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Bia e duelo Nadal-Kyrgios testam os nervos
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2019 às 18:58

Bia Haddad Maia em quadra logo cedinho para derrubar uma marca de 30 anos para o tênis feminino brasileiro e o reencontro entre Rafa Nadal e Nick Kyrgios no mesmo palco que criou o desafeto há cinco anos são motivos mais do que suficientes para termos uma quinta-feira especialmente nervosa.

A última vez que o Brasil teve uma representante em terceira rodada de Grand Slam foi no especial Roland Garros de 1989, quando Andrea Vieira e Niege Dias avançaram em Paris. Em Wimbledon, temos de recuar até 1982 para as duas vitórias de Patrícia Medrado.

A façanha está nas mãos da canhota paulistana, favorita natural sobre Harriet Dart, um ano mais jovem porém com pequeno currículo, certamente apoiada pela torcida. Antes de entrar na quadra 12 às 7 horas, Bia já sabe que retornou ao top 100 do ranking, de onde aliás não teria saído não fossem as contusões.

O choque entre Nadal e Kyrgios vai bem além da quadra. Ali, cada um venceu três vezes. Cruzaram-se em Acapulco em março, cerca de 18 meses depois do último duelo, e foi uma guerra, vencida no detalhe pelo australiano num jogo tenso, elétrico e cheio de lances espetaculares. Um não gosta do outro, o que se tornou notório pelo tom azedo das declarações que fazem entre si.

Com histórico recente de destemperos agudos, como será que Kyrgios irá se comportar nesta volta ao templo sagrado da Quadra Central? Possui tênis para vencer qualquer um, ainda mais na grama, porém sempre é um mistério nos quesitos físico e principalmente emocional, justamente dois pontos em que o espanhol é um mestre. Tomara que o chão trema apenas com a qualidade técnica que os dois têm de sobra.

Next Gen ainda respira
A abertura da segunda rodada só viu uma pequena surpresa: a vitória do campeão juvenil de 2015 Reilly Opelka em cima de Stan Wawrinka. O mais alto tenista da história – ao lado de Karlovic, com 2,11m – nem fez tantos aces (23) ou voleios (43 de 72 subidas) e se saiu bem também na linha de base, vendo um suíço inexplicavelmente preso demais no sistema defensivo. O gigantão agora enfrentará Milos Raonic, jogo que promete ter mínimas trocas de bola.

A nova geração também sobreviveu com Karen Khachanov, Felix Aliassime, Hubert Hurkacz e Ugo Humbert, mas apenas o russo não está no caminho imediato de Novak Djokovic. O sérvio treinou contra Denis Kudla, dando-se ao luxo de tentar lances acrobáticos ao estilo Kyrgios, e encara Hurkacz antes de eventualmente pegar Aliassime. O polonês de 22 anos e saque pesado não tem grande mobilidade nem experiência na grama, Aliassime sofreu com um resfriado, perdeu um set mas continua como o destaque da turma mais jovem.

Opelka e Khachanov estão no outro quadrante e o russo vislumbra mais chances. Após ótima atuação diante de Feli López, pega Roberto Bautista e, se passar, Benoit Paire ou Jiri Vesely. O norte-americano, ao contrário, pode ter Kevin Anderson depois de Raonic.

Dois ‘trintões’ brilharam na quarta-feira: Fernando Verdasco saiu de 0-2 para frustrar a torcida e tirar Kyle Edmund e o ‘baixinho’ Thomas Fabbiano foi de novo ao quinto set derrubando nada menos que Karlovic. Os dois vencedores se cruzam na terceira rodada e quem passar terá David Goffin ou Daniil Medvedev. Bem aberto.

Outro show de Coco
Duas adversárias escoladas sobre a grama não impediram Cori Gauff de chegar à terceira rodada de Wimbledon, aos 15 anos, e sem perder set desde o qualificatório. Depois de tirar Venus Williams, Coco superou Magdalena Rybarikova, que já fez semi em Wimbledon e ganhou três torneios na superfície.

Nascida em Atlanta com pais de histórico universitário esportivo – o pai jogou basquete e a mãe foi atleta -, Coco se mudou cedo com a família para tentar melhores condições de treinamento em Miami e lá foi observada por Patrick Mouratoglou, que logo a levou para uma temporada em sua academia na França. Mesmo começando o ano perto do 700º posto do ranking, a prodígio já tem dois ótimos contratos publicitários assinados.

Com todos os requisitos para brilhar nas quadras mais velozes, Gauff enfrentará agora a experiente Polona Hercog e, se passar, irá encarar Simona Halep ou Vika Azarenka, que fazem o grande jogo feminino da sexta-feira.

Caminho fica ainda mais livre para Djoko
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2019 às 17:29

Wimbledon não poderia ter começado de forma mais bombástica. Perdeu logo de cara Alexander Zverev, Stef Tsitsipas, Gael Monfils e Grigor Dimitrov, viu a queda de Naomi Osaka e o brilho de uma menina de meros 15 anos.

Não se pode dizer que a derrota de Sascha tenha sido uma real surpresa. Além de viver momento de pouca confiança, ainda encarou logo o ousado canhoto Jiri Vesely, que já esteve duas vezes nas oitavas de Wimbledon e veio embalado do quali. Fez uma exibição rica, desde o saque até o ataque constante e ótima movimentação, arriscando as curtinhas que tanto machucam o alemão.

Mas a derrota do grego estava totalmente fora do prognóstico. Pior ainda: Tsitsipas não jogou mal, embora pudesse ter ido um pouco mais à rede para cortar o jogo de base tão sólido do adversário. O fato é que o italiano Thomas Fabbiano espancou a bola. E olhem só: além de estar com 30 anos, mede apenas 1,73m, teoricamente inadequado para a grama. Que fase incrível vive o tênis italiano.

A lista de grandes nomes a deixar a chave masculina incluiu Gael Monfils e Grigor Dimitrov, ainda que o francês fosse dúvida até o último momento e acabou mesmo por abandonar no quinto set depois de vencer os dois primeiros. Já o búlgaro levou incrível virada do garoto francês Corentin Moutet, outro ‘baseliner’ de ofício.

Quem deve estar achando tudo muito divertido é Novak Djokovic. O tetracampeão até perdeu dois games de serviço, um em cada abertura dos primeiros sets, mas cresceu pouco a pouco e fez um set final bem solto e respeitável diante de Philipp Kohlschreiber.

No seu caminho agora só existe um cabeça de chave até as oitavas: Felix Auger-Aliassime, que acaba de ganhar seu primeiro jogo num Grand Slam.

O outro quadrante ficou bem mais dentro da normalidade, com vitórias firmes de Kevin Anderson, Milos Raonic e Feliciano López, avanços de Karen Khachanov e Benoit Paire, atuação soberba de Stan Wawrinka. O suíço, que não passa da segunda partida em Wimbledon desde 2015, contratou Dani Vallverdu para ajudar Magnus Norman neste fase de grama e se mostrou bem à vontade diante de Ruben Bemelmans.

Momento histórico
Mais jovem tenista a superar o quali de Wimbledon, Cori Gauff tem menos idade do que muitos dos pegadores de bola em quadra. Na estreia, encarou um ídolo de infância, que já fazia sucesso no circuito dez anos antes de ela sequer ter nascido. Nada pareceu incomodar a menina de 15 anos diante de Venus Williams, de 39 e cinco troféus no currículo. Não é nada fácil despontar para o sucesso sobre a grama, e isso só indica que Cori parece ter tudo para uma carreira de destaque. E breve.

A chave feminina também viu a queda de três das 16 principais cabeças logo de início. Favas contadas, Naomi Osaka reencontrou Yulia Putintseva e não se achou em quadra, como aconteceu em Birmingham dias atrás. Com raras exibições decentes desde o Australian Open, a japonesa deixou a entrevista oficial repentinamente, porque estava a um passo de cair em prantos.

Karolina Pliskova, Simona Halep e Elina Svitolina venceram em sets diretos, a derrota de Aryna Sabalenka para Magdalena Rybarikova está longe de ser surpresa. E cuidado com Sofia Kenin, candidata a herdar todo o quadrante de Osaka.

Quadra Central
Para quem não viu ou não leu, sugiro a notícia que fiz sobre a história da legendária Quadra Central.

Wimbledon continua o grande desafio
Por José Nilton Dalcim
30 de junho de 2019 às 08:11

Por ser o mais antigo campeonato e aquele que determinou há mais de 140 anos os moldes do esporte que permanecem até hoje, Wimbledon sempre foi considerado o mais valioso troféu do tênis. A partir da década de 1970, em que os torneios sobre a grama ficaram cada vez mais raros, a importância de triunfar no All England Club apenas cresceu, porque então se criou o verdadeiro desafio de adaptação ao piso. Como bem disse Rafa Nadal, a transição do saibro para a grama, ainda que agora mais lenta do que já foi, permanece a situação mais difícil do circuito.

Grandes nomes como Ivan Lendl, Ken Rosewall, Guillermo Vilas e Mats Wilander ou líderes do ranking do naipe de Jim Courier, Guga Kuerten e Ilie Nastase não conseguiram a façanha. Daí mais uma vez temos a exata noção de quão espetacular é a geração que vivemos: em 2019, já ‘trintões’, Roger Federer, Novak Djokovic e Nadal ainda são os principais candidatos à honraria, somando 14 das últimas 16 conquistas. A exceção do período foi outro notável, Andy Murray.

O feminino tem sido mais democrático e conseguiu mostrar surpreendentes conquistas nesse mesmo período, com Maria Sharapova, Amélie Mauresmo, Petra Kvitova e Marión Bartoli e até mesmo Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber. Elas conseguiram barrar a hegemonia das irmãs Williams, que estiveram em 12 dessas 16 finais. A menos que tenha recuperado a forma física que não mostrou em Paris, há um mês, parece muito difícil que Serena retome a coroa.

Assim, Wimbledon dá a largada nesta segunda-feira com a expectativa de briga direta entre os três maiores ganhadores de Slam, um de olho no outro, todos mirando a marca de Federer, e de uma disputa totalmente aberta entre as meninas, onde a experiência não está com vantagem significativa sobre a juventude.

Números
– Federer marca outro recorde, ao competir em seu 21º Wimbledon.
– Nadal precisa de 3 jogos para chegar também aos 300 feitos em Slam, como já têm Federer (403) e Djokovic (312).
– Feliciano López ampliará seu recorde para 70 Slam consecutivos.
– Com 72 Slam disputados, Serena só ficará atrás dos 82 da irmã Venus.
– Mais 3 triunfos e Federer será primeiro com marca de 350 em Slam.
– Maria Sharapova precisa ir às oitavas para atingir 200 triunfos em Slam.
– Federer somará 185 sobre grama na carreira se atingir as quartas e assim igualará Connors.
– Se não der o Big 3, nem Wawrinka ou Cilic, o tênis masculino verá o 150º diferente campeão de Slam da história.
– Caso seja semi, Federer será primeiro a ter 100 vitórias num mesmo Slam.

E mais
– Os campeões de Wimbledon faturam 2,35 milhões de libras (US$ 3 mi), bem atrás do US Open. A derrota na primeira rodada de simples já vale US$ 57 mil.
– Federer tenta o 9º título individual em Wimbledon, algo que apenas Navratilova possui na história. Djokovic pode igualar o penta de Borg.
– Entre os multicampeões de Slam, Federer e Nadal possuem a maior distância entre o primeiro e o mais recente troféu (14 anos), mas estão atrás de Serena (17 anos).
– Nadal pode ganhar pela terceira vez Wimbledon logo depois de Roland Garros (2008 e 2010), façanha que apenas Borg alcançou (1978 a 80).
– O único fora do Big 3 a ganhar Wimbledon desde o primeiro troféu de Federer em 2003 foi Murray, em 2013 e 2016. A partir de Paris-2005, o Big 3 ganhou 49 dos 57 Slam disputados, incluindo os 10 mais recentes.
– Wawrinka tenta mais uma vez completar sua coleção de Slam, algo que apenas oito tenistas possuem em todos os tempos: Agassi, Budge, Emerson, Laver e Perry são os outros.
– Edmund é a esperança britânica de pior ranking desde Rusedski, em 2006. Ele ocupa hoje apenas o 31º.
– O campeão defensor perdeu na primeira rodada da edição seguinte apenas duas vezes na história do torneio: Santana, em 1967, e Hewitt, em 2003.
– Djokovic ganhou 3 de seus 4 títulos em Wimbledon sem jogar preparatórios na grama. O recordista nesse assunto é Borg, com 5 seguidos.
– Aos 40 anos e 136 dias, Karlovic é o mais velho da chave. Com 18 anos e 340 dias, Aliassime é o mais jovem e o primeiro nascido no ano 2000 a jogar o torneio.

Polêmica dos cabeças
Nadal bateu pesado em Wimbledon por ter sido rebaixado para cabeça 3 e chegou a pedir uma ação da ATP contra o torneio, mas ele desconhece que existe um regulamento que permite a qualquer Slam fazer isso. Para detalhes completos, clique aqui e leia a notícia que escrevi no TenisBrasil.

Teste seu palpite
TenisBrasil lançou como prometido o Desafio Wimbledon. Já está no ar e todo mundo pode votar para o primeiro jogo escolhido, o duelo entre Kevin Anderson e Pierre Hughes. Quem se cadastrou em Roland Garros, pode usar mesmo login e senha. Clique aqui para acessar o Desafio: os prêmios são bem legais.