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Medvedev, o novo ironman russo
Por José Nilton Dalcim
17 de agosto de 2019 às 00:27

Se competir em alto nível por dois torneios seguidos tem sido difícil no circuito masculino atual, imagine então o que é disputar 14 partidas de simples em três semanas sucessivas, com duas finais e agora uma semi. E olha que o piso duro, como os de Washington, Montréal e Cincinnati, machuca mais o corpo do que qualquer outro.

Daniil Medvedev está surpreso até consigo mesmo pela qualidade e tenacidade de seu tênis, a ponto de sequer ter perdido sets em Cincy até agora. Na verdade, ele ganhou nada menos do que 24 dos 28 sets que disputou nessa trajetória incrível na temporada de verão da quadra sintética.

Esta foi sua 42ª vitória em 58 jogos na temporada, lembrando os ‘ironmen’ russos, como Yevgeny Kafelnikov e Nikolay Davydenko. Contemporâneo de Guga Kuerten, Kafelnikov assombrou mais de 80 partidas feitas por seis temporadas seguidas, chegando a 105 tanto em 1995 como em 1996.

É importante observar ainda o estilo um tanto atípico de Medvedev, com opção por bolas muito retas dos dois lados, saque forçado e movimentação admirável para quem mede 1,98m. Será suficiente para repetir a inesperada vitória sobre Novak Djokovic no lento saibro de Monte Carlo de abril? É uma boa pergunta, e eu diria que sua chance está num alto percentual de primeiro saque e na determinação de arriscar backhand na paralela o mais cedo possível.

Se Medvedev atropelou o amigo Andrey Rublev, que não foi sequer sombra do tenista veloz e determinado que surpreendeu Roger Federer na véspera, Djokovic foi exigido por um primeiro set de grande qualidade de Lucas Pouille, mas deu pequeno susto ao pedir atendimento para o cotovelo direito no finzinho da partida. Felizmente, completou a vitória nos dois games seguintes sem sinal de dor.

Tenista de recursos, Pouille foi totalmente diferente daquele que levou surra em Melbourne. Sacou bem, ousou na rede, usou curtas e forçou paralelas. Falhou na parte mental, o que nem é tão novidade assim, e cometeu uma sucessão absurda de erros no tiebreak, justamente onde o emocional é tão necessário. E força mental sobra para o líder do ranking.

Djokovic vai em busca da 50ª final de Masters da carreira em sua 66ª semi. Se vencer às 19h deste sábado, retoma a liderança do ranking da temporada, com vantagem de 100 pontos sobre Rafael Nadal, que pode subir a 500 se levar o bi em Cincinnati e se tornar o único profissional com ao menos dois troféus em cada Masters. É um final de semana especial.

Semi inesperada
A outra semi é daquelas que dificilmente alguém imaginaria quando a chave foi sorteada, ainda que o setor inferior tenha ficado capenga com a desistência de Rafael Nadal. Claro que envolverá dois ex-top 10 que já estiveram em várias semifinais de nível Masters e isso pode garantir um bom espetáculo.

Richard Gasquet já me chamou a atenção em Montréal, porque parecia menos medroso com o forehand, tendo tirado Paire e Nishikori antes de perder para o mesmo Roberto Bautista que dominou com louvor em Cincinnati. Usou desta vez um recurso interessante, que foi diminuir a potência dos golpes para tirar o contragolpe que o espanhol gosta tanto.

Saibrista que foi aos poucos moldando melhor seu tênis, David Goffin já havia feito grandes campanhas na grama, tanto em Halle como em Wimbledon, mas perdido nas estreias de Washington e Montréal. Nem precisou entrar em quadra, favorecido pelo abandono de Yoshihito Nishioka.

Não há favoritismo no terceiro duelo entre Goffin e Gasquet, empatado por 1 a 1, mas vale lembrar que o belga fez semi em Cincinnati no ano passado. Goffin nunca decidiu um Masters em quatro tentativas e Gasquet chega na sua primeira semi desde 2013, tendo sido finalista de Toronto em 2012, a terceira e mais recente que conseguiu.

Osaka torce duas vezes
Quando parecia estar reencontrando alegria de estar na quadra, justamente às vésperas de defender seu título no US Open, Naomi Osaka teve uma notícia ruim. Contundiu o joelho, abandonou as quartas de Cincinnati, pode perder a liderança do ranking se Ash Barty vencer neste sábado e, mais grave de tudo, agora vê sua presença no quarto Slam da temporada sob risco.

Com a desistência de Osaka, Sofia Kenin marcou sua sétima vitória sobre top 10 e a segunda seguida sobre uma líder do ranking em semanas consecutivas. Enfrenta agora Madison Keys, que tirou Venus Williams com a incrível diferença de 39 a 3 nos winners.

Muito mais magra, Svetlana Kuznetsova tirou a chance de Karolina Pliskova brigar pelo número 1. A experiente russa dona de dois Grand Slam já tirou três das 11 primeiras do ranking nesta semana e agora encara Barty, que marcou grande virada sobre Maria Sakkari.