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Felix e Stef fazem o ‘duelo do futuro’
Por José Nilton Dalcim
20 de junho de 2019 às 18:57

Um dia longo e importante, de tantos jogos enroscados e bem disputados sobre a traiçoeira quadra de grama. Valem algumas rápidas reflexões.

Gigante
Felix Aliassime deu uma nova mostra gigantesca de seu talento. Para quem jogou tão pouco sobre a grama – é apenas seu segundo torneio em qualquer nível – arrancar duas vitórias no mesmo dia em cima de especialistas autênticos como Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios tem de ser considerado notável. Na soma das duas rodadas, que lhe custaram 3h30 de esforço, disparou 34 aces, cravou em média 64% do primeiro saque e venceu 82% desses pontos.

Mais ainda: voleou com competência e não deu a menor bola para o teatro do australiano, que como sempre abusou das reclamações e dos lances espetaculares, mas também da displicência. Nem saque por baixo tirou a concentração do canadense. Verdade seja dita, Kyrgios passou por cima de uma marcação do juiz e deu um ponto de saque ao adversário, a quem cumprimentou com sorriso ao final de um jogo de nível muito alto.

Maduro
Stefanos Tsitsipas, apenas dois anos mais velho e adversário de Felix nas quartas de final, também amadurece a passos largos. A grama talvez seja o piso que mais facilmente seja capaz de levar um tenista à loucura pela rapidez dos lances e a frustração constante que gera, já que perdoa muito pouco as chances desperdiçadas. Mas o grego soube segurar a cabeça quando Jeremy Chardy sacou para o jogo ainda no segundo set, não se desesperou ao deixar escapar a sua oportunidade no set seguinte e fez dois tiebreaks nota 10. Talvez estejamos vendo nesta sexta-feira o segundo capítulo de um duelo que fará história.

Surpresas
A longa rodada de Queen’s foi recheada de ‘zebras’, especialmente a queda de Marin Cilic diante do baixinho Diego Schwarztman. Juro que não consigo entender por que o croata não sobe à rede atrás de seus golpes poderosos, nem mesmo numa quadra de grama. Se não mudar esse comportamento, estará fadado à estagnação, crítica aliás que cabe perfeitamente a Dimitrov. As quartas de final ficaram sem Kevin Anderson, barrado por Gilles Simon, e Stan Wawrinka, que sacou com 5/4 no terceiro set. Porém a vitória de Nicolas Mahut e seus voleios impecáveis foi justíssima.

Jogaço
Como haviam feito na única vez que se cruzaram na grama, Roger Federer e Jo-Wilfried Tsonga mostraram todos os recursos que possuem sobre o piso e duelaram game a game, numa partida intensa e decidida em pequenos detalhes. Grande teste para o suíço, que demorou para ir mais à rede e não contou como deveria com o primeiro saque. Foi interessante ver que Roger optou muito mais por bater o backhand do que dar slices, uma arma poderosa na grama. É favorito contra Roberto Bautista nas quartas. Alexander Zverev se saiu bem diante de Steve Johnson e agora pega David Goffin. Se passar, pode enfrentar outra surpresa da grama, o italiano Marco Berrettini. Observem: o alemão reclama de muitas dores nos joelhos, que sofrem mesmo nesta superfície, ainda mais para quem mede 1,98m..

O campeão voltou
Mais do que a emoção de ver Andy Murray de volta foi comprovar sua qualidade em quadra, ainda que em jogo de duplas ao lado de Feliciano López. O escocês sacou bem, fez ótimas devoluções, mostrou enorme reflexo em pontos difíceis e até se jogou na quadra para tentar voleio. E olha que os adversários eram os respeitadíssimos Cabal-Farah. Andy deixou a quadra com largo sorriso, o mesmo do público e muito provavelmente de quem gosta de um tênis primoroso.

O campeão se foi
Mas a quinta-feira reservou uma péssima notícia: a patinada que deu ainda no primeiro set contra Denis Shapovalov custou caro a Juan Martin del Potro e o argentino, com ruptura na patela direita, terá de ir outra vez para a mesa de cirurgia. Nem deve voltar mais em 2019, uma temporada de apenas cinco torneios e oito vitórias.

Bia dá esperança
Grande vitória de Bia Haddad pelas oitavas do ITF de Ilkley, porque afinal Magdalena Rybarikova já foi top 20 e semi de Wimbledon-2017. Isso mostra que a nossa canhota está fisicamente recuperada, com golpes afiados e assim cresce a esperança de encarar o sempre duro quali de Wimbledon na próxima semana. Antes, enfrenta a experiente e ótima duplista Timea Babos, campeã de Roland Garros há poucos dias.

A nova era da grama
Por José Nilton Dalcim
15 de junho de 2019 às 11:34

Houve um tempo em que tênis sobre a quadra de grama significava dar voleios o máximo possível. O motivo é mais do que simples. Além da velocidade do jogo, a irregularidade do piso recomenda que se evite deixar a bola quicar. Os tempos modernos deixaram essa norma de lado e a final de Stuttgart deste domingo é um exemplo magnífico: Matteo Berrettini e Felix Aliassime se encaram por um título quase inimaginável com um estilo totalmente baseado no primeiro saque e nos golpes de base, em que subir à rede parece proibido.

Reais representantes daquele ‘velho tênis’ ficaram pelo caminho. Dustin Brown fez maravilhas junto à rede durante a semana, mas não aproveitou o match-point que teve para tirar Aliassime, vendo o canadense apostar no saque e nas devoluções o tempo todo. Outro alemão voleador, Jan-Lennard Struff caiu diante de Berrettini neste sábado sem que o italiano tenha tentado um único lance sem deixar a bola quicar.

Nicolas Jarry foi um dos poucos a abusar dos slices e avanços atrás do saque lá em Hertogenbosch, o que funcionou diante do também agressivo Stefanos Tsitsipas porém não foi suficiente para barrar o veterano Richard Gasquet. Também semifinalistas na grama holandesa, Adrian Mannarino e Jordan Thompson são totalmente limitados ao jogo de base. Até aqui talvez o melhor balanceamento entre saque, fundo e rede tenha sido Borna Coric, que também devolve com firmeza. Na hora do aperto, no entanto, o croata jamais saiu de trás e quase perdeu do saibrista Cristian Garin.

Os ATP 500
A próxima semana verá os grandes torneios sobre a grama e teremos a chance de ver se a tendência continua. Queen´s sempre foi considerado o principal aquecimento para Wimbledon até porque o clima e o piso estão na mesma proporção, diferente da superfície mais veloz de Halle.

O torneio britânico não terá qualquer top 5, mas nem por isso está pouco interessante. Só a primeira rodada já trará Tsitsipas x Kyle Edmund, Aliassime x Grigor Dimitrov, Juan Martin del Potro x Denis Shapovalov, Garin x Marin Cilic, Stan Wawrinka x Daniel Evans. Aliás, poderemos ter na segunda rodada duelos como Aliassime x Kyrgios ou Delpo x Feli López. Será que enfim o saque-voleio dominará a cena?

Marcará também os retornos de Kevin Anderson, que saltou todo o saibro e precisa defender o vice em Wimbledon, e principalmente de Andy Murray, na sua tentativa de competir em duplas e sentir se a nova cirurgia de quadril e a prótese metálica ainda lhe darão esperanças de seguir com a carreira de simples. O escocês pretende jogar também em Eastbourne antes de retornar a Wimbledon, onde existem duas expectativas: confiança recuperada ou aposentadoria definitiva.

Halle terá mais top 10 do que Queen’s, mesmo tendo perdido o exausto Dominic Thiem e o machucado Kei Nishikori. O austríaco irá assim diretamente a Wimbledon sem se testar na grama, um piso em que somou uma única vitória no ano passado e que portanto é quase um bônus neste momento. Vale lembrar que ele no entanto já ganhou um ATP no piso.

Claro que as atenções estão nos dois extremos da chave. Roger Federer busca o 10º troféu, mas a final já lhe garantirá a condição de cabeça 2 em Wimbledon, permitindo que evite Novak Djokovic antes de uma possível final e quem sabe ainda veja Rafael Nadal do outro lado da chave.

Reencontra logo na estreia aquele John Millman que o surpreendeu no US Open, tem uma segunda rodada perigosa seja Benoit Paire ou Jo-Wilfried Tsonga. Quem sabe depois venha Gasquet e por fim uma repetição da final de 2018 em que perdeu para Coric, isso se Gael Monfils não se tornar o terceiro francês no seu caminho. É uma trajetória exigente.

Homem da casa, Alexander Zverev joga sob pressão. Decepcionou de novo em Stuttgart e disputa o 10º torneio consecutivo. E não deu sorte. Estreia contra o agressivo Robin Haase e em seguida há chance de enfrentar Philipp Kohlschreiber. Mas se sobreviver, pode embalar para a final. Sascha tem dois vices em Halle, em 2016 e 2017. Parou diante de Coric no ano passado.

Até o último suor
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2019 às 19:15

Foram 389 pontos ao longo de 5h09 de um jogo disputado game a game, mínimas vantagens e sempre uma chance de reviravolta. Melhor e mais relevante: Stan Wawrinka e Stefanos Tsitsipas buscaram o tempo todo tomar a iniciativa e encurtar o tempo do adversário, nem que fosse preciso mirar a linha ou se arriscar num voleio voador. Um duelo daqueles que não se esquece tão cedo, talvez o mais empolgante da temporada até aqui.

Wawrinka precisou dar 284 saques e encarou incríveis 27 break-points, dos quais salvou 21. Talvez o mais importante deles tenha sido ali no finalzinho da partida, 5/5 no quinto set e Tsitsipas grudado na rede, em que o suíço conseguiu o ponto numa segunda tentativa de passada batendo o forehand na paralela num autêntico bate-pronto.

Tsitsipas deu o máximo que podia, jogando-se diversas vezes ao chão para bloquear bolas inalcançáveis. Foi nada menos que 74 vezes à rede sem temer o bombardeio do adversário, somou 61 winners e curiosamente terminou a partida com um ponto somado a mais. Completamente compreensível, o garoto de 20 anos confessou pouco depois ter chorado muito no vestiário. Sinal de grandeza. É essa vontade de vencer que tanto se admira.

Stan fez outra magnífica exibição em Paris, e não apenas por seus golpes de base de cair o queixo ou o sangue frio com que encarou tantas pressões. Também aplaudiu os lances notáveis do grego, incentivou participação da torcida, mandou beijo a uma espectadora e consolou Stef na hora amarga da derrota.

Deixa claro que, aos 33 anos, está definitivamente recuperado na parte física. Talvez seja demais pedir que apareça inteiro para enfrentar o amigo e rival Roger Federer dentro de 48 horas. Não bastasse o histórico de 22 derrotas em 25 tentativas, ainda encontrará o compatriota mais famoso descansado e confiante. Vale no entanto lembrar que a última vitória de Stan sobre Roger foi exatamente nas quartas de Paris de quatro anos atrás na trajetória de seu título inesperado.

Mais um passeio
Federer e Rafael Nadala justificaram amplamente o favoritismo diante dos argentinos. A tarefa do suíço foi ainda mais tranquila porque Leonardo Mayer conseguiu fazer pouco com o serviço. Esperto, Roger pressionou sempre as devoluções, usou o slice à maestria e explorou a rede para concluir games rapidíssimos no mais deslumbrante saque-voleio. Alguém avisou Federer que a temporada de grama só começa dentro de oito dias?

Nadal e Juan Ignacio Londero encararam rajadas de ventos terríveis na Philippe Chatrier e a adaptação não foi fácil. O argentino começou nervoso mas depois se soltou, encarou as trocas sem medo, foi abusado e premiado com uma quebra de saque. O espanhol novamente me deixou ótima impressão: 39 winners, forehand afiadíssimo, backhand batido na primeira oportunidade, um ritmo pesado, envolvente, sufocante. Londero, a certa altura, virou para o box e revelou: não tinha mais fôlego.

Há grande chance de Rafa reencontrar Kei Nishikori, que até já podia ter ido dormir classificado, mas falhou no tiebreak e terá de voltar à quadra para tentar mais um set diante de Benoit Paire.

Stephens supera teste
Aumentou a chance de uma segunda final seguida entre Simona Halep e Sloane Stephens em Roland Garros. A norte-americana também garantiu lugar nas quartas de final ao recuperar um começo ruim e ver Garbiñe Muguruza abrir 3/1. A espanhola no entanto só ganharia mais quatro games na partida.

A tarefa de Stephens continua exigente. Encara agora Johanna Konta, que a venceu dias atrás em Roma mas que nunca foi tão longe em Paris. É outro jogo em que a norte-americana terá de encarar uma adversária que prefere sempre o ataque.

Petra Martic venceu num jogo muito instável diante de Kaia Kanepi, que perdeu inúmeras chances na partida. Pela primeira vez nas quartas, a croata de 28 anos encara a jovem tcheca Marketa Vondrousova. A canhota de 19 anos arrasou Anastasija Sevastova e é mais uma novata que se candidata a surpresa em Paris.

A segunda-feira
– Djokovic pode se tornar o único homem a atingir 10 quartas consecutivas no torneio se passar por Struff. Um dia quente como neste domingo aumenta as chances do alemão. Previsão no entanto é de 25 graus.
– Monfils tenta se igualar a Noah e Leconte como franceses com mais quartas em Paris (5). Nunca venceu Thiem em 4 duelos, 2 no saibro.
– A única presença em quartas de Slam veio em Roland Garros tanto Zverev como para Fognini. Italiano nunca esteve tão perto do sonhado top 10.
– Delpo lidera duelo contra Khachanov por 3 a 0 e tenta 14ª presença em quartas de Slam, aproximando-se assim das 19 do recordista argentino Vilas.
– Esta é apenas a terceira vez na Era Profissional que os 10 principais cabeças atingiram as oitavas de um mesmo Slam, repetindo Paris-68 e Austrália-70.
– Nova geração domina rodada feminina que completa as oitavas de final. Halep é favorita diante de Swiatek (18 anos) e aguarda Anisimova (17) ou Bolsova (21).
– O outro quadrante também tem novidades: Kenin (20), que tirou Serena, e Siniakova (23), algoz de Osaka. Favoritismo da experiência de Barty e Keys.