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Muito mais do que 100
Por José Nilton Dalcim
2 de março de 2019 às 16:42

Roger Federer enfim conseguiu. Escolheu Dubai, sua segunda casa, para tentar o sonhado 100º troféu da carreira e, deixando para trás a ferrugem a cada rodada, disputou duas partidas no nível de sue imenso currículo justamente quando mais precisava.

Os dois garotos que superou com sobras nessas rodadas decisivas somam 42 anos. Um mal sabia andar e outro sequer havia nascido quando Federer disputou seu primeiro jogo profissional, em julho de 1998. Continua a ser fenomenal que Roger desafie e supere uma terceira geração do tênis masculino, alguns com idade para ser seu filho.

Embora com talento já reconhecido 21 anos atrás, Federer precisou de tempo para domar os nervos e superar a cobrança. No dia 4 de fevereiro de 2001, depois de eliminar o top 7 Yevgeny Kafelnikov na semi, superou o francês Julien Boutter em três duros sets para ganhar sobre o tapete de Milão o primeiro troféu. Era então o 27º do ranking. Perdeu chance de outro título em Roterdã semanas depois e veio a surpresa em cima de Pete Sampras nas oitavas de Wimbledon.

Mas seu tênis ainda não estava totalmente lapidado e adversários de diferentes estilos, como Andre Agassi, Tim Henman, Lleyton Hewitt e David Nalbandian, costumavam causar barreiras. A expectativa por seu primeiro Grand Slam foi algo difícil de ser administrado. Precisou disputar 15 finais – das quais levou oito títulos do saibro à grama – para enfim erguer o troféu de Wimbledon e iniciar a mágica trajetória que o levaria a ser apontado como o melhor tenista de todos os tempos.

Viveu um período de amplo domínio, com 42 títulos conquistados e 51 finais disputadas entre 2004 e 2007. Ainda que o calendário e os triunfos tenham naturalmente desacelerados desde então, com concorrência progressivamente acentuada por um circuito mais lento e a maior juventudade dos outros Big 4, Federer jamais perdeu a majestade.

Se é fato que sua coleção de recordes se mantém exuberante e muitos deles permanecem difíceis de se alcançar, a forma elegante, eficiente e agressiva com que executa uma gama variadíssima de golpes é o que encanta o público, arrasta multidões e motiva os novatos.

Isso é muito mais relevante do que números. Ainda que esse número seja um magnífico 100.