Monthly Archives: março 2021

Suíço de 18 anos conquista seu primeiro challenger
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2021 às 4:21 pm

Dominic Stricker foi campeão juvenil de Roland Garros no ano passado e disputava apenas o segundo challenger da carreira

Cerca de seis meses depois de ser campeão do torneio juvenil de Roland Garros, o suíço Dominic Stricker conseguiu um grande resultado como profissional. Ele conquistou seu primeiro título de challenger, nas quadras duras e cobertas de Lugano, em seu país natal. Convidado para o torneio, ele venceu cinco jogos seguidos, superando na final o ucraniano Vitaliy Sachko, 389º colocado, por 6/4 e 6/2

Aos 18 anos e sete meses, Stricker junta-se Roger Federer e Stan Wawrinka entre os suíços mais jovens a vencerem torneios deste porte. Federer foi campeão do challenger francês de Brest em 1999, aos 18 anos e dois meses. Já Wawrinka conquistou dois torneios com 18 anos e 4 meses na temporada de 2003, em San Benedetto, na Itália e Genebra, na Suíça.

Suíço vai saltar mais de 400 posições
A campanha marcou outras façanhas para Stricker. O atual 874º do ranking é o jogador com ranking mais fraco a vencer um challenger desde 2000. Ele deve saltar mais de 400 posições quando o ranking for atualizado na próxima segunda-feira. Além disso, salvou dois match points nas oitavas de final, diante do holandês Tim Van Rijthoven, e também eliminou o cabeça 1 japonês Yuichi Sugita na semi. Este foi apenas o segundo challenger que o suíço disputa na carreira profissional

“É incrível ganhar meu primeiro Challenger e ainda melhor por ser aqui na Suíça. Estou muito orgulhoso do que fiz esta semana e ansioso pelos meus próximos torneios”, disse Stricker ao site da ATP. Ele comparou o ambiente e o nível de competição dos challengers com o que estava acostumado a ver no circuito juvenil. “Cada jogador em cada rodada é incrível e foi difícil jogar no mais alto nível em todas as partidas. No juvenil, às vezes você tem partidas fáceis, mas não aqui no challenger. Você apenas tem que se esforçar ao máximo em cada partida”.

Pré-temporada com Federer ajudou 

Stricker treinou recentemente com Roger Federer e tirou boas lições do campeão de 20 títulos de Grand Slam. “Foi uma sensação incrível treinar com ele por três semanas na pré-temporada e eu aprendi muito. Foi uma sensação incrível”, afirmou o jovem suíço. “A maior lição foi continuar trabalhando no meu saque. Acho que saquei muito bem aqui, fiz muitos aces e tive um alto aproveitamento no primeiro saque. Vou continuar trabalhando nisso, porque realmente me ajuda muito”.

O jovem suíço também comentou sobre suas metas para o restante da temporada. “Claro que isso me dá confiança. Vou continuar trabalhando em mim e no meu jogo, e tentar ganhar o máximo de partidas possível. Vou tentar o meu melhor para chegar à qualificação do Grand Slam o mais rápido possível”.

Pucinelli celebra a boa fase e destaca amadurecimento
Por Mario Sérgio Cruz
março 23, 2021 às 6:27 pm

Matheus Pucinelli venceu nove dos últimos dez jogos que disputou em torneios de nível ITF na Turquia (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de disputar oito torneios ITF M15 no saibro de saibro de Antalya, na Turquia, e de conquistar seu primeiro título como profissional há nove dias, Matheus Pucinelli está de volta ao Brasil. O jovem paulista de 19 anos vive seu melhor momento no circuito, com nove vitórias nos últimos dez jogos e duas finais seguidas nas últimas semanas. Ele ganhou 55 posições no ranking da última segunda-feira e assumiu o 620º lugar, melhor marca da careira, e deve subir ainda mais na semana que vem, já que tem seis pontos na ATP a receber.

Pucinelli acredita que a série de torneios foi de fundamental importância para seu amadurecimento dentro e fora de quadra. Em meio às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, ele teve que ir à Turquia sem a companhia de seu técnico, Luis Fabiano Ferreira. Nas quatro primeiras semanas, não conseguiu passar pelos qualificatórios dos torneios, com três rodadas cada um. “Meu treinador não conseguiu vir. Tive as quatro primeiras semanas difíceis, sem conseguir passar os qualis. Mas consegui trabalhar bem e fui melhorando um pouco a cada dia até me sentir realmente bem”, disse ao TenisBrasil.

Os resultados na quinta semana de Pucinelli na Turquia o fizeram acreditar que a situação seria diferente nos demais torneios. O paulista conseguiu passar pelo quali de três rodadas e estreou na chave principal vencendo um duelo nacional contra o pernambucano João Lucas Reis, que é seu parceiro de treinos. Nas oitavas, equilibrou as ações contra o ucraniano Oleksii Krutykh, que terminaria a semana como finalista. “O momento que eu senti que o meu jogo encaixou foi quando eu passei do quali e ganhei meu primeiro jogo na chave, contra o João, que treina comigo. Depois nas oitavas, eu tive o primeiro set na mão e o jogo estava dominado, mas acabei me perdendo. Aí eu comecei a enxergar que eu estava com o jogo na mão contra um cara que depois chegou à final do torneio e vi que o meu nível estava alto e subindo”, avaliou o jogador de 19 anos e campeão juvenil de duplas em Roland Garros na temporada de 2019.  

Quando ainda disputava o circuito juvenil, Pucinelli se sentia mais confortável em quadras mais rápidas. Com o tempo, ele vem se adaptando melhor ao saibro e conquistando melhores resultados também neste piso. A série começou no challenger de São Paulo, disputado em novembro do ano passado, no Clube Hípico Santo Amaro. Na ocasião, ele foi desde o quali até as quartas de final e saltou do 936º para o 669º lugar do ranking. “Estou começando a enxergar melhor o jogo, jogar melhor taticamente e sabendo usar as partes específicas do saibro ao meu favor”.

O salto no ranking vai possibilitar que ele entre diretamente nas chaves de mais torneios do circuito da ITF e ter uma melhor definição, apesar do momento de restrições a viagens internacionais que já estão afetando alguns tenistas. “Nesses qualis de 64, que eu vinha jogando aqui, eu precisava de três vitórias para entrar na chave. Então já é um desgaste mental e físico”, avaliou Pucinelli. “Vamos ver se com o meu ranking eu já consigo entrar na maioria das chaves. Acho que vai ajudar bastante”. O jovem tenista deve disputar dois torneios na Argentina nas próximas semanas e depois retorna ao Brasil para treinamento, enquanto acompanha a situação da Covid-19 para poder viajar novamente.

Confira a entrevista com Matheus Pucinelli.

Qual avaliação que você faz dessas semanas na Turquia, especialmente com essas duas últimas com um título e um vice-campeonato?
Acho que essa gira aqui na Turquia foi bem produtiva. Tanto pelos resultados expressivos que eu tive nessas duas últimas semanas, quanto pelo amadurecimento mental. Foi a minha primeira gira sozinho, sem treinador. A gente teve alguns problemas de fronteira, que acabou fechando para quem vinha do Brasil. Meu treinador não conseguiu vir. Tive as quatro primeiras semanas bem difíceis, sem conseguir passar dos qualis, que estavam duros. Mas consegui trabalhar bem e fui melhorando um pouco a cada dia, até me sentir realmente bem em quadra.

Como foi para manter a rotina nessas semanas. Foi mais batendo bola com o João mesmo e trocando mensagens com o técnico?
Sobre manter a rotina. Fiz alguns treinos com o João, mas sempre tentando trocar e arrumar outros parceiros entre os caras do torneio, porque já estou acostumado a treinar com o João. E fui trocando mensagens com o treinador e o preparador físico para manter essa rotina bem organizada.

Em que momento você sentiu que o seu jogo encaixou lá e você começou a vencer várias partidas seguidas? Teve algum jogo específico?
O momento que eu senti que o meu jogo encaixou foi na quinta semana, quando eu passei do quali e ganhei meu primeiro jogo na chave, contra o João, que treina comigo. Sabia que era um jogo duro. Depois nas oitavas, eu tive o primeiro set na mão, o jogo estava dominado para eu ir às quadras, mas acabei me perdendo. Logo depois aquele cara chegou à final, jogando muito bem naquela semana.

Aí eu comecei a enxergar que eu estava com o jogo na mão contra um cara que depois chegou à final do torneio e vi que o meu nível estava alto e subindo. Eu tinha encaixado quatro bons jogos na semana, três no quali e um na chave, e fiz mais um jogo duro. Então eu comecei a me sentir melhor. E na semana seguinte foi progredindo.

Você já comentou algumas vezes que prefere as quadras mais rápidas. Mas pensando no saibro, em que você acha que mais evoluiu?
Sim, eu prefiro. Mas vamos dizer que hoje eu estou dividido. Estou mais meio a meio entre saibro e rápida. Eu tive ali no final do ano passado um resultado no saibro no challenger de São Paulo, então venho me sentindo confortável e confiante para jogar no saibro. Acho que o meu jogo encaixa bem tanto para o saibro quanto para a rápida. E venho me sentindo cada vez mais confortável. Estou começando a enxergar melhor o jogo, jogar melhor taticamente, e sabendo usar as partes específicas do saibro ao meu favor.

O quanto vai ser importante não precisar jogar tantos qualis, muitas vezes com três rodadas, agora que você vai dar esse salto no ranking? Imagino que seja ótimo até para ter alguns dias a mais de preparação e chegar mais inteiro nas fases finais.
Com certeza, essa parte de não ter que jogar os qualis ajuda bastante. Nesses qualis de 64, que eu vinha jogando aqui, eu precisava de três vitórias para entrar na chave. Então já é um desgaste mental e físico. E depois, para avançar na chave, você tem que fazer mais cinco jogos até ser campeão. Vamos ver se com o meu ranking eu já consigo entrar na maioria das chaves. Acho que vai ajudar bastante para poder avançar.

É um pouco difícil definir o calendário agora por causa das restrições, mas você tem uma definição de quais serão seus próximos torneios?
Sobre o meu calendário, está difícil mesmo, como você falou. O que eu sei é que nessa semana eu não jogo, mas na próxima eu vou jogar em Villa Maria, na Argentina. E depois, em Córdoba. Aí depois, a programação é treinar duas ou três semanas no Brasil e ver como está a situação da Covid para tentar viajar para algum lugar. Talvez para a Europa ou para o Egito. São as opções que nós temos no momento. 

Restrições afetam juvenis brasileiros na Colômbia
Por Mario Sérgio Cruz
março 17, 2021 às 8:54 pm

O mineiro João Victor Loureiro seria o principal cabeça de chave do torneio na Colômbia (Foto: Luiz Cândido/CBT)

As restrições para viagens internacionais afetaram dois jovens tenistas brasileiros. O mineiro João Victor Loureiro e o gaúcho Lorenzo Esquici disputariam nesta semana a Copa Barranquilla, torneio ITF J1 do circuito juvenil da Federação Internacional, em quadras de piso duro, mas não puderam competir na Colômbia.

Desde a descoberta de uma nova variante do coronavírus em janeiro, a Colômbia suspendeu voos vindos do Brasil, como tentativa de controlar o avanço da Covid-19 em seu território, mas quem tem residência lá ou chegava de outros países eventualmente conseguia a liberação. As medidas de restrição já haviam impactado no esporte brasileiro. Em fevereiro, a seleção masculina de basquete foi impedida de entrar no país para a disputa de duas rodadas das eliminatórias da AmeriCup, a Copa América da modalidade.

Loureiro, de 17 anos e 33º colocado no ranking mundial da categoria, seria o principal cabeça de chave do torneio desta semana e estrearia contra o norte-americano Timothy Phung. Seu lugar na chave foi ocupado pelo também norte-americano Nicolas Pinzon Moreno, que perdeu para Phung por 6/2 e 6/3.

O mineiro, que treina no Itamirim Clube de Campo de Itajaí (SC), estava inscrito para o Sul-Americano Individual na cidade de Armênia, também na Colômbia, na semana que vem. No entanto, já desistiu da competição que acontece na próxima semana em quadras de saibro.

Na mesma situação está Lorenzo Esquici, também de 17 anos e atual 158º colocado no ranking. Sua estreia seria contra o colombiano Marcelo Marino Hidalgo. Quem entrou no lugar foi o norte-americano Alvaro Pedraza Garcia, que venceu o jogo por 6/4 e 6/2. O atleta que treina na Tennis Route, no Rio de Janeiro, também não poderá jogar na semana que vem e falou ao TenisBrasil sobre a situação.

“Nós decidimos ir de última hora ir para esses torneios na Colômbia, porque a princípio não poderia entrar ninguém vindo do Brasil. Mas se algum brasileiro chegasse lá vindo de outros países, como a gente que estava saindo do Chile, talvez desse certo”, afirmou Esquici, que é nascido em Porto Alegre, mas tem família no Mato Grosso e jogava por Santa Catarina nos torneios juvenis.

“Mas chegando no aeroporto, uma mulher já me barrou no check-in. Ela me perguntou se eu tinha um visto ou se era residente na Colômbia, aí eu falei que não. Eu não tinha nada disso. Então eu não podia embarcar no voo e eu voltei no mesmo dia”, acrescenta o jovem tenista que está em seu último ano no circuito juvenil. Ele retomou a rotina de treinos no Rio de Janeiro e pretende voltar ao circuito em abril, disputando dois torneios ITF J3 na Costa Rica.

Colômbia recebe mais um torneio na semana que vem
Seis tenistas juvenis brasileiros estão inscritos para jogar em Armênia na próxima semana: A lista masculina conta com Rodrigo Braunstein e Pedro Savelli Cardoso, enquanto Priscila Janikian, Juliana Munhoz, Carolina Laydner e Luana Avelar estão inscritas no feminino. A única brasileira que conseguiu jogar em Barranquilla foi Luana Avelar, superada na estreia pela boliviana Maria Olivia Castedo por 6/4 e 6/2.

O torneio da próxima semana é um ITF JB1, exclusivo para tenistas sul-americanos. O título dá 300 pontos no ranking mundial da categoria e costuma impulsionar os jogadores do continente na busca por vagas nos grandes torneios na Europa, especialmente Roland Garros. Alguns brasileiros já venceram a competição nos últimos anos, como Thiago Wild, Felipe Meligeni Alves, Gilbert Klier Júnior e o atual campeão Gustavo Heide. O torneio, inclusive, já foi disputado algumas vezes em solo nacional, tendo passado recentemente por São Paulo e Brasília. “Acho uma sacanagem que vai ter um JB1 só para os sul-americanos, mas os brasileiros não vão poder jogar”, afirmou Esquici. “Mas não podemos fazer nada. Que pena”.

Bellucci e Carol Meligeni já tiveram problemas
Recentemente dois profissionais do tênis brasileiro relataram ter dificuldades para viajar para a disputa de torneios. A primeira foi Carolina Meligeni Alves, que estava jogando na África do Sul e não pôde embarcar para os Estados Unidos, apesar de estar inscrita para dois torneios. A tenista de 24 anos apresentou na Etiópia toda a documentação solicitada pelo governo norte-americano para entrada no país e, mesmo assim, foi impedida de seguir viagem. Semanas depois, foi a vez de Thomaz Bellucci afirmar que ficou quase dois meses longe do circuito por causa das restrições para viagens.

Título faz Tauson saltar 43 posições e chegar ao top 100 aos 18 anos
Por Mario Sérgio Cruz
março 8, 2021 às 5:10 pm

Tauson venceu sete jogos seguidos no WTA de Lyon e assumiu o 96º lugar do ranking (Foto: Open 6ème Sens – Métropole de Lyon)

Um dia depois de conquistar seu primeiro título na elite do circuito, a dinamarquesa de 18 anos Clara Tauson deu um salto no ranking mundial. Campeã do WTA 250 de Lyon, depois de superar a suíça Viktorija Golubic na final por 6/4 e 6/1, Tauson saltou 43 posições no ranking e debutou no top 100, aparecendo no 96º lugar. Tauson teve uma semana espetacular nas quadras duras e cobertas em Lyon, já que veio do quali e venceu sete jogos seguidos no caminho para o título, sem perder um set sequer.

“Acho que joguei agressivamente e fiz o meu jogo, embora tenha errado algumas bolas”, disse Tauson, após sua vitória por 6/4 e 6/1 sobre Golubic. “Eu realmente não pensei muito em ganhar ou perder, pensei em fazer meu jogo e apenas disputar um ponto de cada vez. Isso me ajudou muito. Acho que tenho sido muito sólida nessa semana, especialmente depois dos primeiros sets, e me saí bem em todas as partidas. Foi uma semana estranha. Normalmente eu tenho alguns problemas, mas não tive nenhum deles esta semana, então estou muito feliz com isso”.

Muita diferença entre os torneios da WTA e ITF

Com rápida evolução na carreira, a dinamarquesa também já tem oito títulos no circuito profissional da Federação Internacional de Tênis (ITF), sendo dois deles só no início deste ano. “Joguei muitos torneios de 25 mil este ano, mas você não ganha muitos pontos com eles, mesmo que seja campeã. Ganhei dois este ano [em Fujairah e Altenkirchen], mas ainda estou desenvolvendo meu jogo e ainda sou muito jovem. Então realmente quero ter a experiência de enfrentar adversárias desse nível. Eu amo jogar contra as melhores. É onde eu quero estar”, disse em entrevista ao site da WTA.

A jovem tenista é bastante ciente da diferença de nível das adversárias entre os torneios menores e os da elite do circuito. “Existe uma lacuna entre os torneios de 25 mil e aqui. Se o seu nível cai 5 ou 10 por cento, você já perde dois ou três games. E nos ITF você talvez consiga alguns pontos fáceis. Portanto, é bom para a minha concentração jogar mais partidas como as dessa semana. Preciso melhorar minha concentração para quando estiver jogando torneios desse nível o tempo todo”.

Respeito e admiração por Kvitova, Halep e Wozniacki
Ao longo da semana em Lyon, Tauson superou várias jogadoras experientes, como a italiana Camila Giorgi, a húngara Timea Babos e a russa Ekaterina Alexandrova, principal cabeça de chave do torneio e número 33 do mundo. Ela vinha de uma semifinal complicada contra espanhola Paula Badosa, 73ª do ranking, em que teve que lidar com uma arbitragem polêmica com algumas oportunidades perdidas no set inicial.

Agora mais presente nos eventos da elite do circuito, Tauson espera poder enfrentar as principais estrelas do circuito, em especial a tcheca Petra Kvitova, sua favorita. “Quero jogar contra a [Simona] Halep um dia. Ela é uma grande campeã, ela joga 100 por cento em todos os torneios que disputa e não importa o placar. E contra a [Petra] Kvitova também, porque adoro vê-la jogar. Eu quero sentir como suas bolas estão vindo, porque ela bate muito forte na bola e eu quero jogar como ela.

“Gosto de entrar mais na quadra e finalizar pontos na rede se tiver oportunidade, mas é muito difícil fazer isso contra as jogadoras da WTA porque elas jogam muito bem. Eu gostaria de ser o tipo de jogadora que saca muito bem, como é a Kvitova. Ela não tem medo de bater na bola. Eu realmente acho que posso ser esse tipo de jogadora”, acrescenta a dinamarquesa.

Tauson também recoloca a Dinamarca na primeira página do ranking pouco mais de um ano depois da aposentadoria da ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki, ainda aos 29 anos. Durante toda a carreira de Wozniacki, ela nunca teve a companhia de outra dinamarquesa no top 100 do ranking mundial. “Joguei dois ou três torneios onde ela estava e conversamos, mas hoje ela mora nos Estados Unidos, então não temos como treinar juntas. Ela foi a única na Dinamarca que realmente chegou ao topo, então foi uma jogadora importante, é claro, mas nós crescemos em duas épocas diferentes”.

Mudanças no ranking da WTA
Finalista em Lyon, a experiente Viktorija Golubic ganhou 28 posições e aparece no 102º lugar do ranking. A suíça tem 28 anos e já foi 51ª do mundo em 2017. Já a espanhola de 23 anos Paula Badosa, semifinalista do torneio, ganhou quatro posições e assumiu o 69º lugar. Outras tenistas que subiram no ranking da WTA foram a norte-americana de 27 anos Jessica Pegula, semifinalista no WTA 500 de Doha, que ganhou oito posições para chegar ao 36º lugar, e também a francesa de 23 anos Fiona Ferro, que ultrapassou sete jogadoras com a semi em Lyon e agora é a 39ª do mundo.

Boscardin tem 60% das vitórias brasileiras nos principais torneios juvenis
Por Mario Sérgio Cruz
março 5, 2021 às 9:47 pm

Boscardin disputou duas semifinais seguidas nos torneios juvenis da ITF no Brasil (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Com o fim dos dois principais torneios infanto-juvenis em solo brasileiro, o catarinense Pedro Boscardin foi o destaque entre os atletas nacionais que disputaram a Brasil Juniors Cup em Porto Alegre (RS) e o Banana Bowl em Criciúma (SC). O catarinense de 18 anos e número 9 no ranking mundial da categoria atingiu duas semifinais seguidas e foi responsável por 60% das vitórias brasileiras nas chaves principais de simples de 18 anos.

Brasil Juniors Cup, 18 anos
Boscardin foi um dos sete atletas nacionais na chave masculina da Brasil Juniors Cup, torneio ITF J1 na semana passada e conseguiu três vitórias, sobre o eslovaco Peter Benjamin Privara e os norte-americanos Victor Lilov e Alexander Bernard. Ele caiu na semifinal para o sueco Leo Borg, que terminou o torneio como campeão.

O paranaense de 16 anos João Schiessl venceu jogos no Banana Bowl e em Porto Alegre e dará um salto no ranking (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Além dele, outros dois brasileiros passaram pela primeira rodada, o mineiro João Victor Loureiro (36º do ranking) venceu o o paraguaio Adolfo Vallejo. Já o convidado paranaense de 16 anos João Schiessl conseguiu superar o português Miguel Gomes em sua estreia na capital gaúcha e saltou 49 posições no ranking para assumir o 141º lugar do ranking.

A chave masculina ainda teve Pedro Sasso, Murilo Antunes, Victor Tosetto e Lorenzo Esquici. Entre eles, Tosetto entrou diretamente e foi superado pelo norte-americano Alexander Bernard (cabeça 4) e os demais receberam convites. No feminino, as brasileiras só entraram na chave por convite e não conseguiram vitórias. Marjorie Souza e Juliana Munhoz tiveram o azar de enfrentarem as principais favoritas, a húngara Natalia Szabanin e a russa Diana Shnaider. Camilla Bossi e Priscila Janikian também caíram na estreia.

Banana Bowl, 18 anos
Já no Banana Bowl, torneio ITF JA, Boscardin também venceu três jogos. Ele estreou superando o sérvio Veljko Krstic, e depois passou pelo norte-americano Victor Lilov e pelo equatoriano Alvaro Guillen Meza. O catarinense foi superado em uma semifinal equilibrada pelo português Miguel Gomes, com parciais de 6/4, 2/6 e 14-12. Por conta das medidas sanitárias de controle da pandemia no estado de Santa Catarina, o Banana Bowl foi bem mais curto que o habitual, com quali na segunda e terça. Boscardin fez duas partidas na quarta-feira e mais duas na quinta.

Além de Boscardin, as outras duas vitórias brasileiras vieram com João Schiessl, que deve subir mais ainda no ranking da semana que vem após a vitória sobre o paraguaio Adolfo Vallejo, e com a paulista de 16 anos Ana Candiotto, que venceu a peruana Daianne Hayashida. Única atleta nacional a superar a rodada de estreia no Banana Bowl, Candiotto é apenas a 364ª do ranking, mas já teve a oportunidade de atuar no torneio juvenil de Roland Garros no ano passado depois de vencer uma seletiva da CBT e superar uma rival mexicana em Paris.

A chave masculina ainda teve Joao Victor Loureiro, que perdeu para o chinês Juncheng Shang (campeão do torneio), além dos convidados Lorenzo Esquici e Gabriel Generoso. Já no feminino, Juliana Munhoz, Carolina Xavier Laydner e Priscila Janikian também receberam convites e caíram na primiera fase.

Títulos na categoria 16 anos do Banana Bowl

https://twitter.com/COSAToficial/status/1367915847487000576

Na categoria 16 anos, o Brasil conseguiu dois títulos. Kauã Cressoni venceu um duelo nacional contra Henrique Brito na final masculina por duplo 6/3. O último brasileiro a vencer nos 16 anos havia sido João Loureiro em 2018, e antes dele Gilbert Klier Júnior e Matheus Pucinelli haviam triunfado nem 2016 e 2017. A lista de atletas nacionais a vencer na categoria também inclui nomes como Cassio Motta, Fernando Roese, Jaime Oncins, Gustavo Kuerten, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e Marcelo Zormann.

No feminino, a paulista Olivia Carneiro é a segunda brasileira seguida a vencer a categoria 16 anos do Banana Bowl. Ela superou na final a peruana Daniela Rúbio por 5/7, 6/4 e 7/5. No ano passado, o título ficou com Amanda de Oliveira. Antes delas, a campeã mais recente havia sido Luisa Stefani em 2013, com conquistas de Carol Meligeni Alves em 2011 e Suellen Abel em 2012. Vale destacar que a última brasileira campeã da categoria 18 anos do Banana Bowl foi Roberta Burzagli em 1991. Burzagli atualmente é treinadora e capitã da equipe brasileira da Copa Billie Jean King, antiga Fed Cup.

https://twitter.com/COSAToficial/status/1367919212627451904

Título recompensa o jogo mental de Cerundolo
Por Mario Sérgio Cruz
março 1, 2021 às 9:24 pm

Com estilo de jogo cada vez menos comum, Cerundolo se destacou pela disciplina e pelo preparo mental para jogar muitos pontos longos (Foto: Cordoba Open)

Um campeão improvável marcou o início da breve temporada de torneios sul-americanos em quadras de saibro. O argentino de 19 anos Juan Manuel Cerundolo disputou em Córdoba uma chave principal de ATP 250 pela primeira vez na carreira e terminou a semana com o troféu nas mãos. Cerundolo é o primeiro jogador desde 2004 a vencer um torneio logo em sua estreia na elite do circuito. O último a conseguir essa façanha foi o espanhol Santiago Ventura no saibro de Casablanca.

Cerundolo chegou a ser número 9 do ranking mundial juvenil e ainda dá os primeiros passos no tênis profissional. Então 335º do ranking na campanha, ele se tornou o quinto pior colocado a vencer um torneio deste porte. O recorde de Lleyton Hewitt, que foi campeão em Adelaide em 1998 ocupando o 550º lugar dificilmente será alcançado. Pelo título no saibro argentino, o jovem jogador de 19 anos salta para o 181º lugar. Além disso, é o argentino mais jovem a vencer um torneio deste porte desde Guillermo Coria em 2001.

Mas o que mais chamou atenção ao longo da semana de Cerundolo foi seu estilo de jogo cada vez menos comum e a possibilidade de ‘entrar na cabeça’ dos adversários. O argentino não força o saque, joga bem atrás da linha de base, sustenta várias trocas longas do fundo de quadra e muitas vezes recorre às bolas mais altas. Ele teve muita disciplina para manter esse padrão de jogo mesmo em partidas muito longas, mas também mostrou que tinha outros recursos nos momentos em que precisava atacar mais a bola ou disputar um ponto junto à rede.

“Na quadra, sou um jogador mais defensivo e de contra-ataque. Gosto de usar o ritmo dos meus adversários contra eles, e quando posso atacar com o forehand, eu o uso para ditar os pontos”, disse Cerundolo, em entrevista ao site da ATP após a conquista do título em Córdoba.

Seu pai, Alejandro, jogou profissionalmente na década de 1980 e deu um apelido muito curioso para o filho. “Eu o chamo de Hannibal Lecter. Ele come miolos de rivais”, confessa Alejandro, em entrevista ao jornal argentino La Nación. A referência é o personagem de ficção criado pelo escritor Thomas Harris no livro ‘Dragão Vermelho‘, de 1981, e interpretado no cinema por Anthony Hopkins.

Monteiro relata a dificuldade para enfrentar o argentino
O brasileiro Thiago Monteiro, que enfrentou Cerundolo nas quartas de final do torneio, teve dificuldades para lidar com as frequentes trocas longas do fundo de quadra e cometendo muitos erros não-forçados que custaram caro na partida. “O adversário foi muito sólido. Ele tem um jogo muito diferente do que estou acostumado a jogar, com muita bola alta e variação. É um bom jogador e que exige muito, ele teve o mérito de vencer o jogo. Não consegui encontrar uma forma de ser agressivo com consistência, cometi muitos erros e isso custou um pouco o jogo, principalmente no terceiro set”, disse após a derrota por 6/2, 2/6 e 6/3 na última sexta-feira.

Ao longo da incrível campanha em Córdoba, Cerundolo venceu oito jogos seguidos. Inclui três brasileiros, já que ele também derrotou João Menezes e Thiago Wild. Outras vitórias expressivas foram sobre o sérvio Miomir Kecmanovic (número 41 do mundo), além da final contra o experiente espanhol Albert Ramos, jogador de 33 anos e então 46º do ranking.

“Sinceramente, nunca pensei ou imaginei que pudesse ser campeão. Acho que foi acontecendo passo a passo, aos poucos. Primeiro, o meu objetivo era passar pelo quali e depois queria vencer uma rodada”, admitiu o argentino. “Aí comecei a pensar no jogo contra o [Miomir] Kecmanovic, depois o venci. Eu só estava pensando partida a partida. Nunca na minha vida imaginei que poderia ganhar o torneio. Então talvez essa fosse a chave, porque nunca me senti ansioso”.

Com o salto no ranking, apesar de não entrar no top 100, Cerundolo já traça os objetivos para os próximos meses. “Tenho pensado um pouco sobre isso. Vou competir nas chaves principais dos challengers e talvez jogar qualis em mais torneios da ATP e nos Grand Slam, que é o que me deixa mais feliz. Antes disso, eu nem pensava no top 100. Estava mirando no Top 200, e que ainda assim parecia muito longe. Agora, só preciso continuar jogando e aproveitar ao máximo”.

Conquista brasileira nas duplas

A semana em Córdoba também foi ótima para dois brasileiros, Rafael Matos e Felipe Meligeni Alves, que conquistaram o título de duplas no saibro argentino. Com histórico ainda pequeno em torneios deste porte, ambos atuavam apenas pela terceira vez em eventos de nível ATP, sendo que Meligeni já havia disputado uma semifinal no Rio Open do ano passado, ao lado de Thiago Monteiro. Nenhum deles havia ainda alcançado uma final, mesmo atuando com outros parceiros.

Com a conquista, ambos saltam no ranking e se aproximam do top 100. Aos 25 anos, o gaúcho Rafael Matos era o número 131 do mundo e passou a ser o 102º colocado. Já o paulista Felipe Meligeni, de 22 anos, saltou do 123º para o 101º lugar. “Foi uma semana especial. Estávamos inscritos como alternates [na lista de espera] e entramos na chave de última hora. Foi uma experiência muito boa para nós, que jogamos juntos em um torneio da ATP pela primeira vez”, disse Meligeni, que havia atuado ao lado de Matos em dois challengers na Turquia este ano.

“Espero que possamos ganhar mais títulos juntos, e até mesmo em simples também”, afirmou o paulista ao site da ATP, após a vitória na final contra o monegasco Romain Arneodo e o francês Benoit Paire por 6/4 e 6/1. “Acho que a cada jogo estávamos melhorando. As quartas e as semifinais foram muito difíceis contra grandes jogadores. Conseguimos jogar nosso melhor tênis nos momentos difíceis. Então na final sabíamos o que fazer, embora estivéssemos um pouco nervosos no início”.

O Filho da Lenda
No sul do Brasil, Porto Alegre recebeu mais uma etapa do Brasil Juniors Cup (antiga Copa Gerdau e Campeonato Internacional Juvenil). O título do torneio ITF J1 deste ano ficou com Leo Borg, sueco de 17 anos e então 43º colocado no ranking mundial da categoria. Filho do ex-número 1 do mundo Bjorn Borg, dono de 11 títulos de Grand Slam, Leo recebeu convite para jogar o quali na capital gaúcha e teve a presença do pai nas arquibancadas da Associação Leopoldina Juvenil, que não poderia receber público externo.

“É um sentimento indescritível, este é meu primeiro título de um torneio J1 e estou muito feliz”, disse Leo Borg após a vitória na final sobre o norte-americano Bruno Kuzuhara por 3/6, 6/4 e 6/2. “Consegui jogar muito bem durante a semana inteira e certamente ir para o próximo torneio com um título destes me faz chegar ainda mais confiante. Só tenho a agradecer a todos, que foram muito gentis durante toda a semana”.

Seu pai, a lenda do tênis Bjorn Borg, comemorou a campanha do filho e a estadia no Brasil. “Eu e minha esposa estamos muito felizes por estar no Brasil. Não é minha primeira vez no país e, em todas as vezes que estive aqui, adorei as cidades e as pessoas, que sempre foram muito hospitaleiras. Parabenizo a organização por realizar esse torneio mesmo nos tempos difíceis que atravessamos e com certeza estaremos aqui no ano que vem se formos convidados”, disse ao site da CBT.

Victoria Barros rouba a cena

Outro nome que merece destaque ao fim do Brasil Juniors Cup é o da paranaense Victoria Barros. Com apenas 11 anos e vinda do projeto social Instituto Ícaro, de Curitiba, ela conseguiu chegar à final da categoria 14 anos, enfrentando adversárias mais velhas. A diferença de idade nessa categoria costuma ser considerável. Ainda assim, ela fez ótima campanha e só parou na argentina Sara Conde, que venceu a final disputada na Sogipa por 6/4 e 6/2.