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A hora dos saibristas
Por José Nilton Dalcim
27 de setembro de 2020 às 20:10

A combinação tão diferente deste Roland Garros não está agradando a maciça maioria dos jogadores, desde os favoritos até os que estão lá atrás no ranking, mas o tênis talvez ganhe algo interessante com quadra pesada e bola lenta: a volta dos autênticos saibristas.

Alguns homens merecem uma observação mais apurada, além é claro dos três grandes candidatos ao título. Quem viu a desenvoltura de Andrey Rublev em Hamburgo e de Jannik Sinner em sua estreia em Paris devem ter percebido que os garotos se viram bem nessas condições, digamos, mais radicais, que exigem um tripé complexo formado de potência, perna e paciência.

E é fácil incluir aí o rodado Diego Schwartzman e ter certa esperança que Alexander Zverev se inspire em David Ferrer. A potência que sobra ao alemão falta para o argentino, mas podemos dizer exatamente o inverno das pernas. Se El Peque tem paciência e solidez, Sascha possui boa mão para a transição cuidadosa para os voleios. Ele aliás cravou 10 aces.

É possível que eu esteja com otimismo exagerado, mas gostei do que esses jogadores mostraram neste domingo de garoa fina irritante, em que também economizaram energia. Poderíamos incluir nessa lista de saibristas autênticos Stan Wawrinka e Marco Cecchinato.

O suíço teve pouco trabalho com um Andy Murray claramente sem armas no saibro úmido, mas sempre fica a dúvida de quanto Stan está com físico e com cabeça para a tarefa tão difícil que é construir pontos nessa lentidão toda. O italiano nunca mais foi o mesmo depois da semi de três anos atrás, mas é um típico jogador para esse novo Roland Garros.

Os primeiros jogos femininos também me agradaram porque mostraram algumas variações táticas interessantes, com apostas óbvias nas curtinhas, pouca importância ao primeiro saque e a evidência de que é possível sim machucar com um topspin mais profundo.

Simona Halep ganhou 10 games seguidos, Victoria Azarenka foi firme da base e Elise Mertens se mexeu muito bem. Mas isso não é lá muito novidade. São três nomes para ir muito longe nesse lado superior da chave.

Duas outras tenistas que encantaram pela ousadia. A adolescente Cori Gauff não se afastou tanto da linha e manteve seu padrão bem ofensivo diante de uma Johanna Konta que foi semi no ano passado. E Caroline Garcia comprovou que, apesar de tudo, é plenamente possível jogar na rede.

Foi um primeiro dia divertido.

Saiba mais
– Nishikori bateu Evans e manteve sua notável performance em jogos que vão a cinco sets. Foi o nono consecutivo que venceu. Em Roland Garros, sua marca agora é de 6 em 7. Na carreira, ganhou 24 de 30.
– Venus só venceu um jogo em oito torneios na temporada e sofreu a terceira queda na estreia de Paris. Nos seis últimos Slam disputados, só avançou uma rodada.
– Halep festejou em quadra seu 29º aniversário. Consciente das limitações do piso, colocou 81% do primeiro serviço em quadra.
– Nadal enfrenta Gerasimov, 83º do ranking. A única vez que perdeu para um tenista de ranking semelhante no saibro foi em 2004.
– Cilic e Thiem são o 149º e o 150º campeões de Slam da história e se cruzaram semanas atrás no US Open, com vitória do austríaco em 4 sets.
– Medvedev tenta sua primeira vitória em quatro participações em Roland Garros contra Fucsovics, contra quem penou para ganhar em Monte Carlo de 2018.
– Monfils joga sua 50ª partida em Roland Garros contra Bublik, que soma apenas 4 vitórias no saibro em torneios de primeira linha (e 2 delas em Hamburgo da semana passada).
– Serena encara Ahn, que exigiu no recente US Open: 7/5 e 6/3. Será a partida de número 408 em Slam para Williams.

Vem aí um duro Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
26 de setembro de 2020 às 19:41

Se as previsões se confirmarem, tenistas, organizadores e espectadores devem estar preparados para difíceis dias em Roland Garros. O próprio site oficial do torneio alertava neste sábado para a tenebrosa previsão do tempo neste começo de outono em Paris: frio, chuva e vento.

Os mais confiáveis serviços de metereologia indicam este domingo de primeiro dia de jogos com muita chuva a partir das 11 horas locais e alguma chance de melhoria no fim de tarde, com não mais do que 16 graus. Para a segunda-feira, é provável que o mau tempo só dê trégua a partir das 14h de Paris. Por fim, terça e quarta prometem ser dias normais, porém o aguaceiro deve voltar no fim de semana de no máximo 15 graus.

Isso quer dizer que somente aqueles escalados para a nova Philippe Chatrier e seu novíssimo teto retrátil terão vida sossegada, tanto nas condições mais amenas como na garantia do calendário. Isso certamente vai criar reclamações e possivelmente, injustiças.

E se a bola já parece pesada, o que pensar então diante desse panorama climático? Quique baixo, muita força para fazer os golpes andarem, prováveis quebras de serviço em número expressivo e chance de jogos bem demorados.

Único Grand Slam com 15 dias de duração, Roland Garros larga às 6h (de Brasília) deste domingo com ótimas atrações, se obviamente os jogos acontecerem. No masculino, estão garantidos Goffin-Sinner e Wawrinka-Murray, além de Halep-Sorribes porque todos serão na Chatrier. Lá fora, seria promissor Zverev-Novak, Schwartzman-Kecmanovic, Evans-Nishikori, Azarenka-Kovinic e Konta-Gauff.

O que esperar das meninas
Halep larga com favoritismo natural, mas pode ter alguns duelos exigentes. A estreia é contra a especialista Sara Sorribes e lá nas oitavas deve vir a atual vice Marketa Vondrousova. As quartas parecem mais fáceis.

O outro quadrante promete mais equilíbrio, já que se prevê Elina Svitolina x Elise Mertens e Victoria Azarenka x Serena Williams. Com tantas incertezas sobre como será o estilo ideal, sugiro  esperar. No entanto, o título deste sábado de Svitolina em Hamburgo, sob condições tão semelhantes, me parece lhe dar favoritismo.

No lado inferior, Karolina Pliskova e Sloane Stephens prometem duelo precoce na 3ª rodada e a eventual partida de quartas seria diante de Petra Kvitova ou Madison Keys, embora eu esteja curioso para ver Angelique Kerber nesse setor.

A quarta semifinalista tem duas fortes candidatas: Aryna Sabalenka e Garbiñe Muguruza, que no entanto devem se cruzar nas oitavas. Elena Rybakina pode dar trabalho nas quartas.

Vale lembrar que quatro das top 10 estão de fora: a atual campeã Ashleigh Barty mais Naomi Osaka, Bianca Andreescu e Belinda Bencic.

Saiba mais
– Esta será a 90ª edição do torneio internacional, que é o que realmente conta em termos de Grand Slam.
– A premiação geral caiu, mas os perdedores de estreia ganharão 60 mil euros, 14 mil a mais do que em 2019. A partir das quartas, no entanto, há queda de quase 30%. Os campeões levam 1,6 mi contra 2,3 do ano passado.
– A tenista em atividade com mais títulos no saibro é, acreditem, Serena, com 13. A recordista na Era Aberta tem 66: Chris Evert.
– Nadal e Djokovic também disputam a honra de ser o ‘trintão’ com mais Slam. Cada um tem 5 no momento.
– A última canhota a ganhar Roland Garros foi Seles, em 1992, e a última a vencer sem perder sets, Henin, em 2007.
– Murray não jogou uma única partida sobre o saibro desde que perdeu para Wawrinka na semi de Paris de 2017.
– Roland Garros é o único Slam em que o campeão do ano anterior jamais perdeu na estreia da edição seguinte na Era Aberta.
– Feli López chega a 75 Slam disputados, agora a 4 do recordista Federer. O espanhol soma também 74 seguidos. Venus totaliza incríveis 87 na carreira e Serena, 76.

Djokovic e Serena buscam feitos no US Open
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2020 às 19:59

Em situações bem distintas, Novak Djokovic e Serena Williams disputam o US Open com o objetivo de fazer mais história. Mas enquanto o sérvio acaba de ganhar Cincinnati e não tem a concorrência dos outros Big 3, Serena não empolgou nos dois torneios de aquecimento e, bem pertinho dos 39 anos, tenta apagar as frustrações de 2018 e 2019.

Claro que o maior objetivo de Nole é o 18º troféu de Slam, o que o deixaria ainda mais grudado em Rafael Nadal e Roger Federer, porém há mais algumas façanhas a sua disposição. Tenta pela terceira vez ganhar os dois Slam sobre quadra dura, como fez em 2011 e 2015. Vencedor de cinco dos sete últimos Slam, pode igualar Federer como únicos a ganhar mais de um Slam por temporada por seis vezes.

Invicto há 23 jogos na temporada, aparecerá nesta segunda-feira na 284ª semana como número 1 e fatalmente igualará as 286 de Pete Sampras quando o US Open terminar, qualquer que seja sua campanha. Por fim, único representante do Big 3 em ação, tentará o 14º Slam seguido do trieto e o 57º nos últimos 68.

Serena por sua vez tem novamente um feito incrível na mira: se chegar ao 24º Slam e igualar Margaret Court – algo que lhe escapou por quatro finais -, será também a recordista do US Open, com sete troféus. Mais notável ainda, se tornará a única com hepta em três Slam diferentes, incluindo também os homens.

E ainda quebrará seu próprio recorde de mais velha campeã de Slam, atualmente de 35 anos e 125 dias, no Australian Open de 2017. Antes de tudo isso, precisará somente superar a estreia para se tornar a tenista com mais vitórias no torneio (empata no momento com as 101 de Chris Evert).

Saiba mais
A 53ª edição consecutiva do US Open correu risco devido ao coronavírus e exigiu uma série de medidas emergenciais, principalmente a ausência de público e a consequente diminuição na bolsa de premiação geral, ainda que os US$ 3 milhões a cada campeão não seja nada desprezível.

Também eliminou o qualificatório, reduziu a chave de duplas pela metade e cancelou a de mistas e os torneios juvenis. Como novidade, terá um sistema de inteligência artificial para imitar reações do público às jogadas e dar alguma vida aos estádios vazios.

Veja as curiosidades mais importantes do torneio que será aberto às 12 horas desta segunda-feira:

– Apenas três campeões de Slam compõem a chave masculina, mas todos já venceram o US Open: Djokovic (17 troféus e três em Nova York), Andy Murray (três e um) e Marin Cilic (um). No feminino, são 10 campeãs ativas, seis delas em Flushing Meadows: Serena, Venus, Clijsters, Kerber, Osaka e Stephens.

– Outros quatro homens fizeram final de Slam, sendo que Anderson e Medvedev decidiram em Nova York. Os outros são Thiem e Raonic. No feminino, Keys, Azarenka, Zvonareva e Pliskova foram vices no torneio.

– Todos os seis principais cabeças entre os homens jogaram ao menos uma semi de Slam (Tsitsipas, Zverev e Berrettini).

– Nada menos que 43 dos 128 participantes da chave masculina têm 30 anos ou mais. No feminino, são 26 ‘trintonas’.

– Apenas 15 homens na chave de simples batem backhand com uma mão.

– Dos 32 cabeças do masculino, 14 têm menos de 25 anos, o maior número desde o US Open de 2009. O mais jovem é Aliassime (20).

– Aos 40 anos, Venus jogará o US Open pela 22ª vez. O bicampeonato foi há muito tempo: 2000-01.

– Nenhum profissional masculino venceu o US Open na Era Aberta sem perder sets. O último foi Neale Fraser, em 1960.

– Dos 64 jogos femininos de primeira rodada, 34 são inéditos.

– Os dois atuais campeões do US Open desistiram de competir: Nadal devido à pandemia e Andreescu por falta de preparo físico. Isso não acontecia no torneio desde 2003, quando Sampras se aposentou e Serena se contundiu.