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As façanhas em disputa em 2021
Por José Nilton Dalcim
13 de dezembro de 2020 às 12:18

A pandemia causou evidente frustração na temporada 2020. Com calendário encurtado, até mesmo Wimbledon acabou cancelado, além de os Masters terem sido reduzidos de nove para três. Isso também forçou a ATP a congelar o ranking por cinco meses e depois determinar que não houvesse defesa de pontos num vasto período de 24 meses.

Ainda que o primeiro trimestre do próximo calendário esteja comprometido, espera-se que a temporada 2021 seja bem mais recheada de torneios, principalmente os de maior peso, e assim vale darmos um resumo dos mais importantes feitos que aguardam os principais tenistas:

Novak Djokovic
– Em contagem regressiva até 8 de março, irá superar Federer em total de semanas na ponta (310).
– Com 17 títulos de Slam, tem missão possível mas difícil de empatar com os 20 de Federer e Nadal ou, mais improvável ainda, superá-los.
– Dono de 27 finais de Slam, pode igualar as 28 de Rafa e empatar com as 31 de Federer.
– Apenas mais quatro vitórias e será segundo homem a atingir 300 em Slam (Federer já tem 362).
– Eventual bi em Roland Garros o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Finals, Davis e título olímpico de simples.
– Se derrotar 10 adversários de nível top 10 a mais que Federer, assume o recorde no quesito (224 a 215).
– Tenta igualar os seis títulos de Finals de Federer.
– Pode se tornar único com sete temporadas encerradas como número 1.
– Faltam US$ 4,6 milhões para se tornar o primeiro com US$ 150 mi de prêmios oficiais na carreira.

Rafael Nadal
– Tenta se tornar o recordista de Slam pela primeira vez desde que vença um a mais que Federer.
– Eventual bi na Austrália o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Precisa de três finais de Slam para igualar as 31 do recordista Federer.
– Com 20 jogos feitos de Slam a menos que Djokovic (321), tem pequena chance de ir ao segundo lugar.
– Se vencer 15 jogos de Slam a mais que Djokovic (296), assume segundo lugar em vitórias.
– Com 18 vitórias, chegará a 300 em Slam. Federer tem 362 e Djokovic, 296.
– Busca repetir Murray como únicos bicampeões olímpicos de simples da história.
– Ao disputar 40 jogos, irá superar Nastase e Vilas e assume quarto lugar na Era Profissional.
– Precisa de dois troféus e duas finais de Masters a mais que Djokovic (36 e 52) para reassumir liderança.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Davis, título olímpico de simples e Finals
– Pode se tornar terceiro com seis temporadas encerradas como número 1, igualando Sampras e Djokovic.

Roger Federer
– Luta para recuperar a hegemonia nos troféus de Slam desde que vença um a mais que Nadal.
– Com 79 Slam disputados, pode ser segundo tenista a atingir 80 e igualar Venus.
– Eventual bi em Roland Garros o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Pode se tornar único com cinco Jogos Olímpicos disputados em simples.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Finals, Davis e título olímpico de simples.
– Tenta ser primeiro hexa no US Open.
– Precisa de seis títulos, sete finais, 44 jogos e 32 vitórias para igualar recordes de Connors (109, 164, 1.557 e 1.274)
– Pode se tornar terceiro com seis temporadas encerradas como número 1, igualando Sampras e Djokovic.

Serena Williams
– Falta um título de Slam para igualar Court (24) e uma final para alcançar Evert (34).
– Em caso de mais um Slam, será a segunda mais velha a erguer um troféu, atrás de Molla Mallory (42 anos).
– Se vencer dois jogos em Wimbledon, será única tenista com ao menos 100 vitórias em dois Slam diferentes.
– Empatada com 4 ouros olímpicos com a irmã Venus, busca bi de simples e tetra de duplas.
– Ao disputar duas finais, será sétima profissional a ter ao menos 100 decisões na carreira.
– Faltam 10 partidas para chegar à 1.000ª na carreira e 57 vitórias para tirar o terceiro lugar de Graf (900).
– Com mais US$ 6,4 milhões, será a primeira mulher e a quarta tenista no geral a atingir US$ 100 mi de premiação oficial.
– Se conquistar título a partir de maio, será a mais velha campeã da Era Profissional, superando os 39 anos e 7 meses de Billie Jean.
– Soma 17 vitórias sobre uma número 1 do ranking e está atrás somente das 18 de Navratilova.

Outros
– Se Murray ganhar 13 jogos de Slam, igualará os 203 de Sampras e subirá ao sétimo lugar no quesito.
– Murray precisa ganhar 2 jogos a mais do que Federer nas Olimpíadas para assumir recorde (13).
– Sinner, que terá 20 anos e 2 meses em novembro de 2021, é o único entre os top 100 que pode quebrar o recorde de Hewitt e se tornar o mais jovem número 1 da história.
– Faltam nove vitórias para Venus igualar Graf em Slam (278) e dividir o quarto lugar.
– Com mais 19, Venus será segunda com 500 triunfos no piso duro atrás de Serena (527).
– Empatada com 4 ouros olímpicos com a irmã, Venus busca bi de simples e tetra de duplas.
– Se vencer na Austrália, Coco Gauff será segunda mais jovem campeã de Slam da Era Aberta, atrás de Hingis e Seles.
– Kuznetsova é a única entre as top 40 que pode quebrar recorde de Serena como mais velha campeã de um Slam profissional.

20 anos de Guga
Na comemoração dos 20 anos de Guga como número 1 do mundo, Paulo Cleto decidiu recolocar à venda seu famoso super livro sobre as conquistas de Kuerten em Roland Garros: “Uma História de Amor”. A luxuosa edição está esgotada há tempos nas livrarias. O custo é de R$ 150 reais, além do frete de envio. Quem estiver interessado, contate o email marcia.tenis@uol.com.br.

A hora dos saibristas
Por José Nilton Dalcim
27 de setembro de 2020 às 20:10

A combinação tão diferente deste Roland Garros não está agradando a maciça maioria dos jogadores, desde os favoritos até os que estão lá atrás no ranking, mas o tênis talvez ganhe algo interessante com quadra pesada e bola lenta: a volta dos autênticos saibristas.

Alguns homens merecem uma observação mais apurada, além é claro dos três grandes candidatos ao título. Quem viu a desenvoltura de Andrey Rublev em Hamburgo e de Jannik Sinner em sua estreia em Paris devem ter percebido que os garotos se viram bem nessas condições, digamos, mais radicais, que exigem um tripé complexo formado de potência, perna e paciência.

E é fácil incluir aí o rodado Diego Schwartzman e ter certa esperança que Alexander Zverev se inspire em David Ferrer. A potência que sobra ao alemão falta para o argentino, mas podemos dizer exatamente o inverno das pernas. Se El Peque tem paciência e solidez, Sascha possui boa mão para a transição cuidadosa para os voleios. Ele aliás cravou 10 aces.

É possível que eu esteja com otimismo exagerado, mas gostei do que esses jogadores mostraram neste domingo de garoa fina irritante, em que também economizaram energia. Poderíamos incluir nessa lista de saibristas autênticos Stan Wawrinka e Marco Cecchinato.

O suíço teve pouco trabalho com um Andy Murray claramente sem armas no saibro úmido, mas sempre fica a dúvida de quanto Stan está com físico e com cabeça para a tarefa tão difícil que é construir pontos nessa lentidão toda. O italiano nunca mais foi o mesmo depois da semi de três anos atrás, mas é um típico jogador para esse novo Roland Garros.

Os primeiros jogos femininos também me agradaram porque mostraram algumas variações táticas interessantes, com apostas óbvias nas curtinhas, pouca importância ao primeiro saque e a evidência de que é possível sim machucar com um topspin mais profundo.

Simona Halep ganhou 10 games seguidos, Victoria Azarenka foi firme da base e Elise Mertens se mexeu muito bem. Mas isso não é lá muito novidade. São três nomes para ir muito longe nesse lado superior da chave.

Duas outras tenistas que encantaram pela ousadia. A adolescente Cori Gauff não se afastou tanto da linha e manteve seu padrão bem ofensivo diante de uma Johanna Konta que foi semi no ano passado. E Caroline Garcia comprovou que, apesar de tudo, é plenamente possível jogar na rede.

Foi um primeiro dia divertido.

Saiba mais
– Nishikori bateu Evans e manteve sua notável performance em jogos que vão a cinco sets. Foi o nono consecutivo que venceu. Em Roland Garros, sua marca agora é de 6 em 7. Na carreira, ganhou 24 de 30.
– Venus só venceu um jogo em oito torneios na temporada e sofreu a terceira queda na estreia de Paris. Nos seis últimos Slam disputados, só avançou uma rodada.
– Halep festejou em quadra seu 29º aniversário. Consciente das limitações do piso, colocou 81% do primeiro serviço em quadra.
– Nadal enfrenta Gerasimov, 83º do ranking. A única vez que perdeu para um tenista de ranking semelhante no saibro foi em 2004.
– Cilic e Thiem são o 149º e o 150º campeões de Slam da história e se cruzaram semanas atrás no US Open, com vitória do austríaco em 4 sets.
– Medvedev tenta sua primeira vitória em quatro participações em Roland Garros contra Fucsovics, contra quem penou para ganhar em Monte Carlo de 2018.
– Monfils joga sua 50ª partida em Roland Garros contra Bublik, que soma apenas 4 vitórias no saibro em torneios de primeira linha (e 2 delas em Hamburgo da semana passada).
– Serena encara Ahn, que exigiu no recente US Open: 7/5 e 6/3. Será a partida de número 408 em Slam para Williams.

Vem aí um duro Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
26 de setembro de 2020 às 19:41

Se as previsões se confirmarem, tenistas, organizadores e espectadores devem estar preparados para difíceis dias em Roland Garros. O próprio site oficial do torneio alertava neste sábado para a tenebrosa previsão do tempo neste começo de outono em Paris: frio, chuva e vento.

Os mais confiáveis serviços de metereologia indicam este domingo de primeiro dia de jogos com muita chuva a partir das 11 horas locais e alguma chance de melhoria no fim de tarde, com não mais do que 16 graus. Para a segunda-feira, é provável que o mau tempo só dê trégua a partir das 14h de Paris. Por fim, terça e quarta prometem ser dias normais, porém o aguaceiro deve voltar no fim de semana de no máximo 15 graus.

Isso quer dizer que somente aqueles escalados para a nova Philippe Chatrier e seu novíssimo teto retrátil terão vida sossegada, tanto nas condições mais amenas como na garantia do calendário. Isso certamente vai criar reclamações e possivelmente, injustiças.

E se a bola já parece pesada, o que pensar então diante desse panorama climático? Quique baixo, muita força para fazer os golpes andarem, prováveis quebras de serviço em número expressivo e chance de jogos bem demorados.

Único Grand Slam com 15 dias de duração, Roland Garros larga às 6h (de Brasília) deste domingo com ótimas atrações, se obviamente os jogos acontecerem. No masculino, estão garantidos Goffin-Sinner e Wawrinka-Murray, além de Halep-Sorribes porque todos serão na Chatrier. Lá fora, seria promissor Zverev-Novak, Schwartzman-Kecmanovic, Evans-Nishikori, Azarenka-Kovinic e Konta-Gauff.

O que esperar das meninas
Halep larga com favoritismo natural, mas pode ter alguns duelos exigentes. A estreia é contra a especialista Sara Sorribes e lá nas oitavas deve vir a atual vice Marketa Vondrousova. As quartas parecem mais fáceis.

O outro quadrante promete mais equilíbrio, já que se prevê Elina Svitolina x Elise Mertens e Victoria Azarenka x Serena Williams. Com tantas incertezas sobre como será o estilo ideal, sugiro  esperar. No entanto, o título deste sábado de Svitolina em Hamburgo, sob condições tão semelhantes, me parece lhe dar favoritismo.

No lado inferior, Karolina Pliskova e Sloane Stephens prometem duelo precoce na 3ª rodada e a eventual partida de quartas seria diante de Petra Kvitova ou Madison Keys, embora eu esteja curioso para ver Angelique Kerber nesse setor.

A quarta semifinalista tem duas fortes candidatas: Aryna Sabalenka e Garbiñe Muguruza, que no entanto devem se cruzar nas oitavas. Elena Rybakina pode dar trabalho nas quartas.

Vale lembrar que quatro das top 10 estão de fora: a atual campeã Ashleigh Barty mais Naomi Osaka, Bianca Andreescu e Belinda Bencic.

Saiba mais
– Esta será a 90ª edição do torneio internacional, que é o que realmente conta em termos de Grand Slam.
– A premiação geral caiu, mas os perdedores de estreia ganharão 60 mil euros, 14 mil a mais do que em 2019. A partir das quartas, no entanto, há queda de quase 30%. Os campeões levam 1,6 mi contra 2,3 do ano passado.
– A tenista em atividade com mais títulos no saibro é, acreditem, Serena, com 13. A recordista na Era Aberta tem 66: Chris Evert.
– Nadal e Djokovic também disputam a honra de ser o ‘trintão’ com mais Slam. Cada um tem 5 no momento.
– A última canhota a ganhar Roland Garros foi Seles, em 1992, e a última a vencer sem perder sets, Henin, em 2007.
– Murray não jogou uma única partida sobre o saibro desde que perdeu para Wawrinka na semi de Paris de 2017.
– Roland Garros é o único Slam em que o campeão do ano anterior jamais perdeu na estreia da edição seguinte na Era Aberta.
– Feli López chega a 75 Slam disputados, agora a 4 do recordista Federer. O espanhol soma também 74 seguidos. Venus totaliza incríveis 87 na carreira e Serena, 76.