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Primeiros sustos
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2019 às 18:58

Dominic Thiem teve uma boa dose de sorte em sua estreia em Roland Garros. Tido como um dos únicos que podem ameaçar o favoritismo de Novak Djokovic e Rafael Nadal, o austríaco ia levando virada do norte-americano Tommy Paul. O campeão juvenil de 2015 chegou a ter 4-0 no tiebreak e daí em diante entrou em parafuso.

Aquele velho Thiem apressado, frustrado com erros, que força muito mais do que precisa, pairou em todos esses três primeiros sets. Colocou um par de forehands arriscadíssimos sobre a linha para reagir no tiebreak. Tenho minhas dúvidas se iria segurar a cabeça caso a bola desviasse por 2cm e Paul abrisse 2 sets a 1. Talvez seja válido lhe dar o desconto da estreia, num torneio onde ele certamente se cobra para ir longe. A boa notícia é que vai pegar agora o cazaque Alexander Bublik, que perdeu de João Menezes semanas atrás.

Djokovic me impressionou pela intensidade com que começou a partida, fechando logo de cara as brechas e fazendo o polonês Hubert Hurkacz correr feito doido para todos os lados. Certamente, Nole sabia que não poderia deixar o garoto gostar do jogo. Antes de perder o saque no final do segundo set, chegou a ter monstruosos 81% de aproveitamento de primeiro saque. É superfavorito diante do lucky-loser suíço Henri Laaksonen, que gosta muito de jogar na rede.

O começo de Nadal foi mais nervoso e ele precisou salvar quatro break-points. O alemão Yannick Hanfmann esmurrou a bola e até marcou uns belos pontos, mas também fez escolhas bisonhas. Diante do volume de jogo do espanhol, pareceu um principiante. A atuação do espanhol foi tão tranquila que se deu ao luxo de tentar golpes de efeito. Acumulou 16 erros, a maioria por forçar demais. Enfrentará o segundo ‘Yannick alemão qualificado’ em seguida, agora o Maden, 114º do mundo aos 29 anos.

Vale ainda destacar a atuação um tanto irregular de Borna Coric e Stan Wawrinka e a ótima vitória de Jan-Lennard Struff sobre Denis Shapovalov ao mais puro estilo saque-voleio. Na quarta-feira, Stan terá de encarar o perigoso Christian Garin,

Festa francesa
Mais seis tenistas da casa avançaram na chave masculina. Notável o duelo de Pierre Herbert contra Daniil Medvedev e a incrível coincidência, porque ele também virou de 2 sets 0 em cima de um cabeça de chave como seu parceiro de duplas Nicolas Mahut havia feito na véspera diante de Marco Cecchinato.

A delirante torcida ainda viu o avanço de Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Richard Gasquet, Benoit Paire e do novato Corentin Moutet. E ainda torce para Jeremy Chardy completar o quinto set contra Kyle Edmund e verá as estreias nesta terça-feira de Gael Monfils e Lucas Pouille.

A segunda rodada terá duelo caseiro de Herbert-Paire e um imperdível Tsonga-Kei Nishikori.

E lá vêm as russas
Pouca gente se lembra, mas a escalada do tênis feminino russo no circuito profissional começou justamente em Paris, quando em 2004 Anastasia Myskina decidiu com Elena Dementieva. Semanas depois, Maria Sharapova ganharia Wimbledon e Sveta Kuznetsova, o US Open.

E estes dois primeiros dias de Roland Garros deram visibilidade a duas russas promissoras: Anastasia Potapova, de 18 anos, e Veronika Kudermetova, de 22. Numa reação incrível, Kudermetova eliminou Carol Wozniacki depois de levar ‘pneu’. Porém, mais que isso, cravou 40 winners e subiu 21 vezes à rede, incluindo o match-point.

Dos grandes nomes, Serena Williams também deu susto. Começou muito mal diante de outra russa, a já experiente Vitalian Diatchenko, e achou um jeito de ganhar. Mas admite que está longe do ideal. Em grande momento, Kiki Bertens só perdeu três pontos com o primeiro saque contra Pauline Parmentier. A má notícia foi o abandono inesperado de Petra Kvitova, que sentiu o braço horas antes e nem foi à quadra.

Brasil na terça-feira
As estreias de Alexander Zverev, Juan Martin del Potro, Naomi Osaka e Simona Halep fecham os três dias de primeira rodada em Paris. Dois duelos me parecem merecer especial atenção: Delpo x Nicolas Jarry e Vika Azarenka x Jelena Ostapenko.

Também é dia dos brasileiros. Thiago Monteiro tem duro desafio diante do sérvio Dusan Lajovic. Se surpreender, terá uma enorme chance de voltar enfim ao top 100 do ranking.

Marcelo Melo volta ao palco onde conquistou seu primeiro Slam, em 2015, e é cabeça 1 ao lado de Lukasz Kubot com boas chances. Bruno Soares anunciou o rompimento do dueto com Jamie Murray e fará seu último torneio ao lado do escocês. Seu novo parceiro será o bom Mate Pavic, que já jogou com André Sá e liderou o ranking.

Recordes e façanhas: os principais números de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
25 de maio de 2019 às 13:48

A poucas horas da largada do Aberto da França, nada melhor do que destacar recordes, façanhas e todos os números mais importantes que homens e mulheres já marcaram sobre o saibro parisiense. Também dá para ver quantas marcas espetaculares e obviamente históricas têm chance de cair:

– Nas 51 edições profissionais do torneio, a partir de 1968, a Espanha ganhou 19 vezes no masculino, 11 delas com Nadal, e os EUA levou 29 no feminino (7 com Chris Evert). Esta é a 86ª vez que está o torneio está sediado no complexo de Roland Garros, inaugurado em 1928.

– Nadal e Margaret Court são os únicos campeões de Slam com 11 troféus num mesmo torneio. A australiana venceu em casa, sendo sete consecutivos. A única tenista a ter 12 conquistas num campeonato na Era Aberta é Martina Navratilova, em Chicago.

– Djokovic tenta igualar Rod Laver como únicos a deter os quatro troféus de Slam simultaneamente por duas vezes, repetindo a mesma série que fez entre Wimbledon-2015 e Paris-2016. A maior sequência pertence a Don Budge, com seis Slam, entre 1937 e 38.

– Djoko e Federer concorrem para se tornar o primeiro profissional e o terceiro no geral a ter ao menos dois troféus em cada Slam. Apenas Laver e Roy Emerson obtiveram tal feito.

– Campeão há 10 anos, Federer também pode superar Connors (oito temporadas em Wimbledon) na maior distância entre o primeiro e segundo título de um mesmo Slam.

– O Big 3 ganhou todos os últimos 9 Slam, desde que Wawrinka foi campeão no US Open-16. É a terceira maior sequência (18 a primeira e 11 a segunda). Em Roland Garros, Wawrinka também é o único fora do Big 3 a ter vencido desde 2005.

– Serena é a recordista na distância entre o primeiro e o mais recente Slam conquistado (17 anos e cinco meses), seguida de longe por Federer (14 anos e sete meses) e Nadal (13 anos). Mais uma vez, ela corre atrás do 24º troféu para se igualar a Court, mas desta vez suas chances parecem pequenas.

– Nadal e Djokovic podem se juntar a Laver, Rosewall e Federer se atingirem seu quarto Slam após completar 30 anos.

– O jejum de conquista francesa no masculino chega a 36 anos. Cabeça 16, Gael Monfils é o mais bem cotado, mas está na chave de Thiem, Del Potro e Djokovic. No feminino, a França não leva desde 2000 e conta com Caroline Garcia.

– O tênis masculino poderá ver seu 150º diferente campeão de Slam na história, caso Cilic, Delpo, Djoko, Federer, Nadal ou Wawrinka não vençam.

– Nadal tem 111 vitórias e apenas 2 derrotas em partidas de cinco ses sobre o saibro. As únicas derrotas foram para Soderling e Djokovic em Paris. Com 58 títulos no piso, até hoje só perdeu 39 jogos (3 deles nesta temporada).

– Nenhum profissional conseguiu defender por cinco vezes seu título num Slam. Nadal (Paris), Borg (Wimbledon) e Federer (Wimbledon e US Open) são únicos pentacampeões autênticos.

– Venus (82) e Federer (76) ampliam seus recordes de participação em Slam. E Feli López, para 69 consecutivos. O espanhol é também quem mais disputou Roland Garros até hoje (19) entre os homens. Venus chega a 22 presenças (só não competiu em 2011).

– Nicolas Mahut tem agora 12 convites para a chave de um Slam, sendo 9 deles em Paris.

– Com a ascensão de Thiago Monteiro à chave principal, serão 11 sul-americanos na chave masculina, sendo 6 argentinos, 2 chilenos, um uruguaio e um boliviano. Delpo x Jarry e Pella x Andreozzi serão duelos diretos. Não há meninas do continente.

– 77 anos somam Ivo Karlovic e López para o jogo de estreia. O primeiro duelo entre eles aconteceu há 15 temporadas. O croata é o recordista de aces em Paris para uma só partida: 55 anotados em 2009 contra Lleyton Hewitt.

O 12º ficou mais perto
Por José Nilton Dalcim
23 de maio de 2019 às 19:03

Não bastasse o embalo com a ótima semana e o troféu em Roma, Rafael Nadal ainda foi brindado com um sorteio sob medida para a tentativa do histórico e monumental 12º troféu em Roland Garros. Viu Dominic Thiem, Fabio Fognini e Juan Martin del Potro, nomes fortes das últimas semanas, ficarem todos do lado de Novak Djokovic.

O sérvio tem três garotos – talvez quatro ou até cinco! – na sua trajetória até as semifinais. Começa diante do bom polonês Hubert Hurkacz e a sequência mais provável incluiria Jaume Munar e Borna Coric. São jogos teoricamente exigentes, mas é pouco provável que o sérvio perca mais que um ou dois sets nessa caminhada. As quartas podem colocá-lo diante de Fognini ou Alexander Zverev, mas se o italiano gera dúvidas atléticas, o alemão seria uma surpresa em ir tão longe na atual fase tão instável. Por esses motivos, não descartaria Roberto Bautista ou Dusan Lajovic como ‘zebra’.

Os maiores candidatos à outra semifinal são Thiem e Del Potro. Porém, tudo indica que o austríaco tenha um duelo duríssimo diante de Gael Monfils nas oitavas. O argentino por sua vez já começa com uma estreia perigosa diante de Nicolas Jarry e lá na terceira rodada cruzaria com Felix Aliassime. O fato é que, se der Thiem x Delpo, vai ser mais do que interessante, porque o argentino é o único dos grandes atuais que Thiem jamais derrotou, somando já cinco derrotas, uma delas sobre o saibro.

Nadal enquanto isso tem uma sequência formidável. Pega dois qualificados na sequência – um deles pode até ser Thiago Monteiro, que joga nesta sexta sua chance de entrar na chave – antes de reencontrar o instável David Goffin. O belga é um especialista no saibro e por isso mesmo uma vitória categórica serviria para ritmo e confiança. O caminho seguiria com Nikoloz Basilashvili ou Guido Pella e por fim Kei Nishikori ou Daniil Medvedev. Qualquer coisa que der diferente disso vai ser uma tremenda surpresa.

Há portanto uma chance real de vermos o ‘Fedal’ na semi, desde é claro que Federer se saia bem contra um provável exército italiano, que inclui o jovem Lorenzo Sonego na estreia, o ascendente Matteo Berrettini na terceira rodada e em seguida o semi do ano passado Marco Cecchinato. Mas ali também está Diego Schwartzman. E não é só. Stefanos Tsitsipas concorre fortemente às quartas, tendo como principais rivais Stan Wawrinka ou uma novidade, o chileno Christian Garin. Convenhamos, é um quadrante recheado de saibristas de grande qualidade.

Emoção no feminino
A atual campeã Simona Halep, a líder do ranking Naomi Osaka, o destaque da temporada Petra Kvitova, a nunca descartável Serena Williams e a solitária estrela da casa Caroline Garcia ficaram todas no lado superior da chave feminina. Façam suas apostas!

E mais: Vika Azarenka e Jelena Ostapenko duelam logo de cara para ver quem será a provável adversária de Osaka em seguida. Quem passar, pode encarar a animada Maria Sakkari e quem sabe depois Serena. Um setor tão imprevisível que não ousaria descartar Ashleigh Barty, Su-Wei Hsieh ou Bianca Andreescu, apesar da menor intimidade com a terra que têm.

Se estiver em forma, Halep deve decidir contra Kvitova quem vai à semifinal, e consequentemente à decisão, já que as duas me parecem com maior volume de jogo sobre o saibro comparadas a quaisquer das outras.

A questão física também pode favorecer Karolina Pliskova, que ficou num quadrante que tem Carol Wozniacki e Angie Kerber. A outra semi indica o favoritismo de Kiki Bertens por conta do momento de Elina Svitolina, Sloane Stephens e Garbiñe Muguruza. Porém, são todas jogadoras com currículo no saibro e podem recuperar a confiança com um bom início.

O sorteio reservou alguns outros ótimos jogos de primeira rodada: Shapovalov x Struff, Karlovic x Feli López, Tipsarevic x Dimitrov, Fucsovics x Schwartzman, Sabalenka x Cibulkova e Venus x Svitolina.

P.S.: Com a desistência de Raonic e Berdych, haverá dois lucky-losers na chave masculina, que ganham vaga num sorteio que é feito entre os quatro tenistas de maior ranking entre os perdedores da última rodada do quali. Isso aumenta muito as chances de Monteiro ser o nosso isolado representante nas chaves de simples.