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Klier tenta superar lesões para seguir evoluindo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 6, 2019 às 11:39 am
Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Klier venceu 34 jogos no ano e conseguiu seu primeiro título (Foto: João Pires/Fotojump)

Depois de figurar entre os dez melhores do mundo no circuito juvenil, Gilbert Klier Júnior encerra sua primeira temporada no circuito profissional com um salto significativo no ranking em relação ao ano passado. Há doze meses, ele tinha apenas quatro vitórias no circuito e ocupava o 1.283º lugar. Mas desde a última segunda-feira, o brasiliense de 19 anos já aparece na 543ª colocação, melhor marca de sua carreira.

Ao longo da temporada, Klier conseguiu 34 vitórias e 17 derrotas em torneios profissionais de nível future. Ele conquistou seu primeiro título nas quadras duras de Akko, em Israel, e disputou outras três finais. Também jogou sua primeira partida de nível challenger, em Campinas.

Klier poderia ter evoluído ainda mais se não fossem as lesões. Neste ano, precisou ficar quase três meses afastado, entre julho e outubro, por conta de um problema no pé. Já na semana passada, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo, ele sentiu lesão no menisco do joelho direito e precisou abandonar a competição que valia vaga no Rio Open de 2020. O brasiliense já havia tido outros problemas físicos no ano passado. O primeiro, no joelho, o fez iniciar a temporada apenas em março. Já o segundo, no ombro esquerdo, o obrigou a desistir do torneio juvenil de Roland Garros.

“Acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem”, disse Klier ao TenisBrasil, a respeito da recente lesão no pé. “É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar a jogar bem e competir num bom nível que os resultados virão automaticamente. É importante é estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers”.

O jovem jogador também falou sobre uma cenário bastante comum nos torneios future, que oferecem as mínimas pontuações e premiações no circuito profissionais. Alguns hotéis acabam sediando vários campeonatos em semanas consecutivas, atraindo os jogadores para longas sequências de competições no mesmo espaço. Em 2019, Klier passou quatro semanas na Turquia, três no Egito e outras três na Nigéria, além de também ter atuado em países como a Tunísia e Israel.

“É claro que se você passa duas ou três semanas no mesmo lugar é mais difícil. Mas a gente tem que passar por esse nível mesmo. Não tem o gasto com passagens toda semana. Então, você só paga o hotel e fica, sim, mais barato”, explicou. “A estrutura desses resorts costuma ser boa, mas normalmente as quadras é que não são muito boas. Mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali”.

Confira a entrevista com Gilbert Klier Júnior.

Queria que você avaliasse como foi esse primeiro ano só de circuito profissional. Você ganhou 34 jogos, chegou em quatro finais e ganhou um título. O quanto isso foi diferente em relação ao que você estava acostumado no juvenil?
O meu primeiro ano no profissional, avaliando assim no geral, foi bom. Tive uma lesão no pé que me deixou uns três meses parado. Isso me fez ter que voltar e pegar o ritmo de novo, então atrasou um pouco, mas acredito que se não tivesse sofrido essa lesão eu já estaria com um ranking melhor e poderia jogar challengers no começo do ano que vem.
O nível é muito parecido em questão de tênis e jogabilidade. A única diferença é que você enfrenta caras mais velhos, mais experientes e que entendem mais do jogo. Isso que torna o jogo mais difícil. Então é importante estar com a parte mental bem firme para encarar esses caras que têm mais experiência que a gente que está entrando no circuito agora.

A lesão no pé aconteceu quando?
Eu me machuquei pouco depois de ganhar meu primeiro torneio em Israel, quando eu fui para Portugal. Tentei jogar, porque a gente achou que não fosse nada, mas aí não melhorava e acabou demorando três meses até eu voltar a jogar.

Você voltou a jogar quando depois da lesão?
Depois da lesão, eu joguei um torneio de US$ 25 mil no Rio.

– Isso lá para o final de setembro, começo de outubro…
Isso. Aí depois, vim aqui para São Paulo e joguei um torneio no Paineiras, que foi um pouco melhor, mas eu infelizmente acabei passando mal nas quartas contra o Matos e tive que desistir, mas já foi um torneio melhor. Depois fui para a Turquia e agora estou aqui. Voltei faz um mês e meio, eu acho. Por aí.

O que aconteceu lá no Paineiras que você passou mal?
Então, foi do nada. Acho que foi alguma coisa que eu comi antes do jogo, eu não sei. Eu estava jogando e comecei a passar mal, fiquei tonto. A visão ficava preta, assim, mas foi um mal estar. Não foi nada relacionado à lesão.

Como você ainda está um pouco longe dos challengers, seu planejamento para o começo de 2020 é fazer giras longas de futures, como você já fez, ou tentar em ir para os Estados Unidos ou Europa?
Primeiro, o mais importante é voltar a ter ritmo de jogo. É claro que é importante ganhar, somar pontos e subir no ranking, mas o que vale agora é voltar jogar bem e competir num bom nível que os resultados nos torneios virão automaticamente. É estar com a cabeça firme e saber que vou perder alguns jogos por falta de ritmo. Mas no meio do ano que vem, acho que já vou estar nos challengers. É a meta, eu acho. Terminar o ano com um ranking bom para se manter nos challengers.

Lá no Rio, você treina com o [Thiago] Wild e com o [Pedro] Sakamoto. O [Thiago] Monteiro também treinou lá até pouco tempo atrás, antes de ir para a Argentina. O quanto é importante ter esses caras perto?
É sempre importante ter esses caras treinando com você. Ainda mais que isso te puxa e você acaba aprendendo também. Um aprende com o outro. E é muito importante ter jogadores nesse nível no mesmo centro de treinamento para dividir a convivência no tênis e na academia.

Você já chegou a treinar com algum outro cara acima até deles nos torneios?
Já treinei com o Malek Jaziri, que deve ter sido 40 do mundo [O melhor ranking do tunisiano foi o 42º lugar, em janeiro deste ano]. Treinei com o [Jaume] Munar e também com o Thomaz [Bellucci] e praticamente todos os brasileiros.

Com o Jaziri foi em alguma dessas giras de torneios pela Tunísia?
Na verdade, foi em um challenger. Quando o Monteiro ainda estava na Tennis Route [equipe de treinamento do Rio de Janeiro] e eu fui lá com ele, porque estava na Europa e era semana que eu não tinha torneio. Fui para treinar uma semana com o Monteiro e acabei treinando com ele também.


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@gilbertklier e @p.saka conquistam títulos em Israel e na Espanha 🏆🎾 Atletas do Instituto Tennis Route, Gilbert Klier Jr. E Pedro Sakamoto conquistaram, neste domingo, títulos em torneios profissionais futures em Israel e na Espanha. Klier Jr. , bronze nos Jogos Olímpicos juvenis ano passado em Buenos Aires, conquistou seu primeiro título profissional no torneio de Akko , em Israel , evento com premiação de US$ 15 mil disputado no piso duro. Klier derrotou o sexto favorito, o local Yshai Oliel por 2 sets a 1 de virada com parciais de 46 64 61. Em Huelva, na Espanha, torneio com premiação de US$ 25 mil, Pedro Sakamoto marcou 62 26 76 (72) diante do chileno Bastian Malla em final também neste domingo. #tennisroute

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Nessas giras que você fez mais longas, na Turquia, no Egito, na Tunísia ou na Nigéria, às vezes você fica várias semanas no mesmo local. Como é lidar com esse ambiente?
No caso do Egito e da Turquia, sim, porque os torneios são no mesmo clube. Uma semana atrás da outra. Da Nigéria também foi um seguido do outro, mas são três semanas só. Nesse de Israel, onde eu ganhei meu primeiro título, foram duas semanas lá e depois já fui para Portugal. Aí era um torneio em cada lugar.

Mentalmente, é muito difícil ficar muitas semanas jogando no mesmo lugar?
No início era bem difícil, mas agora eu já me acostumei e é mais tranquilo. É claro que se você passa duas, três semanas no mesmo lugar, é mais difícil.

Já ouvi jogadores falarem que você acaba enfrentando sempre os mesmos adversários e tendo os mesmos árbitros em todos os jogos…
É difícil, mas é o que temos para fazer. A gente tem que passar por esse nível mesmo.

Qual é parte boa e ruim dessas giras longas, em termos de custo e de estrutura?
A estrutura desses resorts, que recebem torneios o ano inteiro, é sempre muito boa. Normalmente você tem de tudo, a comida é boa e a academia tem uma estrutura legal. Mas normalmente as quadras é que não são muito boas, mas é o que tem. Então a gente precisa fazer um esforço para sair mais rápido dali.

Em termos de custo é melhor fazer isso do que ficar viajando?
Acho que é, porque não tem o custo de passagem toda semana. Então, você só paga o hotel. Agora na Turquia, eu só peguei um voo para ir e outro para voltar. Não precisava ficar mudando de cidade o tempo inteiro. Então é mais barato, sim.

O torneio oferece alguma coisa com relação ao hotel? Por exemplo, quem está no torneio não paga enquanto estiver na chave e tal…
Não, nesses futures de US$ 15 mil, não. O torneio arranja desconto para os jogadores. A partir dos torneios US$ 25 mil+H que pagam o hotel e alguns pagam alimentação. E agora, se não me engano, todos os challengers dão hospedagem.

Não é como no juvenil, quando você tem tudo enquanto estiver na chave.
É, lá tinha tudo. Hospedagem, alimentação e o transporte.

Reis aprende com ídolos e é firme contra o racismo
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 4, 2019 às 11:48 am
João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

João Reis tem dois títulos neste início de carreira profissional (Foto: Fotojump)

Com apenas 19 anos, o jovem pernambucano João Reis ainda inicia sua trajetória no tênis profissional depois de encerrar o ciclo no circuito juvenil na temporada passada. Reis já tem dois títulos no circuito profissional da Federação Internacional, o mais recente conquistado no início de novembro no México, e ocupa o 556º lugar no ranking da ATP depois de ter figurado entre os 30 melhores juvenis do mundo no ano passado. Apesar da pouca idade, ele fala sobre temas de dentro e fora de quadra, como família, racismo, os ídolos e a admiração por outros jogadores negros e os desafios no aspecto mental do jogo.

Natural do Recife, Reis começou a jogar tênis com apenas quatro anos, disputa torneios desde os 10 anos e se mudou para São Paulo aos 13, treinando por cinco meses em São José dos Campos antes de ser aprovado em um teste para o Instituto Tênis, de Barueri. Os primeiros passos em quadra foram influenciados seu irmão mais velho, Gabriel, hoje com 25 anos, e que parou de jogar ainda muito novo. “Ele jogou até os 15 anos, chegou a participar de alguns torneios lá do Nordeste, mas ele só jogou isso e resolveu seguir outra carreira”, disse João Reis, em entrevista ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, disputada em São Paulo, ao longo da última semana.

A admiração pelo irmão já havia sido expressada em entrevistas anteriores. “Comecei a jogar tênis por influência do meu irmão. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele”, afirmou em janeiro de 2018. Ainda que o tenista esteja em São Paulo há mais de cinco anos, parte de sua família continua em Pernambuco. “Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade”, comentou durante a temporada passada. “Tento ir bastante para Recife, mas são eles que vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo e a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante. Posso dizer que estou 100% adaptado”.

Reis também se mostrou solidário ao colega de circuito Christian Oliveira, carioca de 19 anos e que denunciou o adversário chileno Bastian Malla por racismo, em jogo válido pela semifinal de duplas de um torneio ITF disputado na capital paulista em outubro. Na época, a organização do torneio afirmou que nem o árbitro ou um dos outros jogadores em quadra teria escutado a ofensa e que não foi possível identificar o ato a partir das imagens da transmissão do jogo por streaming. Por esse motivo, não houve punição ao chileno, que negou ter ofendido Oliveira e terminou a semana como campeão de simples no torneio.

“É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável que ainda tenham casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou”, afirmou o pernambucano, que diz nunca ter passado por situação parecida em quadra e que tem no francês Jo-Wilfried Tsonga, 29º do ranking, um ídolo de infância.

“Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o [Rafael] Nadal. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. É um guerreiro”.

Confira a entrevista com João Reis.

Em primeiro lugar, como você prefere que a gente escreva o seu nome? João Lucas Reis ou João Lucas Reis da Silva ou João Lucas da Silva, por exemplo. A gente vê seu nome escrito de diversas formas.
Eu me acostumei com João Reis quando eu jogo os torneios. Todo mundo me chama de João Reis, então eu me acostumei mais com esse nome.

Você sempre fala que começou a jogar por causa do seu irmão, que também jogava. Ele chegou a disputar torneios e tentar seguir carreira? Como ele está hoje?
Na verdade, ele parou meio cedo. Ele jogou até os 15 anos. Chegou a participar de alguns torneios brasileiros e disputou o circuito Rota do Sol lá do Nordeste, mas ele só jogou isso. Eu também joguei todos esses torneios. Aí ele parou com 15 anos e resolveu seguir outra carreira.

Ele está com quantos anos e faz o que hoje?
Ele está com 25. Hoje ele faz Administração.

E você tem conseguido conciliar os estudos com a carreira no tênis?
Eu terminei o Ensino Médio à distância. Primeiro, segundo e terceiro ano. E comecei no ano passado a cursar Administração, à distância também, na Estácio. O IT (Instituto Tênis) tem parceria com eles e conseguimos algumas bolsas. Aí eu estou cursando Administração.

Queria que você falasse um pouquinho dessa sua primeira temporada só focado no profissional. Você terminou a carreira juvenil no ano passado. O quanto esses dois circuitos são diferentes em termos de bola e na mentalidade dos jogadores? O que você achou?
No ano passado, eu já joguei vários torneios profissionais, no meu último ano de juvenil. Eu consegui meu primeiro título no future de 25 mil de Curitiba. E para mim foi uma bela entrada no circuito, eu me sentia bem confiante para o futuro. E aí, no meio do ano, eu não consegui bons resultados. Passei uns dois ou três meses sem muitos resultados, mas consegui recuperar no fim do ano.
No começo eu sentia mais a parte mental, sentia que os jogadores profissionais me obrigavam a jogar todos os pontos e a me manter um nível alto por mais tempo do que eu era acostumado no juvenil. E eu acabei me acostumando bem com isso. Se eu conseguir manter um bom nível no jogo inteiro, eu consigo criar boas oportunidades de vencer.


Este ano, você fez um bom jogo no challenger de Campinas contra o [Alejandro] González, que é um cara que já foi top 100 e tudo. O quanto aquele jogo te dá confiança, em termos de nível? O quanto você aprendeu com essa partida mesmo tendo perdido?
Foi um jogo bem duro do início ao fim e me motiva bastante. Eu tive minhas chances de quebrar o saque dele e não consegui, mas vendi caro meus games de saque. [A partida terminou com placar de duplo 7/5 para o colombiano de 30 anos, ex-número 70 do mundo] Consegui ver vários jogadores lá, disputando o torneio, o que me motiva estar naquele ambiente. Foi meu primeiro challenger, nunca tinha jogado um antes. E isso só me motiva mais e mais a seguir trabalhando e acreditando no futuro.

Você conseguiu treinar com algum jogador desse nível e que você pudesse tirar alguma coisa boa?
Não, não treinei.

Nas últimas semanas, você conseguiu um título e um vice no México. E jogando na quadra dura. Como você fez para adaptar seu jogo à quadra dura para ter esses bons resultados? E também como foi lidar fisicamente e mentalmente com uma sequência de jogos tão longa?
Bom, eu fiz uma bela gira lá em Cancún. Senti que estava jogando muito bem. Estava bem quente, e os jogos eram bem desgastantes, mas consegui levar isso para o lado positivo. Os outros jogadores não estavam aguentando muito e eu estava aguentando mais que eles. Como eu também estava jogando muito bem, eu me senti bem confiante. Ganhei o primeiro torneio e fiz final no segundo. Acho que foram oito ou nove vitórias seguidas.
E foi ótima essa gira. Eu precisava defender alguns pontos agora em novembro e estava há algum tempo sem muitos resultados. Quando voltei da Europa, fiz uma final lá no Paraguai e vinha me sentindo melhor na quadra. Depois de Campinas, fui para o México jogando super bem. Então estou bem confiante.

Este foi um ano de mudança no ranking. Teve um momento que você chegou a zerar antes da mudança de pontuação. E você conseguiu ficar mais ou menos na mesma posição, em torno de 500. Como foi se projeta a próxima temporada, agora com um calendário um pouco mais estável, sem tanta mudança no circuito?
Eu terminei o ranking como 550, que é exatamente o mesmo do ano passado. Não era o ranking que eu esperava terminar este ano, mas com as mudanças acabou ficando meio esquisito. Minha meta no começo ano era terminar entre 400 e 450, mas não dá para dizer que foi um ano ruim. Consegui aprender bastante. Por mais que eu tivesse altos e baixos, consegui jogar super bem. E, bom, para o ano que vem segue a mesma meta que este ano. Se até o meio do ano eu estiver entre os 450, seria bom para eu ir aos poucos entrando nos challengers.

Você treina junto com o [Matheus] Pucinelli, que é um ano mais novo e terminou a carreira juvenil agora. Vocês conseguem viajar para os mesmos torneios, mesmo com uma diferença de ranking, por enquanto?
Sim, a gente sempre jogou junto, desde o juvenil. No ano passado a gente jogou vários torneios juntos. Provavelmente, no início do ano, vamos fazer as mesmas giras. Ele ainda vai poder usar o ranking juvenil para entrar em alguns torneios. E a ideia é a gente crescer junto.

Com quem que vocês viajam normalmente?
Eu tô viajando mais com o Alan Bachiega, e ele com o Rafael Paciaroni.

 

 

 

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ATLETAS DO INSTITUTO TÊNIS SÃO CAMPEÕES EM TORNEIO NA EUROPA Neste Sábado, João Reis(@joaolreis) e Matheus Pucinelli (@matheuspucinelli) se sagraram campeões da chave de duplas do Future M15 de Balatonalmádi, na Hungria. Os atletas foram acompanhados do treinador Rafael Paciaroni. Durante todo o torneio, a dupla do Instituto Tênis fez bons jogos, não perdendo nenhum set na competição. Na final, os brasileiros derrotaram a dupla austríaca formada por Lenny Hampel / Neil Oberleitner por 6-4 7-6(1). O próximo torneio de João e Matheus será o Future 15k de Alkmaar, na Holanda. #institutotenis #itau #vivo #taesa #leideincentivoaoesporte #secretariaespecialdoesporte #fundacaolemann #laatus #aldocomponentes #estacio Uma publicação compartilhada por Instituto Tênis (@institutotenis) em


Este ano, aconteceu um caso lamentável com o Christian em future aqui em São Paulo, que ele denunciou um caso de racismo e estavam até avaliando para ver se tinham como punir o jogador adversário. E ele até falou que já tinha acontecido antes em um torneio juvenil, na Itália. Queria saber se isso já aconteceu com você, tanto dentro da quadra, como fora também?
Comigo nunca aconteceu. É lamentável isso o que aconteceu com o Christian. Até conversei com ele. Nos dias de hoje é lamentável tenham esses casos de racismo, dentro ou fora de quadra. Também não entendi como não tiveram como punir o jogador, porque acho que bastante gente na quadra escutou. É lamentável.

E ainda um pouquinho nesse assunto. O [Felix-Auger] Aliassime falou que se inspirava muito em outros jogadores negros, como o Tsonga e o Monfils. Ele sentia que eles abriram o caminho para ele. Você pensa da mesma forma e os admira? Não apenas com eles, mas admirando também a Serena, a Venus ou a Stephens, por exemplo?
Eu sempre falei quando eu era criança que o meu maior ídolo era o Tsonga. Até os meus 12 anos, eu idolatrava o Tsonga, e ninguém entendia por que, mas eu idolatrava muito ele. E talvez seja por esse lado, mas eu ainda não pensava muito nisso porque era muito novo. Mas hoje meu maior ídolo é o Nadal.

O quanto você acha que pode tirar desses caras, como o Nadal ou Tsonga, para o seu jogo. Na mentalidade, principalmente?
O Nadal, com certeza, na mentalidade. Ele sai de alguns buracos no meio do jogo e encontra soluções que só ele consegue. Não dá nada de graça para o adversário. É um guerreiro.

Em termos de lesão, você teve algum problema físico neste ano ou foi tranquilo?
Foi tranquilo. Na verdade, no future de São Paulo eu senti o joelho. Já estava sentindo há umas duas semanas e piorou lá. Na semana seguinte, eu não consegui treinar direito antes de ir para o México. Treinei meio período, mas consegui me virar lá. Estava jogando bem na quadra rápida. Mas lesão mesmo, não foi quase nada.

Como é nesses ambientes com muitos torneios no mesmo lugar? Por exemplo, além de Cancún, sempre tem bastante torneio na Turquia e na Tunísia, por exemplo. Você enfrenta os mesmos jogadores, tem os mesmos árbitros, fica no mesmo hotel… O quanto isso pode ser bom e o quanto é desgastante?
O único lugar que eu joguei vários seguidos torneios foi lá em Cancún. Eu não achei tão cansativo, porque os donos lá do hotel são muito receptivos com os brasileiros. A dona é brasileira e o marido dela morou 15 anos no Brasil. Então, eles fazem você se sentir em casa. E quando eu joguei foi muito tranquilo. Às vezes eu penso ‘Putz, vou passar seis semanas no mesmo lugar, comendo a mesma comida’, mas lá foi tranquilo. Passou tão rápido que eu não tive essa impressão. Mas acredito que na Tunísia ou no Egito seja bem difícil passar tantas semanas no mesmo lugar.

Felipe Meligeni sente que evoluiu e segue na Espanha
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 2, 2019 às 7:33 am
Felipe Meligeni Alves já vem treinando na Espanha nos últimos dois anos (Foto: Fotojump)

Felipe Meligeni Alves já vem treinando na Espanha nos últimos dois anos (Foto: Fotojump)

Primeiro brasileiro a garantir vaga no Rio Open de 2020, Felipe Meligeni Alves vive uma franca evolução em sua carreira profissional depois de duas temporadas treinando na Espanha. Mas apesar do bom momento, ele recebeu em setembro a notícia de que não seria mais beneficiado pelo projeto da Base na Europa, parceira da Confederação Brasileira de Tênis com a Academia BTT de Barcelona. Disposto a dar continuidade ao trabalho que já vinha sido feito, o jogador de 21 anos e 393º do ranking buscou parceiros para permanecer na Espanha na próxima temporada.

“Foi um pouco difícil, mas eu sabia que poderia acontecer, porque lá é um lugar muito caro. A partir do momento que eu recebi a notícia, comecei a buscar formas de poder ficar lá”, disse Felipe Meligeni ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, competição entre jogadores brasileiros de até 23 anos, disputada na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo e que valia vaga no Rio Open. Campeão do torneio, ele garantiu um convite para disputar a chave principal de um ATP pela primeira vez.

Felipe era apenas o 950º colocado no ranking quando chegou a Barcelona, no início de 2018. Junto com ele estava o gaúcho Orlando Luz, então número 750 do mundo e atualmente no 303º lugar aos 21 anos. Os dois foram treinados pelo técnico brasileiro Léo Azevedo, mas  passaram a trabalhar com treinadores espanhóis depois que Azevedo deixou a academia para atuar na federação britânica. A partir de 2020, o Programa de Alto Rendimento da Confederação deve focar em locais de treinamento no Brasil e Orlandinho ainda não definiu qual será sua base de treinos na próxima temporada.

Confira a entrevista com Felipe Meligeni Alves.

Em primeiro lugar, como você prefere ser chamado? Felipe Alves ou Felipe Meligeni. A gente vê seu nome escrito de várias formas.
Eu não sei. Para mim dá na mesma. Com Meligeni, a galera sempre vai comparar com o meu tio, mas não tem problema. Podem chamar do jeito que acharem melhor. Para mim tá igual.

Aqui no Brasil todo mundo te conhece como sobrinho do Fino, mas lá fora, e aqui na América do Sul, especialmente na Argentina, as pessoas te reconhecem por causa do seu tio?
A galera sabe, pelo nome Meligeni. Perguntam se é meu pai ou se é meu tio, mas só aqui na América do Sul. Lá na Europa, é difícil alguém falar.

A sua temporada teve momentos bem distintos. No primeiro semestre você estava jogando futures, ganhou mais de 40 jogos e três títulos. E agora no segundo semestre você veio aqui para a América do Sul e jogou os challengers, venceu alguns jogos e fez uma campanha legal em Buenos Aires. Como você sentiu essa diferença de nível entre os dois circuitos?
A diferença para mim é que no future você pode ter uma queda de rendimento ou de mental. Você pode ter momentos ruins e ganhar o jogo do mesmo jeito ou ganhar o torneio do mesmo jeito. E nos challengers, quando acontece, muitas vezes não tem volta. Quando você comete esses erros, os caras podem passar por cima de você muito rápido.

Você deve continuar treinando na Espanha. Como você recebeu a notícia a respeito da questão da CBT e como foi possível para viabilizar sua permanência por lá?
Chegou essa notícia para mim em Campinas. Eu estava jogando o challenger lá. Na hora eu fiquei meio assim… ‘Putz! Estava jogando bem, tanto eu quanto o Orlando. Tinha cumprido as metas que a gente tinha recebido’… Foi um pouco difícil, mas eu sabia que poderia acontecer, porque lá é um lugar muito caro e, querendo ou não, o real não vale nada lá fora. Você convertendo, acaba gastando muito. Mas a partir do momento que eu recebi a notícia, comecei a buscar formas de poder ficar lá. Aí eu estava no Rio de Janeiro e encontrei um cara que agora está me dando uma ajuda. E eu tenho um outro que é mais ou menos da minha família, de coração, um cara que é quase como meu pai, que também está me ajudando com um dinheiro por mês. Se não fosse por eles, eu realmente não teria voltado, porque é muito caro para ficar lá fora. Estava começando um trabalho com um treinador novo agora e fiz de tudo para ficar lá. Estou em um momento muito bom na minha carreira e tenho muita coisa para evoluir. Acho que vale a pena. Querendo ou não, é o centro do tênis. Então foi uma escolha certa que eu fiz.

Pode falar o nome dessas pessoas e do seu técnico também? 
Estou agora com o treinador Marc Garcia. Ele está me ajudando. Quando eu trabalhava com o Léo Azevedo, ele era muito próximo do Léo e é um cara que tem a mesma mentalidade. Estou com uma ajuda do Bruno Bonjean, que é um cara que eu já conhecia, mas conversei com ele no Rio e expliquei um pouco da minha situação. Ele propôs uma parceria para me dar uma ajuda e fiquei muito feliz. E tem um cara lá de Campinas, que é pai de um amigo meu, o José David da construtora Procivil. Eu uso na manga. Se não fosse por isso, eu não teria ficado na Espanha, teria ficado por aqui na América do Sul mesmo.

Não necessariamente no Brasil, mas em algum dos países aqui na América do Sul?
Sim, em algum desses países.

Sabe se o Orlandinho já se decidiu se irá ficar na Espanha?
Ainda não tô sabendo.

Em termos de ranking, você cumpriu sua expectativa de ficar mais perto dos 300. O que você projeta para o ano que vem?
Eu poderia até terminar um pouco melhor. Eu venho jogando muito bem e poderia ter baixado um pouco mais. Eu queria ter acabado no top 300, mas por uma razão ou outra, acabou não acontecendo. Mas 390 é um bom ranking também. Em dois anos, eu subi 700 posições. Ano que vem, quero jogar os qualis dos Grand Slam. Na Austrália, eu não vou poder, mas quero jogar os outros e estar entre os 250. Quem sabe, terminar o ano perto do top 150 ou até perto do top 100.

O quanto aquele primeiro semestre, quando os futures não davam pontos na ATP, te atrapalhou um pouco? E agora que você vai ter um calendário mais estabilizado, o quanto vai ajudar? 
Foi um pouco difícil no começo. Você sempre precisava se preocupar em estar entre os 30 da ITF para poder jogar os challengers e tentar fazer pontos. Você podia ganhar os futures, mas pegar uma primeira rodada dura em challenger, perder e não pontuar. Era bem difícil ter que se preocupar em defender dois rankings o tempo inteiro. Acho que essa volta aos pontos normais me beneficiou bastante. Consegui entrar direto nos challengers e comecei a ganhar jogos de challenger, o que faz muita diferença. Tem uma diferença de nível muito grande do challenger para o future e você se cobra muito mais quando está jogando um torneio maior. Essa volta me ajudou bastante e vai ser bom no ano que vem.  

Você teve bons resultados nas duplas. O quanto isso ajudou em termos de evolução?
Dupla me ajudou bastante para ganhar ritmo. Até quando você não se sente jogando bem, a dupla te dá confiança quando você vai ganhando. Você começa a se sentir melhor em quadra, e tem sempre um cara do seu lado te apoiando. Isso é bom. Eu gosto muito de jogar duplas e acho que me ajuda bastante para simples. Estou com bons resultados e perto de 170 no ranking [é atualmente o 178º colocado], então acho que eu preciso tentar baixar um pouco o ranking de simples para não ter tanta diferença.

Se surgir a oportunidade de entrar em um torneio maior, como um ATP 250, nas duplas, você poderia priorizar em uma semana ou outra?
Quem sabe. Isso teria que ver no calendário e ver como vai ser durante o ano.

Quando você estava jogando future, como era para lidar mentalmente com aquelas giras muito longas no mesmo lugar? Eu entrevistei a Carol [Meligeni] algumas vezes e ela falava um pouco disso, sobre ficar no mesmo hotel, enfrentar as mesmas adversárias e ter os mesmos árbitros…
Hoje em dia eu não faço mais essas giras muito longas. Estando na Espanha, você consegue voltar, porque não são caras as passagens. É bom para viajar. Mas eu já fiz giras de 10 ou 15 semanas e é muito desgastante. A partir da quinta semana, você já está querendo se matar. Se você está no mesmo lugar é realmente bem desgastante e você acaba ficando um pouco de saco cheio, mas é assim a vida de sul-americano. Não é fácil. A gente tem que batalhar, tem que ralar, para chegar o mais longe possível e sair dessa situação o mais rápido possível.

O seu tio te aconselha nessa parte de calendários e locais que têm uma estrutura legal?
Sim, eu converso muito com o meu tio sobre torneios e lugares para eu jogar. Ele me ajuda bastante com o calendário. Ele me ajuda bastante e sempre vejo o que ele do que eu tenho planejado, ele me fala do que acha bom. Então, ele ajuda bastante.

Título e trabalho com Guga animam Mateus Alves
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 29, 2019 às 9:32 am

Mateus Alves conquistou seu primeiro título como profissional no último domingo, no México (Foto: Fotojump)

Depois de conquistar o primeiro título de sua carreira profissional no último domingo, Mateus Alves tem novas perspectivas para a próxima temporada. O jovem paulista de 18 anos encerrou seu ciclo como juvenil em 2019 e se prepara para o primeiro ano inteiramente voltado ao tênis profissional.

Alves ocupa atualmente o 539º lugar do ranking e deve subir um pouco mais na próxima segunda-feira, quando serão computados os dez pontos na ATP referentes ao título conquistado nas quadras duras de Cancún, no México, na última semana. Com 1,93m de altura, ele acredita que pode colher bons resultados com seu estilo de jogo de jogo mais agressivo e adaptado aos pisos mais rápidos.

“Meu jogo se baseia muito no saque e na agressividade, por causa da minha altura. Então é uma quadra que traz bastante benefício para o meu estilo. E é onde eu me sinto confortável para jogar”, disse Mateus Alves ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, competição entre jogadores brasileiros de até 23 anos, disputada na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e que vale vaga no Rio Open de 2020. Alves está no evento como Alternate, entrando em quadra em caso de desistências.

O jovem paulista é um dos jogadores que faz parte do Time Guga, equipe de alto rendimento apoiada pelo ex-número 1 do mundo e tricampeão de Roland Garros. Atualmente, Mateus Alves treina em São José do Rio Preto, e é acompanhado pelos ex-jogadores profissionais Thiago Alves e Augusto Laranja. Outro juvenil promissor no mesmo centro de treinamento é o baiano de 17 anos Natan Rodrigues. “Estar com o Guga e com o time dele apoiando significa muito. Significa que eles acreditam em mim e estão vendo potencial no meu jogo. Isso é muito gratificante para mim. E me dá ainda mais confiança”.

Confira a entrevista com Mateus Alves.

Você acabou de ganhar um torneio no México. Queria saber como foi a semana e sua adaptação à quadra dura? Você é um jogador alto e que aposta bastante no saque. O quanto isso ajudou o seu jogo na quadra dura?
A adaptação veio depois de três semanas jogando no mesmo lugar. Eu não fui tão bem nas duas primeiras, mas consegui um bom resultado na última semana. O melhor da minha carreira, com certeza.
Acho que o meu jogo se baseia muito no saque e na agressividade, por causa da minha altura. Então é uma quadra que traz bastante benefício para o meu estilo. E é onde eu me sinto confortável para jogar. Estou muito feliz com esse título e espero melhores resultados no próximo ano.

O primeiro título é um marco na carreira de qualquer jogador. O quanto conseguir esse feito agora dá moral para a próxima temporada?
Verdade. O primeiro título de future é marcante. Eu vinha batendo na trave em alguns torneios durante o ano, que atingi duas semifinais e uma outra vez nas quartas de final. E, com certeza, esse título traz uma nova mentalidade e novos objetivos. E com certeza eu vou trabalhar cada vez mais para conseguir alcançar melhores resultados.

Você está terminando agora sua carreira de juvenil. Como você avalia esse período e o que você vê de diferente entre o juvenil e o profissional em termos de bola e também na mentalidade dos adversários?
Acho que minha carreira juvenil foi muito boa. Consegui muitos títulos. Nesse último ano, eu não joguei tantos torneios juvenis, foquei nos torneios de transição, que são os profissionais que estou jogando agora. E acho que foi uma boa ideia para conseguir me adaptar. São dois circuitos diferentes, têm muita diferença entre um circuito e outro. E no profissional, a maioria deles é mais velho e mais experiente que você.

Você hoje está no time do Guga, com o Thiago Alves, e que já teve o [Thomaz] Bellucci também. O quanto é importante ter essas pessoas experientes no circuito por perto?
O Thiago e o Augusto (Laranja) são os meus treinadores em Rio Preto. Sem eles eu não chegaria onde estou agora. Ainda mais com esse título. Estar com o Guga e com o time dele apoiando significa muito. Significa que eles acreditam em mim e estão vendo potencial no meu jogo. Isso é muito gratificante para mim. E dá ainda mais confiança.

Além de você com o Thiago Alves, quem fica lá treinando junto?
Na equipe de competição, somos eu e o Natan Rodrigues que treinamos juntos lá. O Natan se mudou de Salvador para Rio Preto e está treinando junto com a gente. É um centro de treinamento muito bom, até porque eu moro em Rio Preto, e poder treinar com pessoas qualificadas e excelentes como eles é, sem dúvida, muito bom.

Quais são suas perspectivas para a próxima temporada, em termos de ranking, de resultado ou de desempenho também? O que você acha que pode evoluir?
Com esse título, mudam bastante minhas perspectivas. Eu tinha traçado uma meta para esse ano que eu cheguei perto de alcançar, que era estar o mais perto possível do número 500 da ATP. Como teve muitas mudanças de ranking no começo do ano, e mudança de pontuação, deu uma diversificada nessas metas. Mas vou sentar com o Thiago e avaliar tudo o que a gente fez para traçar novos objetivos para o ano que vem.

Challengers têm 25 campeões com até 21 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2019 às 7:01 pm

A temporada de challengers do circuito da ATP chegou ao fim na última semana, após o torneio disputado no saibro de Maia, em Portugal. Nesses eventos, que formam o último estágio até a entrada nas chave principais de ATP, alguns jogadores da nova geração conseguiram se destacar. Em 25 torneios, os campeões tinham até 21 anos, e 42 torneios foram vencidos por tenistas com até 23 anos.

O número de campões com no máximo 21 anos é um pouco menor do que o registrado em 2018, quando 29 challengers foram vencidos por jogadores nessa faixa etária. Já em 2017 foram 24 campeões com até 21 anos. Se o recorte for entre atletas com até 19 anos, são apenas seis campeões, contra oito ano passado e 15 de 2017.

 

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O campeão mais jovem do circuito foi o italiano Jannik Sinner. Ele estava com 17 anos e seis meses quando venceu em Bérgamo. Sinner ainda conquistou os challengers de Ortisei e Lexington. Ele também se tornou o mais jovem a ganhar três challengers no mesmo ano desde Richard Gasquet em 2003. Depois do italiano aparecem o espanhol Nicola Kuhn em Segóvia, o brasileiro Thiago Wild em Guayaquil, e o francês Corentin Moutet em Chennai.

Wifoi campeão mais jovem em sete temporadas
O título de Thiago Wild em Guayaquil colocou o paranaense entre os mais jovens brasileiros a conquistar um título de challenger. Apenas três jogadores do país conquistaram torneios deste porte com menos idade que ele. Wild estava com 19 anos e 7 meses na semana em que foi campeão no saibro equatoriano. Com isso, também se tornou também o brasileiro mais jovem a vencer um torneio desse nível no exterior.

O brasileiro mais jovem a ganhar um torneio challenger foi Jaime Oncins, aos 19 anos e um mês em julho de 1989, quando venceu um torneio na cidade paulista de Lins. Também em 1989, Roberto Jabali ganhou um challenger aos 19 anos e um mês na cidade de São Paulo. O terceiro jogador brasileiro com menos de 20 anos a ganhar um título de challenger foi Guilherme Clezar. O gaúcho nascido em dezembro de 1992 tinha 19 anos e quatro meses ganhou ganhou o challenger do Rio Quente, em Goiás, na temporada 2012.

Jovens jogadores com quatro títulos
Os recordistas de títulos de challenger na temporada foram o lituano Ricardas Berankis, o australiano James Duckworth, o finlandês Emil Ruusuvuori e o sueco Mikael Ymer. Todos eles conquistaram quatro torneios deste porte. Ymer, de 21 anos e 74º do ranking, e Ruusuvuori, 20 anos e 124º colocado, são os jovens. Berankis já está com 29 anos, enquanto Duckworth tem 27.

A idade com maior número de campeões da challenger é de 27 anos. Foram 24 torneios vencidos por jogadores com esse tempo de vida. Na sequência, aparecem os 17 títulos para tenistas de 21 anos e as 13 conquistas de jogadores de 24 anos.

As finais mais jovens na temporada foram em Segovia e Champaign, sempre entre um jogador de 19 anos e outro de 20. Na Espanha, Nicola Khun venceu Pavel Kotov. Já nos Estados Unidos, J.J. Wolf levou a melhor contra Sebastian Korda.

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Italianos, espanhóis e americanos se destacam
O país com maior número de títulos de challenger em 2019 foi a Itália, coom 15 campeões. Os italianos também conseguiram outros 17 vice-campeonatos. Logo depois aparecem a Espanha e os Estados Unidos, cada um com 15 troféus.

O Brasil teve seis campeões, com três títulos de Thiago Monteiro, um de João Menezes, um de Thiago Wild e outro de Rogério Dutra Silva. Os recordes são da Argentina, com 20 títulos em 2006 e 2007, e da França, cujos jogadores conseguiram 20 conquistas ao longo da temporada de 2005.

Veteranos venceram menos em 2019
Já os atletas com mais de 30 anos conquistaram 22 títulos, número menor que os 27 da temporada passada. O campeão mais velho da temporada foi Tommy Robredo, que estava com 37 anos e um mês quando foi campeão em Parma, na Itália e em Poznan, na Polônia.

Robredo também foi protagonista da final com maior diferença de idade na temporada. Enquanto o espanhol estava com 37 anos quando venceu um torneio em Poznan, seu rival alemão Rudolf Molleker tinha apenas 18 anos. A lista de vencedores mais velhos do ano ainda conta com um brasileiro, Rogério Dutra Silva, vencedor em Playford, na Austrália, aos 34 anos. Ele só fica atrás Tommy Robredo e Andreas Seppi.

Temporada da ATP tem 23 campeões com até 23 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 19, 2019 às 5:51 pm

A temporada de 2019 do circuito da ATP terminou no último domingo com o título de Stefanos Tsitsipas no ATP Finals. A conquista do jovem grego de 21 anos em Londres fechou um bom ano para a nova geração do tênis masculino. Dos 66 torneios do circuito, 23 foram vencidos por atletas com até 23 anos, sendo que nove campeões tinham 21 anos ou menos.

Tsitsipas foi o jogador mais jovem a vencer o Finals, competição entre os oito melhores de uma temporada, desde Lleyton Hewitt em 2001, quando o australiano venceu o torneio com apenas 20 anos. O grego também se tornou apenas o sétimo jogador a conquistar o título logo em sua primeira participação no evento.

O campeão mais jovem da temporada foi o australiano Alex de Minaur, que venceu o ATP 250 de Sydney, em janeiro, aos 19 anos e 11 meses. Este foi o único torneio vencido por um jogador com menos de 20 anos em 2019. Após seu 20º aniversário, em fevereiro, De Minaur ainda venceu mais dois torneios, em Atlanta e em Zhuhai.

Entre os jogadores com até 23 anos que conquistaram títulos de ATP ao longo da temporada, aparecem Stefanos Tsitsipas, Denis Shapovalov, Reilly Opelka, Taylor Fritz, Andrey Rublev , Alexander Zverev, Hubert Hurkacz, Cristian Garin, Daniil Medvedev, Matteo Berrettini, Laslo Djere, Nicolas Jarry e Nick Kyrgios. Lembrando que Kyrgios completou 24 anos em abril, e ainda ganhou o ATP de Washington em agosto.

A final mais jovem da temporada envolveu o italiano de 23 anos Matteo Berrettini e o canadense de 18 anos Felix Auger-Aliassime, disputada na grama de Stuttgart. A segunda final mais jovem foi em Atlanta, onde De Minaur (20) derrotou Taylor Fritz (21). Em terceiro lugar aparece a final do Rio Open, com Laslo Djere (23) e Felix Auger-Aliassime (18).

Temporada teve 15 campeões inéditos
O ano de 2019 também teve 15 jogadores conquistando seu primeiro título de ATP. Esta é a melhor marca desde 1999, quando 16 jogadores venceram um torneio pela primeira vez. No ano passado, foram treze campeões inéditos. A maior parte desses novos campeões fazem parte da geração mais jovem do circuito, como os casos de De Minaur, Fritz, Djere, Opelka, Garin, Jarry, Hurkacz e Shapovalov.

A lista ainda tem veteranos como Adrian Mannarino, aos 30 anos, Radu Albot (29), Dusan Lajovic (29) e Guido Pella (28). Outros campeões inéditos foram o italiano de 24 anos Lorenzo Sonego, o argentino de 25 anos Juan Ignácio Londero e o norte-americano de 27 anos Tennys Sandgren.

Trintões ganharam 25 torneios
Os jogadores com mais de 30 anos conquistaram 25 torneios em 2019. O número foi puxado pelas cinco conquistas de Novak Djokovic, além dos quatro títulos para Roger Federer e Rafael Nadal. Só eles são responsáveis por 13 dessas conquistas. Nomes como Andy Murray, Jo-Wilfried Tsonga, Feliciano López, Roberto Bautista Agut, Gael Monfils, John Isner, Kevin Anderson, Fabio Fognini, Benoit Paire, Adrian Mannarino e Albert Ramos também fazem parte na lista de ‘trintões’ vencedores de torneios.

Federer foi o campeão mais velho de 2019. O suíço conquistou o título na Basileia aos 38 anos e dois meses. A final mais velha do ano foi protagonizada por Kevin Anderson (32) e Ivo Karlovic (39) em Pune, na Índia. Na sequência, aparece a de Queen’s, em Londres, entre Feliciano López (37) e Gilles Simon (34). Em terceiro lugar, fica o duelo entre Roger Federer (37) e John Isner (33) no Masters 1000 de Miami. Além disso, onze finais do circuito tiveram dois jogadores com mais de 30 anos.

Tênis francês mostra força no Finals Juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 28, 2019 às 8:21 pm

A nova geração do tênis francês mostrou força durante a quinta edição do ITF Junior Finals em Chengdu, na China. A França teve dois representantes entre os três primeiros colocados tanto no masculino quanto no feminino. O destaque fica para o título de Diane Parry entre as meninas. Líder do ranking mundial da categoria, a jogadora de 17 anos venceu a final no último domingo contra a ucraniana Daria Snigur, então quarta colocada e campeã de Wimbledon, por 6/1 e 6/4 em apenas 58 minutos de partida.

Além do título de Parry, a jogadora de 16 anos Elsa Jacquemot ficou na terceira posição da chave feminina. Já no masculino, Harold Mayot foi o segundo colocado e Valentin Royer ficou em terceiro. O título ficou com o dinamarquês de apenas 16 anos Holger Rune, atual campeão de Roland Garros e que também treina na França, na Academia Mouratoglou.

“Acho que a nova geração é boa e vejo esse grupo causando impacto no futuro”, disse Parry ao site da ITF após a vitória no último domingo. “Havia quatro de nós aqui este ano. Estamos muito bem agora no juvenil e há algumas meninas ainda mais jovens que também estão jogando muito bem”.

Parry foi a segunda francesa a conquistar o título da competição, repetindo o feito de Clara Burel no ano passado. “Clara e eu somos amigas e a conheço muito bem, já que jogamos duplas juntas anteriormente. Ela me mandou uma mensagem antes do jogo e apenas disse: ‘Boa sorte, divirta-se e faça o seu melhor’. Foi ótimo receber essa mensagem. Eu vim aqui para fazer o que ela fez e consegui. Estou tão feliz.”

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1188381756573077504

O estilo de jogo de Parry é bastante raro para a elite do circuito. Não apenas pelo fato de executar o backhand com apenas uma das mãos, mas também pelo fato de bater reto na bola nesse golpe, sem tanto spin como outras jogadoras de mesmo estilo fazem. Ela já ocupa o 328º lugar do ranking mundial da WTA, chegando a vencer um jogo da chave principal de Roland Garros neste ano contra a então 102 do mundo Vera Lapko, e já mira a transição ao circuito profissional. “Agora vou jogar apenas torneios profissionais. Terei que superar alguns medos, mas tentarei ir longe no ranking”.

Já o campeão da chave masculina Holger Rune destacou sua preparação mental para os grandes jogos. O jovem dinamarquês diz se sentir cada vez mais à vontade disputando as finais de campeonato e assume a liderança do ranking mudial da categoria.

“Já ganhei algumas finais agora. Primeiro foi no Campeonato Europeu Júnior de Sub-14, depois no Roland Garros juvnil e agora neste torneio”, disse Rune após a partida contra Mayot por 7/6 (7-3), 4/6 e 6/2 em 2h07 de disputa. “Você precisa ter algo a mais para vencer as finais, pois não é fácil. Você fica nervoso antes da partida e sempre há muita coisa acontecendo”.

“Você precisa acalmar esses nervos, basear-se na sua experiência e focar no seu jogo. Ter a capacidade de fazer isso é incrível”, avalia o dinamarquês. “Se Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray não aguentassem a pressão, não teriam vencido tantos Grand Slams. Existem muitos jogadores no top 20 da ATP que poderiam ganhar um Grand Slam, mas não têm essa mentalidade. Para chegar onde eu quero, preciso ter essa mentalidade. Estou disposto a passar por esse processo e superar as dores para chegar até lá”.

https://twitter.com/ITF_Tennis/status/1188394425631891458

Juvenis jogam sua versão do Finals nesta semana
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 22, 2019 às 8:43 pm

A quinta edição do ITF Junior Finals começa na madrugada desta quarta-feira. Mais uma vez, a cidade chinesa de Chengdu foi escolhida como sede da competição que reúne alguns destaques da temporada do circuito mundial juvenil e ajudará a definir o número 1 do ranking da categoria no fim do ano. Houve uma pequena mudança de nome, já que até o ano passado o evento se chamava ITF Junior Masters.

O formato da competição é o mesmo do ATP Finals e do WTA Finals. Dois grupos com quatro tenistas, sendo que os dois melhores de cada chave avançam para as semifinais até a disputa do título. Os campeões ganham 750 pontos no ranking, com 450 para finalistas. Além disso, o torneio também premia os jogadores com auxílios entre US$ 7 mil e US$ 15 mil para viagens no circuito.

Por ser uma viagem longa e como muitos jogadores dessa faixa etária já estão comprometidos com a transição para o tênis profissional, nem sempre aqueles que estão entre os oito primeiros do ranking participam do evento. Ainda assim, nomes como Jelena Ostapenko, Marketa Vondrousova, Andrey Rublev, Taylor Fritz, Casper Ruud, Anna Blikova, Miomir Kecmanovic e os brasileiros Orlando Luz e Marcelo Zormann já atuaram pela competição.

Neste ano, a ITF não anunciou informações a respeito de transmissões pela internet. Durante a Copa Davis e Fed Cup Júnior, em setembro, os principais jogos foram exibidos pelo canal no YouTube da Federação Internacional.

FEMININO

GRUPO LIANG
Daria Snigur: Quarta colocada no ranking mundial juvenil, a ucraniana de 17 anos foi campeã de Wimbledon, semifinalista do Australian Open e chegou às quartas em Roland Garros. Entre as profissionais, já aparece no 319º lugar do ranking da WTA e conquistou três títulos de ITF na temporada, além de já ter vencido outro torneio no ano passado.

Kamilla Bartone: A letã de 17 anos é a atual nona colocada no ranking e se destacou nas duplas, com título do US Open e vice-campeonato de Wimbledon. Em Nova York, ela foi treinadora pela brasileira Roberta Burzagli, capitã da equipe nacional da Fed Cup e técnica do programa de desenvolvimento da ITF.

Elsa Jacquemot: Francesa de 16 anos e 11º colocada no ranking, Jacquemot ganhou dois títulos na temporada e chegou às quartas na chave juvenil de Roland Garros.

Oksana Selekhmeteva: Apesar de aparecer no 19º lugar do ranking, a canhota russa de 16 anos acumulou bons resultados na temporada. Semifinalista do US Open em simples, formou também uma boa parceria com Kamilla Bartone, com título em Nova York e vice em Wimbledon.

GRUPO LI
Diane Parry: A francesa de 17 anos chega como favorita ao torneio. Afinal, lidera o ranking mundial da categoria e acabou de ganhar um título importante em Osaka. Além disso, ela já começa a se destacar no circuito profissional, ocupando o 328º lugar no ranking da WTA. Convidada para a chave principal de Roland Garros, chegou a vencer uma partida contra a bielorrussa Vera Lapko, número 102 do mundo.

Hurricane Tyra Black: A norte-americana de 18 anos se destacou no Banana Bowl, em Criciúma, ao chegar à final do torneio no Brasil, perdendo para Parry na decisão. Também venceu dois torneios na grama pouco antes de Wimbledon, mas caiu ainda na estreia do Grand Slam londrino.
Qinwen Zheng:

Qinwen Zheng: Chinesa de 17 anos, Zheng foi semifinalista em Roland Garros e no US Open e ocupa o sétimo lugar no ranking mundial juvenil. Nesta reta final de ano, recebeu convite para qualis de WTA em seu país, tendo suas primeiras experiências no alto nível. Ela chegou a enfrentar a veterna Svetlana Kuznetsova em Tianjin.

Natsumi Kawaguchi: A canhota japonesa de 17 anos é a atual oitava colocada no ranking mundial da categoria. Seus principais resultados foram o título de duplas no Australian Open e o vice-campeonato em Porto Alegre.

MASCULINO

GRUPO SHUAI
Jonas Forejtek: Tcheco de 18 anos, Forejtek é o atual líder do ranking mundial juvenil e foi campeão do US Open na categoria. Entre os profissionais, ocupa o 548º lugar no ranking da ATP. Ele tem um título de ITF M25, conquistado no mês de agosto, na Áustria. Ainda que seu nome não seja tão conhecido do grande público, imagens dele ainda quando criança, treinando com uma colher viralizaram nas redes sociais desde 2013.

Holger Rune: O dinamarquês de apenas 16 anos se destacou ao conquistar o título do torneio juvenil de Roland Garros e ocupa atualmente no 3º lugar do ranking da categoria. Também em 2019, conquistou mais dois títulos no circuito juvenil. Ele treina na academia de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams.

Harold Mayot: Quinto colocado no ranking mundial juvenil, Mayot chega embalado pelo título do ITF JA de Osaka, no Japão, na última semana. Nos Grand Slam, destaque para uma campanha até a semifinal de Wimbledon. O francês de 17 anos também disputou, em setembro, sua primeira final entre os profissionais, nas quadras de carpete de Forbach.

Bu Yunchaokete: O chinês de 17 anos e 16º do ranking vive bom momento no circuito juvenil. Ele fez três finais seguidas nos torneios disputados em seu país e ainda chegou às quartas em Oskaka, onde também foi finalista de duplas.

GRUPO YONG
Shintaro Mochizuki: Vice-líder do ranking mundial e campeão de Wimbledon, o japonês de 16 anos também ajudou seu país a conquistar o título da Copa Davis Júnior. Mochizuki está começando a se dedicar ao circuito profissional e ganhou dois títulos de dupas.

Thiago Tirante: O argentino de 18 anos foi campeão juvenil de Roland Garros ao lado do brasileiro Matheus Pucinelli. Também nas quadras de saibro, ficou com o vice-campeonato em Milão, perdendo a final para Jonas Forejtek

Liam Draxl: Nono colocado no ranking juvenil, o canadense de 19 anos teve bons resultados nos torneios preparatórios para Wimbledon, em quadras de grama. Também foi finalista de duplas no Grand Slam londrino. Entre os profissionais, destaque para uma vitória no challenger de Gatineau, em julho.

Valentin Royer: O francês de 17 anos e 12º do ranking ganhou dois títulos no ano, com destaque para o Europeu Individual em Klosters, na Suíça, no mês de agosto. Seu melhor resultado em Grand Slam foi no US Open, onde chegou às quartas de final.

Gauff salta 800 posições em um ano e extrapola meta
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 16, 2019 às 12:36 am

A incrível campanha de Coco Gauff rumo ao título do WTA de Linz na semana passada extrapola metas que já eram ambiciosas para a jovem norte-americana de apenas 15 anos. Gauff ocupava apenas o 879º lugar do ranking em dezembro do ano passado, quando estabeleceu como principal objetivo da temporada chegar ao grupo das cem melhores jogadoras do mundo. Com a conquista do torneio austríaco em quadras duras e cobertas, ela já aparece na 71ª posição.

Gauff conquistou seu primeiro título de WTA aos 15 anos (Foto: GEPA)

As façanhas de Gauff em Linz
Com 15 anos e 214 dias, Gauff é a campeã mais jovem do circuito desde 2004. Naquela temporada, Nicole Vaidisova foi campeã em Tashkent com 15 anos e 177 dias. Desde então, nenhuma jogadora tão jovem havia chegado sequer a uma semifinal de torneio pela elite do circuito. A recordista como campeã mais jovem da WTA é Tracy Austin, com 14 anos e 28 dias em Portland-1977.

Gauff é também a mais jovem norte-americana a ganhar um título desde 1991, quando Jennifer Capriati foi campeã em Toronto com 15 anos e 135 dias. Principais ídolos da jovem norte-americana, as irmãs Venus e Serena Williams conquistaram seus primeiros torneios já aos 17 anos. Ela também se torna a primeira norte-americana a alcançar o top 100 antes de completar 16 anos desde Chanda Rubin em 1991.

“A semana passada foi ótima. No início deste ano, eu nunca pensei que já ganharia meu primeiro título”, disse Gauff, em entrevista ao site da WTA após a conquista em Linz. Ela venceu na final a letã Jelena Ostapenko por 6/3, 1/6 e 6/2. “Realizei todos os objetivos que queria realizar neste ano. Ganhar um título não estava na minha lista, mas estou feliz que tenha acontecido”.

Outras façanhas para Gauff foram sua primeira vitória contra top 10, diante da número 8 do mundo Kiki Bertens, e o fato conquistar um torneio como lucky-loser, algo que só havia acontecido outras duas vezes na história do circuito. A primeira foi Andrea Jaeger em Las Vegas, ainda em 1980. A segunda foi a sérvia Olga Danilovic no saibro de Moscou no ano passado.

A norte-americana perdeu da alemã Tamara Korpatsch na última rodada do quali, mas herdou uma vaga com a desistência da Maria Sakkari e entrou na chave cerca de 40 minutos antes de enfrentar a suíça Stefanie Voegele pela primeira rodada. “Depois que percebi que entrei como lucky-loser, fiquei aliviada e joguei sem pressão, porque eu já deveria estar fora do torneio”.

A derrota na fase classificatória acabou tendo impacto positivo para Gauff, que mudou alguns aspectos de seu jogo e do comportamento em quadra. “Quando perdi a partida do quali, minha equipe e eu sentimos que estávamos saindo demais dos pontos e tentando bater muito forte na bola. Minha linguagem corporal também poderia ter sido melhor, assim como minha atitude em quadra”.

Mudanças de estilo e de mentalidade
Também chamou atenção durante a semana a mudança de postura de Gauff contra adversárias de diferentes estilos. Para efeito de comparação, a norte-americana foi bem mais agressiva e assumiu mais iniciativa dos pontos contra Kiki Bertens, nas quartas, do que na final contra Ostapenko, que tem muito mais peso de bola.

“Meu objetivo não era realmente vencer depois disso, mas sim melhorar meu comportamento e atitude. Isso acabou melhorando meus resultados. Levei isso em conta e usei o que aprendi nas próximas partidas. À medida que cada partida acontecia, ganhei mais confiança nos meus golpes”, avalia a norte-americana. “Joguei contra adversárias difíceis, então minha confiança está bem alta agora. Tento tratar todos os jogos da mesma forma. Obviamente, quando você joga com jogadoras diferentes e tem que se ajustar ao estilo de jogo delas, mas tento entrar em todos os jogos com a mesma mentalidade”.

A escalada no ranking ao longo do ano
Gauff iniciou a temporada já na 685ª colocação, por conta da reestruturação no sistema de pontuação dos torneios menores. O primeiro salto foi ainda em fevereiro, quando ela disputou uma final de ITF W25 em Surprise, no Arizona, e ganhou em torno de cem posições com os 30 pontos conquistados. Em março, recebeu convite para o Premier de Miami e venceu um duelo da nova geração norte-americana contra Catherine Mcnally, o que lhe rendeu 35 pontos no ranking e a levou do 456º para o 383º lugar do ranking.

A evolução de Gauff seguiu com duas campanhas até as quartas nas quadras de saibro em torneios da ITF em Charleston e Saint Gaudens. Convidada para o qualificatório de Roland Garros, depois de ter sido campeã juvenil no ano passado, ela já aparecia na 324ª posição e venceu um jogo, recebendo 20 pontos e debutando no top 300, ao alcançar o 299º lugar.

Um grande passo na evolução de Gauff foi em Wimbledon. Novamente convidada para um quali, a jovem norte-americana aproveitou a chance e venceu três jogos na grama de Roehampton para alcançar uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira. Ela se tornou a mais jovem jogadora a furar um quali de Slam na Era Aberta. Na sequência, voltou a brilhar e venceu mais três jogos, despachando até mesmo a pentacampeã Venus Williams. Sua algoz seria a romena Simona Halep, que terminaria o torneio como campeã. Com isso, acumulou 280 pontos e foi parar no 141º lugar do ranking.

Cercada de muita expectativa, Gauff furou o quali do WTA de Washington e ainda recebeu convite para o US Open. Com duas novas vitórias em Nova York, teve a oportunidade de enfrentar a número 1 do mundo Naomi Osaka, em jogo no horário nobre do Arthur Ashe Stadium e da TV americana. Ela fez 18 pontos na capital de seu país e mais 130 em Nova York para alcançar o 106º posto e ficar muito perto de debutar no top 100. Por conta da pouca idade e da regra que impõe um limite no número de torneios, Gauff pulou a temporada asiática e só voltou a jogar na semana passada em Linz, como 110ª do ranking. As vitórias e o título renderam 280 pontos e a sonhada vaga entre as cem melhores do mundo.

Japão conquista a Davis Júnior, Brasil é 15º na Fed
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 29, 2019 às 8:04 pm

A edição de 2019 da Copa Davis Júnior, mundial para tenistas de até 16 anos, chegou ao fim neste domingo com o título do Japão. A equipe contou com Shintaro Mochizuki, campeão juvenil de Wimbledon e vice-líder do ranking mundial da categoria, para vencer os forte time dos Estados Unidos na final e conquistar a competição pela segunda vez. O primeiro título foi ainda em 2010.

Shintaro Mochizuki e Yamato Sueoka (de boné) definiram a série com vitória nas duplas. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Os norte-americanos jogavam em casa, nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida, e tinham dois top 10, o quarto colocado Martin Damm e o oitavo Toby Kodat. A série começou com Kodat vencendo Kokoro Isomura por duplo 6/3. Na sequência, Mochizuki empatou o confronto ao vencer Damm por 7/6 (7-3) e 7/5.

A decisão ficou para o jogo de duplas. Mochizuki voltou à quadra, ao lado de Yamato Sueoka, e ajudou o time japonês a vencer a forte parceria de Damm e Kodat por 6/3 e 6/4. A partida teve um momento divertido ainda no primeiro set, quando Sueoka aplicou um incrível lob e correu para o abraço, mas foi solenemente ignorado pelo parceiro.

https://twitter.com/DavisCup/status/1178393273775382535

Tenho gostado bastante dos jogos de Mochizuki, especialmente pela maneira como ele executa o backhand saltando, algo parecido com o que Gael Monfils ou Daria Kasatkina fazem atualmente nos circuitos profissionais masculino ou feminino. O japonês de 16 anos tem golpes potentes, mas também mostra ter muitos recursos. Sabe bem o que fazer quando está à rede e varia bem o saque. Um grande potencial a ser explorado.

Outra coisa que me anima na conquista dos japoneses é ver o capitão Ko Iwamoto conquistar o título. Ele vem sempre ao Brasil para trazer alguns jovens jogadores japoneses para jogar no saibro durante o Banana Bowl e o Juvenil de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau). Tive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes, a primeira ainda em 2015 e também em 2016 para este blog. Ambas foram conversas muito proveitosas.

Norte-americanas conquistam o terceiro título seguido
O título da Fed Cup Júnior ficou mais uma vez com os Estados Unidos, que conquistam a competição pela sétima vez na história e pela terceira ocasião seguida. Diferente do que havia acontecido nos últimos anos, quando Whitney Osuigwe, Caty McNally e Coco Gauff estiveram em quadra, a capitã Jamea Jackson (ex-top 50) levou uma equipe sem campeãs ou finalistas de Grand Slam juvenil.

As norte-americanas escaladas para a competição foram Robin Montgomery (39ª colocada no ranking da ITF), Katrina Scott (43ª) e Connie Ma (329ª). Menos conhecida entre as três atletas dos Estados Unidos, Ma não é uma jogadora alta, tampouco forte fisicamente, mas isso não a impedia de jogar em cima da linha, bater reto na bola e controlar a direção dos pontos. Um bom exemplo para outras meninas da mesma idade e de mesma estrutura física.

Na final diante da República Tcheca, Connie Ma marcou 6/1 e 6/3 contra Barbora Palicova. O confronto ficou empatado depois que Linda Noskova venceu Katrina Scott por 6/2, 3/6 e 6/3. Nas duplas, Ma e Montgomery venceram Noskova e Palicova por 6/2 e 7/5.

Brasil termina apenas no 15º lugar
A equipe brasileira da Fed Cup Júnior terminou a competição na 15ª posição entre 16 equipes. O único confronto vencido pelo Brasil foi neste domingo diante da Coreia do Sul, no playoff que definiu as duas últimas posições da competição. A catarinense Priscila Janikian venceu Ji Min Kwon por 6/1 e 6/3, a paulista Juliana Munhoz perdeu para Bo Young Jeong 4/6, 6/1 e 6/4. Nas duplas, Janikian e a goiana Lorena Cardoso venceram Hyeongju Han e Bo Young Jeong por 6/1 e 6/3.

O Brasil não havia vencido nenhum confronto na fase de grupos, em que enfrentou Estados Unidos, Coreia do Sul e Tailândia. Sem chances de disputa pelo título, a equipe nacional participou do playoff que define do 9º ao 16º lugar. Elas foram superadas nos duelos sul-americanos contra Peru e Argentina antes de reencontrarem e vencerem a equipe sul-coreana neste domingo. Demos todos os resultados no TenisBrasil, basta clicar nos nomes dos países adversários.

Do que eu acompanhei entre as brasileiras (todas são nascidas em 2003), a Lorena me pareceu um pouco mais pronta para jogar torneios juvenis de 18 anos e os primeiros ITFs no circuito profissional. É quem eu mais vi jogar mais em cima da linha de base e pegando mais bolas na subida. Pude ver também a Juliana devolvendo saques mais fracos das rivais com um ou dois passos dentro da quadra. Mas também vi algumas vezes as brasileiras indo para trás e apostando em bolas altas, algo bem comum entre as sul-americanas.

Em termos de resultado, preocupa ver que o Brasil perder cinco dos seis confrontos na semana, e vencer apenas três jogos em 16 possíveis. Em simples, a equipe do capitão Mário Mendonça só ganhou uma partida das doze que disputou. É extremamente injusto criticar ou atribuir culpa a meninas de 15 ou 16 anos. E não farei isso. Mas é preciso olhar com mais atenção para as etapas de formação dessas jogadoras e torcer para que um dia possamos noticiar e divulgar mais vitórias e bons resultados dessas meninas, como tantas vezes fizemos para outros bons nomes do tênis feminino brasileiro.

Não custa lembrar que as brasileiras conquistaram a vaga para jogar a Fed Cup Júnior após um terceiro lugar no Sul-Americano da categoria, que aconteceu em agosto no Chile. A equipe masculina do Brasil sequer se classificou para a Davis Júnior, já que ficou apenas na quinta posição da seletiva continental.