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Meio a meio
Por José Nilton Dalcim
26 de março de 2019 às 00:02

Embora esteja longe de ser favorita, a nova geração conseguiu dividir as oitavas de final do Masters 1000 de Miami com os veteranos. Mesmo sem Alexander Zverev, oito classificados estão abaixo da faixa dos 25 anos, com quatro deles com no máximo 21. Melhor ainda, veremos dois duelos diretos da Next Gen.

Claro que Novak Djokovic e Roger Federer continuam como maiores candidatos à final de domingo. O sérvio ainda não jogou seu melhor tênis, mas todo mundo sabe de sua capacidade de elevar o nível quando realmente importa. O suíço por sua vez apagou a estreia ruim com uma exibição muito boa, encarando uma tarde de alta umidade em Miami.

Apesar do evidente momento de desconcentração, Nole também jogou melhor do que na estreia, ainda que tenha perdido um set bobo para Federico Delbonis. O andamento natural da partida era uma vitória fácil em dois sets, mas Djoko desperdiçou vantagens. Quando relembrou do começo da partida, em que batia uma  bola em cada direção com enorme controle, tudo voltou a ficar fácil.

A sequência de Djokovic coloca do outro lado da quadra Roberto Bautista, que o derrotou no começo do ano quando estava jogando muito tênis. O espanhol deu uma queda desde então, porém ainda assim será um teste interessante com suas bolas retas batidas na subida. Também sabe trocar direções e acredito que Djokovic precisará evitar a passividade que o acometeu no domingo. Bautista parece um adversário muito mais perigoso do que John Isner ou Kyle Edmund na eventual rodada de quartas.

O outro quadrante reúne três nomes da nova geração e uma incógnita. Nick Kyrgios continua com um tênis inversamente proporcional a sua irritante conduta. Enquanto faz chover em quadra com variedade invejável de golpes, xinga juiz, briga com torcedor, dá saque por baixo, brinca de forma exagerada com o adversário. Se jogar bem, deve tirar o instável Borna Coric. Já o garoto Felix Aliassime continua em momento mágico, sem jamais abrir mão da agressividade. Nikoloz Basilashvili não faz um grande 2019 e assim há chance para o canadense diante do forte jogo de base do georgiano.

Gostei muito do segundo jogo de Federer porque Filip Krajinovic exigiu o tempo todo. O suíço precisou ser consistente na base e o fez com louvor, principalmente o backhand. Passou alguns apertos e aí o saque funcionou e os voleios foram perfeitos. As condições estavam lentas, e Roger raramente se apressou.

É exatamente dessa paciência na construção de pontos que irá precisar diante de Daniil Medvedev, a quem venceu duas vezes no ano passado mas levou susto em Xangai. Se passar, há chance maior de reencontrar Kevin Anderson, favorito diante de Jordan Thompson e um ‘freguês’ do suíço até a incrível virada de Wimbledon.

Na última parte da chave, se repete o quadro: três garotos contra o experiente David Goffin, com destaque total para o terceiro duelo entre Stefanos Tsitsipas e Denis Shapovalov, o que tem tudo para ser uma constante no futuro do tênis. O outro jogo é bem curioso: Frances Tiafoe andou perdido depois da grande campanha em Melbourne e cruza com Goffin, que nunca mais se achou depois da bolada acidental no olho de um ano atrás. O belga venceu os três confrontos já realizados, porém Tiafoe vem de duas grandes partidas, despachando nesta noite David Ferrer.

Já o torneio feminino caminha para um desfecho de ouro, uma vez que tanto Simona Halep como Petra Kvitova ultrapassarão Naomi Osaka na pontuação do ranking caso atinjam a final de sábado. E como as duas estão em lados opostos, a chance de uma luta direta pelo título e pelo número 1 está aberta.

Halep fez seu melhor jogo das últimas semanas contra Venus Williams, enquanto Kvitova chegou a 26 winners diante de Caroline Garcia. Outra sensação é a taiwanesa Su-Wei Hsieh. Aos 33 anos, emendou a vitória sobre Naomi Osaka com a eliminação de Caroline Wozniacki. É uma autêntica ‘giant killer’. Neste ano, já derrotou Angelique Kerber e Karolina Pliskova, no ano passado surpreendeu Halep e Garbiñe Muguruza.

Como se esperava, acabou o gás da canadense Bianca Andreescu, que já sofreu muito para repetir a vitória sobre Kerber de Indian Wells. A alemã, aliás, se irritou e chamou a garota de ‘drama queen’ na hora do cumprimento, mas a canadense deixou claro que estava mesmo no limite e se arrastou em quadra contra Anett Kontaveit. Mal aguentou jogar nove games.

Ah, essa tal de NextGen…
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2018 às 19:49

Mais um Grand Slam, outra decepção dos principais nomes da chamada nova geração. Alexander Zverev e Nick Kyrgios não irão fazer o aguardado duelo de oitavas de final. Caíram em situações distintas. Enquanto o alemão sentiu o reflexo de uma virose contraída dois dias atrás e ainda se esforçou, o australiano teve uma atuação medíocre e continuou ‘freguês’ de Kei Nishikori.

Não ficou aí. Kyle Edmund mostrou o quanto ainda precisa de maturidade e não soube aproveitar a força do público e um bom início para manter Novak Djokovic sob pressão. E o garoto Alex de Minaur não tem potência para pensar em competir lá no alto nível, muito menos contra Rafael Nadal. Claro que os dois foram batidos por dois campeões e nomes fortes para o título deste ano.

Tudo bem, ainda existem quatro jovens nas oitavas masculinas de Wimbledon. O russo Karen Khachanov, de 23 anos, virou de 0-2 em cima do também garoto Frances Tiafoe mas terá o azar de cruzar com Djokovic, enquanto o canhoto Jiri Vesely, de 24, possui um jogo vistoso e bate muito na bola, porém pegou Nadal. É querer demais deles, lembrando que a grama costuma privilegiar a experiência.

Do outro lado da chave, a Next Gen também sobrevive. Stefanos Tsitsipas, o mais jovem dos participantes, 19 anos, tem um jogo bem casado para a grama. Terá de se virar contra o saque de John Isner, mas não me parece impossível avançar. A surpresa é Mackenzie McDonald, 23, que talvez só esteja lá porque pegou três ‘saibristas’ na sequência. Agora encara o vice de 2016 Milos Raonic, outro universo.

A boa história da semana, no entanto, cabe a Gulbis, que um dia já foi um esperança de renovação. Chegou ao top 10 aos 25 anos, mas uma série de fatores não ajudaram. Talvez o maior deles seja de caráter pessoal, porque as seguidas contusões têm muito a ver com a falta de seriedade com que levou a carreira fora das quadras.

De qualquer forma, é preciso louvar seu talento e também o esforço em continuar no circuito, já que dinheiro não é problema. Vale lembrar que estava perdendo estreia de challenger no saibro pouco antes de tentar o quali de Wimbledon e que também passou o quali de Paris, algo que não é para muitos.

Faz três anos que Gulbis não disputa uma temporada entre os grandes do tênis e em julho do ano passado era o 589º do mundo. E confessa humildemente: “Não esperava ganhar do Zverev depois do terceiro set, mas ele ficou cansado e eu só tive de ser inteligente”.

Halep se culpa
Muita gente saiu em defesa de Dominika Cibulkova e sua ausência entre as cabeças de Wimbledon, mas o destino deu um jeito e de repente a baixinha eslovaca cavou seu buraco na chave e ficou gigante. Depois de tirar Alizé Cornet e Johanna Konta, atropelou Elise Mertens e ainda ganhou de presente a inesperada queda de Simona Halep.

A derrota da número 1 é daquelas coisas difíceis de explicar. Dominava o jogo, tinha match-point, a adversária Su-Wei Hsieh parecia sem forças. E ainda assim não deu. A taiwanesa, que em janeiro tirou Garbiñe Muguruza em Melbourne, é daquelas guerreiras e aproveitou a vacilada de Halep.

A romena disparou contra si mesma. Afirmou ter tido atitude pouco profissional na partida, ao reclamar demais, ficar muito negativa, e que o melhor mesmo é ir para casa e descansar. Hsieh está com 32 anos e de novo nas oitavas de um Slam.

Cenas do sexto dia
– Del Potro teve outro atitude simpática. Ao ver Paire escorregar e falsear justamente a perna já toda enfaixada, correu lá e ajudou o adversário a se levantar. O francês está com contusão no menisco, mas felizmente não houve agravante.
– “Senti como se alguém tivesse me desligado da tomada. Não tinha mais força”, contou Zverev.
– E olha só: Jelena Ostapenko e Ernests Gulbis colocam a Letônia em duas oitavas de um Grand Slam pela primeira vez na história.
– “Decidi este ano aproveitar a vida, saborear morangos com creme, lagosta e hambúrguer; fazer compras”, conta Su-Wei Hsieh.
– Com a saída de Edmund, o tênis britânico fica fora da segunda semana de Wimbledon pela primeira vez desde 2007.
– A imprensa britânica encheu Djokovic de perguntas sobre Edmund. Habilidoso, Nole até desculpou o britânico pelo lance em que claramente a bola quicou duas vezes e Edmund não se acusou.
– Parecia evidente que Kyrgios não estava pronto para ir à quadra. Entrou de calçado azul, o que não é permitido, e trocou o grip da raquete depois do aquecimento. Ninguém avisou o rapaz que não há jogos domingo em Wimbledon?
– Khachanov já disparou 200 winners no torneio! É o recordista até aqui.