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As apostas para 2020
Por José Nilton Dalcim
23 de dezembro de 2019 às 15:29

Como acontece tradicionalmente, TenisBrasil perguntou aos internautas e a um grupo de 35 convidados, entre treinadores, jornalistas e pessoas intimamente ligadas ao esporte, quais as tendências para a próxima temporada. Algumas previsões foram bem curiosas. Eis um resumo.

O grupo de especialistas deixou claro duas têndências: Novak Djokovic irá recuperar o número 1 e Stefanos Tsitsipas entrará no Big 3 ainda no primeiro semestre. E aí existe clara divergência quanto ao voto popular, que acredita mais em Rafael Nadal para se manter na ponta e não vê Tsitsipas com toda essa chance (7% apenas votou no grego).

Para Nadal, os dois paineis indicam que será ultrapassar os 20 Slam de Roger Federer. Para os especialistas, restará ao suíço quebrar as marcas de títulos (109) e vitórias (1.274) de Connors, mas o júri de internautas acredita maciçamente no 21º troféu de Federer (45%). Será que não é mais torcida do que análise?

Felix Aliassime será o primeiro dos novatos a atingir o top 10 para os especialistas, porém o público preferiu Denis Shapovalov por pequena margem. Ambos cravaram que Stan Wawrinka é quem tem mais chance de recuperar o posto entre os velhos heróis. E há por fim uma aposta consistente em cima de Dominic Thiem como ganhador do primeiro Slam entre os que ainda sonham com isso.

No feminino, Ashleigh Barty e Naomi Osaka são as principais candidatas ao número 1 para os especialistas, enquanto o público aposta muto mais em Osaka (37% contra 23%). Angelique Kerber e Garbiñe Muguruza são as que têm maior chance de recuperar seu melhor tênis.

No geral, pode-se notar otimismo quanto ao tênis brasileiro em 2020. Acredita-se que João Menezes e/ou Thiago Wild chegarão ao top 100 e mais de 30% dos especialistas vêm chance de Luísa Stefani aparecer entre as 20 primeiras de duplas. Questionados sobre as prioridades, não surgiram dúvidas: colocar o Centro Nacional para funcionar e recuperar o calendário de challengers e futures. Infelizmente, acho as duas coisas pouco viáveis.

Como foi no ano passado?
E será que as previsões feitas em 2018 se concretizaram? Vamos dar olhada:
– Internautas apostaram que Djokovic terminaria na ponta, que Nadal só brilharia no saibro europeu e que Zverev teria enfim chance de ganhar seu Slam. Só acertaram mesmo o 100º troféu de Federer e se saíram muito bem ao indicar Karen Khachanov como potencial top 10. Curioso: nesse item, Medvedev só recebeu 2% de votos!
– Os especialistas acharam que Zverev ameaçaria o Big 3 – nada menos que 79% apostaram que ele venceria enfim um Slam – e seguiram a ideia de que Djoko terminaria como líder e Nadal não iria bem fora do saibro. Ou seja, erraram feio…
– No feminino, público e convidados acreditaram que Simona Halep terminaria como líder, em ambos os casos ameaçada por Serena Williams.
– Decepção mesmo foi Thomaz Bellucci. Os dois paineis votaram que ele ao menos reagiria e lutaria por lugar no top 100. Ficou muito longe disso.

Vale conferir
Wimbledon também entrou na linha do ‘melhor da década’ e copilou uma série de vídeos muito interessantes. Deixo aqui o link geral, já que Wimbledon não publica material em outras mídias, nem permite compartilhamento. Basta clicar nos vídeos e assistí-los (há opção de tela cheia, o que deixa ainda melhor). Recomendo: https://www.wimbledon.com/en_GB/about_wimbledon/the_2010s_at_wimbledon.html.

Djoko confirma, Federer no sufoco
Por José Nilton Dalcim
10 de novembro de 2019 às 22:43

O duelo entre Roger Federer e Dominic Thiem era sem dúvida o grande jogo da primeira rodada dos grupos do Finals, e a vitória justíssima do austríaco coloca o suíço sob grande pressão. A lógica diz que terá de vencer não apenas Matteo Berrettini, o que não é difícil, mas agora o próprio Novak Djokovic. Complicou.

Djokovic atropela Berrettini
Jogo de apenas 64 minutos, que só não foi mais desequilibrado porque o sérvio cedeu uma quebra boba no segundo set. Aliás, se mostrou muito irritado com isso, sinal evidente do quanto está exigente já neste início de Finals.

O histórico – Primeiro duelo entre os dois com um currículo absolutamente desigual no Finals. Enquanto o italiano fez sua estreia, Djokovic tem agora 54-9.

A estatística – Dos 18 erros não forçados no primeiro set de Berrettini, nada menos que 12 foram com sua principal arma, o forehand.

O ponto crucial – Djokovic reuniu dois atributos fenomenais para dominar totalmente a partida. Se de um lado só perdeu oito pontos com o serviço – quatro com o primeiro -, de outro colocou enorme pressão sobre Berrettini ao ser muito consistente nas trocas. Cometeu apenas sete erros não forçados, três deles no primeiro set.

Grande de noite de Thiem
De um lado, um tenista muito sólido no fundo, confiante para soltar o braço na hora do aperto e atento nos contragolpes. Do outro, pernas um tanto lentas, o que pode explicar erros em voleios, smash e forehands fáceis. Pela terceira vez no ano, Dominic Thiem superou Roger Federer. Já não pode ser considerado uma surpresa.

O histórico – Thiem havia mostrado em Indian Wells e Madri que quando seus golpes estão afiados é difícil para Federer ter respostas para seu volume de jogo. Repetiu a dose neste domingo e agora já tem um placar geral nada desprezível de 5 a 2 sobre o suíço, com triunfos no saibro, grama, sintético aberto e coberto.

A estatística – Federer ganhou apenas 12 das 22 investidas à rede, venceu 48% dos pontos com o segundo serviço e encarou o primeiro saque de Thiem em média a 199 km/h.

O ponto crucial – Thiem quebrou antes. logo no game de abertura da partida, permitiu reação mas capitalizou com sucessivos erros quando Federer tentava levar ao tiebreak. O fundamental no entanto foi salvar os três break-points que encarou no segundo set: um no 2/2 e dois quando sacava para fechar no 6/5, todos com sangue frio, primeiro serviço menos forçado mas profundo.

A segunda-feira
Daniil Medvedev entra em quadra às 11h com 5 a 0 nos duelos contra Stefanos Tsitisipas e nos mais variados pisos. Neste ano, já ganhou na lentidão de Monte Carlo e no veloz Xangai. É o favorito natural. Os dois jogam Finals pela primeira vez e devem haver tensão no início.

Rafael Nadal também tem 5 a 0 sobre Alexander Zverev, mas obviamente existe a dúvida sobre seu estado físico. Pelos treinos, mexeu um pouco no movimento do saque e isso pode ser um problema, porque nada pior para um tenista do que desviar a atenção tática para pensar na execução. Zverev pode se aproveitar disso se atacar com coragem o serviço do espanhol.

E mais
– Em sua sétima participação no Finals, Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot iniciaram com vitória suada em cima de Ivan Dodig (com quem foi vice em 2014) e Filip Polasek. Eles enfrentam aogra Raven Klaasen/Michael Venus, que também venceram neste domingo.
– No Twitter, Melo não escondeu o desapontamento por seu jogo não ter sido transmitido pelo Sportv. Aliás, o canal não mostrou também a estreia de Djokovic.
– Mesmo jogando em casa, a Austrália vai continuar na fila por títulos na Fed Cup, que não conquista desde 1974. A festa foi francesa em Perth, com uma inesperada vitória de Kiki Mladenovic diante da número 1 Ash Barty e depois com grande desempenho nas duplas ao lado de Caroline Garcia. É apenas o terceiro troféu da França, repetindo 1997 e 2003.
– A partir da próxima temporada, a Fed Cup muda outra vez de formato e segue o padrão da nova Copa Davis, com fase final de 12 participantes. O Brasil jogará o quali de fevereiro contra a Alemanha em casa.
– Thiago Wild ficou perto de ganhar do espanhol Jaume Munar, que era 52 do mundo poucos meses atrás, mas cansou mentalmente a partir do tiebreak e não reagiu mais na semi de Montevidéu. De qualquer forma, termina a temporada com evolução de quase 250 posições, devendo aparecer nesta segunda-feira no 215º.
– Embora seja um torneio tão modificado que às vezes dificulta comparações, não resta menor dúvida que o garoto italiano Jannik Sinner tem futuro certo entre os tops do ranking e as vitórias sobre Alex de Minaur e Frances Tiafoe no Next Gen Finals apenas reforçaram isso.

Londres sorteia e torce para Nadal jogar
Por José Nilton Dalcim
5 de novembro de 2019 às 21:40

Com um diagnóstico mais animador de sua contusão no abdome, Rafael Nadal confirmou presença em Londres e entrou no sorteio dos grupos, ocorrido já nesta terça-feira. A pressa dos organizadores é sempre definir logo os jogos da primeira rodada, no domingo e na segunda-feira, e assim garantir a venda total dos 17.800 ingressos de cada sessão.

Segundo seu médico pessoal, o dr. Angel Ruiz Cotorro, não houve ruptura mas distensão no músculo reto direito. O médico preparou um plano de recuperação e autorizou os treinos, ressltando que o movimento de saque deve ser evitado nos primeiros dias. O espanhol assim marcou chegada para esta quarta-feira. Certeza de que vai jogar? Ainda não. Dependerá muito de a lesão regredir e ele se sentir competitivo.

E o sorteio dos grupos foi ainda mais ingrato, porque colocou Roger Federer junto de Novak Djokovic. Não existe nada no regulamento do FInals que diga que os grupos não podem ser alterados depois do sorteio no caso de um abandono antes de a competição começar. Mas trocar um tenista de lugar a partir de agora não me parece recomendável.

O Finals larga com o confronto inédito de Djokovic diante do italiano Matteo Berretini, a grande surpresa entre os classificados, e terá o interessantíssimo jogo de Federer contra o austríaco Dominic Thiem na rodada noturna local. Thiem ganhou 4 dos 6 duelos, incluindo os dois de 2019, na final de Indian Wells e nas quartas de Madri. Os vencedores desses jogos duelam entre si na terça-feira.

Nadal terá o máximo de tempo possível para estar em forma e fechará a rodada noturna de segunda-feira contra o alemão Alexander Zverev, a quem superou nos 5 duelos já realizados mas nenhum em 2019. Mais cedo, o russo Daniil Medvedev também leva para a quadra vantagem de 5 a 0 sobre o grego Stefanos Tsitsipas, porém com histórico de jogos e placares apertados.

Quem se deu melhor na formação dos grupos? É muito difícil de se dizer, mas talvez Djokovic prefira cruzar com Federer do que com Medvedev e Berrettini seja menos perigoso do que o atual campeão Zverev. Num piso que costuma ser lento, Thiem causa maior preocupação que Tsitsipas. Então me parece ter havido um bom equilíbrio. Caso Nadal seja substituído por Roberto Bautista, aí a coisa desanda.

Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot são os cabeças de grupo. Estreiam já no domingo contra Ivan Dodig/Filip Polasek, tendo ainda Raven Klaasen/Michael Venus e Rajeev Ram/Joe Salisbury como adversários. Achei muito mais saudável do que pegar Jean Rojer/Horia Tecau e Pierre Herbert/Nicolas Mahut, que assim ficaram no grupo dos já números 1 da temporada Juan Sebastian Cabal/Robert Farah.

Bom sinal
Como bem observador por TenisBrasil em notícia de hoje, Thiago Wild é no momento o 20º mais bem pontuado da temporada entre os tenistas que ainda não completaram 22 anos. Na sua faixa etária, o paranaense sobe para quarto entre os que têm no máximo19, sendo que apenas dois deles estão entre os top 100 (Felix Aliassime e Jannik Sinner). Com 21 anos já completados, o gaúcho Orlando Luz é o 31º dessa lista e Felipe Meligeni Alves, o 52º.