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Imposição à vacina pode dividir de vez o circuito
Por José Nilton Dalcim
20 de outubro de 2021 às 20:31

O Governo australiano decidiu: ninguém irá entrar no país sem comprovar que tomou as duas doses recomendadas da vacina. E os tenistas que querem disputar o Australian Open não serão exceção. Nem mesmo o número 1 e eneacampeão Novak Djokovic.

A determinação, exposta nesta quarta-feira pelo ministro local da Imigração, Alex Hawke, coloca sobre a mesa a discussão sobre a liberdade individual de não se vacinar mas ao mesmo a responsabilidade de cada um em não transmitir o vírus.

A Austrália tem sido um dos países mais rígidos no controle da epidemia, o que muito provavelmente explique os baixos números de infecção e mortes, e a vacinação de sua população anda em bom ritmo. Não faz muito tempo, Melbourne foi fechada devido a um único caso detectado.

O pico de mortes ocorreu em agosto do ano passado, com 41, mas entre novembro e julho beirou o zero. A curva voltou a subir e hoje a média de mortes está em 15, a mais alta em 14 meses. No total da pandemia, houve o registro até agora de 130 mil casos, com 1.448 mortos. Até ontem, 57,5% da população estava totalmente vacinada.

Então é justificável que as medidas restritivas para a entrada de pessoas no país continuem severas. Por muitos meses, sequer residentes australianos que estavam fora das fronteiras recebiam autorização para voltar, fato que já gerou desconforto ao governo durante o Australian Open de fevereiro, onde tenistas, treinadores e juízes ganharam o direito de entrar após cumprir isolamento mínimo de 14 dias, algo que era negado aos próprios cidadãos no estrangeiro.

Desta vez, as autoridades garantem que irão tratar todos de forma igualitária, ou seja, ninguém entrará por portos ou aeroportos sem a vacinação completa concluída. E apesar de ATP, WTA e ITF terem buscado uma alternativa – sugeriram forçar quarentena e testes para os não-vacinados -, o governo não recuou até agora.

Embora não exista um levantamento oficial, estima-se que 35 a 40% dos atuais top 100 não tenham se vacinado ainda. Esse número pode diminuir na janela entre as duas temporadas, quando muitos jogadores voltarão enfim para casa e terão tempo para isso. Porém é sabido que muitos resistem à ideia de se vacinar e já o disseram publicamente.

Claro que o pivô é Djokovic. O número 1 do mundo e favorito ao 10º título, quando poderá também quebrar o recorde de troféus de Grand Slam, se recusou nesta semana a dizer se já se vacinou, alegando à imprensa sérvia que isso era algo de cunho pessoal.

Há largo debate entre os especialistas se as pessoas que já contraíram o coronavírus, e portanto desenvolveram anticorpos, teriam ou não o mesmo grau de imunização dos vacinados. É exatamente o caso de Djokovic.

O sérvio também é o cabeça da PTPA, a associação paralela de jogadores que obviamente se contrapõe à ATP. Se Djokovic for impedido de competir pelas leis australianas, qual seria a chance de um boicote dos simpatizantes da PTPA ao Australian Open?

Acredito que seja grande. Mais do que isso. Seria oportunidade concreta de a nova entidade ganhar força e respeito, muito semelhante ao que aconteceu à própria ATP no boicote a Wimbledon de 1973.

E não tenho a menor dúvida de que isso coloca ATP e ITF contra a parede, ainda que a decisão do governo australiano esteja acima da esfera esportiva.

Dia de festa
Há exatos 23 anos, logo pelas 8h da manhã, entrava no ar a primeira versão de TenisBrasil, então ainda chamado de ‘revista eletrônica’. Por alguns poucos meses, o site foi tocado com atualizações semanais, sempre às segundas-feiras, onde se fazia resumo dos torneios encerrados no domingo, dava-se os novos rankings e calendário, além de focar nos jogadores de maior destaque.

Não era um trabalho fácil, já que se vivia a era pré-Google, e buscas de dados levavam horas numa conexão discada. Diante do crescimento vertiginoso de audiência, em março de 1999 TenisBrasil já se tornou diário e, em julho, passou a ser parceiro do portal UOL, como acontece até hoje. Obrigado a todos os incontáveis colaboradores do projeto.

TenisBrasil, quinze anos depois
Por José Nilton Dalcim
14 de outubro de 2013 às 15:03

capasEm meio às interessantes rodadas decisivas de Xangai, não tive tempo nem espaço para registrar o aniversário de 15 anos que o site TenisBrasil completou no dia 12 de outubro. Nem parece que se passou tanto tempo assim, mas sem dúvida é um marco que me deixa orgulhoso.

A explosão da Internet no final do século 20 foi a deixa perfeita para que se criasse um veículo de comunicação que conseguisse acompanhar a agilidade do tênis profissional. Essa coisa de ranking que muda a cada semana, de heróis que surgem, de ídolos que se recuperam ou se vão é uma peculiaridade do tênis, a mais internacionalizada de todas as modalidades, com dezenas de competições todo dia, por todos os cantos. Só mesmo um site para dar conta disso.

TenisBrasil começou modesto. Como os recursos no Brasil ainda muito limitados – conexão discada, páginas feitas de forma quase artesanal, poucas imagens e nenhum vídeo -, eu passava o domingo todo preparando um material bem informativo que entrava no ar logo na segunda-feira cedinho. Com isso, era possível fornecer os destaques e resultados da semana que acabava, o ranking alterado, o calendário e muitas curiosidades. Dava um trabalho incrível. Nem Google existia e os sites da ATP, WTA e ITF eram simples. Só para achar as chaves e os links dos torneios mais importantes exigia horas.

O sucesso foi muito rápido. Embora o tênis nunca tenha tido um volume representativo de praticantes, a audiência dobrava. Primeiro, veio uma parceria com a StarMedia, que acabava de se instalar no Brasil com planos audaciosos. Em seguida, o convite para integrar o portal UOL, para onde migramos em julho de 1999 e jamais saímos. Nessa altura, o site já era atualizado duas ou três vezes por semana. Eu e Doro Jr., amigo e jornalista dos melhores, entendemos que era momento de ousar e transformar sua atualização diária.

Tivemos momentos de grande euforia, principalmente porque vivenciamos o auge de Gustavo Kuerten. Acompanhei de Lisboa o dia a dia de sua chegada ao número 1 do ranking – para mim, de longe, seu maior feito e por consequência o mais importante do tênis brasileiro moderno -, assim como os dois outros troféus de Roland Garros. Nessa altura, com a tecnologia avançando a passos largos, já fazíamos de tudo, muitas vezes na base do improviso provocado pelo orçamento limitado: placar ao vivo, chat, desafios. Tentamos sempre inovar. Lançamos a Rádio TenisBrasil, logo depois em 2006 criei este Blog e, dois anos depois, passamos a gerar imagens na cobertura de eventos.

Impossível listar aqui todos as pessoas que trabalharam comigo nessa longa jornada, seja diretamente na redação, que sempre foi o carro-chefe do site, seja na colaboração com artigos ou ideias. Tantos amigos que formei ao longo de 33 anos dedicados ao jornalismo do tênis tiveram importância crucial, me ensinando cada dia mais os segredos sutis de um esporte que muda constantemente. Continuo aprendendo.

Claro que é preciso um agradecimento especial aos internautas, desde os mais fieis e antigos até os que só agora começam a descobrir a paixão pelo tênis. Na verdade, sempre escrevemos para os mais velhos leitores na esperança de que surja diariamente um novo público, que algum dia deixaremos de sonhar com a ampliação do mercado e constataremos enfim um trabalho bem direcionado ao crescimento da base.

Ainda chegaremos lá.

P.S. Nas imagens ao lado, retiradas do interessante site archive.org, cinco passagens gráficas do site TenisBrasil: 1998, 2000, 2004, 2008 e 2010.