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Djokovic takes all
Por José Nilton Dalcim
12 de janeiro de 2020 às 15:39

Magnífico nas simples, decisivo nas duplas. Novak Djokovic completou sua participação 100% eficiente na ATP Cup no melhor estilo possível. Diferente das dificuldades enfrentadas nas duas rodadas que fez em Sydney, seu domingo beirou a perfeição técnica e física. Concentrou-se em cada golpe, game por game, sem gastar energia desnecessária para reclamar ou comemorar. E quando faz isso, é um jogador quase imbatível.

Sua 9ª vitória seguida sobre Rafael Nadal na quadra sintética, uma invencibilidade que vem desde a final do US Open de 2013, selou uma campanha notável na ATP Cup e o consagra definitivamente como o favorito para o Australian Open, onde tentará dentro de oito dias a manutenção do título, o oitavo troféu e um passo a mais em direção ao recorde de Grand Slam.

Era previsível que Nadal começasse o jogo um pouco mais tenso – e olha que Roberto Bautista havia feito ótimo papel ao dar o primeiro ponto em cima de Dusan Lajovic -, e ai a quebra logo no game de abertura foi a deixa perfeita para que o sérvio atropelasse. Encurralou o adversário com fluidez e execução chocantes. Não permitiu brechas, assumiu controle dos pontos, utilizou variação tática magnífica, sufocou o tempo todo. A rigor, o espanhol só teve um game de serviço sem susto.

Mas Rafa é um jogador diferenciado em todos os sentidos e se achou no segundo set, embora eu acredite que ainda poderia ter sido mais agressivo. Sacando melhor e evitando recuar tanto nas trocas, ganhou confiança e teve uma chance real de reagir quando abriu 0-40 no sexto game. Djokovic foi soberbo na defesa dos cinco break-points e o jogo ficou realmente bom.

Pouco depois, seria a vez de o espanhol evitar brilhanemente um 15-40, com voleio e paralela de extrema coragem, e a definição foi ao tiebreak. Aí um ponto decidiu tudo. Um ponto sintomático, diga-se: era 4-4, vieram trocas cuidadosas que deram chance de ataque na paralela aos dois lados, e que acabaria favorecendo aquele que ousou primeiro. A estatística reforça: Djoko terminou com mais do dobro de winners.

Enquanto Nadal frustrou ao preferir não se arriscar mais, Nole assumiu seu papel no jogo de duplas. E outra vez fez a diferença, no saque, na devolução, no voleio. Finalizou muito mais que um domingo exuberante e uma campanha invicta de seis jogos de simples e dois de duplas. Mostrou que, ao contrário de Nadal, ele é o homem a ser mais temido em Melbourne.

Claro que Rafa jamais pode ser subestimado, menos ainda antes do sorteio da chave, que pode ser muito favorável e lhe dar uma sequência capaz de recuperar a confiança e economizar as pernas. As duas derrotas de simples quase seguidas talvez expliquem seu abandono da dupla tão decisiva e, pior, sinalizem que o espanhol ficou abatido a ponto de passar a responsabilidade para a frente, algo raro no seu currículo. Felizmente, há tempo de sobra para o que se chama hoje ‘reagrupar’.

Por fim, como bem destacou TenisBrasil, louve-se a redenção de Viktor Troicki. Herói na conquista da Copa Davis de 2010, ele havia sido o vilão da eliminação sérvia na Copa Davis de 40 dias atrás, quando jogou mal justamente na fundamental partida de duplas contra a Rússia.

Aquecendo
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2017 às 12:18

Rafael Nadal e Roger Federer estão se aquecendo no piso sintético veloz de Xangai para mais um possível duelo direto no próximo domingo. Depois de duas rodadas, o canhoto espanhol não pareceu sentir a menor dificuldade na adaptação entre a quadra mais lenta de Pequim e a rapidez maior de Xangai, que ainda por cima tem usado o teto retrátil, despachando com assustadora facilidade Jared Donaldson e Fabio Fognini.

Federer, por seu lado, sofreu pequenos altos e baixos. Perdeu um game de serviço para Diego Schwartzman, salvou break-points contra Alexandr Dolgopolov e ainda parece procurar um ritmo ideal de ataque, algo mais do que normal para quem só fez duas partidas de exibição desde o US Open. Ajustes se tornam necessários, como a consistência no backhand e especialmente amenizar uma evidente ansiedade.

As quartas de final são exigentes para Nadal, que reencontrará Grigor Dimitrov, para quem perdeu um set uma semana atrás em Pequim. Todos sabemos que o búlgaro gosta mais de uma quadra veloz. O mesmo se pode dizer de Marin Cilic, possível adversário de sábado e favorito diante de Albert Ramos. Já Federer na teoria tem tarefa mais fácil contra Richard Gasquet, mas vislumbra um reencontro que promete ser explosivo caso Juan Martin del Potro marque sua sétima vitória em cima de Viktor Troicki.

O argentino teve excelente atuação na madrugada diante do garoto Alexander Zverev, usando ao máximo o potencial de seu primeiro serviço numa partida disputada game a game e decidida em pequenos detalhes, ou seja, a confiança de Delpo no tiebreak e a quebra no quinto game num terceiro set em que o argentino perdeu apenas quatro pontos com o saque.

Enquanto isso, o quadro para o Finals de Londres vai se definindo. Além de Nadal, Federer e Zverev, Dominic Thiem se garantiu apesar do mau momento. Dimitrov e Cilic estão virtualmente classificados. Restam assim duas vagas. David Goffin, Pablo Carreño, Sam Querrey e Kevin Anderson são os mais cotados.

– Com os pontos somados nas quartas de final de Xangai, Nadal recoloca ordem no ranking mundial e o número 1 voltará a somar mais de 10 mil pontos. Isso não acontecia desde o começo de junho e chegou ao ponto de Andy Murray ter somente 7.750 na lista do dia 17 de julho, substituído pouco depois pelo próprio Nadal, então com 7.645.

– Mais uma vitória e Cilic irá tirar provisoriamente Zverev do quarto lugar do ranking. Na contagem apenas da temporada, o alemão ainda leva cerca de 1.000 pontos de dianteira e permanece como o maior candidato a fechar o ano como número 3.

– A menos que Gasquet seja campeão, Del Potro enfim voltará ao top 20 do ranking na próxima segunda-feira, posição que não ocupa desde 6 de outubro de 2014. Londres está distante, mas continua possível.

– Bruno Soares se tornou o segundo duplista brasileiro a atingir a marca de 400 vitórias em torneios de primeira linha nesta quinta-feira, atrás somente das 423 de Marcelo Melo. A vitória também garantiu matematicamente Soares e Jamie Murray no segundo Finals consecutivo. Melo já estava classificado há tempos e briga em Xangai para se manter na liderança de parcerias ao lado de Lukasz Kubot.

– Bia Haddad perdeu outra vez para Sara Errani em três sets equilibrados e encerrará sua temporada na próxima semana no WTA de Luxemburgo. A canhota de 21 anos foi indicada pela WTA na categoria “revelação” da temporada ao lado de CiCi Bellis, Elise Mertens e Marketa Vondrousova. Vale a torcida.

Esforço nacionalista
Por José Nilton Dalcim
6 de março de 2016 às 22:31

As vitórias importantes neste final de semana certamente obrigarão Novak Djokovic e Andy Murray a disputar as quartas de final da Copa Davis em julho, logo depois de Wimbledon, sobrecarregando ainda mais o calendário de ambos no começo do segundo semestre. Mas não tem jeito. Sâo peças fundamentais de seus países e tudo indica que o confronto direto entre eles deverá decidir o vencedor.

Murray se vestiu mesmo com o espírito de Davis. Fez uma batalha incrível contra Kei Nishikori, com empenho máximo de ambos, e assim chegou à 10ª vitória seguida no Grupo Mundial, um feito e tanto. Para mostrar o quanto o time depende dele, foi o quarto confronto seguido em que ele precisou entrar em quadra todos os dias e vencer tudo.

Nole também foi para o sacrifício e jogou 13 sets no fim de semana em Belgrado. Virou o jogo fundamental contra Mikhail Kukushkin na base da raça. Djokovic teve altos e baixos no saque nos primeiros dois sets, com duplas faltas complicadas, mas depois encontrou o ritmo do saque e passou a jogar cada vez melhor. Viktor Troicki manteve o favoritismo e relembrou os tempos de heroísmo de 2010.

Itália receberá a Argentina em outro duelo muito interessante. Mesmo sem Fabio Fognini, o saibro serviu perfeitamente contra o frágil time reserva suíço. É bem provável que repitam o piso em julho, já que existe o risco de os argentinos se reforçarem com Juan Martin del Potro, que prefere muito mais a quadra dura.

Na parte inferior da chave, República Tcheca levou um susto ao ver Tomas Berdych abandonar por lesão na coxa direita – vira dúvida para Indian Wells – e precisou contar com Lukas Rosol para ganhar o quinto ponto, arrasando o garoto Alexander Zverev. Agora, irão receber a sempre forte e versátil França, que passeou diante do desfalcado Canadá. Não vejo favoritos.

Por fim, os Estados Unidos superaram a Austrália em plena quadra de grama com grande destaque para John Isner e terão o direito de receber a Croácia de Marin Cilic e Borna Coric. Talvez seja o duelo menos interessante porém um dos mais imprevisíveis, já que todos os envolvidos vêm mostrando incríveis altos e baixos nos últimos meses.

O Brasil por sua vez apenas viu confirmar o amplo favoritismo do Equador sobre Barbados e assim se prepara para receber o time dos fracos Emilio Gomez e Ivan Endara. Houve notícia de que os jogos poderiam ser em Ilhabela, no litoral paulista, mas o Rio é candidato mais forte. O vencedor vai para a repescagem de setembro. Somos hiperfavorito. Já o Chile receberá a Colômbia na condição de ‘zebra’.

Outros confrontos dignos de nota foram o da vitória da Áustria sobre Portugal fora de casa e na quadra dura, com três pontos de Dominic Thiem, os fáceis 5 a 0 da Rússia sobre a Suécia (com tenistas totalmente desconhecidos). Jarkko Nieminem voltou da aposentadoria para ajudar a Finlândia a vencer o Zimbábue. No zonal 2 americano, Pablo Cuevas não foi e o Uruguai perdeu do Peru e está ameaçado de cair para a quarta divisão.