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Juvenis marcam primeiras vitórias do Quênia e Irã em Slam
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 23, 2022 às 11:19 am

Meshkatolzahra Safi é a número 74 do ranking juvenil e venceu seis títulos no ano passado (Foto: Jimmie48/WTA)

O domingo em Melbourne foi histórico para dois países que comemoraram vitórias inéditas em partidas de Grand Slam no circuito juvenil. A queniana Angella Okutoyi e a iraniana Meshkatolzahra Safi venceram seus jogos pela rodada de estreia do Australian Open da categoria.

Safi, de 17 anos, é a primeira iraniana a entrar no top 100 do ranking mundial juvenil e pioneira em seu país na disputa do Australian Open. Ela ocupa atualmente o 74º lugar do ranking e venceu a australiana Anja Nayar por 6/4 e 6/3, e vai enfrentar a belga Sofia Costoulas, cabeça 8 do torneio, na próxima rodada em Melbourne.

Por conta das islâmicas e como já acontece em outros esportes, Safi enfrenta o calor do verão australiano usando um lenço na cabeça, calças compridas por baixo do short e camisetas de mangas longas. Ainda assim, espera se tornar uma fonte de inspiração para outras tenistas de seu país.

“Embora este não seja meu objetivo final, é uma sensação incrível saber que sirvo de uma motivação para outras jogadoras iranianas e poder incentivá-las”, disse Safi ao site da ITF. Ela já tem oito títulos no circuito mundial juvenil, seis deles no ano passado. “Existe a crença entre os jogadores iranianos de que é difícil conquistar algo em nível internacional. Espero os meus resultados encorajem tenistas e treinadores a dobrarem seus esforços”.

“No início, senti que era muito difícil e a experiência de outros jogadores anteriores mostrava que havia pouca esperança de grandes conquistas no tênis, especialmente com recursos e apoio limitados. Mas eu tenho uma grande motivação”, explica a iraniana, que começou a jogar tênis em um projeto de identificação de talentos da ITF mantido em Karaj, cidade industrial próxima à capital Teerã. “Não é fácil melhorar como jogadora no Irã, especialmente quando algumas pessoas podem dizer que não há futuro no tênis, comparado a outros esportes no Irã com grandes conquistas. É promissor para mim ter pessoas ao meu redor para me encorajar”.

Já Okutoyi é a atual 62ª do ranking e venceu a italiana Federica Urgesi por 6/4, 6/7 (5-7) e 6/3. Ela enfrenta a australiana Zara Larke na próxima rodada. Segundo o portal Kenyans.co, de seu país, a queniana começou aos quatro anos. Já quando tinha dez anos, em 2014, passou a treinar no Centro de Treinamento Regional da ITF da África Oriental, com uma bolsa de estudos patrocinada pelo tênis. Ela se destacou em campeonatos disputados no continente africano e retornou ao seu país de origem em 2016, passando a treinar em um CT da ITF no Nairobi Club

“Estar em um Grand Slam é como um sonho para mim. É uma experiência única e muito feliz e orgulhoso de estar onde estou”, disse a queniana, em vídeo divulgado nas redes sociais. Ela já tem seis títulos no circuito juvenil da ITF, três deles em 2021. “Minha principal expectativa para este torneio é aproveitar o momento e dar tudo de mim. Espero jogar bem minha meta é estar nas quartas de final”.

Nova geração: As perspectivas e lições das derrotas
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 22, 2022 às 4:50 pm

Aliassime chega às oitavas de final do Australian Open pelo segundo ano seguido e busca sua melhor campanha em Melbourne (Foto: Peter Staples/ATP)

A primeira semana de jogos do Australian Open chegou ao fim neste sábado, com a definição dos últimos classificados para as oitavas de final. A nova geração do tênis segue representada por Amanda Anisimova, Iga Swiatek, Jannik Sinner e Felix Auger-Aliassime, que falaram sobre suas perspectivas para a sequência na competição. Já nomes como Emma Raducanu, Carlos Alcaraz e Leylah Fernandez, eliminados ainda na primeira semana de jogos, comentaram sobre as lições de suas derrotas.

Anisimova derrubou Osaka e desafia a número 1

Responsável por eliminar Belinda Bencic e Naomi Osaka em Melbourne, a norte-americana Amanda Anisimova volta a uma segunda semana de Grand Slam pela primeira vez desde 2019, ano em que foi semifinalista de Roland Garros. A jovem jogadora de 20 anos e atual 60ª do ranking desafia na próxima segunda-feira número 1 do mundo Ashleigh Barty. Ela perdeu o único duelo anterior contra a australiana, justamente na semi de Paris há dois anos e meio.

“Ela é uma jogadora incrível. Eu me espelho muito nela. Amo o jogo dela, ela é muito consistente uma campeã. Então vai ser emocionante enfrentá-la. Vai ser outra oportunidade incrível para mim. Vou voltar para a quadra de treinos amanhã e trabalhar no meu jogo e tentar me dar a melhor chance contra a Ash”, disse Anisimova, após a vitória sobre Osaka por 4/6, 6/3 e 7/6 (10-5) na última sexta-feira. A norte-americana chegou a salvar dois match points.

Swiatek mantém regularidade em Grand Slam

Desde que conquistou seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, no fim de 2020, a polonesa Iga Swiatek mantém uma regularidade em torneios importantes e segue imune às eliminações precoces. Ela foi a única tenista a atingir as oitavas em todos os quatro Grand Slam do ano passado e já repete a dose no início este ano.

A atual número 9 do mundo ainda não perdeu sets no caminho até as oitavas, fase que alcança pela terceira temporada seguida. Após a vitória deste sábado sobre a russa Daria Kasatkina por 6/2 e 6/3, deixou bem claro que é hora de ir além. “Com certeza estar nas quartas de final seria diferente. Nessa fase, você pode ver que as jogadoras já estão no ritmo e você provavelmente enfrenta ou uma cabeça de chave ou alguém que ganhou de uma cabeça de chave. Então, esses jogos são de um nível mais alto, eu diria. Mas com certeza os primeiros também são difíceis porque você tem que ganhar ritmo”.

“Essa série de resultados está me dando muita confiança. Ter essa consistência foi meu objetivo para o ano passado. É claro que em alguns torneios eu quero vou fazer algo maior do que as oitavas. Mas, por outro lado, não quero me concentrar nisso, porque estou muito bem agora em apenas pensar na próxima partida. Então, estou levando tudo passo a passo e está dando certo, então vou continuar fazendo isso”, explica a polonesa, que agora enfrenta a romena Sorana Cirstea.

Sinner contra a torcida australiana e destaca a evolução na Itália

Número 10 do mundo aos 20 anos, o italiano Jannik Sinner chega pela primeira vez às oitavas de final, tendo perdido apenas um set durante a primeira semana do torneio, tendo superado o português João Sousa, o norte-americano Steve Johnson e o japonês Taro Daniel. Ele agora terá a missão de enfrentar o australiano Alex de Minaur, de 22 anos e 42º do ranking, e que certamente contará com o apoio da torcida.

Mas na coletiva deste sábado, Sinner foi perguntado sobre o desenvolvimento do tênis italiano e formação de jovens jogadores no país. “Acho que temos muitos, muitos torneios na Itália. Desde eventos da ITF até os challengers. Então os jogadores mais jovens podem obter alguns convites para jogar. E mesmo se você perder, você fica lá, e treina com os caras que são melhores que você. Então você sobe seu nível imediatamente. Esse com certeza é um dos motivos”.

Aliassime tenta espantar fantasma e encara Cilic

O canadense de 20 anos e número 9 do mundo Felix Auger-Aliassime repete a campanha de oitavas de final na Austrália e tenta apagar o fantasma da eliminação sofrida para Aslan Karatsev no ano passado. Aliassime vem de uma contundente vitória sobre o britânico Daniel Evans, por 6/4, 6/1 e 6/1 e agora desafia Marin Cilic. “Tive uma das minhas melhores performances em um Grand Slam que já tive. Foi um primeiro set apertado, em que tive a sorte de conseguir uma quebra, e por algum motivo, tudo estava funcionando para mim depois disso.

“Estou muito feliz porque as duas primeiras partidas foram muito difíceis para mim, então estou feliz por ter terminado em dois sets”, comenta o canadense, que havia disputado cinco sets contra o finlandês Emil Ruusuvuori na estreia. E na segunda rodada, precisou jogar quatro tiebreaks diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina. Ele agora busca uma vitória inédita contra Cilic após três derrotas. “Será uma grande oportunidade para eu me testar e ver em que nível está o meu jogo”.

Alcaraz se vê mais perto dos melhores

Apesar da derrota na terceira rodada, Carlos Alcaraz saiu de quadra bastante satisfeito com seu nível de atuação na última sexta-feira, quando ele foi superado pelo número 7 do mundo Matteo Berrettini em um duelo de cinco sets. “Eu saio triste pela derrota, mas também fico com a sensação de que no tiebreak fui agressivo, como fiz em toda a partida. Essa é a chave. No fundo, vou embora feliz porque sei que deixei tudo em quadra. Estou saindo com uma boa sensação, com jogos e experiências que vão me fazer bem para o futuro. Depois do jogo de hoje, saio com a sensação de que estou muito perto dos melhores”, disse Alcaraz, que já ocupa o 31º lugar do ranking com apenas 18 anos.

“O Berrettini está no top 10, é o número 7 do mundo e eu estive perto de vencê-lo. Já venci vários jogadores do Top 10. Depois do nível que mostrei, sinto que estou pronto e perto de estar esses jogadores. Tenho me sentido bem em todas as partidas de cinco sets. Fisicamente e mentalmente, me senti bem. Já posso dizer que estou preparado esse tipo de situação: jogos muito longos. Eu sou capaz de me cuidar ao máximo fisicamente e mentalmente. Já estou preparado para todas as situações que vivi”.

Raducanu jogou com dor e aprende novos golpes

Quem também buscou aspectos positivos depois de uma derrota foi Emma Raducanu. A britânica de 19 anos e atual campeã do US Open sofreu com dores causadas por bolhas na mão e foi orientada por sua equipe a nem entrar em quadra para enfrentar a montenegrina Danka Kovinic, mas conseguiu lutar por 2h40. Um dos destaques foi mais frequente dos slices de forehand, que ela pretende incorporar ao seu estilo de jogo no futuro.

“Foi uma experiência de aprendizado muito boa para mim. Descobri elementos sobre mim e sobre o meu jogo que eu não sabia que tinha antes, então sim, eu posso tirar alguns pontos positivos. Eu também fiquei orgulhosa de como continuei lutando mesmo na situação em que estava. Eu realmente não poderia fazer muito, mas continuei lá. Tenho orgulho disso”, explicou a britânica, que precisou reduzir a carga de treinos.

“Eu não estava nem treinando o forehand nos últimos dias. Eu só estava guardando para o jogo. Eu também não estava treinando o saques. Então, a única coisa que eu estava realmente praticando era meu backhand, porque eu ia apenas tentar salvar tudo para o jogo de hoje. Então, o meu treino foi esse jogo. Consegui vencer o segundo set com basicamente um golpe, não posso acreditar”.

Fernandez não passou da primeira rodada

Depois de ter feito uma grande campanha no US Open do ano passado, eliminando três top 10 no caminho para sua primeira final de Grand Slam, Leylah Fernandez não conseguiu repetir o mesmo desempenho na Austrália e acabou se despedindo ainda na primeira rodada, superada pela convidada local Maddison Inglis.

“Não foi um bom dia. Cometi muitos erros. Vou dar crédito a Maddie, ela fez uma grande partida do começo ao fim. Infelizmente, não encontrei soluções para voltar ao jogo e forçar o terceiro set. Acontece. Eu estava me sentindo ótima, fisicamente e mentalmente eu estava muito bem. Estava realmente animada para jogar. Mas como disse, não era o meu dia”, disse a jovem canadense de 19 anos e número 24 do mundo. “Fizemos uma boa pré-temporada. Nós trabalhamos duro e melhoramos meu jogo de tênis. Infelizmente não apareceu hoje, mas acontece. Antes desses torneios, eu estava extremamente feliz com a forma como estava progredindo e como estava treinando. Agora tenho que voltar para a quadra de treinos e me preparar para o próximo torneio”.

Candiotto é a sexta brasileira a disputar o AO juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 21, 2022 às 2:23 pm

Ana Candiotto é a primeira brasileira desde Luísa Stefani a atuar no juvenil do Australian Open (Foto: Luiz Cândido/CBT)

Única representante brasileira no torneio juvenil do Australian Open, a paulista de 17 anos Ana Candiotto estreia na competição na madrugada deste sábado. Inicialmente inscrita para o quali, ela conseguiu entrar diretamente na chave principal. Atual 109ª do ranking, ela enfrenta a tcheca de apenas 14 anos Tereza Valentova, que já é a 79ª no ranking da categoria.

Antes do Australian Open, Candiotto disputou apenas um torneio preparatório, em Tralagon, onde ela parou na segunda rodada de simples, mas chegou às quartas de final nas duplas. Caso supere a estreia em Melbourne, a brasileira pode enfrentar a argentina Solana Sierra, cabeça 4 do torneio e número 9 do ranking, ou a eslovaca Irina Balus, 59ª colocada.

A jovem paulista disputa seu segundo Grand Slam como juvenil, já que atuou em Roland Garros ainda em 2020, e também já tem nove pontos no ranking profissional, obtidos nos torneios realizados no Brasil durante a temporada passada. Com isso, aparece atualmente no 1.282º lugar da WTA. Também no ano passado, ganhou uma medalha de bronze no Pan-Americano Júnior, em Cali, ao lado de Juliana Munhoz.

Na Austrália, o tênis brasileiro comemorou seu primeiro título de um Grand Slam juvenil, com o alagoano Tiago Fernandes em 2010. Naquele ano, o título feminino ficou com a tcheca Karolina Pliskova. Mas entre as meninas, o Brasil teve poucas representantes no torneio. Candiotto será apenas a sexta brasileira a disputar a competição e a primeira desde Luísa Stefani em 2015.

História das juvenis brasileiras na Austráia
A primeira brasileira a disputar o tonrneio juvneil do Australian Open foi Roberta Caldas, no ano de 1985. Na ocasião, ela venceu a estreia contra a anfitriã Xanthe Adams e parou na segunda rodada, diante de Wendy Frazer. Caldas ainda disputaria o torneio juvenil de Roland Garros em 1985 e 1987, mas não chegou a ter ranking profissional.

Depois disso, o tênis feminino brasileiro só teria uma representante na chave juvenil do Australian Open em 2009, com Fernanda Faria. Naquele ano, ela conseguiu furar o quali de simples com duas rodadas, mas perdeu logo na sequência para a tailandesa Noppawan Lertcheewakarn na estreia da chave principal. Faria, hoje com 30 anos, chegou ganhar quatro títulos profissionais de duplas no circuito da ITF e ocupou o 329º lugar do ranking, mas deixou o circuito ainda em 2011.

Recentemente, Beatriz Haddad Maia, Letícia Vidal e Luísa Stefani também disputaram o torneio juvenil na Austrália. Bia esteve nas edições de 2012 e 2013. Em seu primeiro ano, caiu ainda na estreia de simples e na segunda rodada de duplas. Na temporada seguinte, venceu um jogo em cada chave. Letícia Vidal foi eliminada ainda na primeira fase em 2014, enquanto Stefani fez segunda rodada de simples e duplas em 2015. Desde então, nenhuma menina brasileira participou do torneio.

Matheus de Lima e Maria Turchetto jogaram na Colômbia
Também neste início de temporada, o paranaense Matheus de Lima e a catarinense Maria Turchetto disputaram o ITF J1 de Barranquilla, em quadras duras na Colômbia. Turchetto chegou a avançar duas rodadas, primeiro contra a colombiana Isabella Jaramillo por 6/2 e 6/0, e depois contra a belga Juliette Bovy por 6/1 e 6/3. Ela perdeu nas oitavas para a japonesa Ena Koike por 4/6, 6/0 e 6/2. Com a campanha, fará 60 pontos no ranking e se aproxima do top 200 da categoria. Já Matheus de Lima perdeu ainda na estreia para o norte-americano Sam Scherer por duplo 6/2.

De surpresa a alvo: Os próximos passos de Raducanu
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 16, 2022 às 6:40 pm

Campeã do US Open vinda do quali, Raducanu volta a disputar um Grand Slam sob muito mais holofotes (Foto: Tennis Australia)

Há menos de seis meses, Emma Raducanu entrava na disputa do US Open como uma jovem jogadora vinda do qualificatório. Então com 18 anos e número 150 do mundo, a britânica seria na melhor das hipóteses uma candidata a dificultar o caminho de jogadoras mais experientes ou de eventualmente derrubar um grande nome do torneio. Mas ela superou todas as expectativas, emendou uma sequência de dez vitórias seguidas e sem perder sets durante três semanas e conquistou um improvável título de Grand Slam. Aquela era apenas sua segunda participação em eventos deste porte, sendo que antes ela havia disputado Wimbledon como convidada e feito uma interessante campanha até as oitavas de final.

Chegamos, então, a janeiro de 2022 e Raducanu está na reta final de preparação para um novo Grand Slam. Ela inicia a disputa do Australian Open sob muito mais holofotes. Afinal, quais serão os próximos passos daquela surpreendente campeã? Descobriremos ao longo da temporada, que está apenas começando. A britânica, agora com 19 anos, é a número 18 do mundo e já entra em quadra muito mais visada pelo público e a mídia e também mais estudada por suas adversárias.

“Doze meses atrás, eu estava no meu quarto estudando para meus exames e assistindo ao torneio de longe no ano passado. Hoje estou aqui na Austrália e me sinto muito grata por ter essa oportunidade de jogar aqui. Na semana passada em Sydney, eu recebi muito apoio. Espero contar com os fãs aqui também. Estou muito ansiosa para encontrá-los”, disse Raducanu na entrevista coletiva do último sábado em Melbourne.

Britânica trocou de técnico e iniciou o ano com dura derrota
Uma das primeiras atitudes de Raducanu pouco depois de ter conquistado o US Open foi encerrar a parceria com o técnico Andrew Richardson, alegando que precisaria de um nome mais experiente em sua equipe para lidar com todas as mudanças de vida que acontecem após um título de Grand Slam. Ela disputou apenas mais três torneios até o final de 2021, caindo na estreia em Indian Wells e Linz e chegando às quartas de final do WTA 250 de Cluj-Napoca. No fim do ano, a busca por um técnico chegou ao fim e ela firmou uma parceria com o alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao número 1 do ranking.

No entanto, a preparação para 2022 foi comprometida por um diagnóstico de Covid-19 em dezembro, atrapalhando sua pré-temporada. E em seu primeiro jogo no ano, ela sofreu uma dura derrota da cazaque Elena Rybakina em Sydney por 6/0 e 6/1 em apenas 55 minutos de disputa. Logo após o jogo, mostrou que não estava satisfeita com seu nível de atuação e foi direto para a quadra de treino.

“Depois da partida, eu peguei uma caixa de bolas e fui direto para a quadra de treino. Eu senti que poderia ter feito algumas coisas melhor hoje e queria tentar consertar isso imediatamente, e apenas sair de lá com um sentimento melhor sobre isso. Então, nós fomos para a quadra”, explicou Raducanu, que perdeu os nove primeiros games da partida, antes de finalmente confirmar um game de saque.

Naquela partida, Raducanu cometeu seis duplas faltas, colocou apenas 65% de primeiros serviços em quadra e venceu apenas dois dos 15 pontos jogados com o segundo saque. “Sinto que minha porcentagem de primeiro saque foi muito baixa e que fiz algumas duplas faltas. Eu estava apenas tentando arrumar isso. E depois então, treinei um pouco a movimentação, apenas para ter uma boa sensação da bola. Eu só queria sair com um bom pressentimento sobre as coisas”.

‘Meu maior desafio é ser paciente’, diz a britânica
Com todas as transformações que ocorrem dentro e fora de quadra para uma campeã de Grand Slam, ainda mais quando se fala de uma jogadora tão jovem, paciência é a palavra-chave. “Eu diria que o maior desafio é ser paciente. Eu sempre quero ser o melhor que puder o tempo todo, como se eu fosse um pouco perfeccionista. Seja nos treinos ou mesmo fora da quadra. Mas às vezes isso não é muito viável. Preciso apenas relaxar. Enquanto a tendência for de alta, com apenas algumas pequenas flutuações, acho que posso me orgulhar. Seja qual for o desafio, me sinto pronta para enfrentá-lo agora”.

“Sinto que por causa dos últimos meses que tive, talvez não tenha jogado ou treinado tanto quanto gostaria. Mas sinto que não há realmente nenhuma pressão sobre mim. Estou feliz por estar aqui. Tive que passar por alguns obstáculos para chegar até aqui, então só quero ir lá, me divertir, e curtir a quadra”, acrescentou a tenista, que faz sua primeira participação no Australian Open como profissional. E quando era juvenil, jogou apenas em 2019 e caiu na estreia. 

Inspiração em Li e estreia contra Stephens
Raducanu, que tem mãe chinesa, falou de suas recordações do título de Na Li, que superou a eslovaca Dominika Cibulkova na final do Australian Open de 2014. Na condição de fã, a britânica estava com apenas 11 anos.

“Lembro-me de assistir àquela partida. Foi uma partida de altos e baixos, muito apertada no terceiro set. Eu lembro de uma hora que ela caiu e bateu a cabeça no chão. Lembro-me muito claramente. Eu cresci assistindo às partidas dela e sinto que me inspirei no jogo e na movimentação dela. Gosto de pensar que temos qualidades semelhantes em termos de ser mentalmente fortes e resilientes.

A adversária de Raducanu na estreia em Melbourne será outra campeã de Grand Slam. Ela enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, vencedora do US Open em 2017. Stephens já foi número 3 do mundo, mas atualmente aparece no 67º lugar do ranking aos 28 anos. “Eu vi a Sloane ganhar o US Open e treinei com ela no ano passado, mas nunca jogamos uma contra a outra. É uma grande adversária. Obviamente, você não ganha um Grand Slam sem ser muito capaz. Acho que vai ser um jogo difícil, com certeza. Mas preciso curtir a partida porque tive que trabalhar muito para estar aqui e jogar este Grand Slam”.

One-hit wonder?
Também durante a última semana, foi divulgada um comercial da Nike estrelado por Raducanu. Enquanto ela joga, um painel exibe uma sequência de adjetivos contrastantes para a britânica: De distraída a perfeita, do acaso ao impecável, e de lá para ‘one-hit wonder’, em referência àqueles que dizem que ela nunca vencerá mais nada. A campanha termina com a mensagem ‘Deixem que falem, e jogue’. A britânica foi perguntada sobre o comercial na entrevista e respondeu em poucas palavras: “Acho que o vídeo fala por si só. É assim que me sinto”.

Quem são os jovens tenistas para assistir em 2022
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 28, 2021 às 5:56 pm

Para Emma Raducanu, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias

Uma nova temporada do tênis internacional se inicia na próxima segunda-feira, com os principais nomes do circuito atuando na Austrália. Os atletas da nova geração do circuito chegam para 2022 com diferentes perspectivas, especialmente quando se fala em tênis feminino, onde vemos jogadoras muito novas já lutando por títulos importantes. Entre os homens, a renovação do circuito é mais lenta, mas também há jovens tenistas em franca evolução e que podem surpreender.

Pelo quinto ano seguido, TenisBrasil  apresenta a lista de jovens jogadores para acompanhar no próximo ano.  A relação deste ano conta com 23 nomes, com diversas ambições na temporada.

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Quatro fortes candidatas a títulos
O primeiro ponto a ser observado nas perspectivas para 2022 da nova geração são as chances de títulos para quatro jogadoras da WTA. Iga Swiatek, de 20 anos e número 9 do mundo, e Emma Raducanu, de 19 anos e 19ª colocada, já são campeãs de Grand Slam. Um pouco abaixo no ranking estão Coco Gauff, de 17 anos e 22ª do ranking, e Leylah Fernandez, 24ª do mundo aos 19 anos. Fernandez foi vice em Nova York este ano, enquanto Gauff fez quartas em Roland Garros e já tem dois títulos de WTA.

Em 2021, Swiatek deu continuidade à grande temporada que teve no ano anterior. Apesar de não ter conseguido defender o título de Roland Garros, a polonesa foi consistente ao chegar às oitavas de final em todos os Grand Slam e também conquistou dois títulos, o WTA 1000 de Roma e o 500 de Adelaide, fundamentais para que ela chegasse ao top 10 e disputasse o WTA Finals pela primeira vez. No fim do ano, encerrou a parceria de cinco anos que teve o técnico Piotr Sierzputowski.

Para Emma Raducanu, que começou o ano como 345ª do mundo e termina como top 20 e campeã do US Open, o principal fator é ver como ela vai lidar com a situação de entrar em quadra como favorita e cada vez mais estudada pelas adversárias. Desde a conquista em Nova York e a mudança repentina de vida, a britânica disputou apenas mais três torneios e sofreu eliminações precoces. Disposta a ter um nome mais experiente na equipe, contratou para 2022 o técnico alemão Torben Beltz, que levou Angelique Kerber ao topo do ranking.

De olho em Sinner, Alcaraz e Musetti

Sinner chegou ao top 10 em 2021 e venceu quatro títulos de ATP este ano

O espanhol Carlos Alcaraz e os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Musetti são nomes a observar de perto em 2022. Sinner, de 20 anos, conquistou quatro de seus cinco títulos de ATP na última temporada, além de conseguir outros bons resultados como a final do Masters 1000 de Miami e as oitavas no US Open. Ele iniciou o no 37º lugar e finalizou a temporada no top 10. Pupilo do experiente treinador Riccardo Piatti, o italiano conviveu com grandes nomes do circuito desde muito jovem, o que o ajudou muito em seu desenvolvimento.

Carlos Alcaraz, eleito a revelação de 2020 pela ATP e indicado entre os jogadores que mais evoluíram em 2021, também é um nome a ser visto de perto. O espanhol de 18 anos ganhou mais de cem posições no ranking na última temporada, saltando do 141º para o 32º lugar. Ele foi campeão do ATP de Umag e chegou às quartas de final do US Open, além de ter conseguido sua primeira vitória contra top 10 diante de Stefanos Tsitsipas. Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, Alcaraz tem exibido um tênis agressivo e bem adaptado às condições de um circuito com cada vez mais torneios no piso duro. É um nome forte para ter resultados consistentes e estará no Brasil, disputando o Rio Open.

No caso de Lorenzo Musetti, a principal meta é uma retomada dos bons resultados após um segundo semestre abaixo do esperado. Desde sua campanha até as oitavas de final em Roland Garros, o italiano de 19 anos e atual 59º do ranking só conseguiu mais quatro vitórias em chaves principais no circuito da ATP. São resultados que destoam de uma boa primeira metade da temporada com duas semifinais de ATP.

Tauson, Osorio e Parry podem surpreender

Clara Tauson, de 19 anos, conquistou dois títulos em 2021 e é uma ameaça nas quadras duras e cobertas

A temporada feminina de 2021 apresentou jogadoras que conseguiram seus primeiros resultados de destaque no circuito da WTA e são possíveis ameaças para as principais favoritas nas fases iniciais dos torneios. Entre os destaques estão a dinamarquesa Clara Tauson, de 19 anos e 44ª do ranking, a colombiana Camila Osorio, de 20 anos e 55ª colocada, e também a francesa Diane Parry, 115ª do mundo aos 19 anos.

Tauson está se firmando como uma ameaça nos torneios em quadras duras e cobertas. Ela conquistou dois títulos nessas condições, em Lyon e Luxemburgo, além de ter disputado uma final em Courmayeur no fim do ano. A dinamarquesa tem um jogo agressivo com pontos curtos e muita potência nos golpes dos dois lados. Já Osorio é formada no saibro e conquistou seu primeiro título de WTA em Bogotá, mas também tem se destacado em outros pisos, com uma terceira rodada em Wimbledon e uma vitória sobre a top 10 Elina Svitolina na quadra dura de Tenerife.

Um pouco mais abaixo no ranking, Parry se destacou em torneios sul-americanos na reta final da temporada. Ela disputou duas finai na série 125, com título em Montevidéu e vice em Buenos Aires, além de também chegar à semifinal de um forte ITF em Santiago. Ex-número 1 juvenil, a francesa também chama atenção por um eficiente backhand de uma mão, um bom uso dos slices e um forehand com muito peso. Convidada para a chave principal do Australian Open, Parry tem a chance de crescer muito rápido no ranking.

Novas realidades para brasileiros e argentinos

Matheus Pucinelli fez a transição dos torneios ITF para os challengers no meio de 2021 e tenta dar mais um passo no ano que vem (Foto: Luiz Candido/CBT)

O ano de 2022 pode ser de novas realidades para grupos de brasileiros e argentinos do circuito. Para Juan Manuel Cerundolo e Sebastian Baez, números 90 e 99 do ranking aos 20 anos, será interessante vê-los em um calendário de torneios de nível ATP e com maior variedade de pisos e condições. Os dois argentinos conseguiram saltar no ranking ao longo da última temporada praticamente só jogando em challengers no saibro. Baez conseguiu seis títulos e 44 vitórias no piso, enquanto Cerundolo venceu três challengers (com 38 vitórias) e mais um ATP em Córdoba.

Para os nomes da nova geração brasileira, será interessante acompanhar a evolução de Matheus Pucinelli, de 20 anos e 287º do ranking, Gustavo Heide, 477º do mundo aos 19 anos, Gilbert Klier, 410º aos 21 anos, e Gabriel Décamps, 500º colocado aos 22 anos. Os quatro jogadores tiveram destaque em competições de nível future no circuito e tentam agora se firmar nos challengers.

Pucinelli fez essa transição ao longo do ano, três títulos e dois vices de ITF, e depois vencer mais 14 partidas de challenger com uma semifinal em Santiago. Heide e Klier conquistaram cada um três títulos de ITF e venceram seus primeiros jogos de challenger já no fim do ano. Já Décamps voltou ao circuito profissional em julho, vindo do circuito universitário norte-americano. O paulista estava com ranking zerado, mas se firmou entre os 500 do mundo com um título e dois vices de ITF, além de uma semifinal de challenger.

Adolescentes promissoras no circuito feminino

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional (Foto: Luiz Candido/CBT)

Há ainda um grupo de jogadoras no circuito feminino que vale muito ficar de olho, o das adolescentes promissoras: A lista é puxada por Victoria Jimenez Kasintseva, tenista de apenas 16 anos e natural de Andorra. Ex-líder do ranking mundial juvenil, ela já aparece no 255º lugar entre as profissionais e conquistou um título no Brasil, em Aparecida de Goiânia. Destaque também para a norte-americana Robin Montgomery, de 17 anos e 372ª do ranking, campeã juvenil do US Open.

Vale ficar de olho também nas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, números 2 e 4 do ranking mundial juvenil. Linda, de 16 anos e já 279ª da WTA. Brenda, com apenas 14 anos, teve sua primeira oportunidade no tênis profissional na última semana e avançou uma rodada no WTA 125 de Seul.

A situação de Rune, Tseng e norte-americanos 

Jenson Brooksby foi escolhido o Novato do Ano no circuito da ATP

Três norte-americanos estão em situações próximas no ranking da ATP e tentam dar um novo salto de qualidade. São os casos de Sebastian Korda, 41º aos 21 anos, Jenson Brooksby, 56º aos 21 anos, e Brandon Nakashima, 69º aos 20 anos. Korda venceu um ATP em Parma e jogou final em Delray Beach. Brooksby foi eleito o Novato do Ano, disputou uma final em Newport Beach e a semi em Washigton, enquanto Nakashima disputou duas finais seguidas em Atlanta e Los Cabos.

Outros dois nomes valem ser observados no circuito masculino. Um deles é o dinamarquês Holger Rune, 103º do ranking aos 18 anos. Rune conquistou quatro títulos de challenger este ano e já venceu sete jogos de ATP, ficando cada vez mais perto do top 100. Já o taiwanês Chun-Hsin Tseng chegou ao 188º lugar do ranking aos 20 anos. Ele já tem quatro títulos de ITF e terminou o ano disputando duas finais seguidas de challenger em Portugal, com um título e um vice.

 

Croata assume nº 1 do juvenil e paraguaio conquista o Orange Bowl
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 13, 2021 às 5:39 pm

O paraguaio Adolfo Daniel Vallejo é o primeiro jogador de seu país a conquistar o título do tradicional evento, disputado desde 1947 (Foto: Colette Lewis/Zoo Tennis)

Último grande evento no calendário do circuito mundial juvenil, o Orange Bowl chegou ao fim no último domingo em Plantation, na Flórida, e trouxe novidades para a reta final do ano. O paraguaio Adolfo Daniel Vallejo é o primeiro jogador de seu país a conquistar o título do tradicional evento, disputado desde 1947. No feminino, a croata Petra Marcinko foi campeã e ainda assumiu a liderança do ranking mundial da categoria.

Vallejo era o sétimo cabeça de chave e superou na final o norte-americano Bruno Kuzuhara, cabeça 2 do evento, por 6/2 e 6/3. Na semifinal, o paraguaio passou pelo norte-americano Ryan Colby por 6/2, 4/6 e 6/3. Já Kuzuhara, que é nascido em São Paulo, mas se mudou para os Estados Unidos com a família ainda na infância, venceu o macedônio Kalin Ivanovski por 4/6, 6/1 e 7/6 (7-4).

O título do Orange Bowl rendeu 500 pontos no ranking mundial juvenil para Vallejo, de 17 anos, que saltou nove posições e entrou no top 10 para terminar a temporada na oitava posição. Já Kuzuhara, também de 17 anos, ultrapassou cinco jogadores e agora é o quarto colocado no ranking. A liderança ainda é do chinês de 16 anos Juncheng Shang, que não disputou o torneio e já está em transição para o circuito profissional.

Já na chave feminina, Petra Marcinko venceu a final contra a russa Diana Shnaider por 3/6, 6/1 e 6/3. Na semi, a croata havia vencido a tcheca Kristyna Tomajkova por 6/1 e 6/4, enquanto Shnaider bateu a finlandesa Laura Hietaranta por 6/2 e 6/1. Esta é a segunda vez que uma croata conquista o torneio, repetindo o título de Ana Konjuh em 2012.

Marcinko, de 16 anos, saltou nove posições no ranking e assumiu a liderança na classificação. Em segundo lugar está a tcheca de 16 anos Linda Fruhvirtova, que vinha de dois títulos e um vice antes do Orange Bowl. Sua irmã mais nova, Brenda Fruhvirtova, tem 14 anos e já está no quarto lugar do ranking juvenil. A terceira é Diana Shnaider, enquanto a jovem tenista de Andorra Victoria Jimenez Kasintseva, que recentemente venceu seu primeiro torneio profissional no Brasil, caiu do primeiro para o quinto lugar do ranking.

Torneio já revelou grandes nomes
A lista de grandes nomes a vencer o Orange Bowl conta com Chris Evert, Bjorn Borg, Jim Courier, Ivan Lendl, Gabriela Sabatini, Roger Federer, Andy Roddick, Caroline Wozniacki, Dominic Thiem, Bianca Andreescu, Sofia Kenin e Coco Gauff.

O tênis brasileiro tem cinco títulos na história na competição. Os três primeiros foram no final da década de 1950, com Carlos Fernandes em 1956, Maria Esther Bueno em 1957 e Ronald Barnes em 1958. Além deles, Thomaz Koch foi campeão em 1963, enquanto Fernando Meligeni venceu em 1989.

Irmãs tchecas protagonizam três finais seguidas
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 5, 2021 às 9:26 pm

As irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova vão se destacando nos principais eventos do circuito juvenil

As últimas três semanas do circuito juvenil foram de amplo domínio para as irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova, que protagonizaram três finais seguidas nos principais torneios da categoria e estão aos poucos escalando o ranking mundial da ITF. Linda, de 16 anos, já é a quinta colocada. Uma posição atrás está Brenda, que tem apenas 14 anos.

A série de ótimos resultados das irmãs tchecas nas últimas semanas começou há duas semanas, com o título de Linda Fruhvirtova no ITF J1 de Guadalajara no México, competição que valia 300 pontos no ranking mundial. A irmã mais velha venceu a final por 6/4 e 7/6 (7-5). Foi o primeiro encontro entre elas no circuito da ITF. A vice-campeã recebeu 210 pontos.

Não demorou para que Brenda Fruhvirtova conseguisse a revanche. As tchecas voltaram a se encontrar no saibro de Mérida, também no México, em competição ITF JA que dava 500 pontos para a campeã e 350 para a vice. A caçula das irmãs tchecas levou a melhor, vencendo por duplo 7/5.

 

Já nesta semana, houve um encontro abreviado na final do tradicional Eddie Herr, evento ITF J1 nas quadras de har-tru em Bradenton, na Flórida. Linda Fruhvirtova liderava o primeiro set por 2/0 antes de ver sua irmã mais jovem abandonar a disputa.

Com isso, nas últimas semanas, a mais velha das irmãs Fruhvirtova acumulou 950 pontos no ranking, enquanto a caçula fez 920 pontos. Quando o ranking for atualizado na próxima segunda-feira, a tendência é que ambas continuem subindo e ambas apareçam entre as cinco melhores do mundo na categoria e sigam na luta pelo número 1.

As irmãs Fruhvirtova já chamam atenção de quem acompanha a nova geração do circuito há pelo menos dois aos. Em 2019, Linda foi campeã do Les Petis As, principal competição do mundo na categoria 14 anos. E Brenda venceu a edição de 2020 do mesmo torneio na França. Na atual temporada, Linda foi semifinalista do torneio juvenil de Wimbledon, enquanto Brenda fez parte da equipe tcheca campeã da Copa Billie Jean King Júnior.

Com mais experiência, a mais velha das irmãs tchecas já está em transição para o circuito profissional. Ela já conseguiu suas primeiras vitórias no circuito da WTA, chegando até as quartas de final do 250 de Charleston em abril. Apesar disso, não atingiu a meta de chegar ao top 200 ainda este ano, ocupando atualmente a 303ª posição do ranking.

O grande momento das jovens jogadoras é acompanhado de perto por uma das melhores tenistas do país, Petra Kvitova, que falou a TenisBrasil durante o WTA 500 de Stuttgart sobre o momento das compatriotas. “Ano passado, quando não tínhamos torneios, fizemos algumas exibições por equipes na República Tcheca e a Linda estava no meu time. E ela era muito legal e sempre conseguia jogar. Como capitã da equipe, sempre tinha a chance de vê-la jogar e treinei com ela um pouco. Vi agora que ela ganhou duas partidas em Charleston e sei que é uma jogadora muito talentosa”.

“Na República Tcheca, todo mundo a conhece há bastante tempo, assim como a irmã. As duas são talentosas e podem jogar muito bem”, acrescentou a canhota de 31 anos. “Espero que elas estejam bem de saúde, possam jogar e se concentrar totalmente nisso. Desejo boa sorte na carreira para elas. Com certeza será difícil, porque ainda são muito jovens e tudo é novo nessa fase, mas espero que permaneçam no circuito por bastante tempo”.

Juliana Munhoz e Ana Candiotto conseguem medalha de bronze no Pan-Americano Júnior
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 3, 2021 às 6:48 pm

Ana Candiotto e Juliana Munhoz conquistaram este ano suas primeiras vitórias no circuito profissional

A participação do tênis brasileiro no Pan-Americano Júnior em Cali terminou com uma medalha de bronze nas duplas femininas. As paulistas de 17 anos Ana Candiotto e Juliana Munhoz venceram a disputa do terceiro lugar contra a dupla paraguaia, formada por Leyla Risso e Paulina Martinessi, por 6/1 e 6/3.

Munhoz é a atual 155ª colocada no ranking mundial juvenil da ITF, enquanto Candiotto aparece atualmente no 167º lugar. Ambas chegaram às quartas de final de simples em Cali, sendo superadas na última quinta-feira. As duas também conseguiram este ano suas primeiras vitórias no circuito profissional, em Piracicaba e Aparecida de Goiânia, mas é necessário que elas pontuem em três torneios distintos para aparecerem no ranking da WTA.

Já nas duplas masculinas, o catarinense Pedro Boscardin e o mineiro João Victor Loureiro perderam a disputa da medalha de bronze para os paraguaios Adolfo Vallejos Alvarez e Martin Vergara Del Puerto com parciais de 6/3, 2/6 e 10-3. Boscardin chegou às quartas de final em simples, enquanto Loureiro parou nas oitavas.

No total, o Brasil teve seis representantes nos Jogos de Cali. A equipe também contou com a catarinense Priscila Janikian e o paranaense João Schiessl. O técnico gaúcho Rodrigo Ferreiro foi o responsável por liderar a delegação nacional na Colômbia.

Líder do ranking juvenil conquista seu 1º título profissional no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2021 às 5:01 pm

Título em Aparecida de Goiânia rende 65 pontos e deve levar Kasintseva ao top 300 (Foto: Luiz Candido/CBT)

Líder do ranking mundial juvenil, Victoria Jimenez Kasintseva conquistou no Brasil o primeiro título de sua carreira profissional. A jogadora de apenas 16 anos e natural de Andorra foi campeã do ITF W25 de Aparecida de Goiânia, em quadras de saibro. Kasintseva superou neste domingo a húngara Panna Udvardy, cabeça 1 do torneio e 116ª do mundo, por 6/3 e 7/5 em 1h44 de partida.

Apesar da pouca idade, Kasintseva já ocupa o 378º lugar no ranking profissional da WTA. A canhota de 16 anos foi campeã juvenil do Australian Open no ano passado e iniciou este ano sua transição para o tênis profissional. Ela jogou o quali do Australian Open, recebeu convite para o WTA 1000 de Madri, onde enfrentou a então top 10 Kiki Bertens, e disputou sua primeira final como profisisonal no ITF W60 de Gran Canária, na Espanha, onde venceu sete jogos seguidos desde o quali e só perdeu para a top 70 Arantxa Rus.

“É incrível, eu sinto que todas as pessoas estavam torcendo muito por mim. Eles fizeram a partida ser incrível. Eu estava um pouco nervosa no fim porque tive a chance de vencer, estava com 4/0, e de repente estava perdendo por 5/4. Eu precisava acordar no fim e estou muito feliz por ter superado esses momentos difíceis”, disse Kasintseva, em entrevista ao canal SporTV, que transmitiu a partida neste domingo no Country Clube de Goiás.

“No começo do ano eu defini como meta conquistar meu primeiro torneio de tênis profissional e eu consegui agora em novembro. Estou muito feliz, porque lutei muito durante o ano inteiro e finalmente agora eu consegui fazer meu objetivo se tornar realidade”, acrescenta a jovem jogadora, que passou por duas brasileiras durante a semana, Julia Konishi na estreia e Ingrid Martins nas quartas.

Depois de iniciar a temporada sem ranking, Kasintseva marcou sua 30ª vitória pelo circuito profissional em 2021 e vai receber mais 65 pontos no ranking da WTA a ser divulgado em 22 de novembro. A campanha deverá colocá-la no top 300 do mundo. Udvardy, vice-campeã do torneio, recebe 40 pontos no ranking.

Título ratifica que Alcaraz está alguns degraus acima
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2021 às 12:36 am

Alcaraz cedeu apenas um set durante os cinco jogos que fez no Next Gen ATP Finals (Foto: ATP)

A maneira como Carlos Alcaraz conquistou o título do Next Gen ATP Finals nesta semana em Milão ratifica sua condição como o grande nome entre os jovens jogadores que disputaram a competição. Em cinco jogos no torneio, o espanhol de 18 anos e já número 32 do mundo cedeu apenas um set e confirmou não apenas sua posição de principal cabeça de chave do evento, como também a diferença para os jovens em diferentes estágios de evolução no tênis profissional.

Alcaraz superou o norte-americano Sebastian Korda, 39º do ranking, na final deste sábado. E antes disso também havia passado pelo dinamarquês Holger Rune, pelos argentinos Sebastian Baez e Juan Manuel Cerundolo e também pelo norte-americano Brandon Nakashima. Apenas Cerundolo, 91º colocado, escapou de uma derrota por 3 a 0.

“Esses jogadores com menos de 21 anos estão jogando em ótimo nível. Cada um deles derrotou muitos grandes jogadores. Eles estão ganhando experiência, assim como eu. Tenho certeza de que todos esses jogadores estarão entre os 100 primeiros em breve. E com certeza eles vão jogar os melhores torneios, senão no próximo ano, em dois anos. É claro que existem diferenças entre eles e os jogadores de ponta, mas com certeza eles estarão lá muito em breve”, disse Alcaraz, durante entrevista coletiva em Milão.

“Vencer este torneio significa muito para mim. Estou muito animado e emocionado. Eu estava muito nervoso no início e tive que ficar calmo para salvar os break points no primeiro set. Sei que Korda estava sacando muito bem, então eu tive que jogar o meu melhor nesses momentos”, comenta o espanhol, após superar Korda por 4/3 (7-5), 4/2 e 4/2. O momento de maior pressão foi durante o primeiro set, em que salvou cinco break points. “Estou tentando me concentrar em cada saque. Acho que o saque é muito, muito importante neste tipo de quadra coberta e eu sabia disso. Estou tentando melhorar o saque e acho que é a chave para jogar um bom nível”.

Treinado pelo ex-número 1 Juan Carlos Ferrero, o espanhol pôde aproveitar a experiência que teve de receber instruções dentro de quadra durante as partidas desta semana. “Quando você está jogando a partida, não percebe muitas coisas. Mas fora da quadra é possível perceber as coisas melhor. Em algumas devoluções ou algumas bolas que eu errava, ele pôde me dizer como fazer melhor”, comentou jovem de 18 anos. “Juan Carlos também me disse que nos momentos difíceis você tem que jogar de forma agressiva e é isso que eu faço. Estou trabalhando também para ficar mais calmo nos momentos difíceis. Essa é a chave para vencer os pontos importantes”.

Escolhido como a Revelação do Ano em 2020 pela ATP, Alcaraz confirmou as expectativas e evoluiu muito. Ele iniciou a temporada ocupando apenas a 141ª posição do ranking. Em 2021, conquistou seu primeiro ATP em Umag e as três primeiras vitórias contra top 10, sobre Stefanos Tsitsipas, Matteo Berrettini e Jannik Sinner. Além disso, disputou os quatro Grand Slam, chegando às quartas de final do US Open.

“Foi uma temporada muito boa para mim e estou muito feliz com os momentos que vivi. Derrotei Stefanos [Tsitsipas] no US Open, cheguei às quartas de final em um Grand Slam e ganhei meu primeiro ATP. Mas acho que isso não teria sido possível sem a experiência que ganhei em Madri, jogando contra o Rafa [Nadal] ou em Acapulco, contra o [Alexander] Zverev. Foram muitos jogos que me deram muita experiência para me tornar mais maduro”.

Vice-campeão do torneio em Milão, Korda acredita que o algoz logo estará ainda melhor no ranking. “Carlos jogou incrivelmente bem. Ele definitivamente está jogando muito melhor do que seu ranking mostra e não ficará nessa posição por muito tempo”, afirma o norte-americano de 21 anos. “Tive algumas chances no primeiro set e não as aproveitei, mas ele estava apenas jogando um ótimo tênis nos momentos difíceis, especialmente no tiebreak. Foi uma grande partida dele e às vezes não há nada que eu pudesse realmente fazer”.

Espanhol começou a temporada na 141ª posição do ranking e já está na 32ª posição (Foto: Peter Staples/ATP)