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Murray coloca pressão em Djokovic
Por José Nilton Dalcim
16 de outubro de 2016 às 16:58

Missão cumprida. Ainda que tenha jogado um primeiro set um tanto instável, principalmente quando sacou com 5/4 para fechar a série, Andy Murray justificou seu amplo favoritismo diante de Roberto Bautista, ganhou 1.500 pontos nos dois torneios chineses e colocou de vez Novak Djokovic sob pressão.

O sérvio ainda leva vantagem. No ranking de entradas, são 2.515 pontos de dianteira, o que lhe garante a posição ao menos até o término do Masters 1000 de Paris. Se olharmos o ranking da temporada, que soma os 18 melhores resultados desde janeiro, a distância é bem menor: 915. O que significa que Murray poderá chegar ao Finals de Londres na frente.

Com essa nova realidade, é bem provável que Djokovic mude de ideia e decida pedir convite para disputar Viena – onde está Murray – ou quem sabe use outra estratégia e vá para Basileia, já que os dois ATP 500 se disputam antes de Paris. Assim, poderia estancar a sangria e reverter a pressão para o escocês em Bercy e em Londres. Eu faria isso.

Murray acima de tudo deve estar se remoendo pela decisão da ATP em não computar os pontos dos Jogos Olímpicos na sua briga de egos com a Federação Internacional. Caso tivesse direito aos 750 pontos que valeram ao campeão nas quatro últimas Olimpíadas, o escocês estaria a somente 165 pontos do número 1 na contabilidade da temporada.

O título em Xangai foi muito tranquilo, sem ceder um único set na semana. Na final contra Bautista, teve alguns altos e baixos mas soube ousar na tática. Usou mais slices e foi à rede sempre atrás do backhand instável do adversário. No segundo set, passeou. Está em incrível forma física.

Agora, o escocês tem seis títulos na temporada, algo que não acontecia desde 2009. Também iguala os 41 troféus na carreira de Stefan Edberg e assume o 20º posto em vitórias totais (617), deixando para trás Lleyton Hewitt. São aliás dois ex-números 1 alcançados.

Com cinco vagas para o Finals já definidas – Djoko, Murray, Stan, Raonic e Nishikori -, restam três postos. Os três ATP 250 desta próxima semana pouco vão influir. Gael Monfils, o 6º colocado, joga em Estocolmo mas pode no máximo ir a 3.875 pontos e ficar a 200 da vaga. Atrás dele, Nadal, Thiem e Berdych descansam. David Goffin estará na Antuérpia e somente o título o deixará bem pertinho de Berdych. Quem ainda pode sonhar é Bautista, que subiu ao 13º posto e se inscreveu em Moscou, mas um título só o levaria ao 12º, embora próximo a Cilic.

Nadal, que ameaçava encerrar a temporada, certamente prestou mais atenção nas contas e viu que a vaga no Finals não estão tão difícil. Ele é o sétimo, 95 pontos de dianteira para Thiem e a 420 de Berdych. Por isso, já confirmou presença na Basileia, onde também formará dupla com o veterano Nenad Zimonjic. Será que Rafa achou nova vocação?

Jogo decisivo para Murray
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2016 às 11:47

A inesperada derrota de Novak Djokovic para Roberto Bautista colocou Andy Murray diante de um de seus jogos mais importantes da temporada neste domingo, quando buscará o quinto troféu do ano no Masters 1000 de Xangai. O título é peça fundamental para a corrida rumo à liderança do ranking, tanto nos pontos como na confiança.

Djokovic não foi bem de novo. Escapou diante de Mischa Zverev, mas Bautista é muito mais experiente e soube aproveitar o sábado de incrível instabilidade do sérvio, capaz de executar bolas espetaculares e cometer erros infantis. Não por acaso, destruiu a raquete ao perder o primeiro set, rasgou camiseta de raiva. Não parou de falar e se queixar com o treinador Marian Vajda um único minuto.

Que Novak estranho estamos vendo. Não houve qualquer sinal de dor ou desgaste físico. A cabeça no entanto está claramente desequilibrada, e isso parece influir até na escolha de golpes básicos. Falhou em voleios bisonhos e optou por uma deixadinha com execução medíocre em ponto chave do segundo set. O primeiro saque funcionou pouco, e onde foi parar o backhand na paralela? Fez dois, quase no finzinho, numa partida que precisaria ter disparado dezenas. Bautista teve o mérito de lutar muito e acreditar o tempo inteiro, fugindo o quanto pôde do backhand.

Enquanto isso, Murray mostra que está buscando novas armas, ainda que tenha seus momentos de maluquice. O forehand já é outro na nova era Lendl a ponto de ele ter atacado cinco vezes seguidas com o golpe num único ponto contra Gilles Simon. O segundo saque ficou mais confiável e ele adotou a devolução até dois passos dentro da quadra. Pena que não esteja sendo ofensivo o bastante com isso. Dá para fazer bem mais.

Com 64 vitórias em 2016, cinco a mais que Nole, o escocês assume a liderança no quesito. Vai em busca do segundo Masters do calendário e o 13º da carreira. Se atingir o 41º título, empata com Stefan Edberg no 15º posto da Era Profissional.

Mas o que importa para ele é mesmo a chance cada vez maior de brigar pelo número 1 ainda neste ano. A distância para Nole no ranking da temporada já caiu para 1.315 pontos e será de 915 caso o britânico confirme o favoritismo sobre Bautista, contra quem ganhou todos os cinco sets disputados até hoje.

O detalhe curioso é que tanto Djoko como Murray têm 0 ponto por ter desistido da Basileia no ano passado e portanto poderão somar qualquer coisa lá. Até agora, o escocês está inscrito e Nole, não. Talvez o sérvio tenha de mudar de ideia para não correr o risco de perder a ponta já ao final de Paris.

Mexa-se, ATP
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2016 às 20:31

Quando se acredita que Nick Kyrgios está encarando a carreira mais a sério, o australiano de 21 anos sofre recaída. Não apenas levou uma surra na segunda rodada de Xangai, um torneio que poderia lhe dar grande chance de lutar pelo Finals, como ainda por cima deu vexame e praticamente entregou o jogo a partir da metade do segundo set para o limitado Mischa Zverev.

Não sei o que a ATP espera para tomar uma atitude severa. Foi a terceira vez que Kyrgios mostrou-se sem vontade de jogar. A primeira, menos grave, veio em Wimbledon do ano passado, mas depois fez um papelão na estreia de Toronto diante de um juvenil que era 370 do ranking e agora em Xangai recebeu uma bronca do juiz ao sacar de qualquer jeito e ir para a cadeira antes mesmo do adversário bater na bola.

O árbitro foi muito feliz ao argumentar: ‘Você não pode ser fazer isso, não é  profissional’. Exatamente. Há um item no Código de Conduta, chamado ‘Melhor Esforço’, que diz que o jogador precisa competir com todo empenho, sendo sujeito a multa de US$ 10 mil. A coisa que mais machuca qualquer tenista é quando se mexe no bolso dele. E mais. Caso sua atitude prejudique o torneio de alguma maneira, pode virar uma ‘ofensa máxima’, cuja pena é suspensão. Passou da hora.

Aliás, ele anda se especializando também em discutir com o público, o que é outra infração prevista no Código. Mesmo quando provocado, o tenista não pode bater boca. Seu direito é chamar a atenção do árbitro e pedir a retirada da pessoa que possa estar conturbando a situação. Jogador de enormes recursos, verdadeiro showman, Kyrgios precisa ser colocado na real. Uma pena.

O que será de Rafa?
O outro destaque do complemento da segunda rodada foi é claro a nova queda de Rafa Nadal, desta vez para Viktor Troicki. Só mesmo Toni ainda não entendeu que as antigas armas do canhoto espanhol, marcadas pela rapidez, muito spin, paciência e força mental, não surtem mais efeito. Se não fizer nada nos planos técnico e tático, 2017 será outra decepção.

Rafa até fala em encerrar precocemente a temporada, porém a classificação para o Finals não está difícil, ajudado que foi pelas quedas de Tomas Berdych, Marin Cilic e Kyrgios e a ausência de Dominic Thiem. A menos que Gael Monfils vá à final de Xangai, Rafa ainda sairá da China como sexto classificado e a mais de 1.000 pontos do nono postulante, o próprio Thiem. Não que isso vá resolver grande coisa, porém é uma honraria de não se jogar fora nesta altura do campeonato.

As oitavas de final de Xangai terão Tsonga x Zverev e Djokovic x Pospisil na madrugada. Jogos bem interessantes, mas com doloroso fuso horário. Pela manhã, poderemos ver Monfils x Goffin, Murray x Pouille e Wawrinka x Simon.

Bruno joga pelo número 1
A ATP confirmou nesta quarta-feira que Bruno Soares será o novo número 1 do ranking de duplas, caso ele e Jamie Murray atinjam as semifinais. Curiosamente, eles não jogaram ainda em Xangai. Entraram adiantados e viram Ferrer/Bautista desistirem. A partida histórica ainda não tem adversário, que sai de Kontinen/Peers x Lindstedt/Pospisil.

Caso atinja a façanha, Bruno será o 50º líder na história do ranking de duplas, iniciada em 1976. E o terceiro brasileiro em todos os tempos, ao lado de Guga Kuerten em simples e Marcelo Melo em duplas.