Monthly Archives: junho 2021

Wimbledon é território estranho para três campeãs de Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2021 às 1:04 am
Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos

Swiatek disputa a chave principal de Wimbledon pela primeira vez aos 20 anos (Foto: Jimmie48/WTA)

Apesar de serem três campeãs de Grand Slam e integrantes no top 10 do ranking mundial, Sofia Kenin, Bianca Andreescu e Iga Swiatek têm pouca experiência em quadras de grama e tentam se adaptar ao piso em busca de bons resultados em Wimbledon. Fatores como a rápida ascensão no circuito nas últimas temporadas e o cancelamento de todos os torneios no piso previstos para 2020 fizeram com que Andreescu e Swiatek só conseguissem suas primeiras vitórias na grama pelo circuito da WTA na última semana, quando atuaram em Eastbourne. Kenin, de 22 anos, tem um pouco mais de bagagem, mas a estreia no Grand Slam londrino marcou sua volta ao piso depois de duas temporadas.

“É a minha primeira partida na grama nesta temporada, já que eu não joguei nenhum torneio antes. Claro que estava um pouco mais nervosa, mas fui capaz de controlar e estou feliz com isso”, disse Kenin, depois de vencer a chinesa Xinyu Wang por 6/4 e 6/2 nesta segunda-feira. Ela agora espera pela vencedora do duelo norte-americano entre Madison Brengle e Christina McHale.

“No geral, achei que eu saquei bem e senti que meio que me salvou durante a partida de hoje. E, claro, fui bem nas devoluções. Portanto, há algumas pequenas coisas que tenho que melhorar, mas no geral estou muito feliz com a maneira como joguei”, completa a número 6 do mundo. Campeã do Australian Open e vice de Roland Garros no ano passado, a norte-americana disputa seu terceiro Wimbledon e nunca passou da segunda rodada.

Swiatek disputa Wimbledon pela primeira vez

Mais jovem do trio, com 20 anos recém-completados, Iga Swiatek faz sua primeira participação na chave principal de Wimbledon e venceu nesta segunda-feira a taiwensa Su-Wei Hsieh por duplo 6/4. “Eu precisava jogar com muita potência, porque quando a bola vai muito rápida na grama, é difícil de controlar e eu sei que a Su-Wei é bem habilidosa e meu principal objetivo era não deixá-la usar isso. E fico feliz que a minha tática tenha funcionado”, comenta a polonesa, que fez 20 winners e 18 erros na partida.

“Foi emocionante, porque a última partida que eu venci em Wimbledon havia sido na final do juvenil, nessa mesma quadra. Quando eu entrei aqui, tive muitas lembranças”, acrescentou Swiatek, que foi campeã juvenil do Grand Slam britânico em 2018.

Campeã de Roland Garros em 2020 e atual número 9 do ranking, a polonesa rechaça qualquer tipo de favoritismo e diz que uma boa campanha em Wimbledon pode ser muito mais importante pensando no futuro. “Eu simplesmente não penso tanto nisso, porque na grama há algum tipo de ranking à parte, porque você sabe quem está jogando bem na grama e também sabe quem geralmente é ruim na grama. Mesmo eu sendo, a sétima cabeça de chave, não me pressiono tanto, porque sei que não tenho experiência. Eu apenas tento aprender o máximo possível. Só estou ciente de que não treinei por muito tempo na grama, porque joguei a final de duplas em Roland Garros”.

“É uma parte importante da temporada, mas é ainda mais importante aprender, porque acho que o trabalho que fizer aqui vai dar resultado em alguns anos. Eu só preciso de experiência na grama. Na verdade, é legal porque eu posso jogar sem nenhuma expectativa”, avalia a jovem jogadora, que espera pela vencedora entre a tcheca Marie Bouzkova e a russa Vera Zvonareva. “Depois de toda aquela confusão durante a temporada de saibro, durante o Roland Garros, já que eu era a atual campeã, é mais fácil agora e estou gostando. Talvez meu tênis não seja tão bom quanto em outros torneios, mas estou me sentindo ótima e muito feliz por estar aqui.

Andreescu estreia nesta terça e reencontra Cornet
A canadense Bianca Andreescu, de 21 anos e número 7 do mundo, estreia em Wimbledon nesta terça-feira contra a francesa Alizé Cornet, 59ª colocada. As duas se enfrentaram há duas semanas em Berlim e Cornet levou a melhor em dois sets equilibrados. A única participação de Andreescu na chave principal de Wimbledon havia acontecido ainda em 2017, quando ela caiu na estreia. Dois anos atrás, quando já era um dos principais nomes do circuito, uma lesão no ombro a impediu de atuar na temporada de grama. Recuperada meses depois, conquistou o US Open de 2019.

“A semana de Berlim não foi tão boa quanto eu esperava para o meu primeiro torneio na grama, mas preciso de tempo. Não jogo há três anos e não fiz tantas partidas neste ano por causa de outras coisas. Mas tenho treinado muito na grama, tenho ficado muito tempo em quadra e espero que eu possa progredir nas partidas”, disse Andreescu, em entrevista coletiva durante o WTA 500 de Eastbourne na última semana.

“Tenho uma boa imagem mental de como quero jogar na grama, mas sei que não vai acontecer de imediato. Eu preciso de bom tempo de treinos e de mais jogos, e foi por isso também que eu joguei em duplas em Eastbourne. Acho que isso ajuda muito no meu jogo de grama, porque posso trabalhar no meu saque e nos meus voleios, porque eu quero ir muito para a rede”, acrescenta a canadense, que chegou às oitavas no último torneio preparatório, vencendo Christina McHale e perdendo para Anett Kontaveit.

Apesar de ser uma tenista com muito peso de bola, Andreescu sabe que só isso não é o suficiente na grama. “A minha bola alta e pesada nem sempre é tão eficaz só porque a bola realmente não quica. É literalmente perfeito para a adversária atacar. Às vezes, gosto de dar slice, mas a bola literalmente desliza de forma superaleatória. Quero continuar trabalhando, avançando, usando meu saque a meu favor e mexendo muito com os pés, já que as bolas estão chegando rápido”.

Pressão excessiva fez Samsonova deixar de jogar pela Itália
Por Mario Sérgio Cruz
junho 21, 2021 às 8:01 pm

Campeã de Berlim, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália e chegou a defender o país no circuito juvenil

Principal surpresa do circuito na última semana, a russa Liudmila Samsonova teve uma campanha espetacular no WTA 500 de Berlim e venceu sete jogos seguidos para conquistar o título nas quadras de grama da capital alemã. Depois de assombrar favoritas como Madison Keys, Victoria Azarenka e Belinda Bencic, a jovem jogadora de 22 anos deu um salto no ranking e foi do 106º para o 63º lugar, marca que é a melhor de sua carreira. Outro prêmio por sua conquista foi um merecido convite para a chave principal de Wimbledon.

Nascida na cidade de Olenegorsk, na Rússia, Samsonova teve toda sua formação como tenista na Itália, e chegou a defender as cores do país nos tempos de juvenil, mas conta que preferiu voltar a jogar pela Rússia para ter menos pressão e um ambiente mais tranquilo de trabalho. “Eu cresci na Itália desde que tinha um ano de idade. Meus pais são russos, mas joguei pela Itália dos 16 aos 18 anos”, disse Samsonova, em entrevista ao site da WTA.

“Eu tinha muita atenção e não estava pronta para isso. Quando comecei a jogar pela Rússia, a pressão que eu sentia foi embora. Foi uma coisa natural. Não sei como explicar. Era como se ninguém se importasse comigo, porque eu era a última do ranking”, comentou a russa, que debutou no top 100 nesta segunda-feira, mas já disputará o sexto Grand Slam da carreira. No entanto, só tem uma vitória, no Australian Open deste ano.

+ Título de Samsonova rende convite para Wimbledon
+ Samsonova completa semana dos sonhos com título

+ Surpresa russa assombra favoritas no WTA de Berlim

Durante os tempos de juvenil, Samsonova venceu três títulos de ITF e ocupou o 65º lugar do ranking da categoria. Ela até chegou a disputar alguns torneios no Brasil em 2015, como o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre. “Não joguei muito bem no juvenil. Eu poderia fazer mais, disso tenho certeza. Eu poderia jogar melhor. Tive alguns momentos na minha vida durante esse período que foram difíceis para mim. Eu era muito jovem e não tinha a maturidade que tenho agora. Tudo estava um pouco confuso”.

Com estilo de jogo agressivo e muito peso de bola, a russa derrotou outras jogadoras de golpes muito potentes na semana passada, como Ana Konjuh e Madison Keys. Mas ela conta que os treinadores que a acompanhavam na Itália tentavam mudar suas características. “Eles tentaram me mudar e tentaram fazer algo diferente. Mas desde dezembro, quando mudei de time, eu realmente entendo o que tenho que fazer em quadra. Eles estão me orientando para jogar de forma mais agressiva e chegar à rede. E eu disse: ‘Ah, gosto disso. É assim que eu sou'”.

Antes de sua excelente semana em Berlim, Samsonova sequer tinha vitórias na grama em chaves principais de WTA, tendo caído na estreia de Nottingham em 2019 e disputados os qualis de Birmingham e Wimbledon. “Há alguns anos, quando estava jogando na grama e não tinha esse saque e também não tinha essa força para jogar como eu queria. Então, acho que o trabalho valeu a pena. Comecei a saber quem eu sou, que tipo de jogadora sou. Porque no passado eu não sabia o que fazer”.

“Às vezes eu venço jogando de uma forma, às vezes eu ganho de outra. Então, com certeza, precisei de muito trabalho mental. Esta é a coisa mais importante”, explicou a russa, que também definiu em poucas palavras sobre que tipo de tenista ela se considera: “Eu sou uma jogadora muito agressiva”.

Ranking juvenil tem novidades depois de Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
junho 15, 2021 às 11:00 pm

Campeão juvenil em Paris, o francês Luca Van Assche saltou 14 posições no ranking da modalidade

A atualização mais recente dos rankings juvenis da ITF teve muitas novidades. A lista divulgada na última segunda-feira, logo após a disputa de Roland Garros, premiou os títulos do francês Luca Van Assche e da tcheca Linda Noskova, que aproveitaram os mil pontos de suas conquistas para escalar os rankings. No entanto, com todos os ajustes promovidos pela Federação Internacional durante a pandemia, muitos tenistas ainda permanecem com pontos conquistados em 2020 e até mesmo de 2019.

Campeão juvenil em Paris, Luca Van Assche saltou 14 posições no ranking e assumiu o quarto lugar. O vice Arthur Fils, também francês e de apenas 16 anos, ganhou 12 posições e agora é o sétimo do ranking. Quem também subiu no ranking foi Giovanni Mpetshi Perricard, semifinalista de simples e campeão de duplas ao lado de Fils. Ele ultrapassou dois concorrentes e assumiu o sexto lugar.

Nas duas primeiras posições, estão dois jogadores nascidos em 2003, mas que já fizeram transição para o circuito profissional, o dinamarquês Holger Rune e o japonês Shintaro Mochizuki, que não jogam mais os torneios juvenis, mas ainda teriam idade para atuar na atual temporada e também possuem pontos conquistados há dois anos. O terceiro colocado é o chinês Juncheng Shang.

Melhor brasileiro na lista, o catarinense de 18 anos Pedro Boscardin perdeu três posições, mas segue no top 10, ocupando o nono lugar. O número 2 do país é o mineiro João Victor Loureiro, 53º do ranking, mantendo a posição da lista anterior. Ainda no top 200 estão João Eduardo Schiessl (140º) e Lorenzo Esquici (159º).

Rune pode ter portas fechadas nos próximos meses

Declaração homofóbica pode fechar as portas para Rune, antes bastante beneficiado por convites

Rune, aliás, acabou se destacando negativamente nas últimas semanas. Apesar de ter vencido seu primeiro challenger, no saibro italiano de Biella, o dinamarquês de 18 anos foi flagrado pelas câmeras de transmissão proferindo comentários homofóbicos durante a semifinal contra o argentino Tomás Etcheverry. A ATP investigou o caso e multou o tenista, 231º do ranking profissional, em 1.500 euros.

Mas muito mais caro para o dinamarquês podem ser as portas fechadas nas próximas semanas. Rune foi um tenista bastante beneficiado por convites este ano, como nos ATPs de Santiago, Buenos Aires, Marbella, Barcelona e até no Masters 1000 de Monte Carlo.

É possível que muitos torneios não queiram associar suas marcas e patrocinadores um tenista recentemente multado por homofobia. Seria uma punição muito mais educativa e custosa do que apenas uma multa. E nesse cenário, muito provavelmente veríamos o dinamarquês tendo que disputar torneios menores e com menos oportunidades em eventos mais fortes. Por outro lado, esse caminho mais longo talvez que desperte no tenista a consciência de que não há mais espaço para esse tipo de declaração. Todo mundo sai ganhando.

Mudança de número 1 no ranking feminino
A liderança no ranking feminino mudou de mãos, a juvenil de Andorra de apenas 15 anos Victoria Jimenez Kasintseva Juniors retomou o primeiro lugar depois de ter chegado às quartas em Paris. Ela ultrapassou a francesa Elsa Jacquemot, campeã em Paris no ano passado e já focada no circuito profissional. Em terceiro lugar está a filipina de 16 anos Alexandra Eala, campeã de duplas em Paris e que recentemente venceu seu primeiro título profissional na Rafa Nadal Academy em Manacor.

Campeã juvenil de Roland Garros, a tcheca Linda Noskova ganhou 15 posições e assumiu o quinto lugar. Ela ainda fica atrás da russa Diana Shnaider, semifinalista em Paris e atual quarta colocada. Já a também russa Erika Andreeva, vice em Paris, ultrapassou 33 jogadoras e aparece na 11ª posição.

Mesmo fora do top 200, brasileiras vêm de boas semanas

Juliana Munhoz ganhou dois títulos na Bolívia e jogou uma final no Equador nas últimas semanas (Foto: Susan Mullane/ITF)

A melhor brasileira é a catarinense Priscila Janikian, número 213 do ranking. Uma posição abaixo está Ana Candiotto, que ultrapassou 40 jogadoras depois de vencer um ITF J4 na Guatemala na última semana. Candiotto tem um título em El Salvador, no final de maio, e está com o melhor ranking da carreira no 214º lugar. Já a paulista Juliana Munhoz, que conquistou dois torneios no ano, aparece na 227ª colocação.

Na última semana, Candiotto venceu o ITF J4 da Cidade da Guatemala, superando na final a canadense Naomi Xu por 4/6, 6/4 e 6/2. Ela também superou a chinesa Yichen Zhao e as norte-americanas Anya Murthy, Lizanne Boyer e Avery Jennings. Já Juliana Munhoz chegou a vencer 15 jogos seguidos, com os títulos dos ITFs J5 de Cochabamba e Tarija, na Bolívia, além de ser finalista em Quito, no Equador.

Paris assiste final francesa no juvenil após 19 anos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2021 às 7:03 pm

Luca Van Assche, de 17 anos, diz que ganhou confiança depois de ter disputado o quali profissional em Paris (Foto: FFT)

Conforme já antecipado desde a definição de semifinalistas com quatro jogadores franceses, o torneio juvenil de Roland Garros voltará a ter uma final doméstica depois de 19 anos. Arthur Fils, de 16 anos, e Luca Van Assche, um ano mais velho, vão decidir o título a partir de 6h (de Brasília) deste sábado. A última decisão entre dois franceses em Paris havia acontecido em 2002, quando Richard Gasquet derrotou Laurent Recouderc. Já o último anfitrião a vencer o torneio foi Geoffrey Blancaneaux em 2016.

Luca van Assche, 18º do ranking, venceu Sean Cuenin por 7/5 e 6/4 em 1h39 de partida. Já Arthur Fils, 19º do ranking e atual campeão do Orange Bowl, precisou de três sets e 2h09 para derrotar Giovanni Mpetshi Perricard por 3/6, 6/3 e 7/6 (7-5). Esta foi a primeira vez que quatro juvenis franceses chegaram às semifinais masculinas de simples em um Grand Slam. O recorde anterior em Roland Garros era de 1949, e isso também aconteceu duas vezes na Austrália, em 2002 e 2020.

“Foi incrível estar quatro jogadores franceses na semifinal. São três amigos meus e gosto muito deles”, disse Luca van Assche a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva desta sexta-feira. “Conheço muito bem o Arthur, há bastante muito tempo. Vamos aproveitar esta final. Acho que vai ser uma ótima partida”.

https://twitter.com/rolandgarros/status/1403373443932884998

O jogador de 17 anos recebeu convite para o quali profissional de Roland Garros e enfrentou o experiente suíço Henri Laaksonen. “Estou jogando muito bem nesta semana. E duas semanas atrás, eu joguei o quali e aprendi muito. Vi que estou no nível desses jogadores porque fiz uma partida acirrada contra o Laaksonen e depois ele chegou à terceira rodada da chave principal. Eu posso ver que tenho o nível desses caras. Ganhei muita confiança depois daquele jogo. Então, sim, me ajudou muito.

Fils comemorou uma vitória dramática na semi contra um de seus melhores amigos no circuito. “Ele é meu amigo desde que tínhamos sete anos, eu acho. Então eu precisava deixar isso fora da quadra e jogar 100% contra ele, acho que lidei muito bem. Então foi legal”, disse após vencer o duelo com Perricard. “Inacreditável. É um grande sentimento. Vencer uma semifinal por 7/6 no terceiro set, com 7-5 no tiebreak, foi muito difícil. Mas estou focado na minha final agora”.

O tenista de 16 anos também já projeta o encontro jogo duro, desta vez contra Van Assche. “Vai ser outra partida muito difícil, porque ele está jogando muito bem e é um adversário muito sólido. Vai ser difícil fazer algum winner ou algo assim. Acho que teremos mais três sets pela frente.

Em um momento de renovação do tênis francês, Van Assche também comentou sobre a nova geração feminina no país, com Clara Burel, Diane Parry e Elsa Jacquemot atingindo a liderança do ranking juvenil nos últimos anos. “As três foram número 1 do mundo, ano passado foi a Elsa, no ano anterior foi a Diane. Não as conheço muito bem, mas acho que estão trabalhando muito para estarem no topo. Espero que elas sejam muito boas para o tênis francês”.

Russa e tcheca de 16 anos na final feminina em Paris
A final feminina será entre a russa Erika Andreeva e a tcheca Linda Noskova, ambas de 16 anos. Noskova, número 20 do ranking, venceu a russa Diana Shnaider, por 1/6, 6/3 e 6/3. Ela tenta ser a primeira tcheca a vencer o torneio juvenil de Roland Garros desde Hana Mandlikova em 1978, e a primeira campeã de Slam na categoria desde Marie Bouzkova no US Open de 2014.

Já Andreeva superou a compatriota Oksana Selekhmeteva por 2/6, 7/5 e 7/6 (7-0). A russa já tem três títulos profissionais de simples, um deles vencendo a brasileira Carolina Meligeni Alves na final, no Egito. A última jogadora do país a vencer um Grand Slam juvenil foi Anastasia Potapova, na grama de Wimbledon em 2016. Já a campeã mais recente em Paris foi Daria Kasatkina em 2014.

Quatro franceses jogam semis do juvenil em Paris
Por Mario Sérgio Cruz
junho 10, 2021 às 6:15 pm

Arthur Fils, de 16 anos, é o mais jovem entre os quatro semifinalistas do torneio (Foto: Andre Ferreira/FFT)

Quatro jogadores estão nas semifinais da chave masculina no torneio juvenil de Roland Garros. Essa é a primeira vez que isso acontece, segundo os registros feitos pela Federação Francesa de Tênis a partir de 1951. Os responsáveis pela façanha são Arthur Fils, Giovanni Mpetshi Perricard, Luca Van Assche e Sean Cuenin, que venceram seus jogos nesta quinta-feira em sets diretos.

Com os resultados, está garantido que um francês será campeão juvenil em Paris pela primeira vez desde a conquista de Geoffrey Blancaneaux em 2016. Antes dele, o último vencedor da casa havia sido Gael Monfils ainda na temporada de 2004. Já a última final francesa foi em 2002, quando Richard Gasquet venceu Laurent Recouderc.

https://twitter.com/CCSMOOTH13/status/1402999209956020229

Mais jovem entre os quatro semifinalistas, Arthur Fils está com apenas 16 anos e foi campeão do tradicional Orange Bowl no ano passado. O atual 19º do ranking venceu nesta quinta-feira o espanhol Daniel Rincon por 6/2 e 6/3. Seu adversário será Perricard, de 17 anos e oitavo colocado, que venceu o ucraniano Viacheslav Bielinskyi por 6/2 e 6/1.

Do outro lado da chave, Sean Cuenin surpeendeu o cabeça 1 chinês Juncheng Shang por 6/4 e 7/5. O francês de 17 anos e 12º do ranking encara Luca Van Assche, também de 17 anos e 15º colocado, algoz do espanhol Daniel Merida Aguilar.

“Uma grande geração está chegando”, disse Fils, em entrevista ao site da ITF. Jogadores nascidos em 2002, 2003, 2004… estamos todos muito bem na França. Podemos estar todos entre os 100 melhores em dois, três anos. É muito difícil colocar um nome em um favorito porque todos nós estamos jogando muito bem”.

Três russas nas semifinais femininas
Enquanto a França domina o torneio masculino no juvenil em Paris, as russas se destacam na chave feminina com três semifinalistas. Um dos confrontos será 100% com Oksana Selekhmeteva e Erika Andreeva. Nesta quinta-feira, Andreeva venceu a compatriota Polina Kudermetova por 6/4, 1/6 e 6/1, enquanto Selekhmeteva fez 6/3 e 6/1 contra a alemã Mara Guth.

Do outro lado da chave, a também russa Diana Shnaider fez 6/3 e 6/1 contra a norte-americana Robin Montgomery. Ela enfrenta a tcheca Linda Noskova, que venceu a cabeça 1 de Andorra Victoria Jimenez Kasintseva (campeã do Australian Open em 2020) por 7/5, 2/6 e 6/3.

Nas quartas aos 17 anos, Gauff acumula façanhas
Por Mario Sérgio Cruz
junho 8, 2021 às 5:37 pm

Gauff é a jogadora mais jovem a atingir as quartas de final de um Grand Slam desde 2006 (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Jogadora mais jovem nas quartas de final da chave feminina de Roland Garros, Coco Gauff vem acumulando várias façanhas com sua ótima campanha em Paris com apenas 17 anos. A atual 25ª do ranking é a mais nova a alcançar essa fase em um Grand Slam desde 2006, com Nicole Vaidisova, também em Roland Garros. Entre as norte-americanas, a última vez que uma tenista dessa idade chegava tão longe em um Slam foi com Venus Williams no US Open de 1997. Já no saibro de Paris, nenhuma norte-americana tão jovem disputava as quartas desde Jennifer Capriati em 1993.

Vinda de bons resultados na temporada de saibro, como a semifinal em Roma e o título do WTA de Parma, ela sente que seu jogo está sendo cada vez mais estudado pelas adversárias do circuito. “Depois de estar no circuito por um tempo, obviamente elas podem assistir mais partidas minhas e entender como eu jogo, e eu percebi isso. Durante o período de pré-temporada, trabalhei apenas em minhas fraquezas”, disse Gauff a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva após a vitória sobre a tunisiana Ons Jabeur por 6/3 e 6/1 pelas oitavas. “Sinto que agora eu melhorei bastante naqueles que eram os meus pontos fracos, então não dou às minhas adversárias uma resposta ou uma saída fácil na quadra. Então eu comecei a sentir que esses são pontos fortes para mim agora”.

Gauff agora se prepara para enfrentar a versátil tcheca Barbora Krejcikova, ex-número 1 de duplas e 33ª do ranking de simples. A tcheca vem da conquista do WTA de Estrasburgo e de uma expressiva vitória sobre Sloane Stephens nas oitavas. “Ela obviamente está tendo uma ótima temporada de saibro e é uma adversária difícil. Acho que ela é uma jogadora muito inteligente e está há muito tempo no circuito. Ela é uma daquelas pessoas que jogam bem em todos os pisos. Ela se sai bem em simples, duplas e duplas mistas e pode ser a “veterana” neste confronto, mas acho que não vou me concentrar muito nas decisões que ela toma, mas sim no que eu faço dentro da quadra. Tenho que focar apenas no meu jogo”.

Indicada como uma promessa do circuito desde que tinha 14 anos e foi campeã juvenil de Roland Garros em 2018, Gauff não se importa com comentários sobre sua idade ou precocidade, garantindo que isso não lhe traz nenhuma carga extra de pressão. “Quer dizer, eu realmente não me importo se falam tanto da minha idade ou não. Na quadra, eu prometo a vocês que minhas adversárias provavelmente não se importam com o fato de eu ter 17 anos. Elas querem vencer da mesma forma que eu quero, independentemente das idades delas. Quero dizer, só se tem 17 anos uma vez, então podem falar muito bem sobre isso”.

Durante a coletiva, a norte-americana também afirma que está conseguindo vencer suas partidas de forma mais convincente nas últimas semanas. Mas mesmo com o torneio tendo apenas uma top 10 restante, a atual campeã e número 9 do mundo Iga Swiatek, evita pensar além da próxima rodada. “Para ser honesta, eu realmente não pensei sobre isso. Estou realmente focada no próximo jogo e não quero pensar muito. Você tem que se concentrar no que está na sua frente. Essa é realmente a única resposta que tenho”.

“Eu sinto que estou, como eu posso dizer, mais profissional. As minhas partidas estão sendo mais constantes, mais diretas, e não mais aquelas loucas batalhas de três sets. Como sabemos, tive muitos jogos assim no passado. Mas acho que estou sendo mais consistente neste nível. Espero que eu possa continuar assim”.

 

 

 

Swiatek mantém rotina, mas muda a trilha sonora
Por Mario Sérgio Cruz
junho 6, 2021 às 12:22 am

Swiatek mantém a escolha pelos clássicos do rock na busca por mais um título de Roland Garros (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Apesar de todas as transformações em sua vida desde que conquistou seu primeiro título de Roland Garros, Iga Swiatek garante que não muda sua rotina em busca do bicampeonato. Na verdade, a única novidade está na trilha sonora. Fã declarada de grandes clássicos do rock, a polonesa de 20 anos deixou um pouco de lado a faixa Welcome to the Jungle do Guns N’ Roses e fez mais uma viagem no tempo, e é embalada pelo som do Led Zeppelin. Ela diz que a estratégia já deu certo, porque fez parte da sua caminhada para o título do WTA 1000 de Roma há três semanas.

“Tenho a mesma playlist de Roma, então é o Led Zeppelin agora. No ano passado foi o Guns N’
Roses. Então, é uma banda diferente, mas o mesmo estilo de música”, disse Swiatek a TenisBrasil, durante a entrevista coletiva após seu jogo da terceira rodada em Paris. “Já gostava de rock e acho que comecei a ouvir mais quando assisti ao filme do ‘Thor’, alguns anos atrás, na Austrália. Também comecei a ouvir música polonesa e isso é novo para mim porque, na verdade, eu nunca tinha escutado músicas poloneas. É muito legal. Eu recomendaria. Mas provavelmente, apenas duas pessoas desse grupo [de jornalistas] iriam entender”.

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Swiatek faz questão de ressaltar que o hábito de manter a playlist não é uma superstição. “Não tenho superstições. Nada contra isso, mas há algumas situações que você fica nervosa por isso, e simplesmente não é necessário. Quando você tem um chance de evitar, é melhor. Acho que há uma diferença entre superstição e rotinas. Sou grande fã de rotinas, porque gosto de ouvir as mesmas músicas antes de eu entrar na quadra. Mas não é como se eu comer uma coisa diferente no café da manhã, vai dar tudo errado. É bom ter distância dessas coisas e apenas manter suas rotinas, porque isso é muito importante nos esportes”.

https://twitter.com/rolandgarros/status/1401238994197823493

Psicóloga se junta ao time na próxima fase
Durante a primeira semana de Roland Garros, Swiatek não teve a companhia da psicóloga esportiva Daria Abramowicz. Ela deve se juntar ao time a partir das oitavas, ao lado do técnico Piotr Sierzputowski e do preparador físico Maciej Ryszczuk. Desta vez é diferente porque Daria não está no estádio. No momento, ainda estou encontrando minhas rotinas, porque na segunda semana ela vai estar aqui com a gente. Ela está comigo na maioria dos torneios e ela é o cérebro da nossa equipe. Acho que a química do nosso time fica melhor com dois meninos e duas meninas.

Estou fazendo as mesmas coisas, mas não é tão divertido. Tenho conversado mais com Piotr sobre táticas e outras coisas e fazendo todo o aquecimento e estou pronto. É basicamente o mesmo que em todos os torneios, mas agora é melhor porque eu conheço alguns lugares aqui onde eu posso descansar e ficar mais calma. Nos primeiros dois anos eu estava, eu ficava confusa, porque não sabia para onde ir. Agora eu me sinto em casa (sorrindo).

Com plena confiança em sua equipe, ela priorizou uma preparação focada em torneios grandes e acredita que teve sucesso na empreitada. “Na verdade, o meu treinador é que foi responsável por isso. E acho que ele está fazendo um ótimo trabalho com todo o planejamento do meu calendário”, disse Swiatek a TenisBrasil na coletiva pré-torneio. “No começo do ano eu estava me perguntando se seria uma boa ideia jogar torneios menores, apenas para sentir a confiança e sentir que eu poderia continuar vencendo. Afinal, só existe um vencedor no tênis, e mesmo que você alcance uma semifinal ou seja finalista, você acaba perdendo a última partida”.

“Então, eu estava conversando sobre isso com meu treinador e com a minha equipe, mas eles disseram que, da perspectiva deles, seria melhor que eu me concentrasse em torneios maiores.
“E foi muito bom, porque sinto que estou progredindo. Eu estou jogando contra as top 10 com mais frequência e posso realmente ter mais experiência e aprender mais, porque isso é o mais importante para mim agora. Preciso aprender a estar em diferentes situações na quadra para que eu possa ter mais experiência depois”.

Jogo duro com Kontaveit neste sábado

Em seu terceiro compromisso no torneio, Swiatek venceu a estoniana Anett Kontaveit por 7/6 (7-4) e 6/0 neste sábado. Diante de uma rival bastante agressiva, especialmente no início do jogo, a polonesa chegou a estar perdendo o primeiro set por 4/2, mas conseguiu reagir. “Acho que eu tive comecei um pouco abaixo, pensando não no primeiro set de um modo geral, mas game a game. Então, se eu não tivesse sofrido uma quebra no primeiro game, acho que o placar poderia ser diferente, a pontuação. Mas estou muito feliz por fazer um tiebreak consistente e liderar com bastante facilidade. Mas no segundo set, Anett cometeu mais erros, porque eu acho que ela estava arriscando muito, e no segundo set, seus golpes não estavam mais tão precisos. Ela
apenas cometeu muitos mais erros. Acho que foi um bom para mim recuar um pouco e reagir
mais rápido porque ela estava jogando muito rápido desde o começo”.

Eu estava apenas focada em quebrar o saque dela. E eu sabia que tinha recursos para fazer isso. Na verdade, ela fez três aces em um game. E com certeza seria impossível quebrá-la naquele momento. Mas eu sabia se eu colocasse boas devoluções e fizesse com que ela tivesse que se mover desde o início dos pontos, seria bom. Eu apenas me concentrei nisso e quebrei o saque dela.
Acho que jogamos uma vez no juvenil, mas não tenho certeza na verdade.

Duelo da nova geração nas oitavas de final
A próxima adversária de Swiatek será a ucraniana Marta Kostyuk, tenista de apenas 18 anos e 81ª do ranking. Elas nunca se enfrentaram pelo circuito profissional, mas já tiveram um duelo na época do juvenil, em 2017, com vitória da polonesa na Austrália. “Provavelmente foi no início da minha carreira juvenil. Mas realmente não tenho certeza. Na verdade, acabei de saber que vou jogar contra ela, então não estava realmente preparada para essa pergunta. Ainda não a vi jogar, porque estava apenas focada na minha partida contra Anett. Mas obviamente meu treinador fará um ótimo trabalho. Ele é muito bom nas tática, então estou me sentindo segura”.

Para Sinner, experiência com ídolos foi fundamental
Por Mario Sérgio Cruz
junho 4, 2021 às 5:52 pm

Sinner treinou com grandes nomes no início da carreira e diz que isso o ajudou a amadurecer (Foto: Nicolas Gouhier/FFT)

Com apenas 19 anos, Jannik Sinner já aparece bem posicionado no ranking e em condições de lutar por resultados expressivos no circuito. O jovem italiano está na terceira rodada de Roland Garros e tenta repetir a ótima campanha da última temporada, quando chegou às quartas. Já vencedor de dois títulos de ATP e finalista do Masters 1000 de Miami, o atual 19º do ranking teve seu início de carreira impulsionado pelas muitas oportunidades de torneios profissionais disputados na Itália, mas também pela experiência de treinar com ídolos do tênis, o que ele considera fundamental para ter evoluído tão rápido no circuito.

Sinner se acostumou a seguir os grandes nomes. Treinado pelo experiente técnico Riccardo Piatti, que já trabalhou com estrelas como Maria Sharapova e Novak Djokovic, o italiano teve a oportunidade de treinar e acompanhar alguns campeões. Ainda muito jovem, já havia treinado com Roger Federer e com a própria Sharapova. Já no início deste ano, durante o período da quarentena na Austrália, passou duas semanas treinando com Rafael Nadal em Adelaide antes do Australian Open.

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“Treinar com jogadores e atletas desse nível obviamente faz você crescer. Eu tive muita sorte por ter a oportunidade de treinar com Rafa por duas semanas e de ficar alguns torneios treinando com o Novak também”, disse Sinner a TenisBrasil, durante sua entrevista coletiva na última quinta-feira em Roland Garros. “Também tive o prazer de conhecer um pouco mais a Maria. Treinamos juntos às vezes e pude conhecer a personalidade dela também, o que é ótimo, especialmente para alguém de 18 anos na época. Isso faz você crescer um pouco mais rápido, eu diria. Fico muito feliz e honrado por ter chance de conhecê-los e às vezes de jogar com eles também, o que torna as coisas obviamente mais divertidas e agradáveis”.

Em recente entrevista ao site da ATP, Piatti também destacou a importância dessas experiências. “Não sou eu que iria explicar para ele as lições do circuito, mas sim pessoas como Nadal ou Maria. Ele precisava ver a mentalidade desses jogadores. Eles são simples e muito focados no que estão fazendo e Jannik gosta disso. Acho que aqueles 14 dias na Austrália foram perfeitos para Jannik, que conseguiu entender bem como funciona a cabeça do Rafa”.

Match-point salvo na estreia e ganho de confiança

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Sinner salvou match-point na estreia em Paris diante do francês Pierre-Hugues Herbert. Já na segunda rodada, venceu um duelo italiano contra Gianluca Mager por 6/1, 7/5, 3/6 e 6/3. Perguntado na coletiva após o jogo se o fato de ter escapado da derrota na estreia trouxe algum ganho de confiança, o jovem jogador prefere focar na melhora de seu nível de tênis.

“Quando você enfrenta um match-point, já sabe que se perder aquele ponto, volta para casa. Então é uma situação um pouco diferente. Talvez ‘impulso mental’ seja uma palavra um pouco grande, mas acho que meu nível do tênis cresceu desde a primeira rodada para a segunda. Eu continuo no torneio e estou tentando manter meu nível alto e tentando melhorar dia após dia, e então veremos o que vai acontecer contra o Ymer na terceira rodada”.

Duelo com Ymer na próxima rodada em Paris
O próximo jogo de Sinner será contra o sueco de 22 anos Mikael Ymer, 105º colocado. Eles já se enfrentaram duas vezes, com uma vitória para cada lado, e protagonizam o primeiro confronto no saibro. “Obviamente vai ser em um piso diferente. Já jogamos duas vezes na quadra dura e coberta. Na primeira rodada, ele também ganhou um jogo de cinco sets. Depois, ele ganhou do Monfils. É sempre difícil ganhar do Monfils aqui. Com certeza ele é muito consistente, é um jogador muito sólido, e que se move muito bem. Então, tenho certeza de que não vai ser um jogo fácil”, comenta o italiano, que perdeu o duelo mais recente, ano passado em Montpellier. “Na ultima vez que nos enfrentamos, eu perdi para ele. Estou muito ansioso para ver o que eu melhorei, o que ele melhorou e como vai ficar o nível do jogo”.

Três jovens na terceira rodada em Paris
Além de Sinner, outros dois jogadores com menos de 20 anos estão na terceira rodada de Roland Garros. Ele se junta ao também italiano de 19 anos Lorenzo Musetti e ao espanhol de 18 anos Carlos Alcaraz entre os representantes da nova geração na próxima fase em Paris. Musetti terá um duelo italiano contra Marco Cecchinato, enquanto Alcaraz enfrenta o alemão Jan-Lennard Struff. A última vez que o torneio teve três jogadores tão jovens nessa fase foi em 2001, com Roger Federer, Andy Roddick e Tommy Robredo.

Saída de Osaka reacende debate sobre saúde mental no tênis
Por Mario Sérgio Cruz
junho 1, 2021 às 2:31 pm
Osaka anunciou a desistência de Roland Garros por complicações relacionadas à sua saúde mental. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

Osaka anunciou a desistência de Roland Garros por complicações relacionadas à sua saúde mental. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

O anúncio da desistência de Naomi Osaka em Roland Garros e, mais importante, a afirmação de que a japonesa sofre com crises de depressão reacendem as discussões a respeito da saúde mental no tênis e no esporte de alto rendimento. Isso envolve não apenas o ambiente super competitivo do circuito, como também as obrigações a que as jogadoras são submetidas, especialmente as do top 10.

Osaka havia anunciado na quarta-feira passada que não participaria das entrevistas coletivas durante Roland Garros. No comunicado, dizia que o objetivo era preservar sua saúde mental. Ela se queixava de algumas perguntas que a faziam duvidar de si mesma e de seu potencial. Também afirma que o modelo utilizado pela organização dos torneios era arcaico e que aceitaria pagar eventuais multas que lhe fossem impostas. O tom da declaração acabou pegando mal também se considerado o fato de Osaka ser a atleta mais bem paga da atualidade.

“Muitas vezes senti que as pessoas não se importam com a saúde mental dos atletas e isso soa muito verdadeiro sempre que vejo uma coletiva de imprensa ou participo de uma”, divulgou Osaka, em suas redes sociais. “Frequentemente nos sentamos lá e recebemos perguntas que já foram feitas várias vezes antes ou perguntas que colocam dúvidas em nossas mentes e eu simplesmente não vou me sujeitar a pessoas que duvidam de mim. Assisti a muitos clipes de atletas arrasados na sala de imprensa depois de uma derrota e sei que vocês também”.

“Não dar entrevistas não é nada pessoal contra a organização do torneio ou contra alguns jornalistas, que já me entrevistaram desde que eu era jovem, e tenho um relacionamento amigável com a maioria deles. No entanto, se as organizações pensam que podem simplesmente continuar dizendo, “dê a entrevista ou você será multada”, e continuar a ignorar a saúde mental dos atletas que são a peça central de sua cooperação, então só tenho que rir”, acrescentou a japonesa. “Espero que o valor considerável que for multada por isso vá para uma instituição de caridade que cuide da saúde mental”.

A reação à notícia foi imediata. A falta de clareza em alguns pontos do anúncio acabou causando um efeito contrário sobre a japonesa de 23 anos. Se a ideia, inicialmente, seria se blindar de situações que tirassem seu foco do tênis, o teor do primeiro comunicado emitido por ela ampliou a repercussão do caso. Tanto é que Osaka chegou a entrar em contato com o diretor do torneio Guy Forget e com o presidente da Federação Francesa de Tênis, Gilles Moretton, reafirmando que não estava fazendo um ataque aos profissionais da imprensa ou à organização de Roland Garros e que se comprometeria a discutir o assunto com dirigentes após o torneio.

“A respeito da minha posição sobre as entrevistas durante Roland Garros eu gostaria de explicar que não tenho nada contra o torneio ou contra os profissionais de imprensa. Mas sim contra um sistema que obriga os jogadores a participarem de entrevistas coletivas em situações em que eles estão sofrendo por conta da saúde mental”, escreveu Osaka. “Acredito que esse modelo é arcaico e precisa de reformas. Depois do torneio, quero trabalhar junto com o circuito e com as entidades que comandam o esporte para pensar em uma melhor solução para mudar esse sistema. Infelizmente isso aconteceu durante Roland Garros, mas é apenas uma coincidência e não é nada pessoal. Tenho muito respeito pelo evento e agradeço a vocês pelos esforços por realizar a competição este ano”.

Dúvidas sobre o desempenho no saibro
A decisão foi motivada especialmente porque Osaka não se sentia confortável em responder perguntas sobre seu histórico negativo em competições no saibro. Vencedora de quatro Grand Slam, dois Australian Open e dois US Open, a atual número 2 do mundo jamais havia passado da terceira rodada de Roland Garros. No início do ano, logo após a conquista em Melbourne, ela e o treinador Wim Fissette afirmaram que tinham planos para reverter esse quadro e apresentar um bom tênis no piso.

“Ela é uma pessoa que se move naturalmente na quadra. Basta ver a maneira como ela se movimenta, a forma como ela gera potência e como ela pode construir os pontos. Há muitas coisas que me fazem acreditar que ela possa ter um bom desempenho no saibro. Mas ela precisa de jogos, de confiança nessas partidas e de um determinado plano de jogo”, relembra o treinador de 40 anos ao WTA Insider. “Se Naomi joga em quadra dura, tenta um winner de forehand e erra, ela pensa: ‘Ok, da próxima vez eu vou acertar’. Mas talvez nesses outros pisos ela pensará, ‘Oh, talvez eu devesse ter batido com um pouco mais de margem’ ou ‘talvez eu devesse ter feito isso’, então é fácil começar a duvidar”.

Acontece que Osaka desistiu de jogar em Stuttgart e perdeu cedo nos WTA 1000 de Madri e Roma. As dúvidas apareceram. Naquelas duas semanas, respondeu a uma série de perguntas sobre seu desempenho no saibro. As transcrições estão disponíveis na íntegra e é possível notar um tom respeitoso das duas partes. Mas apesar de a japonesa ter desenvolvido bem o assunto, ninguém está na pele ou na cabeça dela para saber o que ela realmente sentia enquanto respondia aos jornalistas.

“Não tenho certeza de como as outras jogadoras jogam, mas estou aprendendo que no saibro não posso me dar ao luxo de não rebater todas as bolas, porque isso automaticamente me tira do ataque e me coloca na defensiva”, analisou depois da derrota para Karolina Muchova em Madri. “E talvez se eu começar a me movimentar melhor eu possa arriscar começar a jogar na defesa, mas a partir de agora acho que devo ser agressiva. Quando eu estava jogando com ela no primeiro set, obviamente senti que estava me movendo de um lado para o outro, especialmente em certas bolas onde eu senti que poderia ter batido na bola um pouco mais forte. Talvez na quadra de saibro, claro que não sou uma jogadora especialista no piso, é um pouco mais importante bater na bola quando você pode”.

Outras jogadoras tiveram que comentar sobre assunto delicado
Outro efeito dentro do circuito aconteceu nas entrevistas coletivas anteriores ao torneio de Roland Garros. Jogadoras como a número 1 do mundo Ashleigh Barty e a atual campeã Iga Swiatek foram perguntadas sobre o relacionamento com a imprensa e sobre a situação de Osaka.

“Na minha opinião, falar com imprensa faz parte do trabalho. Nós sabemos disso quando nos tornamos jogadoras de tênis profissionais. Eu realmente não posso comentar sobre o que Naomi está sentindo ou as decisões que ela toma”, disse Barty, que chegou a treinar com Osaka durante Roland Garros. “Às vezes, as entrevistas são difíceis, mas também não é algo que me incomoda. Eu nunca tive problemas respondendo às perguntas ou sendo completamente honesta com vocês. Então eu tento deixar o clima mais leve e me divertir um pouco com vocês”, comenta a atual líder do ranking. “Para mim é um pouco diferente, mas não posso comentar sobre o que ela está passando. Então suponho devam perguntar isso para ela na próxima vez que conversarem com ela”.

“Falar com a imprensa depois de uma derrota não é a coisa mais agradável de se fazer. Mas é bom encontrar o equilíbrio. É bom estar ciente disso, porque às vezes estamos no centro das atenções e todos estão olhando para nós. Pode ser difícil, mas sinto que com o devido apoio, ainda é parte do nosso trabalho”, comentou Swiatek. “Eu sinto que a mídia também é muito importante porque vocês estão nos dando uma plataforma para falarmos sobre nossas vidas e nossa perspectiva. E também é importante porque nem todo mundo é um atleta profissional e nem todo mundo sabe com o que estamos lidando. É bom falar sobre isso”.

A polonesa de 20 anos também conta que aprendeu a conviver desde muito cedo com a expectativa de vinda da imprensa. “Desde que eu era muito nova, com 13 ou 14 anos, tínhamos alguns meios de comunicação poloneses que estavam sempre interessados em falar comigo. Passo a passo fui obtendo cada vez mais experiência e eu estava aprendendo a ter um bom relacionamento com a mídia. Acho que o processo deve ser o mesmo para todo jogador de tênis, porque quando você está entre três primeiros em seu país como um juvenil, provavelmente já começa a existir algumas expectativas de fora e você está apenas aprendendo a lidar com isso”.

Estreia em Paris, multa e ameaça de suspensão
Osaka estreou em Paris no domingo pela manhã, escalada para o jogo de abertura da quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo parisiense, e confirmou o favoritismo contra a romena Patricia Maria Tig, 63ª do ranking, por 6/3 e 7/6 (7-4) e só falou rapidamente, e visivelmente desconfortável, com ex-jogador francês Fabrice Santoro ainda na quadra.

Como já era esperado, ela não concedeu a entrevista coletiva obrigatória e foi multada em US$ 15 mil pela organização do torneio. É um procedimento padrão e já aconteceu com outros tenistas durante os Grand Slam, ainda mais depois de derrotas. No entanto, esse anúncio estava no meio de um longo comunicado emitido em nome dos quatro torneios do Grand Slam. A carta dizia que Osaka não respondeu às tentativas de contato e não teria colaborado com as formas de contornar a situação e encontrar uma solução mais viável para os dois lados.

“Após a falta de engajamento de Naomi Osaka, que hoje optou por não honrar suas obrigações contratuais com a mídia, o árbitro geral de Roland Garros, portanto, aplicou-lhe uma multa de US$ 15 mil, de acordo com o artigo III H. do Código de Conduta. O Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e o US Open escreveram em conjunto para ela para verificar seu bem-estar e oferecer apoio, sublinhar seu compromisso com o bem-estar de todos os atletas e sugerir diálogo sobre as questões. Ela também foi lembrada de suas obrigações, as consequências de não cumpri-las e que as regras devem ser aplicadas igualmente a todos os jogadores”, diz a nota oficial.

A japonesa foi ainda advertida de que novas violações ao código de conduta poderiam causar sanções mais graves, como a desclassificação do torneio e suspensão dos próximos torneios do Grand Slam. Tudo isso amparado por artigos do regulamento do Board dos Grand Slam. O comunicado ainda dizia que as regras devem ser igualmente aplicadas a todos no torneio, independentemente da estatura e dos feitos de cada jogador.

“Queremos sublinhar que existem regras para garantir que todos os jogadores sejam tratados exatamente da mesma forma, independentemente da sua estatura, crenças ou realizações. Como esporte, não há nada mais importante do que garantir que nenhum jogador tenha uma vantagem injusta sobre outro”, acrescenta o comunicado. “Todos os Grand Slams permanecem comprometidos em revisar e discutir continuamente as oportunidades, junto com os circuitos e com os jogadores, para melhorar todos os aspectos da experiência do atleta, incluindo a relação com a mídia. Mas consideramos que isso só é alcançado por meio de discussões respeitosas e construtivas”.

Declarações da irmã tornaram a situação ainda mais grave
Já no final do domingo, com a rodada encerrada em Paris, a polêmica ganhou mais um capítulo. Mari Osaka, irmã mais velha de Naomi e ex-tenista profissional, publicou na rede social Reddit algumas explicações sobre a decisão da jogadora. Mari confirmou que o motivo da recusa a participar de entrevistas coletivas eram os questionamentos sobre o desempenho de Osaka no saibro e que isso teria abalado sua confiança antes de Roland Garros. Diante desse cenário, a decisão foi se blindar ao máximo desse tipo de situação. Mas cabe a interpretação se ela não estaria atribuindo só à imprensa a pressão que sofria a partir de diversas fontes, inclusive da própria família.

“Naomi mencionou para mim antes do torneio que um membro da família veio até ela e comentou que ela é péssima no saibro. Em cada entrevista coletiva, ela é lembrada que tem um histórico ruim no saibro. Quando ela perdeu na primeira rodada em Roma, não estava bem mentalmente. Sua confiança foi completamente abalada e eu acho que as observações e opiniões de todos subiram à sua cabeça e ela mesma acreditava que era péssima no saibro. Isso não é verdade e ela sabe que, para se sair bem e ter uma chance de ganhar Roland Garros, ela terá que acreditar que pode. Esse é o primeiro passo que qualquer atleta precisa fazer, acreditar em si mesmo”, comenta a ex-jogadora profissional.

“Portanto, sua solução foi bloquear tudo. Nada de falar com pessoas que vão colocar dúvidas em sua mente. Ela está protegendo sua mente, por isso que falou em ‘saúde mental’. Muitas pessoas são exigentes com este termo pensando que você precisa ter depressão ou algum tipo de transtorno para poder usar o termo saúde mental”, acrescentou Mari, argumentando a escolha pelo termo utilizado pela irmã mais nova.

Mari Osaka, que encerrou sua carreira profissional no início da temporada aos 24 anos, apagou a publicação horas depois e ainda se disse triste por sentir que havia piorado ainda mais a situação ao expor ainda mais a irmã. O depoimento reforçava a tese de que a recusa a participar de entrevistas poderia ser visto como algo estratégico e que afetaria o âmbito esportivo da competição, visto que as demais jogadoras continuavam dando entrevistas e comentando sobre um assunto que é delicado.

Desistência, depressão e pedidos de desculpa
Em meio a toda ebulição do assunto, coube a Naomi Osaka colocar um ponto final na discussão na última segunda-feira. Com um novo comunicado, em linguagem mais clara e franca, anunciou que estava desistindo de Roland Garros para que o mundo do tênis pudesse se concentrar apenas no que acontece em quadra. Confirmou que sofre com a depressão, algo que havia sido negado pela irmã no dia anterior, desde a conquista de seu primeiro Grand Slam no US Open. Também pediu desculpas aos profissionais da imprensa, especialmente os de veículos especializados em tênis e que acompanham sua carreira há mais tempo, e à organização do torneio. Comprometeu-se novamente a discutir o assunto com dirigentes do tênis para tornar o ambiente do circuito mais saudável para jogadores, imprensa e fãs.

“Acho que a melhor coisa a fazer é desistir do torneio, assim todo mundo pode voltar a focar no tênis. Eu nunca quis ser uma distração e aceito que a minha mensagem poderia ter sido mais clara. Mais importante, eu nunca exagerei em usar termo ‘saúde mental’. A verdade é que eu tenho sofrido com longas crises de depressão desde o US Open de 2018 e tive muita dificuldade para lidar com isso”.

“Os jornalistas que cobrem tênis sempre foram educados comigo e eu gostaria de pedir desculpas a todos os bons jornalistas que eu possa ter machucado. Eu não sou uma pessoa que gosta de falar em público e fico muito ansiosa quando tenho que falar com a imprensa internacional. Eu fico muito nervosa e estressada enquanto tento dar as melhores respostas possíveis”.

“Então aqui em Paris, eu estava me sentindo muito ansiosa e vulnerável e pensei que a melhor forma de cuidar de mim seria não participar das entrevistas coletivas. Eu anunciei isso com antecedência, porque acredito que as regras estão datadas e que precisamos chamar atenção para isso. De forma particular, eu peço desculpas para a organização do torneio e disse que gostaria de conversar com eles depois do torneio, já que o ambiente dos Grand Slam é muito intenso”.

Mesmo com alguns recentes avanços conquistados pelo Conselho das Jogadoras nos últimos anos, o regulamento da WTA exige grande comprometimento das jogadoras, especialmente para as top 10, que precisam estar em praticamente todos os grandes eventos do calendário. Quem não cumpre, arca com a pontuação zerada naquele evento, e não pode substituí-la por outro torneio de sua preferência. Já quem segue a agenda à risca é recompensada financeiramente pela entidade, a meu ver, uma ideia melhor do que multar aquelas que não possam cumprir esses requisitos. Jogadoras com mais de 34 anos ficam isentas de algumas dessas obrigações.

Thiem e Gauff já sofreram com a saúde mental
Osaka não é a única tenista a sofrer com problemas relacionados à saúde mental na atualidade. No mês de abril, o austríaco Dominic Thiem falou ao jornal Der Standard sobre a dificuldade para estabelecer novas metas depois de ter conquistado o US Open do ano passado. “Quando você passa a vida inteira perseguindo um objetivo e condiciona tudo para isso, as coisas deixam de ser as mesmas depois que você atinge essa meta. Isto é normal. O problema é que no tênis tudo passa muito rápido e não desacelera. Quando ganhei o US Open, estava eufórico. Os resultados continuaram bons, e eu cheguei à decisão do ATP Finals. Mas na minha preparação para esta temporada, caí em um buraco. Veremos se consigo sair. Não sei, espero que sim”.

A promessa norte-americana Coco Gauff, de apenas 17 anos e já 25ª do ranking, falou no ano passado ao podcast Behind the Racquet que tinha dúvidas se queria seguir jogando tênis. “Entre 2017 e 2018, eu estava tentando descobrir se era realmente isso que eu queria. Sempre tive bons resultados, então não era esse o problema. Eu simplesmente sentia que não estava mais gostando do esporte. Lembro de acordar e não querer treinar”, relatou. “Por cerca de um ano fiquei realmente deprimida. Quando você está nessa situação, não vê o lado positivo das coisas com muita frequência. Mas eu saí disso mais forte e me conhecendo melhor do que nunca”.

O assunto repercutiu tão negativamente que os pais da jogadora tiveram que vir a público e negaram que ela tenha sido diagnosticada com depressão, como a publicação dava a entender. Em entrevista por telefone para o New York Times, o pai Corey Gauff, disse que a palavra depressão não era a mais adequada para descrever os problemas emocionais de sua filha. “Eu sabia que essa seria a palavra escolhida, mas ela nunca esteve clinicamente deprimida, nunca foi diagnosticada com depressão, nunca ouviu alguém falar que ela tinha depressão e nem toma remédios para isso”, afirmou. “Isso é apenas a pressão pessoal que uma criança exerce sobre si mesma conforme amadurece”.

A mãe, Candi, explicou que o período de instabilidade emocional da filha começou quando ela tinha apenas 13 anos e perdeu a final do torneio juvenil do US Open de 2017. Na época, Gauff enfrentava adversárias até cinco anos mais velhas e se sentia isolada, porque as outras meninas não aceitavam perder para alguém tão nova. “Ela sentia muita solidão nos torneios, o que leva à tristeza, e por um período de tempo ela ficou infeliz. Não quero dizer a palavra ‘ciúme’, mas havia um espírito de ‘Por que essa menina está ganhando?’ Então ela ficava isolada”.

Apoio de Serena e o futuro de Osaka
Serena Williams, uma das principais fontes de inspiração para a japonesa, também se manifestou, prestando apoio e solidariedade. Disse ainda que já esteve nessa situação, mas que cada pessoa lida com isso de forma diferente. “A única coisa que eu posso dizer é que eu sinto muito pela Naomi e gostaria de poder dar um abraço nela, porque eu sei como é. Já estive nessa situação. Temos personalidades diferentes e somos pessoas diferentes. Nem todos são iguais. E cada pessoa lida com as coisas de forma diferente. Temos que deixá-la lidar com isso da maneira que ela quiser, da melhor maneira como ela pensa que pode. É a única coisa eu posso dizer. Acho que ela está fazendo o melhor que pode”, disse Serena na última segunda-feira.

“Eu também estive nessa posição. E tive oportunidades de falar com as pessoas, e meio que tirar do meu peito as coisas que não posso necessariamente falar com ninguém da minha família ou com alguém que eu conheço. Para mim é importante ter consciência e dar esse passo. Sei que é muito difícil passar por esses momentos, mas isso me fez mais forte”, acrescenta a experiente jogadora de 39 anos.

O presidente da Federação Francesa também se manifestou: “Em primeiro lugar, sentimos muito e estamos tristes por Naomi Osaka. Sua saída do torneio de Roland Garros é lamentável. Desejamos a ela o melhor, a mais rápida recuperação possível e esperamos tê-la em nosso torneio no próximo ano”, disse Moretton. O dirigente também afirma que os órgãos de controle do tênis vão discutir meios de tornar o ambiente do circuito mais saudável para os atletas e demais profissionais envolvidos. “Como todos os Grand Slam, assim como a WTA, a ATP e a ITF, continuamos muito comprometidos com o bem-estar de todos os atletas e em melhorar continuamente todos os aspectos da experiência dos jogadores em nosso torneio, incluindo o trabalho com a mídia, como sempre nos esforçamos para fazer” .

Osaka segue inscrita para jogar na grama de Berlim daqui a duas semanas, e depois em Wimbledon. Seu calendário no segundo semestre também prevê os Jogos Olímpicos de Tóquio e a disputa do US Open. Mas a princípio, a japonesa diz que quer passar um tempo fora das quadras e dos holofotes. “Vou passar um tempo fora das quadras agora, mas quando for a hora certa, eu gostaria de discutir maneiras de tornar as coisas melhores para as jogadores, para a imprensa e para os fãs. Espero que todos estejam bem e seguros. Amo a todos vocês”.

Por ora, o mais importante é que receba todo o apoio que for possível e necessário para suportar essa situação e se sentir amparada. Um dia ela vai voltar às quadras, jogar seu ótimo tênis, e expor suas posições com mais segurança. Cabe a todos nós no momento respeitarmos o tempo dela.