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Doping de Bia: estranho e doloroso
Por José Nilton Dalcim
23 de julho de 2019 às 15:37

O uso de anabolizante é um pecado mortal no mundo dos esportes e parece até um absurdo que qualquer atleta de ponta faça uso disso nos dias de hoje, ainda mais no tênis, que é uma modalidade bem vigiada. Mais estranho ainda é que isso aconteça com Beatriz Haddad Maia, uma pessoa extremamente cuidadosa, muito certinha e zelosa em tudo que faz. A surpresa do anúncio de sua suspensão preventiva nesta terça-feira é portanto duplamente chocante.

O exame feito em Bol e avaliado em laboratório canadense da Wada, a Associação Mundial Antidopagem, diz que a número 1 nacional, vivendo outra vez um momento de ascensão, usou uma das substâncias da moda no mercado internacional de fitness. Ela foi avisada do resultado logo depois de competir em Wimbledon, no dia 12.

Quem conhece Bia ou conviveu com ela não consegue acreditar que seria capaz de recorrer espontaneamente a algo ilícito. Seu longo histórico de sacrifício para tocar a carreira fala por si só. É muito provável que tenha havido contaminação ou quem sabe o uso sem o seu conhecimento. Infelizmente no entanto são justificativas que raramente sensibilizam a Wada.

Claro que precisamos ter otimismo quanto ao julgamento da defesa de Bia, que está a cargo do mesmo advogado que atendeu Thomaz Bellucci há quase dois anos, mas a perspectiva não é muito animadora. Mesmo que consiga provar a falta de intenção e ganhe atenuantes, é difícil que a brasileira escape de uma pena mínima que, acredito, não deve ser menor do que 12 meses, já que anabolizantes são tratados com firmeza pelos órgãos controladores.

Basta recordar que a toda poderosa Maria Sharapova, uma megaestrela que rende dividendos ao circuito, pegou ‘gancho’ de dois anos, que acabou reduzido para 15 meses justamente porque ela conseguiu mostrar que não havia desejo claro de dopagem. Segundo pesquisa de Felipe Priante em TenisBrasil, punições por uso do SARM variaram entre 6 meses e 2 anos.

Qualquer afastamento superior a 10 meses será muito penoso para Bia. Para início de conversa, ela perde toda a premiação recebida em Bol, Ilkley e Wimbledon, e estamos falando em coisa de US$ 100 mil. Depois, ficará sem a suada vaga para o US Open conquistada e ficará praticamente ‘zerada’ no ranking, o que também se refletirá na chance de competir nos Jogos de Tóquio. Ainda desfalcará dolorosamente o time nacional da Fed Cup.

Segundo o pessoal próximo a Bia, a defesa pretende agir o mais rápido possível para tentar o julgamento da contraprova e o recurso de apelação em, quem sabe, 15 dias. Isso não apenas abrevia a ansiedade e o sofrimento, como também acelera um eventual retorno em caso de suspensão. Cruzemos os dedos.