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Federer faz oitava troca. E talvez a pior.
Por José Nilton Dalcim
9 de dezembro de 2015 às 19:25

Há duas verdades possivelmente absolutas sobre Roger Federer. Pode sem dúvida parecer o trabalho mais fácil para qualquer treinador, mas no fundo deve ser a tarefa mais difícil para o mais experiente técnico.

Teoricamente, é uma incrível vantagem você tentar propor alternativas táticas para um jogador de tão vastos recursos técnicos, capaz de fazer praticamente tudo com uma raquete e uma bola de tênis, seja em que piso for. Mas ao mesmo tempo, o que se pode ensinar a um jogador do tamanho de Federer? Pior ainda: até que ponto um megacampeão como ele estará disposto a ouvir críticas e conselhos?

Ao entrar em sua 19ª temporada como profissional, Federer acaba de anunciar a oitava troca no comando. E talvez tenha sido a pior delas, em termos práticos. Vamos a um rápido histórico.

O australiano Peter Carter foi quem conduziu Roger em seus dois primeiros anos de circuito, na famosa transição, entre 1998 e 1999. Aí veio a opção dolorosa porém acertadíssimo pelo sueco Peter Lundgren – o suíço sofreu por ter de se separar do amigo Carter, que ainda por cima morreria alguns anos depois -, o responsável pelo grande salto de sua carreira. Entre 2000 e 2003, Lundgren encorpou o jogo de Federer, conseguiu colocar sua cabeça no lugar e lhe deu enfim o Grand Slam tão cobrado.

Com o fim do relacionamento, Federer preferiu ficar sozinho e só voltou a ter um técnico fixo em 2006 e 2007, optando pelo australiano Tony Roche. Foi o auge total, transformou-se num tenista quase imbatível. A saída em 2007 deu lugar ao amigo de adolescência Severin Luthi, que permanece no time até hoje, num cargo entre conselheiro, mentor e confidente. Nos três anos seguintes, Roger agregou por curto período o espanhol Jose Higueras, em 2008. com quem pretendia evoluir no saibro. O fruto foi colhido na temporada seguinte com o troféu em Roland Garros.

Perdendo espaço para a nova geração – além do nêmesis Rafael Nadal, apareciam agora Novak Djokovic e Andy Murray como fortes adversários -, a saída foi chamar Paul Annacone em 2010. O competente americano ficou conhecido por dar o último Slam a Pete Sampras e de certa forma cumpriu a missão, ao levar o suíço ao histórico título de Wimbledon de 2012, quebrando todas as marcas e recuperando a liderança do ranking. Durante 2013, a dupla decidiu tentar a troca de raquete, mas muitos problemas físicos contribuíram para um ano sem graça.

Em outubro daquele ano, Federer anunciou o rompimento com Annacone, mas dois meses depois contratou Stefan Edberg, para o que deveria ter sido um período de trabalho. Primeiro como amigos, depois como parceiro de treinos e por fim como guru. O novo sueco na vida de Federer recuperou sua confiança, o levou de volta à rede, lhe deu talvez seu mais alto padrão técnico já visto.

O que será agora com Ivan Ljubicic? O croata tem vasto currículo como top 10, possui a preferência pelo estilo agressivo e acabou de passar dois anos como orientador de Milos Raonic. E o problema é justamente esse. Vimos muito pouco progresso no canadense nesse tempo todo, com pequeno desconto para suas contusões. Mas nada de um jogo de rede vistoso, que combinaria com seu fantástico saque e grande forehand. Não se viu o dedo do técnico croata em quase nada, exceto pequena melhora no backhand, que era um grande golpe de Ivan (que usa uma mão).

Minha impressão é que pela primeira vez Roger deu um passo para trás na troca de treinador. O que, aos 34 anos e num circuito extremamente vigoroso, pode ser uma notícia ruim.

O mais forte top 10
Por José Nilton Dalcim
16 de setembro de 2014 às 19:55

Um fato me chamou atenção logo após o US Open. O atual número 10 do ranking, o búlgaro Grigor Dimitrov, atingiu a casa dos 3.710 pontos nas últimas 52 semanas. Me pareceu de cara uma marca expressiva. Ao longo de 2014, o máximo que o número 10 havia obtido eram 3.150, em julho, com Andy Murray na posição.

Solicitei checagem, mas a ATP ainda não respondeu. Desde que a entidade mudou a pontuação para o formato atual, a partir de janeiro de 2009, tudo indica que este é o mais forte dos top 10. Em abril daquele ano, Gael Monfils tinha 3.600 pontos nessa posição, o que deveria ser até então a melhor performance. Para se ter uma ideia da diferença, em julho de 2011 Andy Roddick somava “apenas” 2.100. No ranking final de 2012, o 10º colocado era Richard Gasquet, com 2.500; e no que encerrou a temporada do ano passado, Jo-Wilfried Tsonga aparece com 3.065.

Isso mostra o inusitado equilíbrio que o ranking masculino atinge numa de suas mais concorridas temporadas. A distância entre Dimitrov e o quinto do mundo, David Ferrer, é inferior a 800 pontos, bem menos do que a vantagem que o búlgaro tem para Ernests Gulbis, 13º, que supera a casa dos 1.000.

O ranking da temporada, que considera somente a pontuação desde janeiro, deixa isso ainda mais claro. Nos dois últimos anos, o oitavo classificado para o Finals chegou a Londres com cerca de 3.400 pontos. No momento, estima-se que a linha de corte será muito maior, bem perto da casa dos 4.500, talvez dos 4.700.

E a melhor notícia: um novato já se garantiu (Marin Cilic) e outros três têm grande chance de jogar o Finals: Kei Nishikori, Milos Raonic e o próprio Dimitrov. Eles podem tirar ‘medalhões’ como Murray, Tsonga, Tomas Berdych e David Ferrer, o que seria uma tremenda renovação para o torneio que encerra a temporada.

Treino de luxo – A federação da Ìndia contratou Tony Roche para a pré-temporada que os melhores tenistas nacionais farão em dezembro. Os jogadores serão reunidos em Bangalore para oito dias de trabalho. Roche treinou nada menos que Roger Federer, Ivan Lendl e Patrick Rafter.

Bola fora – A desistência de última hora de Stan Wawrinka deixou os organizadores do ATP de Metz enfurecidos. O suíço avisou por email na sexta-feira, quando começaram os jogos da Copa Davis e um dia antes do sorteio da chave, que é o prazo regulamentar. A imagem do número 4 do mundo foi usada em toda a publicidade do torneio. Os franceses querem atitude firme da ATP.

Desafio – O internauta Norbert Goldberg faturou o desafio lançado para a Copa Davis e receberá a camisa Wilson autografada por Bruno Soares. Ele acertou o placar final dos três confrontos sugeridos (considerei correto 3 a 2 para o Brasil), empatando com Rafael Benthien, mas levando a melhor na pergunta desempate sobre a quantidade de sets disputados.

Austrália e Suécia correm atrás do tempo perdido
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2013 às 12:29

Duas das maiores potências que o tênis já teve na história, que se tornaram exemplos de sucesso, a Austrália e a Suécia vivem um momento delicado, com dificuldades para produzir tenistas de ponta, principalmente no circuito masculino. Mas ambos estão atrás de soluções.

A Tennis Austrália, a poderosa federação nacional que organiza o Grand Slam recém encerrado, inaugurou em dezembro de 2012 oito quadras de saibro no setor leste do Melbourne Park. O material foi importado da Itália, mesmo fornecedor de um complexo semelhante construído em Sydney.

O espanhol Félix Mantilla foi contratado para liderar o projeto para que os jovens tenistas australianos se tornem mais confortáveis na terra batida. A entidade australiana também já firmou uma parceria de intercâmbio com a região de Blanes e Cornellá, na Espanha.

“Nossas quadras de saibro são um pouco mais rápidas que as europeias, mas são boas e melhor adaptáveis ao forte verão. Há muito tempo que necessitávamos delas”, afirma Tony Roche, atual técnico de Lleyton Hewitt e membro do time da Copa Davis. “Tivemos grandes campeões nos anos 50 e 60, como Rod Laver e John Newcombe, porém eles aprenderam a jogar no saibro. A grama não ensina coisas importantes como o movimento lateral e a construção dos pontos”. Roche foi campeão de Roland Garros em 1966 e treinou fenômenos como Ivan Lendl e Roger Federer.

A Suécia, outro país que já foi uma das maiores reerências do tênis e formou nada menos que três números 1 do mundo praticamene sucessivos, também se vê diante de um momento de decadência evidente. E qual  o motivo da queda? Segundo o hoje treinador Magnus Norman, faltam quadras no país.

“Temos muitos tenistas recreativos, mas não possuímos quadras o bastante”, diz ele, que fundou recentemente um grande centro em Estocolmo, onde treina juvenis promissores e o búlgaro Grigor Dimitrov. “Para conseguirmos produzir tenistas top 10 ou top 50, é preciso ter muita gente jogando. A Suécia sofre com um inverno de oito meses ao ano e jogar em quadra coberta é algo caro”. Segundo o ex-técnico de Robin Soderling, o centro irá trabalhar exclusvamente no alto rendimento.

Poker face – Segundo o canal ‘Russia Today’, Rafael Nadal está cada dia melhor. No pôquer. O multicampeão de Grand Slam entrou num torneio online de 10 euros, derrotou nada menos que 47 adversários e terminou com 152,40 euros no bolso. Um belíssimo faturamento percentualmente falando.

Rafa aderiu ao ‘PokerStars’ em junho do ano passado e tem mostrado notável progresso, recebendo treinamento e dicas dos melhores profissionais do ramo. Ele também ganhou um torneio na semana passada. De golfe, onde já é handicap 3. O rapaz nasceu mesmo para ser bom em tudo.

A frase – “A destreza natural de Roger (Federer) para o tênis é algo alucinante. Ele é certamente o único jugador que conheço que poderia ficar sem treinador todo o tempo que quisesse”. (Tony Roche)

Desafio – Dois internautas chegaram muito perto do resultado correto da final em que Novak Djokovic derrotou Andy Murray, por 6/7, 7/6, 6/3 e 6/2, no Australian Open. Como achei muito difícil fazer o desempate, decidi premiar os dois com óculos Oakley, já que ambos indicaram vitória do escocês no tiebreak no set inicial e depois a virada de Nole.

Vejam só: Carlos Fernando Torre cravou 6/7, 6/2, 7/6 e 6/3, ou seja, acertou todas as parciais, embora as três últimas fora de ordem. Já Marcel Garcia optou por 6/7, 7/5, 6/4 e 6/2 e dessa forma errou apenas um game no segundo set e outro no terceiro. Merecem o empate, não?

Ah, e neste fim de semana, teremos um desafio para os principais jogos da Copa Davis, também valendo um óculos da Oakley. Não percam!