Monthly Archives: janeiro 2022

Após título do AO juvenil, Kuzuhara assume nº 1
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 31, 2022 às 10:59 pm

Bruno Kuzuhara assumiu a liderança do ranking após os títulos de simples e duplas em Melbourne (Foto: Tennis Australia)

Campeão em simples e duplas do torneio juvenil do Australian Open, o norte-americano Bruno Kuzuhara assumiu nesta segunda-feira a liderança do ranking mundial da categoria. Ele conseguiu duas posições com os pontos conquistados em Melbourne. Kuzuhara nasceu no Brasil e se mudou de São Paulo para os Estados Unidos com os pais, ambos também de origem japonesa, quando tinha apenas um ano de idade.

“Eu nasci em São Paulo, mas me mudei para os Estados Unidos quando era bebê. Tenho pais brasileiros e avós japoneses. Então, eu me sinto em casa quando jogo no Brasil”, disse durante a disputa do Banana Bowl, no ano passado, em Criciúma. Além de toda a estrutura presente nos Estados Unidos, ele também usufruiu da base de treinamento na Espanha, através de uma parceria do programa de desenvolvimento da USTA com a academia Barcelona Total Tennis (BTT).

Ele também falou sobre o apoio que recebe de torcedores brasileiros e japoneses durante a entrevista coletiva após o título do Australian Open. “Eu acho incrível ter tantas pessoas ao redor do mundo, do Brasil, Japão, e até mesmo dos Estados Unidos, me apoiando. É incrível ver como o tênis pode realmente unir tanta gente de diferentes países”.

Transição para o circuito profissional
Ainda sem experiência no tênis profissional, Kuzuhara planeja iniciar a transição nos próximos meses. “Vou tirar alguns dias de folga, mas começar a me preparar para jogar mais eventos profissionais”, comentou na após a vitória na final em Melbourne sobre o tcheco Jakub Mensik por 7/6 (7-4), 6/7 (6-8) e 7/5 em uma longa partida com 3h43 de duração no último sábado.

“Os jogos no circuito profissional são menos tolerantes e mais físicos. Vou comemorar essa vitória, mas não vou me deixar levar. Vou continuar trabalhando”, avaliou o jogador de apenas 17 anos, que falou em português e japonês durante a cerimônia de premiação em Melbourne. “Eu diria que a maior diferença na transição de juniores para profissionais é apenas a intensidade, física e mental, que você precisa manter durante toda a partida”.

‘Ranking é apenas um número’ e inspiração em Nadal
Em entrevista ao site da USTA no ano passado, Kuzuhara falou sobre sua posição no ranking e a inspiração em Rafael Nadal. “O ranking é algo que me deixa feliz, mas no final das contas é apenas um número. Mais importante, principalmente, é permanecer humilde e continuar trabalhando”

“Sinto que posso me identificar um pouco com o Rafa na quadra, pela forma como ele luta. Isso é algo que sempre admirei dele”, disse o norte-americano. “É claro que ele bate uma bola muito mais pesada do que a minha”, acrescentou, com uma risada. “Mas eu tento jogar o mais agressivo possível dentro e uso minha movimentação como uma arma”.

Brasileiros fora do top 100
Enquanto Kuzuhara lidera o ranking mundial da categoria, os representantes brasileiros seguem fora do top 100. Quem está em melhor situação é a paulista Ana Candiotto, número 119 do ranking feminino e que disputou o Australian Open. Ela é seguida pelas catarinenses Maria Turchetto (207ª) e Carolina Laydner (229ª). No masculino, o melhor é o paranaense João Schiessl, que ocupa o 186º lugar. Depois, aparece o catarinense Victor Tosetto (218º) e o goiano Luis Felipe Miguel (243º).

Finais do juvenil em Melbourne acontecem nesta sexta
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2022 às 11:40 am

Líder do ranking juvenil feminino, a croata Petra Marcinko decide o título em Melbourne (Foto: Jimmie48/WTA)

As finais do torneio juvenil do Australian Open acontecem na noite desta sexta-feira. Os jogos começam a partir das 22h (de Brasília) e foram marcados para a Rod Laver Arena, principal quadra do complexo no Melbourne Park. A disputa começa pela final feminina, entre a croata Petra Marcinko e a belga Sofia Costoulas. Logo depois, será a vez de o norte-americano Bruno Kuzuhara, que é nascido em São Paulo e tem pais brasieiros, enfrentar o tcheco Jakub Mensik.

Líder do ranking juvenil feminino, Marcinko garantiu vaga na final depois vencer a norte-americana Liv Hovde, 20ª colocada, por 6/4, 4/6 e 6/4. A croata de 16 anos terminou o ano passado conquistando dois torneios ITF JA, o primeiro na Cidade do Cabo, na África do Sul, e depois o tradicional Orange Bowl na Flórida. A última croata a chegar à final do juvenil na Austrália foi Jana Fett, vice em 2014. Mas três jogadoras da Croácia já venceram o torneio, Mirjana Lucic em 1997, Jelena Kostanic em 1998 e também Ana Konjuh em 2013.

Já Costoulas, de 16 anos e número 10 do ranking, eliminou a australiana Charlotte Kempenaers-Pocz por 6/4 e 6/1. Vinda de título no torneio preparatório em Tralagon, ela está invicta há onze jogos no circuito. A única belga a vencer o torneio juvenil em Melbourne foi An-Sophie Mestach em 2011.

A final masculina acontece na sequência. Bruno Kuzuhara conseguiu a revanche contra o paraguaio Adolfo Vallejo, para quem havia perdido na final do Orange Bowl. O tenista nascido em São Paulo, mas que mora nos Estados Unidos deste a infância, marcou as parciais de 7/6 (7-2) e 6/3. Principal cabeça de chave do torneio e número 3 do ranking, Kuzuhara tenta ser o primeiro norte-americano a vencer a competição desde Sebastian Korda em 2018.

Já o tcheco Jakub Mensik venceu a semifinal contra o suíço Kilian Feldbausch por 6/1, 4/6 e 6/2. Mensik, de 16 anos, é o atual número 6 do ranking mundial juvenil. Ele já derrotou Kuzuhara no US Open do ano passado. O único tcheco a vencer a competição foi Jiri Vesely em 2011.

Títulos de duplas já definidos
Nas duplas, Bruno Kuzuhara conquistou o título ao lado de Coleman Wong, de Hong Kong. Eles venceram a final contra o paraguaio Adolfo Vallejo e o norte-americano Alex Michelsen por 6/3 e 7/6 (7-3). No feminino, as campeãs foram a norte-americana de 15 anos Clervie Ngounoue e a russa de 17 anos Diana Shnaider, principais cabeças de chave, que venceram as canadenses Kayla Cross e Victoria Mboko por 6/4 e 6/3.

Americano nascido no Brasil chega à semi no chave juvenil do Australian Open
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2022 às 1:30 pm

Bruno Kuzuhara é nascido em São Paulo, mas mora nos Estados Unidos desde a infância (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

Apesar da eliminação de Ana Candiotto, única representante brasileira no torneio juvenil do Australian Open, um tenista nascido no país tem a chance de lutar pelo título do primeiro Grand Slam da temporada. O norte-americano Bruno Kuzuhara, que é natural de São Paulo, mas mora nos Estados Unidos desde a infância, é o cabeça 1 do torneio e já está na semifinal.

Kuzuhara, de 17 anos, é o atual número 3 do ranking mundial juvenil. Ele venceu nesta quinta-feira o litauno Edas Butvilas por 3/6, 7/6 (7-3) e 6/4. Durante a semana, também passou pelo italiano Daniele Minighini, pelo australiano Edward Winter e pelo argentino Lautaro Midon.

“Eu realmente não me concentro no ranking. Sei que, em teoria, sou o favorito para vencer, mas respeito todos os adversários, porque todos aqui podem jogar um tênis muito bom. Não é como se os cabeças de chave tivessem uma vitória garantida toda vez que você fosse para a quadra”, disse Kuzuhara, em entrevista ao site da ITF.

“Todo juvenil quer ganhar um Grand Slam e terminar sua carreira júnior com um título, mas não é o fim do mundo se isso não acontecer. Com os meus treinadores, sempre falamos sobre não focar nos resultados, mas sim progredir e evoluir como tenista. Estou me sentindo muito bem. Em Traralgon, na semana passada, joguei muito bem e ganhei ritmo. Foi o meu primeiro torneio do ano, então consegui disputar algumas partidas para ficar em forma foi bom. Eu me sinto bem vindo para o Australian Open”, acrescenta o norte-americano, que foi semifinalista no torneio preparatório em Traralgon na última semana.

Reencontro com paraguaio na semifinal
O adversário de Kuzuhara na semifinal será o paraguaio Adolfo Vallejo, também de 17 anos e número 5 do ranking, que venceu nas quartas de final o mexicano Rodrigo Pacheco Mendez por 7/5 e 6/3. Vallejo e Kuzuhara se enfrentaram em dezembro do ano passado na final do Orange Bowl e o paraguaio venceu em sets diretos.

A outra semifinal terá o tcheco Jakub Mensik, cabeça 4 do torneio e número 6 do ranking, contra o suíço Kilian Feldbausch, 21º colocado. Os dois juvenis de 16 anos nunca se enfrentaram. Mensik venceu o russo Yaroslav Demin por 6/0 e 6/1, enquanto Feldbausch bateu o norte-americano Ozan Colak por 2/6, 7/6 (7-0) e 6/4. Ao chegar à semifinal, o suíço igualou uma campanha de Roger Federer no torneio juvenil da Austrália em 1998.

Número 1 do ranking, Marcinko faz semi no feminino
Líder do ranking juvenil feminino, a croata Petra Marcinko garantiu vaga na semifinal depois vencer a sérvia Lola Radivojevic por 7/5 e 6/2. Ela enfrenta na semifinal a norte-americana Liv Hovde, 20ª colocada, que fez 6/4 e 6/0 contra a grega Michaela Laki. O confronto entre as jogadoras de 16 anos é inédito.

Do outro lado da chave, a belga Sofia Costoulas eliminou a cabeça 2 russa Diana Shnaider por 6/3, 5/7 e 6/4. Costoulas, de 16 anos e número 10 do ranking, encara a australiana de 17 anos Charlotte Kempenaers-Pocz, apenas 220ª colocada, que eliminou a alemã Carolina Kuhl por 6/1 e 6/2.

Iraniana chegou à segunda rodada, queniana parou nas oitavas
Destaques no início da competição depois de marcarem vitórias inéditas para seus países em chaves juvenis de Grand Slam, a queniana Angella Okutoyi e a iraniana Meshkatolzahra Safi já encerram suas participações. Safi acabou parando na segunda rodada, superada pela belga Sofia Costoulas por 6/0 e 6/2. Já Okutoyi foi até as oitavas de final. Ela bateu na segunda fase a australiana Zara Larke por 7/6 (7-0), 5/7 e 6/1, mas depois perdeu da sérvia Lola Radivojevic por 6/2 e 6/3.

Juvenis marcam primeiras vitórias do Quênia e Irã em Slam
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 23, 2022 às 11:19 am

Meshkatolzahra Safi é a número 74 do ranking juvenil e venceu seis títulos no ano passado (Foto: Jimmie48/WTA)

O domingo em Melbourne foi histórico para dois países que comemoraram vitórias inéditas em partidas de Grand Slam no circuito juvenil. A queniana Angella Okutoyi e a iraniana Meshkatolzahra Safi venceram seus jogos pela rodada de estreia do Australian Open da categoria.

Safi, de 17 anos, é a primeira iraniana a entrar no top 100 do ranking mundial juvenil e pioneira em seu país na disputa do Australian Open. Ela ocupa atualmente o 74º lugar do ranking e venceu a australiana Anja Nayar por 6/4 e 6/3, e vai enfrentar a belga Sofia Costoulas, cabeça 8 do torneio, na próxima rodada em Melbourne.

Por conta das islâmicas e como já acontece em outros esportes, Safi enfrenta o calor do verão australiano usando um lenço na cabeça, calças compridas por baixo do short e camisetas de mangas longas. Ainda assim, espera se tornar uma fonte de inspiração para outras tenistas de seu país.

“Embora este não seja meu objetivo final, é uma sensação incrível saber que sirvo de uma motivação para outras jogadoras iranianas e poder incentivá-las”, disse Safi ao site da ITF. Ela já tem oito títulos no circuito mundial juvenil, seis deles no ano passado. “Existe a crença entre os jogadores iranianos de que é difícil conquistar algo em nível internacional. Espero os meus resultados encorajem tenistas e treinadores a dobrarem seus esforços”.

“No início, senti que era muito difícil e a experiência de outros jogadores anteriores mostrava que havia pouca esperança de grandes conquistas no tênis, especialmente com recursos e apoio limitados. Mas eu tenho uma grande motivação”, explica a iraniana, que começou a jogar tênis em um projeto de identificação de talentos da ITF mantido em Karaj, cidade industrial próxima à capital Teerã. “Não é fácil melhorar como jogadora no Irã, especialmente quando algumas pessoas podem dizer que não há futuro no tênis, comparado a outros esportes no Irã com grandes conquistas. É promissor para mim ter pessoas ao meu redor para me encorajar”.

Já Okutoyi é a atual 62ª do ranking e venceu a italiana Federica Urgesi por 6/4, 6/7 (5-7) e 6/3. Ela enfrenta a australiana Zara Larke na próxima rodada. Segundo o portal Kenyans.co, de seu país, a queniana começou aos quatro anos. Já quando tinha dez anos, em 2014, passou a treinar no Centro de Treinamento Regional da ITF da África Oriental, com uma bolsa de estudos patrocinada pelo tênis. Ela se destacou em campeonatos disputados no continente africano e retornou ao seu país de origem em 2016, passando a treinar em um CT da ITF no Nairobi Club

“Estar em um Grand Slam é como um sonho para mim. É uma experiência única e muito feliz e orgulhoso de estar onde estou”, disse a queniana, em vídeo divulgado nas redes sociais. Ela já tem seis títulos no circuito juvenil da ITF, três deles em 2021. “Minha principal expectativa para este torneio é aproveitar o momento e dar tudo de mim. Espero jogar bem minha meta é estar nas quartas de final”.

Nova geração: As perspectivas e lições das derrotas
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 22, 2022 às 4:50 pm

Aliassime chega às oitavas de final do Australian Open pelo segundo ano seguido e busca sua melhor campanha em Melbourne (Foto: Peter Staples/ATP)

A primeira semana de jogos do Australian Open chegou ao fim neste sábado, com a definição dos últimos classificados para as oitavas de final. A nova geração do tênis segue representada por Amanda Anisimova, Iga Swiatek, Jannik Sinner e Felix Auger-Aliassime, que falaram sobre suas perspectivas para a sequência na competição. Já nomes como Emma Raducanu, Carlos Alcaraz e Leylah Fernandez, eliminados ainda na primeira semana de jogos, comentaram sobre as lições de suas derrotas.

Anisimova derrubou Osaka e desafia a número 1

Responsável por eliminar Belinda Bencic e Naomi Osaka em Melbourne, a norte-americana Amanda Anisimova volta a uma segunda semana de Grand Slam pela primeira vez desde 2019, ano em que foi semifinalista de Roland Garros. A jovem jogadora de 20 anos e atual 60ª do ranking desafia na próxima segunda-feira número 1 do mundo Ashleigh Barty. Ela perdeu o único duelo anterior contra a australiana, justamente na semi de Paris há dois anos e meio.

“Ela é uma jogadora incrível. Eu me espelho muito nela. Amo o jogo dela, ela é muito consistente uma campeã. Então vai ser emocionante enfrentá-la. Vai ser outra oportunidade incrível para mim. Vou voltar para a quadra de treinos amanhã e trabalhar no meu jogo e tentar me dar a melhor chance contra a Ash”, disse Anisimova, após a vitória sobre Osaka por 4/6, 6/3 e 7/6 (10-5) na última sexta-feira. A norte-americana chegou a salvar dois match points.

Swiatek mantém regularidade em Grand Slam

Desde que conquistou seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, no fim de 2020, a polonesa Iga Swiatek mantém uma regularidade em torneios importantes e segue imune às eliminações precoces. Ela foi a única tenista a atingir as oitavas em todos os quatro Grand Slam do ano passado e já repete a dose no início este ano.

A atual número 9 do mundo ainda não perdeu sets no caminho até as oitavas, fase que alcança pela terceira temporada seguida. Após a vitória deste sábado sobre a russa Daria Kasatkina por 6/2 e 6/3, deixou bem claro que é hora de ir além. “Com certeza estar nas quartas de final seria diferente. Nessa fase, você pode ver que as jogadoras já estão no ritmo e você provavelmente enfrenta ou uma cabeça de chave ou alguém que ganhou de uma cabeça de chave. Então, esses jogos são de um nível mais alto, eu diria. Mas com certeza os primeiros também são difíceis porque você tem que ganhar ritmo”.

“Essa série de resultados está me dando muita confiança. Ter essa consistência foi meu objetivo para o ano passado. É claro que em alguns torneios eu quero vou fazer algo maior do que as oitavas. Mas, por outro lado, não quero me concentrar nisso, porque estou muito bem agora em apenas pensar na próxima partida. Então, estou levando tudo passo a passo e está dando certo, então vou continuar fazendo isso”, explica a polonesa, que agora enfrenta a romena Sorana Cirstea.

Sinner contra a torcida australiana e destaca a evolução na Itália

Número 10 do mundo aos 20 anos, o italiano Jannik Sinner chega pela primeira vez às oitavas de final, tendo perdido apenas um set durante a primeira semana do torneio, tendo superado o português João Sousa, o norte-americano Steve Johnson e o japonês Taro Daniel. Ele agora terá a missão de enfrentar o australiano Alex de Minaur, de 22 anos e 42º do ranking, e que certamente contará com o apoio da torcida.

Mas na coletiva deste sábado, Sinner foi perguntado sobre o desenvolvimento do tênis italiano e formação de jovens jogadores no país. “Acho que temos muitos, muitos torneios na Itália. Desde eventos da ITF até os challengers. Então os jogadores mais jovens podem obter alguns convites para jogar. E mesmo se você perder, você fica lá, e treina com os caras que são melhores que você. Então você sobe seu nível imediatamente. Esse com certeza é um dos motivos”.

Aliassime tenta espantar fantasma e encara Cilic

O canadense de 20 anos e número 9 do mundo Felix Auger-Aliassime repete a campanha de oitavas de final na Austrália e tenta apagar o fantasma da eliminação sofrida para Aslan Karatsev no ano passado. Aliassime vem de uma contundente vitória sobre o britânico Daniel Evans, por 6/4, 6/1 e 6/1 e agora desafia Marin Cilic. “Tive uma das minhas melhores performances em um Grand Slam que já tive. Foi um primeiro set apertado, em que tive a sorte de conseguir uma quebra, e por algum motivo, tudo estava funcionando para mim depois disso.

“Estou muito feliz porque as duas primeiras partidas foram muito difíceis para mim, então estou feliz por ter terminado em dois sets”, comenta o canadense, que havia disputado cinco sets contra o finlandês Emil Ruusuvuori na estreia. E na segunda rodada, precisou jogar quatro tiebreaks diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina. Ele agora busca uma vitória inédita contra Cilic após três derrotas. “Será uma grande oportunidade para eu me testar e ver em que nível está o meu jogo”.

Alcaraz se vê mais perto dos melhores

Apesar da derrota na terceira rodada, Carlos Alcaraz saiu de quadra bastante satisfeito com seu nível de atuação na última sexta-feira, quando ele foi superado pelo número 7 do mundo Matteo Berrettini em um duelo de cinco sets. “Eu saio triste pela derrota, mas também fico com a sensação de que no tiebreak fui agressivo, como fiz em toda a partida. Essa é a chave. No fundo, vou embora feliz porque sei que deixei tudo em quadra. Estou saindo com uma boa sensação, com jogos e experiências que vão me fazer bem para o futuro. Depois do jogo de hoje, saio com a sensação de que estou muito perto dos melhores”, disse Alcaraz, que já ocupa o 31º lugar do ranking com apenas 18 anos.

“O Berrettini está no top 10, é o número 7 do mundo e eu estive perto de vencê-lo. Já venci vários jogadores do Top 10. Depois do nível que mostrei, sinto que estou pronto e perto de estar esses jogadores. Tenho me sentido bem em todas as partidas de cinco sets. Fisicamente e mentalmente, me senti bem. Já posso dizer que estou preparado esse tipo de situação: jogos muito longos. Eu sou capaz de me cuidar ao máximo fisicamente e mentalmente. Já estou preparado para todas as situações que vivi”.

Raducanu jogou com dor e aprende novos golpes

Quem também buscou aspectos positivos depois de uma derrota foi Emma Raducanu. A britânica de 19 anos e atual campeã do US Open sofreu com dores causadas por bolhas na mão e foi orientada por sua equipe a nem entrar em quadra para enfrentar a montenegrina Danka Kovinic, mas conseguiu lutar por 2h40. Um dos destaques foi mais frequente dos slices de forehand, que ela pretende incorporar ao seu estilo de jogo no futuro.

“Foi uma experiência de aprendizado muito boa para mim. Descobri elementos sobre mim e sobre o meu jogo que eu não sabia que tinha antes, então sim, eu posso tirar alguns pontos positivos. Eu também fiquei orgulhosa de como continuei lutando mesmo na situação em que estava. Eu realmente não poderia fazer muito, mas continuei lá. Tenho orgulho disso”, explicou a britânica, que precisou reduzir a carga de treinos.

“Eu não estava nem treinando o forehand nos últimos dias. Eu só estava guardando para o jogo. Eu também não estava treinando o saques. Então, a única coisa que eu estava realmente praticando era meu backhand, porque eu ia apenas tentar salvar tudo para o jogo de hoje. Então, o meu treino foi esse jogo. Consegui vencer o segundo set com basicamente um golpe, não posso acreditar”.

Fernandez não passou da primeira rodada

Depois de ter feito uma grande campanha no US Open do ano passado, eliminando três top 10 no caminho para sua primeira final de Grand Slam, Leylah Fernandez não conseguiu repetir o mesmo desempenho na Austrália e acabou se despedindo ainda na primeira rodada, superada pela convidada local Maddison Inglis.

“Não foi um bom dia. Cometi muitos erros. Vou dar crédito a Maddie, ela fez uma grande partida do começo ao fim. Infelizmente, não encontrei soluções para voltar ao jogo e forçar o terceiro set. Acontece. Eu estava me sentindo ótima, fisicamente e mentalmente eu estava muito bem. Estava realmente animada para jogar. Mas como disse, não era o meu dia”, disse a jovem canadense de 19 anos e número 24 do mundo. “Fizemos uma boa pré-temporada. Nós trabalhamos duro e melhoramos meu jogo de tênis. Infelizmente não apareceu hoje, mas acontece. Antes desses torneios, eu estava extremamente feliz com a forma como estava progredindo e como estava treinando. Agora tenho que voltar para a quadra de treinos e me preparar para o próximo torneio”.

Candiotto é a sexta brasileira a disputar o AO juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 21, 2022 às 2:23 pm

Ana Candiotto é a primeira brasileira desde Luísa Stefani a atuar no juvenil do Australian Open (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Única representante brasileira no torneio juvenil do Australian Open, a paulista de 17 anos Ana Candiotto estreia na competição na madrugada deste sábado. Inicialmente inscrita para o quali, ela conseguiu entrar diretamente na chave principal. Atual 109ª do ranking, ela enfrenta a tcheca de apenas 14 anos Tereza Valentova, que já é a 79ª no ranking da categoria.

Antes do Australian Open, Candiotto disputou apenas um torneio preparatório, em Tralagon, onde ela parou na segunda rodada de simples, mas chegou às quartas de final nas duplas. Caso supere a estreia em Melbourne, a brasileira pode enfrentar a argentina Solana Sierra, cabeça 4 do torneio e número 9 do ranking, ou a eslovaca Irina Balus, 59ª colocada.

A jovem paulista disputa seu segundo Grand Slam como juvenil, já que atuou em Roland Garros ainda em 2020, e também já tem nove pontos no ranking profissional, obtidos nos torneios realizados no Brasil durante a temporada passada. Com isso, aparece atualmente no 1.282º lugar da WTA. Também no ano passado, ganhou uma medalha de bronze no Pan-Americano Júnior, em Cali, ao lado de Juliana Munhoz.

Na Austrália, o tênis brasileiro comemorou seu primeiro título de um Grand Slam juvenil, com o alagoano Tiago Fernandes em 2010. Naquele ano, o título feminino ficou com a tcheca Karolina Pliskova. Mas entre as meninas, o Brasil teve poucas representantes no torneio. Candiotto será apenas a sexta brasileira a disputar a competição e a primeira desde Luísa Stefani em 2015.

História das juvenis brasileiras na Austráia
A primeira brasileira a disputar o tonrneio juvneil do Australian Open foi Roberta Caldas, no ano de 1985. Na ocasião, ela venceu a estreia contra a anfitriã Xanthe Adams e parou na segunda rodada, diante de Wendy Frazer. Caldas ainda disputaria o torneio juvenil de Roland Garros em 1985 e 1987, mas não chegou a ter ranking profissional.

Depois disso, o tênis feminino brasileiro só teria uma representante na chave juvenil do Australian Open em 2009, com Fernanda Faria. Naquele ano, ela conseguiu furar o quali de simples com duas rodadas, mas perdeu logo na sequência para a tailandesa Noppawan Lertcheewakarn na estreia da chave principal. Faria, hoje com 30 anos, chegou ganhar quatro títulos profissionais de duplas no circuito da ITF e ocupou o 329º lugar do ranking, mas deixou o circuito ainda em 2011.

Recentemente, Beatriz Haddad Maia, Letícia Vidal e Luísa Stefani também disputaram o torneio juvenil na Austrália. Bia esteve nas edições de 2012 e 2013. Em seu primeiro ano, caiu ainda na estreia de simples e na segunda rodada de duplas. Na temporada seguinte, venceu um jogo em cada chave. Letícia Vidal foi eliminada ainda na primeira fase em 2014, enquanto Stefani fez segunda rodada de simples e duplas em 2015. Desde então, nenhuma menina brasileira participou do torneio.

Matheus de Lima e Maria Turchetto jogaram na Colômbia
Também neste início de temporada, o paranaense Matheus de Lima e a catarinense Maria Turchetto disputaram o ITF J1 de Barranquilla, em quadras duras na Colômbia. Turchetto chegou a avançar duas rodadas, primeiro contra a colombiana Isabella Jaramillo por 6/2 e 6/0, e depois contra a belga Juliette Bovy por 6/1 e 6/3. Ela perdeu nas oitavas para a japonesa Ena Koike por 4/6, 6/0 e 6/2. Com a campanha, fará 60 pontos no ranking e se aproxima do top 200 da categoria. Já Matheus de Lima perdeu ainda na estreia para o norte-americano Sam Scherer por duplo 6/2.

De surpresa a alvo: Os próximos passos de Raducanu
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 16, 2022 às 6:40 pm

Campeã do US Open vinda do quali, Raducanu volta a disputar um Grand Slam sob muito mais holofotes (Foto: Tennis Australia)

Há menos de seis meses, Emma Raducanu entrava na disputa do US Open como uma jovem jogadora vinda do qualificatório. Então com 18 anos e número 150 do mundo, a britânica seria na melhor das hipóteses uma candidata a dificultar o caminho de jogadoras mais experientes ou de eventualmente derrubar um grande nome do torneio. Mas ela superou todas as expectativas, emendou uma sequência de dez vitórias seguidas e sem perder sets durante três semanas e conquistou um improvável título de Grand Slam. Aquela era apenas sua segunda participação em eventos deste porte, sendo que antes ela havia disputado Wimbledon como convidada e feito uma interessante campanha até as oitavas de final.

Chegamos, então, a janeiro de 2022 e Raducanu está na reta final de preparação para um novo Grand Slam. Ela inicia a disputa do Australian Open sob muito mais holofotes. Afinal, quais serão os próximos passos daquela surpreendente campeã? Descobriremos ao longo da temporada, que está apenas começando. A britânica, agora com 19 anos, é a número 18 do mundo e já entra em quadra muito mais visada pelo público e a mídia e também mais estudada por suas adversárias.

“Doze meses atrás, eu estava no meu quarto estudando para meus exames e assistindo ao torneio de longe no ano passado. Hoje estou aqui na Austrália e me sinto muito grata por ter essa oportunidade de jogar aqui. Na semana passada em Sydney, eu recebi muito apoio. Espero contar com os fãs aqui também. Estou muito ansiosa para encontrá-los”, disse Raducanu na entrevista coletiva do último sábado em Melbourne.

Britânica trocou de técnico e iniciou o ano com dura derrota
Uma das primeiras atitudes de Raducanu pouco depois de ter conquistado o US Open foi encerrar a parceria com o técnico Andrew Richardson, alegando que precisaria de um nome mais experiente em sua equipe para lidar com todas as mudanças de vida que acontecem após um título de Grand Slam. Ela disputou apenas mais três torneios até o final de 2021, caindo na estreia em Indian Wells e Linz e chegando às quartas de final do WTA 250 de Cluj-Napoca. No fim do ano, a busca por um técnico chegou ao fim e ela firmou uma parceria com o alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao número 1 do ranking.

No entanto, a preparação para 2022 foi comprometida por um diagnóstico de Covid-19 em dezembro, atrapalhando sua pré-temporada. E em seu primeiro jogo no ano, ela sofreu uma dura derrota da cazaque Elena Rybakina em Sydney por 6/0 e 6/1 em apenas 55 minutos de disputa. Logo após o jogo, mostrou que não estava satisfeita com seu nível de atuação e foi direto para a quadra de treino.

“Depois da partida, eu peguei uma caixa de bolas e fui direto para a quadra de treino. Eu senti que poderia ter feito algumas coisas melhor hoje e queria tentar consertar isso imediatamente, e apenas sair de lá com um sentimento melhor sobre isso. Então, nós fomos para a quadra”, explicou Raducanu, que perdeu os nove primeiros games da partida, antes de finalmente confirmar um game de saque.

Naquela partida, Raducanu cometeu seis duplas faltas, colocou apenas 65% de primeiros serviços em quadra e venceu apenas dois dos 15 pontos jogados com o segundo saque. “Sinto que minha porcentagem de primeiro saque foi muito baixa e que fiz algumas duplas faltas. Eu estava apenas tentando arrumar isso. E depois então, treinei um pouco a movimentação, apenas para ter uma boa sensação da bola. Eu só queria sair com um bom pressentimento sobre as coisas”.

‘Meu maior desafio é ser paciente’, diz a britânica
Com todas as transformações que ocorrem dentro e fora de quadra para uma campeã de Grand Slam, ainda mais quando se fala de uma jogadora tão jovem, paciência é a palavra-chave. “Eu diria que o maior desafio é ser paciente. Eu sempre quero ser o melhor que puder o tempo todo, como se eu fosse um pouco perfeccionista. Seja nos treinos ou mesmo fora da quadra. Mas às vezes isso não é muito viável. Preciso apenas relaxar. Enquanto a tendência for de alta, com apenas algumas pequenas flutuações, acho que posso me orgulhar. Seja qual for o desafio, me sinto pronta para enfrentá-lo agora”.

“Sinto que por causa dos últimos meses que tive, talvez não tenha jogado ou treinado tanto quanto gostaria. Mas sinto que não há realmente nenhuma pressão sobre mim. Estou feliz por estar aqui. Tive que passar por alguns obstáculos para chegar até aqui, então só quero ir lá, me divertir, e curtir a quadra”, acrescentou a tenista, que faz sua primeira participação no Australian Open como profissional. E quando era juvenil, jogou apenas em 2019 e caiu na estreia. 

Inspiração em Li e estreia contra Stephens
Raducanu, que tem mãe chinesa, falou de suas recordações do título de Na Li, que superou a eslovaca Dominika Cibulkova na final do Australian Open de 2014. Na condição de fã, a britânica estava com apenas 11 anos.

“Lembro-me de assistir àquela partida. Foi uma partida de altos e baixos, muito apertada no terceiro set. Eu lembro de uma hora que ela caiu e bateu a cabeça no chão. Lembro-me muito claramente. Eu cresci assistindo às partidas dela e sinto que me inspirei no jogo e na movimentação dela. Gosto de pensar que temos qualidades semelhantes em termos de ser mentalmente fortes e resilientes.

A adversária de Raducanu na estreia em Melbourne será outra campeã de Grand Slam. Ela enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, vencedora do US Open em 2017. Stephens já foi número 3 do mundo, mas atualmente aparece no 67º lugar do ranking aos 28 anos. “Eu vi a Sloane ganhar o US Open e treinei com ela no ano passado, mas nunca jogamos uma contra a outra. É uma grande adversária. Obviamente, você não ganha um Grand Slam sem ser muito capaz. Acho que vai ser um jogo difícil, com certeza. Mas preciso curtir a partida porque tive que trabalhar muito para estar aqui e jogar este Grand Slam”.

One-hit wonder?
Também durante a última semana, foi divulgada um comercial da Nike estrelado por Raducanu. Enquanto ela joga, um painel exibe uma sequência de adjetivos contrastantes para a britânica: De distraída a perfeita, do acaso ao impecável, e de lá para ‘one-hit wonder’, em referência àqueles que dizem que ela nunca vencerá mais nada. A campanha termina com a mensagem ‘Deixem que falem, e jogue’. A britânica foi perguntada sobre o comercial na entrevista e respondeu em poucas palavras: “Acho que o vídeo fala por si só. É assim que me sinto”.