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Show da garotada
Por José Nilton Dalcim
8 de fevereiro de 2021 às 12:22

A expectativa se confirmou. Denis Shapovalov e Jannik Sinner fizeram o grande jogo da rodada de abertura do Australian Open, onde não faltaram tensão, lances belíssimos, reviravoltas e enorme coragem. É tudo o que se espera dessa novíssima geração.

O canhoto canadense de 21 anos ganhou num apertado quinto set dentro do seu melhor estilo: arriscou 133 bolas, das quais fez 62 winners e 71 erros, mas também insistiu no jogo de rede e ganhou 39 das 53 subidas à rede, algumas delas com voleios exigentes e maliciosos. Denis já se coloca entre os melhores voleadores do tênis atual, sem dúvida, e muito disso tem a ver com sua insistência em disputar as chaves de duplas, o que aliás fará novamente neste Australian Open.

Sinner, de 19 anos, é um tremendo competidor. Talvez por conta do esforço da semana anterior que o levou ao título no sábado, pareceu por vezes não ter energia para mexer de forma adequada as pernas. Mas espanca a bola dos dois lados com desenvoltura e precisão. Faltou aproveitar os break-points, tendo convertido apenas 3 das 20 oportunidades que criou.

Favorito contra Bernard Tomic, Shapo pode ter curioso reencontro com o superamigo Felix Aliassime na terceira rodada e desafiar Diego Schwartzman nas oitavas. É uma caminhada árdua, porém longe de ser impossível num piso consideravelmente veloz onde precisa acima de tudo se livrar da excessiva ansiedade.

Djoko sobrando
Entre os grandes favoritos, Novak Djokovic não fez mais do que um bom treino diante do ‘freguês’ Jeremy Chardy, que perdeu todos os 33 sets disputados entre eles. Mesmo num jogo de placar tão econômico, o número 1 ainda disparou 41 winners, aprimorou a devolução e deu-se ao luxo de brincar na rede. Agora, terá o jovem Frances Tiafoe, a quem nunca enfrentou. O norte-americano já viveu dias melhores, luta para reagir na carreira e joga na base do risco. Bom teste.

Já Dominic Thiem, vice do ano passado, demorou para se achar e muito da culpa esteve na tática assumida por Mikhail Kukushkin, que abusou das paralelas. Mas aos poucos o cazaque perdeu eficiência e Thiem calibrou os golpes. Vem agora Dominik Koepfer, aquele alemão que surpreendeu no US Open de 2019.

Sascha por sua vez suou muito contra o bom Marcos Giron, com tiebreaks nos dois primeiros sets, e só então disparou. Arriscou sempre no saque e foi bastante à rede, elementos que agradaram durante a ATP Cup. Pega agora o quali Maxime Cressy.

A feliz volta de Bianca
Numa segunda-feira em que as grandes candidatas ao título atropelaram, a boa notícia foi o retorno vitorioso da talentosa Bianca Andreescu, que estava fora das quadras há 15 meses por conta de uma complicada contusão no joelho. É bem verdade que precisou de três sets e viveu intensos altos e baixos diante da 138ª do ranking, e então não se pode acreditar numa esticada muito longa neste AO.

Enquanto Naomi Osaka, Simona Halep, Aryna Sabalenka, Petra Kvitova, Serena Williams e Iga Swiatek foram rápidas e eficientes em seus jogos – somente Kvitova perdeu mais do quatro games -, três cabeças foram eliminadas e uma delas causou certo espanto: Angelique Kerber, campeã de 2016, ficou pertinho de perder os 10 primeiros games da também canhota Bernarda Pera. Evitou o vexame absoluto, mas não a derrota. Muito crédito à norte-americana de origem croata, que fez winners incríveis jogando com total determinação.

E mais
– Monfils e Paire foram os primeiros cabeças a cair, mas isso está longe de surpreender. Nishikori conseguiu ser competitivo por dois sets diante de Carreño e Kyrgios passou sem convencer.
– Outro retorno vitorioso a se destacar foi o de Rebecca Marino. A canadense de 30 anos chegou a abandonar o tênis por depressão em 2013, quando se sentia atacada nas redes sociais, voltou em 2018 em pequenos torneios e não disputava um Grand Slam há oito anos.
– Venus e Errani farão curioso duelo de segunda rodada. Elas jogaram cinco vezes, com três vitórias de Williams, mas não se cruzam desde 2015. Há uma diferença significativa de altura (1,85 contra 1,65m) e de força, mas a italiana ao menos deixou de sacar por baixo.
– Mais magro, Wawrinka estreou bem mas admite não estar bem preparado para o Slam. É bem provável que enfrente Raonic na terceira rodada e daí saia o adversário de Nole nas oitavas.
– Serena usou um traje bem chamativo na estreia, mas revelou depois ser homenagem à campeã olímpica Florence Griffith Joyner, que sofreu morte súbita em 1998, quando tinha apenas 38 anos.
– Nadal estreia no começo da madrugada e veremos suas reais condições. Djere, só ganhou 7 jogos de nível ATP na quadra dura em toda a carreira. O início de Medvedev pode ser trabalhoso: Pospisil ganhou 1 dos 3 duelos no veloz Roterdã do ano passado.
– Monteiro tenta manter o embalo do ATP 250 diante do eslovaco Andrej Martin, 103º do ranking aos 31 anos. Jogo será às 21h. Clique aqui para ver a ordem de todos os jogos.

Melhores do ano
Por José Nilton Dalcim
20 de dezembro de 2020 às 20:45

É fato que a temporada 2020 foi a mais estranha de toda a Era Profissional. Calendário encurtado, grandes e tradicionais torneios cancelados, jogadores temerosos provocando ausências de peso nos Grand Slam, ranking modificado… A pandemia provocou confusão e incertezas no tênis profissional, mas a determinação e o desespero dos promotores conseguiram driblar o momento delicado e ao menos houve emoção nos cinco meses em que a bola efetivamente rolou.

Por isso, TenisBrasil seguiu a tradição e coloca em votação sua tradicional enquete de Melhores do Ano, realizada continuamente desde o ano 2000. Muito mais do que apenas coletar opiniões, a pesquisa serve como um grande resumo da temporada, já que lista o que de mais relevante aconteceu ou se destacou.

Como os votos ainda estão sendo computados (clique aqui para votar na mais recente e siga a lista dos demais itens no índice geral), vale aqui dar meu palpite sobre os temas que considero mais relevantes. Obviamente aguardo observações pertinentes.

Fato do ano – As seis alternativas listam os grandes momentos de 2020, como o ‘Fedal’ recordista da África do Sul, o título inédito de Dominic Thiem, a façanha de Iga Swiatek, mas me parece que a disputa fica entre Rafael Nadal, Novak Djokovic e Daniil Medevedev. Eu votei no 13º Roland Garros e 20º Slam do espanhol, deixando logo atrás a sexta temporada de liderança do sérvio e a história campanha do russo no Finals.

Jogo e torneio – O Australian Open marcou três jogos muito interessantes, com destaque para a final entre Djoko e Thiem. Foram notáveis também as duas semis do Finals, mas para mim foi de arrepiar o duelo de terceira rodada entre Coric e Tsitsipas pelo US Open. Já o melhor torneio me pareceu mesmo o Finals, com um nível técnico muito alto.

Treinador – Achei bem interessante a pergunta sobre os técnicos, até porque a lista valoriza dignamente o trabalho que eles realizaram. Meu voto fica com Gilles Cervara, o treinador de Medvedev, porque claramente sabe tirar o máximo de um pupilo que não é nada fácil de domar. Logo atrás, fica Riccardo Piatti e o trabalho com o garoto Jannik Sinner, que para mim foi o que mais evoluiu em 2020.

Decepções e surpresas – Em termos de expectativa, Felix Aliassime me decepcionou, mas no nível mais alto esperava que Stefanos Tsitsipas desse outro grande passo à frente. Houve resultados surpreendentes e dois me parecem acima: Hugo Gaston em cima de Stan Wawrinka na base dos drop-shots e o jogo de risco de Lorenzo Sonego sobre Djokovic em Viena.

Feminino – Cada Slam ficou com uma tenista diferente e Vika Azarenka fez uma notável temporada – e assim merece o destaque como melhor retorno -, mas no conjunto da obra acho que Naomi Osaka foi a melhor de 2020 e também apontaria a final do US Open em que ela venceu Azarenka como a mais importante partida da temporada. Admirável a evolução de Jennifer Brady, porém o título em Roland Garros de Iga Swiatek a coloca como a que mais progrediu. A revelação que mais me agradou é a canhotinha canadense Leylah Fernandez.

Brasil – Bem difícil votar na principal façanha brasileira da temporada, porque Thiago Wild ganhou um ATP aos 19 anos e mostrou todo seu talento. Mas um Slam é um Slam, e assim o bi de Soares no US Open leva meu voto. Wild merece vencer na lista das revelações do ano, muito acima de Carlos Alcaraz e Lorenzo Musetti.

Pandemia – Bem bolada a pergunta sobre o maior beneficiado pela pandemia e a lista de candidatos não é menos perfeita. Como não jogaram nada depois da parada do circuito, em fevereiro, Ashleigh Barty e Roger Federer acabaram especialmente ajudados. A australiana corria risco de perder o número 1 e o suíço, de sair do top 10 com as cirurgias.

Polêmicas – Duas questões abordaram o tema. A primeira, genérica, colocou ótimas alternativas e eu ficaria com a organização desastrada e inoportuna do Adria Tour. Já sobre a frase mais impactante de Nick Kyrgios, deu para se divertir e eu voto na que ironiza a bolada de Djokovic: ‘Se fosse eu, pegaria quanto? Cinco, dez ou vinte anos?’

Nesta semana, prossegue a enquete, mas será a vez das previsões para 2020. Não se esqueça de votar diariamente.

Ao final, haverá um balanço percentual dos votos e, como de hábito, serão comparados à opinião dos especialistas convidados por TenisBrasil a dar suas opiniões.

P.S.: Muitos fizeram contato comigo por email e pelas mídias sociais, justificadamente preocupados com a pane sofrida pelo sistema operacional do Blog entre quinta e sábado. Explico: houve a queda na ‘nuvem’ que hospeda o site e se tornou necessário muito esforço técnico para que nada se perdesse na migração de servidores.

A super década de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2020 às 09:06

Maior colecionador de títulos, incluindo os de Grand Slam, de Finals e de Masters, e detentor dos melhores percentuais de vitórias em todos os campos, o sérvio Novak Djokovic foi de longe o rei da década que se encerra neste 2020. Não por acaso, terminou seis dessas 10 temporadas na ponta do ranking.

Com triunfos de peso em todas as superfícies, Djokovic ganhou nada menos que 87,6% de todas as partidas que disputou entre 2011 e 2020, período que marca seu auge absoluto. Seus mais diretos concorrentes ficaram consideravelmente distantes: Rafael Nadal atingiu 83,8% e Roger Federer, 83,5%. Também ergueu 63 troféus, 20 a mais do que o canhoto espanhol, e venceu 16 torneios de Grand Slam, cinco acima de Nadal. Em nível Masters, foi goleada: 31 a 17.

Vejamos os números que sacramentaram esse domínio incontestável de Nole na década que se encerra:

Títulos gerais
Novak Djokovic – 63 títulos
Rafael Nadal – 43
Roger Federer – 37
Andy Murray – 30
David Ferrer – 18
Dominic Thiem – 17
Juan Martin del Potro  – 15
Stan Wawrika e John Isner – 14
Alexander Zverev, Marin Cilic e Jo-Wilfried Tsonga – 13

Qualidade dos títulos
Djokovic – 16 GS, 4 Finals, 31 Masters, 0 Copa Davis
Nadal – 11 GS, 0 Finals, 17 Masters, 2 Davis
Federer – 4 GS, 1 Finals, 11 Masters, 1 Davis
Murray – 3 GS, 1 Finals, 8 Masters, 1 Davis, 2 ouros olímpicos
Wawrinka – 3 GS, 0 Finals, 1 Masters, 1 Davis
Cilic – 1 GS, 0 Finals, 1 Masters, 1 Davis
Thiem – 1 GS, 0 Finals, 1 Masters
Zverev – 0 GS, 1 Finals, 3 Masters
Medvedev – 0 Gs, 1 Finals, 3 Masters
Dimitrov – 0 GS, 1 Finals, 1 Masters
Tsitsipas – 0 GS, 1 Finals, 0 Masters
Delpo, Isner, Fognini, Tsonga, Ferrer, Sock. Khachanov – 1 Masters

Percentual de vitórias gerais
Djokovic – 87,64
Nadal – 83,86
Federer – 83,56
Murray – 79,42
Del Potro – 74,69
Nishikori – 70,06
Ferrer – 69,78
Raonic – 69,16
Berdych – 68,60
Wawrinka – 67,37

Percentual de vitórias em Slam
Djokovic – 90,56
Nadal – 88,04
Federer – 84,15
Murray – 83,13
Wawrinka – 76,39
Del Potro- 75,00
Berdych – 73,77
Cilic – 73,44
Raonic – 73,33
Ferrer – 73,28

Percentual de vitórias em Masters 1000
Djokovic – 86,67
Nadal – 82,52
Federer – 79,70
Murray – 72,62
Del Potro – 66,67
Zverev – 66,35
Raonic – 65,57
Berdych – 64,67
Nishikori – 63,75
Ferrer – 63,33