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Luísa é nossa sétima top 20
Por José Nilton Dalcim
15 de agosto de 2021 às 21:56

A presença de um brasileiro no top 20 dos rankings profissionais é algo raro. Em simples, apenas Gustavo Kuerten chegou lá, assim que assombrou o mundo com o título de Roland Garros de 1997.

Antes dele, em agosto de 1983, Cássio Motta e Carlos Kirmayr haviam atingido o prestigioso grupo e se tornado os pioneiros desde a criação do sistema matemático exatamente uma década antes.

Eles foram repetidos quase 26 anos depois pelo trio espetacular de mineiros, com André Sá, Marcelo Melo e Bruno Soares, este o último brasileiro a atingir de forma inédita o top 20, em fevereiro de 2009.

Eis então que, 12 anos depois, enfim teremos nesta segunda-feira a sétima integrante dessa seleta lista de heróis: com seu terceiro e maior título de WTA, obtido neste domingo no 1000 de Montréal, Luísa Stefani aparecerá no 19º lugar.

Com todo respeito à esforçada norte-americana Hayley Carter, Luísa precisava de uma parceria mais experiente e encontrou na canadense Gabriela Dabrowski, que já foi 7ª do mundo e tem quartas em todos os Grand Slam, incluindo final em Wimbledon, uma simbiose bem interessante.

A brasileira está num momento notável, com muita fluidez pela quadra. Dona de voleios firmes e saque bem colocado, é difícil fazer a bola passar por ela quando se aproxima da rede. Nem mesmo as fortissimas Aryna Sabalenka e Elise Mertens seguraram o dueto de Stefani.

Dá para sonhar com o troféu do US Open? Com certeza, ainda mais porque as duas são duplistas exclusivas, não envolvidas na chave de simples. Mas obviamente o circuito feminino de duplas é muito forte e há muitas candidatas competentes, como Krejcikova/Siniakova, Ayoama/Shibahara e Melichar/Schuurs. Com a ascensão no ranking, Stefani e Dabrowski têm grande chance de ficar entre as oito cabeças, algo essencial para pensar grande em Nova York.

Domingo intenso
– Roger Federer surpreendeu ao anunciar uma terceira cirurgia no joelho direito, que o fará ficar fora do circuito “por meses”, segundo suas próprias palavras. Ou seja, suíço encerra outra temporada muito apagada, mas ainda deverá ser um top 20 quando o Australian Open chegar. Será possível ainda haver vida aos 40 anos e tantos problemas físicos acumulados? É preciso muito otimismo.
– Daniil Medvedev quase perdeu para Hubert Hurkacz, mas depois fez exibições notáveis contra os super-sacadores John Isner e Reilly Opelka. Faturou seu quarto Masters em Montréal e mostra de novo seu grande potencial sobre as quadras duras. Já é, sem dúvida, o maior concorrente de Novak Djokovic no US Open. Opelka, que não vinha em grande momento, foi muito bem em Toronto, não se limitou ao saque e atinge melhor ranking, o 23º, candidatando-se a figurar entre os 24 primeiros cabeças no Slam caseiro.
– Campanha inesperada e espetacular da musa italiana Camila Giorgi em Montréal, onde ergueu apenas seu terceiro troféu da carreira. Ex-top 30, tem um saque a ser temido, mas o que surpreendeu mesmo foi sua paciência no fundo de quadra. Na trajetória, derrotou Elise Mertens,  Petra Kvitova e karolina Pliskova na final.

A dura nova era dos Masters
Por José Nilton Dalcim
10 de agosto de 2021 às 21:10

Desde agosto de 2006, quando Novak Djokovic galgou o ranking, entrou no top 30 e passou a ter direito a disputar todos os grandes torneios que quisesse,  apenas dois eventos de nível Masters 1000 não tiveram a presença de ao menos um dos chamados Big 3, grupo da super elite que inclui Roger Federer e Rafael Nadal.

O primeiro deles foi em março deste ano, em Miami, quando Djokovic preferiu cuidar melhor da lesão abdominal contraida em Melbourne, Rafa sentia problema nas costas também da Austrália e Federer ainda estava em dúvida quanto a seu joelho, abalado com o desempenho fraco em Doha.

O segundo acaba de acontecer em Toronto. Federer continua com o joelho instável, Djokovic preferiu descansar após a aventura olímpica e Nadal voltou a sentir o pé, contusão que o tirou de Wimbledon e de Tóquio.

E o terceiro pode vir na semana que vem em Cincinnati, que já sabe que não terá Nole nem Roger e certamente passa a considerar a ausência do canhoto espanhol. A dura nova era dos Masters só pode sonhar em reunir o Big 3 em Paris, já que Xangai foi retirado do calendário de 2021.

Ao que tudo indica, Djokovic optou por poupar-se ao máximo e entrar com máxima energia no US Open, ainda mais diante do clima pesadíssimo que atormenta o verão no Hemisfério Norte no momento. Será a primeira vez desde 2010 que não jogará um preparatório importante antes do quarto Slam. Ainda que tenha sentido dor no ombro em Tóquio, ele tem melhores motivos do que os parceiros do Big 3 para saltar os Masters, já que se mostrou em ótima forma a partir da metade da fase do saibro.

A situação de Nadal, ao contrário, preocupa muito. Ele ficou dois meses afastado com a lesão no pé esquerdo, entrou em Washington e, mesmo com apenas dois jogos realizados, voltou a sentir o problema. Foi a Toronto e treinou nos últimos dias, até que no final desta tarde percebeu que forçar poderia comprometer de vez a presença em Nova York. Muito pouco provável que se arrisque em Cincinnati, ainda que não se descarte sua presença na chave de duplas, como forma de buscar ritmo sem forçar tanto.

Federer, tal qual Nole, já anunciou que não disputará nenhum dos Masters, completando 22 meses sem competir nesta categoria de torneio. Talvez esteja resguardando forças para o US Open, porém é difícil acreditar que o suíço possa estar competitivo logo num torneio tão exigente e em melhor de cinco sets. Ele não joga desde a triste derrota em Wimbledon.

Em termos de ranking, Djokovic não corre grande risco de perder a liderança, a menos que Daniil Medvedev faça mágicas e levante os três troféus, sem falar que o próprio sérvio ainda não pode ir além das quartas em Flushing Meadows. Nadal já perdeu os pontos de Toronto e o terceiro lugar e sofre ameaça de ser superado por Alexander Zverev, caso o alemão seja finalista em Cincinnati. Já o suíço só cairá para 10º se Denis Shapovalov ganhar algum dos Masters.

Que os candidatos ao futuro trono do tênis aproveitem a oportunidade de ouro que têm pela frente.

P.S.: Lance inusitado, com decisão incrível da juíza.

Big 3 em crise
Por José Nilton Dalcim
5 de agosto de 2021 às 23:13

Novak Djokovic teve uma passagem amarga pelos Jogos Olímpicos de Tóquio, tanto no resultado como no comportamento. Rafael Nadal não mostrou grandes qualidades nos dois jogos que fez em Washington ao retornar à quadra após dois meses de inatividade. Roger Federer não vai a Toronto nem a Cincinnati, sinal indicativo de que também ficará fora do US Open. O poderoso Big 3 está em crise.

Nas cinco horas que ficou em quadra na festiva passagem inédita pela capital norte-americana, Rafa deixou mais perguntas do que respostas. Atuações irregulares eram naturalmente esperadas, mas ele não mostrou nada empolgante exceto seu excepcional espírito de luta.

O saque continua a ser o ponto baixo e, num piso um tanto veloz, isso compromete muito. Foram poucos os momentos em que conseguiu ser agressivo. Seu primeiro set contra Jack Sock talvez tenha sido onde o forehand mais funcionou. Depois,vieram tremendas oscilações, algo um tanto inconcebível diante de um jogador tão limitado como o ex-top 10.

O espanhol acusou ainda dores no pé, mas isso não parece ter sido o problema contra Lloyd Harris. O sul-africano jogou bem, foi ousado e sacou muito em momentos importantes do terceiro set, em que tudo parecia a favor de Nadal. O game final no entanto reviveu o fantasma do saque falho e pouco contundente, que permitiu ao valente adversário entrar nos pontos com bolas profundas.

Deslocado pela primeira vez para fora do top 3 desde maio de 2017 – perde 500 pontos de Toronto em calendário antecipado em uma semana -, Nadal será o cabeça 2 no Masters canadense. que costuma ter um piso sintético menos rápido. Ele com certeza sabe que precisa melhorar em todos os aspectos, porque o US Open está ali bem pertinho.

Duro presente de 40 anos
A três dias de completar seu 40º aniversário, Roger Federer deu uma notícia muito ruim para o tênis e a seus fãs. Não disputará qualquer dos Masters 1000 sobre quadra dura, em Toronto ou Cincinnati, o que compromete decisivamente sua presença no US Open.

O motivo é também preocupante: o incômodo no joelho, que teria sentido ao longo da curtíssima temporada de grama, não lhe dá condições de jogar. Não se sabe exatamente sobre qual dos joelhos Federer se refere, mas ele já operou os dois por duas vezes, embora a recente complicação no direito, ocorrida em 2020, seja sem dúvida um indicativo temeroso.

Depois de 14 meses de inatividade, Roger disputou apenas cinco torneios desde março e venceu muito pouco. Perdeu jogos bobos em Doha e Genebra, chegou na terceira rodada de Roland Garros porém fez um esforço tão grande que o levou ao abandono, fez uma exibição horrível na derrota em Halle e apenas se salvou com as quartas de Wimbledon, ainda que a imagem final tenha sido uma queda física e técnica acentuada que o levou a um impensável ‘pneu’ na grama sagrada.

É difícil ser otimista. Contusões no joelho são por si só um grave problema para qualquer tenista, mas pior ainda para alguém com tantos anos de circuito e numa faixa etária elevada. Sem falar que daqui até abril o circuito basicamente acontece no piso sintético, que costuma penalizar esse tipo de lesão.