Arquivo da tag: Simona Halep

O que dizem os números de 2021
Por José Nilton Dalcim
19 de agosto de 2021 às 00:16

Obviamente Novak Djokovic é a figura central na temporada 2021, tendo vencido três Grand Slam em pisos distintos, mas vale observar outros tenistas que têm obtido números expressivos desde janeiro, casos de Stefanos Tsitsipas, o que mais venceu, e de Matteo Berrettini, o terceiro mais eficiente, muito perto de Rafael Nadal. Isso é o que mostram as estatísticas da ATP deste ano.

Entre os jogadores que não estão no top 10, o destaque é o norueguês Casper Ruud. Ele surge como o quinto no aproveitamento de vitórias na temporada (78,7%), lidera junto a Djokovic como os que mais levantaram troféus de campeão (quatro) e ainda divide o terceiro lugar no número total de vitórias (37). Claro que ele construiu tal performance sobre o saibro – chegou em quatro finais de nível 250 e ganhou todas -, mas ele possui antes de Cincinnati 70% de sucesso na quadra dura (7 vitórias em 10), um desempenho bem razoável.

Por falar em piso sintético, vejam que interessante. Djoko é o líder em eficiência, com 86,7% (13 triunfos em 15 jogos), mas o russo Daniil Medvedev está muito perto e já jogou quase o dobro de vezes (86,2%, com 25 em 29). O Urso aparece bem em várias estatísticas e chamo a atenção para a do ‘set decisivo’, ou seja, quando chegou ao terceiro ou quinto sets. Ele é o primeiro, tendo vencido 10 de 12, com 83,3% de sucesso.

Vejam os dados que considero mais curiosos, isso tudo antes de Cincinnati:
Percentual de vitórias: Djoko (88,4%), Nadal (82,8%), Berrettini (82,1%), Medvedev (80,4%) e Ruud (78,7%)
Títulos: Djoko e Ruud tem 4, Medvedev e Zverev somam 3.
Vitórias: Tsitsipas (45), Djoko (38), Medvedev, Ruud, Rublev e Norrie (37)
Vitórias contra top 10: Djoko tem 8 em 10, Medvedev 5 em 7, Karatsev 5 em 9, Zverev 5 em 10, Tsitsipsa 5 em 11
Vitória depois de vencer primeiro set: Rublev está com 97,1% (33-1), Ruud atinge 97% (32-1), Djoko e Medvedev têm 96,8% (30-1).
Títulos e finals: Ruud 4-0, Djoko 4-1, Zverev 3-0 e Medvedev 3-1. Obviamente, em termos qualitativos Djoko está muito à frente.
Vitórias na quadra dura: Djoko tem 86.7% (13-2), Medvedev chega a 86,2% (25-4) e Berrettini, 80% (8-2).
Tiebreaks: Entre os que jogaram ao menos 10, Millman tem 11-1. Entre os que jogaram mais de 15, Isner está com 18-6.
Set decisivo: Medvedev ganhou 10 de 12 (83,3%)

Oitavas em Cincinnati
Quatro ‘trintões’ e ex-top 10 estão indo muito bem no piso veloz de Cincinnati: Grigor Dimitrov tirou Roberto Bautista e Alexander Bublik sem perder set e será o adversário do favorito Medvedev, campeão do torneio em 2019. Já Gael Monfils parece ter reencontrado a vontade de vencer e passou muito bem por Dusan Lajovic e Alex de Minaur, desafiando agora Andrey Rublev.

Na mesma toada, John Isner tirou tudo do saque e voleios espertos e eliminou Cameron Norrie e Jannik Sinner, fazendo agora curioso duelo com Benoit Paire, que eliminou o garoto Denis  Shapovalov. E nesse lado superior ainda está Pablo Carreño. O medalhista de bronze tenta quartas diante de Hubert Hurkacz, num duelo bem interessante.

Nomes da nova e novíssima gerações povoam o lado interior. Em sua primeira aparição após o ouro olímpico, Alexander Zverev teve altos e baixos num duelo de saques contra Lloyd Harris, encara Guido Pella e deve lutar por semi contra Ruud e Diego Schwartzman. Esses dois vêm de vitórias empolgantes. O norueguês virou contra Reilly Opelka com direito a ‘pneu’ e Peque passou por Daniel Evans e Frances Tiafoe.

Tsitsipas teve o esperado trabalho contra Sebastian Korda, pega Lorenzo Sonego e pode definir vaga na semi diante de Berrettini ou Felix Aliassime. O canadense achou seu melhor tênis contra Marton Fucsovics e Karen Khachanov, enquanto o italiano sentiu falta de ritmo, já que não jogava desde a final de Wimbledon.

A chave feminina está, como de hábito, bem aberta. As oitavas já verão Ashleigh Barty x Vika Azarenka e quem passar pega Garbiñe Muguruza ou Barbora Strycova. A sensação nestas duas rodadas foi a veterana Angelique Kerber, que atropelou Maria Sakkari e foi muito bem diante de Elina Svitolina. Mas nada está definido, já que pega a imprevisível Jelena Ostapenko e a vencedora ainda terá Petra Kvitova ou Ons Jabeur, outro jogo imperdível.

Naomi Osaka está de volta a seu piso predileto e não teve vida fácil na estreia contra Coco Gauff. Espera-se que cruze com Belinda Bencic nas quartas. O setor perdeu Simona Halep, que enfim retornou ao circuito mas já está contundida de novo. Aryna Sabalenka errou muito na reta final da partida diante da guerreira Paula Badosa e a única cabeça de chave no quadrante é agora Karolina Pliskova. Só que ela vai reencontrar pela quarta vez na temporada Jessica Pegula, tendo perdido todas para a norte-americana.

E quem já está nas quartas é Luisa Stefani, com sétima vitória seguida ao lado da canadense Gabriela Dabrowski e em busca da terceira semi consecutiva. Obtiveram excelente vitória sobre Azarenka e Pegula e enfrentam agora as perigosas japonesas Aoyama e Shibahara, a terceira melhor parceria da temporada.

Vida dura em Roma
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2021 às 18:21

Começou quente o mais importante preparativo para Roland Garros. Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev tiveram de jogar muito sério para não se complicarem na estreia, enquanto Daniil Medvedev, Diego Schwartzman e David Goffin sequer chegaram nas oitavas. Favorecido por encarar um adversário de menor gabarito, só mesmo Alexander Zverev teve dia tranquilo.

E isso não foi privilégio da chave masculina. O complemento da segunda rodada do WTA viu Naomi Osaka, Serena Williams e Petra Kvitova derrotadas, Simona Halep sofrer triste contusão que deve tirá-la de Paris e viradas suadas da bicampeã Elina Svitolina e Garbiñe Muguruza. Nesse agito todo, Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka avançaram, dando a impressão que quem vencer as quartas pode muito bem ir a mais uma final.

Nadal e Jannik Sinner fizeram talvez o jogo mais aguardado deste início de Masters 1000 italiano e o duelo correspondeu, com enorme empenho dos dois jogadores e um placar consideravelmente apertado, ainda mais se avaliarmos que o garoto italiano sacou duas vezes com quebra à frente no set inicial e depois fez 3/1 e 4/2 na série seguinte. Mas o tempo todo Sinner pareceu mais confortável na devolução do que no saque e seu jogo atrevido encarou sempre a notável capacidade defensiva e de contragolpe do veterano espanhol.

Com apenas 9 erros nesse intenso primeiro set e com 25 winners ao final do jogo, Nadal fez sua melhor apresentação da temporada de saibro porque precisou de suas melhores qualidades para manter Sinner sob algum controle. É fato que o saque ainda é um problema. O nove vezes campeão de Roma ganhou com apenas 49% de acerto de primeiro saque, que teve média de 185 km/h. Fará duelo de canhotos contra Denis Shapovalov e espera-se o reencontro com Zverev nas quartas. O alemão economizou energia e enfrenta Kei Nishikori.

O retorno de Djoko agradou, ainda que o mau tempo tenha embaralhado a partida contra Taylor Fritz. O sérvio sacou para fechar no que seria um bom 6/3 e 6/4, mas se apressou por conta da chuva iminente e se irritou tanto que descontou no juiz. Pediu com louvor desculpa ao árbitro na volta à quadra e conseguiu evitar o terceiro set. Se mantiver o padrão da estreia, terá pouco trabalho com Alejandro Davidovich e aí virá um desafio bem mais interessante contra Tsitsipas ou Matteo Berrettini. Observe-se no entanto que Berrettini fez 11 jogos nos últimos 22 dias.

Thiem ficou bem perto da derrota frente ao bom Marton Fucsovics. E por isso gostei muito de sua atitude na parte mental, encontrando bolas de grande risco e precisão diante do aperto. O austríaco está instável, isso é evidente, e talvez vitórias duras assim ajudem. Não pode vacilar contra Lorenzo Sonego e, se passar, terá um desafio e tanto diante de Andrey Rublev ou Roberto Bautista. O russo está à beira de um ataque de nervos, talvez por conta do calendário excessivo que pratica, e o veterano espanhol foi muito bem diante de Cristian Garin.

O quadrante que tinha Medvedev – está do lado de Nadal – perdeu também Schwartzman e Goffin, o que transforma essa vaga para a semi completamente aberta. Felix Aliassime enfim marcou a grande vitória na companhia do tio Toni e seria especial se ele encarasse Rafa na penúltima rodada. Para isso, terá de superar o canhoto Federico Delbonis e depois aguardar Aslan Karatsev ou Reilly Opelka. Não sei o que esperar desse jogo num saibro, ainda mais se estiver lento, mas depois de ganhar de Djokovic em Belgrado imagino que Karatsev tenha favoritismo para ir lá longe.

Pesos diferentes no feminino
A chave feminina ficou capenga, ou seja, agora muito forte na parte superior. Além do provável reencontro entre Barty e Sabalenka, estão na concorrência pela vaga na final quem passar do ótimo duelo entre Svitolina e Muguruza, cuja vencedora deve encarar Iga Swiatek em seguida. O histórico positivo da ucraniana em Roma é relevante.

No lado inferior, sete das oito classificadas sequer figuram entre as cabeças de chave. Essa exclusividade pertence à tcheca Karolina Pliskova, campeã de 2019 e vice do ano passado. Sua próxima adversária é a veterana Vera Zvonareva, que conseguiu a incrível façanha diante de Kvitova, 17 anos depois de ter chegado na semi de Roma em sua estreia. Quem vencer, pega um nome bem cotado no saibro: Angelique Kerber ou Jelena Ostapenko.

É preciso no entanto ficar de olho no jogo entre Nadia Podoroska e Petra Martic. A argentina fez uma exibição muito boa diante de uma esforçada Serena e o saibro é sua praia máxima. Jessica Pegula se aproveitou das intensas oscilações de Osaka, vendo o primeiro set escapar várias vezes entre os dedos, e terá de ser muito consistente diante de Ekaterina Alexandrova.

Todos os olhos em Roma
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2021 às 18:56

Alexander Zverev e Aryna Sabalenka completaram a excepcional semana sobre o saibro veloz de Madri, misturando os ingredientes nesta reta final do saibro europeu. Mas, a bem da verdade, o que vai acontecer a partir desta segunda-feira em Roma parece muito mais indicativo das forças a concorrer pelas rodadas decisivas de Roland Garros. O sorteio das chaves, aliás, já é um avant-première dos melhores do que poderemos ver dentro de três semanas em Paris.

Zverev foi quase perfeito nas condições velozes de Madri, onde já tinha vencido três anos atrás. Chegou à final gabaritado por vitórias em sets diretos diante de Rafael Nadal e Dominic Thiem, mas quase foi pego no contrapé pelo italiano Matteo Berretini, que soube se aproveitar melhor do teto fechado, que acelerou tudo ainda mais, e ameaçou seriamente o alemão, a ponto de ter chance de quebra no terceiro set primeiro que o adversário. Mas se fez o dobro de winners (32 a 16), Berrettini cometeu 50 erros frente a 28. Foi um jogo mais para mediano. Zverev, que se queixava do cotovelo desde Miami, o que limitava o saque, mostrou-se totalmente recuperado.

Sabalenka por sua vez levantou no sábado seu primeiro título sobre o saibro,e se vingou com sobras das recentes derrotas sofridas para a número 1 Ashleigh Barty, em Miami e no saibro coberto de Stuttgart, com direito a ‘pneu’ no primeiro set. A bielorussa nunca achou que a terra combinasse com seu estilo de jogo muito forçado, baseado no risco do primeiro saque e dos golpes de fundo de quadra, mas ao ir para duas semanas onde as condições aceleraram a bola ela mostrou que pode se adaptar muito bem à superfície. A destacar ainda mais a força emocional. Seu game final em Madri foi um espetáculo de frieza e precisão.

Desafios na Itália
Roma será um teste real para Zverev e Sabalenka. O Foro Itálico tem propriedades bem mais próximas a Roland Garros, com aquele antagonismo de um piso bem lento se o clima estiver frio e úmido, como costuma acontecer na rodada noturna, ou bem mais veloz se jogado sob sol e de dia. Isso exige adaptações técnicas e táticas assim como cabeça forte para contornar as dificuldades do dia a dia.

Isso explica o motivo de Nadal e Novak Djokovic terem vencido 14 das 16 últimas edições de Roma desde a ascensão do espanhol em 2005. Os únicos que conseguiram quebrar essa hegemonia foram Andy Murray, ao bater o sérvio na final depois que Nole tirou Nadal nas quartas, e o próprio Zverev, outro a superar Djokovic na final. O alemão, não nos esqueçamos, decidiu Roma em 2018 vindo justamente da conquista de Madri, tendo aplicado um incrível 6/1 sobre Rafa no jogo pelo título.

A chave masculina de Roma, como eu dizia, pode muito bem espelhar o que virá em Paris até mesmo na disposição dos cabeças de chave. Djokovic pode estrear contra o mesmo Daniel Evans que o surpreendeu em Monte Carlo e está no quadrante de Stefanos Tsitsipas, que tem Berrettini no caminho. Esse lado superior ainda traz Dominic Thiem e Andrey Rublev, e o russo enxerga Cristian Garin e Roberto Bautista como espinhos no caminho antes do austríaco. É um quadro extremamente competitivo.

Nadal viu um sorteio um pouquinho melhor, mas não é nada divertido uma possível jogo inicial diante de Jannik Sinner e muito menos um reencontro com Zverev lá nas quartas. Embora não esteja no mesmo patamar de 2020, Diego Schwartzman merece muito respeito caso chegue à semi. Todo mundo se recorda que o argentino bateu Rafa em apenas dois sets em Roma sete meses atrás numa noite de condições muito lentas.

Obviamente, o último grande torneio antes de Roland Garros tem pesada importância para os três grandes favoritos. Djokovic jogou muito pouco até agora e não foi bem, Nadal vive altos e baixos sem ter achado sequer 70% do seu jogo sobre o saibro e Thiem precisa de maior rodagem e de preferência com vitórias convincentes. É quase certo que Rafa será cabeça 3 em Paris, o que aumenta a tensão.

Osaka e Serena em Roma
O mesmo raciocínio serve para a chave feminina, que só não terá Bianca Andreescu e vê a primeira experiência de Serena Williams sobre o saibro. A rigor, situações que não parecem fazer tanta diferença, ainda que sejam tenistas espetaculares. Ao vencer Madri, Sabalenka saltou para o quarto lugar do ranking e aumentou muito a chance de ser cabeça 4 em Roland Garros, algo nada desprezível quando Naomi Osaka e Simona Halep ainda precisam mostrar serviço. Sabalenka pode reencontrar Barty agora nas quartas e é bem provável que a vencedora espere Elina Svitolina, Garbiñe Muguruza ou Iga Swiatek. Qualquer uma dessas três seria um excelente desafio.

A parte inferior dá ótima oportunidade para Halep se recuperar, ainda que Angelique Kerber seja sua provável estreia e pinte Jelena Ostapenko em seguida. Petra Kvitova é candidata às quartas. A outra semifinalista está num grupo bastante aberto, com Osaka, Serena, Belinda Bencic e até mesmo Nadia Podoroska, potencial barreira para Serena logo de cara.

O histórico recente da chave feminina de Roma aponta dois títulos de Svitolina (2017 e 2018), um de Serena (que chegou ao tetra em 2016), um título (2019) e uma final para Karolina Pliskova e um troféu (2020) e dois vices para Halep. Fica bem claro que qualquer estilo pode dar certo, o que dá um molho muito saboroso.