Arquivo da tag: Simona Halpe

Brilho argentino em dia de Big 3
Por José Nilton Dalcim
8 de julho de 2019 às 19:29

Como era esperado, o Big 3 avançou às quartas de final de Wimbledon. O que estava um tanto fora das previsões foi a facilidade com que Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer derrubaram seus adversários. Não fossem alguns momentos de extraordinária capacidade técnica, teria beirada à monotonia.

O garoto Ugo Humbert não sacou nada, ficou preso ao fundo de quadra e aí é praticamente impossível ganhar de Nole, que deu uma aula de como mudar a direção da bola sendo ofensivo ao mesmo tempo. João Sousa tentou de tudo, mas quem sacou, voleou e deu deixada com perfeição foi Rafa, extremamente ágil. Matteo Berrettini decepcionou, e talvez só possamos desculpá-lo pela maratona de 4h30 de sábado. No mais, mostrou backhand pífio e saque fora de tom, sendo engolido pela velocidade e elegância daquele senhor de quase 38 anos.

Então quem brilhou mesmo na chave masculina nesta segunda-feira foi o saibrista Guido Pella. Venceu seu terceiro jogo no quinto set em uma semana e derrubou outro experiente sacador e também vice de Wimbledon, Milos Raonic. A façanha se mostrou ainda maior do que a vitória sobre Kevin Anderson, porque o canadense ganhou os dois primeiros sets e o quarto chegou ao tiebreak.

Canhoto de 29 anos, Pella chegou a Wimbledon com meras quatro vitórias na carreira sobre a grama, tendo perdido na estreia dos preparativos de Halle e Eastbourne. As armas mostradas foram a capacidade de ler muito bem o saque, se mexer com fluidez pela quadra e ter paciência para achar a passada ideal. Pella talvez seja a prova definitiva de que as condições gerais em Wimbledon estão mais lentas, o que não tira um milímetro do seu mérito.

O Big 3 continua favorito para ir à semi, embora há de se respeitar os adversários. Djokovic pega David Goffin, outro que se achou na grama e faz das pernas seu forte. Quem vencer, cruzará com Pella ou Roberto Bautista, que fazem o duelo imprevisto das quartas. O espanhol nunca foi tão longe no piso, está num momento muito confiante da carreira. Nunca é demais lembrar que venceu Djoko duas vezes em 2019.

Nadal por sua vez encara a experiência de Sam Querrey, sacador com bom jogo de base e semi de Wimbledon dois anos atrás. É perigoso, sem dúvida. Federer reencontra Kei Nishikori, que tem devolução e contragolpe suficientemente eficientes para exigir máxima atenção e parece com físico em dia. O ‘Fedal’ está próximo, mas longe de estar garantido.

Emoção continua no feminino
Nada menos que três grandes candidatas ao título deram adeus a Wimbledon nesta segunda-feira de oitavas de final, e todas em jogos eletrizantes e cheios de alternância.

Magnífica reação de Alison Riske sobre a líder do ranking Ash Barty praticamente na base das paralelas precisas, que podem também ser o caminho para barrar Serena Williams. Claro que a heptacampeã bate mais forte na bola e está jogando cada vez mais solta.

Virada também de Barbora Strycova sobre Elise Mertens e de Johanna Konta sobre Petra Kvitova, mas não se pode falar muito em surpresas, porque são todas tenistas com ótima adaptação aos pisos mais velozes.

Simona Halep brecou a sensação Cori Gauff mas não pode sossegar diante de Shuai Zheng, que ganhou dois dos três duelos entre elas. Quem vencer, pega Elina Svitolina ou Karolina Muchova, autora da grande surpresa do dia ao tirar Karolina Pliskova com 13/11 de muita qualidade e ousadia no terceiro set.

As quartas de final fenininas já acontecem nesta terça-feira e acho que, ao se olhar a diferença de currículo entre as que ainda estão de pé, a chance para Serena chegar ao 24º Slam cresceu muito.

Tudo por um set
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2018 às 19:35

O circuito masculino não pensa mais em como vencer Rafael Nadal no saibro. O esforço do momento é ao menos tirar um set do canhoto espanhol e encerrar a notável sequência que vem desde a queda nas quartas de final de Roma do ano passado. Já são 48 sets vencidos, dos quais houve apenas uma real ameaça – Martin Klizan em Barcelona – e dois atrevidos que conseguiram liderar uma parcial (David Goffin e Kei Nishikori).

Enquanto isso, Novak Djokovic sofreu mais um adeus precoce, embora desta vez ao menos tenha sido diante de um jogador com bons recursos. Kyle Edmund não é ‘cego’ no saibro e usou muito bem a velocidade de Madri para forçar o saque e ter muitas vezes o forehand a sua feição. O que incomodou foi ver Nole tão defensivo, raramente se impondo. Chegou a erguer bola para se recompor. Ainda assim, teve chance de vitória ao abrir 0-40 no quinto game do terceiro set, ainda que se deva dar todo crédito ao britânico pela reação. Edmund melhorou muito de cabeça nos últimos 12 meses (talvez a contratação de Mario Ancic tenha parte) e provou isso um pouco à frente, quando se mostrou mais forte que o sérvio no finzinho da batalha.

O discurso de Nadal se mantém humilde e focado. Diz que não dá muita bola para recordes, mas sim para a intensidade certa, afirmando estar muito feliz com seu novo backhand. Nole por seu lado tenta minimizar o descrédito e vê progressos nos seus jogos mais recentes, resignando-se com um “hoje não era meu dia”. Djoko ainda deverá sair de Madri entre os top 20, mas imediatamente vem a defesa do vice em Roma e a queda pode ser dolorosa.

As oitavas
O baixinho Diego Schwartzman é o próximo candidato a tirar um set de Nadal no saibro e tentar assim impedir que ele marque mais um recorde no tênis, que seria da maior invencibilidade sobre um piso (no momento, pertence a John McEnroe, com 49 no tapete). Depois de equilibrar mas perder três partidas anteriores, incluindo Monte Carlo, ‘Peque’ tirou um set de Rafa no piso veloz de Melbourne cinco meses atrás. Verdadeiro saibrista, o campeão do Rio não tem tanta potência mas dois ingredientes importantes: sangue e pernas.

A Argentina aliás tem mais dois nomes nas oitavas: Juan Martin del Potro e Leonardo Mayer. A rodada desta quinta-feira inclui ainda o curioso duelo canadense entre Milos Raonic e Denis Shapovalov. Também agressivos, Kevin Anderson e John Isner mostram por que o saibro madrilenho é tão diferente.

A chave feminina teve como destaque o fim precoce do duelo pelo número 1, já que Carol Wozniacki jogou muito mal e ficou de fora das quartas. Simona Halep parece bem à vontade na volta ao saibro, mas agora terá de encarar o jogo pesado de Karolina Pliskova. Quem vive ótimo momento é Petra Kvitova, que depende muito do físico estar em dia. E olha Maria Sharapova reencontrando seu jogo no saibro.

Boa notícia
Rogerinho Silva e Thiago Monteiro estão nas quartas de final de seus challengers no saibro europeu. E, embora não tenham chance de retornar ao top 100 nem mesmo com títulos, garantiram condição de cabeça no qualificatório de Roland Garros. No momento, Monteiro seria o 11º, imediatamente à frente do paulista. Isso quer dizer que eles não enfrentarão qualquer tenista mais bem classificado nas três rodadas que precisam ganhar em Paris.

Façanha
Paulo André Saraiva dos Santos tem apenas 17 anos e uma carreira juvenil de pouco destaque. De origem humilde, filho de pedreiro e diarista, ganhou convite de última hora para o future de Brasília e conseguiu seu primeiro ponto na ATP, um sonho para a maciça maioria dos amadores do mundo inteiro. Apenas reforça o que insisto há décadas: falta oportunidade no tênis brasileiro.