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Por que Djokovic é favorito a dominar Slam
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2021 às 19:49

Ao enriquecer sua invejável galeria de troféus logo na abertura da temporada 2021, que promete enfim ter um calendário completo, Novak Djokovic se torna o favorito para se tornar o maior colecionador de títulos de Grand Slam da história, superando assim os líderes Roger Federer e Rafael Nadal. Nunca esteve tão perto. Há uma década, quando começou a temporada 2011, o placar dos Slam estava 16-9-1. Hoje, como todo mundo sabe, é de 20-20-18.

Há dois motivos mais do que suficientes para se acreditar que Djokovic chegará lá. O mais importante deles é a versatilidade, como provam suas 12 conquistas na quadra sintética e as cinco sobre a grama. Além disso, ainda permanece como um dos dois únicos que podem hoje superar Nadal em Roland Garros. O sérvio é quem mais colecionou títulos importantes na terra depois do espanhol, a quem aliás derrotou em Monte Carlo Roma e até Paris. É o atual bicampeão de Wimbledon, onde levou quatro dos seis últimos troféus, três deles diante de Federer. Faturou 6 dos 10 Slam mais recentes e ganhou 10 de suas últimas 12 finais desse naipe. Vale observar que até 2015 ele estava 8 em 16.

O segundo fator é certamente a idade. Djokovic é um ano mais jovem que Nadal e tem quase seis de vantagem sobre o suíço. E a isso é essencial se incluir o estilo de jogo. O sérvio se adapta com maior facilidade aos diferentes pisos e economiza muito mais energia ao bater a bola na subida, perto da linha, sem falar que agora tem mostrado um saque muito definidor. Não por acaso, fez a final de Slam mais rápida de sua carreira contra Daniil Medvedev, tem excepcional eficiência depois que ganha os dois primeiros sets (220-1, esta derrota em 2010) e é o que melhor se sai num quinto set (30 em 39 diante dos 30 em 47 de Federer).

Nunca podemos esquecer que todos os três já atravessaram problemas físicos preocupantes em tempos recentes, e isso talvez seja o fator imponderável que pode atrapalhar a contabilidade. Porque, ao olharmos os adversários mais jovens que ocupam o top 10 do momento, ainda é difícil apontar algum com real capacidade de derrubar dois dos três fenômenos para levar um Slam. Andy Murray definiu com propriedade: “Vencer um deles nas quartas ou na semi é uma coisa. Outra é sacar ou devolver numa final diante de alguém que já ganhou 17, 19 ou 20 Slam. É simplesmente intimidante. A nova geração ainda não está pronta para isso. Se Novak não tivesse atirado bola na juíza, teria vencido o US Open também”.

Um novo Slam está previsto para daqui a três meses e, nesse período, é preciso ver como Nole irá se recuperar do estiramento e Nadal, da lombar. E observarmos Federer após uma parada incrivelmente longa. Novamente, vemos uma vantagem para Djokovic. Depende muito menos de Paris ou de Wimbledon do que seus concorrentes e ainda terá uma boa cartada a jogar no US Open ou aguardar outro Australian Open, onde reina soberano.

Bom ibope na Austrália
As finais masculina e feminina do Australian Open tiveram as maiores audiências das noites de sábado e domingo no país, segundo os institutos de pesquisa, ainda que tenham tido pequeno declínio em relação a 2020. O jogo entre Djoko-Medvedev foi visto por 1,17 milhão de pessoas nas cinco maiores cidades do país (35% dos aparelhos ligados). Já o duelo Osaka-Brady atingiu 851 mil espectadores (36%). O torneio foi visto no total por 11 milhões de australianos através da rede Nine.

Cresce tênis nos EUA
Tênis recreativo saltou 22% em termos de novos praticantes nos Estados Unidos no ano passado, em meio à pandemia. Segundo dados da USTA, a procura por um esporte seguro como o tênis fez o total de tenistas recreativos norte-americanos subir para 21,6 milhões, dos quais 6,8 mi eram novos jogadores ou pessoas que havia abandonado a raquete e agora voltado.

E vem aí o Top Coach
O Tennis Channel iniciou uma votação popular para indicar os dois melhores técnicos de tênis do país. Qualquer um poderá ser indicado na lista preliminar, por seus alunos ou por si próprio, e aí os 50 melhores serão selecionados para uma primeira votação popular, que irá tirar 5 nomes de cada sexo. Aí uma nova rodada de votos populares indicará os vencedores, que além da honra levarão também US$ 500.

Wimbledon aguarda
Após mais um período de confinamento da população, os britânicos esperam ter superado a crise do coronavírus e planejam liberar gradualmente o público nas competições esportivas a partir de 17 de maio. O futebol poderá receber até 10 mil pessoas ou 25% da capacidade dos estádios e o mesmo por enquanto se aplicará a Wimbledon, que começará dia 28 de junho. Se for assim, das 37 mil pessoas diárias no Club apenas pouco mais de 9 mil serão autorizadas. A Central, de 15 mil lugares, terá no máximo 3.750. A prática do tênis ao ar livre deverá estar liberada na Inglaterra no dia 29 de março.

Desafio Australian Open
Armando Castel venceu o Desafio para a final masculina do Australian Open e terá direito à biografia de Novak Djokovic da Editora Évora. Ele acertou dois dos três sets que Djokovic venceu (7/5 e 6/2) e ainda errou o terceiro por um (6/2). O segundo lugar foi de Clayton Oliveira Costa, que acertou o total de 9 games perdidos e ainda cravou em cheio o terceiro set. Ele receberá da Évora outro sucesso de Djoko, “Sirva para vencer“.

Projeto criança
Por José Nilton Dalcim
30 de setembro de 2019 às 20:36

Estudos indicam que apenas 4,3% das crianças entre 6 a 12 anos jogam tênis com regularidade – número praticamente estagnado na última década – e que acabam abandonando a raquete antes de completar 11 anos, com menos de dois anos de prática. E por que não há tantos garotos nas quadras? A ideia geral é que o tênis permanece um esporte de elite e ter aulas ou bater bola ainda está limitado a quem pode pagar.

Não, não estou falando do Brasil, mas dos Estados Unidos.

Esses dados fazem parte de uma série de pesquisas que mapearam as dificuldades de crescimento do tênis por lá, tomando por base o longo período em que os norte-americanos estão sem um campeão de Grand Slam – o último foi Andy Roddick em 2003 – e na dificuldade de as meninas repetirem o sucesso das irmãs Williams. A única exceção foi Sloane Stephens, que venceu o US Open de 2017.

Os analistas concluem o óbvio: há uma crise de falta de atividade física na população. E isso só piora para o tênis. O custo anual de uma família para manter um pequeno na quadra é de US$ 1.200 – irrisórios R$ 4.800 reais se comparados à realidade brasileira -, o que no entanto é três vezes mais do que o basquete, por exemplo. Observou-se que muitas crianças sequer estão expostas ao tênis por lá, porque não têm proximidade com uma quadra, com uma raquete ou ao menos com pessoas jogando.

Boa parte desses estudos foram bancados pela Associação das Indústrias de Esporte e Fitness. Que inveja. O Brasil não tem um único censo do tamanho do tênis, trabalhando há décadas com dados empíricos e, muitas vezes, superestimados. Não sabemos quantos jogadores, professores, quadras ou meros admiradores o nosso tênis tem. E talvez isso explique a dificuldade cada vez maior de se vender o produto.

Estrangeirismo
O tênis norte-americano sofre também de uma invasão de jogadores de fora, que cada vez procuram mais academias e universidades locais como oportunidade de progredir e fazer intercâmbio. Em 2013, nada menos do que a metade dos participantes do NCAA – o circuito universitário tão importante no país – eram estrangeiros.

Aliás, essa realidade está clara no próprio circuito profissional, onde meninas como Maria Sharapova e Naomi Osaka ganharam Grand Slam ou rapazes como Kei Nishikori e Kevin Anderson atingiram o top 10. Todos eles foram basicamente criados dentro do sistema norte-americano, e muitos desde muito pequenos.

Coco Gauff surgiu como luz no fim do túnel. Aos 15 anos, entrou em Wimbledon deste ano e chegou nas oitavas de final. Foi ao US Open e também passou duas rodadas. Já tem 32 vitórias de primeiro nível no circuito e está perto de chegar ao top 100.

Novo enfoque
Há pouco tempo, perguntaram a Andre Agassi por que o tênis masculino norte-americano parou no tempo e ele enfatizou que a saída era colocar raquetes em mãos de mais crianças. “Temos 300 milhões de habitantes e não criamos um sistema que ofereça oportunidades para surgir um talento, que possa ganhar um Slam de novo”.

A USTA enfim deu ouvidos e lançou o programa chamado ‘Net Generation Aces’. O mais interessante é que a procura não está focada em golpes ou resultados, mas em identificar os juvenis entre 13 e 17 anos que tenham “poder de influenciar suas comunidades”, tendo como pilares “respeito, responsabilidade, esforço, trabalho em equipe e ética”. Isso é absolutamente espetacular.

Os primeiros escolhidos, por exemplo, se destacam pela inovação. Um deles colocou para funcionar um sistema online de cadastramento de jogadores e de torneios regionais que multiplicou rapidamente os competidores, enquanto outro investe num trabalho de reciclagem que já chegou a 35 mil bolas, todas usadas em programas mais carentes.

Não menos interessante é que o Net Generation Aces não está estritamente focado no tênis em si, mas em formar uma nova geração que seja estimulada à prática de esportes, qualquer que seja. Outro estudo, publicado pela Health Affairs, mostra que crianças fisicamente ativas economizarão bilhões de dólares em custos médicos ou na perda de produtividade ao longo de sua vida adulta.

Microfone indiscreto
Não bastassem a falta de educação de Nick Kyrgios, os casos de doping e as punições por aposta, o tênis profissional se vê pela terceira vez envolto com polêmicas envolvendo a arbitragem. Desta vez, e talvez mais grave, foi a captura de diálogos um tanto libidinosos do renomado árbitro italiano Gianluca Moscarella com uma pegadora de bola e, no mesmo jogo, dando uma chamada no português Pedro Sousa por estar demorando demais para ganhar uma partida que o oficial considerava “fácil”.

Nos áudios captados – todos os jogos de nível challenger são agora transmitidos pela ATP -, Moscarella diz que a boleira é “espetacular” e “sexy”, pergunta se sente “quente” (impossível não imaginar uma segunda intenção na frase) e depois se flagra um longo diálogo em que ele diz a Sousa para “se manter focado”, “vamos lá, era para ser 6/1 e 6/1, você já perdeu 45 break-points”. Ao menos neste caso, a ATP suspendeu imediatamente o italiano das funções até que a investigação termine.

Moscarella é árbitro de nível semelhante ao de Mohamed Lahyani, suspenso por descer da cadeira para “motivar” Kyrgios no US Open do ano passado, e de Damián Steiner, que teve contrato rompido com a ATP por ter dado entrevistas não autorizadas, um caso aliás ainda mal explicado.

Quem quiser conferir os áudios, clique aqui

A grande festa começou
Por José Nilton Dalcim
22 de agosto de 2017 às 19:42

Mais rico dos Grand Slam, o US Open não descansa. Sabe que, para manter a motivação e o faturamento, precisa inovar, se aproximar do público, criar novos adeptos.

A festa começou nesta terça-feira e leva o justo nome de Fan Week. Até o sábado, tudo é de graça em Flushing Meadows, o que inclui as rodadas do qualificatório e principalmente o treino de todos os jogadores. É um verdadeiro sonho.

Na quinta e na sexta, o US Open invade a cidade. Na chamada baixa Manhattan, a USTA promoverá uma ampla ação para mostrar o ‘Net Generation’, seu programa dedicado a trazer mais crianças para as quadras que promete ser revolucionário. No dia seguinte, o sorteio das chaves acontecerá no porto próximo à ponte do Brooklyn.

Por fim, vem o já tradicional Arthur Ahse Kids’ Day no sábado, que também é gratuito em todo o complexo, exceto para as ações do estádio, que cobram de US$ 10 a US$ 25 para uma série de brincadeiras, shows e exibição de tenistas convidados.

Ou seja, antes mesmo de começar o US Open já tenta devolver à população uma parte significativa do investimento.

Mas não é só. O torneio sempre primou também por inovar, e muitas de suas aventuras acabaram mudando o rumo do próprio tênis, como é o caso do tiebreak e das rodadas noturnas.

Neste ano, a USTA obteve autorização da ATP e WTA para introduzir duas experiências no qualificatório: o cronômetro para cobrar os 25 segundos entre os pontos (mas que será usado até mesmo para determinar quanto tempo se pode ficar no banheiro) e a instrução diretamente da arquibancada (que pode ser oral, se o tenista estiver do mesmo lado da quadra que o treinador, ou gestual, se estiver do lado oposto).

Teremos de esperar para ver o resultado.

Nesta quarta-feira, a USTA anuncia a lista oficial dos 32 cabeças de chave de cada sexo e isso deve colocar fim à preocupação sobre a presença de Roger Federer no Grand Slam. O suíço teria terminado seu tratamento para as costas já em Nova York nos últimos dias e nesta terça foi conhecer as modificações do complexo feitas em 2016, mas que ele não viu por estar contundido.

Só para lembrar: o US Open quebrou todos os parâmetros e saltou a premiação para pouco além dos US$ 50 milhões, oferecendo US$ 3,7 mi para cada campeão. Esse total é US$ 10 mi superior ao de Wimbledon e os vencedores levarão quase US$ 1 mi a mais.