana com o título do torneio.

Novo técnico e jogo mais agressivo
Um dos fatores que contribuíram para a grande fase de Swiatek neste início de temporada foi uma mudança na equipe, e consequentemente em seu estilo de jogo. Ela se torna mais agressiva, especialmente nas devoluções de saque, e isso tem trazido bons resultados nas quadras de piso duro. Depois de encerrar uma parceria de cinco temporadas com Piotr Sierzputowski, técnico que a levou aos três primeiros títulos na carreira, incluindo dois troféus importantes no saibro, Roland Garros em 2020 e Roma no ano passado, Swiatek contratou Tomasz Wiktorowski, ex-técnico de Agnieszka Radwanska, e está feliz com os resultados.

“Ele me convenceu a mudar minha abordagem em relação ao meu tênis. Estou sendo mais agressiva e adorando isso. No começo eu não estava realmente convencida, mas agora quero dizer muito obrigada a ele por me mostrar essa perspectiva diferente”, disse Swiatek, na entrevista coletiva após a final de Doha. Já em Indian Wells, voltou a falar sobre o trabalho recém-iniciado com seu novo treinador e a mudança de mentalidade. “Estou muito feliz por equilibrar a agressividade e o controle. Essa é a coisa mais importante no tênis, porque posso bater muito forte na bola, mas tenho que escolher os momentos certos. E antes eu não sentia que estava escolhendo os momentos certos. Acho que isso também vem com um pouco de experiência. Então parece que tenho mais opções e mais habilidades”.

A polonesa manteve as outras duas pessoas do time, o preparador físico Maciej Ryszczuk e a psicóloga Daria Abramowicz. Ela prefere trabalhar com pessoas de seu próprio país, que acompanharam de perto a repercussão da conquista de seu primeiro Grand Slam, no saibro de Roland Garros em 2020. “Toda a minha equipe é da Polônia, então é muito conveniente e não há diferenças culturais. É mais fácil de se comunicar. O Tomasz sabe o que aconteceu depois que eu ganhei Roland Garros e entendeu o hype que estava lá. Foi uma conquista muito grande na Polônia. E acho que é mais fácil para ele entender minha situação, por causa disso. Acho que para eu ter um treinador de outro país, talvez eu tenha que ter mais experiência. Mas eu não quero mudar de treinador, honestamente, então espero que dê certo com Tomasz por muitos anos”.

Polonesa começou a trabalhar com Tomasz Wiktorowski e sente que evoluiu no piso duro (Foto: Jimmie48/WTA)

Melhora nas quadras duras
Dois dos primeiros três títulos de Swiatek foram conquistados no saibro. Depois de vencer o Grand Slam francês, ela também foi campeã no WTA 1000 de Roma no ano passado. Agora, a polonesa já se sente mais confortável e competitiva também nas quadras duras. “Dois anos atrás, sentia que não conseguiria fazer o meu jogo na quadra dura. Eu estava sempre me adaptando ao que as minhas adversárias estavam fazendo. Agora é diferente porque sinto que realmente me desenvolvi e posso jogar mais em quadra dura e posso ser mais livre. Estou bastante orgulhosa disso”, comentou durante o Australian Open.

Quando foi campeã em Doha, reconheceu que a evolução no piso duro veio antes do esperado. “Eu não esperava ter um nível tão alto na quadra dura. Sempre me considerei, como as pessoas realmente diziam, uma jogadora de saibro. Eu estava melhorando em quadra dura, mas com certeza nesta temporada meu progresso foi muito mais rápido. É muito bom ter esse tipo de jogo em que você não tem problemas em manter o ritmo e em permanecer agressiva. Eu realmente amo isso, porque está dando me muita confiança dentro e fora da quadra. Isso está tornando a minha vida em quadra mais fácil”.

Maior poder de reação
A campanha de Swiatek em Indian Wells começou com jogos duros. Ela buscou três viradas seguidas nas partidas contra a ucraniana Anhelina Kalinina, a dinamarquesa Clara Tauson e a alemã Angelique Kerber. Só então, passou a vencer seus jogos com maior tranquilidade, dominando a partida das quartas contra Madison Keys e superando também em sets diretos Simona Halep e Maria Sakkari nas rodadas decisivas. A polonesa também já havia mostrado poder de reação na Austrália, virando jogos contra Sorana Cirstea nas oitavas e Kaia Kanepi nas quartas. 

“Estou muito orgulhosa de mim mesma, porque virar o jogo depois de perder o primeiro set é uma coisa nova para mim”, disse Swiatek, durante o Australian Open “Essas duas partidas me mostraram que mesmo em momentos difíceis eu posso voltar para o jogo e que eu tenho habilidades para vencer partidas mesmo quando elas são muito duras. Eu não tenho uma boa estatística em termos de virar o jogo depois de perder o primeiro set. Mas é esse tipo de resultado me dá muita confiança para o futuro”.

E para conseguir viradas, é preciso estar bem preparada nos aspecto físico e mental do jogo, outros pontos que ela tem trabalhado com sucesso. A vitória sobre Kanepi na Austrália, em partida de 3h01 de duração, serve como exemplo. “Sei que estou fisicamente bem preparada e esperava que ela estivesse mais cansada no final. Na verdade, eu queria prolongar alguns pontos, para deixá-la mais cansada, porque, na verdade, confio muito em mim em termos de minha forma física”, revelou a polonesa de 20 anos, que também teve um bom trabalho de controle emocional. “Então, essa partida mostrou que é inteligente confiar em mim mesma nesse assunto. Fico feliz por encontrar soluções e realmente pensar mais na quadra sobre o que mudar no jogo. Sinto que é parte do trabalho que estamos fazendo com Daria [Abramowicz, sua psicóloga] para controlar minhas emoções e talvez focar em encontrar soluções”.

Adaptação às adversárias e nova mentalidade
Os últimos dois pontos a destacar sobre a evolução de Swiatek são a melhor adaptação aos estilos de jogo das adversárias e os ajustes em sua mentalidade. Até então, ela muitas vezes entrava como franco-atiradora, sem nada a perder. Agora, consolidada nas primeiras posições, precisa aprender a jogar como favorita e candidata a mais títulos importantes.

Só neste começo de ano, já são duas vitórias contra Maria Sakkari, adversária para quem havia perdido três vezes no ano passado. Também igualou os retrospectos negativos que tinha contra Simona Halep e Aryna Sabalenka. A vitória sobre Halep na última sexta-feira foi simbólica. Embora tenha sido a segunda em quatro jogos contra a romena, serve para exemplificar essa mudança de patamar.

“Nas minhas primeiras partidas contra a Simona, eu sempre sentia que não tinha nada a perder, porque eu não era a favorita. Mas agora o meu ranking é mais alto e eu venho jogando muito bem. Eu precisava ajustar a minha mentalidade para entrar em quadra”, avaliou a polonesa, que já havia derrotado Halep na campanha para o título de Roland Garros, mas perdido para a romena na Austrália no ano passado.

Mesmo quando eu joguei contra ela na Austrália, foi logo depois que eu ganhei Roland Garros, eu ainda me sentia como zebra. Era só o meu segundo torneio depois de vencer um Grand Slam, então basicamente eu ainda não me sentia como se já estivesse no top 10. Mas agora é um pouco diferente e sinto que tenho muito mais experiência, mas com isso também crescem as expectativas. Não sei se está mais fácil de lidar com isso. Honestamente, acho que foi um pouco mais difícil, mas também tenho que me acostumar a não ser mais a zebra. Então, eu queria mostrar o que eu aprendi”.

 

Número 1 juvenil vence 10 seguidas e fatura 2 títulos
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2022 às 3:20 pm

A croata de 16 anos Petra Marcinko venceu dois títulos de ITF seguidos na Turquia (Foto: Jimmie48/WTA)

Depois de começar a temporada com o título do torneio juvenil do Australian Open, a croata de 16 anos Petra Marcinko faz um ótimo início de transição para o tênis profissional. A número 1 no ranking de sua categoria viajou à Turquia para disputar dois ITF W25 nas quadras de saibro de Antalya e ganhou os dois torneios.

Marcinko superou na final deste domingo a italiana Elisabetta Cocciaretto, 242ª do ranking e que já foi 108ª do mundo, com parciais de 1/6, 6/4 e 6/4 em 2h34. Com isso, ela marcou sua décima vitória seguida no tênis profissional. Foi também a segunda vez que ela venceu Cocciaretto, repetindo o resultado das quartas de final da semana passada.

A croata também bateu a chinesa Yafan Wang, 185ª colocada, além de ter batido a israelense Nicole Khirin, a espanhola Irene Burillo Escorihuela e a japonesa Naho Sato. Já na semana passada, derrotou a francesa Carole Monnet na final e também passou pela turca Ipek Oz, pela francesa Leolia Jeanjean e pela croata Tena Lukas.

Croata pode se aproximar do 400 lugar do ranking
Até então, os melhores resultados de Marcinko no circuito eram duas semifinais de ITF W15. Ela aparece atualmente apenas no 928º lugar do ranking profissional, mas com os 100 pontos das duas últimas semanas, 50 de cada torneio, deverá se aproximar das 400 melhores do mundo quando todos os pontos forem computados.

E como juvenil, a atual número 1 defende uma invencibilidade de 12 vitórias, já que também venceu o tradicional Orange Bowl no fim do ano passado. Dessa forma, acumula 22 triunfos consecutivos nos dois circuitos.

Alcaraz acumula façanhas e deixa lições ao circuito
Por Mario Sérgio Cruz
março 19, 2022 às 1:16 am

Alcaraz é o mais jovem semifinalista de Indian Wells desde 1988 e chegará ao top 15 do ranking com apenas 18 anos (Foto: Peter Staples/ATP Tour)

Jogador mais jovem no top 100 do ranking, Carlos Alcaraz tem acumulado façanhas neste início de temporada. Em 13 jogos disputados em 2022, o espanhol de 18 anos perdeu apenas um, a batalha de cinco sets contra Matteo Berrettini na terceira rodada do Australian Open. Nesses primeiros três meses do ano, já conquistou o maior título da carreira no Rio Open e faz sua melhor campanha em Masters 1000 ao atingir a semifinal de Indian Wells. Ele já é o mais jovem semifinalista do torneio desde Andre Agassi em 1988.

A sequência de bons resultados aparece no ranking. Alcaraz iniciou a temporada na 32ª posição e tinha como meta chegar ao top 15. Esse objetivo está muito próximo de ser alcançado. E dá para sonhar com top 10. Antes do torneio de Indian Wells, sua distância para o décimo colocado, o italiano Jannik Sinner, era de pouco mais de 1.400 pontos. O espanhol tem garantidos mais 360 pontos pela campanha na Califórnia, pode dobrar esse valor com mais uma vitória e até fazer mil pontos em caso de título. Já Sinner, que parou nas oitavas em Indian Wells, fez só 90 pontos no torneio.

Alcaraz não defende pontos no segundo Masters 1000 da temporada, em Miami, e nem no terceiro, em Monte Carlo. Durante a temporada de saibro, só tem a somar em torneios grandes como Roma e Barcelona e defende pontuações modestas de terceira rodada, em Madri e Roland Garros. É de se esperar que ele faça campanhas ainda melhores que as do ano passado, por ser mais experiente e entrar como cabeça de chave. Nesse cenário, uma chegada ao grupo dos dez melhores é muito provável, a menos que ele sofra com lesões ou tenha uma queda repentina de rendimento.

O jovem espanhol também tem deixado lições ao circuito. Uma vitória por 6/2 e 6/0 contra um top 15 consolidado como Roberto Bautista Agut ou o fato de ter levado o top 10 Berrettini ao tiebreak do quinto set em Melbourne são recados claros sobre o quanto será difícil eliminá-lo de um torneio. Apesar de toda sua formação espanhola e de muita solidez do fundo de quadra, que renderam suas primeiras conquistas no saibro em torneios juvenis e também no nível challenger, Alcaraz é um jogador para todos os pisos.

O pupilo do ex-número 1 Juan Carlos Ferrero é capaz de jogar um tênis moderno, agressivo, atuando em cima das linhas e comandando os pontos com um forehand muito potente. Também exibe um rico arsenal de golpes. Seus drop-shots fizeram sucesso durante o Rio Open e as jogadas de efeito e os reflexos rápidos junto à rede encantam a torcida em Indian Wells.

Duelo com Nadal na semifinal de Indian Wells
Na semifinal deste sábado, por volta de 19h, desafia o ídolo Rafael Nadal em um duelo de gerações do tênis espanhol. Será o segundo encontro entre eles. O primeiro foi no Masters 1000 de Madri do ano passado, no dia em que Alcaraz comemorava seu aniversário de 18 anos, e Nadal venceu com as tranquilas parciais de 6/1 e 6/2. O cenário atual prevê um duelo de maior equilíbrio, por mais que Nadal faça o melhor início de temporada da carreira aos 35 anos, com 19 vitórias seguidas. O campeão de 21 títulos de Grand Slam segue sendo favorito, mas a diferença hoje é muito menor do que a de dez meses atrás.

“É difícil jogar contra o Rafa, mas ao mesmo tempo vou curtir o momento e aproveitar a partida”, disse Alcaraz, depois de garantir seu lugar na semifinal. “Não é todo dia que você joga contra o seu ídolo. Mas estou focado agora para jogar o meu melhor contra ele e poder aproveitar minhas chances. Lembro que em Madri, eu estava muito nervoso. Mas agora eu já treinei com ele algumas vezes e sei mais como jogar contra ele. Acho que agora vai ser um pouco diferente nesta partida. Obviamente ele pode me destruir de novo, mas não sei o que vai acontecer”.

Nada de ‘Novo Nadal’
As comparações entre Alcaraz e Nadal podem ser muito frequentes e até o patrocinador comum entre os dois contribuiu indiretamente para isso, quando destinou camisetas regatas para o jovem espanhol usar na Austrália e no Rio de Janeiro. Alcaraz tem Nadal como um ídolo e um modelo a seguir por sua disciplina e espírito de luta e competitividade em quadra. Os estilos de jogo e execução dos golpes já não são tão parecidos, por mais que Nadal já tenha declarado diversas vezes que prefere condições mais rápidas quando joga na quadra dura para poder começar a controlar os pontos com o primeiro forehand depois do saque. Mas não acho certo chamá-lo de “Novo Nadal”.

Aliás, existem casos notórios de jogadores que receberam essa alcunha e não conseguiram cumprir as expectativas. Um nome bastante conhecido é o de Javier Martí, hoje com 30 anos, e que foi comparado a Nadal por seus resultados em torneios de nível challenger. Martí, que chegou ao 170º lugar do ranking, migrou para a carreira de treinador e chegou a trabalhar com Paula Badosa. No ano passado, pude perguntar a Badosa em uma entrevista coletiva durante Roland Garros sobre o quanto o trabalho com Martí a ajudava a lidar com a pressão as expectativas.

“Acho que ele está me ajudando muito a lidar com isso. Ele sabe o que é ter expectativas quando você é muito jovem e muito bom jogador, com um futuro brilhante pela frente. Acho que tivemos situações muito semelhantes quando éramos mais jovens”, disse Badosa a TenisBrasil. “Mentalmente foi um pouco difícil para mim lidar com isso, mas eu acho que gerenciei tudo muito bem e acho que ele tem um papel incrível, que tem me ajudado todos os dias”, comenta a espanhola, que atualmente treina com outro técnico, o também espanhol Jorge García.

Outro caso é o de Carlos Boluda, chamado de “Novo Nadal” por conta de feitos no circuito juvenil entre 2006 e 2007. Ele parou de jogar no início do ano passado, aos 27 anos, sem nunca ter chegado ao top 200. Ele revelou em entrevista ao site Punto de Break que o fim da carreira foi uma experiência libertadora.

“Passei um momento terrível. Precisei da ajuda de uma psicóloga. Talvez por toda a pressão que tive na carreira, pelas lesões, por todo o esforço que fiz para chegar ao 254º lugar”, comentou Boluda. “Tudo se juntou e eu desabei. Não sentia vontade de nada, nem de sair de casa. Dar este passo foi uma libertação”