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Palavras importantes
Por José Nilton Dalcim
6 de maio de 2019 às 20:18

Nenhum dos grandes nomes do tênis masculino foi para a quadra nos dois primeiros dias de Masters de Madri, mas eles frequentaram as entrevistas e disseram coisas interessantes para aquecer este início de semana. Vamos a um resumo:

Novak Djokovic
Apesar dos resultados pouco satisfatórios desde o Australian Open, o tema da entrevista do número 1 foi Justin Gimelstob. O polêmico norte-americano desligou-se do Conselho da ATP e automaticamente abriu mão da candidatura à presidência. Mas Novak disse que as portas estão abertas quando ele quiser voltar. Nole marcou nesta segunda-feira sua 250ª semana como líder do ranking.

Rafael Nadal
Muito diz-que-diz depois que o Rei do Saibro cancelou treinamento no domingo e também a entrevista oficial de segunda-feira. Falou-se em uma virose estomacal e cogitou-se o abandono. Os ânimos só serenaram quando Rafa foi para a quadra à tarde desta segunda-feira. Os maldosos garantem que foi tudo pretexto para ele ver o jogo do Real no domingo à noite.

Roger Federer
O suíço não poderia ter sido mais escorregadio quando foi questionado sobre a volta ao saibro após três anos. Olhem só: “Não tenho expectativas muito altas, mas também sei que tudo é possível”. Na mesma linha, garantiu que “o saibro exige preparar mais os pontos” para logo imediatamente acrescentar que, na altitude de Madri, não é exatamente bem assim. Só esperando mesmo para ver. Se vencer dois jogos, ele chegará à vitória de número 1.200.

Alexander Zverev
Doença e hospitalização do pai, separação da namorada e uma demanda judicial (supostamente contra seu agente) teriam sido as causas da repentina queda de produção de Sascha. Ele não entrou em detalhes, mas garantiu que viveu tempos difíceis fora das quadras e que agora finalmente conseguiu pensar somente no tênis.

Dominic Thiem
O campeão de Indian Wells e Barcelona falou ao jornal espanhol Mundo e duas frases merecem destaque.  “Costumo dizer a mim mesmo que, se estou 100%, sou um adversário difícil de vencer no saibro”. E depois: “Vencer Nadal em Buenos Aires (isso em 2016) foi essencial para minha carreira”.

Curtinhas
– Nadal, que pegou a chave mais favorável, terá a estreia teoricamente mais difícil entre o Big 3, já que encara o destemido Felix Aliassime. Já Djoko reencontra Fritz, a quem surrou em Monte Carlo, e Federer pega o ‘freguês’ Gasquet, sobre quem possui 17-2.
– Thiem cruzará com outro americano vindo do quali, Opelka, e Zverev aguarda Ferrer ou Bautista. Ou seja, o alemão não deve ter vida fácil.
– Depois de três estreias frustradas seguidas, Khachanov enfim voltou a vencer. Mas Munar teve 3/0 nos dois sets e vacilou.
– CIlic venceu seu segundo jogo desde o Australian Open, tendo evitado quatro match-points diante de
Klizan. Agora, pega Struff. Perigo à vista.
– Stephens gosta mesmo de um saibro e avançou às oitavas ao lado da embaladíssima e atual campeã Kvitova.
– Grande atuação coube a Bertens, que passou com folga pela instável Ostapenko. Outra já classificada é Ash Barty.

E a sensação de Indian Wells é… Venus!
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2018 às 03:08

Falamos tanto da longevidade de Roger Federer e de vários ‘trintões’ que se mantêm tão firmes no circuito que por vezes nos esquecemos dela, Venus Williams. A quatro meses de completar 38 anos, em sua 24ª temporada como profissional, ela continua a esbanjar um invejável vontade de vencer.

A surpresa pela campanha em Indian Wells começa por seu início ruim de temporada, com derrotas na estreia de Sydney e Melbourne. Passa pelo duelo tão emocional contra a irmã Serena ontem, que acima de tudo remontou àquele amargo momento de 2001 em que não entrou em quadra na semifinal e viu Serena ser vaiada no dia seguinte com provocações racistas, motivo pela qual boicotaram o torneio até pouco tempo atrás.

Nesta noite diante de Anastasija Sevastova, 20ª do ranking, Venus demonstrou uma vitalidade exemplar. Mexeu-se incrivelmente bem, lutou por todos os pontos, buscou duas curtinhas difíceis num único game e manteve seu espírito agressivo. Jogou com a mesma seriedade e empenho da véspera diante de Serena. E talvez seja por isso que às vezes nem nos lembremos de que ela está ali há tanto, tanto tempo.

Enquanto isso, a chave masculina apresenta nomes completamente fora dos padrões de um Masters 1000. Vale até dar uma consultada no histórico dessa rapaziada.

Pierre Herbert, por exemplo. É fácil associar seu nome às duplas, já que forma notável parceria com Nicolas Mahut, com quem já ganhou dois Grand Slam. Mas Herbert tem apenas 26 anos. Quem sabe, sua dedicação tão precoce às duplas tenha tirado seu foco. Ele já fez uma final de simples em ATP (2015 em Winston) e figurou no top 70. É orientado por Fabrice Santoro e daí se pode acreditar que ainda haja espaço para ele brilhar nas simples.

Leonardo Mayer, 30 anos, tem um longo currículo em que se incluem dois títulos de ATP e o 21º lugar do ranking em 2015. Com 1,90m e backhand de uma mão, facilmente se adaptou aos pisos mais velozes e esteve a um passo – na verdade, cinco match-points – de eliminar Federer em Xangai de 2014. No seu melhor momento, perdeu metade da temporada de 2016 devido a tendinite no ombro e ainda tenta se recuperar.

O garoto Taylor Fritz tem sido precoce em tudo. Fez final apenas em seu terceiro ATP da carreira (Memphis de 2016) e se casou logo depois, ainda aos 18 anos, tendo um filho, nascido 14 meses atrás. Carrega um gene espetacular, já que sua mãe Kathy May foi top 10. Teve grande carreira juvenil, é treinado por Mardy Fish e ganhou de Marin Cilic 12 meses atrás lá mesmo em Indian Wells. Aos 20 anos e com 1,93m, também foi vítima de longa parada por causa do joelho e por isso deixou o top 100. Voltou nos challengers e já recuperou 40 posições.

Mesmo eliminado nesta noite por Sam Querrey, também vale falar sobre Yuki Bhambri, que saiu do quali. Ele fez parte de um grupo de 40 adolescentes indianos que foi tentar a sorte na academia de Nick Bollettieri, mesma época aliás em que Hyeon Chung, então com 12, chegou lá. Bhambri se destacou logo e, com 16, foi campeão do Orange Bowl e do Australian Open. Em 2015, chegou a 88º do ranking da ATP, mas o tennis-elbow o pegou e o fez cair para além do 500º. Foi jogar futures e hoje se reaproxima do top 100.

Cadê o número 1?
Por José Nilton Dalcim
12 de março de 2017 às 19:41

Andy Murray nem de longe está jogando como um autêntico número 1 do mundo. Onde está aquele tenista tão eficiente do segundo semestre, capaz de atacar e defender, trocar ritmos, buscar bolas impossíveis e encontrar soluções para os mais diferentes adversários?

O Murray de 2017 está irreconhecível. Talvez a derrota para Novak Djokovic na final de Doha tenha feito mais mal a ele do que se poderia imaginar. Foi surpreendido no Australian Open depois de ter o primeiro set na mão, ganhou Dubai aos tropeços após salvar milagrosamente sete match-points e fez uma partida incrivelmente instável na estreia de sábado à noite em Indian Wells.

Até 4/2, Murray era dono da quadra. Bastou escapar um serviço para perder a confiança e aí é claro tem de se dar muito crédito ao corajoso Vasek Pospisil, que seguiu os passos de Misha Zverev, atacou o tempo inteiro com direito a voleios de alta qualidade e confundiu ainda mais a cabeça do escocês. O que mais incomoda não são as derrotas em si, algo normal num esporte tão equilibrado, mas a falta de alternativas que um líder do ranking não poderia deixar de ter.

Para sorte do britânico, Djokovic tem muito pouca chance de somar pontos até Wimbledon e isso deve garantir a ponta ao britânico. Até porque não se sabe como está o próprio sérvio. É uma pena que Stan Wawrinka não tenha determinação para buscar os dois porque esta seria a hora perfeita. O suíço tem chave aberta em Indian Wells e poderia muito bem usar os pisos lentos de Miami, Monte Carlo e Roma para apertar e talvez entrar na briga de vez em Roland Garros. Ele no entanto não parece disposto ao esforço, opção que devemos respeitar.

Espetáculo começa
A queda tão precoce de Murray abriu um buraco gigante na parte de cima da chave. Indian Wells pode ver Goffin, Bautista, Carreno, Cuevas, Fognini ou o próprio Pospisil na semifinal de sábado. E dá oportunidade para muitos outros sonharem com a decisão do título, casos principalmente de Wawrinka e Thiem.

Mas os olhos estão mesmo voltados para o lado inferior da chave. Já nesta terça-feira, dois jogos imperdíveis de terceira rodada: Djokovic x Del Potro e Kyrgios x Zverev. Quem ganhar, aliás, se cruza nas oitavas. A estreia de Nole e Delpo foi semelhante, mas o sérvio jogou bem mais.

Eu arriscaria a dizer que Nole teve a melhor partida do ano, porque foi muito exigido por Kyle Edmund e seus foguetes de forehand. Como nos velhos tempos, Djokovic devolveu com maestria na hora mais necessária, quando o britânico tinha 5/3 e saque no segundo set. Delpo teve muitos altos e baixos no primeiro set. Dois registros: o grand-willy em lob genial e um winner de backhand cruzado como há muito tempo o argentino não fazia.

Federer e Nadal caminham para o reencontro de oitavas de final, mas os jogos de estreia não serviram para muita coisa. O suíço atropelou em 51 minutos com jogo superagressivo e Rafa perdeu dois games de serviço e ainda assim passeou. Agora, o suíço pega Johnson com grande favoritismo – o americano só bate o backhand de slice – e Rafa precisa de mais cuidado com Verdasco, que parece ter renascido em 2017.

A nova geração colocou também Taylor Fritz na terceira rodada, uma bela surpresa em cima de Cilic, e o garotão de 19 anos, que já é papai, pode ir além diante de Jaziri. Mas os candidatos naturais ao duelo de quartas são Nishikori e Dimitrov.

A segunda-feira abre a terceira rodada e vale ficar de olho no canhoto Nishioka, 20 anos, diante de Berdych e ver como Thiem irá lidar com os voleios de Mischa.

Tiro certo
Como dinheiro não é um problema para o dono de Indian Wells, Larry Ellison paga alto para ter os melhores do mundo também na chave de duplas. E a estratégia se mostra um tremendo sucesso. Até mesmo os grandes estádios estiveram lotados nestas primeiras rodadas para ver Murray, Djokovic, Rafael Nadal e tanta gente boa do ranking de simples na batalha pelas duplas. Tenho a impressão que Ellison interfere até mesmo nas parcerias, escolhendo a seu bel prazer algumas combinações inusitadas. Com certeza, é o torneio de duplas de maior sucesso no circuito.

Olho nela
Muito se fala em renovação no circuito masculino, mas quem chama a atenção mesmo no momento é a norte-americana Kayla Day, de 17 anos. Dá gosto de ver a canhota de 1,80m bater na bola. Tem um saque muito respeitável, trabalha os pontos atrás de qualquer chance para um winner, se mexe muito bem. Entrou em Indian Wells com convite por ser 175ª do ranking, mas parece questão de tempo, pouco tempo aliás, para que ela chega ao top 100.