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Nova geração decide seu finalista
Por José Nilton Dalcim
6 de junho de 2021 às 18:07

Quatro jogadores, entre os 22 e 25 anos, irão decidir quem irá pela primeira vez à final de Roland Garros na parte inferior da chave masculina. Daniil Medvedev, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev são top 10 e o mais jovem, Alejandro Davidovich Fokina, acaba de chegar ao top 50 e é a boa surpresa. O russo e o grego farão duelo direto que pode ser o primeiro grande momento deste Aberto francês, enquanto o alemão sai com necessário favoritismo diante do sempre elétrico espanhol.

O histórico é amplamente favorável a Medvedev, o que cria um clima ainda mais interessante para o confronto. O russo venceu cinco vezes seguidas entre 2018 e 2019, uma delas no saibro de Monte Carlo em três sets, até que finalmente o grego quebrou o tabu nas rodadas classificatórias do Finals de 2019, que aliás o embalou para a grande conquista. Neste ano, eles voltaram a se cruzar e Medvedev dominou por 6/3, 6/2 e 7/5 na semi do Australian Open.

No entanto, o favoritismo tende a mudar de lado se pensarmos em Roland Garros. Enquanto o russo enfim faz uma campanha digna após sofrer quatro derrotas consecutivas em estreia, Tsitsipas brilhou no ano passado e atingiu a penúltima rodada, barrado somente por Novak Djokovic e lá no quinto set.

Os dois foram muito bem neste domingo, ganhando com sobras e com placares parecidos até mesmo na dificuldade maior do terceiro set. E Medvedev surpreendeu novamente, ao dominar Cristian Garin com uma variação tática inteligente, em que mesclou paralelas fulminantes com deixadinhas inesperadas, muito solto em quadra. Tsitsipas disparou golpes notáveis da base dos dois lados e sufocou Pablo Carreño nos dois primeiro sets. O espanhol reagiu e abriu vantagem depois, mas o grego soube cortar seu ânimo na hora certa.

É lógico acreditar que Zverev fique à espera dessa batalha para conhecer seu adversário da semi e muito provavelmente ele irá torcer pelo russo, contra quem tem 5 a 4 no geral, mas nunca fora do piso duro. Diante do grego, Sascha sofreu cinco derrotas seguidas, incluindo Madri, até enfim ganhar na decisão de Acapulco meses atrás.

Depois do susto da estreia, em que pareceu sonolento por dois sets, Zverev cresceu dia a dia neste Roland Garros. Após pequeno vacilo ao permitir que Kei Nishikori recuperasse quebra nos games iniciais, passou por cima tendo o saque como grande aliado e sábia postura de jogar o máximo possível pertinho da linha.

Alejandro Davidovich merece respeito, obviamente, porém ainda me parece emocionalmente imaturo para os grandes momentos. Tem feito um belo torneio, com golpes de base muito pesados e excelente preparo físico. Até ameaçou Zverev na quadra dura coberta de Colônia no ano passado depois de levar uma surra no US Open pouco antes, onde ganhou meros cinco games. Tenista de 1,83m, Alejandro treina desde os 11 anos com o mesmo técnico e diz que se inspirou em Roger Federer, mas que tenta imitar Novak Djokovic. De forma inesperada, diz que seu piso favorito é a grama, talvez porque tenha vencido o juvenil de Wimbledon em 2017.

O adeus de Federer
Conforme havia aventado na véspera, ainda na entrevista de quadra, Roger Federer considerou que o esforço de 3h38 para vencer o canhoto alemão Dominik Koepfer foi além da sua atual capacidade física e preferiu abandonar Roland Garros nas oitavas de final. Assim, o italiano Matteo Berrettini terá mais dois dias de folga e fica à espera de Novak Djokovic confirmar o favoritismo e o enfrentar na quarta-feira.

No comunicado divulgado, o suíço diz que duas cirurgias no joelho e um ano de reabilitação o forçam a ter precaução, principalmente no saibro, um piso em que o ato de escorregar sempre causou instabilidade na sua rótula e o fez saltar o torneio por três edições seguidas. Antes de chegar a Paris, ele admitiu a dúvida de ir a Roland Garros, mas acabou optando por jogar na busca de ritmo de competição e teste para suas condições técnicas e musculares.

Dessa forma, é muito provável que o jogo deste sábado, encerrado na madrugada e sem público no estádio, tenha sido o último de Federer em Roland Garros, já que cada vez mais o saibro parece um obstáculo insuperável para seu corpo e seu estilo. Ele deve seguir diretamente para a grama alemã, onde será a atração de Halle dentro de oito dias, na busca pela preparação adequada para Wimbledon, o maior objetivo da temporada em suas próprias palavras.

Esta foi a quinta vez em sua longa carreira que Federer desiste no meio de um torneio e a primeira num Slam.

Nova finalista em Paris
As quedas de Serena Williams e Victoria Azarenka já garantem que haverá uma nova finalista de Grand Slam e mantém a sina recente da chave feminina de Roland Garros de apresentar novidades. A única cabeça que restou na parte inferior da chave é a jovem Elena Rybakina, de 21 anos, que se aproveitou de uma caminhada pouco exigente até fazer uma grande exibição sobre Serena Williams neste domingo, em que competiu em força e ousadia com a veteraníssima tricampeã.

Rybakina nunca havia chegado sequer na quarta rodada de um Grand Slam, enquanto a poderosa adversária jogava a de número 64. Faz algum tempo que Serena não intimida mais as adversárias como antigamente, seja porque há muitas meninas batendo pesado na bola hoje em dia ou porque Serena sente dificuldade clara em se deslocar e se defender. Por isso, a cazaque usou de forma inteligente as paralelas e teve um saque bem efetivo para simplificar vários pontos.

Com grande chance de voltar ao top 20, ela enfrentará agora a renascida Anastasia Pavlyuchenkova. Perto dos 30 anos, a russa volta às quartas de Paris exatos dez anos depois do primeiro e único sucesso no saibro parisiense. E com nova atuação empolgante. Após tirar Aryna Sabalenka com ‘pneu’ no terceiro set, virou em cima de Vika Azarenka esbanjando confiança e inteligência tática. Como é interessante ver uma tenista aplicar deixadinhas e ousar na rede mesmo sobre o saibro.

A outra partida de quartas terá a especialista espanhola Paula Badosa contra a eslovena Tamara Zidansek, esta sim uma grande surpresa. As duas têm 23 anos e fazem maior campanha em Slam, mas nunca se cruzaram. Badosa acabou de ganhar Belgrado e foi semi de Madri. Tirou neste domingo a vice de 2019 Marketa Vondrousova com muito mais disposição de arriscar, anotando 30 winners e 30 erros. A eslovena nunca figurou sequer no top 50, tem apenas dois vices de pequenos WTAs no saibro e lutou 3h21 na estreia deste ano em Paris para tirar Bianca Andreescu.

Os últimos quadrifinalistas
– Nadal e Djokovic tentam chegar pela 15ª vez às quartas de Paris, Sinner e Musetti jamais venceram um top 5.
– Djoko busca 49ª presença em quartas de Slam e Nadal, a 44º. Federer é o recordista, com 57.
– Musetti ganhou todos os oito tiebreaks que jogou em torneios de primeira linha, seis deles em 2021. Na rodada anterior, fez seu primeiro jogo de 5 sets. Djoko é recordista de vitórias em 5 sets, com 30, ao lado de Federer.
– Nadal ganhou os cinco sets no saibro contra Sinner, mas quatro deles foram placares apertados.
– Espanhol soma 32 sets seguidos no torneio e mira de novo o recorde de Borg, que foi de 41 entre 1979-81. Nadal chegou a somar 38.
– Sinner disputa 33ª partida de saibro em nível ATP contra 505 de Nadal, que só perdeu 42 até hoje.
– Struff ganhou 11 jogos no saibro este ano, um a mais que Schwartzman, que tenta chegar pela quarta vez nas quartas de Paris e só ficar atrás de Vilas (com 9) entre os argentinos.
– Alemão conseguiu primeira vitória sobre top 10 num Slam na estreia deste ano contra Rublev
– Em duelo muito jovem, Swiatek tem na teoria um jogo fácil para ir às quartas contra Kostyuk, 81ª do ranking que tirou Muguruza na estreia. Nenhuma delas perdeu set ainda..
– Kenin e Sakkari pode ser o grande jogo feminino do dia. Americana ganhou duas vezes, em 2018, e perdeu jogo estranho em janeiro, tudo sempre em 3 sets. O vice do ano passado dá ligeiro favoritismo a Kenin.
– Krejcikova já está nas quartas de duplas e de mistas e agora tenta outra façanha contra Stephens, depois de tirar Alexandrova e Svitolina em notáveis atuações. Jogo é inédito.
– Duelo de estilos entre Gauff e Jabeur, que estão separadas por um posto no ranking (25 a 26). Tunisiana venceu americana de 17 anos pela primeira vez neste ano em Charleston após duas derrotas e tenta repetir quartas da Austrália-2020.

Nadal é única ameaça ao nº 1 de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
16 de julho de 2019 às 23:34

Com um título, um vice e uma semifinal de Grand Slam na temporada, o espanhol Rafael Nadal é o jogador com condições reais de brigar com o sérvio Novak Djokovic pela ponta do ranking. Ainda que seja possível uma luta direta no US Open, a probabilidade maior é de os dois chegarem próximos ao Finals de Londres e decidirem ali, bem na reta final da temporada, a outra grande honraria do tênis profissional.

Vejamos um ‘passo a passo’ numérico do que pode acontecer nos próximos meses:

1. Canadá e EUA
Embora seja matematicamente possível Nadal superar Djokovic após o US Open, neste momento isso parece bem pouco provável. A temporada que ambos deverão jogar nas quadras duras inclui três torneios; Canadá, Cincinnati e US Open, com total possível de 4.000 pontos.

Para que tenha chance de brigar pelo posto em Nova York, Nadal terá de ganhar os três torneios, o que elevaria seu total em 2.280 pontos e o levaria para 10.225 (defende 1.000 no Canadá e não somaria nada, não jogou Cincy e parou na semi do US Open em 2018).

A Djokovic, no entanto, bastaria ser quartas nos dois Masters e oitavas no US Open para marcar os 900 pontos necessários e repetir os mesmos 10.225. Ele só venceu um jogo no Canadá no ano passado e defende os títulos de Cincy e do US Open.

Mais realista, a melhor situação para Nadal seria ganhar os três torneios em cima de Djokovic – serão cabeças 1 e 2 – e assim ele reduziria a diferença atual em 2.970 pontos e os dois iriam para a fase asiática com vantagem do sérvio de 1.500.

2. Asian Swing
Ainda que consiga essa notável reação, Nadal continuaria com dificuldade de recuperar a liderança nos torneios que ele e Djoko devem jogar na Ásia, mesmo lembrando que a partir do US Open o espanhol não defende mais qualquer ponto no ranking.

A previsão é de Rafa jogar como sempre em Pequim. Djoko já anunciou que irá a Tóquio. O natural é cada um vencer seu ATP 500. Já em Xangai. o sérvio defende os 1.000 pontos e não pode somar. Mesmo um novo título de Nadal sobre Djoko seria insuficiente, porque causaria redução de 1.400 pontos.

3. Piso coberto europeu
Chegaríamos então aos três últimos torneios da temporada. Os dois podem entrar nos 500 de Viena e da Basileia, com chance de somar tudo, mas em Paris o sérvio foi vice e precisará repetir 600 pontos.

Por fim, virá o Finals de Londres, onde Djoko novamente foi vice e defende 1.000 pontos.

4. Corrida simplifica
Como se pode ver, a expectativa por uma briga pelo número 1 só pode ocorrer mesmo lá na reta final do calendário, quem sabe outra vez na arena O2, como aconteceu entre Djokovic e Andy Murray em 2016.

Por isso mesmo, acho que a disputa toda particular entre Djokovic e Nadal pela liderança mereça ser acompanhada não pelo ranking tradicional – onde está bem claro que dificilmente o sérvio perderá o posto antes de novembro -, mas sim pelo ranking da temporada, a tal Corrida para Londres.

Nessa disputa, os números estão bem mais próximos. Djokovic lidera com 6.725, e Nadal está exatamente 500 atrás, com 6.225. Na classificação da temporada, apenas se acrescentam os pontos conquistados e então este será o termômetro mais adequado para saber se o espanhol vai ter ou não a oportunidade de recuperar o topo da lista.

Claro que matematicamente há pelo menos três outros jogadores que podem engordar essa briga: Roger Federer (5.060 pontos em 2019), Dominic Thiem (3.315) e Stefanos Tsitsipas (2.995). Mas qualquer esperança residiria em marcar no mínimo 2.000 a mais que Djokovic e Nadal até o fim do US Open, o que convenhamos é uma tarefa quase hercúlea.

E mais
– Djokovic alcançou a 260ª semana como número 1 e deverá empatar com Jimmy Connors assim que acabar o US Open (268), mirando fatalmente Ivan Lendl (270). Se terminar o ano na ponta, alcançará Sampras (286) na segunda semana de janeiro e aí estará 24 atrás do recordista Federer (310).
– Agora, o Big 3 lidera todas as três primeiras posições dos que ficaram mais tempo no top 2: Federer (528), Nadal (513) e Djokovic (391).
– Faltam 4 semanas para Nadal superar Agassi em semanas no top 10 (747 a 743) e assumir o terceiro posto.

Desafio Wimbledon
Oito internautas apontaram que Djoko venceria Federer na final de Wimbledon por 3 sets a 2, mas quem chegou mais perto do placar foi Bruno Vieira, que cravou 7/5 2/6 5/7 7/6 11/9, em 4h55. Ele poderá escolher entre a biografia de Federer ou de Djokovic, grandes sucessos da Editora Évora.