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Klier tenta superar lesões para seguir evoluindo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 6, 2019 às 11:39 am
Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Depois de figurar entre os dez melhores do mundo no circuito juvenil, Gilbert Klier Júnior encerra sua primeira temporada no circuito profissional com um salto significativo no ranking em relação ao ano passado. Há doze meses, ele tinha apenas quatro vitórias no circuito e ocupava o 1.283º lugar. Mas desde a última segunda-feira, o brasiliense de 19 anos já aparece na 543ª colocação, melhor marca de sua carreira.

Ao longo da temporada, Klier conseguiu 34 vitórias e 17 derrotas em torneios profissionais de nível future. Ele conquistou seu primeiro título nas quadras duras de Akko, em Israel, e disputou outras três finais. Também jogou sua primeira partida de nível challenger, em Campinas.

Klier poderia ter evoluído ainda mais se não fossem as lesões. Neste ano, precisou ficar quase três meses afastado, entre julho e outubro, por conta de um problema no pé. Já na semana passada, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo, ele sentiu lesão no menisco do joelho direito e precisou abandonar a competição que valia vaga no Rio Open de 2020. O brasiliense já havia tido outros problemas físicos no ano passado. O primeiro, no joelho, o fez iniciar a temporada apenas em março. Já o segundo, no ombro esquerdo, o obrigou a desistir do torneio juvenil de Roland Garros.

“Acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem”, disse Klier ao TenisBrasil, a respeito da recente lesão no pé. “É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar a jogar bem e competir num bom nível que os resultados virão automaticamente. É importante é estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers”.

O jovem jogador também falou sobre uma cenário bastante comum nos torneios future, que oferecem as mínimas pontuações e premiações no circuito profissionais. Alguns hotéis acabam sediando vários campeonatos em semanas consecutivas, atraindo os jogadores para longas sequências de competições no mesmo espaço. Em 2019, Klier passou quatro semanas na Turquia, três no Egito e outras três na Nigéria, além de também ter atuado em países como a Tunísia e Israel.

“É claro que se você passa duas ou três semanas no mesmo lugar é mais difícil. Mas a gente tem que passar por esse nível mesmo. Não tem o gasto com passagens toda semana. Então, você só paga o hotel e fica, sim, mais barato”, explicou. “A estrutura desses resorts costuma ser boa, mas normalmente as quadras é que não são muito boas. Mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali”.

Confira a entrevista com Gilbert Klier Júnior.

Queria que você avaliasse como foi esse primeiro ano só de circuito profissional. Você ganhou 34 jogos, chegou em quatro finais e ganhou um título. O quanto isso foi diferente em relação ao que você estava acostumado no juvenil?
O meu primeiro ano no profissional, avaliando assim no geral, foi bom. Tive uma lesão no pé que me deixou uns três meses parado. Isso me fez ter que voltar e pegar o ritmo de novo, então atrasou um pouco, mas acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem.
O nível é muito parecido em questão de tênis e jogabilidade. A única diferença é que você enfrenta caras mais velhos, mais experientes e que entendem mais do jogo. Isso que torna o jogo mais difícil. Então é importante estar com a parte mental bem firme para encarar esses caras que têm mais experiência que a gente que está entrando no circuito agora.

A lesão no pé aconteceu quando?
Eu me machuquei pouco depois de ganhar meu primeiro torneio em Israel, quando eu fui para Portugal. Tentei jogar, porque a gente achou que não fosse nada, mas aí não melhorava e acabou demorando três meses até eu voltar a jogar.

Você voltou a jogar quando depois da lesão?
Depois da lesão, eu joguei um torneio de US$ 25 mil no Rio.

– Isso lá para o final de setembro, começo de outubro…
Isso. Aí depois, vim aqui para São Paulo e joguei um torneio no Paineiras, que foi um pouco melhor, mas eu infelizmente acabei passando mal nas quartas contra o Matos e tive que desistir, mas já foi um torneio melhor. Depois fui para a Turquia e agora estou aqui. Voltei faz um mês e meio, eu acho. Por aí.

O que aconteceu lá no Paineiras que você passou mal?
Então, foi do nada. Acho que foi alguma coisa que eu comi antes do jogo, eu não sei. Eu estava jogando e comecei a passar mal, fiquei tonto. A visão ficava preta, assim, mas foi um mal estar. Não foi nada relacionado à lesão.

Como você ainda está um pouco longe dos challengers, seu planejamento para o começo de 2020 é fazer giras longas de futures, como você já fez, ou tentar em ir para os Estados Unidos ou Europa?
Primeiro, o mais importante é voltar a ter ritmo de jogo. É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar jogar bem e competir num bom nível que os resultados nos torneios virão automaticamente. É estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers. É a meta, eu acho. Terminar o ano com um ranking bom para se manter nos challengers.

Lá no Rio, você treina com o [Thiago] Wild e com o [Pedro] Sakamoto. O [Thiago] Monteiro também treinou lá até pouco tempo atrás, antes de ir para a Argentina. O quanto é importante ter esses caras perto?
É sempre importante ter esses caras treinando com você. Ainda mais que isso te puxa e você acaba aprendendo também. Um aprende com o outro. E é muito importante ter jogadores nesse nível no mesmo centro de treinamento para dividir a convivência no tênis e na academia.

Você já chegou a treinar com algum outro cara acima até deles nos torneios?
Já treinei com o Malek Jaziri, que deve ter sido 40 do mundo [O melhor ranking do tunisiano foi o 42º lugar, em janeiro deste ano]. Treinei com o [Jaume] Munar e também com o Thomaz [Bellucci] e praticamente todos os brasileiros.

Com o Jaziri foi em alguma dessas giras de torneios pela Tunísia?
Na verdade, foi em um challenger. Quando o Monteiro ainda estava na Tennis Route [equipe de treinamento do Rio de Janeiro] e eu fui lá com ele, porque estava na Europa e era semana que eu não tinha torneio. Fui para treinar uma semana com o Monteiro e acabei treinando com ele também.


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@gilbertklier e @p.saka conquistam títulos em Israel e na Espanha 🏆🎾 Atletas do Instituto Tennis Route, Gilbert Klier Jr. E Pedro Sakamoto conquistaram, neste domingo, títulos em torneios profissionais futures em Israel e na Espanha. Klier Jr. , bronze nos Jogos Olímpicos juvenis ano passado em Buenos Aires, conquistou seu primeiro título profissional no torneio de Akko , em Israel , evento com premiação de US$ 15 mil disputado no piso duro. Klier derrotou o sexto favorito, o local Yshai Oliel por 2 sets a 1 de virada com parciais de 46 64 61. Em Huelva, na Espanha, torneio com premiação de US$ 25 mil, Pedro Sakamoto marcou 62 26 76 (72) diante do chileno Bastian Malla em final também neste domingo. #tennisroute

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Nessas giras que você fez mais longas, na Turquia, no Egito, na Tunísia ou na Nigéria, às vezes você fica várias semanas no mesmo local. Como é lidar com esse ambiente?
No caso do Egito e da Turquia, sim, porque os torneios são no mesmo clube. Uma semana atrás da outra. Da Nigéria também foi um seguido do outro, mas são três semanas só. Nesse de Israel, onde eu ganhei meu primeiro título, foram duas semanas lá e depois já fui para Portugal. Aí era um torneio em cada lugar.

Mentalmente, é muito difícil ficar muitas semanas jogando no mesmo lugar?
No início era bem difícil, mas agora eu já me acostumei e é mais tranquilo. É claro que se você passa duas, três semanas no mesmo lugar, é mais difícil.

Já ouvi jogadores falarem que você acaba enfrentando sempre os mesmos adversários e tendo os mesmos árbitros em todos os jogos…
É difícil, mas é o que temos para fazer. A gente tem que passar por esse nível mesmo.

Qual é parte boa e ruim dessas giras longas, em termos de custo e de estrutura?
A estrutura desses resorts, que recebem torneios o ano inteiro, é sempre muito boa. Normalmente você tem de tudo, a comida é boa e a academia tem uma estrutura legal. Mas normalmente as quadras é que não são muito boas, mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali.

Em termos de custo é melhor fazer isso do que ficar viajando?
Acho que é, porque não tem o custo de passagem toda semana. Então, você só paga o hotel. Agora na Turquia, eu só peguei um voo para ir e outro para voltar. Não precisava ficar mudando de cidade o tempo inteiro. Então é mais barato, sim.

O torneio oferece alguma coisa com relação ao hotel? Por exemplo, quem está no torneio não paga enquanto estiver na chave e tal…
Não, nesses futures de US$ 15 mil, não. O torneio arranja desconto para os jogadores. A partir dos torneios US$ 25 mil+H que pagam o hotel e alguns pagam alimentação. E agora, se não me engano, todos os challengers dão hospedagem.

Não é como no juvenil, quando você tem tudo enquanto estiver na chave.
É, lá tinha tudo. Hospedagem, alimentação e o transporte.

Reis aprende com ídolos e é firme contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 4, 2019 às 11:48 am
João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

Com apenas 19 anos, o jovem pernambucano João Reis ainda inicia sua trajetória no tênis profissional depois de encerrar o ciclo no circuito juvenil na temporada passada. Reis já tem dois títulos no circuito profissional da Federação Internacional, o mais recente conquistado no início de novembro no México, e ocupa o 556º lugar no ranking da ATP depois de ter figurado entre os 30 melhores juvenis do mundo no ano passado. Apesar da pouca idade, ele fala sobre temas de dentro e fora de quadra, como família, racismo, os ídolos e a admiração por outros jogadores negros e os desafios no aspecto mental do jogo.

Natural do Recife, Reis começou a jogar tênis com apenas quatro anos, disputa torneios desde os 10 anos e se mudou para São Paulo aos 13, treinando por cinco meses em São José dos Campos antes de ser aprovado em um teste para o Instituto Tênis, de Barueri. Os primeiros passos em quadra foram influenciados seu irmão mais velho, Gabriel, hoje com 25 anos, e que parou de jogar ainda muito novo. “Ele jogou até os 15 anos, chegou a participar de alguns torneios lá do Nordeste, mas ele só jogou isso e resolveu seguir outra carreira”, disse João Reis, em entrevista ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, disputada em São Paulo, ao longo da última semana.

A admiração pelo irmão já havia sido expressada em entrevistas anteriores. “Comecei a jogar tênis por influência do meu irmão. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele”, afirmou em janeiro de 2018. Ainda que o tenista esteja em São Paulo há mais de cinco anos, parte de sua família continua em Pernambuco. “Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade”, comentou durante a temporada passada. “Tento ir bastante para Recife, mas são eles que vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo e a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante. Posso dizer que estou 100% adaptado”.

Reis também se mostrou solidário ao colega de circuito Christian Oliveira, carioca de 19 anos e que denunciou o adversário chileno Bastian Malla por racismo, em jogo válido pela semifinal de duplas de um torneio ITF disputado na capital paulista em outubro. Na época, a organização do torneio afirmou que nem o árbitro ou um dos outros jogadores em quadra teria escutado a ofensa e que não foi possível identificar o ato a partir das imagens da transmissão do jogo por streaming. Por esse motivo, não houve punição ao chileno, que negou ter ofendido Oliveira e terminou a semana como campeão de simples no torneio.

“É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável que ainda tenham casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou”, afirmou o pernambucano, que diz nunca ter passado por situação parecida em quadra e que tem no francês Jo-Wilfried Tsonga, 29º do ranking, um ídolo de infância.

“Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o [Rafael] Nadal. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. É um guerreiro”.

Confira a entrevista com João Reis.

Em primeiro lugar, como você prefere que a gente escreva o seu nome? João Lucas Reis ou João Lucas Reis da Silva ou João Lucas da Silva, por exemplo. A gente vê seu nome escrito de diversas formas.
Eu me acostumei com João Reis quando eu jogo os torneios. Todo mundo me chama de João Reis, então eu me acostumei mais com esse nome.

Você sempre fala que começou a jogar por causa do seu irmão, que também jogava. Ele chegou a disputar torneios e tentar seguir carreira? Como ele está hoje?
Na verdade, ele parou meio cedo. Ele jogou até os 15 anos. Chegou a participar de alguns torneios brasileiros e disputou o circuito Rota do Sol lá do Nordeste, mas ele só jogou isso. Eu também joguei todos esses torneios. Aí ele parou com 15 anos e resolveu seguir outra carreira.

Ele está com quantos anos e faz o que hoje?
Ele está com 25. Hoje ele faz Administração.

E você tem conseguido conciliar os estudos com a carreira no tênis?
Eu terminei o Ensino Médio à distância. Primeiro, segundo e terceiro ano. E comecei no ano passado a cursar Administração, à distância também, na Estácio. O IT (Instituto Tênis) tem parceria com eles e conseguimos algumas bolsas. Aí eu estou cursando Administração.

Queria que você falasse um pouquinho dessa sua primeira temporada só focado no profissional. Você terminou a carreira juvenil no ano passado. O quanto esses dois circuitos são diferentes em termos de bola e na mentalidade dos jogadores? O que você achou?
No ano passado, eu já joguei vários torneios profissionais, no meu último ano de juvenil. Eu consegui meu primeiro título no future de 25 mil de Curitiba. E para mim foi uma bela entrada no circuito, eu me sentia bem confiante para o futuro. E aí, no meio do ano, eu não consegui bons resultados. Passei uns dois ou três meses sem muitos resultados, mas consegui recuperar no fim do ano.
No começo eu sentia mais a parte mental, sentia que os jogadores profissionais me obrigavam a jogar todos os pontos e a me manter um nível alto por mais tempo do que eu era acostumado no juvenil. E eu acabei me acostumando bem com isso. Se eu conseguir manter um bom nível no jogo inteiro, eu consigo criar boas oportunidades de vencer.


Este ano, você fez um bom jogo no challenger de Campinas contra o [Alejandro] González, que é um cara que já foi top 100 e tudo. O quanto aquele jogo te dá confiança, em termos de nível? O quanto você aprendeu com essa partida mesmo tendo perdido?
Foi um jogo bem duro do início ao fim e me motiva bastante. Eu tive minhas chances de quebrar o saque dele e não consegui, mas vendi caro meus games de saque. [A partida terminou com placar de duplo 7/5 para o colombiano de 30 anos, ex-número 70 do mundo] Consegui ver vários jogadores lá, disputando o torneio, o que me motiva estar naquele ambiente. Foi meu primeiro challenger, nunca tinha jogado um antes. E isso só me motiva mais e mais a seguir trabalhando e acreditando no futuro.

Você conseguiu treinar com algum jogador desse nível e que você pudesse tirar alguma coisa boa?
Não, não treinei.

Nas últimas semanas, você conseguiu um título e um vice no México. E jogando na quadra dura. Como você fez para adaptar seu jogo à quadra dura para ter esses bons resultados? E também como foi lidar fisicamente e mentalmente com uma sequência de jogos tão longa?
Bom, eu fiz uma bela gira lá em Cancún. Senti que estava jogando muito bem. Estava bem quente, e os jogos eram bem desgastantes, mas consegui levar isso para o lado positivo. Os outros jogadores não estavam aguentando muito e eu estava aguentando mais que eles. Como eu também estava jogando muito bem, eu me senti bem confiante. Ganhei o primeiro torneio e fiz final no segundo. Acho que foram oito ou nove vitórias seguidas.
E foi ótima essa gira. Eu precisava defender alguns pontos agora em novembro e estava há algum tempo sem muitos resultados. Quando voltei da Europa, fiz uma final lá no Paraguai e vinha me sentindo melhor na quadra. Depois de Campinas, fui para o México jogando super bem. Então estou bem confiante.

Este foi um ano de mudança no ranking. Teve um momento que você chegou a zerar antes da mudança de pontuação. E você conseguiu ficar mais ou menos na mesma posição, em torno de 500. Como foi se projeta a próxima temporada, agora com um calendário um pouco mais estável, sem tanta mudança no circuito?
Eu terminei o ranking como 550, que é exatamente o mesmo do ano passado. Não era o ranking que eu esperava terminar este ano, mas com as mudanças acabou ficando meio esquisito. Minha meta no começo ano era terminar entre 400 e 450, mas não dá para dizer que foi um ano ruim. Consegui aprender bastante. Por mais que eu tivesse altos e baixos, consegui jogar super bem. E, bom, para o ano que vem segue a mesma meta que este ano. Se até o meio do ano eu estiver entre os 450, seria bom para eu ir aos poucos entrando nos challengers.

Você treina junto com o [Matheus] Pucinelli, que é um ano mais novo e terminou a carreira juvenil agora. Vocês conseguem viajar para os mesmos torneios, mesmo com uma diferença de ranking, por enquanto?
Sim, a gente sempre jogou junto, desde o juvenil. No ano passado a gente jogou vários torneios juntos. Provavelmente, no início do ano, vamos fazer as mesmas giras. Ele ainda vai poder usar o ranking juvenil para entrar em alguns torneios. E a ideia é a gente crescer junto.

Com quem que vocês viajam normalmente?
Eu tô viajando mais com o Alan Bachiega, e ele com o Rafael Paciaroni.

 

 

 

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ATLETAS DO INSTITUTO TÊNIS SÃO CAMPEÕES EM TORNEIO NA EUROPA Neste Sábado, João Reis(@joaolreis) e Matheus Pucinelli (@matheuspucinelli) se sagraram campeões da chave de duplas do Future M15 de Balatonalmádi, na Hungria. Os atletas foram acompanhados do treinador Rafael Paciaroni. Durante todo o torneio, a dupla do Instituto Tênis fez bons jogos, não perdendo nenhum set na competição. Na final, os brasileiros derrotaram a dupla austríaca formada por Lenny Hampel / Neil Oberleitner por 6-4 7-6(1). O próximo torneio de João e Matheus será o Future 15k de Alkmaar, na Holanda. #institutotenis #itau #vivo #taesa #leideincentivoaoesporte #secretariaespecialdoesporte #fundacaolemann #laatus #aldocomponentes #estacio Uma publicação compartilhada por Instituto Tênis (@institutotenis) em


Este ano, aconteceu um caso lamentável com o Christian em future aqui em São Paulo, que ele denunciou um caso de racismo e estavam até avaliando para ver se tinham como punir o jogador adversário. E ele até falou que já tinha acontecido antes em um torneio juvenil, na Itália. Queria saber se isso já aconteceu com você, tanto dentro da quadra, como fora também?
Comigo nunca aconteceu. É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável tenham esses casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou. É lamentável.

E ainda um pouquinho nesse assunto. O [Felix-Auger] Aliassime falou que se inspirava muito em outros jogadores negros, como o Tsonga e o Monfils. Ele sentia que eles abriram o caminho para ele. Você pensa da mesma forma e os admira? Não apenas com eles, mas admirando também a Serena, a Venus ou a Stephens, por exemplo?
Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que, mas eu idolatrava muito ele. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o Nadal.

O quanto você acha que pode tirar desses caras, como o Nadal ou Tsonga, para o seu jogo. Na mentalidade, principalmente?
O Nadal, com certeza, na mentalidade. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. Não dá nada de graça para o adversário. É um guerreiro.

Em termos de lesão, você teve algum problema físico neste ano ou foi tranquilo?
Foi tranquilo. Na verdade, no future de São Paulo eu senti o joelho. Já estava sentindo há umas duas semanas e piorou lá. Na semana seguinte, eu não consegui treinar direito antes de ir para o México. Treinei meio período, mas consegui me virar lá. Estava jogando bem na quadra rápida. Mas lesão mesmo, não foi quase nada.

Como é nesses ambientes com muitos torneios no mesmo lugar? Por exemplo, além de Cancún, sempre tem bastante torneio na Turquia e na Tunísia, por exemplo. Você enfrenta os mesmos jogadores, tem os mesmos árbitros, fica no mesmo hotel… O quanto isso pode ser bom e o quanto é desgastante?
O único lugar que eu joguei vários seguidos torneios foi lá em Cancún. Eu não achei tão cansativo, porque os donos lá do hotel são muito receptivos com os brasileiros. A dona é brasileira e o marido dela morou 15 anos no Brasil. Então, eles fazem você se sentir em casa. E quando eu joguei foi muito tranquilo. Às vezes eu penso ‘Putz, vou passar seis semanas no mesmo lugar, comendo a mesma comida’, mas lá foi tranquilo. Passou tão rápido que eu não tive essa impressão. Mas acredito que na Tunísia ou no Egito seja bem difícil passar tantas semanas no mesmo lugar.

Felipe Meligeni sente que evoluiu e segue na Espanha
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 2, 2019 às 7:33 am
Felipe Meligeni Alves já vem treinando na Espanha nos últimos dois anos (Foto: Fotojump)

Felipe Meligeni Alves já vem treinando na Espanha nos últimos dois anos (Foto: Fotojump)

Primeiro brasileiro a garantir vaga no Rio Open de 2020, Felipe Meligeni Alves vive uma franca evolução em sua carreira profissional depois de duas temporadas treinando na Espanha. Mas apesar do bom momento, ele recebeu em setembro a notícia de que não seria mais beneficiado pelo projeto da Base na Europa, parceira da Confederação Brasileira de Tênis com a Academia BTT de Barcelona. Disposto a dar continuidade ao trabalho que já vinha sido feito, o jogador de 21 anos e 393º do ranking buscou parceiros para permanecer na Espanha na próxima temporada.

“Foi um pouco difícil, mas eu sabia que poderia acontecer, porque lá é um lugar muito caro. A partir do momento que eu recebi a notícia, comecei a buscar formas de poder ficar lá”, disse Felipe Meligeni ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, competição entre jogadores brasileiros de até 23 anos, disputada na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo e que valia vaga no Rio Open. Campeão do torneio, ele garantiu um convite para disputar a chave principal de um ATP pela primeira vez.

Felipe era apenas o 950º colocado no ranking quando chegou a Barcelona, no início de 2018. Junto com ele estava o gaúcho Orlando Luz, então número 750 do mundo e atualmente no 303º lugar aos 21 anos. Os dois foram treinados pelo técnico brasileiro Léo Azevedo, mas  passaram a trabalhar com treinadores espanhóis depois que Azevedo deixou a academia para atuar na federação britânica. A partir de 2020, o Programa de Alto Rendimento da Confederação deve focar em locais de treinamento no Brasil e Orlandinho ainda não definiu qual será sua base de treinos na próxima temporada.

Confira a entrevista com Felipe Meligeni Alves.

Em primeiro lugar, como você prefere ser chamado? Felipe Alves ou Felipe Meligeni. A gente vê seu nome escrito de várias formas.
Eu não sei. Para mim dá na mesma. Com Meligeni, a galera sempre vai comparar com o meu tio, mas não tem problema. Podem chamar do jeito que acharem melhor. Para mim tá igual.

Aqui no Brasil todo mundo te conhece como sobrinho do Fino, mas lá fora, e aqui na América do Sul, especialmente na Argentina, as pessoas te reconhecem por causa do seu tio?
A galera sabe, pelo nome Meligeni. Perguntam se é meu pai ou se é meu tio, mas só aqui na América do Sul. Lá na Europa, é difícil alguém falar.

A sua temporada teve momentos bem distintos. No primeiro semestre você estava jogando futures, ganhou mais de 40 jogos e três títulos. E agora no segundo semestre você veio aqui para a América do Sul e jogou os challengers, venceu alguns jogos e fez uma campanha legal em Buenos Aires. Como você sentiu essa diferença de nível entre os dois circuitos?
A diferença para mim é que no future você pode ter uma queda de rendimento ou de mental. Você pode ter momentos ruins e ganhar o jogo do mesmo jeito ou ganhar o torneio do mesmo jeito. E nos challengers, quando acontece, muitas vezes não tem volta. Quando você comete esses erros, os caras podem passar por cima de você muito rápido.

Você deve continuar treinando na Espanha. Como você recebeu a notícia a respeito da questão da CBT e como foi possível para viabilizar sua permanência por lá?
Chegou essa notícia para mim em Campinas. Eu estava jogando o challenger lá. Na hora eu fiquei meio assim… ‘Putz! Estava jogando bem, tanto eu quanto o Orlando. Tinha cumprido as metas que a gente tinha recebido’… Foi um pouco difícil, mas eu sabia que poderia acontecer, porque lá é um lugar muito caro e, querendo ou não, o real não vale nada lá fora. Você convertendo, acaba gastando muito. Mas a partir do momento que eu recebi a notícia, comecei a buscar formas de poder ficar lá. Aí eu estava no Rio de Janeiro e encontrei um cara que agora está me dando uma ajuda. E eu tenho um outro que é mais ou menos da minha família, de coração, um cara que é quase como meu pai, que também está me ajudando com um dinheiro por mês. Se não fosse por eles, eu realmente não teria voltado, porque é muito caro para ficar lá fora. Estava começando um trabalho com um treinador novo agora e fiz de tudo para ficar lá. Estou em um momento muito bom na minha carreira e tenho muita coisa para evoluir. Acho que vale a pena. Querendo ou não, é o centro do tênis. Então foi uma escolha certa que eu fiz.

Pode falar o nome dessas pessoas e do seu técnico também? 
Estou agora com o treinador Marc Garcia. Ele está me ajudando. Quando eu trabalhava com o Léo Azevedo, ele era muito próximo do Léo e é um cara que tem a mesma mentalidade. Estou com uma ajuda do Bruno Bonjean, que é um cara que eu já conhecia, mas conversei com ele no Rio e expliquei um pouco da minha situação. Ele propôs uma parceria para me dar uma ajuda e fiquei muito feliz. E tem um cara lá de Campinas, que é pai de um amigo meu, o José David da construtora Procivil. Eu uso na manga. Se não fosse por isso, eu não teria ficado na Espanha, teria ficado por aqui na América do Sul mesmo.

Não necessariamente no Brasil, mas em algum dos países aqui na América do Sul?
Sim, em algum desses países.

Sabe se o Orlandinho já se decidiu se irá ficar na Espanha?
Ainda não tô sabendo.

Em termos de ranking, você cumpriu sua expectativa de ficar mais perto dos 300. O que você projeta para o ano que vem?
Eu poderia até terminar um pouco melhor. Eu venho jogando muito bem e poderia ter baixado um pouco mais. Eu queria ter acabado no top 300, mas por uma razão ou outra, acabou não acontecendo. Mas 390 é um bom ranking também. Em dois anos, eu subi 700 posições. Ano que vem, quero jogar os qualis dos Grand Slam. Na Austrália, eu não vou poder, mas quero jogar os outros e estar entre os 250. Quem sabe, terminar o ano perto do top 150 ou até perto do top 100.

O quanto aquele primeiro semestre, quando os futures não davam pontos na ATP, te atrapalhou um pouco? E agora que você vai ter um calendário mais estabilizado, o quanto vai ajudar? 
Foi um pouco difícil no começo. Você sempre precisava se preocupar em estar entre os 30 da ITF para poder jogar os challengers e tentar fazer pontos. Você podia ganhar os futures, mas pegar uma primeira rodada dura em challenger, perder e não pontuar. Era bem difícil ter que se preocupar em defender dois rankings o tempo inteiro. Acho que essa volta aos pontos normais me beneficiou bastante. Consegui entrar direto nos challengers e comecei a ganhar jogos de challenger, o que faz muita diferença. Tem uma diferença de nível muito grande do challenger para o future e você se cobra muito mais quando está jogando um torneio maior. Essa volta me ajudou bastante e vai ser bom no ano que vem.  

Você teve bons resultados nas duplas. O quanto isso ajudou em termos de evolução?
Dupla me ajudou bastante para ganhar ritmo. Até quando você não se sente jogando bem, a dupla te dá confiança quando você vai ganhando. Você começa a se sentir melhor em quadra, e tem sempre um cara do seu lado te apoiando. Isso é bom. Eu gosto muito de jogar duplas e acho que me ajuda bastante para simples. Estou com bons resultados e perto de 170 no ranking [é atualmente o 178º colocado], então acho que eu preciso tentar baixar um pouco o ranking de simples para não ter tanta diferença.

Se surgir a oportunidade de entrar em um torneio maior, como um ATP 250, nas duplas, você poderia priorizar em uma semana ou outra?
Quem sabe. Isso teria que ver no calendário e ver como vai ser durante o ano.

Quando você estava jogando future, como era para lidar mentalmente com aquelas giras muito longas no mesmo lugar? Eu entrevistei a Carol [Meligeni] algumas vezes e ela falava um pouco disso, sobre ficar no mesmo hotel, enfrentar as mesmas adversárias e ter os mesmos árbitros…
Hoje em dia eu não faço mais essas giras muito longas. Estando na Espanha, você consegue voltar, porque não são caras as passagens. É bom para viajar. Mas eu já fiz giras de 10 ou 15 semanas e é muito desgastante. A partir da quinta semana, você já está querendo se matar. Se você está no mesmo lugar é realmente bem desgastante e você acaba ficando um pouco de saco cheio, mas é assim a vida de sul-americano. Não é fácil. A gente tem que batalhar, tem que ralar, para chegar o mais longe possível e sair dessa situação o mais rápido possível.

O seu tio te aconselha nessa parte de calendários e locais que têm uma estrutura legal?
Sim, eu converso muito com o meu tio sobre torneios e lugares para eu jogar. Ele me ajuda bastante com o calendário. Ele me ajuda bastante e sempre vejo o que ele do que eu tenho planejado, ele me fala do que acha bom. Então, ele ajuda bastante.