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João Fonseca aposta nos conselhos e na experiência de André Sá em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 4, 2022 às 9:56 pm

Treinado por André Sá, especialista nas quadras de grama, Fonseca já avançou em simples e duplas em Wimbledon (Foto: Daniel Kopatsch/ITF)

Em sua primeira participação no torneio juvenil de Wimbledon, João Fonseca conta com a experiência de um especialistas em quadras de grama. Treinado pelo mineiro André Sá, que chegou às quartas na chave de simples em 2002 e foi semifinalista de duplas em 2007, Fonseca aproveita os conselhos valiosos para tentar evoluir em um piso onde ainda tem pouca bagagem.

“Andre Sá é meu treinador e ele falou muito comigo sobre Wimbledon, então estou muito animado por estar aqui. Começamos a trabalhar juntos no início do ano passado, e ele é incrível. Tem muita experiência. Por tudo o que ele fez na carreira e todo seu talento e habilidades no tênis, já passou muito conhecimento para mim. É incrível estar com ele, que me ajudou muito”, disse Fonseca em entrevista ao site da ITF, após a vitória por 7/6 (8-6) e 6/4 sobre o argentino Lautaro Midon na estreia em Wimbledon.

“Chegando a Wimbledon, ele me aconselhou a fazer slices, focar nas devoluções e a começar cada ponto de forma agressiva, chegar à rede e ser muito intenso. É exatamente isso que estou tentando fazer”, acrescentou o jovem jogador de 15 anos e 57º colocado no ranking mundial juvenil. O brasileiro enfrenta na segunda rodada o norte-americano Sebastian Gorzny. A partida acontece por volta de 8h30 (de Brasília) desta terça-feira, na quadra 15.

Fonseca começou a jogar aos quatro anos e vem de uma família onde todos praticam esportes. O amor pelo tênis veio por conta da mãe. Até os 12 anos, dividia atenções entre o tênis e o futebol. Seus primeiros títulos de ITF J5 foram no ano passado, no Panamá, Paraguai e também em Salvador. Já na atual temporada, chegou a uma final de J1 no Paraguai e ganhou um título de duplas do mesmo porte na Bélgica.

Este é apenas o segundo Grand Slam que Fonseca disputa como juvenil. Ele já havia alcançado as oitavas de final de Roland Garros. E na semana passada, como preparação para Wimbledon, disputou o ITF J1 de Roehampton e também chegou às oitavas, avançando duas rodadas. E os resultados recentes já começam a atrair a atenção dos fãs de tênis.

“Wimbledon é o meu torneio favorito, é o mais elegante com todo mundo vestido de branco. Nunca havia jogado na grama antes da semana passada, quando joguei em Roehampton. Este é apenas o meu segundo Grand Slam depois de Roland Garros e tenho apenas 15 anos. É uma sensação incrível estar aqui”, afirmou o carioca. “Tem muita gente me acompanhando aqui e me mandando boas vibrações, o que é muito legal e me deixa mais animado para jogar. Bruno Soares estava assistindo minha partida na estreia e Guga [Gustavo Kuerten] assistiu uma partida minha em Roland Garros. Além do André, é claro”.

Durante a rodada de estreia em Wimbledon, Fonseca jogava próximo da linha de base e apostava na potência de seu saque e dos golpes de fundo, dentro de suas características de jogo. “Sou um jogador agressivo e gosto de terminar os pontos em até três trocas de bola. Não gosto de correr muito, então eu me descreveria como um jogador muito agressivo”, avaliou o jovem tenista. “Há um longo caminho a percorrer e só tenho que confiar nos meus treinadores e na minha família, que me apoiam muito. Estou apenas me divertindo e estou muito feliz”.

Vitória na estreia na chave de duplas
Fonseca também estreou com vitória na chave de duplas em Wimbledon, jogando ao lado do boliviano Juan Carlos Prado Angelo. Logo na primeira rodada, eles eliminaram os peruanos Gonzalo Bueno e Ignacio Buse, cabeças 2, por 3/6, 7/5 e 10-8. Eles enfrentam na segunda rodada o neozelandês Jack Loutit e o australiano Edward Winter.

O Brasil no torneio juvenil de Wimbledon
O principal resultado do Brasil no torneio juvenil de Wimbledon foi o título de duplas do gaúcho Orlando Luz e o paulista Marcelo Zormann em 2014. Dois brasileiros já foram finalistas na chave de simples: O paranaense Ivo Ribeiro foi vice em 1957, superado pelo britânico Jim Tattershall. Dois anos depois, em 1959, o carioca Ronald Barnes também jogou uma final e foi superado pelo soviético Tomas Lejus.

Outro brasileiro a ter disputado uma final foi RicardoSchlachter, na chave de duplas em 1994, ao lado do eslovaco Vladimir Platenik. Na ocasião, eles chegaram a vencer Gustavo Kuerten e o equatoriano Nicolas Lapentti na semi, mas perderam a decisão para os australianos Ben Ellwood e Mark Philippoussis.

Ano passado, o catarinense Pedro Boscardin chegou às oitavas, enquanto o mineiro João Victor Loureiro foi à segunda rodada.

Entre as meninas, destaque para uma semifinal de duplas de Beatriz Haddad Maia em 2011, ao lado da russa Mayya Katsitadze. A chave feminina em 2022 contou com a paulista de 18 anos Ana Candiotto, que havia perdido na rodada final do quali, mas entrou na chave principal como ucky-loser graças à desistência da britânica Ranah Akua Stoiber. Logo na estreia, Candiotto desafiou a norte-americana Liv Hovde, principal cabeça de chave e número 6 do ranking, que marcou as parciais de 6/4 e 6/1. Hovde venceu o torneio preparatório na grama de Roehampton na última semana.

Brasil vence Sul-Americano de 12, Londrina recebe ITF
Por Mario Sérgio Cruz
julho 3, 2022 às 10:51 pm

A equipe foi formada por Thiago Santana⁣, Henrique Vialle e Livas Damazio⁣. O capitão foi Murilo Martiniano

O Brasil conquistou no último sábado o título do Sul-Americano 12 masculino anos realizado em Punta del Este. Os brasileiros venceram a Argentina na Final. A equipe nacional foi formada por Thiago Santana⁣, Henrique Vialle e Livas Damazio⁣.

Na decisão diante dos argentinos Henrique Vialle derrotou Enzo Díaz por 6/2 e 7/6 (7-2), enquanto Livas Damazio passou por Demián Luna por duplo 6/1. O capitão do time foi Murilo Martiniano.

A equipe feminina terminou a competição em terceiro lugar, vencendo a Venezuela por 2 a 1. Maria Eduarda Santos perdeu para Valeria Larrovere por 7/5 e 6/3, Nauhany Silva empatou a série ao superar Sandra Talamo por 6/1 e 6/2. Nas duplas, Maria Eduarda Santos e Nauhany Silva bateram Valeria Larrovere e Sandra Talamo por 4/6, 6/1 e 10-5. O time feminino ainda teve Flavia Cherobim⁣ e o capitão Eder Barboza. O Paraguai ficou em primeiro e a Argentina em segundo.

Londrina recebe ITF nesta semana
Tradicional evento no circuito mundial juvenil da Federação Internacional, a 35ª edição da Londrina Juniors Cup, torneio ITF J4 que vale 60 pontos no ranking começa nesta segunda-feira. Os jogos acontecem nas quadras de saibro do Londrina Country Club.

A chave masculina é liderada por Matheus de Lima, que estreia contra João Vitor do Lago. Já o cabeça 2 é Henrique de Britto, que jogará contra Pedro Almeida Melli. Ainda figuram entre os favoritos Victor Milare Alves, Kauã Cressoni, Henrique Ushizima, Rafael Sabio, Paulo Etchecoin e William Norton. Atletas da Argentina e da Bolívia também jogam.

No feminino, todas as jogadoras da chave são brasileiras. A favorita é Maria Luisa Oliveira, que estreia contra Maria Munhoz. Já Olivia Carneiro, que disputou Roland Garros, enfrenta Luise Barros. O evento ainda tem Cecilia Costa, Sthefany de Lima, Gabriela Felix, Isabela Romanichen, Aline Midori da Silva e Luana Paiva entre as cabeças de chave.

Bia Guerra campeã de duplas e vice em simples
Também nesta semana, a juvenil potiguar Beatriz Guerra, de apenas 15 anos, conquistou o título de duplas ITF J5 de Salta, em quadras de saibro na Argentina. Bia Guerra e a argentina Luisina Giovannini venceram a final disputada na sexta-feira contra as argentinas Pilar Beveraggi Lespiau e Luna Maria Cinalli por 6/4 e 6/0. Em simples, Bia Guerra venceu quatro jogos contra tenistas argentinas Mayra Gisone, Maria Milagros, Emilse Lujan Ruiz e Pilar Beveraggi. Ela enfrentaria Luisina Giovannini na final de sábado, mas se retirou da competição. Seu próximo evento será em Londrina.

Alcaraz e Sinner trocam elogios e projetam duelo
Por Mario Sérgio Cruz
julho 1, 2022 às 11:25 pm

Sinner não tinha vitórias na grama pelo circuito da ATP antes da boa campanha em Wimbledon (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Os dois jogadores mais jovens entre os sobreviventes na chave masculina de Wimbledon vão se enfrentar nas oitavas de final. O espanhol Carlos Alcaraz e o italiano Jannik Sinner duelam no próximo domingo em busca de uma inédita vaga nas quartas do Grand Slam londrino. Com cinco títulos de ATP cada um, Alcaraz e Sinner lideram uma nova geração do circuito e têm bom relacionamento fora das quadras.

Sinner e Alcaraz já se enfrentaram no Masters 1000 de Paris do ano passado, com vitória do espanhol em dois sets equilibrados. Houve também um encontro pelo challenger de Alicante em 2019, também com Alcaraz levando a melhor. O espanhol de 19 anos e o italiano de 20 projetam uma partida equilibrada para a próxima rodada, mas evitam pensar em uma futura rivalidade.

“Cada um tem seu jeito. Ainda tenho que trabalhar muito. Então vamos ver o que o futuro dará a mim e ao Carlos. Quero dizer, ainda somos jovens, somos grandes tenistas e boas pessoas”, disse Sinner, após vencer o norte-americano John Isner nesta sexta-feira por 6/4, 7/6 (7-4) e 6/3. “Mas não estou pensando muito sobre isso. Estou pensando no meu caminho, para onde tenho que ir. Obviamente, há muito trabalho a fazer. Mas espero que isso possa acontecer um dia”.

Além de ter vencido Isner, um dos melhores sacadores do circuito, Sinner também passou por Stan Wawrinka e Mikael Ymer nas fases iniciais. Curiosamente, o italiano não tinha vitórias em nível ATP na grama antes da boa campanha na edição deste ano, sendo eliminado na estreia nas quatro tentativas anteriores de torneios no piso. O jogador de 20 anos comentou sobre os momentos de descontração que tem com Alcaraz.

“Temos um bom relacionamento. Às vezes conversamos no vestiário: Ele fala em espanhol e eu falo em italiano, então falamos meio confusos, mas acho que nos entendemos muito bem”, brincou o italiano. “Fora das quadras somos bons amigos e espero que continue por muitos anos, porque isso é o mais importante. Mas na quadra todo mundo quer vencer, então espero que seja uma partida emocionante”.

Alcaraz não disputou torneios preparatórios na grama antes de Wimbledon (Foto: AELTC)

Alcaraz não disputou torneios preparatórios na temporada de grama, por conta de uma lesão no cotovelo, e teve uma estreia dura contra o alemão Jan-Lennard Struff em cinco sets. Nas duas fases seguintes, o número 7 do mundo passou com mais tranquilidade pelo holandês Tallon Griekspoor e o alemão Oscar Otte. Ele também teceu elogios a Sinner.

“Obviamente Jannik é um bom jogador. Ele joga um tênis incrível e tem um grande nível aqui na grama. Ele ganhou partidas muito boas aqui, então vai ser uma partida muito difícil. Jogar contra ele é sempre difícil, mas gosto desse tipo de jogo e desse tipo de desafio. Eu diria que agora Jannik e eu somos os jogadores mais jovens que restaram na chave, mas obviamente também há muitos jogadores jovens bastante talentosos”.

“Joguei com ele em Paris no ano passado. E claro, treinamos juntos algumas vezes. Eu conheço o jogo dele, sei o que tenho que fazer durante a partida”, acrescentou o caçula do top 10, que também comentou sobre as brincadeiras fora das quadras. “Temos uma relação boa fora da quadra. Quando o vejo no vestiário, faço algumas piadas. Eu não sei falar italiano, mas o espanhol dele é bom. Falamos mais em espanhol”.

Com 6 técnicos em um ano, Raducanu mira o US Open
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2022 às 11:04 pm

A curta carreira de Raducanu tem sido marcada por constantes trocas de treinador (Foto: AELTC)

De volta às quadras de grama de Wimbledon um ano depois de ter feito seu primeiro resultado de destaque no circuito, ao atingir às oitavas, Emma Raducanu não repetiu o bom desempenho da última temporada. Eliminada ainda na segunda rodada pela francesa Caroline Garcia, a britânica afirma que o aspecto mental não foi um fator determinante para a derrota por duplo 6/3 nesta quarta-feira em Londres. A atual número 11 do mundo já projeta a preparação para o US Open, onde tentará defender o surpreendente título conquistado no ano passado.

“Obviamente é difícil perder qualquer partida, mas acho que Caroline fez um grande jogo. Ela é uma grande jogadora. Eu lutei para encontrar um caminho hoje. Mas tudo bem porque, eu realmente não tinha muitas expectativas. Jogar na Quadra Central novamente foi uma experiência muito positiva para mim”, disse Raducanu após a derrota para Garcia na Quadra Central de Wimbledon.

“Já me fizeram essa pergunta [sobre a pressão] em todas as coletivas de imprensa. Mas eu tenho 19 anos e sou uma campeã de Slam. Ninguém vai tirar isso de mim. Não há pressão. Por que haveria alguma pressão? Ainda tenho 19 anos. Isso é uma piada. Eu literalmente ganhei um Slam”, acrescentou a britânica, que tem apenas nove vitórias na temporada e chegou às quartas em apenas um torneio, o WTA 500 de Stuttgart.

“Voltar a Nova York vai ser legal, porque tenho ótimas lembranças de jogar em quadras grandes, com muitas pessoas no estádio, com todos os olhares em você. Para mim, tudo é aprendizado. Estou aproveitando cada momento”, comenta a jovem tenista. “É claro que isso me fará uma jogadora melhor porque esses jogos estão destacando todas as minhas fraquezas. Então, quando você joga em uma quadra grande como essa, tudo é amplificado. Mas é ótimo para mim ter todas essas lições nessa idade, para que quando eu estiver na casa dos 20 anos, esses problemas ou pequenas falhas no meu jogo serão resolvidos”.

Carrossel de treinadores nos últimos meses
Um fator que chamou atenção na curta carreira de Raducanu é o carrossel de treinadores que acompanham a britânica. Na boa campanha do ano passado em Wimbledon, ela estava ao lado de Nigel Sears. Depois, contou com o apoio de Andrew Richardson na caminhada para o título do US Open. Após a conquista, encerrou a parceria e diz que procurava um treinador mais experiente, o nome escolhido foi o alemão Torben Beltz, ex-téncico de Angelique Kerber. O trabalho durou até abril deste ano, no início da temporada de saibro.

Além disso, a britânica teve acompanhamento pontual de outros profissionais da Lawn Tennis Association (LTA). Ainda em outubro do ano passado, em Indian Wells, treinou com Jeremy Bates. Já na atual temporada, com o fim da parceria com Beltz, viajou para Roma e Madri com Iain Bates, chefe do programa de tênis feminno da LTA. E nas últimas seis semanas, treinou com o consultor sênior de alto rendimento da federação, Louis Cayer.

Ano de muitas lesões para a britânica
Em meio a tantas mudanças na equipe, Raducanu sofreu também com muitas lesões e problemas físicos. Ainda na segunda rodada do Australian Open, sentiu dores causadas por bolhas na mão na partida contra a montenegrina Danka Kovinic. Na ocasião, recorreu a muitos slices de forehand e afirmou que pretendia incorporar ao seu estilo de jogo no futuro. No mês seguinte, em Guadalajara, abandonou a partida contra a australiana Daria Saville, que teve 3h30 de duração, por lesão no quadril. Já na temporada de saibro, em Roma, sentiu dores na região lombar e não conseguiu completar sua partida contra a canadense Bianca Andreescu.

‘Minha preparação não foi a melhor’, diz a britânica
A preparação para Wimbledon foi prejudicada por mais uma lesão em uma das costelas sofrida ainda no início da temporada de grama, em Nottingham. Depois disso, só voltou a jogar na primeira rodada do Grand Slam londrino. Ainda assim, ela garante que estava fisicamente bem durante o jogo. “Não senti nada fisicamente. Eu me declarei totalmente apta quando entrei na quadra no primeiro dia. Mas joguei sete horas de tênis em um mês. Eu não joguei tênis por duas semanas, e na última semana eu joguei uma hora por dia. Minha preparação não foi necessariamente a melhor. Para competir nesse nível e ganhar uma rodada já é uma conquista muito boa.

Antes do torneio, Raducanu também havia feito uma comparação com sua situação no ano passado, quando jogou como convidada e era apenas a 338ª do ranking. “Acho que como tenista, eu realmente cresci e me desenvolvi. Tenho habilidades que talvez não tivesse no ano passado. Mas todo mundo me conhece agora. Todo mundo sabe o que eu faço e todas querem me vencer. Eu tomo isso como um elogio e acho que isso vai me ajudar a longo prazo, porque se as jogadores estão melhorando seu nível contra mim, eu tenho que aumentar o meu. Com o tempo, serei um tenista melhor. Ainda tenho 15 ou mais anos de carreira pela frente. Estou apenas no começo”.

Com Pigossi, Wimbledon terá 17 estreantes em Slam
Por Mario Sérgio Cruz
junho 24, 2022 às 11:18 pm

Laura Pigossi fará sua primeira aparição em uma chave principal de Grand Slam (Foto: Reprodução/Instagram)

Segunda melhor brasileira no ranking da WTA, Laura Pigossi disputará sua primeira chave principal de Grand Slam em Wimbledon. A edição de 2022 do torneio terá 17 tenistas estreantes em Grand Slam, sendo 10 homens e sete mulheres, com muitas histórias que merecem ser contadas.

Pigossi, de 27 anos e 124ª do ranking, alcançou nesta temporada sua primeira final de WTA 250, nas quadras de saibro de Bogotá, e chegou a disputar os qualis do Australian Open e de Roland Garros. Medalhista de bronze nas duplas dos Jogos Olímpicos de Tóquio ao lado de Luísa Stefani, a paulistana de 27 anos teve resultados consistentes no segundo semestre de 2021 para se firmar no top 200 e deu um novo salto no ranking após a ótima campanha na Colômbia.

Com o veto aos tenistas da Rússia e de Belarus, Pigossi era a apenas a quinta na lista de espera quando houve o fechamento das inscrições e teve sua vaga confirmada na manhã do último sábado, após a desistência da ex-número 1 Naomi Osaka. Com isso, ela se junta a Beatriz Haddad Maia e o Brasil volta a ter duas jogadoras em uma chave de Grand Slam pela primeira vez desde 1989 em Roland Garros.

O sorteio desta sexta-feira colocou Pigossi para estrear contra a eslovaca Kristina Kucova, que tem o incomum estilo de jogo em que executa o forehand com as duas mãos. Se vencer, pode enfrentar uma rival experiente, a croata Petra Martic ou a norte-americana Shelby Rogers. A oitava cabeça de chave Jessica Pegula está no mesmo setor da chave, podendo cruzar o caminho da brasileira na terceira rodada.

“Estou muito feliz por jogar minha primeira chave principal de Grand Slam. É um sonho que tenho desde pequena. Com certeza foi fruto de muito trabalho. Por mais que não estejam jogando russas e nem bielorrussas, sinto que faço parte de onde estou, não é pelo fato delas não estarem que eu não mereça. Estou muito feliz, é até difícil colocar em palavras”, disse Laura Pigossi, ao saber da confirmação de sua vaga.

A número 2 do Brasil também lembrou do tempo de juvenil quando disputou o torneio britânico. “Por coincidência, também foi o primeiro Slam que joguei como juvenil. Sempre foi um torneio especial para mim. É bem tradicional e eu sempre amei esse charme que ele tem”, comenta a tenista, que não conseguiu disputar torneios preparatórios na grama este ano.

Jovem polonesa conviveu com a depressão e joga 1º Slam

Além de Laura Pigossi, outras seis mulheres disputarão o primeiro Grand Slam da carreira em Wimbledon, as convidadas britânicas Sonay Kartal e Yuriko Miyazaki, a japonesa Mai Hontama, a norte-americana Catherine Harrison, a suíça Ylena In-Albon e também a jovem polonesa de 20 anos Maja Chwalinska.

A história de Chwalinska merece destaque. A canhota polonesa é contemporânea da atual número 1 do mundo Iga Swiatek. Jogando juntas, elas foram campeãs da Copa Billie Jean King Júnior em 2016 e também foram finalistas do torneio juvenil do Australian Open no ano seguinte. A atual 172ª do ranking passou por um qualificatório com três rodadas para garantir vaga na chave, tendo superado na fase final a ex-top 10 Coco Vandeweghe por 3/6, 6/3 e 6/4.

Fora das quadras, Chwalinska conviveu com a depressão por mais de dois anos e chegou a anunciar no ano passado que precisaria parar de jogar para cuidar da saúde mental. “Em 2019 comecei a me sentir mal. Primeiro na quadra, mas depois fora dela, e isso me levou à depressão. Algo que eu mais gostava de repente se tornou uma fonte de sofrimento. Associei o tênis à pressão e ao estresse, e cheguei ao ponto em que não conseguia mais treinar. Decidi fazer uma pausa e não sabia se voltaria. Mas pude contar com pessoas ao meu redor que sempre me apoiavam e não me pressionavam. Quando voltei, muitas jogadoras vieram falar comigo porque elas também estavam com dificuldades. Por isso é tão importante falar sobre isso”.

Dez estreantes na chave masculina

A chave masculina terá dez estreantes em Grand Slam, o belga Zizou Bergs, os britânicos Ryan Peniston e Alastair Gray, o francês Hugo Grenier, os suíços Marc-Andrea Huesler e Alexander Ritschard, o holandês Tim van Rijthoven, o eslovaco Lukas Klein, o espanhol Nicola Kuhn e o italiano Andrea Vavassori.

Entre eles, o resultado mais expressivo foi de Tim van Rijthoven, campeão do ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch, superando o então número 2 do mundo Daniil Medvedev na final. Antes da semana perfeita na Holanda, ele sequer tinha vitórias em nível ATP, e ele ainda conseguiu bater dois top 10, já que também eliminou Felix Auger-Aliassime na semifinal. A campanha rendeu a ele um convite na chave principal. “Ganhar um título de ATP significa muito para mim, e ganhar em casa é ainda mais especial. A torcida foi incrível! Nunca pensei que ganharia o torneio. Eu queria talvez surpreender algum favorito, mas eliminar grandes jogadores e ganhar o título é simplesmente incrível”, disse Van Rijthoven após a surpreendente conquista na grama.

O belga Zizou Bergs foi outro jogador que recebeu convite após um bom resultado na grama. O jovem de 23 anos foi campeão do challenger de Ilkley, saindo do quali e vencendo sete jogos seguidos no piso. Ele bateu na final o ex-top 10 Jack Sock. Bergs também chama atenção ocasionalmente nas redes sociais por seus trick-shots em quadra, jogador muito talentoso e que vale a pena ser assistido de vez em quando.

Peniston tratou de um câncer quando pequeno
O britânico Ryan Peniston, de 26 anos e 147º do ranking, foi outro destaque da temporada de grama. Ele chamou atenção ao derrotar o número 5 do mundo Casper Ruud e chegar às quartas de final do ATP 500 de Queen’s, mas antes fez quartas nos challengers de Surbiton e Nottingham, e nesta semana repetiu a dose no ATP de Eastbourne.

Ryan Peniston chegou a derrotar o top 5 Casper Ruud em Queen’s

Quando tinha apenas um ano, ele foi diagnosticado com rabdomiossarcoma, um tipo câncer de tecidos moles encontrado em crianças. O britânico passou por uma cirurgia para remover um tumor antes de passar por um extenso período de quimioterapia. “Não me lembro de nada quando era mais jovem e mesmo quando era criança não sabia muito sobre a situação. Foi apenas nos últimos 10 anos que me interessei mais e pedi aos meus pais que me dissessem”, disse ao site da ATP.

“Isso mudou muito minha perspectiva [sobre a vida]”, disse Peniston. “Quando estou tendo um dia difícil com alguma coisa ou me aborrecendo com algo pequeno, eu meio que me lembro de que eu literalmente poderia não estar aqui há 25 anos”, acrescentou o canhoto de 1,83m. “A quimioterapia afetou meu crescimento. Eu era muito pequeno até os 14 ou 15 anos, era quase 30 centímetros menor que alguns dos meus amigos. Por isso, tive desenvolver algumas habilidades que talvez outros jogadores não estivessem trabalhando como a movimentação e as táticas. Isso me ajudou muito e quando comecei a crescer um pouco mais”.

Fonseca consegue vaga no juvenil de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
junho 23, 2022 às 1:45 am

 

João Fonseca conseguiu a vaga direta após atualização da lista de inscritos

João Fonseca conseguiu a vaga direta após atualização da lista de inscritos (Foto Marcello Zambrana/CBT)

Depois de fazer boa campanha em Roland Garros, onde chegou à terceira rodada, João Fonseca garantiu vaga direta na chave principal do torneio juvenil de Wimbledon, que acontece entre os dias 2 e 10 de julho.

Fonseca, carioca de 15 anos, é o atual 56º colocado no ranking mundial juvenil e na lista atualizada de inscritos, divulgada nesta quarta-feira, já aparece com a última vaga direta na chave principal. O próximo da lista é o argentino Juan Manuel La Serna, 57º do mundo.

O francês Gabriel Debru, campeão de Roland Garros e número 3 do mundo deverá ser o principal cabeça de chave em Londres, seguido pelo tcheco Jakub Mensik e pelo croata Mili Poljicak.

No feminino, a lista é liderada pela belga Sofia Costoulas, terceira do ranking juvenil, seguida pelas irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova. A última a entrar diretamente na chave é a suíça Chelsea Fontenel, 67ª do ranking.

O Brasil será representado pela jovem paulista Ana Candiotto, 119ª do ranking, que disputará o quali em Wimbledon. Candiotto disputou neste ano a chave principal do Australian Open juvenil e o quali em Roland Garros.

Categoria 14 anos é incluída
Uma novidade para a edição de 2022 de Wimbledon é a categoria 14 anos, incluída no programa a partir desta temporada. Os jogos serão entre os dias 7 e 10 de julho. A categoria já estava nos planos da organização do evento desde 2019 para que esses tenistas tenham oportunidade de jogar na grama ainda mais cedo.

Em maio, a Confederação Sul-Americana de Tênis (Cosat) e Confederação Brasileira de Tênis (CBT) promoveram um torneio oficial na grama na cidade de Bragança Paulista na categoria 14 anos. Os títulos ficaram com os argentinos Candela Vazquez e Dante Pagani, superando nas finais os compatriotas Sol Larraya e Benjamin Chelia. Todos os finalistas viajarão a Londres, com as despesas pagas pela Cosat e pela organização de Wimbledon, para a disputa de torneios na grama em sua categoria.

Aos 12 anos, Victoria Barros busca inspiração em Serena, Bia e Stefani para evoluir
Por Mario Sérgio Cruz
junho 15, 2022 às 2:44 am

Victoria Barros se destacou no Sul-Americano de 14 anos. Equipe também teve Letícia Marangoni, Pietra Rivoli e o capitão Carlos Chabalgoity

Na mesma semana em que o Brasil comemorou as históricas conquistas de Beatriz Haddad Maia nas chaves de simples e duplas do WTA 250 de Nottingham, em quadras de grama, três jovens jogadoras conseguiram uma sequência de bons resultados no Sul-Americano de 14 anos, disputado na Colômbia. A equipe feminina do país ficou em segundo lugar na seletiva continental e conseguiu uma das vagas no Mundial da categoria, que acontece em agosto na República Tcheca. Um dos destaques da participação brasileira foi Victoria Barros, de 12 anos, que venceu sete dos oito jogos que fez na competição. A tenista nascida em Natal, no Rio Grande do Norte, começou jogando Beach Tennis e tem Serena Williams como principal fonte de inspiração.

“Meu primeiro esporte de raquete foi o Beach Tennis, iniciei aos seis anos de idade. Eu acompanhava a minha mãe em torneios nacionais e foi assim que o tênis chegou em minha vida”, disse Victoria a TenisBrasil após a classificação para o Mundial. Admiradora de Serena desde a infância, ela sonha um dia dividir a quadra com a vencedora de 23 títulos de Grand Slam. “A minha inspiração sempre foi e sempre será Serena Willians, meu maior sonho é poder bater bola com ela”.

Treinos com Mouratoglou
Se o encontro com Serena ainda não aconteceu, Victoria já pode dizer que bateu bola com Patrick Mouratoglou, renomado técnico francês que esteve ao lado da multicampeã de Grand Slam por praticamente uma década, desde 2012 até o início deste ano. “Foi uma experiência incrível estar ao lado de uma pessoa que só fala de tênis e que vive o tênis dentro e fora de quadra. Aproveitei ao máximo e escutei o que precisava melhorar. Foi um momento sonhador estar ao lado dele”.

Experiência com as melhores do Brasil
Atualmente treinado em São Paulo, junto com o time RTB, Victoria também tem a oportunidade de conviver de perto com algumas das principais jogadoras do país, inclusive Bia, nas poucas semanas do ano em que passa no Brasil. A medalhista olímpica Luísa Stefani e algumas das principais juvenis nacionais, como Olívia Carneiro e Ana Candiotto, também têm essa base de treinamento em São Paulo. Dessa forma, a experiência de intercâmbio é bastante enriquecedora.

“As meninas são ótimas. E além de tudo, companheiras dentro e fora de quadra. Eu consigo vivenciar vários momentos e fases com elas e procuro evoluir com situações novas dentro e fora de quadra”, afirmou a jovem jogadora. “Gosto muito de observar e trazer sempre as experiências dos outros pra meu crescimento. Levo tudo isso pra minha caminhada”.  

Um dos primeiros resultados de destaque para a tenista potiguar foi o vice-campeonato da categoria 14 anos do Brasil Juniors Cup do ano passado, em Porto Alegre. Na ocasião, ela tinha apenas 11 anos. “Nunca vou esquecer. Foi um momento mágico. Saí do quali e cheguei à final de um dos maiores torneios juvenis da América do Sul”, afirmou Victoria, que na atual temporada conquistou títulos de simples e duplas no Paraguai e foi vice-campeã do Banana Bowl de 14 anos pelo circuito da Confederação Sul-Americana (Cosat).

Ela também fez uma gira de torneios na Europa, chegando a uma final em Pescara na Itália. “Na Europa, eles vivem o tênis de maneira diferente. Todos são iguais, são organizados taticamente, fisicamente e mentalmente, uns tem mais bola que outros, mas todos treinam muito”, afirmou. “Gosto muito de me desafiar. Trabalho duro todos os dias pra desafios maiores”.

Na temporada, Victoria ganhou títulos de simples e duplas no Paraguai. Também foi vice no Banana Bowl de 14 anos e de um torneio na Itália. (Foto: Reprodução/Instagram)

A tenista de apenas 12 anos também falou sobre sua experiência no Sul-Americano e as perspectivas para o Mundial de agosto, na República Tcheca, e para a sequência na temporada. “Trabalhamos duro, dia a dia, sempre em equipe, com pensamento positivo e fomos superando cada desafio. Chego a me emocionar só de pensar no Mundial, mas penso que será um grande desafio. Só preciso continuar firme, forte, treinando, me dedicando todos os dias, superando dificuldades para chegar bem preparada lá na República Tcheca”.

“Sei que a caminhada é longa, mas continuo sonhando com olhos abertos, lutando ponto a ponto todos os dias e não desistindo, sempre buscando renovar as energias olhando sempre para frente”.

Título de Bia traz impacto valioso para nova geração
Por Mario Sérgio Cruz
junho 13, 2022 às 11:28 am

Em semana perfeita, Bia foi campeã de simples e duplas no WTA 250 de Nottingham (Foto: LTA)

Em um domingo histórico para o tênis brasileiro, Beatriz Haddad Maia foi campeã de simples e duplas do WTA 250 de Nottingham. Aos 26 anos, ela conquistou maior título de sua carreira de simples e o primeiro na elite do circuito. Jogando duplas, ao lado da experiente Shuai Zhang, número 4 do mundo na modalidade, chegou ao quarto troféu da carreira e o segundo na temporada. Bia fez história com sua semana perfeita e pode inspirar muito as novas gerações de nosso tênis feminino.

Já nesta segunda-feira, Bia também alcançou os melhores rankings da carreira nas duas modalidades, assumindo o 32º lugar em simples e a 27ª posição nas duplas. Ela também já tem a terceira melhor marca de uma brasileira no ranking de simples, ficando atrás da 31ª posição de Niege Dias em 1988 e do 29º lugar da lendária Maria Esther Bueno em 1976. Cabe sempre a explicação de que o ranking da WTA foi instituído em 1975, já na fase final da carreira da Bailarina do Tênis, vencedora de sete títulos de Grand Slam em simples e 19 em todas as categorias. Maria Esther era também a última brasileira a vencer um torneio profissional de simples na grama, em 1968.

A excelente fase vivida por Bia e também por outras brasileiras no circuito -e aí temos que lembrar da medalha olímpica de Luísa Stefani e Laura Pigossi, das conquistas de duplas de Stefani no circuito, da recente final de simples de Pigossi no WTA de Bogotá, e também do crescimento de jogadoras como Carol Meligeni, Ingrid Martins e Rebeca Pereira- traz um impacto muito valioso para as jogadoras mais jovens, que terão a possibilidade de conviver com suas referências.

O Brasil ficou sem sem uma representante em chave principal de Grand Slam desde Andrea Vieira em 1993 até 2013, com Teliana Pereira. A pernambucana, que viria a conquistar dois WTA no ano de 2015 em Bogotá e Florianópolis, foi a primeira a derrubar os vários “desde 89″ que nossas jogadoras vêm superando nesses últimos anos. Teliana foi a primeira no top 100, a primeira a jogar um Slam, a primeira a conseguir uma vitória, e também a primeira a vencer torneios da elite do circuito depois de muito tempo. Ela recolocou o país no mapa do tênis feminino. Com Bia, o Brasil voltou a comemorar vitórias contra tenistas do top 10. Além de outras várias as situações em que você tem que voltar mais de 30 anos no tempo para encontrar um paralelo.

Agora, não. As meninas mais novas estão acompanhando de perto e vendo que é possível. E quando você tem exemplos no circuito atual, com a realidade e necessidades de hoje, é uma referência muito mais palpável do que pensar no tênis de 30 anos atrás. O esporte era outro e o mundo era outro. É possível também assistir a todos os jogos de uma campanha de título, como aconteceu nesta semana, em que vimos Bia vencer Qiang Wang, Yuriko Miyazaki, Maria Sakkari, Tereza Martincova e Alison Riske.

Formação para novas jogadoras

Quando está no Brasil, durante poucas semanas do ano, Bia tem base de treinamento em São Paulo e tem a companhia de jovens jogadoras como Olivia Carneiro, de 15 anos, e que acabou de jogar o torneio juvenil de Roland Garros, Ana Candiotto, de 18, que jogou o Australian Open juvenil no começo da temporada, e de Victoria Barros, que recentemente participou da campanha que classificou o Brasil para o Mundial de 14 anos. Para essas e outras meninas, ter uma top 100 (e agora top 40) por perto é uma experiência super positiva. Você consegue conviver com alguém que está disputando os maiores torneios do mundo e enfrentando as melhores jogadoras, e absorve o que é feito em termos de jogo e de preparação para chegar nesse nível. É muito enriquecedor.

Logicamente, o nosso trabalho de base ainda precisa melhorar. O Brasil atualmente tem apenas uma menina próxima do top 100 do ranking juvenil e as presenças em Grand Slam da categoria ainda são esporádicas. Quando chegamos a torneios como Mundial de 16 anos, Banana Bowl ou Brasil Juniors Cup (antiga Copa Gerdau) de 18, elas ainda têm dificuldade. Mas é um quadro que a gente pode começar a reverter conforme essas meninas forem convivendo com as melhores do país, sentindo a bola delas e vendo o que elas fazem dentro e fora da quadra.

Cabe até mesmo o debate sobre mudança de estilos de jogo, já que gente ainda forma meninas que jogam bem atrás da linha e não pegam tantas bolas na subida, o que está cada vez mais distante da realidade de um circuito cada vez mais focado nas quadras duras e onde até mesmo as campeãs de grandes torneios no saibro já não jogam mais assim há muito tempo. Nossos técnicos também podem aprender muito tendo uma jogadora desse nível por perto.

Mais atenção ao tênis feminino e torneios no país
A grande fase também pode atrai a atenção de um novo perfil de público, independentemente se irão se tornar novos praticantes ou não. Para quem cobre o circuito com frequência, já é possível verificar o aumento do interesse em acompanhar os resultados e histórias das jogadoras. Há também um maior alcance nas redes sociais. Mais pessoas nos perguntam sobre quais são os próximos torneios das meninas e querem tirar dúvidas sobre as particularidades do circuito.

Talvez no curto ou médio prazo, isso também traga até mais interesse para o tênis feminino de um modo geral, e não apenas sobre as brasileiras. Isso seria uma mina de ouro para a WTA, ainda mais no circuito atual com mulheres de perfis bastante diversos disputando as primeiras posições. É possível agradar diferentes públicos e aumentar a base de fãs de diferentes jogadoras, um cenário ideal para atrair grandes eventos.

A própria Bia já falou recentemente a TenisBrasil sobre o desejo de poder voltar a disputar um WTA no país, o que não acontece desde 2016. E na América do Sul, o único 250 do calendário é o torneio de Bogotá, no saibro. “Acho fundamental ter mais torneios aqui. Eu sei o quanto é difícil, eu sei o quanto é caro, e que não é fácil fazer tênis na América do Sul. A gente não tem os mesmos recursos e não tem a mesmas estruturas. Mas se a gente consegue fazer para homem, a gente consegue fazer para mulher. Isso para mim é muito claro”, disse em entrevista durante o WTA de Monterrey, em fevereiro deste ano, no México. “A nossa parte, como tenistas, treinadores e todas as pessoas envolvidas no tênis feminino, a gente está fazendo. Algumas outras coisas não estão no nosso controle. Eu vou seguir trabalhando para expor o tênis brasileiro feminino lá fora e, quem sabe, a gente ter mais oportunidades de realizar torneios. Mas acho que a gente merece. A gente está num momento que a América do Sul merece, especialmente o Brasil”.

Ela também destaca o intercâmbio possibilitado por mais torneios no Brasil e na América do Sul seria um fator determinante para o desenvolvimento e evolução das jovens jogadoras. “Acredito que isso seja fundamental para a formação das meninas, para elas terem contato com as melhores jogadoras. Também seria bom para os treinadores poderem ver o trabalho uns dos outros. A gente sempre fala disso. Essa é a dificuldade e deficiência na formação, mas é muito difícil quando se tem tudo longe. Tudo é em dólar ou em euro. Tudo é muito caro. É difícil ter acesso. Eu que sou brasileira, passei na temporada passada só 15 dias no Brasil. Para a gente que joga o circuito já é difícil. Imagina para quem sonha em chegar onde a gente está”.

A formação de tenistas no país ainda é muito focada no circuito masculino. E se as oportunidades de intercâmbio e recursos para nossos tenistas já não são muitas, para as meninas são menos ainda. Não por acaso, o Brasil coloca quase todo ano dois ou três jogadores em chaves juvenis de Grand Slam e nas primeiras posições do ranking da categoria, com merecido destaque. Já entre as meninas, foram poucas as que tiveram essas oportunidades de disputar grandes torneios desde o juvenil. Bia, Laura e Luísa felizmente puderam vivenciar esse ambiente do alto nível desde muito novas. A esperança é de que cada vez mais meninas tenham essas mesmas chances e cresçam no circuito.

Brasileiras se classificam para o Mundial de 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 10, 2022 às 7:05 pm

A equipe brasileira teve Victoria Barros, Letícia Marangoni, Pietra Rivoli e o capitão Carlos Chabalgoity (Foto: Divulgação)

Com uma campanha invicta na fase de grupos, o Brasil garantiu vaga na final feminina do Sul-Americano de 14 anos, que está sendo disputado nas quadras de saibro da cidade de Armênia, na Colômbia. Além disso, as brasileiras também se classificaram para o Mundial da categoria, que será realizado no mês de agosto, em Prostejov, na República Tcheca.

Depois das vitórias sobre Uruguai, Chile e Equador ao longo da semana, as brasileiras venceram a equipe peruana nesta sexta-feira, novamente por 3 a 0. Victoria Barros abriu o confronto superando Yleymi Muelle por 5/7, 7/5 e 6/2. Na sequência, Letícia Marangoni venceu Micaela Moro por 6/4 e 6/0. A partida de duplas contou com Victoria Barros e Pietra Rivoli que marcaram 6/3 e 6/0 contra Yleymi Muelle e Mariana Philipps.

O confronto diante das peruanas valia a liderança do Grupo B e também a vaga no Mundial, já que apenas duas equipes da chave feminina se classificam para Prostejov. A equipe brasileira, que tem como capitão Carlos Chabalgoity, ficou na primeira posição de seu grupo no Sul-Americano. Elas enfrentam neste sábado a Argentina valendo o título continental. Líderes do Grupo A, as argentinas contam com Candela Vázquez, Sol Larraya Guidi, Luna Cinalli e o capitão Ignacio Asenzo.

Masculino fora do Mundial
A equipe masculina do Brasil perdeu para o Equador por 2 a 1 nesta sexta-feira e não tem mais chances de classificação para o Mundial. Pedro Burin abriu o confronto vencendo Tito Chavez por 7/5, 1/6 e 6/4, mas Lucas Yunes empatou a série ao derrotar Pedro Dietrich por 6/1 e 6/4. E na dupla, Emilio Camacho e Tito Chavez venceram Pedro Burin e Pedro Dietrich por 2/6, 6/3 e 10-6.

O Brasil ficou em terceiro lugar do Grupo B, com duas vitórias (sobre Uruguai e Chile) e duas derrotas (contra Paraguai e Equador) ao longo da semana. O Sul-Americano masculino dá três vagas no Mundial. Equador e Colômbia já estão classificados e decidem o título. A outra vaga será decidida entre Argentina e Paraguai. A equipe brasileira do capitão Santos Dumont encerra a participação neste sábado enfrentando o Peru, em busca do quinto lugar geral.

Fonseca salta 40 posições e chega ao 55º lugar do ranking juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
junho 8, 2022 às 12:13 am

João Fonseca é o segundo melhor do ranking entre os nascidos em 2006 (Foto: Cedric Lecocq/FFT)

Destaque na participação brasileira no torneio juvenil de Roland Garros, o carioca de 15 anos João Fonseca ultrapassou 40 concorrentes e assumiu o 55º lugar do ranking mundial da categoria. E entre os jogadores nascidos em 2006, ele é o segundo, ficando atrás apenas do espanhol Martin Landaluce, 18º do ranking.Convidado para a disputa de Roland Garros depois de ter vencido uma seletiva nacional em abril, Fonseca venceu dois jogos em Paris, sobre o macedônio Kalin Ivanovski e contra o paraguaio Daniel Vallejo, número 2 do mundo na categoria. O brasileiro foi eliminado apenas nas oitavas pelo francês Gabriel Debru, que terminou a semana como campeão do torneio e agora é o terceiro melhor do ranking.

Durante a campanha em Paris, Fonseca chamou atenção por ter um jogo de muita potência no saque e nos golpes de fundo. Apesar da pouca idade, ele já tem uma bola que anda bastante e capaz de assumir o controle dos pontos. Assim, venceu dois jogadores já em fase final de desenvolvimento como juvenis e cada vez mais próximos de integrarem o circuito profissional do que ele. Sua derrota acabou sendo para um jogador de mais experiência, Debru já tem vitória em challenger e venceu um jogo no quali profissional de Roland Garros.

Outro brasileiro que subiu bastante foi o paranaense Gustavo de Almeida, que conquistou na Bolívia seu primeiro ITF na última semana. Com isso, ele ganhou 108 posições e assumiu o 338º lugar. Vice-camepão, o também paranaense Matheus de Lima ultrapassou 33 concorrentes e agora é o 287º colocado. Os semifinalistas Kauã Cressoni (498º, saltando 79 posições) e Rafael Sbeghen Sabio (557º, com ganho de 89 posições) também aproveitaram bem a oportunidade na Bolívia.

No feminino, a melhor brasileira segue sendo a paulista de 18 anos Ana Candiotto, 108ª do ranking, que perdeu duas posições. Ela disputou o quali em Roland Garros. Também no top 200 está Maria Turchetto, 169ª colocada. Olivia Carneiro, de 15 anos, disputou Roland Garros como convidada e caiu na estreia. Ela se mantém no 418º lugar. Já Gabriela Felix da Silva, também de 15 anos, foi finalista na Bolívia e saltou 167 posições. Ela agora é 637ª colocada.

Campeões sobem, mas líderes permanecem no topo
O norte-americano Bruno Kuzuhara, que é nascido no Brasil e fala português, permanece na liderança do ranking mundial juvenil masculino. O campeão do Australian Open é seguido por Daniel Vallejo. Mas Gabriel Debru, vencedor do Slam parisiense, ultrapassou 12 jogadores e agora é o terceiro do ranking. Completam o top 5 o tcheco Jakub Mensik e o croata Mili Poljicak.

Situação parecida no ranking juvenil feminino. A croata Petra Marcinko, campeã do Australian Open, permanece no topo. Mas a tcheca Lucie Havlickova, que ganhou Roland Garros, saltou sete posições e agora é a vice-líder. A belga Sofia Costoulas é a terceira, enquanto as irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova fecham o top 5. A argentina Solana Sierra, finalista em Paris, ultrapassou 29 jogadoras e agora é a 9ª do ranking. Atrás dela, outra tcheca Nikola Bartunkova.

Semana de Sul-Americano de 14 anos
O Brasil disputa nesta semana o Sul-Americano de 14 anos, que acontece nas quadras de saibro da cidade de Armênia, na Colômbia. As equipes nacionais lutam pelas vagas no Mundial da categoria, que será realizado em Prostejov, na República Tcheca, em agosto.

A equipe masculina é composta por Pedro Dietrich, Francisco D’Amorim e Pedro Burin, com Santos Dumont como capitão. No feminino, o time é formado por Letícia Marangoni, Victoria Barros e Pietra Rivoli, com o capitão Carlos Chabalgoity. Classificam-se para o Mundial três equipes masculinas da América do Sul e mais duas femininas.