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Djokovic acima de todos
Por José Nilton Dalcim
11 de julho de 2021 às 20:32

Foram seis meses mágicos. Vindo de um final de 2020 um tanto frustrante, com a desclassificação no US Open, a dura derrota em Roland Garros e a semi no Finals, Novak Djokovic soube dar a volta por cima. E que volta. Manteve o título em Melbourne apesar das dificuldades físicas em fevereiro, cravou o recorde de semanas como número 1 pouco depois, desbancou o todo-poderoso Rafael Nadal no saibro de Paris e foi muito superior a todos para atingir um incrível sexto título em Wimbledon no espaço de uma década.

Assim, ao se equiparar a Nadal e Roger Federer na tabela de títulos de Slam, todos com incríveis 20 conquistas, Nole ganhou o direito inconteste de ser chamado o ‘maior de todos’. A discussão, pelo menos até o próximo US Open, se torna inócua. Nole tem agora as duas marcas mais importantes do tênis profissional – ranking e Slam -, além de uma coleção de feitos históricos de peso, como o único a somar dois troféus em cada Slam e a façanha inigualável de vencer os três primeiros Slam em superfícies diferentes. Em diversos campos que se pretenda comparar, seus números são mais relevantes: Masters, número 1 ao final do ano, duelo direto.

Claro que a disputa permanece aberta porque nenhum dos Big 3 encerrou ainda carreira e são todos fora de série. Porém, não é preciso grande esforço para perceber que Djokovic é aquele com melhores condições de continuar brilhando em todos os cantos e por mais tempo. Não apenas tem idade inferior a seus concorrentes, como seu jogo se adapta facilmente a qualquer situação. Sua supremacia no topo do ranking dificilmente será ameaçada até o fim desta temporada e a partir de agora ele volta ao seu piso predileto. É o favorito absoluto ao ouro olímpico e ao US Open, e talvez só a própria ansiedade seja barreira para que consiga repetir a temporada inesquecível de Steffi Graf, em 1988.

Por falar em idade, vale ressaltar que ele agora é o segundo mais velho a vencer Wimbledon, aos 34 anos e 50 dias, e passar a somar oito Slam como ‘trintão’, ao menos um em cada um dos quatro torneios, deixando Nadal duas para trás. Também é o que mais fez finais depois dos 30, com nove, tendo venceu sete de suas oito últimas decisões de Slam. Nesta segunda-feira, totalizará 329 semanas como líder e aparecerá como único profissional com US$ 150 milhões embolsados em premiações oficiais.

Sobre a final deste domingo, ele poderia ter simplificado a tarefa caso mantivesse o saque com 5/3 no primeiro set. O começo da partida foi bem nervoso dos dois lados e Nole de novo não teve uma largada mais solta, como aconteceu em quase todo o campeonato. Matteo Berrettini cresceu a partir daí, foi agressivo no tie-break e mereceu a vitória parcial.

Djokovic então fez um pequeno ajuste, recuou um passo na devolução e começou a fazer o adversário jogar mais e mais. As quebras vieram prematuras nos dois sets seguintes. O sérvio de novo falhou na hora de fechar no segundo set, mas desta vez tinha margem e não vacilou. O terceiro viu um momento delicado no 4/2, em que Berrettini teve a passada em dois break-points e não conseguiu a reação. Naquele altura, o sérvio já o fazia se mexer demais para os dois lados. Por fim, veio a quebra essencial no sétimo game do quarto set e o jogo virtualmente terminou.  Djokovic totalizou 21 erros, sendo 11 deles na soma dos três sets vencidos, algo extraordinário.

Berrettini poderia ter feito um pouquinho mais, especialmente quando precisou do saque nos momentos delicados, mas é justamente essa confiança que diferencia os grandes. O italiano deve sair feliz com o vice. É um tenista que sabe jogar em diferentes condições e, se continuar trabalhando o backahnd, poderá sonhar com coisas grandes.

Barty também faz história
Apesar de não ter sido sua melhor atuação, Ashleigh Barty cumpriu o que todo mundo esperava de seu estilo tão vistoso e conquistou no sábado Wimbledon, uma década exata depois de ser campeã juvenil aos 15 anos. Sua capacidade de misturar muito bem força e sutileza é perfeita para a grama, mas por ironia do destino ganhou seu primeiro Grand Slam no saibro, em 2019,ou seja em condições até então impensáveis para a escola australiana.

A final em si teve muito nervosismo, alguns lindos lances mas também erros terríveis dos dois lados. Pliskova começou muito mal e parecia que Barty iria vencer com rapidez, quando quebrou logo de cara no segundo set. A tcheca então se soltou, recuperou e virou o placar, mas perdeu de novo o saque com algumas falhas incríveis. Na hora de sacar para o título, a líder do ranking sentiu o momento, permitiu reação e o terceiro set. Aí por fim justificou a esperada superioridade sobre a tcheca. mas não sem emoções. Precisou ainda salvar um break-point antes de concluir na primeira chance que apareceu.

Mais tarde, na entrevista oficial, Barty revelou que a própria equipe escondeu dela a gravidade da contusão no quadril que a tirou precocemente de Paris neste ano, mas garante que conseguiu jogar Wimbledon sem dores e até considerou isso um pequeno milagre. Adianta que poderá se ausentar algumas semanas do circuito para tentar uma recuperação agora sim mais completa e bem feita. Isso muito provavelmente significa abdicar dos Jogos Olímpicos.

Assim como no masculino, Barty também fez história, dando o primeiro título feminino à Austrália em Wimbledon desde Evonne Goolagong, bicampeã em 1980 então já mãe. Ao igualar os dois Slam de Lleytton Hewitt e superar suas 80 semanas como número 1, Barty já pode ser considerada a maior tenista de seu país dos últimos 40 anos. E soberana no ranking,  tem enorme chance de se tornar ainda neste ano a sétima líder com ao menos 100 semanas na ponta.

Os melhores golpes do tênis profissional (parte 3)
Por José Nilton Dalcim
15 de junho de 2020 às 20:14

Claro que força mental, preparo físico, trabalho de pernas e força bruta não são golpes em si. Mas quem pode negar que sejam componentes primordiais no tênis, quem sabe muitas vezes mais importante do que uma técnica perfeita?

São conceitos também difíceis de mensurar. Força mental tem a ver com administrar frustrações, encontrar soluções táticas, lutar até o fim, superar-se em dias ruins. Movimentação e resistência de certa forma se confundem, porém cobrir bem a quadra é diferente do que aguentar horas de sufoco. Aliás, é fácil perceber que resistência tem íntima ligação com poder mental.

Por fim, resolvi colocar a questão da força bruta em si. Não deixa de ser polêmico, ainda mais porque o tênis de 20, 30 anos não tinha a mesma capacidade de fogo de hoje. Por isso, considerei também a importância disso no estilo e sucesso do tenista em suas épocas.

FORÇA MENTAL
O que pesa muito a favor de Nadal são suas várias voltas por cima na carreira, além do que o saibro naturalmente exige mais da cabeça. Isso explica o voto em Chris Evert.

Masculino
1. Rafael Nadal
2. Novak Djokovic
3. Roger Federer
4. Bjorn Borg
5. Jimmy Connors
Menções honrosas: Pete Sampras e Rod Laver

Feminino
1. Chris Evert
2. Monica Seles
3. Steffi Graf
4. Margaret Court
5. Billie Jean King
Menções honrosas: Martina Navratilova e Justine Henin

MOVIMENTAÇÃO
Confesso que há mínimas diferenças, mas se é verdade que Nadal é mais veloz do que Djokovic, também me parece certo que o sérvio tem um poder de reação e explosão muscular mais incríveis pelo fato de jogar tão perto da linha. Steffi tinha pernas espetaculares para fugir do backhand.

Masculino
1. Novak Djokovic
2. Rafael Nadal
3. Andy Murray
4. Bjorn Borg
5. Roger Federer
Menções honrosas: Lleyton Hewitt, Jimmy Connors

Feminino
1. Steffi Graf
2. Martina Hingis
3. Chris Evert
4. Caroline Wozniacki
5. Kim Clijsters
Menções honrosas: Agnieszka Radwanska, Simone Halep

MAIOR RESISTÊNCIA
O rei do saibro merece a distinção e o estilo mais paciente de trabalhar os pontos exige resistência absurda. Chris Evert jogou num período mais lento, porém era um ‘paredão’ e nunca se cansava.

Masculino
1. Rafael Nadal
2. Novak Djokovic
3. Jimmy Connors
4. Bjorn Borg
5. Andy Murray
Menções honrosas: Guillermo Vilas, Thomas Muster

Feminino
1. Chris Evert
2. Arantxa Sanchez
3. Caroline Wozniacki
4. Svetlana Kuznetsova
5. Elena Dementieva
Menções honrosas: Martina Hingis, Francesca Schiavone

MAIS FORÇA
Sampras teve a meu ver a melhor combinação de força considerando-se todos os golpes e o sucesso maior sobre os demais lhe garante o posto. E ninguém até hoje bateu mais forte que Serena. Mas tanto Kyrgios como Osaka ameaçam esses reinados.

Masculino
1. Pete Sampras
2. Boris Becker
3. Nick Kyrgios
4. Andy Roddick
5. Milos Raonic
Menções honrosas: Tomas Berdych, Dominic Thiem

Feminino
1. Serena Williams
2. Naomi Osaka
3. Maria Sharapova
4. Lindsay Davenport
5. Steffi Graf
Menções honrosas: Martina Navratilova, Samantha Stosur

Os melhores golpes do tênis profissional (parte 2)
Por José Nilton Dalcim
9 de junho de 2020 às 15:11

Não foi nada fácil incluir mais estes quatro tópicos na minha lista dos melhores golpes do tênis profissional e contei com a ajuda imprescindível de Felipe Priante e Mário Sérgio Cruz. Como da outra vez, comentarei principalmente os primeiros colocados ou as dúvidas de cada item.

BACKHAND DE DUAS MÃOS
Não houve dúvida quanto aos primeiros colocados, mas foi um tanto doloroso tirar Borg e Connors, porque eles tiveram sucesso em quadras muito velozes. Como o feminino praticamente todo joga assim, ficou mais difícil e confesso quase não ver diferença entre elas todas.

Masculino
1. Novak Djokovic
2. Andre Agassi
3. David Nalbandian
4. Marat Safin
5. Andy Murray
Menções honrosas: Bjorn Borg e Jimmy Connors

Feminino
1. Serena Williams
2. Kim Clijsters
3. Monica Seles
4. Na Li
5. Victoria Azarenka
Menções honrosas: Garbiñe Muguruza e Maria Sharapova

SEGUNDO SERVIÇO
É preciso avaliar eficiência, variação, coragem nesse item. Provavelmente Nick Kyrgios teria lugar aqui. O feminino privilegiou as mais agressivas.

Masculino
1. Pete Sampras
2. Roger Federer
3. Novak Djokovic
4. John Isner
5. Andy Roddick
Menções honrosas:  Mark Philippoussis e Rafael Nadal

Feminino
1. Serena Williams
2. Venus Williams
3. Pam Shriver
4. Hana Mandlikova
5. Lindsay Davenport
Menções honrosas: Petra Kvitova e Sabine Lisicki

TOQUE
Certamente o tópico mais controverso, e acabei deixando de fora Dustin Brown e Fabrice Santoro. Provavelmente irão contestar a presença de Nadal, mas acho muito justo. O feminino foi um pouco mais fácil, mas quase esqueci da Billie Jean.

Masculino
1. Roger Federer
2. Nick Kyrgios
3. Rafael Nadal
4. Benoit Paire
5. Marcelo Ríos
Menções honrosas: Fabio Fognini e Gael Monfils

Feminino
1. Justine Henin
2. Martina Navratilova
3. Martina Hingis
4. Agnieszka Radwanska
5. Amélie Mauresmo
Menções honrosas: Bethanie Mattek-Sands e Billie Jean King

PASSADA
Todos muito próximos, mas o espanhol ainda me parece o melhor. Muita gente da velha guarda, já que se jogava muito mais na rede então. Idem para o feminino, onde os dois primeiros postos me parecem indicutíveis.

Masculino
1. Rafael Nadal
2. Novak Djokovic
3. Bjorn Borg
4. Jimmy Connors
5. Andre Agassi
Menções honrosas: Ivan Lendl e Andy Murray

Feminino
1. Steffi Graf
2. Chris Evert
3. Arantxa Sanchez
4. Conchita Martinez
5. Simona Halep
Menções honrosas: Angelique Kerber e Serena Williams

DEVOLUÇÃO
Outro item que me pareceu óbvio e talvez a ordem aqui ou ali possa ser mexida. Ou quem sabe acrescentar Tracy Austin nas meninas.

Masculino
1. Novak Djokovic
2. Andre Agassi
3. Jimmy Connors
4. Andy Murray
5. David Nalbandian
Menções honrosas: Bjorn Borg e Lleyton Hewitt

Feminino
1. Serena Williams
2. Monica Seles
3. Steffi Graf
4. Victoria Azarenka
5. Kim Clijsters
Menções honrosas: Chris Evert e Martina Navratilova

Na última série, vamos falar dos outros elementos que não são golpes: movimentação, resistência e mental.