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Cabeça de Nole passa no teste
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2017 às 20:30

A terceira rodada de Roland Garros foi um duro teste para Novak Djokovic, não resta dúvida. E nem tanto no aspecto técnico-tático, mas para seus nervos e determinação. Vento, chuva, árbitro e um adversário lutador ao extremo. Fosse um jogo em três sets, Nole estaria eliminado. Mas cinco sets são um universo totalmente à parte, que ressalta ainda mais a experiência e o físico de cada um.

Diego Schwartzman fez um esforço enorme para se manter competitivo e aos poucos a intensidade foi caindo, caindo… Enquanto Nole manteve o padrão e deu a impressão que jogaria mais um set facilmente.

Quebrou raquete, reclamou, esbravejou mas acima de tudo queria ganhar. Terá de ficar preparado para outra batalha de paciência contra o canhoto Albert Ramos, sobre quem ganhou todos os nove sets disputados. O espanhol suou e usou a regularidade para calar a torcida por Lucas Pouille.

Aproxima-se o duelo de Djoko com Dominic Thiem e o austríaco vem embalado, nenhum set perdido e ainda um adversário veterano pela frente, o canhoto Horacio Zeballos, que se favoreceu do infortúnio de David Goffin. O belga se enrolou na lona, torceu o pé e saiu carregado da quadra ainda no décimo game. Outra cena triste para Roland Garros.

Enquanto isso, Rafa Nadal dá exibições. Fez sua mais fácil partida em toda a história do torneio, um único game perdido. Vá lá que Nikoloz Basilashvili não mostrou qualquer arma e ganhou mais pontos em erros do adversário do que por seus próprios méritos.

Rafa pode ter agora dois compatriotas antes da semi. Roberto Bautista é o próximo, um tenista regular e brigador, mas sem os grandes golpes necessários para superar a ‘parede’. Pablo Carreño viria em seguida. Ele anulou Grigor Dimitrov e tem chances diante de Milos Raonic, que mal jogou diante de Garcia-López. Para ser sincero, o saque do canadense me parece ser o único com capacidade de dar algum trabalho a Nadal neste momento de notável inspiração.

Na chave feminina, as únicas surpresas foram as dificuldades com que Sveta Kuznetsova e Kiki Mladenovic tiveram em suas partidas. A francesa ficou bem perto da derrota para Shelby Rogers. Drama atrás de drama.

Continuo achando que Kuznetsova é a maior candidata à vaga na final nesse lado da chave, apesar da presença de Garbine Muguruza e da deliciosa forma com que Venus Williams se diverte em quadra. Mantém o estilo superagressivo, faça chuva, faça sol, sob os olhares da irmã Serena.

Ranking alert
– A partir de agora, qualquer rodada a mais que Nadal alcance sobre Djokovic significa para o sérvio a perda do número 2. Wawrinka só entra na briga se chegar na semi.
– Apesar da decepcionante derrota, Zverev tem tudo para se manter no top 10. Risco apenas se Monfils for à final ou um campeão muito inesperado, como Carreño ou Bautista.
– Bellucci pode sair como 56º; Rogerinho, de 71º; e Monteiro, 94º.
– Mais uma vitória e Rogerinho será top 100 também de duplas, feito inédito para ele.
– Apenas dois dos top 12 de duplas estão de pé: Bruno e Jamie.
– Bia por enquanto avança para 96º, seu recorde pessoal.

Oitavas a concluir
– Murray ganhou 6 de 9 duelos contra Delpo, mas perdeu 2 dos últimos 3. A tradição mostra jogos duros. Dúvida devido a estiramento, Delpo tenta voltar às oitavas de Paris após 5 anos.
– Wawrinka tem 5-1 nos confrontos contra Fognini e 4-1 no saibro. Paris sempre foi o melhor Slam do italiano, que fez quartas em 2011.
– As únicas duas vitórias de López sobre Cilic vieram exatamente no saibro. Croata busca 100º triunfo no piso e repetir melhor campanha em Paris. Canhoto de 35 anos, espanhol só fez oitavas no torneio de 2004, quando perdeu para Guga Kuerten.
– Diferença de Nishikori no duelo asiático contra Chung é de 65-4 em vitórias de Slam e 323-35 em nível ATP. Mas japonês está com problema nas costas e preocupa.
– Monfils e Gasquet prometem equilíbrio total. Em 14 duelos, 7-6 para Gael. Só se cruzaram uma vez no saibro, em Barcelona de 2011. Imprevisível. Quem vencer, será última esperança francesa na chave.
– Duelo de geração entre Isner (32 anos) e Khachanov (21). O russo ganhou mais jogos este ano no saibro (9 a 7) e Isner no geral (14 a 12). Khachanov tem recorde negativo em tiebreaks em 2017 (6 de 20).
– Verdasco venceu Cuevas em Roland Garros de 2014 em jogo intenso e virada de 2 a 0. Último uruguaio nas oitavas foi Filippini, em 1999. Espanhol já chegou na quarta rodada cinco vezes.
– Fato curioso, tanto Edmund como Anderson nasceram em Johanesburgo. Britânico não perdeu sets ainda. Ex-top 10, sul-africano já passou por duas cirurgias, no ombro e tornozelo.
– Apenas dois dos oito duelos femininos envolvem confronto direto entre cabeças de chave: Halep x Kasatkina, possivelmente o melhor jogo do dia, e Vesnina x Suárez, em que a espanhola ganhou todos os três anteriores.
– Favoritismo para Pliskova e Svitolina. E atenção nas francesas: Cornet desafia Radwanska, contra quem tem terríveis 1 a 7 nos duelos, e Garcia pega Hsieh.

Federer quebra outra barreira
Por José Nilton Dalcim
19 de março de 2017 às 21:07

Depois de acabar com espera longa para ganhar mais um Grand Slam, o suíço Roger Federer também recuperou a hegemonia em Indian Wells. Cinco anos depois do tetracampeonato, ele voltou a conquistar o deserto californiano e encerrou também o jejum de 19 meses sem conquistas em nível Masters. De quebra, superou a marca de Andre Agassi e agora é o tenista de maior idade a vencer um evento desse quilate, aos 35 anos e sete meses.

Faltou é verdade um pouco mais de emoção no 24ª duelo diante de Stan Wawrinka. Houve lances de grande qualidade de parte a parte, mas raros games equilibrados ou longas trocas de bola. O saque dos dois foi muito superior à devolução na maior parte do tempo. Federer cumpriu a promessa e entrou muito agressivo, mas encontrou Stan firme com o serviço. Só foi obter a quebra no 10º game. Uma estatística foi especial: enquanto Roger ganhou 83% dos pontos em que precisou do segundo saque, Stan apenas se deu bem em 27%.

O segundo set melhorou muito, principalmente porque Wawrinka se mostrou menos passivo e tentou tomar mais iniciativa, embora quase sempre com forehand. A bola dos dois andou muito o tempo tempo, favorecidos pelo calor de final de tarde perto dos 30 graus. A rigor no entanto Wawrinka jamais conseguiu ameaçar com seriedade o amigo. Acabou cedendo a quebra definitiva no último game. Muito justo, Federer completou com outro voleio o 25º Masters e o 90º troféu da carreira. Faltam apenas quatro para igualar Ivan Lendl.

Obviamente a pergunta que a maioria quer fazer é se Federer já virou candidato a lutar pelo número 1 do ranking. Calma. Ele soma agora 3.045 pontos na temporada, o que é curiosamente a exata soma dos segundo e terceiro colocados, Rafa Nadal (1.635) e Wawrinka (1.410). Mas enquanto qualquer tenista não atingir pelo menos a casa dos 7 mil pontos, não dá para dizer que ele tenha chance de terminar a temporada na liderança. O patamar médio para isso é de 10 mil pontos.

Dor de cotovelo
Incrível. Os dois líderes do ranking estão sofrendo do mesmo problema, contusão no cotovelo, e não disputarão o Masters de Miami, que começa já na quarta-feira. Tremenda perda para o torneio, mas muito pior para Nole. Atual campeão, ele perderá mais mil pontos na classificação e verá Andy Murray se afastar ainda mais, indo a 4 mil de diferença.

Os dois estão fazendo uma temporada apagada. Decidiram Doha na primeira semana do ano, e a vitória do sérvio parecia animar a briga pela ponta. Mas foram decepções maiúsculas em Melbourne. O escocês ainda ganhou aos trancos e barrancos Dubai, enquanto Djokovic foi batido duas vezes por Nick Kyrgios em plena quadra dura.

Embora ainda seja tão começo de calendário, é um tanto chocante ver Murray na 10ª posição do ranking da temporada, atrás até mesmo de David Goffin e Pablo Carreño, mas pior ainda está Djoko, apenas 18º e com quase metade dos pontos do britânico.

A expectativa é que os dois voltem no saibro lento de Monte Carlo, onde Djokovic foi campeão em 2015 mas perdeu na estreia no ano passado. Murray nunca passou da semi e em 2016 caiu diante de Nadal.

Além deles, Miami também não verá o experiente trio francês formado por Monfils, Tsonga e Gasquet. A ótima notícia é que Thiago Monteiro se livrou do qualificatório e entrou direto. O sorteio da chave acontecerá na segunda à noite e os primeiros jogos masculinos, na quarta. Stan será cabeça 1, seguido por Kei Nishikori. Se Milos Raonic desistir, Federer sobe para cabeça 3 e Nadal, 4. Isso evitaria um novo ‘Fedal’ antes de uma possível final.

Vesnina, um exemplo
Repleto de surpresas ao longo de seus 10 dias, Indian Wells também viu uma final feminina entre duas tenistas com mais de 30 anos, embora de currículos muito distintos. Sveta Kuznetsova ganhou dois Grand Slam, o primeiro deles há quase 13 anos, e Elena Vesnina só agora faturou o maior troféu da carreira.

O fato espetacular é que Vesnina sequer passou da primeira rodada do quali de Indian Wells de 2016. Era 86ª do ranking. Persistiu. “Acho que sou um exemplo para as outras tenistas de que tudo é possível”, garantiu.

Com um tênis ofensivo, Vesnina era bem mais conhecida como duplista, com dois troféus de Slam, o título olímpico no Rio e no Finals de 2016. Nesta incrível campanha em Indian Wells, derrotou a futura número 1 Angelique Kerber e na sequência tirou Venus Williams sempre com tênis elegante e muito empenho. Será pela primeira vez a 13ª do mundo e vira mais uma força na temporada.

Degrau acima
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2016 às 00:46

Nick Kyrgios deu um passo à frente nesta semana em Miami. O australiano, que completará 21 anos dentro de 27 dias, continua mostrando seu amplo arsenal e lutando contra seus fantasmas,  já garantiu sua primeira semifinal de nível Masters 1000 e também a entrada na faixa dos 20 mais bem colocados do ranking.

Jogo ele tem de sobra e nem mesmo o entusiasmado Milos Raonic conseguiu barrar a mistura promissora de saque pesado e golpes de pesado sólidos, profundos e agressivos, a receita que parece ser indicada para o tênis moderno. Não por acaso, já venceu gente como Roger Federer, Rafael Nadal, Stan Wawrinka e Richard Gasquet, além de derrotar duas vezes Tomas Berdych.

O currículo poderia ser muito melhor não fosse o desajuste comportamental, a dose de excessiva raiva e frustração que o fazem perder o controle e os bons modos. Não é nada exagerado afirmar que Kyrgios é tecnicamente superior a Kei Nishikori, seu adversário da semi nesta sexta-feira, em todos os aspectos. Sem falar na capacidade de improvisar. A fragilidade está unicamente na força mental, esse ingrediente tão fundamental que permitiu ao japonês escapar de cinco match-points contra Gael Monfils.

Que jogo estranho, diga-se. Monfils começou muito bem porque se permitiu ser agressivo, mas pouco a pouco voltou-se ao fundo de quadra e aí parecia inevitável a derrota. Com os dois esgotados pelo clima cruel em Miami, o cabeça 6 vacilou, Gael recordou que tinha de bater na bola e teve chances de todos os tipos. Nishikori não se entregou e ganhou na marra. Correto exemplo de gente boa que deveria inspirar Kyrgios, Monfils abriu sorriso e foi à rede abraçar o nipônico, que mal tinha forças para comemorar o feito.

A primeira semifinal masculina, marcada para as 14 horas, terá o duelo entre o favoritíssimo Novak Djokovic contra a boa surpresa David Goffin. O belga chega a duas semifinais seguidas de Masters em piso duro e, tal qual Kyrgios, concretiza uma evolução essencial. Note-se que o saque melhorou e, ainda que seja ainda um tenista de trocas de bola, tem procurado mais os winners.

Djokovic está em sua 12ª semifinal consecutiva de Masters, coisa que data de agosto de 2014. A partida contra Tomas Berdych na quarta-feira foi exigente como sempre, porém o sérvio soube controlar todas as situações. A solidez no fundo de quadra levou o adversário a se desesperar e cometer erros. O backhand especialmente esteve magnífico. É sem dúvida o melhor backhand de duas mãos que já vi em meus 35 anos de tênis.

Ao mesmo tempo, as meninas decidiram suas finalistas. Vika Azarenka confirmou seu grande momento, recuperou a ampla hegemonia sobre Angelique Kerber e entrará sábado como favorita para conquistar o tri em Miami.

A adversária surpreende: a veterana Svetlana Kuznetsova, uma tenista que consegue fazer tudo direitinho e tem um histórico respeitável. Se levar um título um tanto improvável, voltará ao top 10. Duvido que ela própria acreditasse nisso.