Monthly Archives: outubro 2019

Tênis francês mostra força no Finals Juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 28, 2019 às 8:21 pm

A nova geração do tênis francês mostrou força durante a quinta edição do ITF Junior Finals em Chengdu, na China. A França teve dois representantes entre os três primeiros colocados tanto no masculino quanto no feminino. O destaque fica para o título de Diane Parry entre as meninas. Líder do ranking mundial da categoria, a jogadora de 17 anos venceu a final no último domingo contra a ucraniana Daria Snigur, então quarta colocada e campeã de Wimbledon, por 6/1 e 6/4 em apenas 58 minutos de partida.

Além do título de Parry, a jogadora de 16 anos Elsa Jacquemot ficou na terceira posição da chave feminina. Já no masculino, Harold Mayot foi o segundo colocado e Valentin Royer ficou em terceiro. O título ficou com o dinamarquês de apenas 16 anos Holger Rune, atual campeão de Roland Garros e que também treina na França, na Academia Mouratoglou.

“Acho que a nova geração é boa e vejo esse grupo causando impacto no futuro”, disse Parry ao site da ITF após a vitória no último domingo. “Havia quatro de nós aqui este ano. Estamos muito bem agora no juvenil e há algumas meninas ainda mais jovens que também estão jogando muito bem”.

Parry foi a segunda francesa a conquistar o título da competição, repetindo o feito de Clara Burel no ano passado. “Clara e eu somos amigas e a conheço muito bem, já que jogamos duplas juntas anteriormente. Ela me mandou uma mensagem antes do jogo e apenas disse: ‘Boa sorte, divirta-se e faça o seu melhor’. Foi ótimo receber essa mensagem. Eu vim aqui para fazer o que ela fez e consegui. Estou tão feliz.”

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1188381756573077504

O estilo de jogo de Parry é bastante raro para a elite do circuito. Não apenas pelo fato de executar o backhand com apenas uma das mãos, mas também pelo fato de bater reto na bola nesse golpe, sem tanto spin como outras jogadoras de mesmo estilo fazem. Ela já ocupa o 328º lugar do ranking mundial da WTA, chegando a vencer um jogo da chave principal de Roland Garros neste ano contra a então 102 do mundo Vera Lapko, e já mira a transição ao circuito profissional. “Agora vou jogar apenas torneios profissionais. Terei que superar alguns medos, mas tentarei ir longe no ranking”.

Já o campeão da chave masculina Holger Rune destacou sua preparação mental para os grandes jogos. O jovem dinamarquês diz se sentir cada vez mais à vontade disputando as finais de campeonato e assume a liderança do ranking mudial da categoria.

“Já ganhei algumas finais agora. Primeiro foi no Campeonato Europeu Júnior de Sub-14, depois no Roland Garros juvnil e agora neste torneio”, disse Rune após a partida contra Mayot por 7/6 (7-3), 4/6 e 6/2 em 2h07 de disputa. “Você precisa ter algo a mais para vencer as finais, pois não é fácil. Você fica nervoso antes da partida e sempre há muita coisa acontecendo”.

“Você precisa acalmar esses nervos, basear-se na sua experiência e focar no seu jogo. Ter a capacidade de fazer isso é incrível”, avalia o dinamarquês. “Se Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray não aguentassem a pressão, não teriam vencido tantos Grand Slams. Existem muitos jogadores no top 20 da ATP que poderiam ganhar um Grand Slam, mas não têm essa mentalidade. Para chegar onde eu quero, preciso ter essa mentalidade. Estou disposto a passar por esse processo e superar as dores para chegar até lá”.

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1188394425631891458

Juvenis jogam sua versão do Finals nesta semana
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 22, 2019 às 8:43 pm

A quinta edição do ITF Junior Finals começa na madrugada desta quarta-feira. Mais uma vez, a cidade chinesa de Chengdu foi escolhida como sede da competição que reúne alguns destaques da temporada do circuito mundial juvenil e ajudará a definir o número 1 do ranking da categoria no fim do ano. Houve uma pequena mudança de nome, já que até o ano passado o evento se chamava ITF Junior Masters.

O formato da competição é o mesmo do ATP Finals e do WTA Finals. Dois grupos com quatro tenistas, sendo que os dois melhores de cada chave avançam para as semifinais até a disputa do título. Os campeões ganham 750 pontos no ranking, com 450 para finalistas. Além disso, o torneio também premia os jogadores com auxílios entre US$ 7 mil e US$ 15 mil para viagens no circuito.

Por ser uma viagem longa e como muitos jogadores dessa faixa etária já estão comprometidos com a transição para o tênis profissional, nem sempre aqueles que estão entre os oito primeiros do ranking participam do evento. Ainda assim, nomes como Jelena Ostapenko, Marketa Vondrousova, Andrey Rublev, Taylor Fritz, Casper Ruud, Anna Blikova, Miomir Kecmanovic e os brasileiros Orlando Luz e Marcelo Zormann já atuaram pela competição.

Neste ano, a ITF não anunciou informações a respeito de transmissões pela internet. Durante a Copa Davis e Fed Cup Júnior, em setembro, os principais jogos foram exibidos pelo canal no YouTube da Federação Internacional.

FEMININO

GRUPO LIANG
Daria Snigur: Quarta colocada no ranking mundial juvenil, a ucraniana de 17 anos foi campeã de Wimbledon, semifinalista do Australian Open e chegou às quartas em Roland Garros. Entre as profissionais, já aparece no 319º lugar do ranking da WTA e conquistou três títulos de ITF na temporada, além de já ter vencido outro torneio no ano passado.

Kamilla Bartone: A letã de 17 anos é a atual nona colocada no ranking e se destacou nas duplas, com título do US Open e vice-campeonato de Wimbledon. Em Nova York, ela foi treinadora pela brasileira Roberta Burzagli, capitã da equipe nacional da Fed Cup e técnica do programa de desenvolvimento da ITF.

Elsa Jacquemot: Francesa de 16 anos e 11º colocada no ranking, Jacquemot ganhou dois títulos na temporada e chegou às quartas na chave juvenil de Roland Garros.

Oksana Selekhmeteva: Apesar de aparecer no 19º lugar do ranking, a canhota russa de 16 anos acumulou bons resultados na temporada. Semifinalista do US Open em simples, formou também uma boa parceria com Kamilla Bartone, com título em Nova York e vice em Wimbledon.

GRUPO LI
Diane Parry: A francesa de 17 anos chega como favorita ao torneio. Afinal, lidera o ranking mundial da categoria e acabou de ganhar um título importante em Osaka. Além disso, ela já começa a se destacar no circuito profissional, ocupando o 328º lugar no ranking da WTA. Convidada para a chave principal de Roland Garros, chegou a vencer uma partida contra a bielorrussa Vera Lapko, número 102 do mundo.

Hurricane Tyra Black: A norte-americana de 18 anos se destacou no Banana Bowl, em Criciúma, ao chegar à final do torneio no Brasil, perdendo para Parry na decisão. Também venceu dois torneios na grama pouco antes de Wimbledon, mas caiu ainda na estreia do Grand Slam londrino.
Qinwen Zheng:

Qinwen Zheng: Chinesa de 17 anos, Zheng foi semifinalista em Roland Garros e no US Open e ocupa o sétimo lugar no ranking mundial juvenil. Nesta reta final de ano, recebeu convite para qualis de WTA em seu país, tendo suas primeiras experiências no alto nível. Ela chegou a enfrentar a veterna Svetlana Kuznetsova em Tianjin.

Natsumi Kawaguchi: A canhota japonesa de 17 anos é a atual oitava colocada no ranking mundial da categoria. Seus principais resultados foram o título de duplas no Australian Open e o vice-campeonato em Porto Alegre.

MASCULINO

GRUPO SHUAI
Jonas Forejtek: Tcheco de 18 anos, Forejtek é o atual líder do ranking mundial juvenil e foi campeão do US Open na categoria. Entre os profissionais, ocupa o 548º lugar no ranking da ATP. Ele tem um título de ITF M25, conquistado no mês de agosto, na Áustria. Ainda que seu nome não seja tão conhecido do grande público, imagens dele ainda quando criança, treinando com uma colher viralizaram nas redes sociais desde 2013.

Holger Rune: O dinamarquês de apenas 16 anos se destacou ao conquistar o título do torneio juvenil de Roland Garros e ocupa atualmente no 3º lugar do ranking da categoria. Também em 2019, conquistou mais dois títulos no circuito juvenil. Ele treina na academia de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams.

Harold Mayot: Quinto colocado no ranking mundial juvenil, Mayot chega embalado pelo título do ITF JA de Osaka, no Japão, na última semana. Nos Grand Slam, destaque para uma campanha até a semifinal de Wimbledon. O francês de 17 anos também disputou, em setembro, sua primeira final entre os profissionais, nas quadras de carpete de Forbach.

Bu Yunchaokete: O chinês de 17 anos e 16º do ranking vive bom momento no circuito juvenil. Ele fez três finais seguidas nos torneios disputados em seu país e ainda chegou às quartas em Oskaka, onde também foi finalista de duplas.

GRUPO YONG
Shintaro Mochizuki: Vice-líder do ranking mundial e campeão de Wimbledon, o japonês de 16 anos também ajudou seu país a conquistar o título da Copa Davis Júnior. Mochizuki está começando a se dedicar ao circuito profissional e ganhou dois títulos de dupas.

Thiago Tirante: O argentino de 18 anos foi campeão juvenil de Roland Garros ao lado do brasileiro Matheus Pucinelli. Também nas quadras de saibro, ficou com o vice-campeonato em Milão, perdendo a final para Jonas Forejtek

Liam Draxl: Nono colocado no ranking juvenil, o canadense de 19 anos teve bons resultados nos torneios preparatórios para Wimbledon, em quadras de grama. Também foi finalista de duplas no Grand Slam londrino. Entre os profissionais, destaque para uma vitória no challenger de Gatineau, em julho.

Valentin Royer: O francês de 17 anos e 12º do ranking ganhou dois títulos no ano, com destaque para o Europeu Individual em Klosters, na Suíça, no mês de agosto. Seu melhor resultado em Grand Slam foi no US Open, onde chegou às quartas de final.

Gauff salta 800 posições em um ano e extrapola meta
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 16, 2019 às 12:36 am

A incrível campanha de Coco Gauff rumo ao título do WTA de Linz na semana passada extrapola metas que já eram ambiciosas para a jovem norte-americana de apenas 15 anos. Gauff ocupava apenas o 879º lugar do ranking em dezembro do ano passado, quando estabeleceu como principal objetivo da temporada chegar ao grupo das cem melhores jogadoras do mundo. Com a conquista do torneio austríaco em quadras duras e cobertas, ela já aparece na 71ª posição.

Gauff conquistou seu primeiro título de WTA aos 15 anos (Foto: GEPA)

As façanhas de Gauff em Linz
Com 15 anos e 214 dias, Gauff é a campeã mais jovem do circuito desde 2004. Naquela temporada, Nicole Vaidisova foi campeã em Tashkent com 15 anos e 177 dias. Desde então, nenhuma jogadora tão jovem havia chegado sequer a uma semifinal de torneio pela elite do circuito. A recordista como campeã mais jovem da WTA é Tracy Austin, com 14 anos e 28 dias em Portland-1977.

Gauff é também a mais jovem norte-americana a ganhar um título desde 1991, quando Jennifer Capriati foi campeã em Toronto com 15 anos e 135 dias. Principais ídolos da jovem norte-americana, as irmãs Venus e Serena Williams conquistaram seus primeiros torneios já aos 17 anos. Ela também se torna a primeira norte-americana a alcançar o top 100 antes de completar 16 anos desde Chanda Rubin em 1991.

“A semana passada foi ótima. No início deste ano, eu nunca pensei que já ganharia meu primeiro título”, disse Gauff, em entrevista ao site da WTA após a conquista em Linz. Ela venceu na final a letã Jelena Ostapenko por 6/3, 1/6 e 6/2. “Realizei todos os objetivos que queria realizar neste ano. Ganhar um título não estava na minha lista, mas estou feliz que tenha acontecido”.

Outras façanhas para Gauff foram sua primeira vitória contra top 10, diante da número 8 do mundo Kiki Bertens, e o fato conquistar um torneio como lucky-loser, algo que só havia acontecido outras duas vezes na história do circuito. A primeira foi Andrea Jaeger em Las Vegas, ainda em 1980. A segunda foi a sérvia Olga Danilovic no saibro de Moscou no ano passado.

A norte-americana perdeu da alemã Tamara Korpatsch na última rodada do quali, mas herdou uma vaga com a desistência da Maria Sakkari e entrou na chave cerca de 40 minutos antes de enfrentar a suíça Stefanie Voegele pela primeira rodada. “Depois que percebi que entrei como lucky-loser, fiquei aliviada e joguei sem pressão, porque eu já deveria estar fora do torneio”.

A derrota na fase classificatória acabou tendo impacto positivo para Gauff, que mudou alguns aspectos de seu jogo e do comportamento em quadra. “Quando perdi a partida do quali, minha equipe e eu sentimos que estávamos saindo demais dos pontos e tentando bater muito forte na bola. Minha linguagem corporal também poderia ter sido melhor, assim como minha atitude em quadra”.

Mudanças de estilo e de mentalidade
Também chamou atenção durante a semana a mudança de postura de Gauff contra adversárias de diferentes estilos. Para efeito de comparação, a norte-americana foi bem mais agressiva e assumiu mais iniciativa dos pontos contra Kiki Bertens, nas quartas, do que na final contra Ostapenko, que tem muito mais peso de bola.

“Meu objetivo não era realmente vencer depois disso, mas sim melhorar meu comportamento e atitude. Isso acabou melhorando meus resultados. Levei isso em conta e usei o que aprendi nas próximas partidas. À medida que cada partida acontecia, ganhei mais confiança nos meus golpes”, avalia a norte-americana. “Joguei contra adversárias difíceis, então minha confiança está bem alta agora. Tento tratar todos os jogos da mesma forma. Obviamente, quando você joga com jogadoras diferentes e tem que se ajustar ao estilo de jogo delas, mas tento entrar em todos os jogos com a mesma mentalidade”.

A escalada no ranking ao longo do ano
Gauff iniciou a temporada já na 685ª colocação, por conta da reestruturação no sistema de pontuação dos torneios menores. O primeiro salto foi ainda em fevereiro, quando ela disputou uma final de ITF W25 em Surprise, no Arizona, e ganhou em torno de cem posições com os 30 pontos conquistados. Em março, recebeu convite para o Premier de Miami e venceu um duelo da nova geração norte-americana contra Catherine Mcnally, o que lhe rendeu 35 pontos no ranking e a levou do 456º para o 383º lugar do ranking.

A evolução de Gauff seguiu com duas campanhas até as quartas nas quadras de saibro em torneios da ITF em Charleston e Saint Gaudens. Convidada para o qualificatório de Roland Garros, depois de ter sido campeã juvenil no ano passado, ela já aparecia na 324ª posição e venceu um jogo, recebendo 20 pontos e debutando no top 300, ao alcançar o 299º lugar.

Um grande passo na evolução de Gauff foi em Wimbledon. Novamente convidada para um quali, a jovem norte-americana aproveitou a chance e venceu três jogos na grama de Roehampton para alcançar uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira. Ela se tornou a mais jovem jogadora a furar um quali de Slam na Era Aberta. Na sequência, voltou a brilhar e venceu mais três jogos, despachando até mesmo a pentacampeã Venus Williams. Sua algoz seria a romena Simona Halep, que terminaria o torneio como campeã. Com isso, acumulou 280 pontos e foi parar no 141º lugar do ranking.

Cercada de muita expectativa, Gauff furou o quali do WTA de Washington e ainda recebeu convite para o US Open. Com duas novas vitórias em Nova York, teve a oportunidade de enfrentar a número 1 do mundo Naomi Osaka, em jogo no horário nobre do Arthur Ashe Stadium e da TV americana. Ela fez 18 pontos na capital de seu país e mais 130 em Nova York para alcançar o 106º posto e ficar muito perto de debutar no top 100. Por conta da pouca idade e da regra que impõe um limite no número de torneios, Gauff pulou a temporada asiática e só voltou a jogar na semana passada em Linz, como 110ª do ranking. As vitórias e o título renderam 280 pontos e a sonhada vaga entre as cem melhores do mundo.