Arquivo da tag: Stan Wawrinka

Os favoritos na reta final
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2019 às 20:13

Os três candidatos mais sérios ao título do próximo Roland Garros estão nas semifinais de Madri. Ainda que o saibro da Caixa Mágica, com altitude e bolas diferentes, não seja nem de longe um parâmetro perfeito para Paris, o que parece estar em jogo é muito mais emocional. Novak Djokovic e Rafael buscam uma reação – e um título agora seria espetacular para evitar mais cobrança em Roma -, enquanto Dominic Thiem tem a chance de roubar de vez a cena.

A sexta-feira dos três foi radicalmente diferente. Nole nem precisou entrar em quadra porque Marin Cilic sofreu intoxicação alimentar, Thiem conseguiu outra virada em cima de Roger Federer com direito a dois match-points dignamente evitados num duelo de tirar o fôlego. Rafa esteve impecável no saque, na precisão dos golpes e na visão tática diante de um Stan Wawrinka perdido.

É preciso destacar a mudança de postura de Thiem diante de Federer, algo muito semelhante ao que aconteceu na final de Indian Wells, em março. Dominado no primeiro set, ele passou a jogar mais perto da linha, caprichou no saque e fez o suíço se mexer sempre gerando muito spin dos dois lados. Mais uma vez, Roger jogou em alto nível, encarou um dos grandes do saibro atual, executou um plano tático ousado e chegou aos pontos da vitória. Mas viu o austríaco sacar muito bem – o tiebreak de 15 minutos foi excepcional – e ganhar enorme confiança para um terceiro set em que esteve o tempo todo à frente.

Se pretende sua terceira final seguida em Madri, Thiem precisa agora ganhar pelo terceiro duelo seguido do descansado Djokovic, que lidera no geral por 5-2. Se conseguir, a lógica indica que seu adversário na final de domingo será Nadal. E aí ele terá a chance de derrotar os três líderes do ranking, o soberano Big 3, numa sequência histórica. Será?

Acredito que Nadal tenha recuperado grande parte de sua confiança com as três vitórias em Madri, e ainda mais por atropelar um adversário da qualidade de Wawrinka. Porém, ao mesmo tempo ele pode entrar em quadra neste sábado com o pequeno fantasma de ter sido eliminado nas duas semifinais que fez no saibro nas últimas semanas, em Monte Carlo e Barcelona. E a ansiedade é um dos maiores inimigos de qualquer tenista.

Stefanos Tsitsipas já teve três experiências diante de Nadal, o que é sempre valioso, mas somente em uma conseguiu ser competitivo, na final inesperada que fez no Canadá no ano passado. Sobre o saibro de Barcelona e ainda mais em Melbourne de janeiro, viveu um pesadelo. Embora tenha golpes de base que claramente amadurecem, Stef gosta mesmo é de atacar e a altitude de Madri ajuda. Usou excepcionais voleios para barrar o atual campeão Alexander Zverev nesta sexta-feira, num jogo intenso e de qualidade muito boa.

Limitado a treinar, Djokovic deve ter assistido a isso tudo. O quanto a parada forçada será boa ou ruim, teremos de esperar para ver. Se ficou livre de qualquer pressão e enfim faz uma semifinal de Masters na temporada, não ir à quadra quebra totalmente o ritmo de competição. Mais do que nunca, sua longa experiência em momentos importantes terá de fazer diferença.

Grande final feminina
A holandesa Kiki Bertens terá sua segunda chance de ganhar Madri neste sábado e, ao mesmo tempo, adiar outra vez a oportunidade de Simona Halep retornar à liderança do ranking. A romena gosta mesmo do saibro veloz e já vai em busca do terceiro título em quatro edições na Caixa Mágica.

Aos 27 anos, Bertens vive grande momento no circuito. Utiliza bem seu 1,83m para buscar um jogo ofensivo, embora não seja afoita. É um contraste com a preferência de Halep pelos contragolpes e assim deveremos ter um duelo de estilos e táticas dos mais interessantes. O histórico confirma isso: 3 a 2 para Halep.

Sem ainda perder sets na semana, incluindo a ótima vitória sobre Petra Kvitova, Bertens também tem seu sonho de ranking e chegará pela primeira vez ao top 5 caso conquiste seu nono e maior troféu. Se erguer o 19º da carreira e o primeiro da temporada, Halep chegará ao número 1 pela terceira vez.

Curtinhas
– Incansável, Tsitsipas disputou à noite a semi de duplas ao lado de Koolhof e se esforçou: perderam no match-tiebreak para Rojer/Tecau, que mais cedo viram Medvedev se contundir e deixar Demoliner na mão.
– Thiem também está na semi de duplas, junto a Schwartzman, e joga depois das simples contra Pella/Sousa.
– Federer entrou na chave de Roma, mas diz que só irá decidir pela ida ao Foro Itálico no fim de semana. No seu lado da chave ficaram Tsitsipas ou Fognini e depois Nadal ou Thiem. Até mesmo a segunda partida contra Coric ou Aliassime pode ser dura.
– O caminho de Djokovic tem Cecchinato nas oitavas, Medvedev nas quartas e Zverev, Monfils ou Nishikori na semi.
– Gente boa de saibro, como Lajovic, Jarry, Hurkacz, Munar e Klizan, terão de jogar o quali.
– O Premier romano tem como grande atração a presença da tricampeã Serena, que fará seu único preparativo para Roland Garros. Entre as melhores, apenas Kerber ficou de fora por contusão.

Madri define o melhor do ano
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2019 às 18:46

Os cinco tenistas que mais somaram pontos na temporada avançaram às quartas de final do Masters 1000 de Madri e isso significa que a liderança do ranking desde janeiro, a chamada Corrida para Londres, estará totalmente aberta nos próximos três dias. Novak Djokovic tem no momento apertada vantagem de 125 pontos sobre Roger Federer, que por sua vez está 135 à frente de Rafael Nadal. O curioso é que tanto Stefanos Tsitsipas como Dominic Thiem podem ultrapassar o Big 3, embora para isso agora dependam do título.

Thiem já terá duelo direto contra Federer no jogo mais interessante desta sexta-feira, que remonta à recente final de Indian Wells, em que o austríaco jogou demais. O serviço foi seu ponto alto do duelo contra Fabio Fognini. O italiano desperdiçou um set-point que poderia ter mudado tudo. Thiem está com a confiança lá em cima e adora Madri, onde foi finalista nos dois últimos anos.

Federer por sua vez abusou de sua habilidade junto à rede para virar um terceiro set que parecia perdido contra Gael Monfils. O francês não jogou nada e levou um ‘pneu’, mas de repente entendeu que teria de ser agressivo e aí virou outro jogador. Chegou a ganhar cinco games seguidos entre o final do segundo set e o início do decisivo, liderando até 4/1. Mas parece ter acreditado que o suíço não tinha mais pernas e jogou passivamente um game crucial. Esperou por erros que não aconteceram e de repente tudo já estava empatado.

Veio então o grande momento da partida. Com Monfils concentrado e mesmo sem acertar primeiro saque, Federer parecia estar numa quadra de grama. Jogou pontos de extrema pressão na base do saque-voleio, incluindo os dois match-points que evitou antes do tiebreak.E manteve a postura até concluir a vitória de número 1.200 da carreira. Grande espetáculo.

Pouco antes, Djokovic foi exigido pelo ‘freguês’ Jeremy Chardy, que chegou a ter break-point para enfim ganhar um set do número 1. Mas nessas horas a frieza do sérvio aflora. Sacou firme no backhand, virou o game e dominou o tiebreak. Em busca enfim de uma semifinal de nível Masters na temporada, o que escapou em Indian Wells, Miami e Monte Carlo, encara outro velho conhecido. O croata Marin Cilic só ganhou 2 de 19 duelos diante de Nole e avança aos trancos e barrancos no saibro madrilenho, já com três partidas no set decisivo. Lesle Djere teve tudo para vencer, mas saiu completamente de jogo quando tinha uma quebra e um break-point à frente no segundo set.

A nova geração foi barrada outra vez por Nadal. Havia preocupação com seu saque, já que o golpe não funcionou bem em Monte Carlo e Barcelona e é essencial na altitude de Madri, mas até aqui o espanhol saiu-se muito bem. Sua capacidade de cobrir rapidamente a quadra e buscar ângulos deu poucas oportunidades para Frances Tiafoe, que fez até um segundo set competitivo. Agora acontece o reencontro com Stan Wawrinka. O suíço foi muito superior a Kei Nishikori, porém barrar Nadal é outro universo. Terá de assumir riscos o tempo inteiro e evitar a correria.

Tsitsipas é o quarto representante do backhand de uma mão nestas quartas de final. Vem do título no Estoril e faz uma temporada muito mais sólida do que o alemão Alexander Zverev. O atual campeão sobreviveu a duras penas. O bom Hubert Hurkacz sacou com 4/3 no segundo set e depois abriu 2/0 no terceiro. Os top 10 da NextGen irão se cruzar já pela terceira vez, a primeira no saibro, e cada um venceu uma partida.

Número 1 aberto
A liderança do ranking feminino também está em jogo nestas rodadas finais do Premier de Madri, tudo graças à grande reação de Belinda Bencic no terceiro set diante de Naomi Osaka, ganhando os últimos quatro games. A japonesa, que havia vencido o primeiro set, sacou para a vitória com 5/3 no terceiro.

Vivendo outra vez um grande momento na ainda curta carreira, Bencic vai cruzar justamente contra a postulante ao trono, Simona Halep. A romena dominou Ash Barty, mas precisa do título na Caixa Mágica para ir ao topo pela terceira vez.

A suíça venceu todas as top 5 que encarou nesta temporada, incluindo a própria Halep rumo ao grande título de Dubai. Já é novamente top 15, com méritos.

A outra semi ficará entre Kiki Bertens e Sloane Stephens. A holandesa de 1,82m se vingou da derrota sofrida para Petra Kvitova na final do ano passado e também na semi de Stuttgart dias atrás. Será um duelo interessante contra o estilo mais defensivo e cadenciado da norte-americana, em sua melhor campanha de 2019.

Curtinhas
– Sete dos atuais top 10 estão nas quartas masculinas, sendo os cinco líderes. A exceção é Wawrinka, que ao menos já garantiu o retorno à faixa dos 30 primeiros. Mesmo derrotado, Fognini alcançará outro recorde pessoal com o 11º posto.
– Thiem tem 3-2 no histórico contra Federer, com uma vitória em cada piso. A do saibro veio nas oitavas de Roma de 2016, exatamente o último jogo do suíço sobre a terra antes desta semana.
– Esta é apenas a segunda presença em quartas de Zverev no ano (foi vice em Acapulco). A boa notícia é que não deixará o top 5 mesmo se perder. O grego realiza melhor campanha em Masters desde o vice inesperado de Toronto em 2018.
– Depois de perder 14 vezes seguidas, Cilic venceu dois dos últimos cinco jogos contra o amigo Djokovic, e mesmo essas derrotas recentes foram apertadas.
– Vantagem semelhante tem Nadal sobre Wawrinka: 17 a 3. O suíço no entanto não ganha desde Roma-2015, sua única vitória na terra sobre o espanhol. Na final de Madri de 2013, Rafa fez 6/2 e 6/4.

Ferrer mostra ao tênis que vale a pena lutar
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2019 às 20:24

Ferrer nasceu David, um nome escolhido com precisão. Sem ter qualquer golpe espetacular, capaz de facilitar definição sem esforço de pontos, ele precisou trabalhar duro ao longo de duas décadas de carreira profissional para derrotar os Golias que apareceram pela frente. Encerrou nesta quarta-feira sua trajetória no circuito internacional com números de fazer inveja, principalmente por ter encarado a mais dourada era do tênis masculino já vista.

Dono de 27 títulos individuais e uma coleção de vices imponentes, é injusto dizer que ‘Ferru’ foi um saibrista. De seus 27 títulos, 12 foram no sintético e 2 na grama. Fez seis semifinais de Grand Slam e só duas delas em Roland Garros, além de ter atingido pelo menos quartas em todos eles. Claro que seu grande momento foi o vice em Paris, mas ele também decidiu o Finals e ganhou Bercy na quadra dura coberta. Aliás, das sete finais de Masters, somente duas vieram na terra. Em que pese seu 1,75m de altura, encarou o desafio de mudar o estilo, pegar bola na subida, jogar sobre a linha e treinar voleios.

Esse esforço de progresso técnico lhe deu um grande período de auge e em plena vigência do Big 4, tendo atingido o terceiro lugar do ranking em julho de 2013. Forjou uma invejável coleção de vitórias sobre os grandes, invariavelmente marcadas por dedicação física e emocional extremas. Derrotou seis vezes Nadal, Murray e Del Potro; bateu Djokovic em cinco duelos; Wawrinka, Roddick e Ferrero, em sete, além de três sobre Hewitt. Seu maior freguês foi Fognini (11-0). Venceu 54 adversários então no top 10, três deles como líder do ranking (Andre Agassi, Nadal e Djokovic).

A grande frustração foi jamais ter derrotado Federer em 17 tentativas. “A forma com que ele mudava o ritmo me deixava maluco. Sei que o fiz suar, mas nunca consegui derrotá-lo”, contou recentemente. Na mesma entrevista, garante que o Big 4 o puxou para cima e que Rafa sempre foi um espelho para ele. Agradeceu a ajuda recebida de Ferrero, que “me deu conselhos e abriu suas portas”, algo que ele faz hoje com Roberto Bautista. “Houve momentos na minha carreira em que não sabia que rumo tomar”.

Todo mundo conhece as histórias de seu início, em que chegou a abandonar a raquete – até os 24 anos só havia vencido dois ATPs 250 no saibro – e ir trabalhar de pedreiro, retornando assim que descobriu como a vida fora do tênis era tão mais árdua. Nem do fato de que fumou cigarros a maior parte do tempo, contraste curioso para sua fenomenal resistência física. Ferrer não guarda mágoas. “Não sei se teria vencido um Slam em outra época, não há como saber isso”, diz. “O que mais sentirei falta é da adrenalina dos jogos. Isso é insubstituível”. Vale conferir a biografia mais completa do espanhol de 37 anos feita por Mário Sérgio Cruz no TenisBrasil.

O tênis no entanto não ficará muito tempo sem Ferrer. O primeiro passo da aposentadoria é viajar o mundo “desta vez com calma, curtindo com a família”, mas ele deixa claro que gostaria muito de comentar jogos e quem sabe treinar garotos de 10 a 16 anos, para quem acredita ter muito a ensinar. Questionado a resumir sua carreira, ele afirmou: “Estes 20 anos passaram rapidamente, mas porque eu fui feliz”.

A quarta-feira
– Nadal afastou quem temia por seus problemas de saúde. O saque evoluiu, permitiu que jogasse mais com o forehand e Aliassime errou muita bola fácil. Agora vem outro NextGen, o mesmo Tiafoe a quem atropelou em Melbourne em janeiro.
– Monfils fez um dos lances mais geniais dos últimos tempos, virou contra Fucsovics e fará interessante duelo contra Federer. Os dois não se cruzam desde junho de 2015 e o placar é um tanto apertado: 9 a 4 para o suíço.
– Fognini confirmou e teremos então um duelo direto contra Thiem, os dois que ousaram bater Nadal no saibro nas últimas semanas. Será apenas o quarto duelo, com 2-1 para o austríaco. Fognini venceu em Roma no ano passado.
– O terceiro grande jogo da quinta-feira é Wawrinka contra Nishikori. Suíço jogou muito bem, o japonês suou mais do que o necessário. Stan tem 6-4 e venceu os dois últimos.
– Chardy ganhou o direito de enfrentar Djokovic nas oitavas. Perdeu todos os 28 sets em 12 confrontos. E pode dar duelo sérvio nas quartas: Djere tirou um Delpo sem pernas nos games finais e desafiará Cilic.
– Zverev, que aposentou Ferrer, enfrenta o ascedente Hurkacz e quem passar terá Tsitsipas ou o bom e velho Verdasco.
– Quartas de final bem interessantes no Premier, a começar pelo duelo de estilos de Halep x Barty e de Osaka x Bencic. A romena marcou ‘bicicleta’ contra Kuzmova. Se japonesa avançar, mantém o número 1.
– Muito promissor também Kvitova x Bertens, que sequer perderam sets até agora e reeditam a final de Madri do ano passado. Tcheca tem 3-2 nos duelos. Stephens cometeu 45 erros, mas é favorita diante de Martic.