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Tenista iraniana superou desconfiança e falta de apoio: ‘Diziam que seria impossível’
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 25, 2022 às 12:04 pm

A iraniana Meshkatolzahra Safi disputou dois torneios no Brasil nas últimas semanas (Foto: Luiz Candido/LuzPress)


 

Depois de conseguir um resultado histórico para seu país ao se tornar a primeira iraniana a vencer uma partida em torneio juvenil de Grand Slam, a jovem de 17 anos Meshkatolzahra Safi esteve no Brasil nas duas últimas semanas para a disputa de dois torneios bastante tradicionais de sua categoria, o Brasil Juniors Cup em Porto Alegre, e o Banana Bowl, na cidade catarinense de Criciúma.

Primeira iraniana a entrar no top 100 do ranking mundial juvenil, Safi falou com exclusividade ao site TenisBrasil sobre as barreiras superadas por ela e por mãe na tentativa de se tornar uma tenista. A família lutou contra a fala de apoio, a desconfiança e o preconceito: “Ninguém esperava que uma tenista do Irã pudesse disputar um Grand Slam, especialmente uma mulher ou uma menina de 17 anos como eu. Falavam que era impossível”, afirmou.

“Minha família me apoiou muito, com o máximo que eles podem pagar. Tivemos muitas dificuldades com os vistos e precisamos ir em várias embaixadas, de cidade em cidade, apenas para conseguir vistos. E nem sempre é possível. É muito estresse e muita dor de cabeça por causa disso. Eu deixo a minha família sozinha, antes e depois dos torneios”, explica a iraniana. “Quando eu era a número 200 ou 300 do mundo no ranking juvenil, eu não tinha nenhum tipo de patrocínio, nem mesmo de raquetes, minha família tinha que comprar tudo”.

Aumento de visibilidade após vitória na Austrália
A vitória na primeira rodada do Australian Open trouxe maior visibilidade para a tenista, atual 80ª do ranking juvenil e que chegou a ocupar o 74º lugar em janeiro. Ela agora espera se tornar uma fonte de inspiração para outras tenistas de seu país. “Quando eu voltei para casa, senti que todo mundo sabia que eu havia jogado um Grand Slam. Então houve celebrações com o Ministro dos Esportes do Irã e com a federação de tênis. Na minha cidade também teve uma pequena celebração e isso significou muito para mim e para o meu país, especialmente para os tenistas e para as meninas. Agora elas podem ver que é possível ser uma boa jogadora no nível mundial, não só na Ásia, mas no mundo”.

Situação parecida viveu a queniana de 18 anos Angella Okutoyi, recebida com festa em sua volta para casa depois de chegar às oitavas de final em Melbourne. O surgimento de tenistas vindas de países com pouca tradição no esporte é comemorado até mesmo pela atual número 1 do mundo, australiana Ashleigh Barty.  “O crescimento do tênis feminino é excepcional. Vamos começar a ver nos próximos cinco ou dez anos de jogadoras de países onde talvez o tênis não seja um esporte tão comum. Pode ser lento no início, podem ser apenas uma ou duas jogadoras aqui e ali, mas o crescimento está lá e as bases estão estabelecidas. Acho que isso é muito empolgante para o tênis feminino”, explicou Barty, em uma das entrevistas coletivas na campanha para o título em Melbourne.  

Inspiração em Ons Jabeur e Rafael Nadal
Por conta das leis islâmicas, Safi precisa utilizar o hijab, conjunto de vestes obrigatórias no Irã que incluem o véu para cobrir os cabelos e trajes que cobrem todo o corpo. Como acontece em muitos esportes para as mulheres muçulmanas, ela precisou jogar com calças e mangas compridas, apesar do forte calor e umidade. “Eu não vou mentir, é muito difícil em lugares mais quentes, ou como aqui que é bastante úmido. Eu preciso me cobrir, mas essa é uma regra no meu país e é uma parte de mim. Tenho que jogar tênis assim e fazer tudo assim”.

Uma das principais fontes de inspiração para Safi é a tunisiana Ons Jabeur, atual número 10 do mundo. Jabeur tem quebrado uma série de barreiras no circuito nos últimos anos ao se tornar a primeira mulher árabe a conquistar um título de WTA, na grama de Birmingham no ano passado, e primeira tenista árabe, entre homens e mulheres, a ocupar um lugar no top 10 do ranking mundial. “Gosto muito da Jabeur. Ela foi a primeira mulher árabe a chegar ao top 10 e joga muito bem. Eu me inspiro muito nela, e também na [indiana] Sania Mirza . Quando eu as vejo na quadra, eu me imagino jogando nesse nível”.

Mas seu principal ídolo é Rafael Nadal, que ela teve a oportunidade de conhecer na Austrália. “Eu sempre disse que o Rafa é o meu ídolo, ele é uma lenda, e eu comecei a jogar tênis depois de assistir a um jogo dele junto com a minha mãe. Eu tinha oito ou nove anos de idade e fiquei impressionada. E eu queria começar logo a jogar tênis depois disso e passei a ter aulas duas semanas depois”.

Confira a entrevista completa com Meshkatolzahra Safi.

Quais são suas primeiras impressões do Brasil, sobre a comida, as pessoas. Também sobre as quadras de saibro e os adversários que você está enfrentando nestas semanas? Você acha que é um jogo e estilo de jogo diferente para você?
Esta foi a minha primeira vez no Brasil. Tive uma grande experiência nessas duas semanas. Eu já estava acostumada a treinar no saibro, porque não temos muitas quadras duras no meu país. Então estou acostumada com o saibro e a jogar no verão, mas está muito úmido para mim.

Jogar no Brasil, nesse nível de tênis, foi uma experiência positiva, porque eu não disputei tantos torneios esse ano, especialmente nesse nível. Os torneios eram muito bem organizados, as quadras eram boas. Foi bom também treinar e competir com grandes jogadoras, principalmente as que vieram da Europa, é algo que não temos muito no Oriente Médio. Isso vai me ajudar a melhorar o meu jogo e também para que eu tenha mais experiência na quadra.

Como é o cenário do tênis no Irã, principalmente para as mulheres e meninas? Que tipo de barreiras você e sua mãe tiveram que quebrar para chegar ao nível que você tem hoje?
Jogar tênis no meu país é muito difícil, especialmente para as meninas, mas eu e a minha mãe demos um jeito para que eu possa disputar torneios internacionais. Minha família me apoiou muito, com o máximo que eles podem pagar. Tivemos muitas dificuldades com os vistos e precisamos ir em várias embaixadas, de cidade em cidade, apenas para conseguir vistos. E nem sempre é possível. É muito estresse e muita dor de cabeça por causa disso. Eu deixo a minha família sozinha, antes e depois dos torneios. Para eu chegar até aqui, foi muito difícil para a minha família, especialmente para minha mãe. Nós estamos há oito ou nove anos treinando, além de todos os problemas pelo caminho, com os vistos, dinheiro, passagens…

Quando eu comecei a jogar tênis no meu país, as pessoas diziam que seria muito difícil e até impossível disputar os melhores torneios, não só os do Grand Slam. Não temos muita experiência de jogar fora do país e de competir nesse nível, de ser top 100 do mundo no juvenil, ou mesmo de chegar ao tênis profissional. Não tínhamos jogadores.

É por isso que ninguém nos apoiava, ninguém esperava que uma tenista do Irã pudesse disputar um Grand Slam, especialmente para uma mulher ou uma menina de 17 anos como eu. Falavam que era impossível. Esse foi o maior problema, porque quando eu era 200 ou 300 do mundo no ranking juvenil e disputava torneios ITF J2 eu não tinha nenhum tipo de patrocínio, nem mesmo de raquetes, minha família tinha que comprar tudo. Depois que eu joguei um Grand Slam, eu só espero que mais gente depois de mim também possa jogar, ou então que nos próximos Grand Slam a gente tenha três ou ou quatro tenistas. É possível se você trabalhar muito, sonhar e tentar jogar mais torneios. Isso pode ser possível.

Você sempre disse que Rafa é um ídolo para você e ele foi o motivo pelo qual você começou a jogar tênis. Qual foi sua reação depois de vê-lo ao vivo pela primeira vez? E há alguma coisa que ele disse a você que você quer compartilhar?
Eu sempre disse que o Rafa é o meu ídolo, ele é uma lenda, e eu comecei a jogar tênis depois de assistir a um jogo dele junto com a minha mãe. Eu tinha oito ou nove anos de idade e fiquei impressionada. E eu queria começar logo a jogar tênis depois disso e passei a ter aulas duas semanas depois.

https://twitter.com/rnadalacademy/status/1485587073381847044

Como foi sua recepção no Irã quando voltou depois do Aberto da Austrália? Vimos muitas fotos de Angella Okutoyi, do Quênia, sendo muito bem recebida e apoiada em sua cidade natal. Aconteceu com você também?
Quando eu voltei para casa depois de jogar o Australian Open, senti que todo mundo sabia que eu havia jogado um Grand Slam. Então houve celebrações com o Ministro dos Esportes do Irã, a federação de tênis. Na minha cidade também teve uma pequena celebração e isso significou muito para mim.

Foi a primeira vez que eu disputei um Grand Slam, estando entre as 100 melhores do mundo no ranking juvenil. Isso significou muito para mim e para o meu país, especialmente para os tenistas e para as meninas. Agora elas podem ver que é possível ser uma boa jogadora no nível mundial, não só na Ásia, mas no mundo.

Ashleigh Barty, número 1 do mundo, disse coisas lindas sobre você e Angella. Que vocês podem trazer países para turnê, o que é muito positivo. O quanto esse apoio a encoraja a continuar?
Quando eu estava no Australian Open, eu tive o apoio de muitas jogadores top, especialmente do Rafa, mas também de muitas meninas. Elas divulgaram a minha história no Instagram e isso significou muito. Estou muito feliz por estarem me ajudando e falando de mim. Vejo que as pessoas do meu país, especialmente as mais jovens, estão ganhando motivação com isso e vendo que também podem jogar os Grand Slam.

A juvenil iraniana precisa jogar com calças e mangas compridas, respeitando os costumes de seu país (Foto: Luiz Candido/LuzPress)

Você sente que as pessoas olham e tratam você de forma diferente em torneios por causa do seu país, por usar um hijab, ou você acha que o tratamento é o mesmo das outras jogadoras?
Eu não vou mentir, é muito difícil em lugares mais quentes, ou como aqui que é bastante úmido. Eu preciso me cobrir, mas essa é uma regra no meu país e é uma parte de mim. Tenho que jogar tênis assim e fazer tudo assim. Quando eu entro em quadra, eu penso apenas em jogar os pontos e não penso tanto nisso, não afeta tanto no meu jogo.

O que você acha de Ons Jabeur, da Tunísia, que agora está no top 10. Ela é uma inspiração para você? Eu sei que vocês são de países e culturas diferentes, mas o quanto ela pode ser um modelo para você?
Eu me inspiro em muitas meninas na WTA, gosto muito da Jabeur. Ela foi a primeira mulher árabe a chegar ao top 10 e joga muito bem. Eu me inspiro muito nela, e também na Sania Mirza e em todas essas mulheres. Quando eu as vejo na quadra, eu me imagino jogando nesse nível. Acho que os feitos que a Jabeur teve foram incríveis, porque toda jogadora tenta ser top 10 do mundo. E todo mundo tem muitos problemas, especialmente para alguém do Oriente Médio, porque são muitas regras. E então significa muito vê-la no top 10.

Quais são seus objetivos para esta temporada, para sua carreira de juniores e para o futuro no esporte profissional?
Meus objetivos são jogar mais Grand Slam como Roland Garros, espero jogar mais torneios e conseguir mais pontos, e espero chegar à chave principal de um Grand Slam. Significaria muito para mim, seria ainda mais histórico para o Irã e para a minha carreira. Isso me motiva a jogar mais torneios e tentar mais pontos.

Boscardin, Pucinelli e Fonseca: Boas notícias dos jovens
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 14, 2022 às 12:18 am

Boscardin conquistou seu segundo título profissional e recebe 15 pontos na ATP

A semana que termina neste domingo trouxe três boas notícias para jovens jogadores brasileiros. Matheus Pucinelli conseguiu a maior vitória da carreira no qualificatório do Rio Open, Pedo Boscardin comemorou o segundo título da carreira profissional, e o juvenil de 15 anos João Fonseca teve uma campanha de destaque no Paraguai.

Convidado para a disputa do quali no Rio, Pucinelli aproveitou da melhor maneira possível sua primeira experiência em um torneio de primeira linha e conseguiu uma inédita vitória sobre um top 100. O jovem paulista de 20 anos e 282º do ranking eliminou o italiano Marco Cecchinato, ex-top 20 e atual 92º colocado, no último sábado.

Pucinelli conseguiu sua primeira vitória contra um top 100 durante o quali do Rio Open (Foto: Fotojump)

“Foi uma experiência única, estava em busca dessa chance de jogar o Rio Open. A quadra 1 é muito legal, o público fica próximo, e poder sentir o apoio das pessoas, torcendo por mim, foi uma sensação boa, emocionante”, disse Pucinelli após a vitória com parciais de 6/7 (5-7), 6/2 e 6/4 em 2h29 de partida. Seu convite veio a após temporada de franca evolução no circuito que ele teve em 2021, saltando da 689ª posição para o 270º lugar.

A campanha de Pucinelli terminou neste domingo, com derrota para o colombiano Daniel Galan, 113º do ranking, por duplo 6/3. Por ter vencido a estreia, diante do italiano Marco Cecchinato, ex-top 20 e atual 92º colocado, Pucinelli fará 10 pontos no ranking a ser divulgado pela ATP em 21 de fevereiro. A tendência é que ele se aproxime da melhor marca da carreira e ganhe confiança após essa importante vitória.

Dobradinha de Pedro Boscardin na Flórida
O catarinense 19 anos Pedro Boscardin teve uma semana perfeita no ITF M15 de Naples, na Flórida, e conquistou títulos de simples e duplas nos Estados Unidos. No sábado, ele havia sido campeão ao lado do experiente pernambucano de 31 anos José Pereira. Já neste domingo, conquistou seu segundo título profissional de simples ao vencer o boliviano Murkel Dellien Velasco, 574º do ranking, por 6/3 e 7/6 (7-5).

“Vitória super boa, estou super feliz. Foi uma semana de muita evolução em simples e duplas. Agora é descansar e me preparar para a próxima semana que tem mais um torneio aqui. Fico muito feliz com meu primeiro título fora do Brasil”, disse o catarinense.

O título rende 15 pontos na ATP para Boscardin, no ranking a ser divulgado em 21 de fevereiro, quando ele terá seu novo recorde pessoal. Ele aparece atualmente no 665º lugar do ranking, apenas quatro posições abaixo de sua melhor marca. Este foi seu segundo título, sendo que no ano passado ele triunfou em Rio do Sul.

Fonseca emendou sete vitórias seguidas

Fonseca foi finalista de um ITF J1 no Paraguai e vai dar um salto no ranking mundial juvenil

Mas a principal surpresa da nova geração brasileira na semana veio com o carioca de 15 anos João Fonseca, que encerrou sua boa semana com o vice-campeonato do torneio no Paraguai que vale 300 pontos no ranking mundial juvenil. Vindo do quali, ele venceu sete jogos seguidos no torneio e só perdeu a final para o eslovaco Peter Nad, de 18 anos e 78º do ranking, por 6/2 e 6/4.

Fonseca é o atual 264º colocado no ranking mundial juvenil e a campanha até a final rendeu 210 pontos no ranking da Federação Internacional. Ele deve se firmar entre os 130 melhores juvenis do mundo, em ranking que considera jogadores de até 18 anos. Na próxima semana, não disputará torneios, mas terá uma experiência ainda mais enriquecedora, será sparring dos profissionais de alto nível no Rio Open.

Começa o Juvenil de Porto Alegre. Logo depois vem o Banana Bowl
O Sul do Brasil recebe seus dois principais torneios infanto-juvenis da temporada na próxima semana. Terá início nesta segunda-feira a chave principal do Brasil Juniors Cup. As disputas na categoria 18 anos terão início na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre (RS). As categorias 12, 14 e 16 anos serão realizada na Sogipa, também na capital gaúcha.

Depois, será a vez de Criciúma (SC) receber os talentos do tênis, a partir do dia 19, para a disputa do Banana Bowl no clube Mampituba. As listas de inscritos contam com 11 jogadores no top 30 dos rankings mundiais juvenis masculino e feminino. A paulista Ana Candiotto entrou diretamente nas duas chaves, mas outros atletas brasileiros jogam por meio de convite ou após passarem o quali.

Saiu o primeiro ATP de Aliassime!

Era uma questão de tempo para um jogador tão promissor, mas o jejum de títulos de Felix Auger-Aliassime já vinha incomodando. Top 10 aos 21 anos, o canadense vinha de oito vice-campeonatos até finalmente conquistar o título em Roterdã. Teve uma atuação de gala na vitória sobre Stefanos Tsitsipas por 6/4 e 6/2 e não enfrentou break points neste domingo.

Após a partida, resumiu seus sentimentos em duas palavras: Alívio e maturidade. “É um grande alívio. Eu tinha dúvidas, medos, e às vezes me estressava. Mas agora é um grande alívio não ter que ouvir mais sobre essas finais. Agora posso jogar ainda mais livremente quando se trata das últimas partidas dos torneios”, afirmou o canadense. “Este ano, me sinto mais maduro. Sinto que sou um jogador melhor do que nos anos anteriores, quando joguei as outras finais”.

Mais um troféu para Brenda Fruhvirtova

Brenda Fruhvirtova derrotou Carol Meligeni na semana passada e agora venceu mais um título na Argentina

A juvenil tcheca de 14 anos Brenda Fruhvirtova emendou uma sequência de dez vitórias seguidas nas duas últimas semanas e conquistou dois títulos profissionais ITF W25 em Tucuman, na Argentina. Campeã na semana passada, depois de derrotar a brasileira Carol Meligeni na final, Fruhvirtova ganhou mais um título neste domingo. Desta vez, superou a argentina Paula Ormaechea, ex-top 60 e atual 177ª do ranking, por 6/3, 1/6 e 6/4.

Fruhvirtova é a atual número 4 do ranking mundial juvenil e, por enquanto ocupa o 1.078º lugar na WTA. Mas os dois títulos seguidos vão render cem pontos para ela, os primeiros 50 já nesta segunda-feira e outros 50 na semana que vem. Como ela já tinha 66 pontos na WTA, conquistados no ano passado, já deve se aproximar da 350ª posição do ranking.