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Madri enfeita o saibro europeu
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2015 às 18:49

Kei Nishikori, Petra Kvitova, Andy Murray, Svetlana Kuznetsova. Não são surpresas muito menos novatos, mas é indisfarçável o colorido todo diferente que Madri dá ao saibro europeu. O sábado promete.

Já começa com a hora da verdade para Rafael Nadal. Embora tenha tido atuações quase irrepreensíveis na semana, seus adversários não tinham lá armas para incomodá-lo, e aí eu incluo até o cada vez menos assustador e mais decepcionante Grigor Dimitrov.

Neste sábado, Nadal encara o peso pesado Tomas Berdych, alguém que deve realmente exigir do espanhol frieza, precisão, paciência e correria. Em outros tempos, todo mundo cravaria apostas no canhoto, porque são suas melhores qualidades. Hoje em dia, está mais um pagar para ver.

No entanto, nem com vitória a tarefa de Rafa estará cumprida, especialmente se der Kei Nishikori como adversário de domingo. Não é preciso lembrar do que aconteceu na decisão do ano passado. Haveria um clima inegável de revanche ou de remake.

O japonês merece enormes elogios até aqui. Defendeu muito bem Barcelona, tem atuado ainda melhor em Madri, com direito a exibição soberba sobre David Ferrer nesta sexta-feira. Parece ter nascido sobre o saibro. Ainda falta superar um embalado Andy Murray, o que acrescentará ainda mais a sua campanha.

Mas o grande fato do tênis desta sexta-feira ficou com a inusitada final feminina de Madri. As duas tenistas que andaram dominando o saibro europeu nos últimos anos foram impiedosamente batidas e assim não haverá Serena Williams nem Maria Sharapova na luta pelo titulo, o que apimenta ainda mais Roland Garros.

Petra Kvitova, quando está nos seus dias, é daquelas tenistas que dá gosto ver jogar. A bola sai fácil da raquete, há uma mistura saborosa entre força e jeito. Infelizmente, muitas vezes vimos a tcheca fora de forma e isso tem sido com certeza o que a impede de colocar mais grandes troféus na prateleira.

Sveta Kuznetsova está há muito tempo no circuito. Seu primeiro Slam veio há mais de uma década e desde então já vimos acontecer de tudo com ela. Seu estilo sempre parece um tanto ultrapassado, o que se reflete em várias quedas no ranking e longos períodos apagados, mas essa russa algo especial: um espírito de luta notável.

Prévia para valer – Claro que Madri é um dos grandes torneios do circuito, mas todo mundo sabe que prévia verdadeira para Roland Garros tem sido Roma. Ainda que os jogos masculinos tenham a fundamental diferença de ser ‘melhor de 5 sets’, é muito mais fácil perceber no Fóro Itálico quem está em condições efetivas de ir bem em Paris.

Daí que é bom ficar de olho no andamento da chave. Novak Djokovic retorna com jogos perigosos, tendo eventual sequência de Almagro, Bautista e Nishikori. No mesmo lado ficou Andy Murray, que tem tudo para fazer quartas contra David Ferrer. O caminho parece menos duro para Rafa Nadal, que teria Isner e Wawrinka pela frente antes de cruzar com Federer ou Berdych. Tudo aponta para nova final entre Nole e Rafa, o que seria um notável avant-premiére para o saibro francês.