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O reencontro está muito próximo
Por José Nilton Dalcim
26 de janeiro de 2020 às 13:29

Novak Djokovic foi soberano outra vez em quadra, Roger Federer começou lento e depois virou com folga. E assim o reencontro entre eles depende de apenas mais uma rodada no Australian Open, onde obviamente serão favoritos. O sérvio precisa passar pelo saque poderoso de Milos Raonic, o que já fez por nove vezes, e o suíço tem de superar outro jogador consistente do fundo porém hoje o 100º do ranking, Tennys Sandgren.

Como se esperava Schwartzman não deu tanto trabalho no piso duro mais veloz como já conseguiu no saibro e só pôde mesmo comemorar uma quebra de serviço lá na metade do segundo set, quando vinha de uma dura sequência de games perdidos.  Não se pode dizer que o argentino tenha jogado mal, porém falta potência diante de um adversário que se posta em cima da linha, impõe ritmo muito forte e saca com grande qualidade a maior parte do tempo.

Djokovic soma a 10ª vitória na temporada e parece extremamente improvável que Raonic consiga justamente agora acabar com o tabu pessoal. Na temporada em que atingiu talvez seu melhor nível técnico, em 2016, levou duas surras memoráveis do sérvio. O grandão canadense é uma surpresa neste Australian Open, não pelo currículo mas porque ganhou todos seus 12 sets mostrando até mesmo um backhand mais firme. Vale lembrar que só no ano passado ele se afastou por problemas nas costas,  joelho e quadril. Para chegar pela quinta vez nas quartas da Austrália, dominou um exausto Marin Cilic num duelo de ex-top 3 que não acontecia desde 2017.

Depois de um primeiro set preocupante, Federer acabou tendo uma vitória rápida e tranquila sobre um decepcionante Marton Fucsovics, que se mostrou inexplicavelmente apático a partir do 6/4, como se fosse ele quem tivesse 38 anos e lutado por 4h30 na rodada anterior. O suíço não foi brilhante, errou mais do que deveria na base e compensou tudo pelas maravilhas que consegue fazer na improvisação e nos voleios. Foi 37 vezes à rede e venceu 31 pontos. Ficou devendo um pouco com o primeiro serviço (61%), um ingrediente que precisa estar mais afiado a partir de agora.

Pela primeira vez, vai enfrentar Tennys Sandgren e, muito bem humorado na entrevista de quadra com John McEnroe, brincou que já jogou muito tênis mas nunca contra um Tennys. O norte-americano de 28 anos repete as quartas de dois anos atrás, quando surpreendeu Stan Wawrinka e Dominic Thiem, ao tirar os dois italianos top 20 do momento, Matteo Berrettini e agora Fabio Fognini, a quem também havia batido no último Wimbledon. Faz um pouco de tudo: saca bem, gosta de trocar bolas e ataca quando pode. Merece o devido cuidado.

Mais um passo para Barty
Ao menos no quadrante superior da chave feminina, deu a lógica. Ashleigh Barty reencontrará Petra Kvitova nas quartas de final. A canhota tcheca foi quem acabou com seu sonho de título em casa no ano passado. Pelo menos, a australiana ganhou os três duelos seguintes diante e assim a história pode ser diferente.

Mas a líder do ranking não jogou seu melhor nesta semana e a montanha russa diante de Alison Riske exemplificou bem isso, já que até o 4/4 do terceiro set estava tudo aberto. Vice do ano passado, Kvitova perdeu seu primeiro set e depois virou com autoridade sobre Maria Sakkari.

Quem passar, terá favoritismo natural sobre Sofia Kenin ou Ons Jabeur. No duelo americano, Kenin reduziu aos poucos a resistência de Coco Gauff até chegar a um ‘pneu’, mais uma prova de que a jovem Gauff ainda precisa dosar melhor a energia. A tunisiana – primeira árabe nas quartas de um Slam – tem um estilo vistoso, foi bem superior a Qiang Wang mas perdeu 3 dos 4 duelos que já fez contra a base muito sólida de Kenin.

Saiba mais
– Djokovic ganhou nada menos que 12 de suas 13 mais recentes partidas de Slam diante de um top 20. A exceção foi Thiem em Roland Garros-2019.
– Federer se isola como único homem a ter 15 presenças em quartas de final do Australian Open. E nunca perdeu nessa rodada em Melbourne.
– Djoko soma agora 72 vitórias em três Slam diferentes. A exceção é Roland Garros, com 68. Mas curiosamente é na terra onde ele tem mais quartas (13, contra 12 na Austrália e 11 nos demais).
– Mais uma vitória e Federer será o segundo tenista com mais triunfos num mesmo Slam (102), atrás somente de Navratilova (120, em Wimbledon).
– Schwartzman jamais ganhou de um top 5 em 22 tentativas, sendo seis em Slam.
– Sandgren é o jogador de mais baixo ranking a atingir as quartas de Melbourne desde Mikael Tillstrom, então 106º em 1996.
– Raonic lidera o quadro de aces do torneio, com 82, 7 a mais que Kyrgios. No feminino, Goerges atingiu 32 e isso a colocaria entre as 20 melhores do masculino.
– Stefani e sua parceira Carter foram muito bem e venderam caro a derrota nas oitavas. Os mineiros decepcionaram de novo: Soares parou em convidados locais e Melo, favorito nas mistas, parou na estreia e Bruno, nas oitavas.
– Com a queda em simples, o juvenil Gustavo Heide ainda tem uma chance nas duplas.

Ataque contra defesa
Por José Nilton Dalcim
24 de janeiro de 2018 às 12:11

Antagonismo total marcará a segunda semifinal masculina do Australian Open. O superexperiente e agressivo Roger Federer enfrentará a perseverança defensiva de Hyeon Chung, 15 anos mais jovem e mais de 1.080 vitórias a menos no currículo. Enquanto o suíço chega a sua 14ª semi em Melbourne, a 43ª da carreira – 11ª sem perder sets -, o coreano é o tenista de menor idade na semi de um Grand Slam desde Marin Cilic, em 2010. Contraste de estilos geralmente traz os melhores espetáculos numa quadra de tênis.

Como se previa pelas atuações anteriores, Tomas Berdych exigiu respeito e cuidado na partida desta manhã. O tcheco saiu atacando, usou com inteligência as paralelas e dominou até ter 5/3 e saque. Aí Federer usou mais slices para diminuir os erros e a altura da bola, porém ainda assim teve de salvar set-point com coragem para soltar um backhand de devolução na paralela.

O jogo continuou duro e Berdych teve outro set-point, agora no serviço do suíço, mas não evitou o tiebreak. Daí em diante, Federer acordou de vez, passou a mesclar muito melhor velocidade e efeito, colocou Berdych para correr e ficou envolvente. O tcheco não perdeu a cabeça, numa prova que está mesmo mudado, e ainda recuperou uma quebra no começo do terceiro set. Exigiu ao final das contas muita perna, precisão e inteligência tática do cabeça 2, mas cometeu o grave erro de perder a agressividade ao longo dos sets. Terminou com 22 winners contra 61 do suíço e fez menos do que deveria com o saque (56%). Desse jeito, só se vence Federer com a sorte de um dia ruim.

Momento curioso da partida, Federer discutiu com o árbitro por conta de um desafio eletrônico não mostrado e chegou a ser irônico alguns lances mais tarde, porém ao final admitiu que estava errado.

Chung por sua vez passou pela surpresa Tennys Sandgren em três sets bem disputados. O jovem coreano, que será top 30 na semana que vem, esteve perto de perder o segundo set, quando o norte-americano sacou com 5/4, mas mostrou saborosa maturidade para quem vinha da incrível vitória sobre Novak Djokovic. Também foi um bom teste os seis match-points que precisou para fechar a partida.

Para encarar Federer com chance, Chung vai precisar ser um pouco mais ousado. Fez 29 winners e cometeu 33 erros, um saldo negativo que pode custar muito caro diante de um adversário que gosta de sufocar e provavelmente irá forçar em cima do segundo serviço ainda não tão convincente. Mais do que nunca, Chung necessita assistir às vitórias de Djokovic sobre Federer em Melbourne para se inspirar.

Pouco antes da entrevista oficial, Sandgren leu um discurso para atacar a imprensa, que desde a véspera relembra passagens suas nas mídias sociais com condutas sugestivamente racistas ou de extrema-direita. Um minuto antes de seu jogo começar na TV americana, Serena Williams soltou um “mudando de canal” no Twitter.

Vale o número 1
O complemento das quartas femininas foi totalmente sem graça. Angelique Kerber despachou uma apática Madison Keys em meros 51 minutos com a chocante cena de ver o público torcendo para a norte-americana ganhar games. Logo depois, Simona Halep não tomou conhecimento de novo de Karolina Pliskova, que soltou a pérola: “Eu apenas rezo para que ela não esteja no meu lado da chave”.

O duelo de Kerber contra Halep é totalmente imprevisível e o placar geral de 4 a 4 apenas reforça isso. A romena ainda diz sentir a perna e talvez não esteja em condições de outra maratona como a que fez diante de Lauren Davis.

Halep ainda tem o peso de defender o número 1. Caso Carol Wozniacki justique seu amplo favoritismo contra a pouco experiente Elise Mertens no jogo que abre a programação na nossa madrugada, a romena perderá o posto em caso de derrota.

Para o bem do tênis feminino, claro que o ideal seria uma decisão entre Halep e Wozniacki no sábado, que valeria título de Grand Slam inédito, e tão sonhado, além da ponta do ranking. Mas Kerber terá de concordar com isso. A campeã de 2016 recuperou seu lugar no top 10, mas não sairá do 9º mesmo com eventual bi.

Diagnóstico
Rafa Nadal deverá estar recuperado dentro de três semanas e assim manteve seu calendário original, que é jogar em Acapulco antes de Indian Wells e Miami.

A ressonância magnética feita em Melbourne indicou que o problema é no músculo que liga o quadril à coxa direita, uma contusão leve, segundo comunicado divulgado pela assessoria do espanhol. Ele fará fisioterapia para acabar com a inflamação e pretende estar de volta aos treinos em duas semanas.