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Djokovic tenta fechar década de ouro
Por José Nilton Dalcim
29 de agosto de 2021 às 15:40

Os números não mentem: Novak Djokovic foi o jogador mais dominante em nível Grand Slam desde 2011. O US Open que começa nesta segunda-feira será o 43º torneio desse quilate do período, dos quais o chamado Big 3 venceu nada menos do que 34.

Os dados oficiais da ATP comparam Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer e são indiscutíveis. Desde janeiro de 2011, o sérvio venceu 19 Slam contra 11 do espanhol e 4 de Federer, tendo obtido 230 vitórias contra 171 de Nadal e 161 de Federer.

Também passou todas suas atuais 337 semanas na liderança, muito acima das 133 do canhoto espanhol e das 25 de Roger. A supremacia se reflete nos títulos e vitórias conquistados no geral. Nole ganhou 67 troféus (com 658 vitórias), Nadal foi campeão 45 vezes (556 triunfos) e Federer, 37 (508).

Sem a concorrência dos parceiros recordistas de títulos de Slam, Djokovic será a estrela absoluta em Flushing Meadows, o que pode ser bom ou ruim. Tenta desempatar a disputa e repetir o feito de 2016, quando se tornou dono de todos os troféus de Slam ao mesmo tempo. Mas agora pode fazê-lo num único ano, façanha que passou perto de Federer por duas vezes, em 2006 e 2007, e que Nadal nunca saboreou.

A pergunta que todo mundo se faz em Nova York é como Nole irá reagir à tamanha pressão, externa e principalmente interna. A motivação não poderia ser maior, é o grande favorito, porém o excesso de confiança tem seus perigos. O sérvio já mostrou inúmeras vezes capacidade de aguentar cobranças e concretizar expectativas. Mas esta é única e Nole terá de estar pronto para jogar uma autêntica final a cada vez que entrar em quadra.

Torneio feminino promete outra vez
A chave feminina mais uma vez está bem aberta, ainda que o favoritismo de Ashleigh Barty seja incontestável. A número 1, que vem do título em Cincinnati, tem no entanto alguns desafios até mesmo nas rodadas iniciais, quando poderá encarar Veronika Kudermetova e depois nas oitavas Jennifer Brady.

É provável que Iga Swiatek seja sua adversária de quartas, mas o setor tem Belinda Bencic e nomes de bom currículo como Jessica Pegula e Anett Kontaveit, sem falar em Jil Teichmann, que não saiu de cabeça e pode ser a terceira adversária da polonesa.

A outra vaga para a semi no lado superior é indefinida. Karolina Pliskova e Anastasia Pavlyuchenkova são possíveis oitavas, assim como Bianca Andreescu e Petra Kvitova. Mas essas duas estão pouco confiáveis e não seria surpresa de Maria Sakkari ou Jelena Ostapenko aproveitassem a oportunidade.

O lado debaixo é muito atraente, apontando para uma semi entre Aryna Sabalenka e a bicampeã Naomi Osaka. Se jogar seu normal, a cabeça 2 bielorrussa deve passar por Danielle Collins e Ons Jabeur até encontrar o grupo onde ficaram Barbora Krejcikova, Garbiñe Muguruza e Vika Azarenka. Sou mais Sabalenka.

Ainda sem mostrar seu melhor tênis desde o título no Australian Open, Osaka tem de ser respeitada em Flushing Meadows. Seria interessante um duelo de oitavas contra Coco Gauff, mas que pode ser impedido por Angie Kerber. Campeã neste sábado, Elina Svitolina me parece a candidata natural às quartas, já que Simona Halep está longe da boa forma.

Eu particularmente acharia fantástica uma final entre Barty e Osaka. E se apostasse numa nova campeã de Slam, seria em Sabalenka.

E mais
– O US Open masculino tem sido bem mais versátil do que os demais Slam. Nos últimos 13 anos, o torneio teve oito novos campeões enquanto Melbourne, Paris e Wimbledon viram apenas quatro cada um.
– Com as desistência de Nadal, Federer e Thiem, sete dos oito principais cabeças do torneio têm no máximo 25 anos e quatro vão até 23. Os únicos que nunca fizeram semi em Slam são Rublev e Ruud.
– Djokovic tem 35-1 em jogos de cinco set contra tenistas nascidos após 1993, o que inclui 3-0 sobre Medvedev e 2-0 sobre Tsitsipas e Zverev. A única derrota foi para Chung, em Melbourne-2018.
– Único campeão olímpico a vencer o US Open no mesmo ano foi Murray, em 2012.
– EUA não ganham o título masculino do US Open desde 2003, mas no ranking desta semana o país tem 14 nomes no top 100, superiando a Itália.
– O único campeão do US Open que não era cabeça foi Andre Agassi, em 1994.
– Cornet chega a 59 Slam consecutivos e fica a três de igualar recorde de Sugiyama. Feliciano atinge 78 seguidos.
– Todas as 16 principais cabeças do feminino fizeram ao menos uma semi de Slam.
– Barty é única com múltiplos títulos em quadra dura neste ano (3). Apenas Pliskova e Andreescu entre as 10 cabeças não ganharam torneios no sintético, mas foram vices em 2021.
– Serena segue como mais velha campeã em três dos quatro Slam. Exceção é o US Open, em que Pennetta tirou seu recorde por diferença de 3 meses.

Dolorosas frustrações
Por José Nilton Dalcim
29 de junho de 2021 às 19:17

Foi uma terça-feira triste em Wimbledon. Começou pela atuação tão abaixo da crítica de Roger Federer, prosseguiu com a lamentável contusão do seu adversário Adrian Mannarino que fazia uma grande exibição e foi concluída com as lágrimas da supercampeã Serena Williams, ao complicar a contusão na coxa direita ainda no quarto game com consequente abandono.

O suíço até ganhou o primeiro set, mas só foi mostrar o tênis que se espera dele sobre a grama lá nos games disputados no quarto set. Apertado pelo placar,  enfim mostrou-se efetivamente agressivo, com devoluções arriscadas e melhor exploração do jogo de rede. No resto do tempo, não fez mais do que trocar slices e manter a bola em jogo, o que obviamente agradou Mannarino. O francês não tem grande potência e assim gosta de um jogo cadenciado. Decepcionante.

É verdade que Federer já tinha quebra na frente no quarto set no momento em que Mannarino se desequilibrou e torceu o joelho direito, o que o forçaria a abandonar logo depois já que mal se movia. Uma pena. Não fosse essa incrível falta de sorte, nada garantia que o francês não levasse a vitória num eventual quinto set. O próprio Roger reconheceu que o adversário era o melhor em quadra e só aumentou as dúvidas sobre sua real situação técnica, física e principalmente emocional.

Parece que superar a primeira semana será mesmo sua maior meta, como ele afirmou no sábado. Agora, terá pela frente Richard Gasquet, contra quem tem 12 a 2 e dez anos de ‘fila’, mas se existe um lugar em que Gasquet pode ser perigoso é na grama. E no grau de confiança que Federer está…

A saída de Serena não foi menos chocante. A heptacampeã também apostava suas fichas em Wimbledon para enfim retornar aos troféus de Grand Slam – perdeu as finais de 2018 e 2019 como favorita – mas deve ter se contundido nos treinos. Apesar da coxa enfaixada, tinha 3/1 quando escorregou e torceu o tornozelo da mesma perna. Foi mancando para o atendimento, já com cara de choro, e logo depois teve mesmo de desistir, aí já sem conter as lágrimas. Ao que tudo indica, vai para sua derradeira tentativa do 24º Slam no US Open já que o físico definitivamente não a sustenta mais

E mais
– Outra grande atuação de Medvedev na grama, vingando-se da derrota para Struff de Halle dias atrás. Devem vir agora dois jogos mais fáceis e chegar nas quartas não parece mais tão complicado. Saque forçado, ótima movimentação e bolas retas têm sido seu cardápio, enriquecido com alguns ótimos voleios.
– Zverev, que só tem uma presença em oitavas no torneio, fez o que se esperava diante de um quali. Evans foi muito bem contra López e Shapovalov sofreu com o sempre ardiloso Kohlschreiber, num dos melhores jogos do dia.
– Arsenal repleto, gostei demais da atuação de Korda contra De Minaur, que vinha de título no sábado. Aliás, terceira surpresa americana, repetindo Tiafoe e Stephens.
– Cada vez que vejo Kyrgios jogar bate aquela raiva: por que esse rapaz não leva o tênis a sério? Fora do circuito há quatro meses, fez lances geniais, abusou da improvisação que a grama exige e levou Humbert ao quinto set, suspenso no 3/3. O canhoto francês está super afiado e o jogo até aqui foi muito bom.
– Outro momento emocionante foi a atuação de garra de Carla Suárez diante de Barty. A australiana exibiu todo seu rico tênis, mas a espanhola levou o segundo set e saiu aplaudida por toda a Central, incluindo a número 1.
– A campeã de Roland Garros mostrou-se muito à vontade na grama. Duplista de mão cheia, Krejcikova tem bom teste contra Petkovic. Nada mau se cruzar com Barty lá nas oitavas.
– Kerber manteve embalo, Pliskova e Gauff venceram dois sets duros. E Venus, aos 41, voltou a vencer em Wimbledon após três anos. Essa, sim, é exemplo magnífico de amor à profissão.

Chove, chuva
– Treze jogos masculinos ainda de primeira rodada foram completamente adiados para quarta-feira, o que obrigará seus vencedores a volta à quadra no dia seguinte para a segunda partida. Nesse grupo estão Monteiro-Aliassime, Dimitrov-Verdasco, Querrey-Carreño, além de Taylor Fritz, Lorenzo Sonego e Alexander Bublik.
– Outros cinco jogos não terminaram, com destaque para Cilic e Norrie que ainda vão abrir o segundo set. Monfils começou na segunda-feira e seguirá pelo terceiro dia.
– O pior é que Monfils e Garin são da parte superior da chave, que já entrará na segunda rodada nesta quarta. Ou seja, quem vencer joga quinta e quem sabe na sexta também.
– O feminino adiou 14 partidas inteiras, lista que tem Andreescu-Cornet e nomes como Bencic e Azarenka, e tem uma suspensa no terceiro set. As ganhadoras também terão de voltar na quinta, mas no feminino o desgaste é bem menor e todos os jogos não completados pertencem ao lado superior.
– Ao menos, a previsão diz que só voltará a chover em Londres sábado e domingo, em forma de pancadas.

A frase
“Foi um final de jogo terrível, que não gosto nem de ver. Eu me senti muito mal, principalmente com tudo que passei com o joelho”.
Roger Federer

Todos os olhos em Nole
Por José Nilton Dalcim
27 de junho de 2021 às 20:07

Com a ausência de Rafael Nadal e o momento incerto de Roger Federer e Serena Williams, todas as atenções em Wimbledon se concentram sobre Novak Djokovic. E o atual campeão e número 1 do mundo inicia a campanha já às 9h30 desta segunda-feira, tendo pela quarta vez a honra de ser o primeiro a pisar na imaculada grama da Quadra Central, como reza a tradição centenária.

Há muita coisa em jogo para Djokovic. Claro que todo mundo pensa no 20º troféu de Slam, o que o igualaria a Nadal e Federer, mas há outras façanhas importantes aguardando o sérvio. Ele pode ser apenas o quinto homem na história a conquistar os três primeiros Slam da temporada, repetindo Jack Crawdford (1933), Don Budge (1938), Lew Hoad (1956) e Rod Laver (1962 e 1969). Desses, apenas Budge e Laver completaram o Slam nos EUA.

Vencer seguidamente no saibro de Paris e na grama londrina também era um feito raro até Bjorn Borg fazê-lo por três vezes seguidas, entre 1978 e 1980. Desde então, apenas Nadal (2008 e 2010) e Federer (2009) repetiram o sueco.

Penta ao lado de Borg, Djoko poderá ainda se isolar como terceiro maior vencedor de Wimbledon desde que foi abolido o ‘challenge round’ em 1921 (ou seja, quando o campeão do ano anterior apenas defendia o título na edição seguinte). Os outros dois são Federer (oito troféus) e Pete Sampras (sete).

Por fim, se for à semifinal, somará 100 vitórias na grama na carreira, clube exclusivo de Federer (188) e Andy Murray (108) na fase profissional.

Com apenas três jogos de duplas feitos em Mallorca – em quatro de seus cinco títulos não jogou preparatórios de qualquer espécie -, Djokovic testa sua adaptação á grama diante do garoto britânico Jack Draper, 253º do ranking nesta segunda-feira. Fico a imaginar o tamanho da ansiedade do canhoto de 19 anos: vai jogar seu primeiro Slam, diante do número 1 e em plena Central, um palco reservado a muitos poucos na história.

Saiba mais
– O torneio mais antigo do mundo atinge a 134ª edição desde 1877 e a 53ª desde que profissionais foram admitidos, em 1968.
– Nesse longo período, o torneio deixou de ser disputado apenas 11 vezes, sendo 4 na Primeira Guerra, 6 na Segunda e 1 nesta pandemia.
– Os campeões embolsam 1,7 milhão de libras (US$ 2,3 mi) e quem perder na estreia, 48 mil (US$ 67 mil)
– Se chegar ao nono troféu, Federer marcará também a maior distância entre o primeiro e o último Slam, com 18 anos. O recorde hoje é de Serena, com 17 anos e 5 meses, seguida por Nadal, com 15 anos e 4 meses.
– Aos 39 anos e 337 dias, suíço também pode ser o mais velho campeão de um Slam.
– Federer disputa o torneio pela 22ª vez, com total de 81 Slam, e Venus completa 23 participações e 90 Slam, recordes absolutos. Feli Lopez chega a 77 Slam seguidos.
– Só existem quatro vencedores de Slam na chave masculina, somando Murray e Cilic. Dos demais, apenas Anderson chegou numa final de Wimbledon. No feminino, são 15 e olhem que Osaka e Halep estão fora.
– Mais dois recordes para o tênis italiano: representantes na chave masculina (10) e cabeças (4).
– Dos oito principais cabeças, Medvedev, Tsitsipas, Zverev, Rublev e Berrettini nunca fizeram quartas em Wimbledon. Bautista foi semi em 2019.
– O cabeça 1 só perdeu uma vez na estreia na Era Aberta: Hewitt para Karlovic em 2003
– Há 18 canhotos na chave. O último a vencer foi Nadal, em 2010
– Borg, Cash, Edberg e Federer foram únicos campeões juvenis que ergueram troféu no profisisonal
– A última vez que um debutante ganhou Wimbledon foi em 1951, com Dick Savitt
– Um membro do time de Johanna Konta deu positivo para covid e a britânica foi obrigada a se retirar do torneio. Ela foi semi em 2018 e quartas em 2019.
– Sabalenka pode tirar Barty da ponta do ranking, mas terá de ser campeã e a australiana não passar das quartas.
– Em 19 participações, Serena nunca perdeu na estreia de Wimbledon. Precisa de duas vitórias para chegar à 100ª no torneio.
– Desde 2017, o circuito feminino vê sempre quatro diferentes campeãs de Slam (em 2020 foram três).
– O Brasil de Maria Esther faz parte da curta lista de 11 países a ganhar o título feminino na história do torneio