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Reis supera metas, sofre com inoportuna catapora, e sonha com a Davis
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 30, 2018 às 10:33 am

Pouco mais de um ano depois de marcar seu primeiro ponto no ranking da ATP, João Lucas Reis cumpriu e até superou algumas metas que ele próprio determinava para sua temporada de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. O pernambucano de 18 anos pretendia disputar os Grand Slam como juvenil, vencer um torneio de nível future e terminar o ano entre 650 e 700 do mundo. A primeira conquista como profissional veio ainda em maio, no saibro de Curitiba, e ele termina a temporada com o melhor ranking da carreira, já no 554º lugar.

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

O jovem natural de Recife disputou três dos quatro Grand Slam do circuito mundial juvenil. Por méritos, poderia ter participado de todos, mas faltou sorte. Reis pegou catapora em momento inoportuno, a poucos dias de estrear no US Open. “Foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar”, disse Reis ao TenisBrasil durante a Maria Esther Cup, na semana passada, em São Paulo.

Também em 2018, Reis teve sua primeira experiência acompanhando a equipe brasileira da Copa Davis. Reserva no confronto contra a Colômbia em Barranquilla, o pernambucano aprovou a experiência, apesar do revés do time nacional. “A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam e a intensidade que eles colocam no treino”, recordou. “Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país”.

Reis começou a jogar tênis aos quatro anos e a treinar desde os sete, por influência do irmão mais velho Antônio Gabriel. O jovem jogador pernambucano se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. Hoje, já sente em casa, mesmo longe da família. “Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. Agora eu posso dizer que estou 100% adaptado”.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Queria que você avaliasse um pouco sua temporada. Você até falou que queria ficar entre 650º e 700º, mas chegou a 554º do ranking, que é acima da sua meta. Como você avalia esse ano?
Acho que foi um ano muito bom. Tive alguns altos e baixos, mas achei uma temporada bem boa. Consegui meu primeiro título profissional no início do ano, fiquei bastante feliz com a evolução que eu tive no meu jogo do início do ano para agora. Tive boas experiências e pude passar dois meses na Europa, um mês nos Estados Unidos, jogando meus últimos torneios juvenis, ainda consegui jogar três Grand Slam e consegui cumprir algumas metas. Achei bem bom.

Durante a semana em que você conquistou seu primeiro título em Curitiba, o que você sente que seu jogo encaixou e em termos de confiança também?
Acho que eu consegui jogar meu melhor tênis durante a semana inteira. Consegui crescer durante o torneio, o que é o mais importante, cheguei à final jogando muito bem. E bom… Acho que ajudou a evoluir meu nível de tênis, eu consegui subir mais um nível naquela semana, e deu bastante confiança para seguir trabalhando e seguir o meu sonho.

Você acompanhou a equipe da Davis. Como que foi a experiência? Jogar a Davis é um sonho que você tem mesmo com essa mudança de formato?
Foi uma ótima semana, uma bela experiência. A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam, a intensidade que eles colocam no treino e o capricho. Treinei com Clezar, com o Monteiro, com a dupla do Melo com o Demoliner, com o Sorgi… Com todo mundo. Eu aprendi bastante na semana. Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país.

Você foi contra a Colômbia ou contra República Dominicana?
Contra a Colômbia. Nós perdemos o confronto por 3 a 2, foi bem duro, mas valeu a semana da mesma forma.

Pouco antes do US Open, você pegou catapora. O quanto isso foi frustrante para você e como foi tratar a doença fora do Brasil, longe da família e longe até dos médicos que te acompanham normalmente?
Foi bem frustrante, porque antes do torneio eu estava me sentindo muito bem nos treinos. Eu estava sentindo que estava jogando muito bem na quadra rápida, estava bem confiante para o torneio, e aconteceu isso. Aí eu tive que ficar seis dias de cama, sem fazer nada. O Cristiano [Borrelli], que é o CEO do Instituto Tênis, a organização onde eu treino, ele me ajudou bastante na semana, e ficou como um enfermeiro para mim. E foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar. E depois eu continuei a gira, que eu não consegui jogar bem lá nos Estados Unidos.

– Era cabeça 1 nos futures, mas acabou perdendo na primeira e tal…
Sim. Nas primeiras semanas eu estava com uma energia baixa, sem ritmo, e não consegui jogar. Na terceira semana eu consegui jogar um pouquinho melhor. Mas foi um aprendizado. Mesmo nessas piores ocasiões, a gente aprende um pouco.

Mas como foi para diagnosticar? Você começou a sentir alguma coisa e já passou no médico do torneio?
Eu achei que eu estava com umas espinhas a mais, apareceram umas bolinhas, e aí eu fui no médico do torneio e eles me diagnosticaram errado. Eles falaram que eu estava com impetigo, que é um vírus que tem bastante lá nos Estados Unidos, e eu achei que eu podia jogar, porque ele falou que com aquilo eu podia jogar. Bom, eu falei: ‘Tô bem’. Mas aí um dia depois eu passei muito mal à noite, tive bastante febre, pioraram muito as bolinhas e aí eu fui de manhã num médico e eles falaram que eu estava com catapora e provavelmente não poderia jogar e tinha que ficar isolado.

E o médico era do US Open mesmo ou do torneio juvenil que você estava jogando na semana anterior?
Era o que estava no US Open juvenil, na semana do quali. Foi bem difícil. Talvez se ele falasse que eu estava com catapora e eu pudesse tratar uns três dias antes do torneio, talvez eu poderia estar um pouquinho melhor, mas ainda é difícil. Acho que, de todo jeito, não era para acontecer mesmo.

E você saiu da sua casa muito novo, com 14 anos, foi para São José [dos Campos] e depois foi para o IT (Instituto Tênis, em Barueri). Sua família continua em Recife ou se mudou para São Paulo depois?
Eu saí com 13 anos, ainda quando jogava torneios de 14, e vou bastante para Recife. Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. E agora estou muito bem. Mantenho bastante contato com todos os meus amigos e família, tento ir bastante para lá, mas eles vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo, a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante a não dar tanto valor à distância. E agora eu posso dizer que estou 100% adaptado.

A gente sabe que o circuito de futures tem um custo muito alto para o jogador e pouco retorno financeiro imediato. Como você tem feito para se manter? O IT oferece passagem e hospedagem? Vocês conseguem viajar com o técnico?
Bom, o IT me ajuda bastante nessa parte. Esse é meu primeiro ano que eu joguei future, e não joguei só future, joguei juvenil também, e eu não tenho como te dizer como é a vida dos profissionais que estão jogando já há algum tempo, mas este ano o IT me ajudou bastante. Em alguns torneios com hotéis e passagens, então eu não tive tanta necessidade quanto a isso. Eu só tenho a agradecer a eles por me dar toda essa estrutura.

Você é um cara bem tranquilo na quadra, não é muito de vibrar muito, de gritar muito. É algo que você traz de fora das quadras também e você consegue transformar isso em coisas positivas?
É, eu sou um cara bem tranquilo. Pelo menos, me falam isso, e eu também me considero. Acho que na quadra isso me ajuda a manter a concentração, mentalmente focado no que eu tenho que fazer. Em alguns momentos tenho que subir a energia, porque o tênis exige isso, fazer um pouco mais de barulho e vibrar mais. Eu também tenho a tendência de ficar um pouco apático às vezes, mas tenho que lutar contra isso todos os dias. É mais o temperamento mesmo.

Tem alguma meta para o ano que vem, não só de ranking, mas de desempenho. De repente, ganhar mais alguns futures, tentar jogar um challenger…
Acho que agora eu não tenho como falar isso, ainda não sei do meu calendário do ano que vem. Vou jogar esse torneio aqui, que vale bastante, e depois ficar de férias e pensar no meu calendário.

Ano na Espanha é positivo para Orlandinho e Felipe Alves
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2018 às 7:28 pm

Ao término da primeira temporada na Espanha, Orlando Luz e Felipe Meligeni Alves aprovam a experiência de treinar em Barcelona. Os jovens de 20 anos foram dois dos primeiros a usufruir da parceria firmada pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e a BTT Tennis Academy e foram acompanhados pelo experiente técnico brasileiro Léo Azevedo. Ambos os jogadores conseguiram títulos profissionais de nível future, subiram bastante no ranking e estão dispostos a manter o planejamento para 2019.

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Léo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Orlando Luz começou o ano como 725º do mundo e o encerra com a melhor marca de sua carreira, no 372º lugar. O gaúcho conseguiu 35 vitórias em torneios profissionais de nível future e disputou três finais, conquistando títulos em Vic na Espanha e Kassel na Alemanha, além de ter ficado com um vice-campeonato no Egito. Orlandinho também conquistou uma vitória no challenger de Buenos Aires, sua sexta na carreira neste porte e a primeira desde 2015.

“Acho que o ano foi incrível, depois de dois anos que eu não vinha jogando tão bem. Saí de casa, experimentei coisas diferentes e depois vi os resultados aparecendo”, disse Orlando Luz ao TenisBrasil, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo. “Tive a maior conquista da minha carreira, que foi um future de US$ 25 mil + H [hospedagem] em Kassel, atingi meu melhor ranking e voltei a ganhar rodada de challenger. Claro que foi difícil deixar a família, mas ao longo do tempo a gente vai se acostumando e os resultados mostram que foi a escolha certa”.

Já Felipe Meligeni Alves venceu seu primeiro jogo de challenger na carreira em sua cidade natal, Campinas, e conquistou seu primeiro future no Egito, em duelo nacional com Orlando Luz na final. O jovem paulista venceu 24 jogos de future e disputou três finais, saltando no ranking do 950º lugar para a atual 540ª posição. Seu recorde pessoal foi alcançado há pouco mais de uma semana, quando ocupou a 534º colocação na lista da ATP.

“Foi um ano muito positivo. Quando eu cheguei foi um pouco difícil para me adaptar com o frio, com o preparo físico e com a movimentação deles em quadra. O primeiro semestre não foi bom. Eu vinha jogando bem, mas não conseguia me encaixar mentalmente e manter meu nível de concentração. Acabei perdendo muitos jogos. Depois que fiz uma boa semana de treinamento no ATP de Barcelona, bastante coisa mudou. Fui para o Egito, e na segunda semana eu consegui encaixar bem e ganhar meu primeiro título. A partir daí comecei a me organizar muito bem, taticamente e mentalmente. Minha confiança subiu muito e esse final de ano e fiz mais duas finais. Avalio como um ano bem positivo, nunca havia feito um ano tão bom assim”, comenta Felipe Alves, que sentiu que já tinha atingido um teto enquanto estava no Brasil e que precisava mudar de base para explorar mais seu potencial.

“Quando eu estava aqui no Brasil, eu senti que estava numa zona de conforto muito grande. Estava perto de casa, estava com a minha família e estava realmente muito confortável. Encarar esse desafio de ir para a Espanha, que sempre foi meu sonho, que eu sempre falei para minha mãe e para o meu tio que era o lugar onde eu realmente queria ir. Quando surgiu a oportunidade, eu fiquei chocado”, complemento o sobrinho do ex-número 25 do mundo Fernando Meligeni.

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio

Os dois jovens jogadores chegaram a decidir um título de future no Egito, vencido por Felipe Alves.

Tanto Orlando quanto Felipe enalteceram o trabalho com Léo Azevedo e destacam as qualidades do treinador, que atuou por oito anos na USTA (Associação Norte-Americana de Tênis), além de já ter trabalhado na Espanha, de 2003 a 2006, na academia de Juan Carlos Ferrero. “O Léo é muito, muito bom. Como treinador entende muito de tática e muito do lado mental. Se eu não tivesse ajustado meu lado mental, eu não estaria onde estou”, afirma Felipe Alves. “Foi um bom ano de aprendizado, porque nunca tive essa experiência. O Léo me ajuda bastante e pega bastante no meu pé, porque eu sou um cara bem extrovertido e que fala bastante. Ele tenta me puxar e me deixar mais de boa”, complementa o paulista, que é corroborado pelo colega. “Acho que ajudou bastante. Ele sabe tirar muito bem o melhor de cada jogador”, afirma Orlando Luz. “Como ele viajava com a Federação Americana (USTA), eu acabava me encontrando com ele nos torneios juvenis, mas nunca tinha trabalhado com ele. A primeira experiência foi quando eu cheguei na Espanha mesmo”.

Para Orlando Luz, foi fundamental ter um ano sem lesões, depois de lidar com muitos problemas físicos na temporada passada. “Em 2017 foi meio parado. Tive lesão nas costas, no ombro, na perna e fiz uma cirurgia no olho, que foi o que me parou por mais tempo. E mesmo quando eu voltei, ainda não estava legal. E este ano, não. Joguei o ano inteiro e acho que essa foi uma das minhas maiores vitórias. Pude jogar durante a temporada sem nenhuma lesão ou dor que me impedisse de competir”.

O gaúcho de 20 anos destaca uma mudança tática em seu jogo, que o fez colocar mais primeiros serviços em quadra e ser menos vulnerável. “Esse ano eu melhorei bastante o meu saque. A gente mudou alguma coisinha ou outra. Mudei um pouco a minha mentalidade de sacar só para jogar dando ace para sacar talvez 80% e ter uma bola mais mastigada no meio da quadra para começar o ponto jogando de direita ou algo do tipo. Então não mudou tanto a técnica, mas mais a mentalidade de como usar o saque. Acho que isso foi muito importante para essa melhora”.

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Diante das mudanças previstas para o circuito profissional na próxima temporada, Orlandinho espera atuar em mais torneios de nível challenger. Na reta final de 2018, o gaúcho tentou uma série de torneios neste porte no saibro sul-americano, e furou o quali em Buenos Aires já em seu último torneio na temporada do circuito. Outra meta para o ex-líder do ranking mundial juvenil é buscar maior consistência ao longo da temporada, para que os resultados venham já nas primeiras semanas das giras de torneios.

“Já aconteceu de eu acabar jogando melhor na terceira ou quarta semana da gira, como já aconteceu de jogar melhor logo na primeira, mas a gente vem fazendo um trabalho bem sólido para tentar tirar proveito em todas as semanas”, avaliou o gaúcho. “Quando a gente foi para o Egito, o resultado veio na segunda semana de uma gira de cinco torneios e depois eu ganhei em Vic, na Espanha. Ainda estava tendo altos e baixos e, na metade do ano, consegui fazer três resultados seguidos com semi, campeão e semi. A gente está buscando isso, a constância de resultados por mais tempo”.

“Meu objetivo para o ano que vem seria me firmar nos challengers, ainda mais com essa mudança de ranking. A ideia é jogar cada mais vezes os challengers e deixar os futures de lado. Mas quando precisar, eu vou jogar. Talvez no começo do ano, porque às vezes fecha muito forte, é longe e todos os lugares são muito frios na Europa. Então tem poucas opções para viajar”, comenta Orlandinho, que avalia as diferenças entre os adversários dos dois níveis de torneios. “A diferença é grande na parte mental. Os caras são muito melhores e são diferenciados do pessoal do future. Eles vão dar menos pontos de graça. Se no future, o cara joga mal em três games seguidos, no challenger eles vão jogar um e olhe lá. Eles são muito mais constantes durante o jogo, eles jogam menos pontos mal que nos futures. Acho que isso é a maior diferença e os jogos são cada vez mais fortes, na questão física também, mas isso é uma coisa treinável. Tudo é treinável”.

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves teve uma reta final de 2018 um pouco diferente de seu parceiro, já que seguiu no Brasil para jogar futures e disputou duas finais, em São Carlos e Curitiba. “A princípio, a gente faria a gira da América do Sul nos challengers, mas como não sabíamos como iam fechar as listas, porque no ano passado estavam muito fortes. Acabou que eu poderia ter entrado, porque alguns fecharam com ranking 800 e até 1.000, mas gente acabou optando por jogar os futures no Brasil para baixar um pouco o ranking e aproveitei para somar, ganhar confiança. para jogar na última semana em Buenos Aires. Joguei bem em lá, mas não consegui aproveitar a chance que eu tive. Por um lado, foi bom não ter ido antes”.

O paulista também relatou a experiência de jogar em sua cidade natal e conseguir a maior vitória da carreira, diante do argentino Federico Coria no challenger de Campinas. “Eu estava muito ansioso, não tinha feito bons resultados na gira, tinha perdido em três primeiras rodadas e estava sentindo que jogava bem, mas perdia sempre no detalhe”, lembrou. “Eu estava me preparando bem e essa era a chance de me garantir para o ano que vem, depois dessa mudança de ranking. Estava nervoso, minha família inteira estava lá, mas eu soube lidar com isso desde o começo. No segundo set, dei uma caída na intensidade, ele começou a jogar melhor, mas no terceiro eu tive um pico de energia que me ajudou bastante, a galera me deu muito apoio. Quando acabou o jogo, eu chorei de tanta emoção, que foi realmente especial e tirei um peso, uma geladeira das costas, e depois daí foi bem mais tranquilo”.

Sobrinho de um semifinalista de Roland Garros, Felipe Meligeni Alves coloca estar no quali do Grand Slam francês entre suas metas para 2019. “Eu queria muito poder jogar o quali de Roland Garros. É um torneio especial, tanto pelo meu tio quanto pelo meu vô que gostava bastante. É um torneio especial”.

Os dois jovens jogadores também contam que desenvolveram uma relação fraternal ao morarem juntos na Espanha. “A gente tem uma relação de irmão. A gente mora junto, dorme no mesmo quarto e a gente faz tudo junto na Espanha. Ajudou muito, porque se eu estivesse sozinho, com certeza seria diferente. Cheguei lá no primeiro dia, com vergonha e não sabia com quem falar na casa onde eu moro. E aí quando o Orlando chegou, a gente vem se ajudando bastante e vem melhorando junto durante o ano”, explicou Felipe Alves. Atualmente os dois dividem um quarto numa casa de família, que ainda abriga outros jovens. “Tem a mulher, o marido dela e a filha, e mais uns sete ou oito moleques que ficam lá. Tem tudo na casa. É bem confortável”.

Wild mira torneios maiores e quer ser número 1
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2018 às 6:13 pm

Depois de encerrar sua carreira juvenil como o título do US Open e garantir sua vaga para a próxima edição do Rio Open, Thiago Wild mira a transição para os torneios maiores e quer se estabelecer na elite do circuito o mais rápido possível. Vencedor de dois títulos profissionais de nível future, o paranaense de 18 anos está disposto a seguir buscando resultados resultados nos challengers – como já fez no segundo semestre de 2018 – para tentar chegar aos eventos do circuito ATP. Em vídeo produzido pela equipe de comunicação do Rio Open, Wild reiterou que seu maior sonho no tênis é ser o número 1 do mundo.

A experiência no ATP 500 do Rio de Janeiro, que será disputado entre 16 e 24 de fevereiro de 2019, será a segunda de Wild em uma chave principal de ATP. Em fevereiro de 2018, ele recebeu convite para a disputa do Brasil Open, em São Paulo, e caiu em três sets diante do veterano argentino Carlos Berlocq, então número 131 do mundo. “Será uma entrada nos torneios maiores. Eu joguei em São Paulo, mas como convidado. Meu ranking não era tão bom e eu não estava tão preparado como estou hoje”.

Wild falou ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, torneio entre oito jovens jogadores brasileiros e que valia vaga para o Rio Open do ano que vem. Campeão do evento disputado nas quadras da Sociedade Harmonia de Tênis, paranaense fez uma avaliação sobre a temporada e seu momento de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. Depois de ter alcançado o 406º lugar do ranking da ATP em outubro, ele aparece atualmente na 536ª posição. A recente queda, entretanto, não é motivo de preocupação, ainda mais com as mudanças previstas para o circuito profissional a partir de 2019.

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

“Para o ano que vem os futures não vão mais valer. Então eu poderia muito bem ter jogado futures de US$ 15 mil, ganhar dois torneios e subir mais no ranking. Para mim, beleza. Mas isso não ia me acrescentar nada”. disse Thiago Wild. “Então para mim é melhor estar com um ranking desse, até porque meus pontos na ATP não vão cair e vou ficar em torno de 400 baixo no ano que vem”

“Acho que o principal para o momento que estou hoje é me dar um passaporte para o circuito da ATP, para eu poder me acostumar com o circuito challenger. Se eu ficar jogando future, eu não vou conseguir chegar nos ATP”, acrescentou o paranaense, que ao longo da última semana venceu jogos contra Orlando Luz, João Lucas Reis, Gilbert Klier e Rafael Matos.

Entre os pontos altos da temporada profissional de Wild estão o título em um future em São José do Rio Preto e a chegada às quartas de final do challenger de Campinas. “Uma quartas de final em challenger, com certeza, vale muito mais que qualquer future. Eu acho que o circuito future ainda tem muito amador. Ainda é um circuito em que as pessoas ainda vão lá para ver se vão querer jogar e se vão vingar. E no circuito challenger não. Todas as pessoas lá já têm a consciência de que queriam jogar e vingaram até um certo nível para se fixarem ali. A principal diferença do challenger para o future é o comprometimento dos caras, é a decisão que eles já tomaram na vida deles. Então o nível é maior e um nível que eu já tenho que me acostumar a jogar”.

Wild ainda não tem um planejamento definido para a temporada de 2019. No entanto, ele mantém o objetivo de se garantir entre os 200 melhores jogadores do mundo para entrar diretamente nas chaves principais de challenger e não precisar dos qualificatórios, em que os jogadores precisam atualmente de três vitórias para começar a receber pontos no ranking e premiação em dinheiro. “Tenho que ver o que eu vou jogar. É uma dúvida porque a gente não sabe como vão ficar os torneios”, explicou o paranaense, antes de reforçar suas metas. “O mais rápido possível entre os 200. Mas para entrar em challenger, com 250 já dá, às vezes até 300″.

Quando venceu o torneio juvenil do US Open, Wild lembrou da semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho. Na época, ele ainda se recuperava de lesão no ombro, não atuou em seu melhor nível, e apesar de ter ficado feliz com a campanha, sentiu que ainda não estava satisfeito e buscava um coisa maior em seu último ano na categoria. “É basicamente isso, porque eu já estava machucado. Desde os futures no Brasil eu já estava com bastante dor no ombro, mas achei que era algo muscular. Era algo mais sério, com relação a articulação, com relação à parte óssea, mas eu consegui me recuperar bem. E era meu último Grand Slam, minha última chance de ganhar um e então eu falei ‘É agora ou nunca’. Ganhar um Grand Slam é o sonho de qualquer tenista juvenil”.

Como é comum com jogadores que conquistam um título juvenil de Grand Slam ou lideram o ranking mundial da categoria, Wild relata ter recebido propostas para compromissos comerciais e que estuda as melhores opções. “Na verdade, eu já tenho contrato com uma agência. Comecei um contrato com a Octagon agora em janeiro, mas com certeza surgiram mais propostas, inclusive propostas que eu estou estudando para escolher o que é melhor para mim”.

Também em 2018, Wild recebeu sua primeira convocação oficial para a equipe da Copa Davis, durante o duelo contra a República Dominicana em fevereiro, embora não tenha atuado em nenhuma das partidas na série. O paranaense também já havia acompanhado o time em outras oportunidades desde 2016 e sonha defender o Brasil na Davis, embora o novo formato da competição não o agrade. “É o desejo de todo jogador”, afirmou.

“Acho que ficar com o time da Davis é basicamente estar na Seleção Brasileira. Então a concentração é diferente, o nível de comprometimento também. É um torneio diferenciado porque você está em equipe e tem um treinador dentro de quadra e é uma coisa completamente distinta do circuito de simples”, disse Wild, que compara a Nova Davis ao Mundial de 16 anos, por ter sede única e ser disputado ao longo de apenas uma semana. “Parece com o Mundial de 16 anos. Vai ter o mesmo formato. Não tem mais o prestígio da Copa Davis. É um Mundial que eles vão para ver quem ganha e só”.

Zverev lidera sua geração nos números e atitudes
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 19, 2018 às 8:53 pm

Campeão do ATP Finals, Alexander Zverev ratificou ainda mais sua condição como o grande nome da nova geração do tênis. Em um final de semana excelente, ele superou os principais cabeças de chave e dois dos maiores vencedores na história do torneio sem perder sets. Foi assim com o hexacampeão e recordista de títulos Roger Federer na semifinal e com o dono de cinco conquistas Novak Djokovic na rodada decisiva.

Em um momento em que o circuito masculino tem sido dominado por jogadores acima dos 30 anos, que hoje ocupam sete vagas do atual top 10, o alemão de 21 anos vem conseguindo marcas que não vistas há praticamente uma década. Um exemplo é que Zverev é o mais jovem campeão do torneio desde o próprio Djokovic, que tinha a mesma idade quando triunfou na China em 2008. Além disso, desde que a ATP passou a promover seus novos nomes do circuito, há pouco mais de dois anos, o alemão vem sempre se mantendo um ou mais degraus acima de outros companheiros na mesma faixa etária.

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Integrante mais jovem do atual top 10, Zverev termina a segunda temporada seguida na quarta posição do ranking mundial e está a apenas 35 pontos do terceiro colocado Federer. Por mais que 2018 tenha sido um bom ano para jogadores jovens, nenhum dos atletas contemporâneos do alemão conseguiu romper a barreira dos dez melhores do mundo.

Ambos com 22 anos, Karen Khachanov e Borna Coric são os mais próximos de entrar no top 10, já que ocupam o 11º e o 12º lugar no ranking divulgado nesta segunda-feira. Ainda no top 20, estão o britânico de 23 anos Kyle Edmund, 14º colocado, seguido pelo grego de 20 anos Stefanos Tsitsipas seguido e pelo russo de 22 anos Daniil Medvedev. O top 30 ainda conta com o sul-coreano de 22 anos Hyeon Chung (25º) e com o canadense de 19 anos Denis Shapovalov (27º).

Entre todos esses expoentes da nova geração, Zverev é de longe o jogador com maior número de títulos. Já são dez ao todo, incluindo o Finals e três Masters 1000. Khachanov tem quatro conquistas, com destaques para o Masters de Paris, Medvedev venceu três torneios, enquanto Coric tem dois, contra um de Edmund e Tsitsipas. Chung e Shapovalov ainda não venceram um torneio da ATP.

Nas vitórias contra jogadores do top 10, Zverev lidera por 19 a 12 sobre Coric, seu perseguidor mais próximo. Khachanov venceu sete jogos na carreira contra top 10, quatro deles seguidos na campanha vitoriosa em Paris. Outro que também bateu sete nomes deste nível é Tsitipas. Edmund tem duas vitórias contra top 10, enquanto Chung, Medvedev e Shapovalov só venceram um jogo deste porte, cada um.

Em torneios Masters 1000, além dos títulos de Zverev e Khachanov, os únicos que disputaram finais foram Tsitsipas e Coric, enquanto Shapovalov já esteve em duas semis. O único feito em que alguns colegas superam o alemão é uma boa campanha em Grand Slam. Ao passo que Zverev tem como melhor resultado as quartas de final de Roland Garros, Edmund e Chung deram um passo a mais e foram semifinalistas na Austrália em janeiro.

Outros dois bons jovens jogadores rondando as primeiras posições são os australianos Alex De Minaur e Nick Kyrgios. Revelação da temporada e número 31 do mundo aos 19 anos, De Minaur já chegou a duas finais de ATP e ainda busca o primeiro título e a primeira vitória contra um top 10. Já o controverso Kyrgios tem 23 anos, já foi número 13 do ranking e hoje aparece no 36º lugar. Ele já tem quatro títulos de ATP, foi finalista no Masters 1000 de Cincinnati no ano passado e acumula 15 vitórias sobre adversários nas dez primeiras posições.

Nos confrontos diretos, Zverev leva vantagem sobre quase todos os adversários. O alemão tem 4-0 contra Medvedev e Edmund, 3-0 sobre De Minaur, 2-0 sobre Shapovalov e 2-1 diante de Khachanov. O histórico está empatado contra Tsitsipas e Kyrgios, sendo 1-1 diante do grego e 3-3 contra o australiano. Apenas Coric e Chung tem retrospecto positivo contra o alemão. O croata lidera por 3-1, enquanto o sul-coreano tem 2-1.

Por conta desses e de outros números que o colocam um nível acima, Zverev foi perguntado após o título em Londres se ele sentia como um líder da nova geração do circuito. “Eu não posso te dizer se eu serei o futuro líder do tênis, que é uma questão muito profunda no momento, e não acho que eu deveria ser o único a responder a esta pergunta, não sou qualificado para isso”, comentou após derrotar Novak Djokovic por 6/4 e 6/3 no último domingo. “Eu me sinto ótimo, mas o futuro ainda tem muitos anos pela frente e tudo pode acontecer. O que eu sei é que vou fazer o possível para estar no topo, por isso tenho que vencer os melhores nos grandes torneios”,

Zverev lembrou até mesmo do retrospecto recente de Djokovic contra os jovens jogadores para comentar o sucesso da nova geração do tênis. Durante o segundo semestre de 2018, Djokovic venceu 35 dos últimos 38 jogos que disputou e só foi parado por nomes da nova geração nesta metade do ano. Antes de Zverev, os únicos que conseguiram derrotar o sérvio nesse período foram Tsitsipas nas oitavas de em Toronto e Khachanov na decisão em Paris. “Os dados estão lá. Novak perdeu para Khachanov em Paris e para Tsitsipas em Toronto. Fico feliz em ver que a nova geração está chegando pouco a pouco”.

Líder fora de quadra – O jovem jogador de 21 anos também vem exercendo uma figura de liderança nas discussões sobre o calendário do circuito e a duração da temporada. Além de já ter se posicionado contra a mudança nas datas e formato da Copa Davis. “Eu não vou jogar a Copa Davis em novembro. Nós tempos um mês e meio entre uma temporada e outra, no final de novembro e em dezembro. Fazer um torneio no fim de novembro, quando todos nós estamos cansados é uma loucura. Nós, como jogadores top, tivemos conversas com a ATP para diminuir a temporada e não torná-la ainda mais longa”, disse ainda durante o Masters 1000 de Xangai.

“O problema não é nem a quantidade de torneios que jogamos no ano, mas quanto tempo dura a temporada. Mesmo se você não estiver jogando um torneio naquela semana, você não pode tirar essa semana de folga. Você tem que estar treinando, você tem que estar se preparando”, comentou após a fase de grupos do Finals, em Londres. “Nós não temos tempo para nos preparar fisicamente e mentalmente, e também não temos tempo para nos dar descanso. Você só pode fazer isso durante período de pré-temporada, e não quando há outros torneios em que você apenas não está jogando”

O atual número 4 do mundo também cita suas conversas com o líder do ranking mundial e presidente do Conselho de Jogadores da ATP Novak Djokovic para justificar sua posição. “Se você perguntar a Novak, ele concorda comigo. Já tivemos essa conversa. Ele tem pensado da mesma forma nos últimos 10 anos, mas nunca falou sobre isso. Agora que os jogadores estão falando sobre o assunto, ele também fala”.

Sinal de amadurecimento – Zverev nunca escondeu um lado mais explosivo, nas discussões ríspidas com árbitros ou em respostas atravessadas em entrevistas coletivas. Mas durante a semana em Londres, deu sinais de maturidade também nesse lado. Especialmente no episódio das vaias sofridas nos momentos decisivos da semifinal contra Roger Federer, vencida por 7/5 e 7/6 (7-4) no último sábado. Quando perdia o tiebreak do segundo set por 4-3, alemão parou um ponto que era dominado por Federer e o árbitro Carlos Bernardes aplicou a regra do ‘let’ para mandar voltar a jogada, depois que um dos boleiros deixou a bola correr no fundo da quadra. Na volta, o germânico encaixou um ace e foi vaiado pelo público.

Embora Zverev tenha agido dentro das regras, criou-se um ambiente seguiu hostil ao jovem jogador de 21 anos até o final do jogo e ele chegou a pedir desculpas aos torcedores. “Em primeiro lugar, quero me desculpar pela situação no tiebreak. O boleiro deixou uma bola cair e a regra diz que é preciso repetir o ponto”, disse Zverev em entrevista ainda em quadra logo após a partida. “Já pedi desculpas a Roger na rede, e ele me disse que ‘está tudo bem e que está nas regras’. E agora falo para o público, porque há muitos fãs de Roger aqui. Por tudo o que ele conseguiu, ele é quem tem mais fãs no mundo”.

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Aos jornalistas, Zverev também falou sobre o incidente e não escondeu o quanto a situação o abalou emocionalmente. “Quando você é vaiado, nunca é uma sensação agradável. Eu pedi desculpas ao Roger na rede depois e ele me disse: ‘Você não tem absolutamente nada para se desculpar, não se preocupe com isso’. Mas talvez algumas pessoas do público não sabiam o que realmente aconteceu e qual era a situação”, afirmou. “As vaias se transformaram em aplausos depois, o que me ajudou. Obviamente, muitas emoções estão passando pela minha cabeça. Fiquei muito chateado no vestiário também, não vou mentir. Tive que tirar alguns minutos para mim. Eu espero que as pessoas que estavam vaiando vejam o que realmente aconteceu. Talvez apenas percebam que eu talvez não tenha feito nada de errado”.

As palavras do número 1 – Superado por Zverev na decisão do Finals, Djokovic acredita que o jovem alemão tem potencial para superar seus feitos no circuito. Apesar da decepção pela derrota e desempenho na partida de domingo, o pentacampeão do torneio fez questão de valorizar a inédita conquista de seu adversário.

“Há muitas semelhanças em termos de trajetória em relação às nossas carreiras e espero que ele possa me superar”, disse Djokovic, ao ser lembrado que Zverev é o campeão mais jovem do torneio desde o próprio sérvio em 2008. “Posso dizer que ele é uma pessoa com muita dedicação e merece tudo o que está recebendo, embora ainda tenha muito tempo pela frente. Se ele pode ganhar títulos de Grand Slam? É claro, mas já sabemos disso há muito tempo, não só a partir de hoje”.

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“Estou desapontado com meu jogo mas, ao mesmo tempo, muito feliz por ver o Alexander ganhar um título tão importante como este”, comenta o sérvio sobre o título mais importante da carreira de Zverev. “Temos um ótimo relacionamento, vivemos no mesmo lugar, somos uma grande família e compartilhamos muitas coisas, dentro e fora de quadra. Você o vê levantando o troféu e rapidamente entende o quanto isso significa para ele. Ele merece”.

Perguntado sobre a afirmação de Djokovic, Zverev respondeu com bom humor. “Novak disse que posso acabar ganhando mais títulos que ele? Jesus não! Isso é muita coisa!”, comenta o jovem campeão. “Quero dizer, eu ganhei esse torneio uma vez, ele ganhou cinco. Ele ganhou, eu não sei, uns 148 títulos mais do que eu. Eu espero que eu possa ter uma grande carreira, mas agora eu só penso em curtir as férias e relaxar um pouco”.

Conheça os jogadores e regras do Next Gen ATP Finals
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 5, 2018 às 11:50 pm

A segunda edição do Next Gen ATP Finals dá a largada nesta terça-feira em Milão. O evento destinado a jogadores de até 21 anos terá sete jovens destaques da temporada masculina, além de um convidado vindo de uma seletiva italiana. A fase de grupos será disputada até a próxima quinta-feira, com semifinais na sexta e decisão do título no sábado. Nos três primeiros dias de evento, serão quatro jogos por rodada em duas sessões às 11h e às 16h (de Brasília). No Brasil, o evento é transmitido pelo canal Bandsports.

Assim como no ano passado, o torneio irá testar algumas regras diferentes. Destaque para o formato da pontuação, com cinco sets de até quatro games. A disputa também não terá vantagens nos games com 40-iguais, e nem ‘let’ para o saques que tocam na fita. Não há a presença de árbitros de linha, já que todas essas marcações são definidas eletronicamente. Para a edição de 2018, também haverá a possibilidade de revisão por vídeo em lances subjetivos como quique duplo da bola em quadra ou toque dos jogadores na rede.

Disputas serão em cinco sets, definidos em até quatro games.

Disputas serão em cinco sets, definidos em até quatro games.

Outra novidade para o segundo ano do evento é um novo protocolo sobre as funções dos boleiros em quadra. Os jogadores terão espaço para pendurar as toalhas no fundo da quadra, fazendo com que os voluntários apenas recolham e distribuam bolas aos atletas. A discussão voltou à tona recentemente após atitudes ríspidas de Fernando Verdasco e Stefanos Tsitsipas ao exigirem mais rapidez dos boleiros na entrega de toalhas e raquetes e reavivam o debate sobre as atribuições desses auxiliares.

“Eu já fui um pegador de bola. Confiem em mim, o trabalho que eles têm que colocar para ter as coisas em ordem é duas vezes maior que nosso, dos jogadores na quadra. Eu aprecio tudo o que eles têm que passar para nos fazer sentir confortáveis e satisfeitos enquanto fazemos o nosso trabalho. Eles são uma grande ajuda!”, disse Tsitsipas, por meio de seu perfil no Twitter, em pedido de desculpas depois de um incidente uma boleira no ATP 500 da Basileia.

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Pelo segundo ano consecutivo, haverá comunicação por rádio entre jogadores e técnicos e um relógio de 25 segundos para determinar o tempo de saque. O público também terá a oportunidade de circular livremente pela arena montada no pavilhão de exposições da Fiera Milano. Normalmente, nos torneios da ATP, existe uma determinação para que os torcedores só possam andar pelas dependências dos estádios durante as viradas de lado.nextgenrules-2018-1920x1080

GRUPO A

  • Stefanos Tsitsipas: Principal cabeça de chave e número 15 do mundo, o grego de 20 anos começou a temporada no 91º lugar do ranking e logo de cara já foi do quali até as quartas em Doha. Tsitsipas disputou duas primeiras finais pela elite do circuito no ATP 500 de Barcelona e no Masters 1000 de Toronto, caindo diante de Rafael Nadal nas duas ocasiões. Já em outubro, o grego conquistou seu primeiro ATP nas quadras duras e cobertas de Estocolmo. Ao longo da temporada de 41 vitórias e 27 derrotas, Tsitsipas se tornou o primeiro jogador de seu país a entrar no top 20, a vencer um torneio ATP, a disputar uma final de Masters e a chegar às oitavas de final em um Grand Slam.
  • Frances Tiafoe: O norte-americano de 20 anos começou o ano no 79º lugar do ranking e aparece atualmente como número 40 do mundo, chegando a ocupar a 38ª posição em agosto. Ele conquistou seu primeiro ATP em fevereiro, nas quadras duras de Delray Beach, onde chegou a derrotar Juan Martin del Potro pelo caminho.
  • Hubert Hurkacz: O polonês de 21 anos saltou da 238ª para a 85ª posição do ranking e chegará a Milão embalado pela conquista do challenger francês de Brest há duas semanas. Ele também triunfou em casa, no saibro de Poznan, em junho, e foi finalista na cidade chinesa de Zhuhai em março. Na elite do circuito, furou os qualis de Roland Garros, Wimbledon e US Open, vencendo dois jogos de Grand Slam. Seu recorde pessoal no ranking foi o 79º lugar, alcançado na semana passada.
  • Jaume Munar: O jovem espanhol de 21 anos treina na Rafa Nadal Academy em Mallorca e iniciou a temporada na 184ª posição e debutou no top 100 em junho. Ele aparece nesta semana no 76º lugar do ranking, marca que é a melhor de sua carreira. Ao longo da atual temporada, Munar venceu nove jogos em nível ATP, com destaque para a semifinal alcançada no saibro de Kitzbuhel. Já nos torneios de nível challenger, conquistou títulos em Caltanissetta e Prostejov.

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GRUPO B

  • Alex de Minaur: Segundo favorito no torneio, o australiano de 19 anos e número 31 do mundo é uma das revelações da temporada. De Minaur ocupava apenas o 208º lugar do ranking no dia 1º de janeiro e, em duas semanas, saltou para o 167º lugar depois de uma semifinal em Brisbane e um vice-campeonato em Sydney. A chegada ao top 100 aconteceu em junho, após bons resultados em challengers na grama. Já em agosto, foi finalista do ATP 500 de Washington.
  • Taylor Fritz: O norte-americano de 21 anos chama atenção do circuito desde que foi número 1 do ranking mundial juvenil em 2015 e alcançou uma final de ATP em Memphis no ano seguinte. Depois de lidar com muitas lesões no joelho e resultados aquém do esperado em duas temporadas seguidas, Fritz teve o melhor ano da carreira em 2018 e enfim debutou no top 50 nesta segunda-feira, quando aparece no 47º lugar.
  • Andrey Rublev: O russo de 21 anos e 68º colocado ficou três meses sem jogar, entre abril e julho, por conta de uma lesão nas costas. Como não conseguiu defender o título do ATP 250 de Umag, conquistado no ano passado, caiu do ranking e aparece distante de seu recorde pessoal, que foi a 31ª posição alcançada em fevereiro. Seu resultado de maior destaque na temporada foi a semifinal no ATP 500 de Washington.
  • Liam Caruana: Convidado para a disputa do torneio, Caruana tem 20 anos e é apenas o número 622 do mundo. A melhor marca de sua carreira foi o 375º lugar, obtido em fevereiro. O italiano precisou vencer três jogos durante a seletiva nacional e buscou viradas contra Luca Giacomini e Raul Brancaccio nas rodadas decisivas. Caruana tem um título de future e sete vitórias em challenger na carreira.

PROGRAMAÇÃO: No primeiro dia do torneio, Tsitsipas e Munar abrem o Grupo A às 11h, seguidos pelo duelo entre Rublev e Fritz pelo Grupo B. A rodada continua às 16h30 com Tiafoe e Hurkacz pela primeira chave, enquanto De Minaur será desafiado por Caruana na sequência da programação. A programação da segunda rodada do torneio depende dos resultados do primeiro dia.

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