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Tsitsipas e Kyrgios: quem continua o sonho?
Por José Nilton Dalcim
30 de junho de 2022 às 18:53

A desistência inesperada de Matteo Berrettini e a ausência de qualquer outro adversário de maior gabarito farão com que Stefanos Tsitsipas e Nick Kyrgios disputem uma partida extremamente importante para suas carreiras neste sábado. Quem avançar para as oitavas terá porta aberta, e provavelmente toda a confiança do mundo, para buscar a semifinal de Wimbledon. Tanto para o grego como para o australiano, é uma chance de ouro.

Stef jogou melhor contra Jordan Thompson hoje do que na estreia diante do quali Alexander Ritschard, mas é óbvio que não são grandes vitórias para o currículo. O grego enfim ganhou um título de ATP sobre a grama no último sábado e tentar repetir o único resultado decente que teve em Wimbledon, as oitavas de 2018. Nas outras três participações, sequer passou da estreia.

Kyrgios fez mais um papelão na duríssima estreia e talvez por isso tenha jogado com seriedade diante de Filip Krajinovic. E, quando faz isso na grama, é muito duro competir com ele. Esmagou o sérvio e certamente vai se achar favorito contra Tsitsipas, já que sua única derrota em quatro duelos foi a exibição da Laver Cup. Dias atrás, marcou virada numa bela partida em Halle.

Quem vencer, vai pegar Brandon Nakashima ou Daniel Galan. O primeiro se aproveitou do péssimo momento de Denis Shapovalov e o outro, da covid de Roberto Bautista. Se der a lógica, enfrentará nas quartas o sobrevivente de Brooksby-Garin e De Minaur-Broady. Não há oportunidade maior, e os dois sabem disso.

Jogo a jogo
Nadal faz o básico
– Apesar de ser muito mais tenista, o bicampeão Rafa Nadal de novo encontrou dificuldades diante de um adversário de pouco predicado no saque e na grama. Ainda está um tanto preso e aceita o jogo de trocas da base porque tem consciência que, em determinada hora, vai vencer. Está chegando o momento de elevar o nível. Lorenzo Sonego não é um perigo, mas saca muito melhor. Depois, deve vir Botic van de Zandschulp, mais completo quando se fala em piso veloz. Isso é claro se o velho Richard Gasquet não aprontar de novo.

Fritz vê uma brecha – Dono de dois ATPs em Eastbourne, Taylor Fritz deveria já ter feito mais em Wimbledon, mas nunca passou da 3ª rodada. Desta vez, a chave parece propícia, sem qualquer cabeça a sua frente nas próximas duas rodadas, apesar de seu forehand cheio de topspin não me agradar. Vale clicar aqui e ver o incrível ponto que encerrou o segundo set. Pega Alex Molcan, um jogador de base, e quem sabe o bom e velho Jack Sock, que até hoje só venceu cinco vezes em simples ( o jogo de hoje foi adiado no terceiro set) mas ergueu dois troféus de duplas no Club.

Iga leva susto – Era de se esperar que a grama causasse mais dores de cabeça para Iga Swiatek e, logo na segunda rodada, a polonesa sofreu contra a 138ª do ranking, que abriu 4/2 antes de levar virada no set inicial e levou a segunda série. A polonesa mostrou-se um tanto apressada, talvez ansiosa. Porém continua sem perder, agora por 37 partidas. Precisará de maior cuidado contra a experiente Alizé Cornet, que adora um desafio e luta ao estilo Nadal.

Grupo da morte – Paula Badosa, Petra Kvitova e Simona Halep avançaram no setor que definirá uma delas como quadrifinalista. E eu nem descartaria Magdalena Frech. A bicampeã tcheca deu uma desligada incrível quando tinha 6/1 e 5/1 e precisou salvar set-points. No seu adeus ao circuito, Kirsten Flipkens liderou os dois sets contra Halep. Portanto, tudo muito aberto.

Vice se despede – A temporada de Karolina Pliskova continua tenebrosa. Começou atrasada por contusão na mão, só venceu dois jogos seguidos na mesma semana em dois torneios e agora, rumo à defesa do vice em Wimbledon, perdeu duas vezes seguidas da britânica Katie Boulter, que poucas vezes habitou o top 100. A cena de Pliskova errando a entrada da Central antecipou o desastre. A namorada de Alex de Minaur enfrenta Harmony Tan, no entanto o favoritismo total nesse setor é de quem passar entre Coco Gauff e Amanda Anisimova.

Melo confirma o 100% – Os duplistas brasileiros passaram incólumes pela primeira rodada de Wimbledon. Marcelo Melo completou o quadro vitorioso com batalha de 3h41 em cima dos cabeças 5, um ótimo resultado ao lado do bom Raven Klaasen. Nunca esqueçamos que Melo é campeão de Wimbledon.

Reflexões
Por José Nilton Dalcim
14 de abril de 2022 às 18:33

Apesar do evidente rejuvenescimento que surge nestas quartas de final de Monte Carlo, há muita experiência em quadra. Cinco dos oito pretendentes ao título que ainda estão de pé já possuem ao menos um título de nível Masters na carreira: Stefanos Tsitsipas, Alexander Zverev, Hubert Hurkacz, Taylor Fritz e Grigor Dimitrov, este o veterano da turma, com seus 30 anos.

Como as rodadas agora serão diárias e empolgantes, vamos a algumas reflexões dos últimos dois dias no saibro monegasco:

  • Jannik Sinner (20 anos), Alejandro Fokina (22) e Diego Schwartzman (29) são as três exceções nessa turma que já tem grandes troféus na carreira. E destes três, somente Fokina nunca decidiu um 1000.
  • Fokina e Fritz irão se cruzar pela terceira vez, sempre no saibro, com uma vitória para cada lado. Depois de tirar Djokovic, o espanhol atropelou David Goffin e está nas quartas de Mônaco pelo segundo ano seguido.
  • Depois de quase perder na estreia para o anônimo Lucas Catarina, Fritz deu sorte e pegou dois jogadores que batem ainda mais reto do que ele: Marin Cilic e Sebastian Korda. Dos últimos cinco Masters que disputou, Fritz fez ao menos quartas em quatro deles.
  • Carlos Alcaraz decepcionou ao perder de Korda, ainda que o americano mereça elogios por golpear tão reto e arriscar tanto na rede num saibro lento e sob ventania brava. O espanhol fez escolhas ruins, algo que não se viu em Indian Wells e Miami, e seu poder defensivo caiu. Como era esperado, jogar com favoritismo vai pesar mais.
  • Não menos surpreendente foi a vitória de Dimitrov sobre Casper Ruud, um dos grandes especialistas do saibro atual. O búlgaro vinha de grande virada sobre Dusan Lajovic na véspera. Dimi não vence um torneio desde o título no Finals de 2017, mesmo ano que faturou Cincinnati. Seu adversário será Hurkacz, a quem venceu em Indian Wells de outubro.
  • Mesmo com altos e baixos, Tsitsipas se mantém na luta pelo bi. A vitória sobre Laslo Djere foi muito menos brilhante do que a atuação diante de Fabio Fognini. Vai pegar Schwartzman, que chegou a estar 6/2 e 3/1 atrás de Lorenzo Musetti. O descontrole emocional do garoto italiano é quase proporcional a sua facilidade em jogar. Uma pena.
  • Zverev e Sinner devem fazer o grande jogo das quartas. O alemão perdeu o primeiro duelo entre eles, em Roland Garros de 2020, mas venceu os dois seguintes na quadra dura. O italiano só fez jogos complicados nesta semana e teve cabeça para reagir hoje diante de Andrey Rublev, fazendo um terceiro set primoroso.
  • Talvez ainda seja cedo para falar disso, mas eventual título de Zverev no domingo o colocará a 235 pontos do número 1. Claro que terá o título de Madri a defender. De qualquer forma, é uma tremenda motivação.
Com tênis no sangue, Fritz faz seu pequeno milagre
Por José Nilton Dalcim
21 de março de 2022 às 00:57

Superação é a marca registrada dos grandes campeões e algo que costumeiramente se associa a Rafael Nadal. Mas neste domingo o grande herói em Indian Wells foi o californiano Taylor Fritz. Para realizar o sonho de infância e ganhar o maior torneio disputado no Oeste do país, ele precisou de um pequeno milagre.

Fritz torceu o tornozelo direito no finalzinho da semifinal de sábado contra Andrey Rublev e sentiu o problema se agravar no aquecimento matutino de sua primeira final de nível Masters 1000. Era praticamente impossível ter condições de entrar em quadra. Ficou sob intenso tratamento – ‘nunca senti dor pior antes de uma partida’ – e fez um segundo bate-bola mais tarde, bem próximo à partida, e foi aconselhado por toda sua equipe, incluindo o preparador físico, a não jogar.

Ele no entanto se recusou a aceitar a ideia de ter chegado tão longe para nada e garantiu que podia enfrentar Nadal. Sem mostrar qualquer limitação, mas exibindo uma proteção no local, não apenas fez uma exibição consistente como encerrou a série invicta de 20 jogos do homem que tentava o quarto título numa temporada mágica. Marcou enfim uma vitória sobre o Big 3, depois de oito frustrações, e agora é o 13º do ranking e o norte-americano mais bem colocado.

A vitória verdadeiramente heroica o tornou apenas o terceiro norte-americano a ganhar um Masters desde 2010, o primeiro a erguer o troféu de Indian Wells desde Andre Agassi em 2001 e o mais jovem campeão do torneio após Novak Djokovic em 2011. O mais incrível: esta é somente a segunda conquista de sua carreira em sete finais, quase três anos depois de Eastbourne.

Fritz, que prometeu se esforçar para segurar as lágrimas a cada entrevista que der agora, possui tênis nas veias, filho da ex-top 10 Kathy May e do treinador premiado Guy Fritz. Cresceu em San Diego e virou mais uma promessa americana em 2015, quando ganhou o US Open, foi vice de Roland Garros e liderou o ranking juvenil, época em que vencia Stefanos Tsitsipas, Andrey Rublev e Denis Shapovalov.

Aos 18 anos, pouco depois de se casar e ter o filho Jordan, fez primeira final de ATP e rapidamente virou top 50. O título na grama britânica o levou aos 25 primeiros mas, apesar de boas campanhas, Fritz nunca deu o salto que se esperava. No ano passado, recuperou-se bem de artroscopia no joelho e adicionou Michael Russell e Paul Annacone, ex de Federer, ao trabalho com David Nainkin. O fruto desse triunvirato se viu desde janeiro, quando Fritz já mostrava ter subido degraus.

Chegou à final com duríssimas vitórias nas terceira e quartas rodadas, em que tirou Jaume Munar e Alex de Minaur no tiebreak do terceiro set, e suou mais três parciais em seguida diante de Miomir Kecmanovic. Parecia difícil existir ainda fôlego diante de Rublev, mas enfim deu o passo inédito num Masters. Antes de obter a quebra que eliminaria o russo, pediu atendimento médico para o tornozelo, porém nem precisou.

Nadal também não estava em plenas condições nesta final, e isso ficou claro no começo instável, que permitiu 4/0 a um Fritz muito agressivo, como havia feito com Rublev na véspera. Depois, o jogo normalizou mas o espanhol contou mais tarde que sentia dificuldade para respirar devido a uma dor na altura das costelas. que já havia se manifestado na véspera. Recebeu atendimento ao final do primeiro set e isso pareceu ajudar, já que começou a outra série com quebra. Não segurou, viu Fritz virar para 3/2 e se segurar num apertadíssimo oitavo game.

Como de hábito, o canhoto espanhol lutou muito, fez lances defensivos incríveis, porém preferiu postura bem mais defensiva quase o tempo todo. Salvou match-point de forma notável, depois reagiu de 1-3 para 5-4 e dois saques a favor no tiebreak. O empate parecia inevitável. No entanto, errou um swing-volley muito fácil para seu nível e Fritz agarrou a oportunidade.

Além de deixar escapar o 37º título desse quilate, o que marcaria novo empate com Djokovic, Rafa também perdeu sua primeira final desde o Australian Open de 2019, numa sequência de 11 sucessos na hora de erguer o troféu, o que inclui quatro Slam e três Masters. De volta ao top 3, descansará nas próximas semanas e só voltará a competir em Monte Carlo.

Swiatek confirma grande momento
Dona de um jogo muito eficiente sobre o saibro, a polonesa Iga Swiatek conseguiu de vez o sucesso em alto nível sobre as quadras duras. Neste domingo, ganhou o segundo WTA 1000 consecutivo, repetindo Doha, e com isso assumiu com justiça o segundo lugar do ranking feminino.

Maria Sakkari de novo falhou na parte mental e amargou mais um vice. Até fez um primeiro set equilibrado, em que teve oportunidades, por duas vezes obtendo quebra antes da adversária.

Mas as duas estavam com dificuldade de sacar e agredir com o forte vento e a decisão de Swiatek de colocar mais efeito no saque e diminuir os erros não forçados se mostrou muito adequada. Ao final, a polonesa teve 10 erros contra 21 de Sakkari, que não achou desculpas sequer no clima ruim.

Assim como aconteceu com Fritz, a trajetória de Swiatek em Indian Wells não foi nada fácil. Marcou três viradas seguidas até atingir as quartas e só então pareceu solidificar a confiança, arrasando Madison Keys e dominando a campeã de 2015 Simona Halep.