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Será que agora vai?
Por José Nilton Dalcim
29 de março de 2016 às 01:36

Enfim, depois de 10 meses, Grigor Dimitrov voltou a ganhar uma partida expressiva. O búlgaro, que bateu na trave em diversas oportunidades devido exclusivamente a sua falta de confiança na hora decisiva, desta vez não deixou escapar a chance de derrubar o número 2 do mundo.

É verdade que Dimitrov não jogou o melhor que poderia. Teve momentos brilhantes, mas também deu sinais da insegurança. Ainda sim foi mais consistente e incisivo do que Andy Murray, que tem sido uma decepção desde a final da Austrália. Só não perderá a vice-liderança porque contou com a sorte de Roger Federer ter desistido.

Quem sabe, Dimitrov se solte e volte a jogar no nível top 10 de outrora. Seu adversário de oitavas de final é Gael Monfils, ou seja, teremos dois dos tenistas mais atléticos e divertidos em duelo direto. Se jogarem o que sabem, pode ser um show.

Por falar em espetáculo, Nick Kyrgios disparou sua interminável coleção de habilidades diante de Tim Smyczek. O australiano mistura incrivelmente bem força bruta e golpes delicados, bate muito fácil do fundo e melhora a cada dia na rede, sem falar no saque bombástico. Quando se dedica apenas a jogar tênis, encanta. É favorito natural contra Andrey Kuznetsov, mas nunca se sabe como estará sua cabeça.

Um caso parecido com o de Kei Nishikori. O japonês tem dias de Novak Djokovic, como o de hoje em que atropelou Alexandr Dolgopolov e todas suas artimanhas, mas já cansamos de vê-lo atuar como um top 50. Roberto Bautista é muito menos qualificado, porém é um adversário que não entrega nada e isso por vezes basta contra Nishikori.

Quem venceu e novamente não convenceu foi Milos Raonic. Voltou a depender demais do primeiro saque e teve duas vitórias apertadas contra Denis Kudla e Jack Sock. Para sua felicidade, terá pela frente um inexperiente Damir Zhumhur. Confesso que gostaria muito de ver o canadense cruzar com Kyrgios nas quartas.

Já a chave feminina reflete muito o que está acontecendo com o circuito das meninas em 2016, ou seja, uma bagunça generalizada. Seria uma notícia legal caso a nova geração estivesse aproveitando o espaço, mas quando vemos Serena Williams perder de Sveta Kuznetsova, que andava tão desinteressada da carreira, é para ficar intrigado.

Com tanta surpresa e instabilidade, há muitos nomes diferentes nas quartas. Kuznetsova vai duelar com Ekaterina Makarova e quem ganhar pode pegar Timea Bacsinszky, mas Simona Halep é mais cotada. A britânica Johanna Konta também aproveita a brecha e desafia Vika Azarenka, embalada pela grande semana em Indian Wells. Por fim, também brilha Madison Keys, aconselhada agora por Mats Wilander, que tem chance real depois do sufoco que Angelique Kerber passou diante de Timea Babos. Como vemos, diferente, mas nada tão animador assim.

Madri enfeita o saibro europeu
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2015 às 18:49

Kei Nishikori, Petra Kvitova, Andy Murray, Svetlana Kuznetsova. Não são surpresas muito menos novatos, mas é indisfarçável o colorido todo diferente que Madri dá ao saibro europeu. O sábado promete.

Já começa com a hora da verdade para Rafael Nadal. Embora tenha tido atuações quase irrepreensíveis na semana, seus adversários não tinham lá armas para incomodá-lo, e aí eu incluo até o cada vez menos assustador e mais decepcionante Grigor Dimitrov.

Neste sábado, Nadal encara o peso pesado Tomas Berdych, alguém que deve realmente exigir do espanhol frieza, precisão, paciência e correria. Em outros tempos, todo mundo cravaria apostas no canhoto, porque são suas melhores qualidades. Hoje em dia, está mais um pagar para ver.

No entanto, nem com vitória a tarefa de Rafa estará cumprida, especialmente se der Kei Nishikori como adversário de domingo. Não é preciso lembrar do que aconteceu na decisão do ano passado. Haveria um clima inegável de revanche ou de remake.

O japonês merece enormes elogios até aqui. Defendeu muito bem Barcelona, tem atuado ainda melhor em Madri, com direito a exibição soberba sobre David Ferrer nesta sexta-feira. Parece ter nascido sobre o saibro. Ainda falta superar um embalado Andy Murray, o que acrescentará ainda mais a sua campanha.

Mas o grande fato do tênis desta sexta-feira ficou com a inusitada final feminina de Madri. As duas tenistas que andaram dominando o saibro europeu nos últimos anos foram impiedosamente batidas e assim não haverá Serena Williams nem Maria Sharapova na luta pelo titulo, o que apimenta ainda mais Roland Garros.

Petra Kvitova, quando está nos seus dias, é daquelas tenistas que dá gosto ver jogar. A bola sai fácil da raquete, há uma mistura saborosa entre força e jeito. Infelizmente, muitas vezes vimos a tcheca fora de forma e isso tem sido com certeza o que a impede de colocar mais grandes troféus na prateleira.

Sveta Kuznetsova está há muito tempo no circuito. Seu primeiro Slam veio há mais de uma década e desde então já vimos acontecer de tudo com ela. Seu estilo sempre parece um tanto ultrapassado, o que se reflete em várias quedas no ranking e longos períodos apagados, mas essa russa algo especial: um espírito de luta notável.

Prévia para valer – Claro que Madri é um dos grandes torneios do circuito, mas todo mundo sabe que prévia verdadeira para Roland Garros tem sido Roma. Ainda que os jogos masculinos tenham a fundamental diferença de ser ‘melhor de 5 sets’, é muito mais fácil perceber no Fóro Itálico quem está em condições efetivas de ir bem em Paris.

Daí que é bom ficar de olho no andamento da chave. Novak Djokovic retorna com jogos perigosos, tendo eventual sequência de Almagro, Bautista e Nishikori. No mesmo lado ficou Andy Murray, que tem tudo para fazer quartas contra David Ferrer. O caminho parece menos duro para Rafa Nadal, que teria Isner e Wawrinka pela frente antes de cruzar com Federer ou Berdych. Tudo aponta para nova final entre Nole e Rafa, o que seria um notável avant-premiére para o saibro francês.