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Tênis italiano apresenta duas jovens promessas
Por Mario Sérgio Cruz
abril 25, 2019 às 10:25 pm

Ao mesmo tempo em que o tênis italiano comemora o primeiro título de Masters 1000 de sua história, com o veterano de 31 anos Fabio Fognini no saibro de Monte Carlo, duas jovens promessas do país começam a se destacar em torneios menores na atual temporada e escalam rapidamente o ranking.

Os atletas de 17 anos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti estão acumulando bons resultados em challengers nas últimas semanas e são postulantes à continuidade ao bom momento do tênis no país. É bem possível que eles também recebam oportunidades nos principais torneios da Itália, o Masters 1000 de Roma e o Next Gen ATP Finals, em Milão.

Jannik Sinner (17 anos, 314º do ranking, Itália)

Somando todos os níveis de competição, Jannik Sinner já tem 23 vitórias neste início de temporada. Ele conquistou seu primeiro challenger em fevereiro, nas quadras duras e cobertas de Bérgamo, e faturou 80 pontos no ranking. Ele se tornou ainda o primeiro jogador nascido em 2001 a vencer um torneio deste porte. Pouco depois, venceu dois títulos profissionais de nível ITF de US$ 25 mil nas cidades italianas de Trento e Santa Margherita di Pula, chegando a acumular 16 vitórias seguidas no circuito.

De seus atuais 96 pontos no ranking da ATP, apenas sete foram obtidos ainda no ano passado, enquanto 89 foram conquistados já em 2019. O jovem italiano estava no 551º lugar do ranking na virada do ano e aparece atualmente na 314ª posição.

Já nesta semana, Sinner conseguiu mais um importante feito. Ele entrou como lucky-loser na chave do ATP 250 de Budapeste, depois de ter vencido um jogo no qualificatório contra o tcheco Lukas Rosol e perdido para o alemão Yannick Maden. Em sua estreia na chave principal, venceu o húngaro Mate Valkusz por 6/2, 0/6 e 6/4, antes de cair nas oitavas para o sérvio Laslo Djere. A campanha rendeu 26 pontos no ranking e deverá levá-lo ao top 300.

Lorenzo Musetti (17 anos, 486º do ranking, Itália)

Por sua vez, Musetti iniciou a atual temporada conquistando o título juvenil do Australian Open e alcançando a vice-liderança no ranking mundial da categoria, mas rapidamente iniciou sua transição ao profissionalismo. O jovem italiano sequer aparecia no ranking da ATP até o mês passado, mas já ocupa atualmente a 486ª posição.

Há duas semanas, Musetti se tornou o primeiro jogador nascido em 2002 a vencer um jogo em chave principal de challenger. Ele conseguiu essa marca ao superar o Karim-Mohamed Maamoun no saibro francês Sophia Antipolis. Na semana seguinte, foi além, e venceu dois jogos na cidade italiana de Barletta para chegar às oitavas de final. Dessa forma, conseguiu rapidamente doze importantes pontos na ATP.

O compromisso de Musetti nesta semana é o challenger italiano de Francavilla, torneio para o qual recebeu convite, e já conseguiu duas vitórias. Logo na estreia, venceu o compatriota Gianluca Di Nicola por 6/3, 3/6 e 6/4. Já nesta terça-feira, fechou o primeiro set contra o cabeça 5 local e número 204 do mundo Matteo Donati por 6/4 antes de o rival abandonar a disputa. A campanha já rende mais sete pontos e o fará dar um novo salto no ranking. Musetti caiu nas oitavas para o bósnio Tomislav Brkic (297º do mundo), mas os 15 pontos garantidos no ranking o farão subir ainda mais e ganhar cerca de 30 posições.

Promessa de 16 anos já acumula 5 títulos em 2019
Por Mario Sérgio Cruz
abril 5, 2019 às 7:09 pm

Enquanto a elite do circuito feminino está sendo marcada por absoluto equilíbrio, com 14 campeãs diferentes em 14 torneios da WTA disputados neste início de ano, a situação não se repete no cenário dos torneios menores. Um dos nomes em franca evolução no começo da temporada é o de Clara Tauson. A dinamarquesa de 16 anos já venceu 12 jogos como juvenil e mais 15 como profissional nos três primeiros meses de 2019 e acumula cinco títulos somando as duas categorias. Com ótimo início de temporada, ela foi convidada para disputar seu primeiro WTA na semana que vem, no saibro de Lugano, na Suíça.

Tauson venceu ainda em janeiro o ITF J1 em Traralgon, na Austrália, competição preparatória para o torneio juvenil do Australian Open. Na semana seguinte, triunfou também em Melbourne. Com doze vitórias seguidas e apenas dois sets perdidos no período, a dinamarquesa somou 1.280 pontos no ranking mundial juvenil, suficientes para que ela saltasse do então quarto lugar para assumir a liderança.

Logo depois de conquistar o Grand Slam australiano, Tauson já passou a mirar sua transição ao profissionalismo. Em um excelente mês de março, venceu dois torneios ITF de US$ 15 mil em Monastir, na Tunísia, e em Xiamen, na China. Também em solo chinês, utilizou o ranking juvenil para entrar no ITF de US$ 60 mil de Shenzhen e terminou a semana com o título mais importante da carreira e 80 pontos no ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

Clara Tauson já venceu 27 jogos neste início de temporada, sendo 12 como juvenil e 15 como profissional, e aparece no 408º lugar do ranking da WTA.

A promessa dinamarquesa venceu três adversárias do top 200 em Shenzhen, a polonesa Magdalena Frech (176ª), a chinesa Jia-Jing Lu (186ª) e a também anfitriã Fangzhou Liu (172ª colocada e adversária da final). Outras vítimas foram a taiwanesa En-Shuo Liang (233ª) e a eslovaca Jana Cepelova, ex-top 50 e atual 247ª do mundo aos 25 anos. Até então sem ranking na WTA desde a virada do ano e a reestruturação do circuito profissional, Tauson saltou para a 408ª posição com o título na China.

Tauson já é a segunda melhor jogadora de seu país na classificação, ficando atrás apenas da ex-número 1 do mundo e atual 13ª colocada Caroline Wozniacki, que está com 28 anos. A jovem jogadora teve até a oportunidade de defender a Dinamarca pela Fed Cup, em fevereiro, sofrendo suas únicas duas derrotas no ano para a russa Natalia Vikhlyantseva e a polonesa Iga Swiatek.

Em entrevista ao site da ITF, Tauson falou sobre seu excelente início de temporada. “Até agora, 2019 foi um ano incrível para mim. Primeiro, eu ganhei dois torneios juvenis na Austrália e agora estou muito grata e feliz por ter conseguido vencer três torneios seguidos na Tunísia e na China”.

“Todas as vitórias são especiais, na minha opinião. No entanto, vencer o Australian Open é particularmente especial, já que eu sonhava em ganhar um Grand Slam desde que era uma garotinha. Tornar-se a número 1 no ranking juvenil da ITF também é incrível. Mas o torneio em Shenzhen foi, naturalmente, meu primeiro grande desafio em nível profissional”, avalia a jovem dinamarquesa.

A atleta de 16 anos também falou sobre as diferenças entre os dois circuitos e sobre suas metas para o restante da temporada. “De uma perspectiva física, você está competindo com jogadoras que estão há muito tempo em torneios profissionais. É bom para o meu desenvolvimento, pois aprendo muito a cada dia ao enfrentar jogadoras mais fortes e experientes. ”

“Meu objetivo para esta temporada é principalmente para melhorar meus fundamentos em todos os níveis. Sempre há algo para melhorar no tênis”, disse a dinamarquesa, que não está visando um ranking específico nesta temporada. “Espero disputar muitos torneios profissionais em um nível mais alto para descobrir o quão longe estou no meu desenvolvimento e onde especificamente eu preciso melhorar”.

Tauson faz parte de uma promissora nova geração de jogadores da Dinamarca. Dois jovens de 15 anos, Holger Rune e Elmer Moller, já estão no top 100 do ranking mundial juvenil da ITF e enfrentam adversários até três anos mais velhos. Além deles, Mikael Torpegaard está com 24 anos e ocupa o 229º lugar no ranking da ATP, enquanto Benjamin Hannestad tem 22 anos e disputa o circuito universitário norte-americano. Em entrevista ao TenisBrasil durante o Brasil Open, o veterano duplista de 35 anos e campeão de Wimbledon em 2012 Frederik Nielsen falou sobre os jovens jogadores de seu país.

“Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora”, afirmou Nielsen. “Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF”.

“Torpegaard é provavelmente o melhor jogador que temos agora. É muito bom que tenhamos um jogador consolidado no masculino e que possa abrir caminho para os mais jovens nos próximos anos”, avaliou. “Esses jovens são extraordinariamente bons, e mesmo os que estão um pouco atrás deverão ter a chance de ir para a faculdade. Temos o potencial para novas estrelas e também para outros jogadores muito bons e sólidos”.