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Grand Slam festeja em Paris 50 anos de profissionalismo
Por José Nilton Dalcim
26 de maio de 2018 às 17:43

Roland Garros dá largada neste domingo não apenas à 117ª edição de sua longa história, mas também marca os exatos 50 anos desde que os torneios de Grand Slam passaram a ser disputados pelos profissionais, o que em outras palavras significa que foi o exato momento em que os reais melhores tenistas de cada época entraram na disputa dos troféus mais valiosos do tênis.

Como se sabe, receber dinheiro para jogar se tornou pecado mortal a partir de 1926, apenas um ano depois de Roland Garros abrir suas portas aos estrangeiros. E quem assinava contratos eram obviamente os melhores tenistas em atividade, de Suzanne Lenglen a Bill Tilden, de Althea Gibson a Rod Laver. Os ingleses no entanto sempre defenderam a ideia do tênis ‘aberto’ porque sabiam que seus torneios perdiam qualidade.

A Era Profissional de fato poderia ter começado em 1960, já que no ano anterior o All England Club levou proposta de liberação total dos torneios para a Assembleia da Federação Internacional. A sugestão recebeu 134 votos, mas precisava atingir 139. A ideia novamente foi à mesa em 1964, e outra vez derrubada, agora por margem mais larga, de 49 votos.

Três anos depois, a BBC se juntou ao Club e patrocinou um evento na Quadra Central com os oito melhores pros da época que não podiam jogar Wimbledon – nada menos que Laver, Rosewall, Gonzalez, Gimeno, Stolle, Ralston, Hoad e Buchholz. Ofereceu 283 mil libras (nos valores de hoje) e foi um sucesso gigantesco.

A pressão sobre a ITF aumentou e por fim uma reunião em Paris, em março de 1968, autorizou torneios ‘abertos’ em oito países e em três Slam. Bournemouth foi o pioneiro, em 22 de abril, pouco antes de Roland Garros se tornar o primeiro Slam com profissionais e amadores.

Começa a grande festa
Ainda rebaixado ao Slam com menor premiação a ser dividida entre os participantes e único dos grandes campeonatos sem uma quadra coberta para garantir rodadas, Roland Garros inicia o primeiro de seus 15 dias de ação às 6 horas deste domingo. E já irão para quadra gente importante, como o cabeça 2 Alexander Zverev, o número 4 Grigor Dimitrov e a atual campeã Jelena Ostapenko.

Antes de a primeira bolinha ser lançada ao ar, vale uma rápida passada sobre os grandes destaques:

Façanhas para Nadal
– Rafa busca o 11º troféu dentro de um mesmo Grand Slam, algo que apenas Margaret Court obteve em todos os tempos, durante seu longo domínio na Austrália (1960-66, 1969-71 e 1973).
– Espanhol também pode ser tornar único tenista com 11 troféus em três diferentes torneios. A maior marca próxima à dele é de Martina Navratilova (12 em Chicago e 11 em Eastbourne).
– Nadal já tem a terceira maior distância entre primeiro e último troféu de Slam da Era Profissional, com 12 anos e três meses entre Paris-2005 e US Open-2017. Tal marca pode subir para 13 anos, mas curiosamente pode ser superada em caso de título de Maria Sharapova, que assim chegaria a 13 anos e 11 meses.
– A marca de 79 vitórias em 81 jogos em Roland Garros é incrível, mas Nadal tem outra ainda mais notável: ganhou 104 de 106 partidas em melhor de cinco sets sobre o saibro na carreira.
– Ele precisa de apenas mais três vitórias em Slam para igualar Jimmy Connors (233) e alcançar o terceiro lugar na lista. Ele está 10 atrás de Djokovic, porém a 102 de Federer.
– Nadal (e também Wawrinka) pode ser o quarto homem na Era Profissional a ganhar seu terceiro Slam depois de completar 30 anos. Federer, Laver e Ken Rosewaal venceram quatro.

E mais
– Djokovic tenta se tornar o primeiro profissional – e apenas o terceiro na história – a ter ao menos dois troféus em cada Slam, feitos que cabem a Rod Laver e Roy Emerson.
– Ausente dos últimos quatro Slam, Serena Williams busca quatro troféu em Paris, o que a igualará a Justine Henin. Chris Evert ganhou 7 e Steffi Graf, 6.
– Se chegar à final, Djokovic irá superar Federer em vitórias no saibro de Paris (59 a 65).
– Nadal e Djokovic podem duelar na final, o que seria a 25º final entre eles. Atualmente, Nadal-Federer também soma 24 e divide o recorde.
– Esta é a primeira vez desde 2005 que Roland Garros não tem um Big 4 nas duas cabeças de chave. Isso também não acontecia desde o Australian Open de 2006.
– Apenas 10 homens atingiram final de todos os quatro Slam na Era Aberta. Marin Cilic tenta entrar na lista.
– Faz exatos 30 anos que um francês não chega à final de Paris (Henri Leconte em 1988) e 10 desde a última decisão num Slam (Jo-Wilfried Tsonga, na Austrália de 2008).
– Ao entrar em quadra, Feliciano López jogará seu 65º Slam consecutivo e igualará marca de Federer. Fernando Verdasco chegará a 60. Ao mesmo tempo, López e Mikhail Youzhny disputam 18º Roland Garros seguido e igualam Guillermo Vilas.
– Nos últimos 18 Slam, 15 diferentes parcerias levaram título (Soares/Murray estão entre as raras que ganharam dois). Com a contusão de Bob, Mike Bryan jogará com Sam Querrey. Será primeiro Slam em 19 anos sem os gêmeos norte-americanos lado a lado.
– Mahut aumentou o recorde de maior número de convites recebidos em Slam para 12, sendo oito deles em Paris.

Bem vindos
Por José Nilton Dalcim
16 de janeiro de 2018 às 10:05

Jogadores de excepcional qualidade e multicampeões de Grand Slam, Novak Djokovic e Stan Wawrinka enfim voltaram a competir. E a vencer. Sem sustos. O que deixa perspectiva animadora para esse concorrido lado inferior da chave do Australian Open, que viu também as estreias de Roger Federer, Alexander Zverev, David Goffin e Juan Martin del Potro.

Afastado desde Wimbledon, o hexacampeão do Australian Open fez o que quis contra Donald Young, campeão juvenil do torneio que raramente justificou as apostas na sua carreira. Djokovic, no entanto, não precisava dar show mas apenas pegar ritmo e confiança. Foi exatamente o que tentou fazer. Terá idêntica oportunidade na segunda rodada diante do megafreguês Gael Monfils e muito provavelmente diante do canhoto Albert Ramos.

Mais surpreendente foi o retorno de Stan Wawrinka. Para quem colocou dúvidas na sua participação até o último minuto, o vencedor de 2014 mostrou um tênis sólido, ainda que Ricardas Berankis não seja lá um adversário tão perigoso. Gostoso ver Stan empenhado, sem preguiça e usando saque-voleio. Chegou a estar atrás 0/4 no quarto set e se animou em buscar o placar. Encara o pouco gabaritado Tennys Sandgren e pode reencontrar o canhoto Fernando Verdasco.

Mesmo tentando se livrar do favoritismo, Roger Federer foi à quadra para iniciar a defesa do título e fez um grande primeiro set. Depois, relaxou e tentou coisas mais ousadas diante de Aljaz Bedene. Ficou bem claro que o saque está afiado e que tentará ser mais agressivo nas devoluções. Raramente saiu de cima da linha. Pega agora o 55º do mundo Jan-Lennard Struff antes de eventual reencontro com Richard Gasquet. Como se esperava, Milos Raonic não se achou e já está fora do seu caminho.

Com a intenção de ser a novidade, Zverev e Goffin tiveram dificuldades parecidas. Me agradou mais a reação do belga, que perdeu o primeiro set mas manteve a frieza. Sacou cada vez melhor e pegou bolas na subida. Ambos enfrentam adversários bem agressivos na segunda rodada. Dominic Thiem não levou sustos e Juan Martin del Potro fechou o dia com exibição firme.

O feminino teve a queda de duas das 16 cabeças em quadras, com destaque para a saída de Petra Kvitova, mas o destaque veio no susto dado pela torção de tornozelo de Simona Halep, que ainda assim venceu em dois sets. A número 1 fará exames para saber se conseguirá seguir no torneio. Que pena. Ótimas atuações de Garbiñe Muguruza, Angelique Kerber e Maria Sharapova.

E Bia Haddad conseguiu controlar os nervos e fazer história. Não jogou seu melhor, fez um começo sofrível de partida mas por fim justificou sua ampla superioridade sobre a australiana Lizette Cabrera como já havia feito em Hobart.

Primeira brasileira a avançar uma rodada em Melbourne desde o vice-campeonato de Maria Esther Bueno em 1965 – claro que poucas se aventuraram por lá nesse longo período, ainda mais quando era grama -, Bia tem pela frente a experiente Karolina Pliskova, tenista que bate pesado mas se mexe mal. Quem sabe, venha um daqueles dias em que número 6 do mundo não esteja a fim de jogar.